FAN FICTION
AUTORA : Sky
E-MAIL :
selmasky@ig.com.brDISCLAIMER : Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há nenhum interesse lucrativo.
CLASSIFICAÇÃO : Shipper
SPOILER : Sein Und Zeit
SINOPSE : Mulder busca em Scully o conforto para superar a perda da mãe.
OBSERVAÇÕES : Gostaria que me presenteassem com um feedback, por favor, digam o que acharam. Gostei muito desse episódio e gostaria de saber a opinião de vocês. Quanto ao título, gosto de colocá-lo em inglês porque parece descrever melhor o contexto.
I will be there
"Ela tentava dizer para você parar...
Parar de procurar sua irmã...
Ela tentava diminuir sua dor. "
Agente Dana Scully
A sala agora era feita somente de silêncio, interrompido apenas por soluços ocasionais de um peito dolorido demais para represar a torrente de lágrimas que afloravam daqueles belos e tristes olhos, cansados de ver tudo o que mais amou sendo levado sem que ele nada pudesse fazer para evitar, restando apenas aqueles braços delicados e seguros que o envolviam e tentavam dividir com ele os sentimentos mais profundos e contraditórios de perda e impotência, compreensão e amizade.
E ele aconchegou-se mais, deixando para trás a cadeira a fim de poder aninhar-se naquele colo macio que se oferecia para recebê-lo e que prometia a proteção, o carinho e o afeto de que ele, tão desesperadamente, precisava naquele momento.
Scully o envolveu em seu abraço silenciosamente, de olhos cerrados, acariciando-lhe o cabelo, roçando os lábios em sua nuca, deixando que ele chorasse sem constrangimentos. Acalentou-o como a um garoto, pensando num modo de tentar aliviar a dor do companheiro.
_Ah Mulder !_ ela pensava_ Gostaria tanto de poder protegê-lo desses acontecimentos. Sinto-me tão impotente por não poder tirar essa dor de você, meu amigo. Sequer posso dividí-la. Apenas gostaria que soubesse... soubesse que eu estarei sempre aqui, que meus braços e meu coração estarão sempre livres para recebê-lo, na segurança dos meus mais ternos sentimentos.
Permaneceram assim por um longo tempo, até que a tempestade, que o tragara tão impiedosamente, jogando seus sentimentos ao sabor das ondas , houvesse passado, dando lugar a um cenário de prostração e desalento.
_ Sente-se melhor, Mulder ? _ ela sussurrou junto ao seu ouvido gentilmente, acariciando-lhe a face num gesto de ternura.
Ele limitou-se a afirmar com a cabeça, aumentando a pressão dos braços em torno dela, como a pedir que ela não fosse embora, que continuasse como estava, mantendo-o seguro e aquecido junto ao peito. Não queria ficar só, mas recompondo-se de sua crise, era obrigado a pensar que a parceira já fizera demais por ele. Mais ainda naquela noite, onde todas as suas esperanças haviam se transformado em vestes velhas...rotas...antiquadas... que não serviam mais para cobrí-lo do frio que a verdade lhe mostrava, agora tão duramente. Estava só.
Lentamente ergueu a cabeça para fitá-la, ainda com os olhos úmidos que ela serenamente secava, fitando-o com carinhoso e protetor ar maternal que ele não havia conhecido nem mesmo daquela pela qual ele chorava, Estava enganado, não estava sozinho, não agora.
_ Obrigado Scully _ disse num fio de voz rouca e tão baixa que ela teve que se aproximar para escutá-lo _ Desculpe tê-la retido aqui comigo. Deve estar cansada. Me perdoe...é que eu... hoje...foram tantas coisas....
_ Não diga nada. Não precisa_ ela o silenciou com os dedos _ Quer um chá ?
Ele esboçou um sorriso e assentiu. Scully levantou-se, sentindo o corpo adormecido pela longa permanência na mesma posição, mas não queria que ele percebesse e seguiu até a cozinha, enquanto Mulder se jogava no sofá, fechando os olhos e passando as mãos pelo cabelo.
Scully vasculhou os armários, procurando por algo que não tivesse perdido a validade há mais de um ano e, finalmente, encontrou uma caixa com chá que, pelo cheiro, ainda parecia confiável. Quando voltou à sala, ele parecia dormir e ela aproximou-se devagar..
_Talvez..._ pensou_ seja melhor que você durma um pouco.
Sentou-se na mesa , fitando-o com imenso carinho e ficou observando-o. Os olhos fechados.. as feições contraídas, demonstrando cansaço e tensão...os cabelos desalinhados...a barba por fazer. Observava-o sem pressa, retendo na memória cada detalhe
_ O que guarda sua linda mente ? Quantas vezes já esteve nesta mesma situação ? Se pudesse conhecer seus pensamentos...partilhar suas sensações...seus temores...suas alegrias... fazer parte de algo mais, ocupar algo mais do que a sua amizade para que pudéssemos nos entender, sem reservas. Quem sabe deixá-lo ver tudo o que se passa em mim, em meu coração... derramar sobre você...
