TÍTULO: X Diaries. Autora: Bell ADAS-DRG. Categoria: Shipper Classificação: NC-SUPER 17. Resumo: Mulder e Scully investigam o seqüestro de pessoas para servirem de cobaias para uma nova tecnologia cinematográfica e acabam tendo de interagir em um filme. Disclaimer: Os personagens desta fic não pertencem a mim, mas ao Chris Carter, 20th Century Fox e outros. Eu não pretendo obter lucros com esta fic, apenas me divertir. Disclaimer 2: As falas e o roteiro foram tirados do filme "Red Shoes Diaries" de Zalman King. Assim como alguns personagens subseqüentes. Nota: Bem esta fic esta para lá de NC-17... Acho até que exagerei... Mas, por favor, não me chamem de pervertida (DIRTYMIND!!) estava apenas seguindo o filme! Espero agradar a todos e que a estória não tenha ficado muito enrolada... (* Nota da beta: Alguém aqui realmente gostou desse termo, hehehe... Dirtyminds ;o)) Nota para minha Beta-Friend SUNNY: Valeu de novo Sunny... sabes que eu te adoro!!!!!!E te admiro muito,alias tua nota fica ali...em reconhecimento por ter me apresentado ao termo,Hehehe!!!!!!:-P E-mail: lenda_x@yahoo.com.br Feedback: Oh! Eu aceito!!:-) ============================================================= === YAMASTEROL COMPANY TELEVISION. CALIFÓRNIA, CA. "Scully!" "Mulder!" E foi a última vez que ele ouviu a voz de sua parceira. Mas eles não estavam longe um do outro, seus corpos nus eram separados apenas pela pequena distância que havia entre as mesas metálicas e frias da sala escura envolta em breu. Tinham eletrôdos nos mamilos e fios que precisavam com exatidão os batimentos cardíacos e as ondas cerebrais. Tudo era devidamente monitorado e anotado, desde a taxa de adrenalina às descargas de testosterona e progesterona que seus corpos dispensavam a cada estímulo. ============================ "O Senhor é meu pastor e nada me faltará, em campos verdejantes me faz repousar, para fontes tranqüilas me conduz, ele me dá forças, ele me guia... me guia pelo bom caminho em seu nome e mesmo que eu caminhe pelo vale da morte nem um mau eu temerei, pois junto de mim estas. Teu cajado e teu bastão me confortarão, prepara para mim uma mesa a vista dos meus adversários, unge com óleo minha cabeça, transporta minha taça, acompanhar-me-ão a felicidade e a graça todos os dias da minha vida." Os olhos de Mulder se abriram. Estava em um cemitério. Ouvia e via as pessoas a sua volta chorarem e o olharem com certa compaixão. Havia um caixão a sua frente, mas de quem? Em que funeral ele estaria? Quem seria aquela pessoa? Uma mulher o olhou como se o conhecesse mais do que qualquer outro que estivesse a seu lado, e com voz mansa e embargada sussurrou: "Quando tiver coragem de falar sobre isso... sabe onde me encontrar!" E Mulder se viu sozinho naquele imenso gramado, apenas acompanhado das almas que vagavam perdidas pelo mundo. Fechou os olhos novamente e, ao abri-los, já estava em frente a um portão de grades antigas, porém conservadas. Remexeu os bolsos e achou uma chave. Assim que abriu o portão, um som oco veio da escada, a sua frente algumas maçãs e laranjas vinham descendo, pulando, saltitando a cada degrau. Ele agaichou-se para recolher algumas dando de cara com uma mulher que o acompanhou na ação. Todas as frutas já estavam recolhidas e ensacadas, e Mulder ergueu-se novamente, sendo imitado pela mulher, que permaneceu com os olhos fixos nos dele. Num segundo a moça começou a chorar e procurou pelos braços de Fox, o forçando a abraçá-la: "Já limpei tudo, Senhor Mulder... Eu sinto muito, eu não pude ir ao cemitério, não pude dizer adeus... ela tinha tanto o que viver...!" O que afinal estaria acontecendo com ele? Onde estaria Scully?! Sem esperar por uma palavra de Mulder, a mulher desatou-se dos braços dele e foi embora, tão repentinamente quanto apareceu. O agente subiu as escadas até a única porta que encontrou a sua frente, entrando no amplo apartamento, sem paredes ou divisórias. O local não era escuro, mas tinha sombras... Muitas sombras. Seu instinto investigador o fez olhar cada centímetro daquele lugar. Dos esboços das maquetes de prédios ao espaço estrategicamente projetado para ser uma quadra de basquete, não havia luxos, apenas displicência. Remexeu os armários... Roupas de mulher, sapatos... Bolsas... Um diário...Seria dela aquele funeral? Mulder tirou o paletó e a blusa, trocando-os por um sobretudo negro que estava sobre a cama e foi até o banheiro, molhou os pulsos, jogou água no rosto e olhou-se no espelho. Tentando entender o que acontecia com ele...Por que não se lembrava dos eventos passados, por que as lembranças haviam se perdido de sua mente? Caminhou ouvindo seus próprios passos pelo chão de madeira lisa, ecoando pelo apartamento sem vida e sem luzes. Sentou-se na única cadeira que parecia existir naquela vasta morada. Tinha o diário em suas mãos, brigando com a própria consciência para não ler as frases deixadas ali, lutando para se controlar... Mas ele sabia que a verdade... Que o real motivo de estar ali, poderia ser revelado! Folheou o diário, que tinha uma capa de couro vermelha, passou por algumas páginas até que uma fotografia caiu a seus pés. Ele pegou a foto e estreitou os olhos. Na foto, ele e Scully estavam sentados abraçados, mais parecendo... Amantes! Guardou a foto e fechou os olhos, deixando o destino escolher o que ele iria ler. Seus dedos pararam em uma página e ele começou a leitura. "Sexta-Feira 12 de julho... Excitada demais, ansiosa demais, saí mais cedo do trabalho e dancei e dancei... Seis meses e ele já faz parte do ar que eu respiro, de todos os meus pensamentos, ele é tudo que eu sempre sonhei, um príncipe de conto de fadas. Se fico uma hora sem ouvir sua voz me sinto perdida, sem rumo. Eu me rendi a seus gostos, suas frases, a todos os seus desejos. Ele me conhece profundamente... Sabe tudo a meu respeito, os problemas com a minha mãe, meu medo do escuro, meu fascínio pelo fogo..." Mulder ergueu os olhos, uma música começara a tocar. Ele levantou-se da cadeira e tentou insistentemente ligar aqueles acontecimentos. Scully estava vestida apenas com uma camisola transparente e tinha um xale vermelho nas mãos. Ela dançava em volta das maquetes dos prédios, seguindo o ritmo da música. Parou sentindo os olhos de Mulder sobre si, enrugou o cenho, baixando os olhos para as próprias vestes. _Mulder! O que faço aqui? Onde estamos?!