Titulo: Xadrez Nome do autor: Meggie E-mail: wm3@uol.com.br Disclaimer: Mulder, Scully e sua gang não pertencem a mim e sim a seu criadores, blábláblá e esta historia não tem fins lucrativos e nem visa infringir nenhuma lei de direitos autorais. Tudo pelo divertimento do leitor shipper. Classificação: Shipper Resumo: Scully é seqüestrada e Mulder tem que dar um jeito de salva-la. Dedicatória: Para meu irmão que me agüentou essa semana e me ajudou na elaboração da historia. Beijos pra ele. Nota da autora: Essa é a primeira fanfic que escrevi ( mas não a primeira que mandei) e se ficou muito grande, sorry, eu não fazia nem idéia de quanto deveria escrever. Espere que vcs se divirtam lendo tanto quanto eu fazendo. Até....e Feedbacks, please. MORE THAN WORDS Saying I love you Dizendo Eu te amo Is not the words Não são as palavras I want to hear from you Que eu quero ouvir de você It's not that I want you not to say Não é que eu não queira que você não diga But if you only knew Mas somente se você soubesse How easy it would be to show me quão fácil seria me mostrar how you feel como você se sente More than words Mais que palavras is all you have to do to make it real É tudo o que você tem que fazer para tornar real Then you wouldn't have to say Assim você não teria que dizer that you love me que me ama Cos I'd already know Porque eu já saberia What would you do O que você faria if my heart was torn in two se meu coração fosse partido em dois. More than words to show you feel mais que palavras para você me mostrar That your love for me is real que seu amor por mim é real What would you say if I took those words away O que você diria se eu jogasse essas palavras fora Then you couldn't make things new então você não poderia fazer as coisas novas Just by saying I love you Só dizendo eu te amo More than words Mais que palavras Now I've tried to talk to you Agora eu tenho tentado falar para você and make you understand E te fazer entender All you have to do is close your eyes que tudo o que você tem que fazer é fechar seus olhos And just reach out your hands and touch me e estender suas maos e me tocar Hold me close don't ever let me go Me abraçe forte e nunca me deixe ir More than words Mais que palavras is all I ever needed you to show É tudo o que eu sempre precisei que você mostrasse Then you wouldn't have to say Então você não teria que dizer that you love me Que você me ama Cos I'd already know Porque eu já saberia What would you do o que você faria if my heart was torn in two se meu coraçao fosse partido em dois More than words to show you feel Mais que palavras para você mostrar That your love for me is real Que seu amor por mim é real What would you say if I took those words away O que você faria se eu jogasse fora essas palavras Then you couldn't make things new Então você não poderia fazer as coisas novas Just by saying I love you Só dizendo eu te amo More than words Mais que palavras Westlife Põe essa música aí e vamos lá. O nome dela era Sara. Bonito e delicado, combinava com ela. Não sabia direito quantos anos tinha mas eram muitos. Mais do que qualquer pessoa viva poderia se lembrar, inclusive ela mesma. Sara sentou-se em sua mesa redonda, a toalha azul turquesa caindo em ondas no chão. A velha mulher começou a olhar pela janela aberta, para pessoas distantes. Procurando avidamente alguém interessante com que pudesse ocupar o seu dia. Passeou os olhos argutos pelas ruas da cidade, ruas em que apenas ela poderia olhar. Ruas escuras aonde seres tristes e sozinhos viviam. Buscou o mais angustiado. Aquele que faria tudo o que desejasse. Chamava-se Charlie Smith e não era nada. Procurou não se aprofundar em sua alma, o que via na superfície era suficiente para saber que servia a seus propósitos. Passou então a procurar o outro lado da moeda, alguém ali perto que significasse alguma coisa, que tivesse um futuro pela frente, que fosse amado , alguém que fizesse a diferença. Procurou por uma pessoa que fosse o oposto de Charlie, tão oposto que quando defrontados não haveria outro caminho a não ser a destruição