FAN FICTION

AUTORAS: Késsia Nina e Sky
E-MAIL:
shipperx@gmx.net e selmasky@ig.com.br

SPOILERS: Emily, Nunca Mais, Milagro
CLASSIFICAÇÃO: NC-17!!! Se você é menor de idade, não nos responsabilizamos por danos. hehehehehehe

CATEGORIA: Scully/Outro, Scully/Mulder
FEEDBACK: Adoramos!!! São todos respondidos!!
DISCLAIMER: Os personagens aqui não pertencem a nós! Fox Mulder, Dana Scully e Bob Donnel pertencem à Fox Network!

NOTA DAS AUTORAS: Todas as histórias da Késsia Nina e da Sky estão no site The Shipper X: http://www.shipperx.hpg.com.br

Nota da Késsia:

Esta história teve início dia 30/06/2000, graças à AleXandra Morgilli que me mostrou uma foto maravilhosa da Gillian com o Dylan McDermott do seriado The Practice (O Desafio). Achei muito legal os dois juntos e resolvi escrever sobre isso! Para quem assiste a The Practice, tome como base episódios antes do casamento dele com a Lindsay! E também levem em conta que eu não vejo muito esse seriado apesar de gostar bastante! Só estou usando o "Bob" para fazer a Scully se empolgar um pouco! ;)

Já estamos quase no ano 2001 e somente agora a estória está saindo, dessa vez, graças à grande escritora de fics Sky, que me ajudou muito!!! :)

Muitíssimo obrigada à AleXandra Morgilli que betou carinhosa e rapidamente esta fic... hehehehhe Alê, adorei seus comentários, como sempre! :)


Nota da Sky:

Bom, eu também não assisto muito ao seriado o Desafio porque não posso me viciar em mais nada, mas foi legal escrever sobre o Bob, principalmente num encontro com a Scully, mas meu lado shipper não conseguiu deixar o Mulder de fora da estória, então...boa leitura.

A poesia é de Camões e me lembra uma época distante em que eu estava no colégio e me encantei com a poesia lírica dele.

Obrigada Késsia e Ale, pela diversão de escrever com vocês. Adorei e espero repetir da dose.

Bom, galera, chega de blá, blá, blá e vamos ao que interessa!!!!!!!!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

APENAS UMA PROMESSA

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Porão do FBI

Escritório dos agentes Mulder e Scully

 

Depois de tantos anos invadindo casas particulares era de se espantar que Mulder e Scully nunca tivessem sido acusados de invasão de domicílio. Skinner não estava nem um pouco satisfeito com a situação, afinal o que era mal para seus dois agentes, era mal para o FBI e eles poderiam pegar uma suspensão. Era quase certo que ela aconteceria.

O julgamento aconteceria dentro de duas horas e Scully não conseguia entender como Mulder poderia estar tão calmo. Ela nunca havia passado por uma situação dessas e estava bastante desconfortável com a situação.

Sentados no porão do FBI, aguardavam silenciosamente a hora de ir para a corte.

_ Você não parece estar nervoso, Mulder._ Queria saber o motivo de tanta calma no parceiro e não sabia como perguntar diretamente.

_E não estou.

Sua resposta seca e direta a fez perceber que ele estava nervoso, mas não queria demonstrar. Pelo que se lembrava, também era a primeira vez que Mulder estava sendo acusado por invadir um lugar. Em todos os casos anteriores um bom pedido de desculpas resolveu o problema, mas não nesse.

Subúrbio de Washington DC

Alguns dias antes

_Scully, vá pelos fundos._ Falou o agente perto do ouvido da parceira.

Ela obedeceu e seguiu sorrateira e silenciosamente o caminho para os fundos da casa. Uma mulher estava sendo acusada de vários homicídios e ao que indicava ela poderia ser mais uma das poucas assassinas seriais existentes. Os agentes, mesmo não estando à vontade com o caso tão banal, perto dos seus habituais, foram investigar.

Ao chegarem na casa da suspeita, ouviram gritos. Sacaram suas armas e correram. Os gritos cessaram. Não entraram imediatamente na casa pois poderia ser perigoso. Não sabiam quantas pessoas estavam ali.

Mais um grito. Os agentes arrombaram ao mesmo tempo as portas da frente e dos fundos gritando:

_FBI!

Se encontraram no corredor e seguiram em direção ao quarto, de onde vinham os gritos. Ao arrombarem a porta, tiveram uma surpresa.

O quarto estava iluminado por apenas algumas velas nos cantos. Cortinas escuras bloqueavam qualquer tipo de luz. As paredes eram cobertas por quadros pornográficos. E ao lado da porta, onde Mulder e Scully se encontravam, havia um equipamento de câmera portátil com tripé gravando tudo o que os dois homens e a mulher faziam no quarto.

Scully conteve-se ao máximo, mas não conseguiu não sorrir. A situação era embaraçosa demais para ela. Tanto esforço para pegar somente uma produção barata e caseira de vídeos pornográficos.

Mulder olhou para a parceira e ela pôde ver em seus olhos que ele estava bastante desapontado. De certa forma, esperava encontrar a assassina imediatamente. Mas pela descrição dela, sabia que a mulher que ali se encontrava não era a mesma pessoa.

O trio levantou-se rapidamente e sem o menor pudor chegaram perto dos agentes e praticamente os expulsaram do quarto fechando a porta em seguida. Os dois saíram da casa sem falar nada e acreditando que nada aconteceria devido à calma com que as pessoas ali presentes reagiram ao vê-los.

Não foi o que aconteceu.

Porão do FBI

Dia atual

Uma hora e meia havia passado e Scully estava mais ansiosa que nunca. Precisavam sair imediatamente do Bureau a fim de haver tempo suficiente para chegar ao local da audiência. Não era uma audiência grande, mas somente uma sala com os advogados do FBI de um lado e o advogado de acusação da vítima do outro.

Saíram do FBI com dez minutos de atraso. Consequentemente chegaram atrasados no tribunal.

Era uma sala muito pequena. Menor ainda que a que Scully fora quando fizera o pedido de adotar Emily. A lembrança a deixou triste, mas tratou de esquecer rapidamente. Passado é passado.

Sentou-se ao lado de Mulder e de um dos advogados do FBI e de frente para o advogado de acusação, que logo se apresentou rudemente.

_Devíamos ter começado a sessão sem os dois, afinal não temos a vida toda a esperá-los.

Scully olhou com desdém para o advogado, mas não disse nada. Só reparou que ele era realmente bonito. Alto, olhos claros, cabelos negros. Repreendeu-se imediatamente, afinal, estava sendo acusada e precisava focalizar a situação.

_Sou Bob Donnel._ Disse ele, estendendo a mão para os agentes.

Scully sentiu o aperto de mão firme e seguro do homem e seus olhos se encontram por um instante. Ela não se importou em manter o olhar, exceto quando viu que Mulder a fitava como expressão recriminadora, talvez adivinhando o que se passava na mente dela.