_ ela cobriu a distância que os separava rapidamente. _Eu também não faço a mínima idéia! _Mas como eu vim parar aqui?_ Dana olhou em volta. _Scully, eu acho que estamos encrencados!_ Fox aproximou-se, envolvendo-a com os braços. _Por quê? O que está fazendo?_ a agente tentou se desvencilhar, mas foi inútil. _Você se lembra que estávamos investigando aquela indústria acusada de seqüestrar pessoas para servirem de cobaias em testes? Mulder continuava a abraçá-la, já acariciando seus quadris. _Sim..._ Scully parou por um momento, tentando esquecer as carícias do parceiro e concentrar-se na conversa. _A Yamasterol Company Television, acusada de testar um novo tipo de tecnologia onde o telespectador entra no filme, um invento superior à realidade virtual. _Exatamente, algo para deixar os executivos das indústrias cinematográficas de cabelos em pé. Ninguém ia querer mais vídeos, fitas VHS ou DVDs._ O agente a beijou no lóbulo da orelha. _Era só escolher o filme e contracenar você mesmo com seu ator preferido. _Sim, mas isso é informação passada, o que está querendo dizer? _Que nos pegaram, Scully, estamos em um filme. Eu ainda não sei qual... Mas estão nos usando! Fox a ergueu no ar, ainda sob o ritmo da música. _E como saímos?_ Dana espalmou as mãos sobre os ombros dele. _Eu não sei, talvez demore dias, semanas, depende da duração do filme... Mas eu sei de uma coisa, teremos que seguir o script._ Mulder a olhou com um meio sorriso. ================================== Os segundos de um piscar de olhos os levaram a um novo lugar... Um parque cheio de árvores frondosas e com um imenso lago. A música agora vinha de um casamento espanhol realizado na outra margem. Mulder e Scully corriam pelo gramado, com as mãos dadas. Ambos tinham no rosto uma fisionomia de preocupação, interrogando- se silenciosamente sobre aquela situação. Eles continuaram correndo até que Mulder forçou Scully a parar e usou seu corpo para prensá-la contra uma árvore. O agente aproximou seu rosto a centímetros do dela, enquanto posicionava as pernas entre as suas. Ela o olhou por alguns momentos antes de ser beijada de um modo quase selvagem. Mulder começou a erguer a saia da parceira, que o impediu usando as mãos. _Mulder o que está fazendo?_ ela o olhou com a sobrancelha arqueada, enquanto arfava depois do beijo. _E... Eu não sei!_ ele tentou novamente erguer sua saia. _Há um casamento ali, Mulder, pára! O agente a olhou por alguns segundos. _Eu descobri, Scully! _O quê?_ a agente enrugou o cenho. _Em que filme nos colocaram. _É, e em qual foi? _Você não vai querer saber!_ Mulder desviou os olhos dos dela. _Mulder!_ Scully usou o tom de voz mais incisivo que conseguiu. _Estamos em um... Dos meus filmes preferidos._ ele deu um meio sorriso. _Ah!_ Dana sentiu a voz sumir._ Por favor, Mulder me diga que não é... _É Scully... Este é um filme para maiores de 17!_ Fox pressionou os lábios. Antes mesmo de Scully absorver aquelas palavras, sentiu sua saia ser levantada com extrema violência, chegando a imaginar que as costuras do pano rasgariam-se. _Mulder! Ele não disse uma única palavra apenas a beijou e seguiu abaixando os lábios, pelo pescoço até o colo, enquanto suas mãos a acariciavam com intimidade por entre as coxas. Scully gemeu baixinho sentindo Mulder pressionar-se contra si, sentindo as mãos do parceiro a tocarem com possessão. Parou por alguns segundos o olhando nos olhos, enquanto Mulder afastou- se com sensualidade e arrancou-lhe a calcinha, voltando logo depois a aproximar-se, a excitar-lhe usando as mãos e a língua. ======================================= "Coloquei todas minhas cartas na mesa para ele, quero meu mistério de volta, alguma coisa, qualquer coisa, um pensamento, um fato, um pequeno segredo que seja só meu... Não consigo entender..." Fox estava de volta ao apartamento, Scully havia sumido novamente, mas ele ainda conseguia sentir o cheiro da parceira em si, sobre sua pele. O grande refletor que estava num canto da sala ascendeu-se e a luz parecia querer cegá-lo... ======================================= Mulder estava na mesma sala, ele podia ver Dana o olhando sentada no chão ao fundo em meio a alguns tecidos e livros. Ele estava subindo por um andaime, junto com um homem, usando a luz do refletor para iluminar as maquetes posicionadas no meio da sala. _Veja Paul! Olhe, quando se levantar, o sol vai atingir os prédios e criar estas sombras no chão para as pessoas que estiverem no parque sob as árvores._ Fox dizia como se fosse um verdadeiro arquiteto. _Mas quem vai se importar como a luz bate aqui em cima... Ninguém vai olhar. Talvez os pilotos de avião?_ o homem o olhou, sorrindo. _E os anjos!