total de um deles. Chamava-se Fox Mulder e era muito querido. Sara gostou disso nele. Havia no intimo daquele homem uma sensação de bem estar por saber que podia contar com alguém. Tomando-se de cautela, a senhora moradora do velho apartamento 104 em uma rua calma de Washington, vasculhou a mente do seu jogador numero dois. Era confusa, tinha muitas lembranças, algumas muito especiais e o mais importante, trabalhava rápido e possuía uma capacidade excepcional de associação. Sorriu. E estava apaixonado. Aquilo era bom. Ela adorava partidas com uma rainha ativa. Desviou o olhar para o tabuleiro de xadrez em cima da mesa e mexeu um peão branco. Apartamento de Charlie Smith – Sábado 10:34 AM Charlie se sentia angustiado, algo nele se agitava como em um grande caldeirão fervente. Suas entranhas se apertando e o levando a lugares que ele não tinha certeza de querer ir. Sentou-se no sofá, a poltrona macia o engolindo como uma serpente. A mente entorpecida do homem começou a se lembrar de sua vida, toda ela. A acusar sua lista inteira de fracassos sucessivos. Sua existência completamente vazia, coisas que já havia se condicionado o não pensar. Levantou-se devagar, precisava sair, tomar ar. Abriu a porta e foi andando claudicante por entre as ruas de Washington. Perto dali... Apartamento de Mulder Fazia 15 horas que não há via, logo os sintomas da crise de abstinência se fariam sentir. Mulder os conhecia bem. Era um apertozinho estranho no peito, uma vontade maluca de estar perto dela e os pensamentos totalmente engarrafados. Agora que estava viciado naquela mulher era uma maldade sem tamanho tê-la afastada de si. Mas não podia culpa-la. Primeiro porque ela não sabia, depois porque o motivo era justificado. A mãe dela, Meg, estava se sentindo mal e sendo a médica da família o mais natural é que a chamassem. E para piorar era Sábado, ele nem teria que ir trabalhar. Já aprendera que a forma mais eficiente de se esquecer um vicio era outro. Por isso pegou as chaves do carro e se dirigiu ao prédio da Bureau. Casa de Margaret Scully Mesma hora - Já vai, filha? - Já sim, mãe. -Scully deu um beijo nas bochechas de Margaret. -Você vai ficar bem? - Claro que sim, não se preocupe. Pode voltar para ele. - Eu não vou voltar pra ele, mãe. Vou voltar para casa. – Respondeu Scully já sabendo que a mulher mais velha falava de Mulder. - E não é a mesma coisa? Apartamento de Sara 11:10 AM Sara estava gostando. Aquele jogo prometia ser muito interessante. Analisou o tabuleiro com cuidado, pensando qual seria a melhor jogada a fazer. Num ímpeto, colocou o peão branco em frente a rainha preta. Ruas de Washington Scully brecou o carro no momento em que viu o homem mas não foi o suficiente para evitar a batida. Quando o veiculo parou o corpo já estava estendido no chão. Preocupada, ela tirou o cinto, pegou o kit de primeiros socorros e correu rumo a pessoa que atropelara. Deus, nunca havia atropelado ninguém antes. Rezou para que estivesse vivo. Charlie abriu os olhos. Sentia o corpo dolorido mas nada parecia quebrado. Nossa, aonde estava com a cabeça? Nem vira o carro. Scully se ajoelhou ao lado dele, sem se dar conta das pessoas que se juntavam ao redor para ver o acidentado. Tocou o rosto ferido. - Pode me ouvir, senhor? Charlie ficou surpreso. A muito tempo não era tocado, muito menos por uma mulher. E era uma mulher muito bonita. Muito colorida, de pele clara, olhos azuis e boca e cabelo bem vermelhos. E mãos macias. Infinitamente macias. Sentiu o coração disparar ao ouvir a voz dela e perceber a preocupação em sua expressão. Ela repetiu a pergunta, enquanto analisava se havia algum osso quebrado. - Meu nome é Dana Scully – Continuou ela sem ter certeza se era ouvida ou não- Já chamaram a ambulância. Eu sou médica e o senhor me parece bem mas é sempre bom fazer alguns exames, senhor... - Smith. Charlie Smith. Eu estou me sentindo melhor, Srta. Scully. – Tentou se levantar mas ela o impediu. - Não, fique deitado que a ambulância já está a caminho. Ela segurava a sua mão e Charlie gostou da sensação. Gostou muito. Hospital Memorial de Washington. Washington D C. 12:34 AM - Sim, Mulder. Eu estou bem. - Tem certeza, Scully? - Mulder, não fui eu a atropelada. - E como ele está? - Bem, só alguns arranhões. - Quer que eu vá pra aí? - Não, eu vou levar o Sr. Smith pra casa e depois vou embora. E Mulder, aonde você está? Tentei a sua casa milhares de vezes. - No Bureau. - E o que você está fazendo aí?