FAN FICTION
AUTORA : Sky
E-MAIL :
selmasky@ig.com.br
DISCLAIMER : Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, blá blá blá, etc.
CLASSIFICAÇÃO : Shipper
SINOPSE : Após uns tempos juntos é preciso algumas concessões para unir os agentes.
OBSERVAÇÕES : Novamente, aguardo um feedback. Obrigada.
ENFIM, JUNTOS
O quarto estava envolvido no mais absoluto silêncio. Podia-se distinguir claramente as feições da mulher de cabelos ruivos, banhados intensamente pelos raios da lua que penetrava pela janela .
De repente, a quietude foi quebrada por um barulho, a princípio, quase imperceptível, mas foi o bastante para que Scully franzisse a testa, erguendo as sobrancelhas em sinal de desalento.
Virou-se na cama para encontrar melhor posição e tentar esquecer o ruído. Tudo em vão.
O som agora tornara-se cristalino e começou a encher o quarto de uma forma assustadora. De nada valeram seus esforços de virar na cama ou ajeitar o travesseiro . Ela se sentou . Olhou desalentada para os lados e, repentinamente, o ruído parou.
Aliviada ela voltou a deitar-se com os olhos vermelhos circulados por olheiras profundas, que davam àquela jovem mulher uma aparência cansada e abatida. Lentamente seus membros foram invadidos pela languidez do sono e ela se entregou prazerosa.
Novamente o ruído recomeçou. Agora mais alto do que nunca e ela não se conteve. Pulou da cama irritada. Todo o corpo sendo sacudido por uma violenta crise dos nervos que, há dois meses, vinham sendo testados diariamente.
_ Eu não agüento mais ! _ berrou ensandecida : os cabelos despenteados e os olhos arregalados, dando notícia do que se passava em seu intimo.
Imediatamente viu pousar sobre ela um par de olhos assustados e atônitos. Já com a arma em punho, Mulder atirou-se da cama e se pôs em pé imediatamente, fixando a parceira descabelada e irreconhecível. Não pôde evitar um estremecimento de horror ao fitá-la com aquela gosma verde espalhada no rosto. Uma faixa branca prendendo os cabelos impiedosamente para trás.
_ O que foi ?! _ perguntou após se recompor do choque .
_ Mulder, assim não dá ! _ ela ainda estava completamente descontrolada e atravessou por cima da cama, como a pisar em um terreno minado, tal a rapidez com que chegou do outro lado, e se jogou sobre o parceiro enfurecida_ Há dois meses que eu mal consigo fechar os olhos.! Quero minha vida de volta ! Quero dormir ! Pelo amor de Deus ! Não é pedir muito ! Deus sabe como me esforço para parecer uma pessoa equilibrada, sensata ! _ Agora ela perambulava pelo quarto, com as mãos para o alto, gesticulando e gritando _ Mas isso tem sido muito maior do que eu sou capaz de suportar ! Eu tinha uma vida tranqüila ! _ voltou a olhar para ele _ Não, depois que conheci você, minha vida nunca mais foi tranqüila ! Eu só tinha alguns minutos de paz quando, por uma concessão , uma interferência divina, eu podia colocar a cabeça sobre o travesseiro e dormir. Duas horas, meia hora, não importa ! Mas eu tinha isso ! _ Sentou-se na cama, deixando o corpo ser sacudido por lágrimas incessantes.
Mulder aproximou-se devagar, os olhos ainda assustados.
_ Mas o que eu fiz ? _ perguntou com voz carente e afetuosa, pensando que talvez a crise de nervos tivesse sido ocasionada por algum pesadelo.
Ela explodiu. Repeliu a mão que tentava tocar em seus ombros e se pôs em pé, como um raio.
_ VOCÊ RONCA, MULDER . R-O-N-C-A ! Tão alto que o prédio estremece . Que os vizinhos já estão fazendo um abaixo assinado para nos expulsar daqui. Olha ! Eu tento, eu juro que estou tentando. Já tomei chás, calmantes, já me deitei primeiro, nada adianta. Você parece uma..._ ela não achava a comparação ideal_ furadeira...não... uma britadeira.
Mulder explodiu numa gargalhada . Ela ficou ainda mais furiosa e partiu pra cima dele, jogando as roupas que deixara espalhadas , o que já ocasionara também diversas e ardentes discussões, e o empurrou até a porta.
Em poucos momentos eles alcançavam a sala, ela gritando histérica e ele rindo feito louco. O peito todo besuntado daquela estranha porcaria verde que ela insistia em passar no rosto.
_Scully !_ ele tentava falar _ Eu nunca reclamei de você dormir todo dia com essa gororoba no rosto !
_ Isso não te impede de dormir, Mulder !
_ Quer que eu vá embora ? _ ele perguntou desafiador.
A resposta que recebeu foi a camiseta arremessada no rosto.
_ Vai ter que implorar pra eu voltar, Scully ! _ ele ameaçou, ainda se divertindo com o ataque dela.