_ o agente desviou os olhos para Dana. O homem riu ainda mais alto. _Ah! O que é isso, curta o pôr-do-sol, pense em como os anjos vão gostar. O homem desceu do andaime balançando a cabeça descrente com aquilo. Antes de ir embora acenou para Scully e virou-se, sendo acompanhado por Mulder. Dana permaneceu sentada por mais alguns momentos e depois se levantou, caminhando até as maquetes. "Mais um dia de reclusão, nós somos ambos compulsivos, igualmente dedicados ao trabalho, a diferença é que eu mudo a aparência das salas das pessoas, o tecido dos sofás e Mulder muda o horizonte, seus prédios vão alterar o modo como as pessoas moram nos próximos cem anos. Quando se pensa bem não é uma comparação perfeita..." A agente parou, encostando-se em uma maquete e esperando Mulder fechar a porta. Ele sorriu ao virar-se e vê-la o olhando. _O que foi, Scully? _Estava pensando, Mulder...Você parece saber bem o que está fazendo... _E nem assim me levam a sério._ele sorriu encostando a mão na dela. _Precisamos sair, Mulder. _Mas como? _Não sei, tem que haver um jeito... Um modo desse mecanismo ser desligado por nós! _Eu me lembrei do filme inteiro hoje... _E o que acontece? _Bem... A situação não será nada boa para você Scully! _O que quer dizer? Mulder deu a volta pela maquete e a agarrou por trás, esfregando o rosto pelos cabelos dela e fazendo movimentos sensuais em suas costas deixando-a sentir o desejo pungente dele. Depois a virou de frente para si, a beijando. Pegou na mão da parceira e a puxou, colocando-a de frente ao refletor. _Fique bem aqui e tire o casaco._ ele afastou-se. _O quê?_ Dana arqueou uma sobrancelha. _Eu quero ver a silhueta do seu corpo através da camisola... _Fox caminhou até o refletor e o ligou, jogando o facho de luz sobre Scully. _Eu adoro sua beleza, o seu cheiro, adoro o seu sabor, adoro sua pele, adoro o modo como sorri, como me arranha, adoro como você geme e como atinge o orgasmo... Amo você! Mulder foi até ela e a abraçou de modo terno e carinhoso. Ele a conduziu numa dança suave por alguns minutos, depois se distanciou, pedindo com os olhos que ela continuasse dançando para ele. Fox sentou-se no chão e ficou a contemplá-la na dança. Dana estava completamente constrangida, inibida, mas algo a conduzia, a compelia a fazer aquilo, como se seus movimentos e comandos não a pertencessem. Scully caminhou para Mulder, do modo mais sensual e devasso que ela poderia imaginar. Não conseguia controlar-se, as mãos correndo pelo próprio corpo acometidas de um furor involuntário, sentindo a si mesma, tateando-se. Fox a olhava vindo em sua direção... Sedutora, desinibida. Ela agaichou-se na frente dele e ele a agarrou com força, beijando-a, passando a mão sobre o tecido fino da camisola, acariciando os mamilos já enrijecidos. Ela deitou-se sobre ele, mas num rápido gesto ele tomou a dianteira e colocou-se por cima dela, dando a chance de Dana apalpar-lhe as nádegas macias... ============================= "8 de agosto - Fui ao oculista hoje... Eu li em algum lugar que 70 a 80% de todas as pessoas do mundo desistem, param de crescer, param de sonhar e se acomodam quando completam 22 anos... Torne-se médico e faça sua mãe feliz, é bom e seguro!" ...O, E, A, L...E... Scully estava sentada numa cadeira em um consultório de oculista. Ela não sabia como chegara até ali e o porquê daquela consulta. Virou o rosto para olhar o local e foi surpreendida pelo rosto de um homem a centímetros do seu. _Você deveria usar óculos para leitura ou para descanso_ ele falou num tom arrastado. _Eu já uso... _Não se mova...Não se mova! O médico tocou no ombro dela e afastou-se, voltando em seguida com um instrumento que permitia olhar mais perto e profundamente os olhos da agente. _O que foi?_ Scully tentou ajeitar-se na cadeira. _Tente não piscar, há algo na sua íris, parece ser um fragmento de vidro...Sente alguma irritação?_ o oculista passou os dedos pelo queixo dela. _Não, por favor, será melhor para nós dois se não se mexer, se houver ruptura pode haver um serio trauma. Dana ficou olhando o teto enquanto ouvia o homem se afastar e pegar uma pinça. Scully saiu do prédio e parou arfando, olhando a rua e as pessoas movimentarem-se à sua frente. Ela tinha um tapa-olho sobre a vista esquerda. Caminhou com o rosto baixo tentando evitar que os outros transeuntes vissem seu novo acessório. "...Eu mal podia andar em linha reta, não tinha perspectiva. Eu deveria ter ligado para Mulder, mas até que me diverti com a aventura. Foi impressionante, todo o estranho que passava achava que eu era uma vítima, que eu tinha apanhado de um homem." _Espero que você tenha acertado o cara também! Uma mulher que saía de carro de um estacionamento gritou para Dana, que sorriu constrangida e voltou a caminhar. _Que espécie de filme é este?_ ela balbuciou enquanto atravessava a rua. _Não deixe barato, junte suas coisas e dê o fora!_ outra mulher gritou da janela de um ônibus. Scully virou-se para olhar a mulher e esqueceu-se de que estava no meio da movimentada avenida no centro da cidade. Um carro buzinou avisando-a do perigo iminente que se aproximava. Ela jogou o corpo para trás num gesto instintivo de proteção, já esperando o contato do asfalto duro contra sua pele, mas tudo o que sentiu foram braços fortes a agarrando pela cintura, impedindo sua queda. Os mesmos braços apertaram-na com mais força, a trazendo de encontro a um corpo másculo e fazendo Dana sentir músculos peitorais definidos roçarem em suas costas. Ela virou-se ainda assustada, olhando o homem que a ajudara. Ele usava uma blusa preta apertada, deixando mostrar seu corpo bem cuidado, o jeans velho e surrado ajudando nesta comprovação. As mãos grandes esfregavam-se nervosas dentro das luvas usadas em construções. _Você esta bem? Motoristas malucos!