- Mas ela já sabia a resposta. Ou pelo menos parte dela. - Eu não tinha nada pra fazer. - Descansar ajuda. - Descansar? O que é isso mesmo?- Perguntou ele em tom de gracejo. - Sempre desconfiei que essa palavra não constasse mesmo no seu vocabulário... - Scully, se você precisar de mim, ligue. - Pode deixar, Mulder. Obrigada. - Obrigada nada. Vou por na conta. Ela riu. - Você não acha que eu já te devo demais? - Na verdades, estamos quites. Quando Scully desligou o celular Charlie apareceu, tinha um enorme curativo na testa, outro no maxilar e os braços arranhados. - Acho que fiz um belo estrago em você- Começou ela meio sem jeito. - Ah não, a culpa foi minha. Eu estava em outro mundo. Mas obrigada por tudo Srta. Scully. - Não precisa agradecer. E pode deixar que eu te levo pra casa. - Ah, não é necessário. Eu posso... - Acho que eu vou me sentir melhor se te deixar em casar, Sr. Smith. Ele sorriu. E quando o fez, pareceu muito pequeno e tímido. - Obrigado, então. ... Sara estudou com cuidado sua próxima jogada, sua rainha estava mais sintonizada com o rei Negro do que esperava, aquilo não era bom. Deste jeito, o rei Branco não tinha chance. Pensou em como resolver a situação e a idéia veio-lhe devagar. Parecia boa. Quase com reverencia, colocou o bispo branco perto de seu rei. Ele precisava de conselhos. ... Apartamento de Charlie Smith 01:15 PM - Eu moro aqui Srta. Scully. Não gostaria de entrar? Tomar alguma coisa? - Ah, eu não sei, eu... - Oras, por favor. Não é todo dia que sou atropelado. Ela sorriu e achou que não haveria problemas em tomar um copo d'água. Estava mesmo morrendo de sede. - Acho que vou aceitar sua oferta, Sr. Smith. Charlie exultou por dentro. Ela era linda, particularmente linda. Gostava muito dos seus olhos. Além do que não tinha nada a perder, estava acabado mesmo. Ambos entraram. - O que gostaria de tomar, Srta.? - Água. - Ah, o que é isso? Depois de todo transtorno que lhe causei posso te oferecer algo mais. Que tal um suco? - Ah, seria ótimo. - Só um minuto, por favor. Charlie correu para cozinha, tirou um suco de caixinha da geladeira e pôs-se a procurar o ingrediente principal. Abriu o armário e no meio de muitos outros remédios encontrou o que queria: Sonífero. .... Se fosse uma característica sua, Sara estaria dançando. Charlie era ainda mais facilmente influenciado do que pensara. Agora era só esperar a reação do rei preto. Aquela partida prometia. ... Charlie carregou a agente para seu quarto e passou uma fita adesiva por seus lábios, suas mãos e pés . Depois tirou o celular do bolso dela, repassou mentalmente o que ira dizer e apertou a tecla Redial. Ao ver que era Scully, Mulder se animou, passar um Sábado trabalhando, e sem ela, era muito deprimente. Atendeu. - Oi Scully, como está? - Não é Scully. O agente ficou imediatamente alerta. Quem estaria ligando para ele do celular de sua parceira? - Quem é? - Escute, é o Mulder? - Sim. – Seu coração agora batia no cérebro com a certeza absurda de que não iria gostar nem um pouco do que ia ouvir. - Estou com a sua parceira Sr. Mulder. – Charlie sabia que eram colegas de trabalho pela breve conversa que tivera com Scully enquanto esperava que o sonífero fizesse efeito.