TÍTULO: Witchcrafts AUTOR: Mariana Bonfim RESUMO : Como?! Uma bruxa fã de Arquivo X ?! Isso mesmo... que tal dar uma olhada no diário dela pra verificar...Você irá ver coisas e situações que ninguém nunca imaginaria acontecer com Mulder e Scully. CLASSIFICAÇÃO: Inexplicável / leve toque Cômico E-MAIL: Me mande o feedback, peloamordedeus!!! Se não nunca vou melhorar, e sim piorar de vez... Meu e-mail é ma_bonfim@bol.com.br NOTA DA AUTORA: Você já deve ter ouvindo por aí, nas revistas, jornais, propagandas, livrarias, sobre o livro de um garotinho chamado Harry Potter. É , isso mesmo. Esse livro da autora escocesa J. K. Rowling já vez ela faturar mais de um bilhão de dólares e conta a história dos sete anos do garotinho na escola de bruxaria na Inglaterra. "Mas isso é um livro de crianças!" deve estar você dizendo e se perguntando o que isso tem a ver com Arquivo X... Ora , ora. Mas tudo!! Bruxos que vivem no meio de trouxas ( é como eles chamam os humanos) e não são notados por seus olhos cépticos é um verdadeiro Arquivo X. Mas eu não estou aqui para plagiar as idéias da autora e nem para fazer em cross over... Eu li os 3 primeiros livros de Harry Potter ( se você não leu, corra ) e simplesmente veio a idéia para a fanfic. Ah!! Tem mais um detalhe importantíssimo. Quando as falas forem em inglês haverá um * na frente delas. Logo você vai entender porque. ~~~~~~*~~~~~~*~~~~~~*~~~~~~*~~~~~~*~~~~~~*~~~~~~*~~~~~~*~~~~~ ~*~~~~~~*~~~ ~ Local: desconhecido. Data : desconhecida. Horário: desconhecido.... (e você?! Já nos apresentamos?) A sala é completamente escura. Não há luz, nem velas. A única coisa que podemos ver é um aparelho de TV ligado. Nele imagens dos últimos episódios do sétimo ano de Arquivo X. Se afastando um pouco do aparelho, podemos notar a presença de alguém na sala. É uma mulher. Está de costas para nós. Veste uma roupa preta, tem os cabelos lisos, escuros, na altura do ombro. Uma fumaça começa a se impregnar pela sala e podemos agora ver prateleiras e mais prateleiras cheios de potes nelas. Também há tantas outras coisas estranhas penduradas na parede. A fumaça aumenta mais e mais. E quando vemos novamente a televisão, ela está desligada. A fumaça enfim cessa, e podemos ver duas pessoas estiradas no chão e desmaiadas. A mulher se abaixa sobre eles e toca-lhes o rosto. Podemos agora ver que se trata de Mulder e Scully. WITCHCRAFTS... 7 de janeiro de 2001 Domingo Logo pela manhã pegamos a estrada para o sítio da minha avó, numa cidade de nome Alumínio. Só no Brasil para colocarem um nome desses numa cidade. Se eu fosse fazer uma cidade iria colocar um nome mais inteligente, como ... her.... ah, sei lá ! Não estou com muita criatividade hoje. Pois bem. Já na estrada de terra , na zona rural da cidade eu acordei de um leve cochilo com uma freada brusca de meu pai. Todo mundo saltou pra fora do carro para ver o que tinha acontecido. Eu fiquei sentadinha no meu banco para ver o que aconteceria. Meus parentes se colocaram em volta de duas pessoas que estavam deitados no chão. Eles estavam cobertos pelo pó da estrada e após meu pai verificar se ainda estavam vivos eles acordam de uma espécie de desmaio. Não dá para ouvir o que eles dizem mas tanto o rapaz , quanto a moça que estavam no chão, parecem extremamente confusos. Eles tiram a poeira dos corpos. E meu pai corre para o carro e pede para eu sair. ------ Olhe, Mione, eu não sei como esses gringos de terno, gravata e roupa social estão fazendo no meio do nada, mas preciso que nós ajude. ------ Gringos ?! Como assim, pai? Meu pai me puxa em direção do casal. Quando me aproximo ouço o rapaz dizer. *----- Por favor , me diga onde estamos, somos do FBI.- e mostra uma espécie de carteira para meus parentes. ----- Ah, pai... ele fala inglês. Você sabe que a fazenda do Fernando Henrique é aqui perto. Também tem a CBA do Antônio Ermínio de Morais ... ------ Então vá falar com eles ! Eu não paguei um mês de curso nos EUA pra nada ! Me aproximo deles e os cumprimento. *----- Olá ! *------ Ai, pelo menos ela fala inglês- diz a moça. O rapaz desesperada me segura pelos ombros e pergunta. *----- Por favor, me diga que lugar é esse. E por que essas pessoas só falam espanhol. Aqui é o México?- obviamente fico furiosa. *----- Olhe aqui, seu americano. Em primeiro lugar nós não falamos espanhol, falamos português e isto aqui não é México coisa nenhuma. Nem Argentina. Não sei de que planeta vocês vieram mas estamos no Brasil ! *----- Brasil ?!- perguntam os dois ao mesmo tempo, com uma expressão de quem acaba de ver o diabo em pessoa. *------ É ! Brasil sim senhor... Porque o espanto ? Os dois se olham , acho que tentando acreditar no que eu acabei de dizer. *----- Vocês não tem a menor idéia do que estão fazendo aqui? *------ Não...- responde o rapaz. *----- Vocês sabem me dizer se então foram seqüestrados , dopados, alguma coisa assim? *----- Olha, mocinha, há alguns minutos estávamos nos Estados Unidos da América investigando um caso, porque somos do FBI sabe, e de repente viemos parar aqui.- diz a moça completamente exaltada. *------ FBI ? Será que o fato de vocês estarem aqui não tem alguma coisa a ver com o que estavam investigando?- pergunto *------ Olha... eu não tenho a menor idéia.- Diz o rapaz desanimados. *------ Como vocês se chamam? *------ Eu sou Fox Mulder e ela é Dana Scully. E você ?- fico calada por uns instantes *------ Sou Hermione, mas todos me chamam de Mione. Me aproximo de meus parentes e traduzo o que acabara de ouvir. Depois de uns minutos veio a decisão. *------ Vocês podem vir para a nossa fazenda conosco, se vocês quiserem é claro. Daremos um jeito de... bem.... tentar levar vocês .... de volta pra casa. Entramos no carro e comento com meu pai. ------ Precisamos avisar a vovó , para ela arrumar as coisas. ------ Vou mandar uma coruja então. Ele pede para meu tio tirar a gaiola que estava no banco de trás , escrevo um bilhete pra vovó, coloco nas patas dela e a lanço pela janela. ------ Espero que a coruja seja rápida, filha. Em minutos chega a resposta: " Tudo pronto. Ass: vovó." Mais meia hora na estrada de terra e finalmente chegamos a fazenda. Depois de atravessar a porteira logo estamos na pequena casinha bem no meio do sítio. ------ Não sei porque um sítio tão grande e uma casa tão pequenininha nele.- comenta meu pai Descemos do carro e vovó e vovô vem nos receber animados. ------- Como vão todos? Onde está o casal Mione ? Mulder e Scully dessem do carro ainda meio confusos. ------- Acho que eles precisam de um banho e roupas limpas. Diga isso a eles, Mione.- propõe meu avô. *------ Por favor, me acompanhem. Acho que vocês precisam de um banho. Arranjaremos umas roupas para vocês também. Subimos a escada até a sala . Chegando lá percebo que vovó esqueceu de avisar as pessoas dos quadros e retratos , e todos acenam felizes para os visitantes. Antes que eles possam notar os levo até o banheiro para poderem tomar um banho. Volto a sala e dou uma bronca em todos. ------ Pessoal, esse são um casal de trouxas. ------ Como eles vieram parar aqui ?- pergunta minha tataravó em seu retrato preto-e-branco. ------ Encontramos eles caídos na estrada. Agora tratem de ficar paradinhos, se não vou ter que lançar aquele feitiço que... ------ Aquele não. Por favor- pedem todos. ------ Então está legal. Bisavó e bisavô dêem o exemplo. Cláudia onde está o seu buquê? ----- Eu o joguei e caiu no quadro com aqueles seus cachorros. Percebo que Fofo e Xodó, meus queridinhos pit-buls estraçalharam o buquê. ----- Esquece o buquê. Vovô, faça aquela pose de galã... isso. Assim. Vocês na cabine do avião desviem das tempestades. Quero este avião paradinho. Vovó faça este bebê parar de chorar. Gente, apegue logo as velas deste bolo... Não, nem pensar em querer come-lo numa hora dessas. E vocês nesta outra festa, pelo amor de Merlin, parem de estourar esses balões da copa de 70. Crianças , não arranquem a barba do Papai Noel. Não, Victor, não beba esta coca-cola que você vai... Argh! Que nojo. Lininha, esconda os dentes de vampiros , e por fim vocês. Nada de ficar comendo esses ovos de Páscoa... Depois de acalmar todos os quadros sinto uma coisa gelada me atravessar. ----- Só podia ser você, Florisvaldo. A vovó não avisou que tem trouxas por aqui ? ------ Avisou sim , Mione. Mas é que eu queria só te dar um abraço. Depois vou para a convenção dos fantasmas decapitados. ------ Ai, Florisvaldo , você sabe que não pode me abraçar que você me atravessa. ------ É mesmo. Deixa eu ir então... tchau Mione. Meio tristonho ele tira o cumprido chapéu e puxa a cabeça pelos próprios cabelos , depois, atravessa a parede a segurando nas mãos. Nesse mesmo instante o casal aparece. Vovô conseguiu um shorts e camiseta para Mulder, e pra Scully vovó conseguiu um vestido florido. *----- Estão mais confortáveis agora ? *----- Muito- diz Scully- Seu país é muito quente. *----- Gostariam de comer um pouco ? Parecem famintos! Eles aceitam quando , de repente, ouvimos um espirro. Eles olham para mim, meio espantados. Por sorte, surge na porta minha gatinha Nick ronronando. A pego no colo, e sorrindo para disfarçar, os conduzo até a cozinha. Quando olho pra trás, meu bisavô coça o nariz enquanto minha bisavó lhe oferece um lenço. Olho feio pra eles e sigo novamente em direção a cozinha. Chegando lá , peço que sentem na mesa e abro a geladeira. Por sorte, vovó deu instruções para ela preparar umas comidas de trouxas. *----- O que vocês gostariam de comer? *----- Não sei... o que você tem aí ?- pergunta Scully. *----- Deixe-me ver... Mergulho a cara na geladeira e me lembro de ter lido uma vez que mulheres trouxas gostam de saladas com um monte de mato esquisito. Pego um prato disso pra ela, e coloco sobre a mesa. Ela começa a devorar no mesmo instante. Já para ele , abro o forno e tiro um sanduíche de cachorro- quente. Até hoje me pergunto porque os trouxas botaram um nome desses nesse negócio... Será que eles fazem esse treco com.... Argh!, que nojento imaginar... Bem não preciso nem dizer que o Mulder devorou 'aquilo' em segundos. Calmamente me sento a mesa a frente deles e pergunto. *------ Então... estão satisfeitos ?! *------ Estamos sim.