_ o homem de olhos amendoados tirou o capacete que usava._Tem alguma coisa no seu olho? _Um pedaço de vidro..._ Dana falou sem jeito, ainda perscrutando o rosto do sujeito. _É isso o que acontece... Acidentes, gastamos todo este tempo e energia planejando o futuro e bang, um carro te atropela na rua, ou uma bala perdida te acerta! _Ah! Mas que horror._ ela sorriu erguendo as sobrancelhas. _É um horror mesmo!_ ele devolveu o sorriso de modo sensual. _Nada me irrita mais do que isso, eu penso muito nisso...Adeus sons, as luzes se apagam... _Adeus sol..._ a agente o interrompeu. _É que a gente nunca sabe, entende o que eu digo?_ ele procurou os olhos de Scully. _Sei o que quer dizer...Mas é só um pedaço de vidro! _Se cuida tá!_ ele virou-se pegando uma britadeira e continuando seu trabalho. Dana seguiu seu caminho, mas não resistiu e voltou os olhos para o homem que naquele momento também a olhava profundamente como se conseguisse a enxergar por dentro. Intensificando os movimentos com a ferramenta contra o concreto da calçada, até que sem avisos um jato de água brotou do chão, a agente parou sentindo as gotículas de água caírem sobre seu rosto e também molharem aquele homem perfeito, que sorria para ela, enquanto a camisa dele grudava-se ao corpo a deixando excitada com a visão. Permaneceram algum tempo ali, sob a água, trocando olhares de desejo reprimido e sorrisos lascivos. "Dentes perfeitos, pele perfeita, peito perfeito, cabelos perfeitos, eu cai nos braços dele, o vento me soprou em direção a ele... perfeito!" ==================================== Mulder caminha até o lavabo do banheiro, tira o sobretudo e o deixa no canto da pia... Abaixa-se molhando o rosto e volta vestir o casaco, olhando-se no espelho... Ele vira-se e encontra uma gota de sangue coagulado na borda da banheira, passa o dedo sobre o líquido vermelho o levando vagarosamente até os lábios, lambendo-o. _Desculpe... Scully... ==================================== "12 de agosto - Hoje eu tirei as ataduras do olho e acabei indo parar na mesma esquina, uma atitude meio infantil, talvez até um pouco narcisista... O cara perfeito, o ardil perfeito, o lutador perfeito para uma batalha que já havia sido ganha..." Scully estava em uma sacada em frente a uma obra, olhando o homem que a ajudara e tanto chamara sua atenção dias atrás. Ela sentia-se mal por estar fazendo aquilo, essa não era sua verdadeira personalidade... Estava sendo levada por algo maior, um impulso compulsivo e irracional. Seus olhos seguiam o sujeito, do modo como ele andava até os movimentos que fazia para tirar a camisa suada, os vincos faciais formados em seu sorriso...Ela o perdeu por alguns momentos até que o viu sair de um trailer com a roupa trocada, mas ainda deixando sua libido aguçada. Ele correu até um ônibus que estava prestes a sair, e Dana foi atrás, planejando segui-lo até onde ele fosse. O homem desceu alguns pontos depois e correu até uma loja de sapatos com uma grande placa amarela, com as palavras "Lady's Shoe Outler" pintadas em vermelho. Scully ficou parada no ponto de ônibus decidindo o que devia fazer, olhando para os lados, indecisa, arfante. Atravessou a rua, parando em uma florista e comprando um buquê de orquídeas brancas... Caminhou até a vitrine da pequena loja e ficou olhando o homem lá dentro arrumando as caixas de sapatos. Ele virou-se sentindo sua presença e fez um movimento com a cabeça convidando-a a entrar. Desconhecendo a si mesma ela obedeceu, com submissão, sem compreender porque não refugou aquele convite. _Eu te conheço?_ o homem sorriu tirando o blazer preto e revelando os braços grossos e bronzeados. _Não...Eu acho que não..._ ela encostou-se na parede, apertando o ramo de flores contra si. _Quer algum sapato? _Eu sempre quero sapatos._ Dana sorriu, abaixando os olhos. _Entre... Dê uma olhada..._ ele abriu os braços._ Eu tenho um perfeito para você! O sujeito saiu de trás do balcão e caminhou até algumas caixas no fundo da loja, procurou por alguns momentos e voltou. _Sente-se. Scully obedeceu, deixando as flores ao seu lado. Ele agaichou-se à frente dela, tirando um par de sapatos vermelhos da caixa que trouxera. _Não vai perguntar que tamanho eu calço?_ ela procurou os olhos dele, enquanto sentia os dedos longos lhe tocarem o tornozelo sob a meia-calça fina. _É 36 e meio..._ o homem tirou o sapato de Dana delicadamente, olhando a etiqueta na sola. _Pé 36 e meio...Bart Laperg! _Laparge!_ ela o corrigiu. _Quem é ela?_ ele indagou, erguendo as sobrancelhas. _Uma mulher na França... _Comprou estes lá? _Comprei... _Quanto pagou? _Eu não me lembro! _Ah!Vamos, quanto?! _Uns 200 dólares... _200 dólares!_ ele pegou os sapatos vermelhos e os mostrou, antes de calçá-los nela._ Estes são americanos, Kenneth Coll. Um grande cara e são muito mais bonitos... Agora fique de pé e dê uma volta, quero ver como ficaram. Scully levantou-se, dando alguns passos e voltando a sentar- se sem tirar os olhos dos olhos dele. _Lindos, fazem você parecer uma princesa... Gostou deles?_ o homem sorriu com charme. _Sim... _Sabe, eu estou feliz que tenha tirado as ataduras do olho..._ ele começou a acariciar as pernas de Dana, das panturrilhas até o início das coxas, não obtendo nenhuma resistência da agente._Está enxergando melhor? _Bem... Acho que não o bastante, não reconheci você aqui nesta loja!