Tentou manter-se atenta e repreendeu-se intimamente : Pare com isso, Scully, você está num julgamento, pode ser suspensa e deveria aprender a controlar seus hormônios.

Hormônios. Desde quando lembrara que os tinha? Vivia num regime tão grande de abstinência que até seus pensamentos eram censurados. Não havia tempo para isso, não havia espaço para pensar em necessidades físicas e sensações latentes enquanto estivesse ao lado da personalidade absorvente de Fox Mulder. Tudo era intenso demais com ele, mas nada, absolutamente nada, físico.

Nesse ponto, havia um rígido controle de ambas as partes. Mas por que o medo? Seria de não haver correspondência ou de serem completamente tragados pelas emoções? Não saberia dizer. Mas impossível não notar o olhar ardente que, vez ou outra, burlava toda a vigilância e emergia com urgência. Como o náufrago voltando a tona do fundo do oceano.

A audiência teria corrido normalmente se Scully não estivesse com a mente pontilhada de pensamentos íntimos e conturbados, principalmente ao notar os olhares insinuantes e freqüentes de Donnel em direção a ela.

A agente temia que Mulder visse tais olhares e ao mesmo tempo se perguntava porque temia. Sua relação com Mulder não passava de amizade e respeito profundos. Ela poderia sair com quem quiser.

_Sair? Quem falou em sair?_ Pensou e sorriu.

_Está sorrindo de quê? Nós estamos perdendo._ Esbravejou Mulder.

Não percebera que estava sorrindo e parou assim que ouviu a voz seca do parceiro. Fazia tempo que não se sentia assim. A palavra, em princípio, não veio à sua cabeça, mas com o tempo chegou. Há muito tempo não se sentia desejada.

As duas últimas vezes que se sentiu assim não foram muito boas. Ed Jerse e Phillip Padgett quase a mataram, mas ela não podia pensar o mesmo de Bob Donnel. Ele era um homem inteligente. Possuía sua própria firma e com certeza era uma pessoa normal. Não um assassino.

_Srta. Scully?_ Perguntou Donnel.

_Desculpe-me. O que falou?_ Disse ela, voltando finalmente dos seus devaneios.

Scully respondeu às perguntas que lhe eram feitas sem maiores problemas e esqueceu um pouco o assunto que tanto a fizera perder o controle.

Incrivelmente, três lentas horas depois, foi feito um intervalo. Scully saiu da sala, com Mulder ao seu lado. Após alguns minutos, o advogado do FBI foi chamado à sala do juiz e quando voltou, parecia satisfeito.

_Eles querem um acordo. Parece que um dos homens que estava na casa não pode aparecer e está tentando convencer a mulher a abrir mão do processo.

Mulder riu pela primeira vez no dia.

_Acho que deveríamos continuar, adoraria ver a casa cair.

_Já temos problemas demais para nos ocupar, não precisamos nos envolver em brigas conjugais ou seja lá o que for isso._Scully respondeu secamente.

O caso foi encerrado, mas os agentes não estavam completamente impunes. Ainda passariam pelo julgamento interno do FBI e poderiam ser suspensos de suas tarefas por até três meses, pois não haviam respeitado o protocolo. Mulder estava desolado só de pensar em ser suspenso. Já não bastava a total falta de casos interessantes, ainda teria que agüentar meses fazendo absolutamente nada.

Na saída da sala, Donnel chamou Scully em particular para uma conversa que deixou Mulder intrigado.

_O que ele poderia querer com a Scully?_ Pensou enquanto a aguardava balançando os pés de um lado para o outro. As mãos no bolso.

Avistou uma sorridente Scully. Fazia tempo que não a via sorrir. Sentia falta de um sorriso de vez em quando. Pensou melhor e viu que Scully não tinha muitos motivos para sorrir. Nem ele.

Sua parceira já estava vindo em sua direção quando perguntou.

_O que ele queria?

_Nada importante ... _ Ela respondeu aérea.

_Nada importante? E por que precisava segredo?_ Ele perguntou mal humorado.

Scully fitou o semblante do parceiro e não conseguiu deixar de sorrir. Estava bem aquele dia. O processo seria arquivado e sabia que Skinner daria um jeito para que não fossem suspensos. Há algum tempo não se sentia amedrontada ou abalada com algum caso esdrúxulo e o passado de lembranças dolorosas parecia estar adormecido em seu peito. Sentia-se emergindo das cinzas e aquela sensação lhe dava a agradável esperança de ver o mundo mais colorido e alegre.

_Não era segredo, Mulder. Apenas não dizia respeito a mais ninguém. E pode parar por aí. Você não vai arrancar mais nada de mim.

_Achei que éramos amigos e não tínhamos segredos, Scully. Pensei que tivesse algo a ver comigo...

Ela parou de caminhar.

_Acho que já lhe disse isso uma vez Mulder. Nem tudo é sobre você.

_É... mas quando me disse isso, se meteu em sérios apuros.

Ela não queria se indispor com ele, mas a forma como Mulder a estava provocando, fez com que ela sentisse um estranho prazer em rebater aquela lembrança.

_Me convidar para jantar hoje a noite. Era isso o que ele queria. Está satisfeito?_ Ela respondeu com um sorriso cativante de felicidade e censura.

_E você vai?_ Ele esperava por uma resposta negativa, óbvio. Tentando se enganar, sabia do histórico de namoros de Scully e não queria ter que salvá-la mais uma vez.

A enigmática agente Dana Scully surgiu subitamente e ela limitou-se a fitá-lo com um olhar que ele não sabia se já tinha visto. Mulder não podia negar a si mesmo que ela estava radiante. Sentia-se mal por estar tentando remover aquela frágil alegria dela, mas seu instinto, ou admitindo honestamente, seu ciúme não permitia que ela tivesse esse prazer, pelo menos não com outro homem.

Scully começou a andar mais rápido, sem responder. Sabia que Mulder provavelmente iria querer convencê-la a não sair, mas estava decidida.

_Rápido, Mulder, tenho coisas melhores a fazer hoje do que ficar discutindo com você._ Provocou ao ver a reação do parceiro, esboçando um sorriso cínico.

Sem mais nada a fazer, Mulder a acompanhou até o carro e a deixou em casa.

Apartamento de Mulder

Washington – DC

A noite estava muito bonita. Bonita demais para se estar sozinho em casa. Sentia falta da parceira. Não que estivesse sempre com ela à noite, mas não conseguia admitir que outra pessoa a houvesse convidado para um jantar.

Seu corpo doía somente ao imaginar Scully num encontro com tal sujeito. Na verdade, doía ao imaginá-la com qualquer outra pessoa que não fosse ele.

Por que Scully aceitara o convite de um estranho tão prontamente e nunca havia percebido em seus olhos o quanto ele esperava que os dois estivessem juntos?

Levantou-se, tomou um banho rápido e seguiu rumo ao apartamento da parceira.