- responde ambos. Paro pra pensar por um instante e com jeitinho pergunto: *------ Agora que vocês já estão limpinhos , bem alimentados e mais calmos também, me contem o que vocês se lembram de ter acontecido... Scully abaixa a cabeça e a apoia sobre os braços. Mulder acena a cabeça negativamente com cara de dúvida e tenta explicar. *------ Olha. Estávamos investigando um caso... *------ Que caso ? *----- Uma mulher que pensava ser a gênia do tapete- responde ironicamente Scully. " Eles ainda estão neste episódio" penso. Mesmo assim faço cara de espanto. *------ Que coisa estranha pra se investigar. *------ Você não viu nada....- comenta Scully. Mulder olha para ela com um ligeiro olhar de espanto e continua. *------ Bem, já tínhamos concluído este caso. Estávamos no meu apartamento, bebendo cerveja, vendo um vídeo.- " Então nem no Requiem eles chegaram, isso é bom."- Foi daí que , assim, aparecemos aqui. *----- Assim.... de repente ?! *----- Isso ! *----- Mas se vocês estavam em casa, digamos que provavelmente mais a vontade... como vieram parar aqui , a milhares de quilômetros dos EUA, de terno e roupa social ?? Scully , ainda com a cabeça abaixada, e Mulder fazem cara de dúvida. Mas eu sei exatamente o que o Mulder vai dizer: *------ Eu tenho uma teoria... Scully se levanta rapidamente da mesa e começa a falar gesticulando os braços. *------ Eu sei o que você vai falar, Mulder, que fomos abduzidos e trazidos pra cá. Gozado ets terem roupas sociais. Você até deve perguntar para a Mione se aqui costuma acontecer certos fatos que... *------ Scully fique calma , deixa eu conversar com a moça ! Ainda sentada, me aproximo de Mulder e passo a mão em sua nuca. Ele me olha com uma cara de espanto quando concluo. *------ Você não foi abduzido... Nisso ouço a voz do meu avô me chamando para ir até o quintal. Me levanto, peço licença e vou até lá. Ainda posso ver os dois passando a mão na nuca e se perguntando: *------ Como ela.... Quando volto pra cozinha, vejo que a minha gatinha vez o favor de subir em cima da mesa. Ela encara Mulder e Scully por um instante , mas depois dá um jeito de se aninhar no colo de Mulder. *------ Mione, onde você conseguiu esse gatinho preto... *------ Não é um gato.... é uma gata. Se chama Nick. Um dia ela apareceu por aqui faminta e meu avô começou a cuidar dela e ela ficou por aqui... A gata agora sai do colo de Mulder e vai para o colo de Scully. *------ Agentes, eu queria dizer a vocês que nós todos aqui de casa estamos tentando descobrir o que aconteceu e ajudar vocês, mas que tal, enquanto isso não acontece, vocês se divertem e relaxem um pouquinho, pois aposto que vocês nunca visitaram o interior do Brasil, não é mesmo ? *----- Eu já ouvi falar que vocês por aqui tem um folclore com lobisomem, um cavalo sem cabeça *----- É mula, Mulder... *------ Isso, entre outras coisas como... Scully o interrompe. *----- Será que você só pensa em trabalho, Mulder. Eu aceno a cabeça concordando plenamente com Scully. A noite meu pai voltou pra casa com os outros parentes que vieram visitar o vô e a vó . Pretendo ficar aqui por uma duas semanas, ou até que os agentes encontrarem seu rumo. 8 de janeiro de 2001 Segunda-feira Acho que Mulder e Scully dormiram bem no quarto de hóspedes , pois eles acordaram de bom humor, apesar de eu sentir que eles ainda buscam uma resposta para tudo o que aconteceu. Mesmo assim, sinto que eles estão seguindo meu conselho sobre " Se Divertir". Depois do almoço, o vô nos chamou para irmos até a cidade , já que ele precisava comprar "umas coisinhas". No caminho da estradinha de terra todas as pessoas que o vô encontrava, ele sempre dava uma buzinadinha e gritava um "OBA!" pra eles. No meio do caminho o vô parou e ofereceu carona para um amigo dele. Mulder cochichou no meu ouvido. *----- Ele tá oferecendo uma carona para aquele rapaz, Mione ?- e olhou pra fora do carro , encarando o moço. *----- Tá sim, porque? *----- Já estamos eu, você e a Scully ocupando devidamente todo o espaço do banco traseiro deste carro e ele quer enfiar mais gente ! Dou uma risada e olho pra fora observando um bando de chupins que pousam numa árvore. São tão pretos que um reflexo da luz do sol, deixa-os azuis. Finalmente depois de uma grande insistência , o moço entra no carro. ----- Chega um pouquinho mais pra lá , minha neta. Vou um pouco para o lado e os dois fazem o mesmo. *------ Viu Mulder , como cabe todos nós confortavelmente neste banco. *------ Duvido que caiba mais gente. *------ Quer apostar? *------ Hum... Aceito. *------- Tudo bem, Scully está de prova que você aceitou a aposta. Do lugar dela, ela apenas sorri. *------ Então, Mulder. Vamos apostar o seguinte. Se não couber mais ninguém nesse carro, eu vou dar uma nadadinha no lago do "Seu" José. Mas se couber mais alguém , você que vai ter que ir lá dar um mergulho. ------ O que você tá falando do "Seu" José aí pro moço ? ----- Depois eu te explico vó. *------ Porque a aposta tem que ser paga em um lago ? Ele é muito fundo, ou é você que não sabe nadar, Mione. *------ É mais ou menos isso, Mulder. Apertamos as mãos para selar a aposta. O carro segue seu caminho e um pouco mais adiante o vô para ao lado de um casal, com um menino de dois anos de mãos dadas a mãe. Mulder solta uma sonora gargalhada e bate as mãos como se fosse uma criança prestes a ganhar um doce. *------ Mulder, o menino nem vai precisar ir no colo de alguém. A mulher abre a porta do carro e todos vão chegando 'um pouquinho para o lado', digamos assim. Mulder pára de rir e olha para os lados. Todos estão sentados confortavelmente, com cerca de um palmo de distância um do outro. E o menininho está empolgado sentado na janelinha. *------ Mione.... que carro é esse ?! Desde quando 7 pessoas vão caber o banco traseiro dessa Parati !? Desta vez sou eu que rio. *------ Alguém vai ficar molhadinho hoje .... *------ Não tem nada de mais alguém nadar num lago a toa... Obviamente ninguém no carro conseguiu entender o que estava acontecendo, apenas o menininho ria junto comigo e Scully. Na cidade, depois de comprar tudo que meu vô e minha vó precisavam, fomos até a sorveteria da nora do prefeito. Minha vó aproveitou a ocasião e pediu pra mulher avisar o prefeito Tiseu que as ruas lá perto do sítio precisam ser asfaltadas. *------ Haha, até parece que eu posso pegar o telefone chegar assim: " alô!? Dona Marta. Escuta aqui, na rua do nosso bairro 3 pessoas já foram assassinadas bem na porta da minha casa.... Então, o que a senhora vai fazer ?" *------ Mione , quem é dona Marta?! *------ Nada não, Scully...- e continuo rindo sozinha. Até que eu subitamente paro de rir e as outras pessoas que também estavam na sorveteria, param de conversar. É o Seu Tiseu em pessoa que aparece lá, já que sua casa é do outro lado da rua. ------ Como vai seu Tiseu? ------ Muito bem... e a 'Capitar", Mione ? ------ Aquelas coisas de sempre, Seu Tiseu. ------ E esses seus amigo branquelo, são da 'Capitar' também ? ------ Não, eles são dos Estados Unidos. ------ Nossa, faz tempo que num vem povo do estrangeiro pra cá ! São amigos seus, daquela fez que você foi pra lá? ------ Er... foi sim, Seu Tiseu. ------ Então vamos tirar umas foto dele. OH SEU TUNICO FOTÓGRAFO, VEM CÁ , FAIZ FAVOR... O fotógrafo vem correndo com uma câmera em punho. Diz, meio ofegante. ------ Como vai ,Mione ?! ------ Tudo bem, Seu Tônico Fotógrafo. ------ Seu Tunico, tire uma foto de nóis. Esse casar é estrangeiro, sabia ?! Vai pará na capa do jornar de amanhã ! ------ Tudo bem Seu Tiseu. Mulder e Scully estão, pra variar, meio confusos. Mulder chega a ficar com os olhos doendo com o forte e repentino flash da máquina do Seu Tônico Fotógrafo. Seu Tiseu se despede de nós, dizendo que vai resolver uma pendengas com a CBA. Depois, durante a seção de sorvetes , eu explico o que tinha acabado de acontecer para eles. Ao anoitecer todos precisam descansar um pouco antes da janta. Vou até as árvores do pomar com um lampião na mão. Sento em baixo de uma laranjeira e abro um dos meus livros do Harry Potter. Já estou no segundo, intitulado "A Câmara Secreta". Depois de ler um trecho do livro, resolvo treinar um pouquinho.... Meu marca- página é um fino cordão com um ratinho de madeira pendurado nele. Pego o cordão pela ponta e faço o ratinho girar como um pêndulo . Já que o meu de quartzo rosa quebrou da última vez, uso o marca- página para treinar. O ratinho gira cada vez mais rápido, até que o solto. Dessa vez, para minha alegria, o marca- página não cai no chão, e sim continua a girar no ar. Ele vai girando cada vez mais rápido até que o lanço pelo gramado até perto da casa. Quando o marca- página cai no chão dou uma risada de felicidade. Mas paro o riso imediatamente quando Mulder se abaixa e pega o marca – página do chão. Ele anda em minha direção me encarando. Eu fiquei completamente sem reação Ele ajoelha na minha frente e pergunta. *------ Foi você que jogou isso aqui, Mione ?! *------ Fo...fo... foi ! *------ E como você fez isso ? *------ Ora, com as mãos. *------ Ah... com as mãos ... E porque você fez isso? *------ Ora , pra... pra Pela sorte dos deuses, minha gatinha Nick, desce da árvore, onde estava dormindo sem eu perceber e começa a miar e ronronar para Mulder. *----- Ora, Mulder... Para essa inútil pegar! Mas vê-se que ela nem saiu do lugar. A gata se vira pra mim por uns instantes e depois vai se aninhar no colo de Mulder. *----- Tudo bem, Mione. Mulder se levanta e joga o marca- página um pouco a nossa frente. No mesmo instante a gata sai correndo e pula em cima do ratinho. Ela enrosca o cordão na boca e o traz de volta até Mulder. *------ Safada ! Você ela obedece ! Ele ri e caminha de volta para a casa. Acho que ele se deu por convencido. Pego Nick no colo e faço um carinho em sua barriga. ------ Estou lhe devendo outra, mocinha... 9 de Janeiro de 2001 Terça-feira Vou andando rapidamente pela estradinha de terra. Mulder e Scully completamente sonolentos, vêm se arrastando mais atrás. *------ Mione, você levou a sério esse lance de aposta. *------ Aposta é aposta, Mulder. *------ Mas isso é hora de se pagar uma aposta- ele olha para o relógio- 6:45 da manhã ! *------ É mais seguro, Senhor Sono. *------ E eu tinha que vir junto !