FAN FICTION
AUTORA : Sky
E-MAIL :
selmasky@ig.com.brDISCLAIMER : Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há nenhum interesse lucrativo.
CLASSIFICAÇÃO : Shipper
SINOPSE : Um encontro, uma descoberta, uma troca e um alto preço para se pagar.
OBSERVAÇÕES : Espero que não me odeiem muito, aguardo ansiosamente um feedback
EU TE ENCONTRAREI
( I will find you )
ESCRITÓRIO DO FBI
Washington DC
O silêncio foi quebrado por sons de passos no corredor, Mulder ergueu os olhos em direção à porta e deixou o arquivo que estava lendo de lado. Colocando os cotovelos sobre a mesa, cruzou os dedos e fechou lentamente os olhos, esboçando um sorriso.
_ Ela deve estar num de seus tailler escuros_ pensou _ Os saltos que ressoam no piso devem ser altíssimos. Seus passos são largos. Seus cabelos devem estar voando pela velocidade que caminha_ uma ruga se formou em sua testa_ Deve estar preocupada !
Após tantos anos de convivência, dividindo investigações, acontecimentos inusitados, compartilhando dúvidas, tristezas, medos e angústias, Mulder gostava de pensar que conhecia intimamente a parceira, identificando, pelo modo como caminhava, falava ou olhava, o estado de espírito dela. Mas sabia que estava errado. Scully não demonstrava facilmente seus sentimentos. Conhecia sua parceira, mas não conhecia praticamente nada da mulher Scully. Sempre a tivera a seu lado como companheira dedicada, mas raros eram os momentos em que ela se permitia deixá-lo entrar na privacidade de sua vida e menos ainda de seus sentimentos. Descobrir o que se passava com ela era como mergulhar num livro de mistérios, cheio de meias palavras, sentidos ambíguos. Era preciso ler nas entrelinhas para desvendar o que havia por trás da atitude serena, reservada e firme...como entrar num mundo novo pelo qual ele se achava cada vez mais envolvido.
Scully abriu a porta apressada. Estava exatamente como ele havia imaginado : o conjunto escuro, os saltos altos, seu semblante tranqüilo alterado de alguma forma, havia algo mais que preocupação em seu olhar. Ela estava aflita, pôde diagnosticar assim que ela entrou.
_ Mulder _ disse caminhando rapidamente até a mesa_ acabei de receber uma ligação e não vou poder te acompanhar nesse caso, Ok ?
_ O que foi, Scully, algum problema ?_ ele perguntou aproximando-se dela.
_ Minha mãe ligou. Disse que meu irmão estava vindo pra cá com a família e sofreram um acidente . Eles estão no hospital_ ela explicava, enquanto juntava alguns papéis sobre a mesa_ Desculpe ! Olha aqui estão os laudos da autópsia. Preciso ir...
_ É grave, Scully ? Quer que eu vá com você ? _ ele ofereceu-se prestativo, preocupado com as feições contraídas da parceira.
_ Não, quer dizer, não sei se é grave_ ela parou relutante por um momento, havia apreensão em sua voz quando finalmente concluiu_ Parece que Matthew não está bem.
Mulder sabia o que a família significava para Scully. Eles eram, de certa forma, a ligação dela com o mundo real, normal e tranqüilo. Tudo o que tinha além do trabalho estressante e perigoso que dividia com ele. Sabia que ela, apesar do pouco contato, amava o sobrinho ternamente, talvez projetando nele o carinho que teria pelo filho que , infelizmente, lhe havia sido negado. Reparou que Scully estava mais abalada do que queria deixar transparecer, suas mãos trêmulas deixaram cair o envelope com os laudos.
_ Que droga ! _ ela praguejou quando o deixou cair novamente e eles se abaixaram juntos para pegá-lo.
_ Hei ! Scully ! Calma ! _ ele disse segurando os papéis e tocando-lhe as mãos_ Eu levo você até lá, Ok ?
_ Não precisa, Mulder, eu posso ...
_ Eu sei, mas eu quero. Do jeito que você está pode acabar provocando um acidente também. Eu te deixo lá, vou ver algumas coisas sobre o caso e depois volto pra te apanhar, se você ainda estiver lá, está bem ?
Mas não deixou que ela respondesse, com a mão em seu ombro, foi conduzindo-a para fora da sala e seguiram para o hospital sem que ela o impedisse porque, na verdade, o contato das mãos quentes dele em sua pele transmitia-lhe mais segurança do que ela queria admitir, fazia com que se sentisse protegida e de alguma forma saber que ele estaria ali, com ela, amparando-a tentando tornar mais fáceis de ser vividas.
HOSPITAL GERAL
Washington DC
_Mãe ? _ Scully chamou assim que a viu no corredor do hospital_ Onde está Bill ? Como eles estão ?
_ Bill e Tara estão bem_ Margareth respondeu abraçando-a_ Já foram medicados, tiveram apenas ferimentos leves . Eles estão com Matthew_ a voz dela agora estava embargada, seus olhos marejados demonstravam que aquela não era uma situação confortável_ Parece que ele não está nada bem, Dana. Houve um acidente de trem e estão trazendo muitos feridos para cá, o hospital está lotado e não há muitos médicos disponíveis, eles estão fazendo o que podem mas... Talvez você possa ajudá-lo, filha.
Margareth estendeu a mão para Mulder e esboçou um gesto de agradecimento.
_ Olá Fox ! Obrigada por trazê-la.
Scully foi ver a criança e Mulder aguardou com a mãe dela por mais notícias.