_ ela tentou não demonstrar o tremor de sua voz, atribuída às caricias do estranho. _É que eu tenho dois empregos. _Ah! Entendo... _Se lembra de quando o cano estourou naquele dia? _É, foi engraçado._ ela sorriu para ele. _É, foi muito bom... Exatamente como isso..._ o homem subiu ainda mais a mão já se perdendo por entre as pernas dela. _Assim tão perto, vamos responda?! _Sim..._ a agente sussurrou mordendo o lábio inferior, e fechando os olhos. _Sabe, há explicação racional para a atração entre duas pessoas, simplesmente acontecem como os acidentes... Um momento mágico. _Mágico..._ Dana voltou a indagar com a voz rouca. _Ou químico... Química... Forças de transmissão eletromagnéticas vibratórias._ ele sorriu sensualmente, passando a língua sobre os lábios. _Ha..._ ela sentia os dedos dele movimentando-se quase dentro dela, impedidos apenas pela fina meia-calça. _A força que moveu os blocos das pirâmides. Neste momento eu poderia equilibrar um daqueles blocos com o que tenho no meio das calças... _É mesmo? _É, dá uma olhada e me diga o que vê... Scully abriu os olhos que permaneciam fechados apenas ouvindo o som provocativo da voz dele e a mão ágil e devassa a consumindo.Correu as vistas pela calça jeans até enxergar a evidente excitação do estranho, fazendo-a sentir-se ainda mais desejada e incitar-lhe por completo. Impertigou-se na cadeira. Queria tê-lo naquele momento, no chão da loja, mas foi impedida. As vozes de duas senhoras alegres inundaram o local, fazendo Dana aprumar-se, enquanto o homem levantava-se, posicionado uma caixa de sapatos sobre sua visível ereção. _Eu já vou atendê-las senhoras... Então vai pagar a dinheiro ou a cartão?_ ele olhou para Scully. _A cartão... O sujeito foi para trás do balcão e empacotou a caixa de sapatos, entregando-a à agente. _Para você... Meu endereço esteja lá amanhã à noite... =================================== "...Quando criança eu fazia muitas coisas arriscadas, eu ia até o limite e inevitavelmente... Inevitavelmente achava uma desculpa para cair fora..." Scully estava deitada na banheira, o corpo nu coberto de espuma. Ela pensava e relembrava a situação em que fôra colocada naquela tarde se reprimindo, pensando se não fôra ela mesma a culpada por aquele acontecimento... Não pôde negar que além de acompanhar o curso natural da história, também fôra levada pelo estímulo involuntário de seu corpo, reivindicando somente sentir os toques daquele homem. Não se tratava de amor, mas de instinto. Abriu os olhos, assustando-se ao ver Mulder aproximar-se e agaixar-se na banheira, encostando o rosto na borda de cerâmica. Temeu que seus pensamentos tivessem sido lidos pela mente do parceiro. _Quantas horas por dia você passa ai dentro?_ ele sorriu, estendendo a mão sobre a espuma e roçando de leve nos seios dela. _Nunca o bastante._ Scully prendeu seus olhos aos dele, num pedido de socorro silencioso._ Eu me deito, fecho os olhos e não sinto nada além de um amor na escuridão, eu flutuo... Assim, livre._ ela fechou os olhos, encostando a cabeça na borda da banheira. _Você parece uma caixinha de surpresas vitoriana..._ Mulder apertou gentilmente um dos mamilos dela e correu a mão por sua barriga. _Abre-se uma e tem-se outra, abre-se a outra e tem-se mais outra dentro, e quando você pensa que abriu a última caixinha, tem outra e outra sempre... Scully arfou sentindo a mão de Fox deslizar por sua virilha indo em direção às coxas, a alisando sensualmente, e provocando-lhe prazer... Ele trabalhou habilmente com os dedos, movendo-os rapidamente dentro dela. _Mulder..._ ela sussurrou, sentindo o ar faltar-lhe nos pulmões. _Sim... _Você sabe o que eu vou fazer não é?_ Dana abriu os olhos, fixando-os aos do parceiro. _Eu sei, Scully._ ele continuava a manipular os dedos dentro dela, inflamando-lhe, levando-a até o orgasmo. _Por favor, Mulder não deixe..._ ela aproximou seu rosto do dele e o beijou._Impeça-me, por favor... _Eu não posso, Scully... _Por favor..._ ela derramou algumas lágrimas que se misturaram aos seus fracos espasmos. Mulder levantou-se, erguendo junto o corpo lânguido da pequena mulher. Esticou o braço, alcançando com precisão a toalha branca enrolada no armário e a cobriu, vendo a ruiva sumir entre o tecido felpudo. Ele a abraçou por trás, conseguindo sentir também a maciez do pano atoalhado. Ela segurou firme em sua mão, enquanto sentia Fox roçar o nariz contra a pele delicada de seu pescoço. Afastou-se gentilmente, fazendo a toalha escorregar pelo corpo de Dana juntamente com as mãos grandes e ásperas, moldando cada centímetro das curvas da parceira. Ele ajoelhou-se e a virou de frente para si, levantando os olhos até encontrar o par de íris azuis o olhando com um misto de supremacia e indulgência. Fox espalmou as mãos sobre os quadris dela, e aproximou a língua da coxa, fazendo movimentos ascendentes pela virilha, abdômen e por entre os seios até chegar aos lábios, tomando-os com extrema libertinagem. Mas Scully afastou-se. _Tire sua blusa, Mulder... _O quê? _Eu quero ver você se despir para mim!