- protesta Scully *------ Você topou ser testemunha, agora agüente. Em minutos chegamos a frente da fazenda do Seu José. *----- Pronto Mulder, abra a porteira e mergulhe com tudo naquele laguinho. *----- Claro! Qual é o problema de se nadar um pouquinho pela manhã. Ele abre a porteira e se prepara para correr em direção ao lago. *----- Espere um pouquinho ! *----- Que foi agora, Mione ? *----- Você já ia se esquecendo de tirar a roupa. *----- Como!? Não falamos nada de roupa, ou da falta dela... Scully, pare de rir! Você como testemunha me diga se falamos de roupa ou não ? *----- Olha, Mulder , acho que você não ia querer molhar seu pijama. *----- É isso aí, Scully !- digo Mulder, contrariado, tira as roupas. *------ Você vai querer molhar a cuequinha, Mulder? *------ MIONE, A CUECA FICA ! *----- Tudo bem.... " isn´t any more hear who sad that" ( é impressionante como a tradução de nossos ditados populares e expressões ficam estranhos em inglês). Tudo bem, vamos a melhor parte. Mulder abre a porteira e em passos lentos , mas pesados, ele chega até a margem no lago. Se abaixa, e mergulha. Não foram dadas nem meia dúzia de braçadas e eis que surge na porta da sua casa, em frente ao lago, o Seu José. Com sua famosa espingarda carregada de sal ele corre em direção ao lago gritando. ------ Seu mardito !!! Sai da minha propriedade, seu cabra safado ! Já falei um mião de veis que num é pra oceis entra na minha propriedade. Sem entender nada , Mulder salta pra fora do lago e sai correndo em direção a porteira. O Seu José atira uma 10 vezes, mas como conheço sua famosa mira, ele não acerta nada. Mulder atravessa a porteira e continua correndo pela estrada de terra. Eu e Scully corremos atrás dele, também fugindo do Seu José, que foi até a porteira nos espantar. Há alguns metros a frente Mulder pára tão ofegante , que parece que seu coração vai saltar pela boca. *------ Mulder. *------ Que , que, que foi Mione? *------ Não é por nada não, Mulder, mas acho que você esqueceu sua cueca lá no lago. Eu e Scully nos contorcemos de tanto rir. Realmente na hora que ele saltou pra fora do lago, ele foi e a cueca ficou. Furioso, ele caminha em nossa direção, arranca suas roupas da mão da Scully. *------ Vocês duas ainda vão me pagar!!! Mulder ficou o dia inteiro de mau –humor, já que fiz o favor de contar pra todo mundo o que aconteceu. Se Mulder visse alguém rindo na cara dele, ele saía de perto , pois provavelmente estavam falando alguma coisa em português que ele não entenderia. O pior é que ele olhava pra mim e para Scully com aquele ar vingativo. Mas acho que esse dia foi um dos mais engraçados que já vivi naquele sítio. 10 de janeiro de 2001 Quarta-feira Hoje parece ser um dos dias mais ociosos que já vi. Sério! A cena básica que se via por aqui era o vô deitado na rede, a vó pra lá e pra cá cuidando das coisas dela e eu sentada a porta de casa, lendo os meus livros com a Nick no colo. É obvio que toda fez que eu queria treinar com meu ratinho, eu tinha que ir bem longe da casa e dos olhos atentos do Mulder. Tadinhos ... eu tenho que arranjar algo pra eles fazerem por aqui. Hoje os dois caminharam um pouco por aí e só Eles já tão bem deprês e se você fica parado sem fazer nada, já viu... a cabeça fica lotada de caraminholas. Mas deixas os planos para amanhã porque esse céu escuro não traz boas novas... E não trouxe mesmo. O vento uivava por todas as frestas da casa, e a vó teve que jogar um pouco se de sal lá fora para acalmar a tempestade. A tarde inteira foi assim; todo mundo trancafiado em casa, e para completar acaba a luz a noite. O pior é que a gente não podia usar o feitiço do lumus por causa do Mulder e da Scully. ------ Minha neta, que tal um jogo com os trouxas ? ------ Mas o que a gente vai jogar com eles, vô ? ------ Um truco... ------ Só se você tiver baralho de trouxas... é melhor do que jogar com aquelas cartas que ficam rindo da nossa cara quando a gente perde ... ----- Mas baralho de trouxa é sem graça ! ----- A gente aposta alguma coisa... O Mulder nunca nega uma aposta! (risos) Meu vô percebeu na hora o que meu olhar malicioso queria dizer e tratou de 'desenterrar' um baralho de trouxas. *----- Mulder! Scully! Que tal um joguinho? *----- Se tiver aposta eu tô fora – brada Mulder *------ Mas sem aposta não tem graça. E não vai valer só para mim e pra você ... A Scully e o vô também estão na jogada. Depois de uma 'leve' insistência, ele aceitou. *----- E o que a gente vai jogar, é poquer !? Já vou avisando que de baralho eu não entendo nada. *----- Não se preocupe, Scully... É um jogo bem facinho chamado truco ! *----- Como se joga isso?- indaga os dois Bem , dada as devidas explicações... *----- ... então se você quiser desafiar o jogador da dupla oponente, você grita, mas berra mesmo TRUUUCOOOO.... Fica mais engraçado quando você sobe na cadeira ou na mesa e grita : LADRÃOOO!!! RAAATOOO!!! Entenderam ? Eles me olham com os olhos levemente arregalados, espantados com a minha encenação de jogador de truco, mas conseguem afirmar com a cabeça que entenderam o lance direitinho. Então vamos a arrumação da mesa. O vô trouxe até o meio da sala aquela mesa com aquele 'tapetinho' verde em cima, o baralho, as cadeiras bem resistentes e umas cervejinhas (uma das bebidas de trouxa que ele mais gosta). Para o vô não ficar fora da parada só se pode falar truco a mesa. Nada de outras línguas como o português e inglês envolvidas. Formada as duplas : Homens X Mulheres, o palco está totalmente armado. Sorte que eu consegui combinar uns sinaizinhos com a Scully. *------ Esperem. E qual vai ser a aposta ? *------ Vamos fazer as coisas direito. Já que o negócio é homens contra mulheres, se vocês perderem vão ter que cozinhar pra gente amanhã.- propõe Mulder *------ Então se vocês perderem vão ter que lavar roupa sem ajuda de máquina de lavar, esfregando tudo com seus músculos pra ficar bem limpinho. Que tal, Scully? *----- Excelente idéia , Mione. Tudo traduzido pro vô , vamos ao jogo... Distribuídas as cartas e dada a primeira rodada, percebo Scully colocar levemente atrás da orelha, uma mecha de seu cabelo. " Ela tem um naipe, ótimo!". Depois que dou uma leve tossidinha de aprovação, ela se vira e delicadamente fala: ----- Truco, Mulder... Com os dedos ele indica 6 e ela abaixa as cartas. Uma sonora gargalhada nossa foi inevitável. *------ Temos metade do jogo ganho, Mulder. *----- 1/6 você quer dizer, já que é uma melhor de três, Scully. *------ Olha o inglês vocês 2- cobro. Distribuídas novamente as cartas agora sou eu que dou uma mechidinha no brinco. Scully fecha as cartas na mão em aprovação e eu falo. ----- Truco, vô... ----- Hum... ----- Quer fugir ? ----- Aceito ! Ponho minha carta na mesa. O vô começa a gritar... joga seu naipe na mesa e urra de felicidade. Mesmo assim conseguimos ganhar a primeira partida com um bom placar. Na metade da segunda estamos três pontos a frente. Então Mulder desafia : ----- Truco, Scully... Ela aponta seis com os dedos. Mulder sobe na cadeira e com um leve sotaque consegue gritar. ------ DOZE ! Scully abaixa as cartas e Mulder mostra as suas. Mulder quase fez o favor de quebrar a cadeira. A partida está ganha. 1 a1 no placar geral. ------ Are you insane , Scully ?! Did your brain melt ? Eu juro que quase saiu coisa pior... Na terceira partida a coisa fica feia e o placar equilibrado. Todo mundo que recebe um truco, foge. ----- Truco, Mione- grita, ou melhor, berra Mulder na minha orelha. Analiso a situação. Estou com uma carta boa, então decido aceitar. Ele joga as cartas dele na mesa e eu as minhas. Dessa vez ele quase quebra a mesa, pois subiu em cima dela. A partida foi ganha por eles , e vamos ter que bolar algo para os marmanjos comerem amanhã... 11 de janeiro de 2001 Quinta-feira Já que o céu estava limpo, sem o menor sinal de chuva, resolvemos sair depois do café para andar um pouco pela região. A vó também precisava colher umas sementes , para fazer as 'coisinhas' dela, você entende... ?. O melhor lugar para conseguir essas sementes era lá perto da represa. Então, lá fomos nós. Uns 20 minutos de caminhada até lá ( seria mais rápido por outros meios, mas...). Como eu odeio ficar andando resolvi levar meu walk-man que ganhei da minha mãe. Acho que é uma invenção bem legal dos trouxas. Sabe, um dia eles teriam inteligência para fazer uma coisa que tocasse música , você levaria aonde quisesse e só você poderia ouvir. Tudo isso SEM MÁGICA !! Muito interessante... Isso me lembra um trabalho na escola , na matéria de Estudo dos Trouxas, cujo tema era : "Porque os Trouxas Precisam de Energia Elétrica?" Como minha mãe é uma trouxa, foi fácil. Bem, voltando a represa, eu fiquei lá sentadinha na margem, enquanto o meu avô se embrenhava no meio da mata, para pegar uns bambus. Ele não quis pegar os da margem porque ele não gosta muito de não fazer mágica na hora que seria necessário esforço físico. Minha avó também foi junto com ele. Já Mulder e Scully caminham juntos pela margem, molhando um pouco os pés, indo para uma direção meio afastada de onde eu estava. Como eu sou extremamente curiosa, não agüentei. 