APARTAMENTO DE SCULLY

Washington – DC

Scully já estava vestida e somente esperava que Donnel aparecesse. No fundo do seu coração desejava que esse alguém fosse Mulder, que ele viesse buscá-la e que a levasse para longe de todas as agruras da vida a que se submetera ao longo dos últimos anos.

No entanto, sabia que Mulder nunca poderia fazer isso, visto que ele próprio também estava conectado a todos os acontecimentos em sua vida. Os arquivos X e consequentemente, Mulder, foram os responsáveis por tudo o que lhe acontecera na vida.

Seu parceiro, porém, lhe trouxera felicidade. Mesmo não estando ambos num relacionamento amoroso propriamente dito, o amor dos dois era visível para qualquer um, inclusive para os dois. Qualquer toque de mãos, de braços, de pernas, qualquer um, fazia com que uma corrente elétrica passasse por todo o seu corpo, fazendo-a desejá-lo ainda mais.

A campainha cortou de uma vez seus devaneios. Bob Donnel estava impecavelmente elegante quando ela o atendeu.

Scully deixou todos os pensamentos acerca do seu parceiro em casa e saiu para uma noite que esperava ser descontraída e confortante, como há tanto tempo não passava.

Mulder chegou ao apartamento dela, mas não encontrou ninguém. Abriu a porta lentamente após ter batido várias vezes. Não queria ter a dolorosa surpresa de encontrar Scully na cama com outro homem.

_Outro homem _ pensou e riu de si mesmo - Ah! Scully, nem sei quando passei a encarar os homens que se aproximam de você como os outros. Parece tão claro para mim que somente eu poderia ocupar esse espaço.

Ele sentou-se na poltrona, caminhou pela casa, sentindo o perfume dela em cada lugar. Estendeu-se sobre o sofá e ficou imerso em seus próprios pensamentos.

Aspirou gostosamente o ar à sua volta e sentiu-se tenso de repente. Um certo calor percorrendo seu corpo, afogueando-lhe à face enquanto deixava que sua imaginação vagasse pelo apartamento dela. Não tinha coragem, ou a respeitava o bastante, para não se permitir vasculhar fisicamente a intimidade dela. Mas nada podia fazer quanto aos seus pensamentos e soltou todas as amarras.

"O cheiro de perfume está impregnado em cada lugar. Arrisco-me a penetrar seu quarto, já estive aqui, em várias ocasiões. Mas não assim. Não como homem, não como um ser humano apaixonado, cujos instintos são maiores do que a razão. Tê-la à minha frente levanta todas as barreiras, mas agora, só o seu perfume está aqui, seu perfume e minha imaginação."

Scully chegou com Bob a um restaurante aconchegante. Ela estava tranqüila, segura. Era deliciosa a sensação de estar sendo cortejada, por um homem normal, inteligente, delicado. Alguém que não estivesse tão mergulhado em trabalho e culpa para notar o brilho que ela tinha nos olhos.

"Deixe-o lá Scully. Aproveite a noite. Deixe Mulder para amanhã, para o trabalho, a amizade. Ele vai estar lá, para consumi-la de todas as maneiras. Não é verdade, não da maneira como ela ansiava que ele a saciasse.

_Deve ser difícil trabalhar sobre tanta pressão, não é?_ Bob chamava-lhe a atenção e ela se assustou.

_Eu posso resistir_ disse sorrindo

_Eu quero dizer, você não se desliga nunca?

_Como assim?

_Ainda agora, imagino que você esteja pensando em algum caso, parece estar a milhas de distância.

_Sim, um caso. Mas vamos deixar isso de lado. Há quanto tempo é advogado?

A conversa fluiu mansamente. Eles tinham várias coisas em comum. Eram obstinados e profissionais. Viviam mais em função do trabalho do que de si mesmos. Bob era extremamente agradável. Sua conversa variada a fazia rir. Quando se deu conta, estava completamente a vontade. Falando sobre amenidades e vida normal. Impressionou-se por ainda saber conduzir uma conversa sem que houvesse monstros, conspirações e teorias envolvidas.

A noite se prolongou até um pequeno pub, próximo dali, o diálogo tomando um novo rumo, caminhando para o estreito mundo das intimidades, gostos e opiniões e Scully se mostrou tal qual era. Bob a ouvia interessado, era bom conversar com alguém de mente tão lúcida, tão determinada. Não queria qualquer compromisso, assim como imaginava que ela também não iria querer, havia o trabalho e um milhão de pequenos problemas a afastá-los, mas era gostoso estar ali e ele se viu querendo ir adiante. Ao que parecia ser inevitável para um casal adulto. E o convite veio naturalmente, apenas música em seu apartamento, completamente sutil e ela se viu aceitando naturalmente.

Era um local agradável, confortável. Ela afundou no sofá enquanto ele abria outra garrafa de vinho. Aproximou-se com as taças e ela levou à boca sedenta.

_Mora sozinho?

_Não há muitas pessoas dispostas a conviver com alguém que só tem olhos para o trabalho. A maioria das mulheres com quem me envolvi, pertencem ao mesmo meio que eu, e é terrível quando trazemos o inimigo pra conviver conosco. E você?

_Não é muito diferente, mas, no meu caso, o inimigo faz parte do trabalho.

_Seu parceiro?

_Não - ela pareceu tomar conhecimento de onde estava e onde isso levaria. A simples menção do parceiro, trazendo-a de volta à realidade. "Sinto muito Mulder - pensou - Desta vez você não vai ficar aqui. Amanhã. Essa noite é só minha."

Bob sentou-se ao lado dela, apoiando o antebraço no encosto do sofá, ficou observando-a, a voz cada vez mais baixa, as palavras cada vez menos coerentes, para se transformarem apenas em sussurros junto ao ouvido . As mãos dele tomaram as taças e as depositaram sobre a mesinha. Bob estendeu o braço para tocá-la nos cabelos . Scully sentiu um estremecimento, todos os alarmes soando em sinal de perigo. Ela agora estava completamente ciente do que estava por vir e seu coração começou a bater com mais força. Um longo suspiro saiu de sua garganta e antes que terminasse, sentiu os lábios dele sobre os seus, quando Bob envolveu-lhe a nuca e trouxe-a até si.

A racional Dana Scully, deixou de pensar. Lembrava-se apenas de que era uma mulher, adulta, carente de afeto e carícias.

"Há quanto tempo está assim, Scully? Há quanto tempo seu corpo clama pelo toque carinhoso e terno de um homem? Nem ao menos se lembra do seu nome, escondida atrás do profissionalismo e da rigidez a que você se impôs. Deixe acontecer Dana, sinta apenas, viva apenas. ". Sua mente lhe sussurrava as frases com cuidado, dando a ela o tempo de absorver e processar as idéias. E ela cedeu.