Os médicos tentavam conter a hemorragia mas havia algo mais que eles não conseguiam identificar que impedia que o tratamento aplicado surtisse o efeito desejado. Não tinham pessoal suficiente para fazer todos os procedimentos. Alguns pacientes estavam sendo transferidos para outros hospitais. Estava um verdadeiro caos para se obter informações, controlar exames e, no caso de Matthew, Scully fez a diferença entre a vida e a morte do garoto. Procedeu ela mesma os exames para descobrir o foco principal da hemorragia, percebendo uma espécie de bactéria que impedia e coagulação do sangue e, tomou as medidas necessárias para isolá-la e combatê-la. Diagnosticou a necessidade de intervenção e procedeu sozinha as atitudes imediatas para socorrê-lo , assumindo a responsabilidade pela criança.
Várias horas depois, o garoto já havia saído da cirurgia. Seu estado era delicado devido à quantidade de sangue que perdera, mas já não havia mais risco de vida, a hemorragia cedera e ele agora repousava tranqüilo no leito, ao lado dos pais.
Bill e Tara abraçaram-se a ela e choravam juntos. O perigo havia passado. Restava apenas que a natureza jovem e saudável do menino reagisse aos medicamentos aplicados.
Mulder havia saído prometendo voltar mais tarde para saber notícias e, incrivelmente, até Bill se mostrara simpático à sua presença ali.
_ Bill_ Scully disse levando-os para fora do quarto_ ele está bem agora. A hemorragia parou. Os sinais estão estáveis. Vocês podem vê-lo, mas não poderão ficar aqui.. Há muita gente a ser atendida. Vocês precisam descansar. Por que não leva mamãe e Tara pra casa, tomam um banho, se alimentam decentemente ? Eu fico aqui. Talvez tenha que ajudar a socorrer algumas das pessoas que chegaram, não há pessoal suficiente. Eu tomo conta dele e qualquer alteração eu aviso.
Embora relutantes e devido à insistência de Scully, eles resolveram aceitar a sugestão e ela pôde relaxar, uma vez que, os procedimentos no hospital já estavam sob controle. Sentou-se ao lado do sobrinho e contemplou-lhe a pequena face pálida com ternura. Sentia-se recompensada por ter podido ajudá-lo. Nunca pudera fazer muito por sua família. Seus conhecimentos de medicina não haviam sido muito úteis para eles pois estava sempre longe, correndo atrás de algum caso com Mulder que, aliás, ultimamente, vinha sendo seu principal paciente.
Lembrou-se de ligar para avisá-lo, mas ele já havia falado com a Margareth.
_ Sua mãe me disse que ele está bem, Scully, graças a você .
_ Não, Mulder, apenas ajudei de alguma forma. Graças a Deus ele é saudável e resistiu bem à cirurgia. Ele estava infectado com uma bactéria estranha que não deixava que o sangue coagulasse. Não estava tão certa de poder socorrê-lo.
_ Você sempre consegue, Scully. Tem mãos mágicas.
Ela apenas sorriu, era bom ouví-lo dizendo isso.
_ Vai ficar aí ? _ ele continuou.
_ Sim, Bill levou Tara e minha mãe para casa. Prometi ficar para acompanhar a recuperação dele e minha casa está meio longe, iria demorar muito para chegar aqui se ele precisasse de algo.
_ Não está cansada ?
_ Já me acostumei a passar noites em hospitais .
_ Acho que isso foi uma indireta, Scully _ ele continuou, aliviado por vê-la serena novamente_ Tudo bem ! Vou passar em casa e depois vou até aí te fazer companhia.
_ Não precisa,Mulder, não há lugar para se acomodar aqui, eu estou bem e...
_ Eu sei, até logo !
Não esperou que ela questionasse. Iria ficar com ela. Queria isso.
Scully sentou-se pela primeira vez desde que chegara ao hospital e somente nessa hora percebeu o quanto estava cansada, recostou-se na poltrona e, em seguida, caiu no sono para acordar sobressaltada minutos depois ao ouvir gritos pelo corredor.
_ Me soltem_ gritava uma mulher irritada_ não podem me proteger aqui. Preciso ir embora.
Os médicos tentavam acalmá-la.
_ A senhora sofreu um acidente. Precisamos ver se está bem. Seu braço está machucado. Fique tranqüila, ninguém vai lhe fazer mal.
Mas ela estava longe de se acalmar e Scully saiu no corredor intrigada com a ocorrência. Viu a mulher sobre a maca e seu coração falhou uma batida. Aproximou-se para ver os cabelos negros na altura dos ombros, o corpo esguio, os olhos muito abertos que pareceram reconhecê-la imediatamente.
_ Agente Scully ? _ disse a mulher incrédula, tentando se levantar _ Precisa me ajudar. Chame o Agente Mulder. Eles querem me manter aqui, você sabe que não é seguro e..
A mulher se debatia tentando se soltar, mas os médicos a prendiam sobre a maca.
_ A senhora conhece essa mulher ? Se não conhece precisa nos dar licença, ela tem que ser medicada.
_ Eu sou médica, posso ajudá-los. Ela não parece ter nada grave_ disse olhando-a num exame superficial.
_ Foi você que operou aquele garotinho, não é ? _ o médico constatou aliviado _Me ajude a acalmá-la então, só precisamos fazer alguns curativos e estancar o sangue nesse corte.
_ Agente Fowley? _ disse Scully pousando a mão no braço dela _ Fique calma. Você só precisa de alguns curativos e depois podemos conversar, está bem ? Precisa nos ajudar.
Diana pareceu tranqüilizar-se. Conhecia aquela mulher. Sabia que poderia chegar até Mulder através dela que parecia ser a única pessoa capaz de conquistar a confiança do homem que ela ainda acreditava amar e pelo qual ela imaginava estar sacrificando sua carreira.
