Por Dentro Dos Arquivos X: Entendendo A Mitologia - Parte 2

Por Patricia Emy

Referências: Mythology Guide, de Daniel Wood - Fandom.com

 

Parte II – Gênese

Eram os deuses astronautas?

‘Anasazi’

Neste episódio, o primeiro de uma trilogia que começa no final da 2a temporada e abre a 3a , é insinuado que a tribo Navajo pode ou não ter tido um contato com uma raça alienígena. Também é mencionada uma outra tribo, os Anasazi que, segundo reza a lenda, desapareceram sem deixar vestígios – teriam sido todos abduzidos, ou seriam eles descendentes de uma raça de alienígenas? Fica tudo meio no ar e o que nós é mostrado nos leva a entender que a escrita navajo teria se originado de uma escrita extraterrestre. O que explicaria a sua presença em um artefato encontrado na costa africana [vide ‘Biogênese Final’], a milhares de quilômetros de onde atualmente vivem os remanescentes da tribo de nativos americanos.

’O Fim’O que seria o ‘capítulo final’ da mitologia (estava combinado que o Arquivo X iria terminar naquela temporada e várias questões seriam respondidas no filme, o que não aconteceu e a série continuou por mais duas temporadas, mas isso todos nós já sabemos) acabou criando uma confusão maior, visto que tentaram jogar uma grande quantidade de informações e no final restaram mais perguntas do que respostas. (em se tratando de Arquivo X isso já não é nenhuma surpresa). Mas, voltando ao assunto, este episódio nos deu uma pista sobre o futuro rumo da mitologia ao colocar Mulder e Scully no caminho de um garoto, Gibson Praise, que tem a habilidade de ler mentes. No início pensei que Gibson fosse apenas um mutante com habilidades extraordinárias, assim como os vários que nós vimos ao longo da série, mas mais tarde nós somos confrontados com o fato de que ele é na verdade um híbrido, uma prova viva de que não estamos sozinhos no universo e, o que é mais surpreendente, a conclusão de que, como ele, todos nós temos este mesmo material genético em nossos DNA, embora inativo. Ou seja, todos nós temos ancestrais alienígenas... [vide ‘O Início’].

’Arquivo X – O Filme’

O assunto não foi tratado com profundidade, mas aqui nós descobrimos que os alienígenas estão aqui há milhares de anos, como vimos na primeira cena. A temática do filme foi mais voltada para a Colonização e o papel do Sindicato, que serão discutidos mais adiante.

‘O Começo’

Gibson está de volta e Scully descobre a verdade sobre ele comparando o DNA do vírus alienígena com o dele. Esta parte integrante do DNA está inativa, ou seja, nenhum de nós o usa, com exceção de Gibson, o que, teoricamente, possibilita que ele leia mentes. A conclusão de Scully é que Gibson possui o mesmo vírus que a vitimou, mas, ao contrário do que se esperava, o garoto não se tornou um hospedeiro – estranhamente, o vírus é parte de seu sistema. Então, eu acho que ele seria uma espécie de híbrido imune aos efeitos do vírus, daí o interesse do Sindicato em capturá-lo. Neste episódio também vemos aqueles alienígenas assustadores do filme – o nascimento deles lembra um pouco aquele filme ‘Alien – O Oitavo Passageiro’, embora não seja tão nojento quanto ele – e, para surpresa geral, descobrimos que esta aparência é apenas temporária, e que estas horríveis criaturas se tornam aqueles adoráveis ETs que vimos anteriormente nos episódios ‘Operação Clipe de Papel’ e ‘O Antinatural’. Estranho, não?

 

‘Biogênese Final’

No episódio de encerramento da sexta temporada, somos confrontados com a descoberta de um misterioso artefato, que apresenta estranhos caracteres gravados em sua superfície, no que parece ser um idioma de origem desconhecida – mais tarde, nos é revelado que é uma escrita navajo, o que causa um estranhamento ainda maior, visto que o achado se deu em plena costa africana. De forma igualmente inexplicável, depois de exposto a um pedaço de papel com a reprodução dos caracteres gravados no artefato, Mulder desenvolve a capacidade de ler pensamentos, da mesma forma que Gibson Praise, só que a diferença é que, ao contrário do garoto, Mulder não tem controle sobre suas habilidades e a cacofonia de vozes em sua cabeça ameaça levá-lo à loucura. Mais tarde nos é explicado [vide ‘A Sexta Extinção’] que a hiperatividade cerebral registrada por Mulder é conseqüência de sua exposição ao vírus alienígena em ‘Tunguska – A Pedra da Morte’, mas ainda assim achei que não ficou muito claro como um simples pedaço de papel desencadeou tudo isso. A teoria levantada pelo Dr. Chuck Burks é a de que o artefato possui uma radiação cósmica residual, o que explicaria o seu efeito em Mulder. Mas, ainda assim, fica difícil de acreditar que um pedaço de papel pudesse causar tamanho estrago. Neste episódio, um personagem conhecido retorna: Albert Hosteen, visto pela última vez na trilogia Anasazi/O Caminho da Cura/Operação Clipe de Papel, está ajudando o Dr. Sandoz a traduzir os caracteres encontrados no artefato. Ele está muito doente, o seu câncer está no estágio terminal. Não se sabe a causa da doença – seria a radiação que emana do artefato? Mas, sendo assim, todos que o manusearam não teriam sido afetados também?

