Título: Who Wants To Live Forever Autora: Mica E-mail: enya_morgana@bol.com.br Disclaimer: Dana Scully e Fox Mulder pertencem a CC, 1013 Productions e 20th Century Fox e não há nenhuma intenção de desrespeitar os direitos autorais. Categoria: Vignette Classificação: Shipper (até eu estou duvidando, heheheheh) Resumo da história: Scully encontra-se só e debilitada devido ao sumiço do parceiro. Agradecimentos: Desta vez, à minha amiga Andrea que gravou um CD com a maravilhosa música Who Wants To Live Forever. Gente, essa mulher tem uma voz maravilhosa!!! Nota da Autora: Foi escrita a toque de caixa e era para ter saído legal. Mas eu fui interrompida inúmeras vezes pelo telefone e pelos clientes chatos...aí já viram, né?? A inspiração foi pelo ralo! Data: Iniciada em 10/05/01 às 15:57h e concluída às 17:29h Feedbacks: Ai daqueles que não mandarem feedbacks!!!! Eu desisto de escrever fics shippers para sempre!!!! WHO WANTS TO LIVE FOREVER By Mica A água escorria lentamente pela vidraça, desenhando figuras estranhas, mas incrivelmente belas. A música ao fundo enchia o ambiente, fazendo-a se sentir ainda menor. Quem quer viver para sempre? Não há chance para nós, tudo foi decidido por nós. Quem se atreve a amar para sempre, quando o amor tem que morrer? Era exatamente assim que se sentia. A voz doce da cantora inundava o seu ser, fazendo-a recordar-se do dia que a ouvira pela primeira vez. Era uma outra vida, outros sonhos, outros medos. Jamais acreditara realmente que o perderia. Ele era imortal, acima de tudo e maior que as conspirações e intrigas. Poderiam desafiar quem quer fosse, mas ele sempre permaneceria ali, inabalável, lhe apoiando, lhe confortando. Como ele ousava ter lhe deixado? Como pôde dar-lhe o céu e depois tirar-lhe a terra? Não era justo, não era certo. Tocou as lágrimas frias que escorriam por sua face com a ponta dos dedos, lembrando-se do toque dele, da forma como a consolou todas as vezes que precisou. Não conseguia entender. Não queria entender. Tudo o que desejava era que ele estivesse ali ao seu lado. Queria o seu sorriso, o brilho dos olhos verdes, a voz morna e confortadora. Por que? Por que ele? O que ela havia feito de tão errado que a vida lhe impedia de ser feliz? Fechou os olhos deixando a música penetrar em sua alma e absorver toda a angústia que sentia. O coração batia lento e dolorido, a alma chorava lágrimas muito mais profundas e abundantes do que ela jamais seria capaz de derramar. Respirou fundo, tentando não pensar, procurando esquecer, mas tudo ao seu redor gritava o nome dele, como se implorasse para que não o abandonasse. Ela estava condenada a viver uma vida longe da única pessoa que realmente fizera parte de si. Não havia chances para eles. Tudo já havia sido decidido, mas não eram as suas decisões, nem os seus desejos. Abriu os olhos e fitou a chuva que continuava caindo insistente, rasgando a escuridão noturna. Lágrimas. O céu chorava como a sua alma. Sentiu-se atraída para a janela e para as gotas de lágrimas que caíam na terra. A música ainda enchendo o momento. Tão pura, tão bela. Lembrava-se do dia que ele a mostrara à ela. Todo orgulhoso da amiga que a regravara. E tinha razão, a voz era limpa e tocava no mais íntimo do seu ser. Fora quando o sentira pela primeira vez. Ainda lembrava-se. Na verdade, jamais esqueceria. Se não fosse pela dor insuportável em sua alma, poderia dizer que havia sido esta noite. Estava chovendo, como agora, mas então, não eram as suas lágrimas..... Quando entrou na sala, encontrou o parceiro reclinado na cadeira, os olhos fechados, concentrado. As feições estavam longe de mostrarem-se preocupadas. Estava feliz, relaxado, ouvindo a voz doce que preenchia a casa da agente. Teve receio de falar e quebrar o santuário que ele havia criado. Mas ele a sentiu, o que o fez abrir os olhos e dar o sorriso mais bonito que lembrava-se de já ter recebido. "Consegue sentir?" "O que?" "A música." Ela o fitou curiosa. O que passaria pela mente do parceiro? "É muito bonita" "Não, é vida. Sente?" Ouviu a melodia com atenção e de fato gostou da canção, mas não entendia o motivo da veneração de Mulder. Como não sabia o que dizer, apenas sorriu. Como resposta, ele levantou-se e