Após o choque inicial, Scully ajudou a medicá-la e tendo sido feito o tratamento necessário, levou-a para um leito vago, passando pelo quarto do sobrinho a fim de constatar que ele dormia calmamente. Sentou-se numa cadeira ao lado dela e puxou a cortina a fim de terem alguma privacidade.
_ Precisamos conversar, Agente Scully. Sei que deve estar estranhando minha presença aqui. Sei que me consideravam morta, mas foi tudo forjado...
_ Quem forjaria sua morte ?
_ Os mesmos homens que fizeram os testes com você, que pegaram o Agente Mulder
_ Mas você trabalhava para eles !
Scully não podia deixar de desconfiar daquela mulher.
_ Eles sabiam que só eu poderia ter lhe dado o livro para decifrar o artefato e a chave para encontrar o Agente Mulder.
Scully não pôde negar que aquilo fazia sentido.
_ Eu lhe sou grata por isso_ disse sinceramente_ não fosse por você o Agente Mulder estaria morto.
_ Eles me levaram para o mesmo local onde você esteve durante sua abdução, fizeram os mesmos testes mas eu conhecia aquele lugar. Diferente de você e dos outros eu sabia o que eles iriam fazer e esta manhã surgiu a oportunidade para que eu escapasse. Tentei localizar o Agente Mulder, mas não consegui, ele não estava em lugar algum. Recolhi as provas que tinha e decidi fugir, mas de alguma forma, eles me localizaram e na fuga acabei provocando o acidente que me trouxe até aqui. Sei que eles não vão desistir. Eu tenho documentos suficientes para provar quem eles são e o que estão fazendo, preciso de proteção. Preciso falar com o Agente Mulder. Só ele pode me ajudar.
Scully relutava em acreditar naquela mulher. Não conseguia mais ter raiva dela depois do que fizera para salvar Mulder, mas ainda havia algo que a incomodava em sua presença. Não sabia identificar, não confiava totalmente nela como o parceiro fazia. Sabia que existia um pouco de ciúme pelo passado que eles tiveram juntos, pela intimidade que ela nunca se permitira ter com ele, mas não era só isso, em frente a ela estava sempre em alerta como se esperasse alguma traição, alguma jogada que a afastaria do parceiro ou os prejudicaria de qualquer maneira.
_ Vou solicitar alguns agentes para garantia sua segurança_ falou ainda relutante em chamar por Mulder.
_ Você não compreende, Agente Scully_ Diana segurava seu braço_ Eles não podem me proteger. Preciso sair daqui.
Scully não teve outra opção que não a de ligar para Mulder.
_ Mulder ? _ ela falou ao ouvir-lhe a voz.
_ Oi Scully ! Estava saindo para ir até aí. Precisa de alguma coisa ?
_Não Mulder. Preciso que venha depressa. Há alguém aqui que você vai querer ver !
_ Quem ? _ ele perguntou tranqüilo
_ Digo quando chegar aqui, por favor, apresse-se_ ela concluiu.
_ Ok !_ disse desligando e entrando no carro.
Um homem, porém, vigiava as duas mulheres, acompanhara de longe os movimentos de Scully e sorria intimamente pensando em como concluir logo seu trabalho, tomando o cuidado de não ser visto por Scully pois sabia que ela o identificaria imediatamente.
Dirigiu-se à enfermeira com um sorriso charmoso.
_ Oi_ disse se aproximando_ estou procurando uma amiga, o nome dela é Dana Scully, ela pediu que eu viesse até aqui.
_ Ah! A médica que salvou o garotinho ? Ela está com uma outra paciente que chegou agora, no segundo corredor à direita.
_ Obrigado. Quem é o garotinho ? Ela não me disse nada ao telefone
_ É o sobrinho dela. Sabe, ainda bem que ela nos ajudou. Esse hospital estava um inferno. Quase não era possível socorrê-lo. Ele está no quarto 709 se quiser vê-lo.
_ Obrigado_ disse gentil , os olhos brilhando estranhamente enquanto exibia um sorriso maléfico_ Acho que vou fazer isso.
Scully ainda estava com Diana, que se mostrava calada agora. Parecia não querer mais lhe dar informações até a chegada de Mulder. As duas ficaram ali, analisando uma a outra.
_ Dra. Scully ? _ disse a nova enfermeira de plantão, puxando a cortina que as separava dos demais pacientes_ Poderia assinar aqui ? Acho que a enfermeira do turno anterior esqueceu de lhe pedir antes de liberar o garotinho.
Scully subitamente sentiu-se congelar. Um amargo pressentimento envolvia seus pensamentos.
_ Do que está falando ? _ perguntou apreensiva.
_ A transferência de seu sobrinho. A ambulância o levou há uns quinze minutos mas faltou sua assinatura nesta via. Está uma confusão nesse hospital hoje. Nunca vi tanta gente pra atender_ disse a enfermeira risonha.
_ Que transferência ? Quem pediu isso ? _ Scully já estava no corredor, o coração aos pulos enquanto Diana a seguia.
_ Já estava tudo pronto quando eu cheguei_ o sorriso da enfermeira havia sumido quando percebeu que havia algo errado_ Há uns dez minutos que procuro pela senhora e só agora consegui localizá-la.
_ Que enfermeira estava aqui antes ? _ Scully já alcançara a porta do quarto de Matthew.
_ Ela já foi embora_ a enfermeira estava quase chorando _ Eles disseram que já estava tudo pronto .
_ Eles quem ? O que está acontecendo aqui? Eu não autorizei nada !_ berrou Scully ao constatar que o garoto havia sumido.
_ Mas está aqui !_ a enfermeira estendeu-lhe os papéis.