‘A Sexta Extinção’

Aqui nós vimos que a nave tem 24 painéis, cada um correspondente a um par de genes humanos (os 22 cromossomos mais os cromossomos X e Y). A nave então seria um mapa genético, e Scully teria em mãos aquilo no qual o Projeto Genoma Humano tem trabalhado há anos (este projeto tem o objetivo de elaborar um mapa de todos o DNA humano). O curioso é que há passagens escritas em diversas línguas ao longo da superfície da nave, indo dos escritos bíblicos aos ensinamentos de Maomé, de Cristo, até das antigas religiões dos Navajo. Cada uma delas falam sobre o Dia do Julgamento Final, o Apocalipse, como ele é visto em cada uma destas culturas. Eu pessoalmente não entendi o que o Chris Carter quis dizer com todas estas referências jogadas no meio da história, mas é óbvio que, na visão dele, existiria uma forte conexão entre os alienígenas e o Criador [Deus, não Chris Carter]. Outro indício desta ligação são as pragas citadas na Bíblia: o mar de sangue, a praga de gafanhotos, a ressurreição dos mortos. Mas depois disso não se toca mais neste assunto. Scully nem chega a comentar as aparições que testemunhou na África.

Mais uma vez, um outro personagem retorna do passado. Michael Kritschgau – visto pela primeira vez no último episódio do quarto ano, ‘A Maior de Todas as Mentiras’. Ele lança a teoria de que Mulder foi afetado pela reprodução dos caracteres no papel e que isso reativou o vírus que estava dormente no seu sistema (vide ‘Tunguska - A Pedra da Morte’). O vírus agora se tornou parte dele, assim como era com Gibson. Mas isso quer dizer que Mulder teria se tornado um híbrido humano/alienígena? Isso não ficou muito claro para mim. Embora isso não tenha sido mencionado no episódio, tudo nos leva a entender que é isso. Mas, se for isso, por que Mulder e não Scully? Ela também foi exposta ao vírus ao levar uma ferroada daquela [maldita] abelha. Eu não acho que a contaminação seja o verdadeiro catalisador, mas é difícil saber. O mesmo vale para Marita Covarrubias, que também foi exposta ao vírus, embora não tenhamos ouvido mais falar dela desde o episódio duplo ‘Dois Pais/Um Filho’. Se alguém souber do paradeiro de Marita, me avise. Será que ela teve o mesmo fim trágico de seus antecessores Garganta Profunda e X?

‘A Sexta Extinção - Parte II’

Este não é exatamente um episódio mitológico, na minha opinião. A história gira em torno dos sonhos que Mulder está tendo enquanto está preso àquela cama de hospital entre a vida e a morte. Por isso, nem tudo que é mostrado aqui pode ser considerado verdadeiro.

Um ponto polêmico da mitologia é aparentemente esclarecido aqui: o Canceroso seria o PAI de Mulder. Isso foi insinuado de leve no episódio final da terceira temporada ‘O Curandeiro’, quando o Canceroso tem uma conversa nada amigável com a mãe de Mulder – provavelmente o que causou o derrame que quase a matou. Mas, na minha opinião, aquela conversa deu a entender que Samantha seria a filha dele, e não Mulder. Isso de certa forma tornaria mais fácil a decisão de Bill Mulder de deixar que a levassem no lugar do filho, e explicaria o ódio de Teena Mulder em relação ao marido. A história toda sobre Samantha é um capítulo à parte e vai ser abordado mais para frente.

Neste episódio, Diana Fowley vira a casaca de novo e envia à Scully um livro que conta detalhes sobre as crenças da tribo Navajo e narra a lenda de um homem que surgiria e salvaria a humanidade do holocausto iminente. Tudo leva a crer que este homem é... Fox William Mulder.

Em um complicado e arriscado procedimento, os material genético de origem alienígena é removido de Mulder e transplantado para o Canceroso. Não se sabe o resultado da cirurgia e como ela afetou o Canceroso. Mulder se recupera. Os shippers têm uma cena para se lembrar. E Diana Fowley encontra na morte a sua redenção final: segundo Scully, ela desempenhou um papel fundamental para que Mulder fosse salvo. Essa a gente vai ter que engolir...

‘Closure’

O Canceroso reaparece. Ele parece gravemente doente, pálido, e movendo-se com dificuldade. Parece que a cirurgia não correu da forma que ele esperava e ele está sofrendo das complicações da mesma. Alguém aí está com pena dele?

‘En Ami’

Aqui é confirmado que o Canceroso está morrendo em decorrência de uma inflamação no cérebro, conseqüência direta da cirurgia. Não se sabe se ele pode ler mentes ou não. Ele só tem alguns meses de vida, e embora ele tenha em suas mãos a chave da imortalidade, ele a joga fora.

 

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