_ Não espere por isso ! _ ela berrou.
Mulder saiu fechando a porta com estrondo e ela se viu novamente envolvida pelo silêncio. Entrou no quarto e se jogou na cama, adormecendo quase imediatamente.
SEDE DO FBI
WASHINGTON DC
A porta do escritório abriu-se lentamente, os olhos azuis, no rosto rejuvenescido, repousaram sobre o homem alto e elegante que lia atento um relatório.
_ Bom dia, Mulder ! _ ela falou mansamente.
Ele abaixou o papel e olhou para ela. Vestida num tailleur de cor clara, os cabelos cuidadosamente penteados, a pela fresca e sedosa, em nada lembrava a mulher enfurecida da noite anterior. Em princípio, ele levara a estória na brincadeira, mas agora estava com raiva dela e queria puni-la.
_ Bom dia, Agente Scully ! _ falou secamente _ Está atrasada ! Preciso que faça a autópsia desse corpo _ continuou, estendendo uma pasta.
_ Desculpe, Mulder ! _ ela falou com ternura _ Sei que fui muito dura com você ontem .. é que..
Ele não deixou que ela terminasse. Voltou o olhar frio e impassível para ela e respondeu como se nada tivesse acontecido.
_ Não sei sobre o que está falando, Agente Scully , apenas pegue o envelope e vá fazer seu trabalho.
Ela se irritou ao ser tratada com tanta indelicadeza, afinal, ele deveria compreender o que ela estava passando. Era toda uma nova adaptação, uma mudança muito radical em sua vida metódica e racional. Já havia deixado as teorias e manias dele infiltrarem-se em seu trabalho, mas não sabia se deveria deixar que o mundo extravagante dele invadisse seus únicos minutos de paz e lucidez, quando finalmente chegava em casa.
Agiram assim durante toda a semana. Evitavam falar sobre algo além do que se referisse ao trabalho. Quando , inadvertidamente, seus corpos se tocavam, por qualquer motivo, afastavam-se de imediato e aquele afetuoso tratamento, que sempre fora uma constante entre eles, foi enterrado completamente. Ao final do dia separavam-se sem palavras e cada um dirigia-se para a solidão de seu próprio lar.
Mulder, que tomara aquela atitude como uma forma de puni-la, mas que; no entanto, não estava realmente ofendido; não sabia como voltar atrás naquela situação. Receava que ela o rejeitasse e logo se deixou envolver por um triste sentimento de mágoa. Acreditava que deveria partir dela a reconciliação, uma vez que, não se sentia culpado por nada.
Chegava em casa, mal-humorado e infeliz. Gostaria de poder ter de novo a presença carinhosa dela, sobretudo nos últimos meses em que ela se revelara uma amante sincera e ardente e a frustração aumentava cada vez mais.
Scully também estava arrependida. Sentia falta do calor dele, tanto de suas mãos quanto de seus olhos que agora a fitavam friamente. Chegava em casa e demorava a conseguir dormir. Não sabia como remediar a situação. Qualquer atitude mais afetuosa que ela tomava, em relação a ele, era recebida com olhar orgulhoso e repelida imediatamente.
Skinner percebeu que o clima entre eles não estava bom, mas não havia nada que pudesse fazer. Uma nova investigação iria começar e precisaria de vigilância constante. Sabia que eles odiariam isso, mas não tinha opção e já se preparava para enfrentar o mau humor dos dois.
_ Agentes_ disse ao vê-los entrando _ Sentem-se. Há um novo caso que precisa da atenção de vocês. Um homem foi identificado como o responsável por três mortes que ocorreram no último final de semana, porém, em nenhum dos casos foi possível prender o suspeito porque ele sempre tinha um alibi irrefutável na hora em que os crimes ocorreram.
_ E como sabem que é ele realmente ? _ perguntou Mulder de maus modos
_ Ele foi filmado pela câmera de segurança do prédio.
_ E qual o mistério, senhor ? _ Scully interferiu.
_ No mesmo horário, ele estava numa festa da empresa. Foi visto por mais de trinta pessoas, foi um dos últimos a sair e ainda foi levado pra casa por um dos convidados, porque estava embriagado. Em todos os casos ele tem um álibi intocável.
_ Pode haver um irmão gêmeo ? _ Mulder comentou
_ Não é o que diz o registro. Preciso que mantenham vigilância sobre ele._ Skinner concluiu entregando-lhes a pasta do caso e as chaves do furgão que deveriam usar na vigilância, a fim de gravar qualquer coisa suspeita.
_ Posso ir sozinho, senhor ! Não são necessárias duas pessoas nesse caso
Mulder queria ser agradável, poupando Scully de um longo período de vigília. Não queria mais manter o clima tenso que ambos estavam vivendo e sentia imensamente a falta do companheirismo de antes.
Mas não foi dessa forma que ela interpretou. Imaginou que ele a estava afastando, que não queria tê-la ao seu lado e revidou irritada.