Scully viu que haviam assinaturas nos papéis mas não havia como saber de quem eram. Suor frio percorreu-lhe a espinha, sua boca tornando-se seca de repente. Folheou os papéis para ver se encontrava algo e, ao virar uma das folhas, viu algumas palavras , suficientes para que ela entendesse o que estava acontecendo e o pânico que começara a sentir momentos antes agora se transformara em completo desespero.
Dizia simplesmente, ¨Acho que podemos fazer uma troca, aguarde contato ¨ . Ela, porém, já sabia o significado e as conseqüências que viriam. Soltou o papel que caiu no chão e saiu correndo pelos corredores.
Mulder se aproximava e apressou o passo quando viu Scully gritando e gesticulando, entrando pelos quartos.
_ Scully! O que aconteceu ?
Mas ela parecia não ouví-lo. Pegou o celular e ligou para o irmão, sem saber exatamente o que falar. Pediu com voz sumida, que tentava controlar, para que eles viessem até o hospital.
Mulder a segurou pelos ombros, tentando acalmá-la enquanto ela passava as mãos pelo rosto.
_Scully ! Calma ! O que está acontecendo ?
_ Meu sobrinho, Mulder ! Eles o levaram !_ disse com os olhos marejados _ Eu estava com a Agente Fowley e ...
Ela parou subitamente, olhando para os lados, procurando por Diana e seu desespero aumentou quando não a viu. Soltou-se das mãos de Mulder e se pôs a correr pelo hospital com ele a segui-la.
_ Ela estava aqui, Mulder, Diana Fowley, tinha sofrido um acidente. Disse que o assassinato dela foi forjado e que eles a estavam perseguindo porque tinha provas contra eles. Queria falar com você, eu fiquei com ela e deixei meu sobrinho sozinho, eles o levaram, Mulder. Querem fazer uma troca e agora ela sumiu.
_ Scully você está delirando ! Acalme-se_ Mulder a parou _ Diana está morta !
_ Ela estava aqui, Mulder . Eles querem trocá-la pelo Matthew ! Ela fugiu. Meu Deus ! O que eu vou fazer ?_ dizia enterrando as mãos nos cabelos.
Mulder voltou até a recepção. Tentaram localizar a enfermeira que liberou a autorização, mas ela também havia desaparecido. Percorreram todo o hospital. Não conseguiram encontrar a ambulância, não havia registros dela. O garoto havia desaparecido sem deixar pistas.
Voltaram para o quarto de Matthew para encontrar Bill , Tara e Margareth esperando, já a par do que acontecera. Bill correu até Scully com o bilhete e os papéis de transferência, os olhos soltando chispas, o dedo acusador voltado para ela.
_ O que você fez com meu filho ? Cadê o Matthew ? Em que vocês o envolveram ? _ berrava e desviando o olhar para Mulder continuou_ Qual o trabalho sujo agora ?
Se tivesse recebido um tiro, Scully não sentiria tanto o golpe. A acusação do irmão caiu sobre ela como um raio e ela recuou um passo, encostando-se instintivamente ao peito de Mulder que a apoiou com as mãos sobre seus ombros. Estava angustiada. Seus sentimentos, tão raros de se expressarem, estavam agora estampados nas feições contraídas, os olhos marejados, num estado de completo desalento.
_ Bill _ ela começou hesitante _ eu ...
_ Fique longe de nós, Dana. Você tem trazido desgraças. Melissa já se foi por causa do que vocês chamam de trabalho e se acontecer o mesmo com meu filho não vou te perdoar.
Tara chorava desesperada e Margareth tentava interferir. Mulder mantinha a mão sobre o ombro da parceira, vigiando as reações dela que parecia chumbada ao solo, os olhos muito abertos, completamente chocada.
_ Bill_ começou Margareth _ não diga isso ! Precisamos estar juntos para encontrar Matthew. Precisamos de calma...
_ Calma ? _ Bill cortou descontrolado__ Mamãe eu confiei nela e ela o deixou sozinho. Por quem eles querem trocar Matthew ? _ continuou virando-se novamente para ela _Pelo seu parceiro, Dana ? Assusta-me pensar em quem você escolheria ... Nunca avaliou os riscos que nos coloca. Você foi ...
Mulder não conseguia mais segurar. Aceitava a reação de Bill como um pai desesperado, mas a forma como ele atingia Scully e como ela recebia isso estava deixando-o maluco. Não agüentava olhar para a face torturada e silenciosa da amiga, recebendo aquilo como uma punição.
_ Você está sendo injusto com ela e isso não leva a nada. Precisamos nos concentrar em procurá-lo. Não vê o que está fazendo a ela ? _ ele estava indignado pela avalanche de acusações que ele jogava sobre Scully sem que ela reagisse.
_ Injusto com ela ? _ Bill agora concentrava sua fúria sobre a figura alta e segura que o fitava agora ligeiramente à frente de Scully como a protegê-la de qualquer ataque do irmão _ Quem é você para falar de justiça ? Nossa família está desmoronando por sua causa, por causa de seus estúpidos homenzinhos verdes...
_ Escuta aqui !_ agora Mulder também começava a perder a paciência. Estavam gastando um tempo precioso em uma discussão inútil _ Eu entendo a sua reação. Se quer me culpar por tudo não me oponho,mas sua irmã não tem nada com isso. Ela é tão vitima quanto Matthew, está tão abalada quanto você, ficou o dia inteiro neste hospital e, se não fosse por ela, não estaríamos discutindo agora, seu filho não teria sobrevivido. Ela salvou a vida de Matthew. Não pode fazer isso com ela agora...
Scully pareceu sair do torpor e recuperar um pouco do autocontrole, mas Mulder sentiu, pelo toque frio da mão dela sobre a sua, que a parceira estava longe da serenidade que tentava aparentar.
