Wunder AUTORA: Késsia Nina E-MAIL: shipperx@gmx.net SPOILERS: Milagro CATEGORIA: Shipper FEEDBACK: Como eu sempre digo, envie o meu pagamento (feedback) para shipperx@g... e tenha certeza de que ele será lido com muito carinho e respondido com toda certeza!!! :) DISCLAIMER: A história é minha, mas eu estou pegando os personagens emprestados por um pequeno período. A única coisa que eu espero receber com isso é feedback! :) NOTA DA AUTORA: Todas as minhas histórias estão no meu site: http://go.to/shipperx/ Ontem (20/08/2000) eu vi Milagro pela milionésima vez e novamente eu vi coisas diferentes nesse maravilhoso episódio. A minha inspiração que tinha tirado umas férias voltou agora e eu espero que a história tenha ficado boa!!! Mais uma vez, obrigada à Clá, por ter betado esta fic e também por ter conseguido me deixar totalmente sem inspiração para um título! Daí a história vai ficar com esse título doido aí mesmo, que significa Milagre e está escrito em alemão! :) ========= Wunder ========= Uma leve brisa adentrava seu quarto através da janela entreaberta e a fazia tremer levemente. Apesar de estar deitada, não estava dormindo. Seu corpo apenas descansava imóvel enquanto sua mente trabalhava incessantemente. Phillip Padgett apaixonara-se por ela, o que significava que ela era uma mulher atraente e sedutora. Não que não tivesse certeza disso, mas como ele mesmo escrevera em seu livro, ela precisava provar que não era apenas mais um rosto bonito no FBI. Precisava mostrar que era inteligente e que deveria ser respeitada. O que Padgett quisera dizer quando falou que já estava apaixonada? Por quem? Nem mesmo ela sabia, mas tinha certeza de que ele estava certo. Tão certo quanto a dizer que ela instintivamente desejava que seu parceiro soubesse de uma pequena mecha de cabelos colocadas por trás da orelha num telefonema. Tão certo quanto a falar que ela estava curiosa a respeito dele. Tão certo quanto a dizer que ela se lembrara dos momentos de adolescente, onde seus sentimentos estavam à flor da pele e ela não sentia medo nem vergonha. Entretanto, como poderia ela estar apaixonada? Como poderia ele saber? E por que ela não sabia ou pelo menos não tinha se dado conta ainda? Era tão óbvio assim para todos os outros menos para ela própria? Perguntava-se se Mulder sabia ou se desconfiava do que ela sentia. Mas como? Sua grande dúvida era justamente como ele ou outra pessoa qualquer poderia saber se nem ela sabia ou tinha consciência do que sentia. Lembrava-se de ter sentido ciúmes do parceiro algumas vezes mas sempre fora porque sentia nele uma certa falta de confiança e não gostava de ser deixada para trás. Porém, nada era por amor ou estar apaixonada por ele. Mas por que então estaria falando somente de Mulder? Não poderia ela estar apaixonada por outra pessoa? Outro homem? Mas qual? Não havia nenhum em sua vida a não ser seu parceiro. Só poderia ser ele. Era ele. Finalmente a verdade acertou seu coração. Estava apaixonada pelo seu parceiro durante longos anos, mas não sabia. Foi preciso um escritor totalmente desconhecido e com uma imaginação tão fértil e forte a ponto de fazer suas personagens ganharem vida própria para fazê-la perceber a verdade que esteve ali o tempo todo. Ela se tornara uma personagem para o livro do vizinho do parceiro e, da mesma forma como ele se apoderara da vontade dos outros, também dela ele conseguiu tomar o poder. Era a única explicação para seus sentimentos nos últimos dias. Para a sua necessidade de estar com um homem, sua necessidade de se sentir bonita e desejada por todos. Uma sensação de leveza acompanhou mais um arrepio devido ao vento frio e ela se levantou para chegar mais perto da janela e poder desfrutar da visão do lado de fora de seu apartamento. Tudo parecia acontecer mais lentamente do que o normal. O tempo