_ ela falou num tom autoritário. Ele começou a levantar a blusa, mas Scully o impediu. _Quero que você rasgue sua roupa... Mulder sorriu de leve, e segurou a barra da camisa, dividindo a peça num só golpe e a tirando com rapidez. Tirou a calça jeans que usava, ficando só de cueca, que no instante seguinte também foi arrancada de seu corpo com força. Scully olhava tudo sentada à beira da banheira, vendo Mulder revelar-se para si... O tórax másculo, as pernas fortes e sua reveladora virilidade... Foi erguida num salto chegando a sentir os pés desencostrarem-se do chão, tendo os lábios tomados pela avidez incontrolável do parceiro. Ela o deitou na banheira e sentou-se sobre ele... _Eu te amo, Mulder..._ Scully sussurrou no ouvido dele. _Hey, isto não esta no script... _Este é um raro momento de lucidez..._ ela cobriu os lábios do parceiro . ==================================== Os agentes estavam sentados no chão, Mulder estava apoiado na banheira e Scully encostada nele, envolta pelos braços que a abraçam possessivamente. O apartamento estava tomado pelas sombras e a única luz presente era a que iluminava a maquete de um navio em frente aos dois. _Quando as luzes estão assim, é como se o navio realmente estivesse no mar, em algum lugar do Mediterrâneo, eu... Eu posso ver os passageiros... Homens de smoking e mulheres de vestido longo._ Dana beijou o braço de Mulder e aconchegou-se ainda mais entre os braços dele. _Olha aquele lá... Ele está bêbado!_ ele sorriu, afagando os cabelos dela. _Esta vendo aquela mulher de Poá de penas? _E chapéu roxo? _É... E gritando com o capitão, é a minha mãe! _Oh! Ele a jogou no mar..._ Fox apontou para a cena imaginária. Os dois riram alto, fortalecendo ainda mais o abraço. _Eu queria poder te levar para outro filme, Scully... ====================================== Mulder estava de volta à sala escura, a solidão o rondava novamente, esperando o momento certo para atingir-lhe em cheio e dominá-lo. O agente levantou-se, caminhando até uma valise cheia de sapatos. Ele procurou freneticamente até achar o que esperava, um par de sapatos vermelhos. ====================================== Scully estava sentada em uma cadeira. Vestia um sobretudo preto que lhe cobria até os tornozelos, deixando revelar os sapatos vermelhos de salto alto. _Vamos Mulder, apareça aqui, impeça-me de ir até lá..._ ela sussurrou, cobrindo o rosto com as mãos. "Tomada pelo fogo e ardendo de vergonha, fiquei repetindo a mim mesma várias vezes que não conseguiria fazer aquilo... não adiantou. A cada passo meu mundo desmoronava, mas isso não me impediu. Eu precisava ver Mulder, tinha certeza de que ele correria a meu encontro, me abraçaria, me beijaria... mas ele nem me viu... saber o que se deseja, ir atrás disso e conseguir, e realmente acreditar que você merece, meu Deus como invejo Mulder por isso!" Um táxi parou em uma rua da periferia da Califórnia. Scully desceu do carro e olhou o lugar. Desceu por uma escada e bateu numa porta de madeira velha e corroída. Ninguém atendeu... Ela verificou o endereço no papel e caminhou até a porta ao lado, batendo novamente... Sem resposta. Sentiu um leve toque no ombro e virou-se, dando de encontro com o homem que a deixara curiosa e incitara seus sentidos. Ele colocou o dedo indicador sobre os lábios dela, indicando que Dana fizesse silêncio, e a pegou pela mão, levando-a até seu apartamento. Abriu a porta e deu espaço para ela entrar. O local era inóspito, sem vida... Algumas cadeiras, um fogão e a cama... Tudo o que ela conseguiu decifrar através da luz fraca e vacilante. _Não sei o que estou fazendo aqui..._ ela sorriu, nervosa. _Eu disse que levantaria blocos de pedra com o meu sexo, aticei sua curiosidade e você veio... Então porque não tira logo sua roupa_ o estranho fechou a porta encostando Scully na madeira que parecia querer ruir com seu peso, e a rodeou com os braços. _Eu... _O quê? _É que acabei de perceber que não conheço você, eu nem sei o seu nome... _Você não é uma estranha para mim, já sei tudo o que preciso saber_ ele sorriu, enquanto passava os dedos pela lapela do sobretudo. _Mas você não sabe nada a meu respeito_ Dana estreitou os olhos. _É claro que sei... Sei que você é linda, que você usa sapatos de 200 dólares e que esta com alguém que não te faz feliz. _Mas ele me faz sim, ele me faz feliz demais este é o problema! O homem sorriu, caminhando pelo apartamento e sentando-se em uma cadeira perto da cama. _Então, falando sério, por que você não tira o casaco e vem aqui com seus lindos sapatos novos!_ ele molhou os lábios. Dana o olhou por alguns segundos e deu um passo a frente, abrindo o sobretudo e o deixando cair no chão. Ela vestia apenas um conjunto íntimo vermelho revelando sua quase nudez. Foi até o sujeito andando devagar, tentando ainda impedir o que aconteceria inevitavelmente. Ela parou o rosto a centímetros do dele, chegando a sentir o hálito quente contra seu queixo. Sentiu a mão do homem passear por seus braços e ombros até agarrar sua nuca com força, enquanto a outra lhe tocava a face com delicadeza, experimentando os dedos longos invadir-lhe a boca, até que ambas mãos se uniram em carícias sob seus seios. "Ele fazia amor do mesmo jeito que trabalhava na obra, suave como uma britadeira..." ================================= Mulder estava sentado lendo, assim que a palavra "britadeira", formou-se sob seus olhos ele fechou o diário com força... Sentindo o coração acelerar, ressentindo-se pelos acontecimentos, tendo consciência do próprio estado execrável. _Meu Deus! Ele levantou-se, olhando para o apartamento, batendo os pés contra o chão... Sentindo a impotência cair sobre si naquele momento, o agente abaixou-se chorando, jogando o diário para longe de si, querendo afastar o que aquelas páginas estavam lhe revelando. Mas ele sabia, ele tinha consciência de tudo aquilo, Fox estava ciente do rumo da historia, o caminho que seria, mas ele não estava preparado... Não para dividir Scully com outro. _Seus desgraçados...Nós tirem daqui!