_ Por favor, Mulder_ disse num tom muito baixo, implorando com os olhos para que ele parasse_ Eu vou encontrá-lo Bill. Eu sei que não entende o que eu faço, mas não sou irresponsável ou negligente no que diz respeito a vocês. Nós não pedimos por isso. Jamais pensei em colocá-los em risco. Vou encontrá-lo_ e desviando os olhos para a mãe e a cunhada, continuou_ leve-as para casa.
Margareth olhou desolada para a filha e não entendia como ela conseguia passar por tudo isso, ver e sofrer tantas coisas que qualquer outra pessoa já teria enlouquecido mas, talvez a resposta estivesse na presença daquele homem que parecia dispensar a ela toda a proteção e cuidados que dispunha. Talvez dali viesse a força que, a cada dia, via crescer em Dana.
_ Não vem conosco, filha ?
Scully virou-se para fitar a mãe e suavizou a expressão.
_ Não mãe, Bill tem razão. Não posso colocar mais ninguém em perigo. Assim que souber de algo eu aviso vocês. Ainda há algumas pessoas com quem preciso falar. Vou aguardar que entrem em contato comigo, não se preocupe, vou ficar bem.
Ela voltou a olhar para Bill e abraçou a cunhada.
_ Perdoe-me fazê-la passar por isso, Tara_ disse-lhe com voz trêmula_ Vou trazê-lo de volta. Preciso que confie em mim.
Dizendo isso caminhou pelo corredor, tentando dar firmeza aos seus passos, mas uma enorme angústia tomava conta dela e não acreditava realmente que pudesse chegar ao elevador.
_ Você vai com ela, Fox ? _ perguntou Margareth em tom de súplica.
Mulder envolveu os ombros de Margareth e falou gentil.
_ Vou cuidar dela, Sra. Scully, não se preocupe. Trarei os dois de volta.
Os sons familiares de passos atrás de si foram suficientes para dar a Scully a energia que precisava para não desistir e podia quase sentir o olhar de preocupação de Mulder em suas costas, por ela, pelo sobrinho e pelas conseqüências que adviriam se eles não o encontrassem.
Após uma série de interrogatórios que não deram em nada, chegaram ao apartamento dela sem trocar palavra. Mulder lançava olhares furtivos para a companheira que mantinha os olhos fixos na estrada , estranhamente calada, deixando-se conduzir de uma maneira pouco usual e ele podia ver, apesar do esforço que ela fazia para não demonstrar, que aquela situação estava destruindo suas resistências.
APARTAMENTO DE SCULLY
Georgetown
Ao descerem do carro o celular de Mulder tocou e eles se sobressaltaram.
_ Mulder ! _ ele atendeu prontamente.
_ Oi Mulder ! _ disse uma voz masculina do outro lado.
_ Frohike ! _ Mulder respondeu, vendo que Scully abria a porta do carro e entrava a passos rápidos no prédio, sem esperá-lo.
_ Queria falar com você sobre...
_ Frohike outra hora a gente se fala, ok ? Preciso ir.
Desligou sem aguardar resposta e seguiu atrás da parceira.
Mulder entrou no apartamento que ela deixara aberto, mas não a encontrou na sala. Entrou no quarto para vê-la sentada no chão, encostada na cama, as mãos abraçadas às pernas, o rosto enterrado nos joelhos e abaixou-se, tocando-lhe as mãos.
_ Scully ?_ chamou serenamente.
Ela não respondeu, permaneceu na mesma posição, encolhendo-se mais.
_ Scully olha pra mim ! _ ele pediu puxando-lhe as mãos e levantando-lhe o queixo.
Ela o fitou apática, triste, temerosa, tão diferente da mulher que ele conhecia.
_ Eu estou bem, Mulder_ disse automaticamente_ Só gostaria de ficar sozinha.
_Não, Scully, você não está bem, está fazendo um esforço enorme pra se manter forte. Porquê não permite que eu fique com você? Escute-me disse tomando o rosto dela entre as mãos_ uma vez você já me pediu pra deixá-la sozinha num momento que eu sei como foi difícil para você e eu concordei porque queria respeitar seu espaço, mas hoje, nossos espaços se misturam e eu não vou embora. Me deixa te ajudar, por favor .
Scully ficou quieta por um tempo olhando para ele, tentando se acalmar, pensando no que dizer sem se deixar levar pelas emoções que teimavam em aflorar, impedindo que ela raciocinasse com a frieza que costumava.
Mulder não posso arriscar a vida de Matthew _ disse com voz que tentava tornar firme _ eu não poderia...eu...
Ela agora não conseguia mais segurar, a incerteza sobre o destino do sobrinho, a acusação que seu irmão jogara-lhe em face, aquela mulher que surgia para assombrá-la, tudo isso contribuía para torná-la frágil. As lágrimas que começavam a cair lentamente foram tomando forças.
_ Eu não sei o que fazer se eles o machucarem.
Ela torcia as mãos nervosamente e alisava os cabelos . Voltou a fitá-lo e viu nele a mesma tortura que lhe envolvia a alma. Sabia que ele sempre estaria ali, oferecendo sua generosa atenção, sua carinhosa proteção, apenas para vê-la confortável. Realmente o espaço entre suas vidas não possuía mais uma linha claramente distinta e o que ela mais queria agora era fazer com que essa linha desaparecesse de vez. Precisava demais dele ali. O único espaço que queria para si era aquele limitado pelos braços dele.
_ Ah !Mulder_ disse deixando as lágrimas correrem livremente_ Desculpe, mas não estou mais suportando_ admitiu aproximando-se para abraçá-lo.
_ Vem aqui, minha amiga_ ele a tomou nos braços_ não precisa agüentar sozinha. Você tem a mim. Sinto não poder livrá-la desse pesadelo, mas estamos juntos nisso. Sei que está sendo difícil, mas nós vamos resolver. Confie em mim.