pareceu expandir de uma forma totalmente inexplicável. Talvez isso fosse estar apaixonada. Talvez fosse essa a sensação que sentira há tanto tempo que nem mais lembrava-se. O céu estava estrelado e ela tentou se lembrar da última vez que o fitou. Tão azul e tão imenso. Testemunha de tudo o que acontece na vida das pessoas no mundo inteiro. Estava sempre lá. Da mesma forma, mesmo mudando um pouquinho a cada dia. Mesmo distanciando as estrelas da Terra centímetro por centímetro a cada ano. Tudo muda. Até o infinito muda. Por que ela não haveria de mudar? Por que não deixaria se levar por Mulder? Por suas teorias tão chamadas de malucas, mas que quase sempre estavam certas. Por fasciná-la tanto com seu olhar juvenil e empolgado a cada novo caso que pegavam, que resolviam ou como a maioria deles, somente descobriam o que havia acontecido, sem conseguir prender o acusado. Foram anos juntos. Anos muito bem aproveitados. Anos em que ela aprendeu mais do que poderia imaginar. Anos em que ela foi fisgada pelo homem tão ridicularizado no FBI, mas que não passa do homem mais honesto e trabalhador que conhecera. Homem este que renunciou uma vida inteira ao trabalho e à busca de uma irmã que desaparecera há vinte e seis anos e que já foi praticamente ao inferno para salvá-la e que a fez ir ao inferno para salvá- lo. Quantas vezes já não arriscara a vida para tê-lo são e salvo ao seu lado? Quantas vezes não sentou numa cadeira de hospital ao seu lado na cama? Quantas vezes já não acordou no hospital e a primeira visão que tivera foi a do seu belo parceiro? Em todas as suas lembranças Mulder estava presente e na maioria delas ele era a parte principal. Por que então somente agora percebera o quanto ele era importante em sua vida? O quanto ele a fez mudar nos anos de convivência? Eram inúmeras perguntas e por um momento ela se perguntou porque pensava tanto nas coisas a ponto de perdê-las. Por que estava ainda pensando em Mulder enquanto ele provavelmente estava sozinho em seu apartamento precisando de companhia? Nesse sentido ela não precisava preocupar-se porque sabia que Mulder era um homem solitário e que, além dos vídeos eróticos, ele nada mais possuía. Era como se não houvesse espaço para mais nada em sua vida além do trabalho e ela própria. XXX Noites de Sábado sempre foram horríveis para Mulder. Tudo o que fazia era deitar-se no sofá e ligar a televisão. Filmes horríveis eram transmitidos e tudo porque ninguém em sã consciência estaria em casa num Sábado à noite. Seus pensamentos, entretanto, não estavam muito interessados no que passava na TV mas sim no que ouvira durante a semana: "A agente Scully já está apaixonada." Por quem estaria Scully apaixonada era a pergunta que martelava em sua cabeça desde a hora da revelação. Por que não perguntara a ela naquele momento? Sentia-se um bobo agora. Quem era aquele homem que tanto escrevera sobre sua parceira e a assustara? Afinal, ela chegara à autópsia abalada com todas as revelações que lhe foram feitas a respeito de si própria que nem ao menos ela sabia. Estaria ele certo quanto aos sentimentos dela? Seria ela capaz de dormir com um estranho num apartamento do quarto andar? Desejava ela que seu parceiro soubesse instintivamente que ela colocava o cabelo para trás da orelha? Estaria ela inconscientemente tentando seduzi-lo? Seria ele o objeto da paixão da parceira? Por que ela não falara nada? Mesmo quando falara que a amava, seu amor já estava mais do que explícito, ele achava. Já dissera com todas as letras as três palavras mágicas, mas de nada adiantou. E agora? Por que isso? Deveria ele fazer algo para mudar a situação ou permanecer na mesma e esperar que Scully tomasse finalmente a iniciativa? Se ele estivesse correto, fazia seis anos que estavam juntos e a maior manifestação de ciúmes de Scully foi com sua