_ Mulder gritou choroso, deitando-se no chão sentindo o piso frio de madeira. _Por Deus... Como eu pude deixar, Scully! Fox esticou a mão trazendo o diário vermelho para si. Sentou- se e começou a lê-lo novamente. "20 de agosto - Eu disse para mim mesma diversas vezes que aquilo poderia ser racionalizado como um engano, loucura temporária, um ato de paixão... a segunda vez foi irreversível... O homem que eu quero entendia o que eu queria, algo que eu nunca tivera na vida, algo de que eu sempre desistia com os outros, o maior afrodisíaco de todos... controle..." Fox caminhava pelas sombras do apartamento de cabeça baixa, remoendo sua raiva, engolindo sua ira, ele sabia que aquilo iria acontecer... Sabia para onde aquele filme levaria Scully... ================================== "Não o vejo há duas semanas, ele saiu da minha vida como um alcoólatra deixando o vicio, um minuto, uma hora, um dia de cada vez, e nunca o verei de novo..." Dana estava em seu escritório, vendo alguns tecidos e os catalogando. Uma mulher loira vestida com um tailleur preto e escarpins cinzas chegou batendo na porta de vidro fumê. _Com licença. _Sim, Michelle... _Há um homem te procurando... Scully desviou os olhos da secretária em direção a porta, encontrando a figura do homem que ela jamais imaginaria ver ali, a quem imaginou nunca mais ver. A agente fez um sinal com a cabeça o convidando a entrar. _Que surpresa_ ela falou olhando Michelle fechar a porta. _Eu disse que era seu irmão, acho que ela não acreditou em mim_ ele sorriu. _Como você me encontrou?_ Scully foi fria e direta. _Não foi difícil, deixei por conta dos meus dedos..._ o sujeito se aproximou tocando os cabelos da agente. _Por que veio?_ ela retesou-se. _Eu queria você, agora eu a quero o tempo todo. _Nem se quer sei o seu nome e é assim que quero que continue!_ Scully lançou os olhos em direção à porta, uma indicação para ele ir embora. _O meu nome é Tom, apelido de Thomas K. Bathiler Junior, o mesmo nome do meu pai. _Por favor..._ Dana fechou os olhos. _Senão for até mim, eu virei até você e vou acabar na soleira da sua porta, acha que o seu namorado vai acreditar que sou seu irmão? Tom virou-se, saindo ainda com um sorriso nos lábios. Scully levantou-se, o olhando pela janela, o vendo sair e parando no final da rua para jogar basquete com alguns homens. "Agora é tudo ou nada, não tenho para onde fugir, não tenho para onde me esconder... estou sem saída..." "21 de agosto - Meu vigésimo sexto aniversario... e agora, se lembre, faça uma cara feliz. Como alguém sabe como outra pessoa está se sentindo, com quem eu posso contar, com quem eu posso falar? Odeio psiquiatras e se dissesse a meus amigos que meu problema não era um homem e sim dois, eles me chutariam na cabeça... Talvez eu deva por um anúncio no jornal... "Mulher descontrolada pede conselhos sobre dor e paixão a outras mais experientes, paga-se muito bem, enviem diários a Sapatos Vermelhos, caixa postal... Qualquer coisa..." " - A vida é assim mesmo, se você olha muito para alguma coisa durante muito tempo à luz do dia, naturalmente você verá seus efeitos, por isso que tudo que eu projeto tem muitas sombras... As sombras fazem tudo ficar bonito, especial, essas sombras tornam você linda, Scully... Eu te amo e quero que se case comigo - " "Era como se eu estivesse fora do meu corpo. Vendo as peças de um quebra-cabeça se encaixarem. Era o painel da minha vida com todos os painéis se repetindo, todos os mesmos malditos erros. Por que sempre me questiono quando algo de bom acontece?" ================================ _Endireite o corpo! A mulher batia a bengala contra o chão ritmadamente ao som da música suave, enquanto algumas moças esticavam-se em passos de balé. Scully entrou primeiro, olhando o local, assim sendo seguida por Mulder, que pareceu assustar-se um pouco com a figura rigorosa da mulher. _Muito bem, acabamos por hoje!_ ela bateu a bengala duas vezes no chão e passou por Mulder e Scully indicando que a seguissem. Fox olhou para Dana erguendo as sobrancelhas e sorriu virando-se para ir embora, mas ela o impediu segurando-o pelo sobretudo. _Então me diga, qual é o seu nome?_ a mulher perguntou sem nem ao menos olhar para Mulder. _É Fox Mulder, mãe..._ Scully apressou-se em responder. _Mulder... Exatamente que tipo de arquiteto você é?_ ela caminhou até uma janela, baixando a persiana_ Espero que não seja um daqueles idiotas conceitualistas que passam a vida teorizando o meio ambiente utópico. _Mulder projeta arranha-céus!_ Dana voltou a responder, enquanto Fox mostrava-se impassivo. _Projetar e construir são coisas bem diferentes, meu bem... _Ele constrói também! _Desprezo homens intimidadores_a mulher caminhou parando em frente a Mulder. _Ele não é intimidador!_ Dana elevou a voz. _É mesmo, então ele a fisgou senão não estaria o defendendo. Não sei se minha filha lhe contou, mas o pai dela era um grandessíssimo verme... Você não é um daqueles tipos passivo-agressivo, é? _Sou apenas agressivo..._ Mulder manifestou-se irônico. _E intimidador, é um bom amante?_ a mulher o enfrentou com os olhos. _É atencioso, é paciente e generoso, faz tudo com calma? _Por que não fecha a porta e descobre_ Fox deixou o tom sarcástico tomar-lhe a voz. A mulher ficou sem reação por alguns segundos, depois retomou a fisionomia fria e retraída e virou-se caminhando até uma mesinha com algumas bebidas. O Cadillac preto rasgava a estrada de terra levantando poeira na sua passagem, inesperadamente parou e Dana desceu correndo para o campo de grama alta. _Hey, espera ai!_ Mulder também saltou do carro. _Desculpe se disse algo errado à sua mãe! _Ela não é minha mãe!