Ela soluçou sentidamente enquanto ele lhe acariciava os cabelos, mantendo-a junto ao peito para suspendê-la e sentar-se com ela sobre os joelhos, envolvendo-a fortemente em seu abraço, tentando passar-lhe um pouco de segurança, mas, infelizmente, ele também estava sombrio com relação a Matthew, principalmente porque não tinham nada, além deles mesmos, para oferecer em troca.
__ Scully ? _ Mulder chamou levantando-lhe o rosto com as mãos quando ela se acalmou _ Precisamos pensar em alguma coisa. O que Diana te disse ? Ainda não consegui entender essa estória.
Ela respirou fundo, enxugando as lágrimas com as mãos, recompondo-se para enfrentar o inevitável.
_ Ela está viva, Mulder. Disse-me que o assassinato foi forjado, que eles a seqüestraram e fizeram o mesmo que comigo, que tinha provas contra eles e por isso estavam atrás dela. Não sei em que acreditar, mas Matthew está com eles por causa dela. É ela a troca e nós não temos nada. Por que isso tinha que acontecer, Mulder ? Por que não levaram a mim ? Ele ainda estava tão frágil e se ...
__ Não pense nisso, Scully_ ele disse abraçando-a mais forte_ Eles vão ligar, nós vamos até lá e...
_ Eu vou, Mulder, não quero arriscar nada. Ah! Deus, Bill tem razão, eu só atraio infelicidade pra...
_ Não_ ele tocou-lhe os lábios_ Scully, não diga isso. A única infelicidade que você terá causado é a minha se deixar que te aconteça alguma coisa. Não vou colocar a vida de Matthew em perigo, mas não posso deixar que vá sozinha. Não quero arriscar a sua vida também e não vou permitir que te machuquem mais
O celular de Mulder tocou novamente.
_ Fox ?
_ Diana, é você ?
Scully pulou do colo dele, enquanto Mulder fazia um gesto para que ela se acalmasse.
_ Diana, não acredito que esteja viva. Você está bem? A Agente Scully me disse que quer falar comigo.
_ Fox preciso ver você. Onde você está ? Estou indo para o seu apartamento.
_ Me espere, estou indo pra lá.
Mulder desligou e fitou Scully.
_ Ela está em meu apartamento. Scully, me escuta_ ele continuou vendo-a dirigir-se para a porta _ Se você for ela não vai querer falar, não vai me dar as provas. Preciso que ela acredite que estou do lado dela. Ligue-me assim que eles tiverem marcado o encontro, diga que levaremos o que eles pedirem.
_ Não posso ficar aqui sem fazer nada, Mulder !
Ele a surpreendeu com um beijo no rosto.
_ Acredite em mim, vou voltar ! Mas me prometa que não irá lá sozinha !
Ela simplesmente abaixou a cabeça e ele saiu apressado.
APARTAMENTO DE MULDER
Arligton
Diana estava no apartamento esperando e o abraçou quando ele entrou.
_ Senti sua falta, Fox. Fico feliz que esteja bem.
_ O que aconteceu, Diana ?_ ele perguntou soltando-se do abraço dela.
_ Eles me fizeram passar por morta para que ninguém me procurasse, só não me mataram porque sabiam que eu tinha provas contra eles. Acho que, de certa forma facilitaram minha fuga para ver quem eu iria procurar.
_ E por que veio até mim ?
_ Isso é do seu interesse_ ela disse surpresa com a reação dele _ Tenho tudo o que você precisa para mover uma ação legal contra o Sindicato !
_ Por que me oferece isso agora, Diana ? Você poderia ter feito isso quando encontrei os Arquivos X, mas preferiu ir embora. Poderia ter me ajudado quando encontramos Gibson Praise, mas escolheu tomar meu lugar. Por que me procura ? Qual seu interesse ?
_ Nunca deveria ter ido, Fox. Eu queria mais, não queria ficar presa a um porão, investigando casos perdidos. Sei que estava errada, que devia ter ficado com você, que precisava de alguém que pensasse como você ! Eles me ofereceram a oportunidade de conhecer a verdade. Você não conhece o projeto, não sabe o valor da causa, estávamos tentando salvar as pessoas. Mas nós podemos mudar isso agora, tenho as provas, podemos resolver muitos desses casos. Sei muito sobre a conspiração.
Diana segurava-lhe as mãos e se aproximou do rosto dele, demonstrando o interesse que ainda guardava.
_ Tínhamos coisas juntos, Fox, podemos recuperar isso. Sei o quanto os Arquivos X são importantes pra você.
Mulder a olhava fixamente, absorvendo cada palavra que ela dizia, voltando no tempo para relembrar o que havia passado durante o período em que abandonara tudo : carreira, respeito, vida pessoal, tudo para se dedicar a uma causa que abraçara de corpo e alma e nessas lembranças apenas um rosto povoava sua mente, era para ele que seus pensamentos o levavam nos últimos sete anos. Pensava na delicadeza de seus traços de uma beleza pouco convencional, da pele branca e macia que várias vezes estivera tão próxima a dele em todos os momentos em que a luta parecia perdida, em que a busca tornara-se árdua demais ou nas raras e preciosas vezes em que ele apenas se juntava ao dele com afeto e ternura.
Pensava nos lábios que sempre se abriam para trazê-lo de volta à razão, nos olhos lúcidos que pareciam transportá-lo para um universo mágico de cumplicidade e emoção e que nunca temiam encará-lo de frente para contrariar ou apoiar uma idéia, mas que se tornavam subitamente tímidos quando ele os fixava com o ardor que lhe consumia o peito. Somente a ele sentia-se seguro para se entregar sem constrangimentos ou receios e era a este rosto que Diana pedia que ele renunciasse.