antiga namorada, Diana Fowley. Agora, entretanto, as coisas estavam claras. Mesmo que Padgett não houvesse escrito totalmente a verdade, ele de fato controlava de alguma forma as emoções de suas personagens. Era a única explicação encontrada para as reações de Scully. Ele mostrara novos lados de sua parceira, um lado sensível, humano, um lado selvagem, um lado totalmente mulher que ele não conhecia ainda mas há muito sonhava. XXX A água da banheira estava morna e aconchegante. Adorava tomar um banho demorado e calmo ouvindo boa música. Precisava relaxar após tantas revelações sobre si própria nos últimos dias. Batidas na porta a fizeram sair de seus devaneios e levantar- se rapidamente. Seu roupão branco e felpudo acariciavam seu corpo recém saído de um estado totalmente relaxante e ela, ao longo do caminho, se perguntava quem poderia ser àquela hora. Ao abrir a porta, deparou com seu parceiro segurando uma pizza. Apesar de achar que seria surpresa, ela não se surpreendeu com a presença dele ali e imaginou que talvez ele também houvesse pensado muito nos fatos ocorridos recentemente. Com o braço fez um movimento que o chamava para o apartamento. Seu perfume se exalou por todo o local e ela sorriu. Era incrível como conhecia o cheiro dele. Sua irmã uma vez dissera que o cheiro dizia muito sobre uma pessoa e ela sentia que fazia parte de Mulder somente por causa do seu cheiro. De alguma forma, os dois se completavam em tudo na vida. "Eu queria fazer uma pergunta, Scully." Ela sentou-se do seu lado, olhou no fundo dos olhos dele e concordou somente com a cabeça. "Tudo o que o Padgett falou foi mentira? Tudo o que ele falou sobre você foi mentira ou existe alguma verdade naquilo?" "O que você acha?" Não tinha certeza do que responder e achou melhor fazer isso com outra pergunta. "Estou um pouco confuso com toda essa situação. Pensando bem agora, eu não sei o quanto de você foi influenciada pela mente daquele escritor, ou seja, não sei qual das partes era você mesma ou a personagem que ele criou tomando você como referência." "Mulder..." Ela aproximou-se dele, que se afastou um pouco. Apesar do sorriso, viu que ele estava confuso e talvez não tivesse certeza ainda de como ela se sentia. "Eu sou eu mesma e sempre fui. Em nenhum momento eu fui influenciada por Padgett." "Nem mesmo quando estava na casa dele? Sentada na cama dele?" Scully sentiu que Mulder estava com ciúmes e talvez, mas apenas na última das hipóteses, com medo. Será que ele ainda não havia mesmo percebido a verdade? "Eu não sei porque fui ali. Tudo bem, eu admito que posso ter sido guiada pelo que ele escreveu acerca da minha personagem, mas nem tudo. Realmente ele me conhecia muito bem e talvez por ser escritor tivesse mesmo essa capacidade, mas acho que você sabe muito bem que eu não iria para a cama com ele, por exemplo." Ele concordou com a cabeça, mas Scully sentia que ainda havia algo mais para ser perguntado e que ela deveria responder. Porém, ela esperaria que ele fizesse tais perguntas. "Mais alguma pergunta ou podemos comer essa pizza?" "Tenho mais uma pergunta somente. Por quem você está apaixonada? Ou isso era mais uma característica da personagem?" Scully sorriu. Um sorriso aberto e sincero. Um sorriso que Mulder não conhecia muito bem porque não costumava fazê-lo mas pretendia de agora em diante. Não havia motivos para não sorrir. Depois de tudo o que passaram, mereciam um descanso e um pouco de paz. Dessa forma, sorrindo, ela simplesmente perguntou, já se levantando e pegando a pizza da mesa de centro dirigindo-se à cozinha. "Você não sabe mesmo?" -------- Fim ---------- E então, galera??? :) Gostaram??? Eu sei que o final não foi dos melhores mas eu gosto de deixar as coisas meio subentendidas!!! Às vezes é até melhor assim!!!!! Mandem seus comentários para shipperx@gmx.net