_ Um dólar pelo seu pensamento !
Scully assustou-se ao ser tirada dos seus devaneios, enquanto ele a fitava com um sorriso meigo nos lábios. Pensou se o parceiro poderia ainda ler seus pensamentos e corou levemente, esboçando um sorriso e entregando-lhe o chá.
_ Pensei que estivesse dormindo... pegue... beba... fará sentir-se melhor. Deveria tentar dormir um pouco, seu dia não será fácil logo mais.
_ Você também devia descansar, Scully, está abatida. Sente-se aqui_ ele convidou, encolhendo as pernas para que ela se sentasse ao seu lado _ Queria me desculpar.
_ Pelo que, Mulder ?
_ A autópsia...desculpe...fui cruel pedindo que fizesse isso. É que eu...não confio em mais ninguém...eu...agora...não tenho mais ninguém.
Mulder respirou fundo, os olhos marejados novamente. Procurou, com suas últimas energias, manter-se firme para que ela pudesse ir, muito embora, o que mais desejasse era que aquela mulher ficasse ali , que o pusesse novamente no colo e o fizesse sentir-se protegido e amado como precisava. Ergueu os olhos para fitá-la, reunindo todas as suas forças para sorrir.
_ Beba um pouco _ estendeu-lhe a xícara _ está tão ou mais cansada do que eu...deveria ...ir...dormir um pouco.. e ... _ ele suspirou _ Terá trabalho mais tarde. Vão precisar de você no Bureau.
Ela tomou-lhe a xícara das mãos, acomodando-se melhor no sofá, bebendo um grande gole do líquido quente que aqueceu seu corpo e revigorou suas forças. Fitou-o por um longo momento. Realmente estava cansada. Analisou se deveria ir e deixá-lo ali, não que quisesse ir mas, talvez, ele preferisse ficar sozinho, talvez estivesse constrangido de tê-la ali, presenciando sua fraqueza, sua tristeza, vendo-o tão vulnerável ,mas não se sentia em paz para sair, queria muito ficar, porém, achou melhor deixar para ele a decisão.
_ Só há um modo de eu ir embora, Mulder_ ela mergulhou o olhar no dele para não perder nada do que eles lhe diriam porque sabia que ele falaria o que fosse mais confortável para ela mas, seus olhos jamais o deixariam mentir, não para ela, aprendera a ler neles.
Mulder retribuiu o olhar, talvez pensando o mesmo que ela. No quanto os olhos dela lhe diziam dos motivos pelos quais ela estava ali, se a amizade deles já abrigava intimidade bastante para que se abrissem apenas num olhar.
_ Só vou sair daqui se você quiser realmente que eu vá...se quiser ficar sozinho por algum motivo ou se minha presença estiver te incomodando ou constrangendo.
Novamente ele respirou fundo em busca da resistência necessária. Precisava dizer-lhe para ir. Scully precisava de descanso, de paz, da tranqüilidade que ele não poderia lhe oferecer. Mas estava esgotado, não sabia se conseguiria passar por tudo aquilo sozinho, precisava demais dela ali, com ele. Limitou-se a negar com a cabeça, as lágrimas deslizando pela face lentamente, sentindo-se apenas um menino carente e triste que só ela poderia consolar.
A ruiva colocou a xícara sobre a mesa e recostou-se no sofá.
_ Vem aqui ! _ disse, oferecendo novamente os braços e ele deitou-se em seu colo, abraçando-lhe a cintura e deixando as lágrimas correrem livremente, mas agora, não com desespero ou revolta, apenas triste pela perda e comovido com o carinho que ela ,tão generosamente, lhe oferecia.
_ Você deve ser meu anjo da guarda, Scully _ ele murmurou com a voz abafada pela proximidade dela _ Está sempre me protegendo, muitas vezes até de mim mesmo....nunca me deixou sozinho...me assusta pensar até quando...
_ Enquanto você estiver neste planeta, Mulder, eu estarei aqui, com você. E quando minhas asas me levarem de volta, será porque você se foi, mas aonde você estiver, não se preocupe, porque eu estarei lá. Se Deus fez as criaturas aos pares para que nunca caminhassem sozinhas, deve ter feito o mesmo com os anjos e eles existem somente para acompanhar e proteger aqueles que amam.
Ela beijou-lhe a testa cuidadosamente e o estreitou nos braços com ternura para que ele se aquietasse.
_ Agora, apenas, descanse _ ela murmurou em seu ouvido _ eu estarei bem e aqui.
Mulder fechou os olhos, respirou fundo e se entregou confiante aos braços daquela que havia sido enviada para perdê-lo e, no entanto, era a única a quem ele se sentia seguro para se entregar de corpo e alma. Ela estaria ali e esta era a certeza da qual ele precisava para continuar lutando.
FIM