Seus lábios se abriram devagar, sentiu o gosto doce da língua dele, embriagada de vinho e paixão.Sentiu a mão quente descendo pelo pescoço, acompanhada da boca que explorava sua pele. A respiração ofegante, os sentidos atordoados apenas puderam notar que os dedos dele se infiltravam em sua camisa, abrindo os botões e indo se alojar sobre o tecido fino da lingerie. Ele acariciou os mamilos, libertando-os da incômoda peça, deixou a língua correr pelo vale abrasado e descansou sobre o seio, brincando com ele entre os dentes e Scully esqueceu de tudo. Decidiu entrar no jogo.

Suas mãos percorreram diligentes os botões da blusa dele que em instantes jazia no chão, junto às peças que ele havia tirado dela. Agora ambos tinham o dorso nu, seus dedos brincando sobre a pele dele, chegaram ao zíper da calça e ele soltou-lhe os lábios para fitá-la com a respiração ofegante.

Ele se levantou, passou os braços sobre o corpo dela e seguiu para o quarto. Deitou-se sobre ela, escondendo as mãos sobre a saia, sentindo os músculos tensos e firmes das pernas sob a meia. Retirou-as calmamente, sob o olhar atento e a respiração entrecortada dela. Quando voltou a deitar-se estava completamente despido e Scully pôde admirar-lhe o peito moreno, as pernas longas e musculosas, sentindo o desejo dele expresso no olhar ardente e no corpo ereto. Em poucos minutos ele estava dentro dela e aquilo era bom. Não se lembrava mais de quanto era bom aquele contato.

Envolvida completamente pelas sensações, Scully abandonou-se ao prazer, seus lábios traiam sua serenidade, ao deixarem escapar suspiros e murmúrios. Movimentava-se com ele e os gemidos vindos daqueles lábios davam a entender que ele partilhava das mesmas emoções que ela.

Ele era cuidadoso, calmo. Tudo o que ela esperava de um relacionamento sem compromissos, não havia culpas ou sentimentos em jogo, apenas o prazer físico proporcionado por um homem gentil e intenso.

Sentiu uma estranha sensação, deliciosa, chegada do prazer do qual há muito se privara, para concentrar todas as atenções no trabalho que lhe consumia os esforços e deslizou as mãos pelas costas dele, pedindo, ajudando, querendo mais até que seu corpo exausto jogou-se sobre o leito com uma exclamação de deleite, os lábios entreabertos dando passagem a um sorriso aconchegante.

E ela abriu os braços para recebê-lo junto ao peito, tão acelerado quanto o dela.

As carícias continuaram, mas agora sem a tensão anterior, apenas gestos de agradecimento e cumplicidade no prazer.

A noite passou ligeira, entre afagos e sussurros ininteligíveis. Bob era um excelente amante, proporcionando a ela, tão faminta daquelas sensações, um encontro memorável.

Scully acordou pela manhã, embaraçada numa profusão de lençóis e sorriu ao conseguir se localizar. Bob dormia tranqüilo ao lado dela, o corpo nu sobre o colchão, não se importava com a exposição. E não tinha motivos para se esconder. Ele era bonito, muito bonito, ela concluiu.

Mas um estranho sentimento começou a apossar-se dela. Sentia-se culpada. A noite passara sem que ela se lembrasse dos compromissos assumidos com o trabalho. Com a audiência que teriam às nove horas da manhã e que decidiria sua punição. Mas não era isso que mais a incomodava, era sim, o homem por trás do trabalho. Fox Mulder.

Ele sabia, ou pelo menos imaginava, que ela havia aceito o convite. Insone por natureza, era bem provável que a houvesse procurado e sentiu-se uma adolescente sem saber como contar aos pais que havia estado com um homem.

Sorriu ao pensar sobre isso. Mulder era seu amigo, seu parceiro, um companheiro querido e, ela suspirou, muito amado. Mas que tinha um objetivo muito maior na vida e não era ela. Mas Scully precisava disso. Precisava sentir-se amada, desejada. Embora algumas vezes, sentisse o olhar dele pousando sobre ela com um brilho diferente, sabia que era impossível estarem envolvidos romanticamente. Mulder jamais se permitiria ultrapassar essa barreira, talvez temendo comprometer a tão perfeita parceria que os unia, perdendo a espontaneidade que marcava seu relacionamento, por causa de um comprometimento que adviria de um relacionamento amoroso. O mesmo medo que ela possuía.

Levantou-se ligeira e tomou um banho, recompondo-se e saindo apressada. Já passava das oito e era imprescindível não se atrasar mais uma vez.

Ela olhou o relógio, apreensiva. Nove horas e ela estava a alguns quarteirões do prédio do Bureau. O trânsito era intenso aquela hora e ela não agüentou esperar. Pediu ao taxista que parasse e desceu ligeira. Caminhou a passos apressados e finalmente chegou. Entrou no elevador arrumando o cabelo e alisando a roupa, estranhamente elegante para uma reunião, mas ela não tivera tempo de passar em casa, não sem atrasar-se ainda mais.

Ao sair do elevador, seus olhos se encontraram imediatamente com os do parceiro e o sorriso que ela ia lhe dirigir sumiu rapidamente ao confrontar-se com a rudeza e animosidade das feições dele.

_Desculpe o atraso, Mulder. O trânsito estava horrível._ Ela aproximou-se justificando-se.

_Eu liguei para saber aonde estava _ ele disse irritado_ Mas você não estava em lugar algum.

_ Em lugar algum é certo que não, Mulder. Apenas não estava onde costumo estar._ ela respondeu no mesmo tom, contrariada com a repreensão dele.

Entraram na sala de reuniões e foram obrigados a ouvir uma infinidade de reprimendas sobre o seus comportamentos. Foram enumeradas todas as reclamações da mulher, acrescida de palavras duras e olhares irritados.

_ Mas o que é isso? _ Mulder explodiu _ Teremos agora que passar pela Inquisição? _ ele continuou, puxando violentamente o braço em que Scully tocara, a fim de pedir-lhe que se acalmasse.

_ Agente Mulder está desacatando essa comissão. Vocês incorreram numa falta e o mínimo que poderiam fazer, é escutar a repreensão com um pouco mais de respeito.

_ Mas a mulher já retirou as acusações, estão nos perseguindo por outros motivos.

_ Mulder pára_ Scully cortou irritada.

_ Isso nada tem a ver com a violação de regras, Scully.

_ Agente Mulder retire-se imediatamente. Se não é capaz de permanecer em silêncio perante seus superiores é melhor que aguarde nossa decisão lá fora.

Mulder saiu pisando duro. A expressão de ira dele ficou gravada na retina de Scully e ela desconhecia completamente o motivo de tamanha explosão.

Foi obrigada a ouvir sozinha o desfile de reclamações sobre ele, mas nada disse, estava preocupada demais em voltar a encontrar o parceiro para se alterar com a comissão. Sequer estava ouvindo.

_E sendo assim, Agente Scully, vocês estão convocados a retornar aqui amanhã para saber de nossa decisão.

Ela não prestara atenção no restante da conversa, mas respirou aliviada, quando a liberaram para sair.