_ Tem razão. Não são necessárias duas pessoas nesse caso !
_ Agentes ! Não sei o que anda acontecendo entre vocês, mas é norma do FBI que um agente não fique em vigilância sozinho. Tratem de resolver isso.
Ambos saíram apressadamente, Mulder recusou a oferta dela de o levar até em casa e combinaram encontrar-se no local, durante a noite. Scully iria primeiro e Mulder seguiria depois afim de rendê-la.
Passava das duas horas da manhã quando ele bateu de leve na janela do furgão, sendo atendido pela parceira de feições sonolentas.
Mulder olhou ao redor para observar o local : havia uma mesa, numa das laterais, com os equipamentos de escuta, uma embalagem de comida chinesa sobre a cadeira e um banco estofado de três lugares que deveria estar servindo de leito para a parceira.
_ Alguma coisa ? _ perguntou ,sentando-se ao lado dela.
_ Chegou cedo _ ela observou _ Combinamos às três.
Ele a fitou, não queria discutir como vinham fazendo nos últimos dias. Queria paz ! Estava se sentindo mal com o que estava acontecendo. Queria de volta a parceira amiga e a amante recente e, sinceramente, tinha dificuldade em lembrar o motivo pelo qual haviam brigado. Parecia algo tão pueril que não justificava aquele afastamento.
_ Não consegui dormir, estava preocupado com você aqui, sozinha _ falou, mas não deu nenhuma oportunidade de ela responder, mudou de assunto rapidamente _ O que conseguiu ?
__ Nada ! _ ela disse desalentada _ O homem chegou cedo, por volta das 19 horas, ouvi barulhos na cozinha, no banheiro. Parece ter ficado vendo televisão até tarde. Depois subiu e se deitou . Mulder, o que estamos fazendo aqui ? _ ela perguntou irritada.
_ Parece que estamos de castigo ! _ respondeu num meio sorriso _ Desligou o equipamento ?
_ Não, só diminui o volume _ ela explicou, levantando-se para aumentá-lo novamente_ Acho que ainda está dormindo, não ouvi nenhum ruído.
Scully mexeu no aparelho e um som estranho invadiu o ambiente. Os dois não disseram nada, ficaram ouvindo, tentando identificá-lo e, depois, fitaram-se com olhos divertidos para, em seguida, começarem a rir .
_ Nem olhe pra mim ! _ disse Mulder _ Estou bem acordado ! É assim que eu faço ?
Scully parou de rir para encará-lo com os olhos brilhantes e a pele corada pelo riso.
_ Se você roncasse assim, já teria te dado um tiro, Mulder ! _ ela falou e baixou a cabeça, soltando um gemido.
_ O que foi ?
_ Nada ! Ai ! Acho que deitei de mau jeito ! Meu pescoço está doendo !_ ela contou, massageando o pescoço_ Vai ficar bem sozinho ?
Mulder sentou-se, colocando as pernas em volta do banco e segurou-lhe a mão.
_ Sente-se aqui ! Deixa eu te ajudar com isso _ convidou, apontando seu pescoço.
Ela sentou-se de costas para ele que colocou as mãos sobre seus ombros, procurando o lugar dolorido, fazendo uma massagem leve, deslizando os dedos pelas costas. Levantou-lhe os cabelos e massageou o pescoço, ouvindo-a exclamar de dor.
_ Desculpe !
_ Não... não foi nada... está melhorando !
Mulder continuou, percorrendo as costas com as mãos e, subitamente, suas respirações foram ficando tensas. Ele agora descia pelos braços, em carícias suaves. Já não estava mais preocupado em aliviar-lhe a dor . Aproveitou o silêncio dela e continuou, envolvendo a cintura e trazendo-a de encontro ao peito.
Scully fechou os olhos e se deixou levar pelo movimento e calor das mãos dele. Encostou-se e sentiu os dedos percorrerem seu ventre, descerem sobre suas coxas, em movimentos seguros e fortes, percebendo a tensão que começava a se criar ali.
Abriu os olhos quando sentiu o toque sobre os botões da blusa e arrepiou-se quando ele aproximou a boca de seu ouvido.
_ Desculpe ! _ Mulder falou com voz rouca.
_ Perdoe-me você, Mulder _ ela falou baixinho, virando o pescoço para encontrar os lábios dele.
A blusa foi tirada rapidamente, o zíper da calça ,deslizando ligeiro com a ajuda dela que se desfez da peça, ainda recostada sobre seu peito.
Bocas se unindo...
Calor invadindo...
Roupas jogadas...
Carícias trocadas...
Sussurros ofegantes
Aproximando os amantes...
Toques ardentes
Confundem as mentes...
Mãos se procuram...
Gemidos que duram...
Sorrisos que voltam...
Olhares que trocam...
Corpos colados...
Êxtases dobrados...
Depois nada mais...
Só silêncio e paz...
FIM