'Sintonizei' o meu walk- man e pude ouvir o que eles conversavam. *----- Então, Scully... Está gostando daqui ? *----- É um lugar interessante. E a família de Mione é muito divertida. Eu sempre ouvia falar o mesmo do Brasil : florestas, , futebol, a música. Mas agora acho que conheço melhor as pessoas daqui. O jeito que elas lhe dão com a vida. *----- Mas aqui é região do interior, cidade pequena. Nas cidades grandes como São Paulo e Rio de Janeiro, a coisa deve mudar. *------ Provavelmente... (pausa). Mulder, quando vamos voltar ? *------ É o que estava pensando, Scully. Precisamos ir até a cidade telefonar, avisar o Skinner, dizer aonde estamos. Talvez haja a solução para voltarmos para os EUA. Nessa hora dou um leve pulo no chão. Se eles ligarem para algum lugar, vão quebrar a cara. Já estou até imaginando eles ligando para o FBI nos EUA, dizendo quem são, e a pessoa que está do outro lado da linha vai desligar na cara deles , dizendo que eles eram um bando de fãs fanáticos, mas que ali não tinha nada de ficção. Que aquilo não era um seriado de TV coisíssima nenhuma... Preciso arranjar um jeito de mandá-los de volta. *------ Mas Mulder, você não está gostando das nossas 'férias forçadas' ? *------ Claro que sim. Porque? Você quer prolongar as férias ? *----- Quem sabe... ( risos) *----- Olha a gente liga pra avisar da nossa situação pro Skinner e depois a gente vê, OK ? *----- OK ! *----- Tem mais uma coisa que quero lhe dizer, Scully. Você não acha que a família da Mione tem umas atitudes esquisitas ? *----- Que tipo de atitude ? *----- Uma vez , a noite lá do lado da casa, eu vi a Mione brincando com um marca- página como se fosse um pêndulo... Você lembra o que é pêndulo ? *----- Lembro sim. Segundo o que você me disse uma vez, qualquer pessoa com a sua energia poderia , segurando-o faze-lo girar, entre outras coisas. E o que tem de mais a Mione estar brincando ? *------ Só que o pêndulo estava girando no ar. *----- ... *----- Isso mesmo ! *------ Er... bem, só se ela desenvolveu esse tipo de energia. *------ Ótima teoria , Scully (risos).Talvez seja isso... Mas me parece que há algo por trás disso... *----- Mulder, você quer arranjar um Arquivo X por aqui ? *------ Scully essa garota , lê livros do Harry Potter o dia inteiro *------ E o que isto tem de mais ? *------ Scully, os livros dessa coleção é sobre bruxos e humanos dividindo o mesmo planeta, sem 'nós' percebemos. E se ela quiser virar uma bruxa ? Ela até tem uma gata preta ! Fora aquelas corujas levando e trazendo cartas no carro, lembra ? Todos naquele livro tem corujas. Ou você acha que aquilo é um hábito dos brasileiros por acaso ?! *------ Você leu esses livros ? *------ Literatura para crianças... *----- Bem... mas é isso que você acha que ela está tentando fazer? Ser uma bruxa, como no livro ? *------ Não sei. Eu só vi duas coisas suspeita até agora. E tem aquele carro esquisito.. *------ E pra você não basta para uma teoria também .( risos) *----- Scully... Se ficarmos aqui podemos averiguar melhor e também corre o risco dela se meter com alguma coisa mais séria... *------ Entendo o que você quer dizer... Ai que droga! Eu não acredito, eu devia ter tomado mais cuidado ! E onde estava a céptica da Scully pra me tirar dessa ? O que a falta de contrariedade não faz... E agora ? Eu tenho que enrolar eles mais um pouco até descobrir a maneira certa e segura de fazer eles voltarem. A tardinha foi a hora de pagar a aposta do dia anterior. Mas Scully não sabia cozinhar, e eu não podia usar mágica, resolvi fazer uns bolinhos que minha vó trouxa me ensinou a fazer uma vez. ------ Hum... já sei !!! rain's donuts !!! *------ O que, Mione ? *------ É... Bolinhos de chuva, que tal ? *------ E como se faz isso ? *------ É simples... Então fui jogando os ingredientes numa tigela, a medida que Scully os mexia. Depois da massa pronta, hora de fritar. Ainda bem que o fogão tinha óleo, porque minha vó não costuma comprar essas coisas. Então da sala Mulder grita. *------ Quando vai sair o jantar ? *------ Que jantar que nada, é um chá das cinco! - respondo *------ Era pra vocês cozinharem uma coisa substancial, não chazinho... *------ Você não especificou , Mulder. Apenas ouço ele resmungar... *------ Já ouvi isso antes... Depois de fritos, foi só passar no açúcar e na canela. O chá preto também ficou pronto rapidinho. Colocamos tudo numa bandeja e a levamos pra sala. ------ Aqui está, vô. Ele pega alguns e os devora rápido. Vovó só se serve de chá. Mulder parece gostar dos bolinhos... *----- Scully, você que fez isso ? *----- A Mione me ajudou... *----- Então as duas estão boas pra casar- diz ele com a boca 'levemente' cheia. Quando Mulder se inclina pra pegar um pouco de chá, vovô o impede. ------ Não, não... tenho coisa melhor que isso... ------ O que você vai aprontar, vô ? ------ Nada , Mione... Vou dar uma coisinha melhor pra você- e aponta pra Mulder, que obviamente não entende nada- É uma coisinha... assim... GOOD ! *----- Bom ?! O que é bom Mione ? *----- É melhor você o acompanhar... Sem entender muito, ele acompanha o vovô até outro lugar da casa. *----- O que seu avô vai fazer com o Mulder. *----- Provavelmente vai dar uma "cachacinha" pra ele... é o que sempre faz... *----- Uma o que ? ------ aguardente *---- Que ?! ------ The water that the litlle bird dont´t drink ! *---- ... *----- É só uma bebidinha, Scully... *----- Sei... Já que o vovô foi levar o Mulder pra fazer alguma coisa, vovó decidiu arrastar Scully até o galinheiro. Ela percebeu que eu precisava um tempo a sós para pensar no que fazer para resolver a situação dos agentes. As vezes esse dom da vovó me assusta. Atravesso a sala, subo uma escada lateral até um corredor. Fico de frente para um quadro com alguns palhaços pintados e um deles me pergunta. ------ Olá , Mione ! Qual é a senha ? ------ Marmelada de marmelo, goiabada de goiaba.... Depois de cantar a música inteira(!) do sítio do pica-pau amarelo ele abre a parede. ------ Muito bem, Mione... você não errou dessa vez ! Entro na imensa biblioteca. Quem vê de fora a casa, não imagina que teria uma sala daquele tamanho. Ninguém costuma ir muito ali... acho que a vó e o vô já aprenderam e decoraram tudo que há nesses livros, pelo menos uma boa parte. Quando vou pegar um primeiro livro para consulta, sinto aquele ar gelado me atravessar... ----- Olá , Florisvaldo... Como foi a Convenção ? ----- Excelente , eu até dei uma palestra , sabia ? ----- Que legal ! Onde ela aconteceu esse ano ? ----- Num hotel em Minas. Precisamente em Varginha Tinha uma convenção de vampiros por lá também. ----- Cidadezinha movimentada aquela... ----- É mesmo ! ----- E você conheceu alguma fantasminha interessante ? ------ Que nada ! Só levei bola fora ...- diz ele meio tristonho ----- Não fique assim... Logo, logo uma fantasminha vai aparecer... ----- E os trouxas, onde estão? ----- Um deve estar ligeiramente 'drunk' e a outra deve estar revivendo o filme "Chicken Run"... ----- Como assim ?! ----- Esqueça... Florisvaldo, você que conhece essa biblioteca de cabo a rabo, poderia me ajudar a procurar uns livros. ----- Claro ! Assim eu e o Florisvaldo ficamos a tarde inteira procurando um jeito de levar o Mulder e a Scully de volta. Acho que foi em vão. Aqueles livros são muito velhos e não tem nenhuma relação com coisas de trouxa como a televisão. Mas tudo que é feito pode ser desfeito ! Tem que ter um jeito que dê jeito... que coisa ! Bem, cansada de subir e descer escada a tarde inteira, já que o Florisvaldo não consegue pegar nada, descido descer para relaxar um pouco. ----- Que coisa, Florisvaldo ! Por que você não faz como aquele fantasma do ghost, que com um pouco de treino consegue pegar os objetos ? ----- Aquilo é um filme, Mione... ----- Tá bom... deixa eu descer então.. tchauzinho... ----- Tchau , Mione. Atravesso a parede e percebo que agora as pessoas de outros quadros vieram assistir ao show dos palhaços. Me despeço de todos e desço a escada. Já que estou um caco, decido tomar um banho para relaxar, e aquela poeira da biblioteca também estava me fazendo espirrar. Na metade do banho, com a água caindo nas minhas costas, para ver se a dor pára um pouco, ouço a porta do banheiro se abrir e bater. Abro um pouco a porta do box para ver que está lá. É Mulder, que se abaixou na pia para lavar o rosto. Visto o meu roupão e vou ver se ele está bem. Quando me aproximo, ele leva um pequeno susto. *----- Você está bem, Mulder. *----- Ah, Mione é você! Aquele seu avô... Ai, desculpe, não ouvi que tinha alguém tomando banho- diz ele , levando as mãos a cabeça *----- Não se preocupe, o que você está sentindo? *----- Dor de cabeça. Abro o armário debaixo da pia e pego algo pra ele tomar. *----- Beba, talvez ajude... *----- O que é isto? *----- Não discuta! Beba! *----- Que coisa horrível. *----- Agora vamos tomar uma ducha, tudo bem que você vai ser um bêbado molhado, mas vamos ! O levo até o chuveiro e o jogo embaixo dele, com roupa e tudo. Tento não olhar pra ele...porque, você sabe, ver pela TV é uma coisa. Mas ver aquilo ao vivo e a cores, com ele a meio metro de distância é um sonho... e que sonho... Ele percebe que fixo os olhos neles , e os desvio rapidamente, evitando olhar pra ele. *----- O que foi, Mione. *----- O que você acha, Mulder ?!- digo meio nervosa. *----- Adolescentes... *----- A Scully é uma sortuda ! *----- Por que ? Pausa. Tenho uma leve vontade de perguntar sobre um certo episódio chamado "all things" *----- Vai me dizer que você nunca.... *----- Ai, ai... adolescentes... Você nunca entenderia, Mione ! *----- Vamos, diga... já, quase, um pouquinho ? *----- Isso eu nunca vou poder responder... *----- Tem razão... eu vou ter que acompanhar os próximos capítulos dessa novela pra saber... *----- E você pode me dizer como você vai acompanhar ? *----- Esquece... é brincadeira minha... *-----... *----- Mulder, como uma adolescente, posso fazer uma coisinha ? *----- O que ? Rapidamente me aproximo dele , envolvo meus braços em seu pescoço e lhe dou um leve beijo. *----- A Scully tem mesmo muito sorte... Agora saia do banho antes que você fique mais enrugado do que está! Você pode usar a toalha e o roupão do vovô, viu. Saio e fecho o box. Chegando a porta , posso ver a sombra de Mulder tirando a roupa para tomar um banho completo. Entro no meu quarto e me jogo na cama. Ai... um sonho realizado! Uns instantes depois sinto alguma coisa andando sobre mim. É a Nick. Ela vem vindo em minha direção com um olhar furioso. Ela afunda as unhas no meu roupão e tenta com uma pata me arranhar. A jogo pra longe da cama. ------ Enlouqueceu, Nickinha ? Ela vem correndo em minha direção, pula em cima de mim, mas eu consigo lançar-lhe um feitiço de imobilização. ------ Agora você vai ficar aí quietinha, depois vou levar você até a vovó , para ver o que há de errado com você. Apesar de paralisada, seus olhos continuam expressando uma raiva que eu nunca vi. A noite, depois do jantar, levo vovó até o meu quarto. Ela desfaz o meu feitiço com a Nick. Agora ela está mais calma. ------ Não sei porque ela esteve assim. Será que é raiva ?