- Ela é bem bonita não é? Aposto que o Sr me daria muito para tê-la de volta, não daria? Charlie estava gostando muito de estar no controle. - O que você quer? – Perguntou ele ríspido, com a voz rouca. - Dinheiro, Sr. Mulder. O que mais eu iria querer? Bem, quanto a sua parceira vale pra você? Ela tem um carro legal, acho que você tem condições de pagar o quanto eu quero. - E o quanto você quer, seu verme? Charlie não tinha certeza do quanto deveria pedir, nunca seqüestrara ninguém antes. Além do que, não sabia o quanto o homem do outro lado da linha possuía, nem o quanto ele estaria disposto a pagar. Torcendo para que fosse a quantia certa, pediu na sua voz mansa. - Acho que um milhão é suficiente. - O que? Eu não tenho todo esse dinheiro. - Pois trate de arranjar. Ou então você vai receber pedacinhos de Dana pelo correio. Desligou , rezando para que não houvesse exagerado. Mulder sentiu as mãos frias. O cérebro funcionando a toda velocidade. Com tantos motivos para sua parceira ter sido raptada , havendo tantas informações que o seqüestrador pudesse pedir, ele queria justamente o que todos queriam, simplesmente dinheiro. Quase riu. O idiota havia levado uma agente do FBI, a sua agente do FBI. Ele não fazia nem idéia do perigo que estava correndo. Se o cretino ousasse machucar Scully, ele mesmo se encarregaria de lhe aplicar a pena capital. Ligou para o QG dos pistoleiros e contou tudo o que sabia. Ele disseram que iriam pegar o safado e prometeram ficar alertas. Depois, foi falar com Skinner. O FBI não negociava com sequestradores e ele não tinha o dinheiro de qualquer forma. O cara poderia Ter pedido tudo o que quisesse que Mulder, se necessário, teria dado um jeito de conseguir. Mas não seria . ... Sara olhou para o tabuleiro, as peças misturadas e a postos, preparadas para o que desse e viesse. Devagar, fez o rei preto voltar uma casa. A rainha dele ainda estava perto demais para que se arriscasse. Tinha que resolver aquilo também. ... Charlie olhou para mulher sedada ao seu lado, dirigia com ela há horas, estava escuro e sentia o corpo cansado, implorando por cama. Mas ele tinha que chegar logo. Washington não era mais seguro para ele que agora era caçado pelo FBI. Nossa! Como estava importante. Sala dos Arquivos X Segunda-feira 9:49 PM Mulder andava de um lado para o outro feito um leão enjaulado. O haviam tirado das investigações. Droga, droga! Skinner não tinha o direito de ter feito aquilo com ele! E daí se estava emocionalmente envolvido? Era um motivo a mais para pegar o bandido. Ele odiava a sensação de não estar fazendo nada. Aonde, afinal, estava escrito que a divisão anti sequestro trabalhava melhor que ele? Tudo bem que não dormia desde Sábado, mas já fizera isso antes e não fora nada que um dia de folga não resolvesse. E estavam falando de Scully. Sua Scully. Quando mexiam com ela, mexiam com ele também. Será que eles não entendiam? Preocupado e se sentindo terrivelmente inútil resolveu ir para casa. Naquele momento não seria de grande ajuda, não estava nem conseguindo pensar direito. Foi chegar, tomar um banho, se deitar e dormir. Sonhou. Havia uma mulher jogando xadrez. Jogando xadrez sozinha. Tinha cabelos brancos e era muito pálida, com se não tomasse sol a muito tempo. Mulder foi se aproximando e percebeu que ela mexia com as peças brancas e negras com uma paciência de Jó, pensando muito antes de qualquer movimento. O tabuleiro estava em uma mesa redonda coberta com uma toalha azul turquesa. Sentou-se em frente a velhinha. Ela tinha olhos muito claros, quase translúcidos e sorria meigamente. Mulder olhou para as peças. Eram de madeira, muito bem feitas e…e…o rei negro tinha o seu rosto! Acordou sobressaltado. Suando apesar do clima agradável. Odiava ser manipulado mas aquilo era demais. Scully tinha razão, ele devia mesmo ser paranóico. Procurando uma posição mais agradável dormiu de novo. E sonhou. A mesma sala, a penumbra engolindo tudo e a velhinha jogando xadrez. As vezes ela sorria. Um curvar de lábios divertido e levemente sarcástico. Mexia uma peça e demorava muito tempo para mover outra, como se estivesse esperando uma reação. Mulder sentou-se de novo a frente dela. As mãos frágeis da senhora estavam no rei branco. Era uma peça grande, aonde havia sido esculpido um rosto masculino. Uma face sem traços marcantes mas muito agradável, uma fisionomia bastante comum, de quem não esperaríamos muito coisa. Era estranho que estivesse esculpido justo no rei. A rainha branca não tinha face e parecia não ter saído do lugar mas a preta estava muito perto do rei branco. Só que não estava em posição de ataque. E tinha o rosto de Scully. QG dos pistoleiros solitários 5:45 AM Terça-feira Mulder ouviu impaciente o pistoleiro mais baixo destrancar todos os cadeados e fechaduras resmungando impropérios. - Credo Mulder, você parece péssimo.