Chegou ao porão e encontrou tudo em silêncio. A sala na penumbra e quase acreditou que Mulder houvesse saído, quando ouviu o ruído da gaveta se fechando.

_Está escondido? _ ela perguntou serenamente.

_Estou de castigo. Crianças mal criadas são tratadas assim.

Ela sorriu e se aproximou.

_O que aconteceu lá?

_Como assim?_Sua atitude, Mulder. Por que foi tão inflexível?

_Inflexível??

_È Mulder, estávamos errados. Violamos o protocolo e expusemos aquelas pessoas. Merecemos a reprimenda. Porque não pode simplesmente ouvi-la. Talvez não tivesse maiores conseqüências...

_Está muito tranqüila, não é Scully? Aposto que tem a ver com o atraso dessa manhã e as roupas novas que está usando.

Ele cuspiu a acusação sobre ela com raiva.

_Já passamos diversas vezes por isso Mulder. Se formos suspensos, não será a primeira vez e, com o seu gênio, não será a última.

_Divertiu-se muito?

Ela o olhou e suspirou. Não queria entrar naquele terreno com ele. Sim, estava calma, Sim aquele encontro lhe fizera enorme bem. Sim ela queria aquilo, precisava mesmo.

_Me diverti bastante, Mulder. Qual é a bronca?

_Bronca? Nada. Só achei que não tinha propósito você ficar marcando encontros no meio de uma audiência e flertando descaradamente com o advogado de acusação.Mas talvez isso tenha nos beneficiado, afinal de contas.

_O que quer dizer com isso, Mulder? Acha que saí com ele por que o processo foi arquivado? Que espécie de mulher imagina que eu seja?

_Apenas uma mulher, Scully. Agora eu sei disso.

Mal fechou a boca e ele sentiu o peso da mão dela em sua face. Tão forte e firme que ele virou-se ligeiramente.

_Nunca mais fale assim comigo, Agente Mulder _ ela murmurou entre dentes _ Se seu trabalho é tudo o que interessa pra você, se está tão obcecado por conspirações e tão mergulhado na solidão, fique com isso, se lhe apraz. Mas não me carregue junto. Eu tenho direito a uma vida normal. Há anos abandonei isso e não me sinto feliz com a escolha. Preciso viver e isso não foi o que eu tive até agora.

Ela não esperou resposta, girou sobre os calcanhares e saiu resoluta. Não parou para ver a face agoniada do parceiro e não se importou com o resultado que suas palavras tiveram sobre ele, caindo-lhe como vergastadas sobre a pele nua.

Mulder permaneceu ali, a cabeça enterrada nas mãos, sem perspectivas de alento, uma vez que, aquela que sempre o amparara era a mesma que o tinha deixado naquele estado.

Sabia que ela estava certa e isso era o que mais lhe doía. Não podia exigir mais do que ela já lhe proporcionava, não podia aprisioná-la em seu mundo sombrio e paranóico e mesmo assim, ela entrara nele espontaneamente e ele se sentiu dono dela por isso. Era difícil aceitar a dura realidade. Scully não lhe pertencia, ele não tinha nenhum direito sobre ela e sua vida pessoal. Estava ao lado dele e por um acréscimo de generosidade permitia-se acompanha-lo, mesmo que ele nada tivesse feito para merecer isso.

Scully saiu de lá com os olhos soltando chispas. Quem Mulder pensava que era para trata-la daquela forma? Que compromissos ela havia assumido com ele que abarcavam inclusive sua vida pessoal, aquela vida da qual ela não se lembrava mais?

O celular tocou e ela imaginou que fosse ele, mas surpreendeu-se ao ouvir a voz de Bob e obrigou-se a serenar os ânimos

_Você saiu com tanta pressa ... _ ele começou.

_Desculpe. Havia me esquecido da reunião no Bureau.

_Correu tudo bem?

_Mais ou menos, não quero falar disso.

_Ah! _ ele murmurou _ Se precisar de um advogado...

Ela sorriu

_ Obrigada.

_ Agradeça-me aceitando almoçar comigo.

Ela pensou por um momento, propensa a recusar, não queria envolvimentos, mas as palavras de Mulder surgiram muito claras em sua mente.

_ Tudo bem, aonde te encontro?

Scully chegou em casa ainda irritada. Jogou-se no sofá e ficou a pensar por tempo indefinido. Levantou-se e se arrumou novamente.

O almoço transcorreu calmamente. Bob parecia perceber o estado de espírito dela e procurou ser cauteloso, gentil, amável. E ela precisava daquilo. Tentou deixar a contrariedade de lado e se concentrou na conversa.

Combinaram de se ver a noite. Iriam ao teatro e ela sentiu-se mais calma. Voltou ao Bureau e encontrou Mulder no mesmo lugar. Não quis mais discutir. Escondeu-se atrás da mesma indiferença com que ele se mascarava e terminaram o resto do dia imersos em seus relatórios.

_ Preciso ir, Mulder _ ela disse se levantando.

_ Outro encontro? _ ele não resistiu à pergunta e encolheu-se ante o olhar que ela lhe lançou. Não com ódio, mas parecendo sentir um enorme prazer com a resposta.

_ Sim _ disse monossilábica e saiu sem esperá-lo.

Mulder chegou em cada arrasado. Não queria pensar no porque de estar se sentindo tão mal, mas estava sozinho ali, sem nada para fazer e sua maldita memória fotográfica mantinha gravados todos os minutos em que estivera com ela durante o dia e cada cena trazia-lhe mais amargura.

¨Ah! Scully! Por que esta fazendo isso comigo? Por que está me torturando desse jeito? Será que não percebe? Meus nervos estão em frangalhos mas meu peito está explodindo. Sinto você se esvaindo das minhas mãos e isso me mata. Porque não podemos voltar à segurança de nossa cumplicidade. Não quero rir, não quero chorar, quero você Scully. Aqui, comigo, de todas as maneiras possíveis. Por que não vê isso? O que mais eu preciso fazer pra você entender? Não fuja de mim Scully. Não se afaste. Volta pra mim.¨

Ele se enrolou na cama, extenuado e infeliz, fechou os olhos com força e permaneceu assim por não se sabe quanto tempo. Até que seus membros foram envolvidos por um entorpecimento irresistível e ele se entregou ao sono.

A peça fora espetacular, o jantar divino, mas Scully não conseguia absorver tudo aquilo. Sua mente teimava em se dispersar, fugindo em busca de um par de olhos verdes e um sorriso infantil que tinham o poder de levá-la às alturas ou prostrá-la ao solo.

_Podemos prolongar essa noite, Dana?_ Bob convidava

Ela voltou a olhar para ele, tentando se concentrar em se distrair e aproveitar a companhia, mas não estava com vontade de permanecer ali.

_Eu tenho uma audiência amanhã, não quero me atrasar de novo. Vamos terminar por aqui.

_Está bem, Dana?

_Por que pergunta?

_Você está tensa, distante. Eu gostei muito da sua companhia. Mas acho que não foi recíproco.