- diz minha avó ------ Do que ela teria raiva? ------ Não... raiva é uma doença que dá em animais de trouxas. ------ É mesmo, eu vi isso na televisão. ------ Você com esses inventos de trouxas totalmente inúteis. ------ Vovó , eu sou metade trouxa , esqueceu ? E o vô adora coisinhas de trouxas, como o carro, a cachacinha, o futebol... eu sou mais o quadribol , mas... ------ Tudo bem, Mione. Vá dormir que eu dou um jeito na Nickinha. Assim ela sai do quarto com a gata nos braços. 12 de Janeiro de 2001 Sexta-feira Como a gente já havia combinado, fomos hoje até Sorocaba. Primeiro demos uma passadinha na casa do meu tio, irmão da minha vó. Ontem a noite a minha vó tinha mandado uma coruja pra ele e a família, escondido dos agentes, claro. Essa casa eles compraram recentemente, então tiveram que paralisar a mudança por causa do Mulder e a Scully. Eles iam achar estranho o meus parentes ficarem trazendo os objetos pela lareira, graças ao 'Pó de Flu', ou simplesmente 'aparantando'. Quando a descemos do carro, em frente a casa dos meus tios, Mulder perguntou : *----- Onde tem um telefone público, Mione ? Aponto para um orelhão do outro lado da rua. Scully começa a rir e diz : *----- Aquela coisa ali verde-limão escrito Telefônica , é um telefone público. *----- Qual o problema com os nossos 'Big Ears'... *----- É assim que vocês chamam os telefones públicos ?- pergunta Mulder, rindo *----- É apelido carinhoso... *----- Realmente ele se parece com uma orelha, conclui Scully. *----- Vocês não viram os de ITU.... ( risos) *----- Que foi , Mione ? *----- Nada, não... Mulder ! Eles atravessam a rua para ligar. Vovó me lança um olhar malicioso. Eles atravessam a rua de volta, desapontados. *----- Não estava funcionando – diz Mulder *----- Que pena... – concluo lançando, disfarçadamente , outro olhar malicioso pra vovó. Quando entramos, levamos um susto, pois a tia tinha acabado de usar o pó de flu numa mesa de pingue-pongue. Sorte que os agentes estavam mais atrás. Minha tia pede mil desculpas pois aquilo era um risco com os trouxas por perto, mas como a tia foi sempre distraída... Foi ai que eu tive a idéia. A vó na hora percebeu e me puxou para um canto. ------ Então, vó... Você acha que é possível ? ------ Acho que sim. Eu peço ajuda pra uma amiga minha especialista em trouxas. Talvez ela nos ajude. ------ Então mande uma coruja pra ela. ------ Vou fazer isso já !.- e vovó vai até o carro... A visita durou mais uma meia horinha. Depois fomos até um shopping de trouxas em Sorocaba, o Esplanada shopping. Estava na hora do almoço. Então o melhor lugar pra se ir almoçar num shopping de trouxas era o Mc´ Donalds... a melhor lanchonete pra comida de trouxas. Se bem que eu prefiro a nossa versão de fast-food, bem mais 'fast', mas deixa pra lá. Meus avós não gostaram muito da minha escolha. Vovó só pediu uns nuggets e vovó uns hambúrgueres com coca. *------ E o que vocês vão querer ?- pergunto. *------ Eu quero o clássico número 1, com coca- responde Mulder. *------ Tem Mc'Fish ? – pergunta Scully *------ Tem... *------ E que mais tem pra beber além de refrigerante. *------ Olha , tem suco de laranja e de... ( me esqueço como fala maracujá em inglês)... e de... só de laranja. *----- Então Mc'Fish com suco de laranja. *----- Até aqui você quer ser light , Scully. *----- E você, Mulder, que sempre pede a mesma coisa... Pedidos feitos, todos para as mesas. Enquanto comemos , Mulder olha para o papelzinho da bandeja, onde consta os acontecimentos de cada ano do século 20. *------ Mione, o que é esse Et no ano de 1996 ?- pergunta Mulder. *----- Nesse ano aconteceu a aparição de um Et numa cidade brasileira chamada Varginha. Umas mulheres disseram que viram ele. Tinha uma cabeça grande como neste desenho da bandeja e estava abaixado no chão. Mas na mesma época, os repórteres de um apresentador de TV chamado 'Ratinho', foram para o mesmo local e encontraram um homem com problemas mentais que vivia por ali, todo sujo, irreconhecível como um ser humano, então eles concluíram que aquelas mulheres viram o tal homem, que a maior parte do tempo se mantinha justamente abaixado. Mas elas afirmam que viram mesmo um alienígena. Até hoje outras pessoas cidade falam que vêem ovnis, e que o exército brasileiro esconde uma nave de ets, sabe-se deus onde. Vira e mexe a imprensa brasileira exibe imagens de pontos pretos no espaço seguindo aviões, pontos brilhantes a noite que fazem uma estranha rota, e até que essas naves interceptaram de caças brasileiros, segundo os pilotos. Tudo isso, o exército nega, claro! Mulder encara Scully por um instante, se vira novamente pra mim e conclui, com um sorriso malicioso: *------ Muito interessante... Depois de mais uma volta no shopping, pegamos a estrada de volta pra casa. Chegamos no início da noite. Mulder e Scully foram dormir logo depois do jantar. Cedo de mais pro meu gosto... ------ Mione, a coruja da minha amiga chegou. ------ Agora, vovó ?! Ela mora longe, hein... ------ Bem longe. Na carta ela dizia que pode preparar um pó de Flu especial para mandar eles de volta para o lugar deles. Ela disse que fez isso uma vez, só que com uns personagens de um filme. ------ Que filme ? ------ Ela não me disse. Só que esse pó especial demora uns dias. Lá pra terça de manhã a coruja dela com um saquinho com pó vai chegar. ------ Tudo bem. Hoje eles não conseguiram telefonar, nem no shopping. Ainda bem... Assim foram todos dormir 13 de janeiro de 2001 Sábado 7:00 da manhã. Horário perfeito para acordar para um passeio. Entro no quarto de Mulder e Scully. Lá, só tem uma cama de casal ( acho que esqueci de citar este detalhe). Eles dormem nela profundamente. Ela dorme com o corpo bem próximo a Mulder. Ele com os braços enlaçando-a . Que momento ! Tiro o lençol que os cobre bem devagarinho. Ah, eles estão com roupa ! Tudo bem que cueca e uma camisola transparente não é muita coisa. Rapidamente puxo minha varinha. Faz tempo que não a uso. Só na escola mesmo. Escolho cuidadosamente um objeto. Um vaso me parece perfeito. Bato com a varinha sobre ele. Com sucesso se transforma numa máquina fotográfica, tudo bem que colorida na cor do vaso. Comemoro, os férias não me enferrujaram... Preparo o flash e disparo. Uma. Mulder suspira alto. Duas. Scully se mexe um pouquinho. Três, quatro ... O filme inteiro! E eles dormindo 'lindamente'... Depois dessa 'seção' , acho que ... *----- JÁ É HORA DE LEVANTAR !!!!! Abro as cortinas do quarto. ------ GOOD MORNING, SWEETS... Pulo em cima da cama deles. ----- IT'S TIME TO WAKE UP !!!!! *---- Mione, isto lá é hora- geme os dois. Tiro o travesseiro de baixo da cabeça de Mulder e começo a bater 'levemente' nele e em Scully, sempre pulando. Então ele bruscamente tira o travesseiro debaixo da cabeça da Scully e se levanta. Saio correndo pelo quarto, com ele atrás de mim, erguendo o travesseiro furioso. *----- Mulder, seu burro é só jogar o travesseiro nela. *----- Obrigado, Scully ! Ele para um instante e lança o travesseiro direto na minha cabeça. *----- Seu...seu... Furiosa pulo em cima dele, o derrubando no chão. Subo em cima dele o imobilizando. Com o meu travesseiro , tento revidar , mas as mãos dele impede. *----- Vai lá , Mione ! Paramos por um instante, a encaramos e perguntamos juntos. *----- Scully, de que lado você esta ?! Ela faz cara de dúvida. Mulder continua encarando-a , esperando uma resposta. Então bato com o travesseiro na cabeça dele e a luta recomeça. Segundos depois, minha vó entra no quarto. ------ Mione, pare já com isso ! E avise a eles que o café está pronto. – ela sai Saio de cima de Mulder, me levanto e jogo o travesseiro na cama. *----- Vamos tomar café, que hoje temos caminhada e escalada !! *----- Como ?!- pergunta Mulder se levantando ? Vou até a janela. Abro e aponto para o topo de um pequeno monte. *----- Vamos caminhar até aquelas pedras... Scully se levanta , anda até a janela e também aponta. *----- Até lá ?! Mulder se aproxima até a janela. *----- Qual o problema caminhar um pouco Scully ?! *----- Não se preocupem. Antes do almoço a gente já tá de volta.- vou caminhando em direção a porta- Agora deixa eu tirar essa camisola e botar uma roupa decente ! Ah, Mulder... prepare-se que você vai ser o nosso carregador ! *----- Por que eu ? Respondo já abrindo a porta ! *----- Esses músculos só servem pra caçar alienígenas. *----- Espere, Mione !- me encosto no batente da porta.- como você sabe que eu caço alienígenas... Penso um pouco. *----- Simples. No primeiro dia a Scully disse que você tinha uma teoria de abduções. E segundo, você se interessou muito pelo caso do et de Varginha. Sacou ? Saio do quarto meio saltitante. Logo depois do café entrego uma bolsa ligeiramente grande para Mulder. *----- Você quer que eu carregue 'isto' ? *----- Qual é o problema? Aí só têm água , uma corda e umas bolachinhas!! Mesmo contrariado, Mulder põe a mochila nas costas e vai se dirigido pra fora da casa. *---- Vamos , Scully ! Ela se levanta , bebe o último gole do seu café com leite e segue atrás de mim e de Mulder, comendo um pedaço de pão com manteiga. Durante a caminhada andamos a maior parte do tempo em silêncio, apenas apreciando a paisagem. Um grande pasto com algumas árvores e colinas. De vez em quando o Mulder começa a cantar alguma coisa. *----- Mulder, desse jeito você vai espantar os bichos ! *----- DESCULPE, Mione ! Depois de uma longa e íngreme subida chegamos ao local das pedras. Scully está completamente sem fôlego. Já Mulder não quer demonstrar seu cansaço . Ando mais um pouco e paro ao lado de uma das pedras. *----- Essa é a pedra do chapéu. *----- Porque esse nome ?- pergunta Scully. *----- Tá vendo aquela pedrinha menor lá em cima ?- aponto e ambos olham pra cima- Então, não parece um chapeuzinho? *----- É só dar um chute que o chapeuzinho caí ! – diz Mulder irônico. *----- Pois você vai quebrar o pé, pois parece que ela está grudada lá em cima. Bem, chega de conversa e vamos subir. *----- Como ?!