_ Há uma vida em jogo, Diana _ disse simplesmente
_ Eles não farão mal ao garoto. Isso transformaria a Agente Scully numa bomba, apenas querem controlá-la, anular suas reações, fazê-la trabalhar para eles. Você não percebe ?
_ Onde estão os arquivos, Diana ?_ ele perguntou, desviando do assunto que tanto o aborrecia, pensando no tempo que passava sem que houvessem chegado a lugar algum.
_ Estão seguros.
_ Preciso deles !_ ele disse segurando-lhe o braço.
_ Você não pode entregar a eles ! _ Diana soltou-se e saiu em direção à porta.
_ Me dê os arquivos, Diana ! _ ele falou bloqueando a passagem.
_ Acho que me enganei . Pensei que os Arquivos X eram importantes pra você, Fox. Imaginei que podíamos começar de onde paramos. A Agente Scully não é capaz de levá-lo até aonde eu posso.
Mulder a segurou pelos ombros e a jogou sobre o sofá.
_ Você não a conhece, não avalia do que ela é capaz. Estive bem até agora sem você, Diana. Minha parceira tem me ajudado muito mais do que você pode supor.
_ Ela é tão importante assim, Fox ? Ela vale o preço de sua busca, a vida de sua irmã ?_ Diana gritou.
_ Minha irmã está morta, Diana ! Seus amigos a mataram !
_ Não Fox _ ela continuou esperançosa _ eu vi a Samantha !
_ Chega, Diana ! Eu não acredito em suas mentiras. Há uma criança desaparecida agora e não é a minha irmã.
_ Pense bem, Fox_ ela disse mudando de tom_ Eu posso ajudá-lo a encontrá-la, tenho pistas.
_ Você poderia ter me ajudado antes, Diana, mas fez sua escolha, preferiu trabalhar com eles.
_ Acha que escolheria esta vida se soubesse o que eles fariam comigo ?
_ Você quis, se ofereceu para trabalhar com eles. A Agente Scully foi designada para acabar com meu trabalho e, no entanto, nunca houve pessoa mais integra. Nunca me traiu, nunca me abandonou, manteve-se ao meu lado contra qualquer um. Ela não pediu por isso. Não pediu por tudo o que já passou, pelas perdas que sofreu, esteve comigo quando eu precisei de ajuda, amizade, proteção e eu não vou deixar que ela sofra de novo.
_ Mesmo que isso custe as respostas que procura ?_ ela interrompeu.
Mulder parou para encará-la e respirou fundo. Quando voltou a falar sua voz era firme, segura e sentiu certo prazer no que disse. Era uma confissão para si mesmo, uma reverência a Scully e uma condenação para Diana.
_ Não creio que você entenda o que eu vou lhe dizer, Diana, mas...já se sentiu realmente completa? Já teve seu dia iluminado pela presença de alguém que te conhece melhor do que você mesma e que te aceita assim? Já se viu esperando ansiosamente para que o dia amanheça por que sabe que ela estará lá? Já se sentiu presa apenas por um olhar ? Perdida somente num sorriso ? Se ainda houver um preço pela minha busca, será bem pequeno para pagar por tudo o que ela me deu, pelo que ela significa pra mim. Se houver algo a ser descoberto, é com ela que eu quero encontrar, só faria sentido com ela. O que nós tivemos , Diana, é nada perto do que eu sinto quando percebo a presença dela. Achei que já conhecia tudo mas ela me ensinou a amar de uma maneira completamente diferente. Nunca me pediu nada em troca porque Scully é generosa de todas as maneiras que se possa ser. Não existe mais eu e você. Sinto muito. Sei agora que nunca existiu. Minha vida inteira foi preenchida por uma pequena e cética ruiva. Se for preciso sacrificar estas respostas para não ver o desespero no olhar dela, eu o farei. Jamais barganharia com o que é importante para a mulher que eu amo.
O celular de Mulder tocou e ele apressou-se a atender mas somente conseguiu ouvir a voz de Scully quando sentiu o metal frio da arma em sua nuca.
_ Gostaria que não fosse assim, Fox_ Diana disse, arremessando o celular no chão_ Mas você não me deu escolha.
Mulder sentiu o chão sumir sob seus pés. Precisava encontrar Scully antes que fosse tarde, antes que ela fizesse alguma loucura.
_ Diana me entregue os arquivos_ disse tentando ganhar tempo_ Deixe-me consertar as coisas. A Scully e o garoto podem morrer. Se realmente sente alguma coisa por mim, me entregue. Minha vida também está lá.O que você ganharia com isso ?
_ Não tenho mais vida, Fox. Estou morta. Achei que você poderia mudar isso, que pudéssemos voltar a ser como antes. Arrisquei o projeto vindo até aqui. Você não deveria saber de nada. Tudo o que posso agora é fazer meu trabalho. Não é o garoto que nos interessa. A Agente Scully resistiu à vacina, Cassandra está morta. Precisamos continuar os testes. Foi isso que vim te oferecer. Poderia conhecer todo o projeto. Não somos monstros, assim como você, também tentamos salvar vidas.
_ Sacrificando outras_ cortou Mulder, sentindo um suor frio aflorar na testa_ Foi tudo planejado não é, Diana ? Por que envolver o garoto ?_ de repente, ele entendeu o que havia acontecido_ Não foi um acidente, não é ? Vocês fizeram isso com o menino.
_Sua parceira é realmente boa. Iríamos propor-lhe restabelecer a saúde do garoto em troca de colaboração ,mas ela não precisou de ajuda e então tivemos que recorrer a isso. Não planejei nada Fox, apenas sigo ordens. Precisamos dela para o isolamento do vírus.