_Não é isso. Ela falou tentando sorrir. "Esses dias têm sido conturbados, então...Poderíamos ir embora?

_Claro .

Bob deixou-a em frente ao prédio. Beijou-a nos lábios com delicadeza e se afastou sem dizer nada. Ela ia entrar em casa, mas decidiu caminhar um pouco. Estava um noite linda, ela precisava pensar.

"Por que não consigo me sentir feliz? Por que não posso simplesmente sair com alguém sem me sentir traindo a confiança de Mulder? Sei que fui dura com ele e menti de certa forma. Não acho que fiz a escolha errada, apenas quero mais. Será que é tão difícil pra ele compreender isso? Já desisti de tentar chamar a atenção dele, sei que não me olha como mais do que uma irmã. Você é tão estúpido que não percebe que não quero substituir Samantha? Não quero ser sua irmã? Não apenas isso? Sei que te magoei, não queria isso, mas não posso mais viver assim, não quero, não vou.¨

Scully voltou pra casa e pegou as chaves do carro, decidida e esclarecer de uma vez por todas aquela situação com Mulder.

Mulder se levantou, tomou um banho demorado e tentou recuperar o controle de suas emoções, não que isso fosse o seu forte, mas precisava manter-se equilibrado para falar com a parceira. Se era somente isso que ela poderia ser para ele, estava disposto a aceitar. Pegou as chaves do carro e saiu.

Scully bateu várias vezes, mas ninguém atendeu. Ela abriu a porta devagar, chamou por ele, mas viu que não havia ninguém. Esperou por alguns instantes, mas estava cansada e seguiu para casa.

Mulder foi até o apartamento dela. Entrou sem bater e pareceu até aliviado por não encontrar ninguém. Pensou em seu constrangimento se ela estivesse lá com o amante.

Amante ... essa palavra surgiu amarga e ao mesmo tempo doce em seu lábios. Gostaria que fosse ele a ser chamado assim, que ela o conhecesse como tal. Passou por toda a casa, sentindo a presença dela em cada recanto. A organização e limpeza. O cheiro característico dela, não o perfume, seu cheiro. Entrou no quarto e viu a cama arrumada. Sentou-se e folheou a Bíblia que ela sempre deixava sobre o baú aos pés da cama. Abriu num trecho onde contava-se a estória de Jacó e Raquel e isso trouxe-lhe a mente um poema que ouvira na Universidade, tão claro como se o tivesse lido ainda hoje.

"Sete anos de pastor Jacó servia

Labão, pai de Raquel serrana bela,

Mas não servia ao pai, servia a ela,

Que a ela só por prêmio pretendia.

Os dias na esperança de um só dia

Passava, contentando-se com vê-la..."

Sete anos juntos, trabalhando lado a lado, trocando risos e dores, sem toques, sem palavras, apenas uma promessa, promessas feitas com olhos e gestos, silêncios cheios de significados. Palavras ceifadas antes da colheita. Mas como era intenso, como era quente, seguro, perfeito.

Até que ela descobriu que poderia mais. Dedicação e cumplicidade já não eram o bastante. Ela queria mais, queria sentir, algo que sempre lhe fora negado e que agora ansiava por possuir. E não mais junto a ele.

Fechou os olhos e permaneceu imóvel.

Os sons abafados pelos tapetes não foram suficientes para arrancá-lo do torpor, sua mente treinada a ouvir e suspeitar de tudo estava momentaneamente alheia a tudo.

_Mulder?

Nada ainda

_Mulder, o que faz aqui? Está bem?

O toque dela sobre seu ombro teve o poder de trazê-lo de volta à realidade.

_Agora não, Scully. Vá embora.

Ela sorriu, deixando o casaco sobre a cadeira e, parando em frente a ele, abaixou-se dizendo baixinho:

_Eu iria, se não estivesse em minha casa.

Ele levantou-se rapidamente, deixando o livro sobre a cama.

_Desculpe, me esqueci de onde estava. Eu vim...deixa pra lá...eu...não quero estragar sua noite e...

_Não vai estragar, Mulder...

_Eu...

_Estou sozinha, Mulder. Bob já foi...

_Eu achei que...

_Não vou passar a noite com ele.

_Por quê? Eu pensei...

_Às vezes seria bom se você não fizesse tantas perguntas. Acho que não está preparado para todas as respostas.

_Eu vou indo._ Ele falou saindo do quarto e alcançando rapidamente a sala.

_Espera, Mulder...

Ele estacou. Virou-se para ela e pareceu lembrar de algo.

_Desculpe, Scully. Sei que não tenho direito de me meter na sua vida. Eu não queria ser grosseiro com você.

_Senta._ Ela pediu.

Mulder sentou-se e parecia realmente um garoto esperando a punição. Estava consciente de ter sido irracional, de ter magoado a parceira. Apenas queria voltar à antiga camaradagem entre eles e esquecer que a havia desejado de outra forma. Estava calado e inseguro.

_Quem é você?_ Ela perguntou.

Mulder apenas levantou a sobrancelha em sinal de indagação.

_Quero dizer...cadê o homem impetuoso e seguro, Mulder? Você está agindo como um garoto, desde que fomos chamados ao tribunal. O que está acontecendo? Pelo amor de Deus! Eu não sei o que você quer de mim e é estranho porque sempre achei que te conhecia...sei que suas atitudes são quase sempre passionais, mas não em relação a mim e eu não consigo te entender.

Sei que está preocupado com a audiência, mas já passamos tantas vezes por isso...Também sei que se preocupa comigo, mas Mulder...eu sou adulta...eu sei cuidar de mim...eu me meti em encrencas, admito e você esteve lá pra me proteger e eu lhe sou grata por isso.

Ela sentou-se em frente a ele que mantinha os olhos fixos aos seus.

_Eu não vou abandonar nosso trabalho por conta de um encontro.

Ela segurou o rosto dele entre as mãos e sorriu.

_ Amigos?

Ele também sorriu e colocou as mãos sobre as dela em seu rosto.

_ Amigos. Desculpe minha explosão, Scully. É que não estou acostumado a te ver assim...

_ Assim como? _ ela perguntou, soltando o rosto dele.

_ Não sei...marcando encontros...

Ela levantou-se e riu com gosto.

_ O que pensa de mim, Mulder? Acha que não gosto da companhia de um homem? Acha que sou assexuada? Você tinha razão, eu sou apenas uma mulher e já havia me esquecido disso.

Ela sentiu que o clima já não era mais tão ruim entre eles e sentiu-se calma para brincar com ele.

_ Vamos lá , Mulder. Agora que sabe que sua parceira não é uma virgem do colégio católico, gostaria de tomar um chá?

Mulder respirou fundo várias vezes, tentando se decidir. Levantou-se e aproximou-se dela, que estava encostada à parede. Uma enorme seriedade estampada na face bonita.

_ Por que acha que eu agi assim, Scully?

_ Já te disse que não sei Mulder. Mas acredito que está preocupado com a suspensão e acha que eu não estou dando a importância que merece.