- pergunta Scully espantada- Isso tem quase 90o . *----- É fácil, vejam como eu faço. Apoio os pés e as mãos e começo a escalada. A pedra deve ter 6 metros. Em instantes, chego ao topo. *----- Viram como é fácil!!! *----- Você fala isso porque é levinha !- grita Mulder lá de baixo. *----- Joga a corda pra mim , pra ajudar vocês a subirem. *---- Eu não preciso de corda! *----- Mas eu preciso, Mulder- diz Scully enquanto abre a mochila. De repente ela começa a rir. *----- Mulder, você viu o que a Mione colocou aqui na mochila. *----- O que ?! Ele tira a mochila das costas e a põe no chão. *----- Mione, como você me põe 6 TIJOLOS nessa bolsa ?!?! Por isso estava tão pesada. *----- Era pra você queimar calorias, Mulder- e solto uma gargalhada. *----- Sua... Sem corda e sem mochila, Mulder se apoia e começa a subir. Em instantes. Ele chega ou topo. *----- Nossa, Mulder... como você veio rápido ! *----- Por que você adora aprontar comigo, Mione ? *----- Esqueceu que sou uma adolescente ?! Ele fica sem resposta. Lá de baixo, Scully berra. *----- Vocês vão me deixar aqui plantada ?! *----- Jogue a corda aqui pra cima, Scully !- grito. Após 'algumas' tentativas, Scully consegue fazer com que a corda chegue em cima da pedra. Mulder a segura pela conta e joga a outra para ela. *----- Pode vir que estou segurando firme a corda !- grita Mulder Scully começa a subir. Resolvo me sentar mais na ponta da pedra para apreciar a paisagem. As vezes viro para trás para ver como anda a subida da Scully e me deparo com um Mulder gritando : *------ Por aí não... isso põe o pé aí ! UI... cuidado , Scully. Isso , vai que eu seguro... AI! De novo... Volto a olhar para a paisagem. Um 5 minutos depois Scully chega. Sua roupa está 'levemente' rasgada e suja. Suas mãos arranhadas. O rosto pingando de suor e o cabelo todo bagunçado ... Ofegante ela se senta um pouco. Prontamente me levanto, ajeito minhas roupas e caminhando falo. *----- Vamos descer, pessoal... *----- Como , mas eu acabei de subir ! Mione volta aqui. *----- Tudo que sobe , tem que descer Scully!! – grito , já na metade da descida. Mulder dá risada e também desce. *----- Eu vou ficar aqui descansando... *----- Tudo bem, Scully. A gente já vai subir na outra pedra e você vai ter que descer sozinha...- grito *----- Isso não! Me esperem. Digamos que a descida de Scully foi apenas um pouco mais dolorosa que a subida, e provocou um 'pequeno' rasgão na sua calça, ficando sua lingerie a mostra. Mulder, obviamente não consegue segurar as risadas . Scully, furiosa diz entre os dentes : *----- A minha vingança , Mulder, é ter visto você correr nu numa estrada de terra, tomando tiro de sal no bumbum... Mulder fica sério. Agora sou eu que não escondo as risadas. *----- É mesmo. Aquilo foi hilariante !! Mulder, sério, vira de costas para nós e caminha em direção a próxima pedra. Na quarta e última pedra, Scully já está craque, mesmo assim continua arranjando um jeito de esconder o rasgão na calça. *----- Esqueça isso Scully e relaxe- digo, aconselhando-a. *----- É , Scully... não tem nada a mostra que ninguém aqui nunca tenha visto. Com a frase de Mulder, Scully fica levemente ruborizada. Me pergunto: Seria o Sol ? (risos) *----- Do que você está rindo, Mione ? *----- Nada não, Scully... Descemos a última pedra e caminhamos de volta pra casa. No meio do caminho, vou caminhando um pouco mais atrás dos dois. De repente tenho uma idéia. ... De cima da árvore, vejo Mulder virar pra trás me procurando. *----- Cadê a Mione, Mulder ? *----- Não sei o que essa garota está aprontando agora. *----- Ai, Mulder, porque você sempre pensa que ela está aprontando algo. E se ela caiu num buraco, Mulder ?!- diz ela ligeiramente desesperada, andando de volta pra trás, procurando alguma coisa no chão. Mulder a segura pelo braço. *----- Calma , Scully. Ela deve estar, no mínimo, colhendo uma flor que viu lá atrás. Mulder leva um leve sorriso aos lábios. *----- Sabe o que devíamos fazer ,Scully, enquanto ela não aparece com a flor na mão ? Coloco a câmera em punho... preparada para tirar uma foto maravilhosa numa paisagem deslumbrante. Mulder envolve o rosto da Scully em suas mãos e aproxima seus lábios. Ambos estão com os olhos entreabertos e as faces se aproximando cada vez mais. Mas nem eu , nem eles contavam com... *----- Corre , Mulder... uma vaca !! Os dois de saem correndo desesperados. A ruminante não está sozinha. Mais 5 de sua família a acompanha, e todas desatam a correr pelo pasto atras dos dois. No galho da árvore quase caio de tanto rir. ----- Há, há... são as forças da natureza... primeiro abelhas. Agora vacas.... Daqui a pouco são o que? Elefantes ? ... Gasto outro filme. Essa foto vai sair bárbara, com os dois correndo de um lado pro outro, e as vacas mugindo... Scully, rapidamente, consegue passar por baixo da cerca de arame. Mulder não tem a mesma sorte e se vê acuado pelas ruminantes. *------Olá , mocinhas... como tem passado ?- as vacas dão uma leve avançada contra ele- Ai, desculpe. Esqueci que vocês não falam inglês... Bem acho que é hora de entrar em ação. Pulo de cima da árvore. Vou gritando pelo pasto umas palavrinhas que minha avó me ensinou, e logo as vacas dispersam e vão novamente pastar. Mulder solta um grande suspiro de alívio e cai com os joelhos no chão. Do outro lado da cerca, Scully pergunta. *----- Onde esteve, Mione. *----- Parei pra colocar um passarinho que tinha caído no chão de volta pro ninho. Foi difícil subir na árvore. Voltei correndo quando ouvi vocês gritando e me deparei com.... com essa cena ( risos). Eles me lançam um olhar sério. Mulder levanta, tira a poeira do corpo e atravessa a cerca de arame. *----- Vamos logo que estou com fome meninas... *---- Hum... meninas ! Ouviu essa , Scully. Ela não respondeu, pois está ocupada de mais rindo com a cara furiosa que Mulder trazia no rosto. A tarde, depois do almoço, ficou cada um deitadinho em sua rede. Mulder tirava um cochilo enquanto a rede balançava suavemente. Scully folheia um livro de trouxas que eu tinha com fotografias das diversas regiões do Brasil, enquanto eu escutava meu precioso walk-man. O pior aconteceu a noite. Estava no banheiro me arrumando pra ir dormir. Peguei um pente e comecei a pentear o meu cabelo. Eu o soltei para escovar os dentes, e ele, naturalmente ,como todo bom pente, continuou o seu serviço. Mas de repente vejo o reflexo de Scully no espelho , olhando pra mim espantada. O pente caí no chão. Olho pra ela sem graça. Ela ,mais sem graça ainda, pede desculpas e sai do banheiro. Que droga ! Esqueci que com pente de trouxas, você tem que se dar ao trabalho de segurá-los. Enxáguo minha boca que estava cheia de pasta e corro pro meu quarto. Ligo rapidamente meu walk-man e o sintonizo. *----- Scully, porque você não quer me contar o que aconteceu ? Parece que viu um fantasma. *----- De certa forma. Mas eu já cansei de dizer pra você que fantasmas não existem. Silêncio mortal no quarto. De repente ouço Scully gritar desesperada. Saio correndo em direção ao quarto. Quando abro a porta percebo vejo Scully e Mulder em pé em cima da cama. Ela agarrada nele. Grito na hora. ------ Florisvaldo, eu disse pra você não aparecer ! ------ Mas ela disse que fantasmas não existem ! E você sabe que eu odeio quando falam isso, principalmente esses trouxas ignorantes. ------ Desde quando você fala inglês ?! ------ Eu sou um fantasma culto.- diz ele levantando o chapéu e o colocando em baixo do braço. Acontece que a cabeça foi junto, o que fez Scully gritar mais ainda. Me inclino para encarar os olhos de Florisvaldo embaixo do braço e furiosa grito. ------ SO... GET OUT HEAR... NOW!!!!- e aponto firme para a parede. Tristonho, ele põe a cabeça de volta. Totalmente cabisbaixo ele a atravessa fazendo Scully ter um leve desmaio. Hora de encarar a verdade. Levanto a cabeça e quase chorando de vergonha tento encarar Mulder. *----- Desculpe, gente. Era para o Florisvaldo ficar na biblioteca, MAS ALGUÉM CEPTICÓ DISSE QUE FANTASMAS NÃO EXISTEM E ELE ODEIA QUE FALEM ISSO ! Na hora me agacho no chão, com lágrimas me escorrendo nos olhos. Totalmente sem graça e sem saber o que dizer. Mulder se aproxima e se agacha na minha frente. Ele levanta meu rosto e enxuga minhas lágrimas. *----- Acho que você tem algumas explicações para me dar... Ainda soluçando , consigo dizer. *----- O que você acha que está acontecendo aqui ? Scully se levanta da cama e se agacha a meu lado, colocando o braço em meus ombros, como um meio abraço. *----- Você que vai ter que nos dizer. A encaro ,fixando o olhar no fundo de seus olhos. *----- Não vai adiantar nada, Scully. Tudo que eu disser vai ser questionado. Você deve estar pensando o que? "Ah, aquele fantasma era um videozinho de uma câmera que tem aqui no quarto! E aquele pente. Foi pura ilusão minha. Sabe , a doutora Dana K. Scully nunca acredita no que seus olhos vêem, apenas o que a sua mente céptica permite enxergar..." ( pausa) Scully, eu posso transformar aquela cama em um leão. Posso fazer chover aqui dentro, posso aparantar pelos 4 cantos desse cômodo, mas tudo pra você vai ser uma ilusão ou o efeito de uma droga. Não é ?! Não vai adiantar eu ler a sua mente, porque você vai pensar que foi coincidência. QUE DROGA !! POR ISSO QUE CHAMAMOS A SUA RAÇA DE TROUXAS , SABIA!?!?!?!- recomeço a chorar desesperada. Scully olha pra mim, atordoada !