Título: Willian Autora: Acs E-mail: acs_xf@yahoo.com.br Disclaimer: Apesar de realmente achar que eles já são meus, Mulder, Scully e companhia pertencem ao Chris Carter e a Fox. Classificação: Angst/ Vignette Resumo: Scully e seus últimos instantes com Willian Ele dormia em seu berço. Sua respiração, tranqüila e ritmada, denunciava a calma de seu sono. Todo o ambiente do quarto seria uma bela pintura de serenidade, se não fosse a mulher de olhos vermelhos parada ao lado do berço. Esta não tinha a calma e tranqüilidade da criança insonte que repousava sob o seu olhar. A mulher velava o sono do filho, vigilante e atenciosa, como se aquela fosse a última vez que tal privilégio lhe seria oferecido. Bem sabia ela a verdade dessa constatação. Ela queria não se esquecer de nada. Queria poder gravar em sua memória cada pequeno detalhe sobre a criança do berço. Ela ambicionava poder fechar os olhos e se recordar de cada cena do pouco tempo de convívio com seu filho. Cada sorriso, cada olhar, cada beicinho, cada suspiro, cada respiração. Toda vez que ele segurou seu dedinho, toda vez que ela o embalou em seus braços. Tudo isso ainda queimava em sua memória. E a perspectiva de nunca mais poder presenciar nada disso queimava em seu coração. Mais um pedaço dela estava prestes a ir embora. Novamente sentia o gosto da perda. O amargo gosto cujo qual sempre fora obrigada a conviver. Não era a primeira vez, nem seria a última, que isso acontecia. Mas a constância não tornava a perda mais fácil. A experiência não aplacava a dor. Nada abrandaria aquele sentimento que a devorava por dentro. Ela desejava não ser a pessoa a decidir, não ser o algoz de si mesma. Pensando bem, não havia uma decisão. A escolha não foi tomada por ela. Mesmo no cadafalso ela continuaria jurando que tudo aquilo era para o bem dele. Mesmo que não fosse para o bem dela. Não era justo se privar de seu próprio filho, mas a vida não era justa. Nunca fora. Ela devia ter se acostumado. Nada era gratuito. Cada dádiva tinha seu preço. E, em pouco tempo, a dádiva maior da sua vida lhe seria usurpada. Ela estava desistindo do seu milagre. Lágrimas voltaram a correr pelo já castigado rosto da mulher. O momento que ela temia estava prestes a se concretizar. Mentalmente ela implorava a seu Deus que lhe concedesse outro milagre, que não a privasse daquele seu pedaço. Mas não havia espaço para esperança. Não podia imaginar que mais uma vez suas preces seriam atendidas. Ela teria que se acostumar a idéia. Nunca veria seu filho andar pela casa, nunca seria chamada de mamãe, nunca cuidaria de um arranhão do jogo de basquete. Ela só teria as lembranças. Mais um fantasma em seu armário. Mais um capítulo finalizado, mais uma encruzilhada sendo cruzada. As horas escoam e o desespero aumenta. Ela pedia mais tempo, ela pedia mais momentos. Parecia covardia ter que implorar por mais tempo com seu próprio filho. A sangue queima em suas veias. Quem aqueles homem acham que são para submetê-la a mais aquela aprovação? O que fizera ela para merecer tanto? Não adiantava mais pensar naquilo. Ela não deixaria que aquela gente maculasse os últimos instantes com seu filho. Talvez ela não fosse mesmo digna daquele milagre. Talvez ele tivesse sido reservado a outros. Talvez quem o adotasse seriam os que realmente mereciam aquela dádiva. Talvez eles pudessem lhe dar toda a tranqüilidade que ela não conseguia dar. E que o pai da criança também não poderia ceder. Nenhum dos dois podia proteger aquele fruto do seu amor. Pela última vez ela fez um pedido a Deus. Pediu que protegesse o seu filho, onde quer que ele fosse **************************************************************** ******************* Agora o berço estava vazio. A casa toda parecia vazia. Ela mesma se sentia vazia. Sua dádiva tinha ido embora. Sua estrela-guia havia partido. Talvez o seu filho fosse destinado a guiar outros. Seja como for, a dor continuava. E continuaria para sempre. Mais um pedaço do seu coração fora arrancado.