Mulder só pensava em matá-la.
_ Diana eu também passei por testes. Deixe-a e o garoto em paz. Posso ir com você, me ofereço para os testes, isso também me interessa.
_ Agora é tarde, Fox. Como você disse, ela não desistiria de procurá-lo e você não pode nos oferecer o mesmo que ela. Não pode gerar filhos.
_ Do que está falando ? Scully é estéril, vocês fizeram isso a ela.
_ Tudo pode ser revertido
Diana sobressaltou-se quando o celular dela começou a tocar e Mulder viu a oportunidade para escapar. Agiu instintivamente quando ela ia atender e conseguiu prender-lhe os braços nas costas obrigando-a a atender ao telefone, ouvindo a voz do cúmplice .
_ Diana já marquei com ela aqui na Usina Crawford , avise os outros para estarem prontos.
Mulder a fez responder antes de desligar e literalmente a arrastou até o carro amarrando-lhe as mãos e prendendo-a com o cinto.
_ Reze para que ela esteja bem Diana. Eu não vou me dar ao trabalho de forjar sua morte.
Enquanto dirigia, Mulder se lembrava de todas as advertências que Scully lhe fizera a respeito de Diana. Ouvia a voz dela como uma sentença : " Porquê não há registros da Agente Especial Diana Fowley ?", "O relatório dela protegeu tudo menos você" ", Acho que já sabe o que eu penso dela ! ".
Acelerou o carro, enquanto Diana mantinha-se quieta ao seu lado.
USINA CRAWFORD
Arredores de Washington
Chegaram à usina abandonada para ver o carro de Scully estacionado. Caminharam até o galpão vazio onde estava um outro carro e Mulder pode ouvir as vozes de Scully e Krycek discutindo.
Chegou a tempo de ver Scully apontando a arma para ele.
_ Me entregue o garoto Krycek e eu juro que não vou te matar.
_ Não está em condições de escolher Agente Scully.
O garoto estava no carro e Scully tentou se aproximar.
_ Ele ainda está debilitado, precisa voltar ao hospital. Por favor !
_ Deixe ela e o garoto irem, Krycek_ Disse Mulder chegando com Diana_ Já sei do plano sórdido de vocês. Não vão se sair bem. Eu vou encontrá-lo_ disse apontando a arma para Diana.
_ Ora, ora, Agente Mulder_ respondeu com sorriso irônico_ Acho que não foi isso que combinamos não é Diana ?
_ Ele me forçou a trazê-lo.
_ Não deveria ter ido procurá-lo. Afaste-se agente Mulder ou o garoto vai explodir_ continuou mostrando um controle remoto e olhando para Matthew que dormia tranqüilamente no banco do carro.
Scully lançou um olhar desesperado para Mulder e ele respirou fundo antes de soltar Diana, lançando um olhar de ódio para Krycek.
_ Não sou tão cruel _ Krycek sorria_ Pode levar o menino, ele não nos interessa. Cabe a você escolher. Posso apertar esse botão e terminamos por aqui. Você leva sua preciosa parceira, mas o garoto fica.
Mulder novamente voltou a fitar a parceira que lhe pedia numa súplica muda que fizesse o que mandavam sem saber o que eles queriam em troca, o quanto custaria. Sabia que ela jamais se perdoaria se Matthew viesse a morrer por causa dela mas como ele viveria sem saber o que se passava com ela, sem tê-la junto de si, sem saber se ela estaria viva ou não e o que é pior o que ela estaria sofrendo nas mãos daquelas pessoas. Seria um inferno maior do que a perda de Samantha e ele se viu diante da decisão mais difícil que teria que tomar.
Aproximou-se dela e tocou-lhe o ombro.
_ Não me peça isso, Scully_ sussurrou angustiado_ Não me peça pra escolher.
_ Não há escolhas, eu não conseguiria viver com isso, Mulder, por favor_ ela disse fitando-o com carinho, já prevendo o que iria acontecer e o quanto iria custar para ele _ Faça isso por mim !
Ele baixou os olhos , foi até o carro e pegou o garoto com mãos trêmulas, acomodando-o nos braços. Ele estava muito ruborizado, o corpo quente denunciava alguma febre.
_ Ele não está bem, Krycek. Ela é médica. Deixe que cuide do garoto. Eu vou com vocês.
_ Não precisamos de você, Agente Mulder. Se quer realmente ajudar o garoto leve-o a um hospital!_ interrompeu o outro homem, enquanto se aproximava para segurar o braço de Scully _ Cuidaremos bem dela _ terminou com sarcasmo..
Mulder mostrou intenção de voltar, mas o olhar de Scully o deteve.
_ Mulder vá, por favor, tire-o daqui !_ ela pediu ao vê-lo junto a si _ Eu ficarei bem _ Concluiu, procurando os olhos tristes do parceiro.
_ Eu te encontrarei, Scully _ ele apenas murmurou, numa promessa feita com o olhar.
O tempo parecia haver parado enquanto ele fitava a parceira, de repente, tão frágil ao lado daquele homem. O peso do garoto parecia aumentar aliado ao desespero que tomava conta dele. Deixá-la ali, ciente do que lhe aconteceria , entregá-la nas mãos dos inimigos que ele adquirira em sua luta pela verdade parecia ser um golpe muito maior do que poderia suportar. Prometera à mãe dela, a ela e sobretudo, a si mesmo que não deixaria que a machucassem e agora, diante do pedido angustiado que ela lhe dirigia, caminhava a passos lentos, consciente do que estaria renunciando, deixando ali o preço mais alto que se poderia pagar pela paz de espírito dela : o elo que o ligava àquele mundo...sua fé...sua esperança...sua própria vida.
TO BE CONTINUED....