- Mas não importa, Scully... você continua sendo a minha person.... a minha amiga... Ela me abraça forte. *----- Mione, por favor, eu não sou tão céptica assim.. *----- Ah não ?! Então me dê uma a sua explicação lógica pra isso. Pego minha varinha e em uma batida no chão surgem 3 vassouras. *----- Cada um pegue uma, por favor. Mulder demonstra um certo sorriso, e já trata de montar na sua vassoura. *----- Scully, faça o mesmo, por favor. Percebo que Scully nitidamente esconde seu cepticismo , e apenas para não me deixar chateada monta na vassoura. Mas ela não vai acreditar no que vai acontecer. Monto na minha vassoura também. Com uma leve batida, abro um buraco na parede. Podemos ver uma lua cheia e várias estrelas. *----- Imaginem que estejam em uma moto , ou bicicleta e tentem apenas se equilibrar. O resto fica por minha conta. Nova batida da varinha. As vassouras se levantam a meio metro do chão. Mulder parece uma criança, de tão empolgado. Antes que Scully falasse alguma coisa com aquela cara confusa, as vassouras disparam para o horizonte. Deixando um rastro de poeira brilhante, com os nossos gritos se distanciando da casa cada vez mais. Olho pra trás para fechar o buraco e me deparo com o Florisvaldo lá, sorrindo e me dando um tchauzinho. Assim as vassouras seguem pelo horizonte. A minha e a de Mulder se mantendo firme, mas a de Scully trombando em todas as árvores... 14 de janeiro de 2001 Domingo Ontem voltamos do passeio de madrugada. Sabia que Scully e principalmente Mulder iam me entupir com perguntas .Como não queria explicar muita coisa a eles devido ao meu cansaço , lancei um feitiço do sono neles. De tanta ansiedade e para pensar muito bem no que eu ia dizer, acordei 7:00Hs hoje. Estava na mesa do café, de cabeça baixa esperando quando, às 9:00Hs, Mulder e Scully apareceram. Eles se sentaram a minha frente . Minha vó então, apareceu da cozinha com uma bandeja toda feliz. ----- Finalmente posso 'preparar' os meus quitutes. E colocou um prato e um copo na frente dos agentes. *----- Mione, o que a gente faz agora ?- perguntou Mulder, como se eu estivesse prestes a falar uma receita de bolo. Ainda com a cabeça baixa respondi: *----- Mentalize o que querem comer e beber... Na mesma hora apareceram panquecas no prato de Mulder e café quente em seu copo. Ele pegou uma panqueca com um garfo e mordeu. Com a boca cheia disse: *----- Vamos, Scully... Pense em alguma coisa. *----- É , Scully.... garanto que isso é real e não contém nenhuma droga alucinógena...- disse cabisbaixa ainda. Então torradas com geleia e um copo de leite apareceram. Ele hesitou um pouco , mas logo começou a comer e beber. Depois que eles terminaram de comer e vovó tirou tudo da mesa, finalmente levantei a cabeça para encara-los... *----- Então, agentes... o que vocês gostariam de saber ? Ah, mas antes de qualquer coisa espero que não saiam por aí contando o que viram ou querendo nos investigar. O Ministério da Magia pode vir pra cima de mim, então daí terão que lançar-lhes um feitiço de memória, e nada do que aconteceu aqui será lembrados por vocês. É o que eu vocês querem ?! *----- Não, não... – responde Mulder. *----- Vocês tem um Ministério da Magia ?!- pergunta Scully com um sorriso incrédulo e as sobrancelhas levemente levantadas. *----- Somos organizados, temos vários Ministérios. O da Magia é o mais importante. E antes que perguntem.. Não, não temos presidente ou líder ou rei. *----- Mas essa organização é aqui no Brasil ? *----- Não, Mulder. Os Ministérios atuam no mundo inteiro... *----- E toda essa organização permite que vocês vivam sem serem incomodados...- conclui Scully. *----- Vocês sabem que nem sempre foi assim... Na Idade Média fomos muito perseguidos. A Igreja matou muitos trouxas por engano. Naquela época nos escondemos muito bem. A Igreja não nos encontrou mais. Os trouxas só conhecem trouxas que 'pensam' que tem poderes para fazer bruxarias, magia negra. *----- Por que nos chamam de trouxas ?- pergunta Mulder *----- Vocês nunca nos aceitariam ou se dariam ao trabalho de nos entender. Vocês em geral, pensam que não, mas são extremamente cépticos... Só abrimos exceções na convocação pra escola de Bruxaria. Se algum filho de trouxa tem talento, é convocado, recebendo uma carta de uma coruja. Foi assim comigo quando tinha 11 anos. Minha mãe é trouxa, mas meu pai e sua família não. *----- Você estuda numa escola de bruxaria então ?- pergunta Scully. *----- Sim, de manhã numa de trouxas e a tarde na de bruxaria. Foi exigência da minha mãe freqüentar também uma escola de trouxas. *----- Mas o que você aprende na Escola de Bruxaria ?- indaga Scully novamente. *----- Temos diversas matérias: Feitiços, Poções, Transformações, Trato de Criaturas Mágicas, Defesa Contra as Artes das Trevas, História da Magia, Estudo dos Trouxas, Astronomia, Adivinhação, Quiromancia, entre outras coisas. O curso dura 8 anos e depois você pode se especializar. Para ser bruxo de verdade você precisa do certificado depois que o curso é concluído. *----- Então tudo que os livros do Harry Potter diz é verdade... conclui Mulder. *----- Você nem sabe o quanto aquela escritora penou no Ministério da Magia para publicar aquela história para os trouxas... mas as história são verdadeiras em partes... tem sua dose de ficção, como um Lord Das Trevas. È claro que existem bruxos maus, mas sempre lutamos contra eles. *----- Então bruxos na sua essência são bons, nós trouxas é que achamos que todos são maus ? *----- Se você diz isto, Scully. *----- Então essa é a única explicação lógica de como viemos parar aqui.. Algum bruxo.. alguma coisa que...- interrompo o raciocínio de Mulder. *----- Não se preocupem, eu e minha avó estamos dando um jeito de mandar vocês de volta... E olha só, em vez de avião 'Mágica!!"...- digo meio irônica- Mas o pó de flu só chega numa coruja na terça, então vocês terão que aguardar... *----- O que é pó de flu ?- indaga Scully *----- É como se viaja para quem não sabe aparantar. *----- Mas o que é aparantar ?- insiste ela. *----- Isto ! E no mesmo instante apareço no canto do cômodo. Depois volto pra cadeira do mesmo jeito. *----- Isso é de mais !!! Como se faz isso Mione ??- pergunta Mulder empolgado. *----- Não tem como explicar... desculpe. Mas o pó de flu é mais ou menos assim. Vocês tem lareira na casa de vocês ? *----- Não, porque ?!- pergunta os dois. *----- Conhecem alguém que tenha ? *----- A minha mãe tem na casa dela. *----- Muito bem Scully... Então quando o pó de flu chegar, eu explico pra vocês como se faz. Mas agora- e me levanto- vamos aproveitar os nossos últimos dias juntos. Os agentes também se levantam e Mulder diz. *----- Mas você pode vir nos visitar quando quiser... *----- Quem sabe...- concluo- Vamos pescar, assim... pra passar o tempo ? Então estendo a mão de cada um e com uma batida da minha varinha, faço surgir uma vara de pescar . E assim partimos para o lago. Na metade do caminho... *----- Mione... *----- O que , Mulder ?! *----- Promete que pra pescar você não vai usar seus 'poderes'. *----- Prometo. Mas, mesmo assim eu aposto com você que mesmo sem usar nada, eu pesco mais peixes que você . *----- Ah não... outra aposta ! Agora entendo porque você insistiu naquela aposta do carro. *----- Mas é claro. O meu vô vez umas modificaçõeszinhas nele... *----- E quantos 'elefantes' caberiam ali então... *----- Da última vez 1 Na frente e 3 atrás.... ha ha *----- Você viu alguma graça, Scully ? *----- Só acho que não é só você aqui que adora fazer piadinhas sem graça.- responde ela *----- As minhas piadas são sem graça, Scully ? *----- Esqueçam isso, vocês dois. Então, vai ter uma aposta ou não ?- insisto *----- Eu aceito ! Vamos ver quem tem mais sorte como pescador aqui... E você Mulder ? *----- Não sei... *----- Não faça manha... só porque perdeu aquela aposta comigo e teve que dar uma nadadinha no lago do seu José... (risos) *----- Eu aceito sim... porque agora você vai perder , minha cara bruxinha. *----- Gostei do 'bruxinha' mas o que vamos apostar agora. Já é a terceira que você está dentro Mulder. Você vai viciar daqui a pouco. *----- É, mas está empatado você ganhou uma e eu outra! *----- Tá bom gente, não precisa brigar... O que vamos apostar? – pergunta Scully *----- Você escolhe ! *----- Eu Mulder ?! Tudo bem, sou EU que vou ganhar desta vez mesmo. E não precisam fazer cara feia não. Bem... Deixa eu pensar um pouco. No lago eu falo pra vocês, tá bom ?! Finalmente no lago... *----- E então, Scully. Já decidiu ?! *----- Já, Mulder... Mione, o seu avó tem um pasto com vacas, não tem... *----- Tem sim. *----- E você tem roupas vermelhas ? *----- Melhor do que isso... posso fazer a pessoa ficar de uma cor só ! Acho que já entendi o que você quer dizer, Scully... *----- Pois eu não! Dá para as duas me explicarem ! *----- Scully, por favor, explique pra ele... *----- OK... É o seguinte. As duas pessoas que perderem vão ter que ir até o pasto, de vermelho e ficar por lá... deixe-me ver... por exatos 5 minutos ! E vai ter que dar um jeito de correr das vacas.- ela ri *----- Mas será que as duas aqui esqueceram que vacas são daltônicas, que não distinguem cores ?! *----- Eu não diria que as vacas do meu avô são muito normais... *----- Pronto, tinha que ter alguma. Pois eu só aposto com vacas normais. As vacas do seu avó devem ter as manchas em rosa, lilás, ou amarelo fosforescente e dão leite colorido! *----- E qual é o problema Mulder ? (risos) *----- Já falei... só com vacas normais. *----- Tá bom... tá apostado. Vamos até um pasto de trouxas que tem por aqui. Mas de vermelho pra ficar mais engraçado. Todos concordando é hora de pescar. O pior é que eu ainda tive que convencer o Mulder que aquela lago tinha peixes normais. Ele só sossegou quando apareceram uns trouxas pra pescar por ali. Então cada um pegou uma minhoca na lata, colocou no seu anzol e jogou a linha. Como eu sabia que os peixes daquela lagoa eram meio ariscos, finquei minha vara no chão e deitei um pouquinho na grama esperando a linha puxar. Realmente os peixes estavam demorando para se manifestar e Mulder já estava ficando impaciente. *----- Calma , Mulder. É porque é lua minguante. Os peixes ficam o fundo essa época.- digo, para acalmá-lo Ele só, finalmente sossegou quando puxou o primeiro peixe. *----- Viram, viram ?! *----- Calma, Mulder, calma... – disse Scully. Em seguida a linha de Scully começou a puxar. E eu ainda N-A- D-A !! Quando Mulder puxou o terceiro peixe, finalmente eu pesquei o primeiro. Era um lambarizinho bem mirrado. Que raiva. Quando o sol estava a pino e a fome apertando decidi acabar com aquele suplício. *----- Chega gente... vamos pra casa. Vamos contar os peixes. *----- Então já admitiu que perdeu, Mione...