- Depois completou em um tom de voz mais ácido- E não tem nenhuma noção de hora e lugar. - Não enche, Frohike . É importante. - Descobriu alguma coisa sobre Scully? - Mais ou menos. Eu acho que estamos procurando no lugar errado. Vamos gente, quem seqüestraria Scully assim de repente? Só pode ser um amador. Acho que ele a conheceu e fez isso por impulso. - Por impulso? – Langly ainda não estava entendendo aonde o agente queria chegar. - É, hoje é que fui me lembrar do que ele disse. Foi algo como "ela tem um carro legal." Minha teoria é que ele não sabia direito com quem estava falando, se eu tinha dinheiro ou não. Eu acho que ele simplesmente aproveitou o momento. - Tudo bem , e aonde isso nos leva? – Perguntou o terceiro pistoleiro, já em pé. - Não acredito que ninguém percebeu ainda. É tão ridículo. Já devíamos ter feito a ligação a muito tempo.- Ele fez uma pausa esperando uma reação dos amigos. Nada.- Ao cara que ela atropelou! O homem por acaso também sumiu e ninguém associa uma coisa com a outra! Langly bateu a mão na testa. - Deus, como somos idiotas. Vou pegar a ficha dele. ...... Sara estava impressionada. Nublara a mente do rei negro para que o branco pudesse fugir com a rainha mas mesmo assim ele conseguira se libertar. Agora o monarca claro estava em xeque. Se não o ajudasse provavelmente não conseguiria se safar sozinho. Concluiu que o melhor era não interferir. Pelo menos por enquanto. .... Charlie olhou para mulher deitada na cama do velho chalé. Estava sendo drogada a dias. Esperava sinceramente que os remédios não estivessem fazendo mal para ela. Gostava da Srta. Scully. Achegou-se a ela e tocou seus lábios com os dedos. Também eram macios, mornos e macios. Desceu os dedos para os ombros, retirando a blusa sem pressa, expôs o sutiã rendado, preto. Achou bastante sexy. Quis ver como ela ficaria sem ele, pôs a mão no fecho com cuidado e já iria retira-lo ao se dar conta do que estava fazendo. Deus, estava abusando de uma mulher adormecida. Uma que ele fizera adormecer. Colocou a blusa nela novamente e se afastou. Precisava acabar com aquilo logo. Ligou novamente para o FBI. Apartamento de Mulder 3:45 AM Quarta-feira Ele estava novamente na frente da velha senhora. As peças pareciam ter vida agora e a mulher estava obviamente se divertindo. Movimentava uma peça e esperava sorrindo. Mas esperava o que? Mulder não entendia. A rainha com a face de Scully continuava perto do rei branco. A majestade negra andava atrás da rainha. Então, de repente, ele compreendeu. QG dos pistoleiros Quarta-feira 5:32 - O que foi Mulder? - Acho que entendi. - Entendeu o que, homem? São cinco da manhã? - Lembra da ficha do tal cara? - O atropelado? – Se meteu Langly. - Sim, ele era totalmente limpo. Nem uma única encrenca durante toda a sua vida, um cara normal, pacato. Por que alguém assim seqüestraria uma agente do FBI? - Cansou, acho. - Não. Eu acho que ele foi manipulado. - Quer dizer, instigado a fazer isso? - Mais ou menos. Acho que tem alguém jogando xadrez com a gente. - Como é que é? - Eu não sei como ela consegue. É uma velhinha, ela fica lá sentada, nos fazendo de fantoches... - E pra que? – Interrompeu o pistoleiro mais jovem - Para se divertir, creio. Eu preciso que vocês a procurem pra mim. - Ah, simples. E por onde quer que comecemos Sherloc? - Eu tenho a descrição dela. Quatro horas depois. - É essa. É essa mulher mesmo. Eu tenho certeza.- Mulder gritou aliviado. - Sara Kendric. Aqui diz que nasceu em 1900. Parece mais jovem. Mora em Washington, o endereço é... Mas Mulder já havia saído. Apartamento de Sara Mulder arrombou a porta e entrou , com a arma em mãos. Ao observar a sala foi tomado por uma incomoda sensação de Dé jà vu . Sara estava sentada, jogando xadrez. Sorriu ao vê-lo. - Ora, ora , agente Mulder. Sinceramente devo cumprimenta-lo. Ninguém antes havia chegado até aqui. - Aonde ela está?