_ O que mais?

Agora ele estava com as mãos apoiadas na parede , prendendo-a entre seus braços.

_ Mais nada Mulder, me deixa passar.

Mas ele não deixou, abaixou as mãos, impedindo-a de sair.

_ Você começou isso, Scully. Agora eu quero ir até o final.

_ O que quer dizer? _ ela falou abaixando a cabeça constrangida.

_ Acha que me importo com você apenas porque não quero que pare de trabalhar comigo?

_ Não Mulder. Eu sei que é meu amigo. Que se preocupa comigo como se eu fosse sua irmã...

_ Mas você não é minha irmã...

_ Eu sei...

_ E eu nunca quis que fosse...

_ Mulder, pára com isso...

_ Medo, Scully, ciúme, chame-o como quiser. Mas eu fiquei maluco de saber que você estava com outro homem.

_ Por quê? _ a pergunta dela era apenas um murmúrio.

_ Porque..._ ele suspirou e colocou a mão sobre o queixo dela, fazendo-a encará-lo _ Porque eu queria ser ele...porque queria que fosse comigo que você estivesse...não agüentei imaginá-lo te tocando, porque queria ser eu a te proporcionar esse prazer.

_ Nós não poderíamos, Mulder.

_ Por quê não?

_ Porque não poderia terminar pela manhã.

_ Talvez eu não quisesse que terminasse pela manhã. Talvez eu quisesse que atravessasse o dia e completasse a noite. Talvez eu quisesse assim, há muito tempo...

Ela adotou a mesma atitude séria dele, apoiou-se nos dois pés novamente e, pareceu natural acariciar-lhe o rosto.

Seus dedos entraram pelos cabelos que caíam próximos aos olhos, desceram pela curva sinuosa do nariz , atravessaram as maçãs do rosto e vieram pousar sobre os lábios dele.

_ Mulder, sabe que se nós seguirmos com isso não poderemos voltar atrás, não há como apagar e fazer de conta que nada aconteceu. Acho que deve pensar melhor no que está me dizendo, porque isso muda tudo completamente. Recebê-lo em minha vida, nos meus dias, no meu trabalho é uma coisa, mas levá-lo para mais do que isso pode ser extremamente perigoso. Talvez você apenas esteja confundindo tudo, talvez acredite que separar minha vida pessoal do trabalho me afaste de você...

_ Se eu pudesse te provar que está errada e que eu sei o que estou querendo. Você gostaria... quer dizer...posso mostrar?

Ela desceu os braços para junto do corpo e respondeu apenas com o olhar.

Mulder foi vencendo a distância devagar. As mãos continuavam apoiadas na parede e ao redor dela. Seus lábios tocaram-lhe os cabelos.

Scully respirou fundo e fechou os olhos. Seu corpo pareceu entrar em convulsão, tão trêmula ficou. Era apenas um toque dos lábios dele, mas teve o poder de esquentar todo seu corpo. Esqueceu-se completamente de Bob, aquilo fora apenas sexo e que estava começando agora ia muito além disso e, por Deus, ela estava adorando.

Ele desceu os lábios, passou sobre os olhos fechados dela, escorregou pelas bochechas em beijos macios e chegou aos lábios. Scully abriu os olhos quando ele se afastou ligeiramente, apenas distanciando-se dos lábios.

_ Posso continuar, Scully?

O som daquela voz teve o dom de arrepiar sua pele e a expectativa a deixava agoniada. Ela colou os lábios aos dele como resposta.

Mas ele não tinha pressa. Entreabriu os lábios, dando passagem para a língua que não se encontrou com a dela. Subiu para passar sobre eles, deslizando devagar para, em seguida, invadir-lhe o interior com intensidade.

E ele explorou cada centímetro da sua boca, meticulosamente. Quando se separaram estavam sem fôlego e ele buscava o ar com força.

_ Não te quero apenas como parceira, Scully, quero como mulher, quero completa, quero tudo e mais ainda.

As mãos dele adquiriram vida novamente e acariciaram o pescoço dela e, sem aviso, desceram para os seios, apertando-os com força. Seus olhos não se separavam e ela acompanhava cada movimento dele.

Seu corpo já estava excitado antes mesmo de ele tocá-la. Ela acompanhou as mãos dele, dirigindo-as para dentro da blusa. Ajudou-o a abrir os botões e livrar-se do sutiã.

Mulder inclinou-se para tocá-los com os lábios, passando a língua, em movimentos lentos, rodeando os mamilos e sentindo-os rígidos na boca.

Scully começou a gemer e as mãos dele se deslocaram novamente. Agora sobre sua cintura, apertando com força e cuidado, como se quisessem deixar suas impressões em cada centímetro de seu corpo . Ele se ajoelhou e arrancou a camiseta, sem se afastar demais. Passou a língua em seu umbigo e enterrou as mãos sob a saia , puxando a meia com urgência.

Ela se deu conta de que não tinha mais volta e se viu querendo continuar, querendo participar. Mas ele não lhe dava liberdade. Parecia querer realmente provar-lhe o ardor que estava sentindo.

A saia escorregou pelas pernas e ela sentiu o calor e o desejo subindo com as mãos dele, que passeavam pelas coxas em carícias delicadas, quase sem tocar. E Mulder estava adorando sentir a penugem dourada das pernas eriçarem-se sob o seu toque. Começou a beija-la, cada centímetro. Os lábios macios correndo tranqüilamente em cada ponto e parando para uma exploração mais detalhada toda vez que ouvia as exclamações abafadas dela burlarem seu rígido controle. Queria que ela o perdesse completamente e ela se rendeu.

_ Nossa...Mulder...Jesus...O quê..._ ela gemeu .

Subitamente ele a girou e ela apoiou-se com as mãos na parede. E ele voltou a subir. Beijando a nuca, a ponta das orelhas e descendo pelo pescoço, os ombros e ela apenas suspirava, cava vez mais intensamente. As mãos deixaram o corpo dela, mas a boca não permitia que ela se movesse, aproveitando aquela sensação.

Quando as mãos voltaram estavam mais quentes caminhando pelos seios, descendo pelo ventre em movimentos pequenos e metódicos até tocarem em seu ponto mais sensível quando então, ele a trouxe para junto de si.Scully colou o corpo ao dele e sentiu sua nudez, o membro completamente ereto sobre suas costas e começou a respirar com dificuldade.

Ele voltou a virá-la e, finalmente, sua voz se soltou.

_ Pode sentir, Scully? Pode ver o quanto e como eu quero você?

Ela balançou a cabeça.

_ Também quero que sinta Mulder.

Ele a pegou nos braços, seguiu com urgência para o quarto e colocou-a na cama. Ela deitou-se afastando as pernas num convite mudo, mas ele não se deitou, ajoelhou-se sobre o colchão e ficou estudando-lhe o corpo .