- provoca Mulder. *----- Vamos contar os peixes ... Ao falar isso, Scully começa a contar os meus. Ela foi rápida. Apenas 4. Ela conta os de Mulder : 8. Ele dá pulos de alegria. *----- Calma, Mulder. Você pescou peixes grandes. Vamos contar os peixes da Scully. Lembre-se que você apostou a quantidade e não o tamanho. Scully começa a contar as peixes dela. Total : 11. Assim dou pulos de alegria junto com ela. *----- Não sei porque a comemoração, Mione... Se você perdeu. *----- Mas você também perdeu , Mulder... Voltamos pra casa, para uma boa fritada de peixe no almoço. Depois que o sol abaixou um pouco vou até o quarto de vovó e pego a poção que eu e Mulder vamos ter que usar. Seguimos caminho até o pequeno pasto da fazenda ao lado. As vacas estão meio reunidas, e as cercas de madeira não vão deixar elas dispersarem. Paramos ao lado da cerca. Scully sobe e senta em cima dela, esperando o espetáculo. *----- Vamos , Mulder. Beba isso ! *----- Isso é humilhante, Mione. *----- Eu sei... apostas só tem graça assim. Olhe para Scully, toda sorridente, pronta pra ver a nossa humilhação. *----- Quanto tempo o efeito disso dura ? *----- Se tomar só duas gotinhas, dura 10 minutos. Agora se tomar mais... *----- Já entendi. *----- Abra a boca então. Ele abre a boca e coloco duas gotinhas na língua dele. Aos poucos ele fica meio ruborizado. A cor vai ficando cada vez mais forte, até que ele pareça um moranguinho. Scully solta uma gargalhada e quase cai da cerca. Tomo também a poção. Em segundos fico mais parecendo uma maçã fuji. *----- Vamos logo, pessoal.. quero ver vocês em ação... Pulamos a cerca e caminhamos até onde as vacas estão. Mas antes que cheguemos muito perto elas começam a vir em nossa direção. *----- Vamos gente... Só vou começar a contar no relógio quando começar a corrida. Parece que foi só a Scully falar que as vacas se manifestaram. Aqueles minutos foram eternos. Dá pra imaginar a cena de dois pontos vermelhos correndo feito doidos por uma pasto. Ora fugindo de um touro que surgiu não sei de onde e ora de um bezerro arisco. Scully parece que vai passar mau de tanto rir. *----- Já acabou , Scully ?! - gritamos meio tropeçando. *----- Quê ?! Ah... acho que já. Corremos até a cerca e pulamos. Ao espatifarmos no chão damos um suspiro de alívio. Na mesma hora voltamos a nossa cor normal. Mulder e eu ficamos furiosos. Quase voltamos a ficar vermelhos de novo. *----- Scully, você deixou a gente naquela 'arena' por 10 em vez dos 5 minutos ?! *----- Desculpe, Mulder... Eu estava ocupada de mais rindo. Assim, voltamos pra casa. Eu e Mulder estávamos imundos de tanta lama. Queríamos apenas um banho, comida e uma cama pra dormir. 15 de janeiro de 2001 Segunda-feira Acordo assustada, com minha vó me sacudindo e chamando. Meia sonolenta pergunto: ----- Que foi, vó ?! ----- A coruja da minha amiga acabou de chegar. Ela mandou o pó de flu antecipado. ----- Ah, vó... só porque hoje eu ia levar eles pra aquela pista de esqui em São Roque. ----- Mione, eles tem neve lá . Pra que leva-los para uma pista de borracha, ou sei lá que material os trouxas usaram... ----- Mas vó, era o meu último dia com eles ! ----- Você não vai poder ficar mais adiando. Vamos que a lareira já está sendo preparada. Levanto e logo me arrumo. Depois de escovar os dentes vou até o quarto deles. Abro a porta devagar. Eles estão na mesma posição que da outra vez. Fico um tempo olhando pra eles. Vou até a janela e abro as cortinas. A luz que entra faz com que eles acordem. *----- Bom dia !! *----- Mulder se espreguiça um pouco e senta na beirada na cama. *----- O que foi, Mione ?! Por que essa cara ?! *----- O pó de flu já está pronto ! Vocês vão ter que ir... Scully se levanta e encara Mulder. Eu olho pra fora da janela , com algumas lágrimas escorrendo nos olhos. Ainda olhando para fora , sinto quando os dois se aproximam e me abraçam. *----- Eu já disse que você pode vir nos visitar.- diz Mulder *----- E quando quiser, viu ?!- completa Scully *----- Vai ser meio complicado... *----- Complicado porquê ? O que te impede?- *----- Bem... Mulder eu não sei como chegaram até aqui, então vai ser difícil ir até vocês. *----- Mas e o pó de flu ?! No mesmo instante que Scully fala, Nicknha aparece, se esfregando nas pernas dela. *----- Como ela entrou aqui ? Eu tinha fechado a porta ! Mulder pega a gatinha no colo. *----- Eu também vou sentir saudades de você... – ele faz uma cara de espanto quando olha para o rosto da gata- Olhem pra isso... parece que a gata está chorando. *----- Deixe-me ver isso. Pego a gata do colo do Mulder e a encaro. No mesmo instante jogo a gata em cima da cama. A gata caminha em cima dela, e se senta na beirada, enxugando os olhos com as patas. *----- Como aquela gata pode ter movimentos, assim, tão humanos ? *----- Ora Scully ... é óbvio que ela é um animago...- falo, ligeiramente nervosa Nesse instante, a gata me encara, serrando ligeiramente os olhos. *----- Ah... além de tudo você fala inglês. Como pôde enganar a mim e a minha família ? A gata abre a boca. Em vez de miados, saí uma voz feminina, com um tom suave. *----- Porque essa era a única maneira de conhece-los. – e aponta a patinha para Mulder e Scully. Scully dá um ligeiro passo para trás, se abraçando a Mulder. *----- Então, Nick... ou seja lá quem você for. Mostre sua verdadeira face. A gata desce da cama. E andando com duas patas, pára no meio do quarto. Aos poucos de uma gata baixinha, ela se transforma numa mulher alta, jovem, pele clara, com os cabelos escuros e lisos, ligeiramente curtos, como o meu. Veste uma roupa preta e suas lágrimas ainda escorrem pelo rosto. Mesmo com uma ligeira pena, vou até o lado dela e aperto-lhe o braço. ----- Pode começar a arranjar uma boa explicação em inglês do porque os trouxe até aqui... e cuidado com o que vai falar, eles não podem saber da verdade, ou seja... de que você provavelmente é uma fã desembestada. Agora entendo porque você quase me arranhou aquele dia... Você deve ser shipper, não é ?! ----- Ai, Mione... me solta! Eu sempre fui uma boa gata... isso, assim está melhor. Vejo que você também curte a série. Até sabe o que é shipper... ----- De vez em quando eu dou uma olhada na programação da Fox... Porque ?! Alguma coisa contra !? ----- Não... só a favor. Escute aqui, eu já sei o que falar pra eles. Não se preocupe... confie em mim, por favor! Dou um sinal positivo com a cabeça e ela começa a se explicar. *----- Meu nome é Valkiria. Animagos são bruxos que podem se transformar em animais, como eu. São poucos que podem fazer isso.- pausa- Sempre pesquisei coisas sobre trouxas, e o que mais me interessava era esse órgão chamado FBI. Eu os trouxe até aqui porque conheci o trabalho de vocês nos Arquivos X. E trabalhando na sua área, achei que seria prudente vocês nos conhecerem, se um dia se depararem com um caso envolvendo alguém de nossa raça. Como vocês moravam nos EUA, dei um jeitinho de aparantar vocês até aqui. Penso que devem ter gostado das férias forçadas, mas acho que é hora de irem embora... Outras lágrimas saem dos olhos dela. Então me aproximo e a abraço meio de lado. *----- Muito bem, Valkíria... Bem agentes, é hora de ir embora mas antes.- dou uma batida com a varinha em cima da cama – vistam isto. Eles vão até a cama. Scully pega o seu tailer e Mulder o seu terno. *----- Acho que posso fazer melhor. Valkíria tira uma varinha dum bolso do vestido e a balança. Agora Mulder e Scully estão devidamente vestidos com suas roupas. Na sala vovô, chorando, e vovó esperam ao lado da lareira. Vovó entrega o saquinho com o pó de flu para Scully. Ela a abraça e abraça o vô. Mulder faz o mesmo. Em seguida eles abraçam Valkíria. A agradecem por terem os levado até ali. Quando eles se aproximam de mim... *----- Olha, vocês jogam o pó assim em vocês mesmos e gritam claramente o nome do lugar para onde querem ir, no caso a sala da mãe de Scully. Depois mergulhem nas chamas, um de cada vez. A viajem pode demorar um pouquinho e vocês podem ficar meio sujos com as cinzas, mas nada muito grave... Não sei como consegui dizer aquilo. Minha voz quase sumiu, e as lágrimas desceram pesadamente. Assim me abraçam demoradamente. Scully me solta e enxuga um pouco as lágrimas. Pega o pó do flu e joga um pouco nela. Entrega o saquinho para Mulder. *----- Adeus, Mione... Ela me lança um beijo e em seguida grita. *----- Sala da minha mãe...- e mergulha nas chamas. Mulder joga um pouco do pó e entrega o saquinho para vó. Com um sorriso ele enxuga minhas lágrimas. *----- Adeus, Mione...- e grita- sala da mãe da Scully- mergulhando nas chamas. Valkíria me abraça e diz sorrindo. A gente pode ir com eles, sabia ?! Eu sei como voltar depois... Assim ela me puxa e mergulhamos junto nas chamas. Aos poucos vamos caindo numa imensidão negra, caindo cada vez mais... parece que não vamos chegar nunca...Mas, o que está acontecendo ?! Onde está Valkíria... VALKÍRIAAA...VALKÍRIAAA.... ~~~~~*~~~~~~*~~~~~~~~*~~~~~~~~*~~~~~~*~~~~~~*~~~~~~~*~~~~~~~~ *~~~~~~~* ----- VALKÍRIA... VALKÍRIA.... ----- Giovanna , acorda !! Acorda Giovanna !! A garota, dormindo em sua cama, parece estar tendo um pesadelo. Está suada e agitada. Quando finalmente ela desperta, deixa cair no chão um livro que estava aberto sobre ela. ----- Mãe... Eu.. eu estava sonhando... um sonho maluco... ----- Calma Giovanna... passou agora. Vamos levantar que a sua amiga Ariane acabou de chegar com a fita do episódio de Arquivo X que você queria assistir. ----- Tudo bem, mãe... só vou tomar um banho... A mãe sai do quarto e fecha a porta. Podemos ver atrás dela um pôster escrito I WANT TO BELIEVE. Giovanna olha fixamente para ele e sussurra ----- Mas que sonho maluco... impossível. Ela se levanta, pega uma toalha que estava em cima duma cômoda e sai do quarto. O livro, que caiu aberto no chão vai virando suas páginas aos poucos, até que se fecha completamente. Podemos ver o que está escrito na capa : Harry Potter . xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxfimxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxx xxxxxxxxx Muito obrigado por ler até aqui. Por favor me mande um feedback se puder... Meu e-mail é ma_bonfim@bol.com.br Mais uma vez, obrigada....