caminhou até ela. Tocou levemente em sua mão e olhou profundamente em seus olhos. "Feche os olhos, e sinta." "Mulder!" "Pss...não seja teimosa." Ela assentiu em concordância e fez como ele pedia. Era interessante como a ausência da visão aumentava todos os sentidos. Podia sentir cada nuance da canção, o poder que dela emanava, a sensibilidade da voz que a interpretava. O impacto foi tão grande, que não atrevia-se nem mesmo a respirar para não quebrar o encanto. Sentiu as mãos do parceiro tomando suas mãos entre as dele e a puxando para o meio da sala. Abriu os olhos e fitou o verde dos olhos de Mulder. "O que está pensando?" Como resposta ele apenas sorriu. "Mulder?" "Continue de olhos fechados Scully. Deixe a música entrar em seu ser, deixe ela tomar conta de toda a sua razão, quebrar todas as suas defesas." "Não sei se quero isso." "Confie em mim, eu sei do que estou falando." Scully continuou com os olhos fixos nos do parceiro. O que estaria passando na mente dele? Pensou em como era estranha toda esta situação. Quem poderia imaginar que estaria aqui, quando entrou naquele porão do FBI? Que encontraria alguém que a conheceria mais do que ela mesma, e que a completaria de uma forma única? Decidiu fazer o que o parceiro pedia, e fechou os olhos, deixando-se guiar pelas mãos do amigo. O CD continuou tocando, as letras penetrando em seu ser. "There's no time for us, There's no place for us, What is this thing that builds our dreams, yet slips away from us." A chuva misturava-se com a música, ambas embalando os passos dos agentes, numa dança muito mais profunda do que se mostrava. "Who wants to live forever, Who wants to live forever...? There's no chance for us, It's all decided for us, This world has only one sweet moment set aside for us. Who wants to live forever, Who dares to love forever, When love must die." Scully sentiu a sensação que a música provocava no parceiro. Eram mais do que palavras, era como se ela lhe dissesse algo. Abriu levemente os olhos e percebeu que Mulder também estava com os olhos cerrados, dançando não apenas com o corpo, mas com o coração. Doces e pequenas lágrimas deslizavam pela face do parceiro, num sentimento que Scully jamais pensou ver em Mulder. "But touch my tears with your lips, Touch my world with your fingertips, And we can have forever, And we can love forever, Forever is our today," Não estava certa disto, mas sentia como se a música a compelisse a segui-la, concretiza-la. As lágrimas de Mulder ainda deslizavam enquanto as observava e, seguindo mais seu coração do que sua razão, aproximou seu rosto da face do parceiro e o beijou, sentindo o gosto salgado das lágrimas que o cobriam. Mulder, ao sentir o toque dos lábios da parceira, abriu os olhos e Scully pôde ver o brilho aconchegante nos olhos do amigo. Amigo....até quando o chamaria assim? Até quando continuaria a negar o que sentia? Até quando os manteria suspensos em linha finas e que há muito já deveriam ter sido rompidas? Poderia continuar pela eternidade, mas algo na expressão de Mulder lhe dizia que não era isso o que ele queria. A música, a dança...fora natural, não planejado. Mas agora era a vez dela tomar alguma atitude. Se de fato queria que ele soubesse o quanto havia mudado sua vida e do quanto precisava dele para continuar, deveria dizer agora. Era hora de deixar seus medos e conceitos de lado. Ele esperava por isso. Ela lhe devia uma atitude. " Who wants to live forever, Who wants to live forever, Forever is our today, Who waits forever anyway?" Soltou delicadamente as mãos, tocando a face de Mulder. Seus olhos pareciam feitos de fogo. Pôde sentir todo o seu ser queimando com um sentimento que sempre estivera ali, mas que nunca ousara demonstrar. E afinal, quem espera para sempre? Desta vez, foi sua a decisão. Tocou com carinho e amor os lábios do parceiro, fazendo-o fechar os olhos ao toque suave dos seus dedos, apenas para reabri-los ao sentir o gosto doce dos lábios de Scully. Natural, e verdadeiro.... Tocou com a ponta de seus dedos os próprios lábios, como se assim pudesse tocar os dele. As lágrimas banhavam seu rosto, e a música ainda brincava com seus sentimentos. "Who waits forever anyway?" Ela esperaria. Para sempre. FIM.