- Perguntou ele se aproximando. - A sua rainha? Bem aqui. – E apontou para o estranho tabuleiro. - Não brinque comigo. Eu só quero saber como acha-la. A velhinha simplesmente anotou o endereço em um papel qualquer e entregou a ele. - Agora agente Mulder, vamos jogar de verdade. – As mãos pequenas e enrugadas retiraram o monarca preto do tabuleiro – Boa sorte. Mulder correu para o endereço indicado, sabendo que algo muito ruim aconteceria se não chegasse logo. A mulher era louca, louca. E seria louca no inferno se ele perdesse o jogo. Os pistoleiros ligaram enquanto ele dirigia rumo ao endereço dado por Sara. - Mulder, você não vai acreditar! - O que foi? - Achamos outras três Saras. - Como? - A primeira se chamava Sara Roberts, morreu em 1784. Mesmo rosto. A outra nasceu neste mesmo ano e morreu em 1850, a terceira nasceu aí e morreu e 1900, que por acaso foi quando a nossa Sara Kendric veio ao mundo. O que você acha? Mulder não sabia o que achar, estava preocupado demais com Scully. Tinha a impressão que a Sra. Kendric levava suas brincadeiras muito a sério. - Depois eu penso nisso, gente. Agora tenho que desligar. … Sara olhou para o rei negro. Estava em xeque. Sorriu ao pensar em qual seria a próxima jogada de seu adversário. Jogar de dois era infinitamente melhor. … Scully estava se sentindo enjoada, seu estômago dava mais voltas que a roda gigante da Disney. Não se lembrava direito nem em que mundo estava muito menos o que estava fazendo nele. Seus olhos estavam úmidos quando viu um homem entrar. Não se lembrou dele de imediato. A mente ainda entorpecida. - Finalmente acordou, Bela Adormecida. - Sr. Smith. – Murmurou ela reconhecendo seu raptor. Ele parecia diferente. Quase selvagem. Teve medo. - Seu coleguinha não estava disposto a colaborar Srta. Scully. Eu disse que te soltava sã e salva se ele me pagasse. Mas ele ficou me enrolando. Agora eu posso até te soltar, mas não vai mais ser tão sã assim. - O que você vai fazer? – Perguntou ela num fio de voz, sem conseguir se mover direito por causa do excesso de sonífero que lhe fora aplicado. - Não se preocupe.- Ele sorriu, um sorriso perverso- Vou tentar não machucar você. Ele a pressionou contra cama, com uma mão segurou os braços dela acima da cabeça e os prendeu com fita adesiva na cabeceira da cama. Antes que pudesse se recuperar do choque de perceber o que Charlie queria fazer, sentiu outro pedaço de fita tapar sua boca. Depois foi a vez dos pés. - Está confortável? Eu quero que seja bom pra você. Scully começou a chorar. - Mas pra que as lágrimas agente Scully? Vai ser divertido. Desabotoou a calça feminina e a escorregou sem pressa pelas coxas, deixando a peça formar um montinho entre os tornozelos da mulher. - Eu já te disse que você é muito bonita? Scully sentia as lagrimas caindo de seus olhos, uma sensação de horror e pânico tomando conta do seu corpo. Ele começou a desabotoar sua blusa. Fazia tudo com uma paciência deseperadora. Scully fechou os olhos e procurou se concentrar em outra coisa. Pensou em Mulder, em como ele era lindo e gentil. Em o quanto o amava. Queria estar com ele naquele momento, em seus braços, para que ele lhe dissesse que estava tudo bem, que fora tudo um pesadelo. Estaria segura se ele estivesse ali. Com Mulder estava sempre segura. Agora quase não sentia as mãos de Charlie em seu corpo. Pensava no parceiro, mas mesmo assim as lágrimas teimavam em cair dos olhos bem fechados. Mulder devia estar ali, devia protege-la. Sabia que era injusto pensar assim pois ele não tinha culpa de nada do que estava acontecendo, mas Scully já estava tão acostumada com ele lhe protegendo que lhe parecia natural que fizesse isso sempre. Lembrou-se da frase dele quando lhe telefonara do hospital. "Se você precisar de mim, ligue". Gostaria de poder ligar para ele naquele momento. Mulder arrombou a porta. Segunda vez em um dia só. Já estava se tornando um hábito. A sala do pequeno chalé estava uma bagunça. Ele escutou uma voz masculina vinda do quarto. Parecia…imoral. Correu até lá e