Scully retribuiu o gesto, passando os olhos pelo peito largo, a carne firme, os poucos pêlos. Desceu para o abdômen contraído e ela não agüentou, sentou-se e se aproximou. Passou a língua nos lábios dele, chegou mais perto e fechou a boca sobre o pescoço .

Agora era ele quem começava a suspirar. Ela continuou, descendo as mãos pelo peito, no estômago e sentiu-o ereto e quente entre seus dedos.

_ Deixe-me conhecê-la, Scully...por favor...agora_ ele ofegava.

E ela o conduziu, colocando as pernas em volta dele e deixando-o penetrá-la, empurrando o corpo para senti-lo num único golpe... firme...quente...excitado tanto quanto ela.

As exclamações saiam sem que eles pudessem controlar, movimentando-se com urgência. Ele a prendia pela cintura e ela pressionava os quadris sobre ele, gemendo e murmurando, soltando suspiros, totalmente entregues ao prazer. Os lábios dele beijavam seus ombros, seus seios, empurrando-a com força de encontro ao peito.

_ Oh meu Deus, Scully! _ ele gemia no ouvido dela, arrepiando-lhe a pele.

As mãos dele cravaram-se nas nádegas dela e ele explodiu, ouvindo os gemidos dela aumentarem junto com os dele.

_ Ah...Mulder...eu...

Não conseguiu falar, seus corpos foram sacudidos pela chegada do orgasmo e eles se entregaram ao êxtase juntos, com pressa, com urgência e depois desabaram no colchão, respirando com dificuldade, os corações acelerados querendo pular pela boca.

Foram precisos alguns minutos para que eles se recuperassem. Scully sentia o peso dele sobre ela e, embora fosse esmagadora a diferença entre eles, era delicioso senti-lo daquela forma.

Mulder finalmente apoiou-se nos braços.

_ Desculpe, estou esmagando você.

_ É bom, Mulder. Nada em você poderia me machucar.

Nos lábios dele surgiu um sorriso nascido no fundo de sua alma, iluminando seu rosto.

_ Diga-me que não estou dormindo ou sonhando, Scully e se estiver, por favor, não me acorde.

Ele sentiu um calor gostoso percorrer seu corpo e a voz quente dela chegando aos seus ouvidos.

_ Durma, Mulder, amanhã a gente conversa.

Então ele abriu os olhos a tempo de sentir as mãos da parceira sobre seus ombros enquanto depositava um edredom sobre ele.

Mulder ficou imediatamente desolado. Afinal_ ele pensou _ Tudo não passara de um bendito sonho.

_ Desculpe _ ela murmurou sentando-se ao lado dele na cama _ Não quis acordá-lo.

_ O que faz aqui? _ ele perguntou irritado

_ Pra ser justa, Mulder. O que você faz aqui? Está em minha casa, lembra?

Ele sentou-se na cama e olhou ao redor desolado.

_ Desculpe, Scully. Vim para falar com você e acabei pegando no sono_ ele se justificou _ Já estou saindo, me perdoe se...quer dizer...eu atrapalhei alguma coisa?

_ Não Mulder...estou sozinha.

_ Ótimo _ ele murmurou sem pensar _ Quer dizer...eu vou indo e...

_ O que queria conversar comigo Mulder? _ ela o interrompeu.

_ Nada...eu _ ele fitou-a sem jeito _ Preciso lavar o rosto.Posso usar seu banheiro?

Ela ergueu o braço, indicando o caminho, vendo Mulder sumir atrás da porta.

Scully passou os olhos pela cama, pelos lençóis desarrumados e amassados. Deitou-se onde antes o corpo de Mulder estivera e sentiu o calor e o perfume dele envolverem seus membros.Sua Bíblia estava aberta sobre a cama e ela leu a passagem marcada. Instantaneamente um sorriso aflorou em seus lábios.

_ Apenas uma promessa... _ ela sussurrou e desviou o olhar, vendo-o encostado à porta, um brilho indefinido nos olhos que pareciam consumi-la à distância e compreendeu.

Tudo muito claro em sua mente, uma mensagem transmitida pelos olhos, pelo esboço de um sorriso que misturava medo e desejo.

_ Sete anos é muito tempo para esperar por alguém _ ele quebrou o silêncio, a voz trêmula e rouca soando como um pedido...uma prece. Elevando-se no ar e caindo sobre ela como uma chuva de flores.

_ Mas ele foi premiado por sua perseverança. Sua recompensa foi multiplicada. Teve Lia e Raquel _ ela murmurava, vendo-o sentar-se ao seu lado e colocar os dedos sobre a passagem bíblica.

_ Mas só uma bastava, apenas uma era seu ideal...tudo pelo que ele trabalhou e viveu...

_ Raquel... _ o nome desprendeu-se dos lábios dela como um beijo

_ Scully... _ ele respondeu no mesmo tom, debruçando-se sobre ela e fechando-lhe os lábios com os seus.

Ela o recebeu tranqüila, como quem espera algo por um longo tempo e eles permaneceram ali, trocando carícias ternas, quase fraternas.

_ Eu poderia esperar por mais sete anos, Scully... _ ele dizia afagando-lhe os cabelos _... Se você não se sentir segura do que quer. Assim como ele _ disse apontando para a Bíblia sobre a cama _ Contentaria-me apenas com o vê-la, na esperança de um dia...

_ Sete anos...Acho que já esperamos muito, não é Mulder _ ela acariciava o rosto dele _ Após tanto tempo acho que merecemos, temos o direito a isso e, embora eu também pudesse esperar quanto tempo fosse, desejo isso desde que o vi.

Ele sorriu mansamente, fitando-a por um longo tempo antes de descer novamente e tomar-lhe os lábios entre os seus, sedento dela.

"Do que vivemos, afinal, senão de sonhos e promessas, desejos e esperanças? Que sensação incomparável a de nos vermos frente a um sonho tão ardentemente desejado, por isso, promessas tem um doce sabor de esperança, um suave cheiro de alegria e um pulsar incessante de desejo. Desejo de as ver cumpridas...um dia...não importa quando. "

 

 

FIM

 

 

Nota da Késsia: Como sempre, eu tenho que deixar meu recadinho final.. hehehehehe Obrigada por ter lido toda a fic e por favor, mande feedback para nós duas!!!! :) Nossos emails são shipperx@gmx.net e selmasky@ig.com.br e nós estaremos esperando ansiosas pelos seus comentários! :)

Nota da Sky: Blá,blá,blá, concordo com tudo, Késsia

 

 

 

 

Sete anos de pastor

Sete anos de pastor Jacó servia

Labão, pai de Raquel serrana bela,

Mas não servia ao pai, servia a ela,

Que a ela só por prêmio pretendia.

Os dias na esperança de um só dia

Passava, contentando-se com vê-la:

Porém o pai usando de cautela,

Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos

Assim lhe era negada a sua pastora,

Como se a não tivera merecida,

Começou a servir outros sete anos,

Dizendo: Mais servira, se não fora

Para tão longo amor tão curta a vida.

Luís Vaz de Camões