_ Scully parou de correr, mas assim que percebeu Fox vindo em sua direção retomou a corrida. Mulder apertou o passo conseguindo alcançá-la com extrema facilidade, a enlaçando pela cintura e jogando-a contra a grama fofa. Ele colocou o corpo sobre o dela a pressionando a acalmar-se. _Olhe para mim Scully!_ele segurou o rosto dela entre as mãos. _Aquela não é minha mãe, Mulder!_ a agente tentou conter as lágrimas. _Minha mãe faria aquilo? _Eu sei... Mas me diga Scully do que você tem medo? _Eu tenho medo de que isto nunca acabe, tenho medo de não voltar..._ Dana deixou as lágrimas brotarem de seus olhos. _Isso vai acabar, Scully... Antes do que você imagina!_ Fox sussurrou, encostando o rosto no ombro dela. _E eu te amo... ============================== "Não posso deixar que ele me intimide, não posso deixar que ele me assuste... Preciso dizer a ele pessoalmente, senão puder fazer isso, se não puder encará-lo e dizer que tudo acabou, então eu não valho nada... Eu não valho nada..." Dana desceu de um táxi na porta de casa. Estava com a blusa branca aberta, deixando aparecer o sutiã. Acabara de voltar do encontro com Tom, o qual ela jurara ser o último, decisivo, aquele que a libertaria... Mas não havia resistido, seu corpo pedira mais uma vez e ela inocentemente atendera. Entrou no apartamento e foi direto para a cozinha preparar um coquetel misturando várias bebidas, que sorveu olhando as chamas da lareira. Seu estado de embriaguês aumentou e os músculos começaram a amolecer como se não suportassem o peso do próprio corpo. Ela estava entorpecida. Arrastou-se até a banheira, enchendo-a de água morna. Custou a erguer-se sobre os pés e tirou a roupa, ficando alguns minutos a olhar a água cristalina que saía da torneira. Entrou, sentindo os pêlos do corpo arrepiarem-se, e assim ficou por horas, esperando achar algo dentro de si que a impedisse... Ela sentia-se incapaz de conviver com o que fizera a si mesma e a Mulder... Culpando-se por ser fraca. O metal da navalha brilhou sob a fraca luz do banheiro. Scully passou os dedos sobre a lâmina, verificando o corte e a desceu até o pulso, deslizando-a sobre as veias, vendo o líquido vermelho brotar pelo corte inclinado em sua pele.... Mulder chegou em casa horas depois. Ele trazia um ramo de flores e havia feito uma reserva em um dos restaurantes preferidos de Dana. _Você parece um peixe! Ele gritou assim que entrou e percebeu a luz do banheiro acesa. Tirou o paletó deixando-o cair no chão indo em direção a banheira. _Scully? Fox já sabia o que havia acontecido, havia chegado o final... Ela estava morta na banheira, deixando o sangue diluir pela água agora fria, assim como o corpo da parceira. Ele a tirou da água erguendo-a nos braços e colocando-a no chão, deitando atrás de Scully e a abraçando num choro triste... " - Mulher você possui um diário? Você já foi traída, já traiu alguém? Homem, 35 anos, magoado e solitário recuperando-se da perda do seu único e grande amor, tentando entender o porquê. Disponho-me a pagar bem por seus relatos, favor mandar seus diários para Sapatos Vermelhos 79.56319 - Canoga Park, Califórnia - 91309. Todas as informações serão estritamente confidenciais... - " =================================== YAMASTEROL COMPANY TELEVISION. CALIFÓRNIA, CA. _Tirem eles daqui agora! Alguns agentes envolveram Mulder e Scully em lençóis escondendo-lhes a nudez. _Tirem estes eletrôdos deles!_ Skinner gritou, enquanto mantinha na mira os técnicos da Yamasterol. _Scully..._ Mulder soltou um grito agoniado. ================================== DOIS DIAS DEPOIS. APARTAMENTO DE DANA SCULLY. 02:02 am. _Oi_Mulder sorriu erguendo duas garrafas de cerveja. _Pra que isso, Mulder?_ Dana colocou a mão sobre os lábios, tampando um bocejo. _Te acordei? _É claro que não..._ ela falou com ironia. _Que bom!_ Fox passou pela parceira entrando no apartamento. _Tá, mais pra que isso, Mulder? _Não sei, comemorar... Pela nossa vida... Por não sermos personagens de cinema!_ ele sorriu sentando no sofá e abrindo uma das cervejas, enquanto a outra era oferecida a Scully. _Obrigada._a agente sentou-se ao lado dele. _Gostei do pijama..._ Fox sorriu, a olhando. Ela devolveu o sorriso, sorvendo um gole da bebida. _Skinner me ligou, Mulder, disse que a YCT foi absolvida das acusações e vai recomeçar os testes... _Hum..._ o agente balançou a cabeça, curvando-se para pegar o controle da televisão._Sabe o que é estranho, Scully? _O quê?_ Dana colocou a garrafa sobre o sofá, acomodando a cabeça. _Não termos as lembranças do que aconteceu, do filme em que fomos introduzidos...Eu queria saber como foi! _Para quê... Apenas para encher ainda mais seu ego machista narcisista? Pra se achar ainda mais parecido com Richard Gere?_ ela sorriu, olhando a televisão. _Não!_ Mulder arregalou os olhos, soltando uma gargalhada baixa._ Só queria saber como foi! _Talvez seja melhor assim! _Por que diz isso?_ ele indagou enquanto mudava os canais da televisão. _Existem milhões de filmes, Mulder, pense nas coisas totalmente absurdas que podemos ter feito._ Scully levou a cerveja até a boca. _Eu prefiro não lembrar! _Ah, que é isso, Scully... Já imaginou nós dois no Titanic... Eu como o ultimo dos Moicanos, Independence Day... Algum filminho erótico...?! _Sem chance, Mulder!_ Dana tomou o controle das mãos dele. ============================ Acabou... Obrigado por lerem, eu gostaria de Feeds.. PLEASE!!!!!! Quem viu o filme sabe que eu pulei algumas partes, mas isso se explica: para não deixar a fic longa demais... Obrigada por lerem... Bell ADAS-DRG... 15/02/01 NO MULDER, NO X FILES. =========================