escancarou a porta. O que viu fez seu corpo inteiro se encher de ódio, de uma vontade insana de matar. Scully, SUA Scully, tão pequena e indefesa estava amarrada na cama, com os olhos muito fechados, só de calcinha e sutiã. Havia também um homem branco só de cueca em cima dela. Esse homem iria pagar. Pagar muito caro. Abandonou a arma na mesa e partiu pra cima dele. Queria esgana-lo com suas próprias mãos. Jogou-se em cima de Charlie e se pôs a esmurra-lo. Não estava pensando. Só conseguia se lembrar de Scully amarrada na cama. O seqüestrador não teve nem chance, ficou logo inconsciente. Mulder nunca soube o que o fez parar, naquele momento o teria matado com muito prazer. Talvez tivesse sido a imagem de uma mulher chocada que assistia a tudo presa a cama, ou quem sabe a certeza de que a verdadeira responsável por tudo aquilo estava bem longe dali. Levantou-se abandonando o corpo desfalecido do homem no chão e correu até ela. Havia lágrimas nos olhos de ambos. Mulder se sentou na cama e a abraçou. Queria faze-la parar de chorar. Queria senti-la segura e bem em seus braços. Ela estava tremendo e Mulder não conseguia distinguir que coração batia mais rápido, o seu ou o dela. - Está tudo bem agora, amor. Eu estou aqui. Scully sabia que sim e por isso se permitiu chorar. Chorar de alivio por estar nos braços do único homem que podia faze-la feliz. Lentamente, ele retirou todas as fitas que a prendiam na cama e quando ela finalmente ficou livre e pode sentar-se Mulder tratou de abraçar novamente o corpo semi nu, apertando e acariciando como se isso tivesse o poder mágico de faze-la esquecer-se de tudo pelo que passara nos últimos dias. E quando o abraço não era mais suficiente, aproximou os lábios dos dela e a beijou. As bocas e línguas e dentes se encontrando na busca da certeza de que estavam realmente perto um do outro. Sala dos Arquivos X Uma semana depois Mulder tentava em vão se concentrar na leitura do relatório sobre o Caso Sara, a despeito de tudo Charlie fora solto, tivera um pouco de trabalho para convencer Skinner de que o Sr Smith estava sendo induzido por uma feiticeira que tinha mais de 400 anos mas acabara conseguindo. Sara simplesmente sumira. Provavelmente trocara de nome novamente e forjara um novo passado para si. Os pistoleiros ainda estavam procurando mas o agente duvidava muito que conseguissem alguma coisa. O que o preocupava realmente era Scully. Tinham-se visto apenas no hospital, fazia uns três dias e mesmo assim nunca mais tocara no assunto do beijo, apesar de que este não saia de sua cabeça. Ás vezes acordava de no meio da madrugada por causa de um sonho mais, hã, digamos, impróprio com sua parceira ruiva. Não conseguia evitar. E se já era difícil antes manter suas emoções a fogo baixo depois da erupção no chalé de Charlie, Mulder achava difícil que alguém conseguisse apagar o incêndio. E ela iria voltar para o trabalho aquele dia e não sabia como deveria trata-la. Talvez devesse fingir que nada havia acontecido, que não ficara desesperado ao vê- la sendo violentada, que não morrera de medo de perde-la para sempre. Não! Aquilo não era certo. Tinha que contar, afinal eram amigos e não escondiam nada um do outro. Ouviu os passos familiares em direção a sala no porão, tentou não se apavorar. Afinal, só iria falar para a pessoa mais importante da sua vida que a amava e não conseguia nem imaginar sua vida sem ela. Quando Scully entrou na sala, Mulder teve a impressão que as batidas de seu coração poderiam ser escutadas no Japão mas não teve medo. Para Scully pareceu muito natural o que veio a seguir. Ele simplesmente se levantou, colocou uma mecha de cabelo ruivo atrás da orelha da parceira e a beijou. Um beijo muito especial, o primeiro do resto de suas vidas. - Sabia que eu te amo Scully? - Sabia, mas não me importo que você repita sempre que desejar. - Bom, eu te amo. - Eu também te amo Mulder. - Eu sei. Foram mais que palavras More than words Cabô... PS: Galera, desconsiderem por favor todos os erros que por ventura eu possa ter deixado escapar. Espero que tenham gostado. Feedback, ok?