"White Night, Golden Dream" Autora: Jennifer Fearnsaille (saille@ig.com.br) Home Page: http://www.danadeavalon.hpg.com.br Categoria: Shipper Atenção: Arquivo X (The X Files) pertence a seu criador Chris Carter e Fox Television; esta história destina-se unicamente à diversão dos fãs. Sinopse: No reveillon de 2001, Scully convida Mulder para passar a ocasião com ela na casa de amigos. Para completar Mulder é o felizardo ganhador de uma promoção que pode ajudá-lo de vez a realizar seus sonhos ... "Para honrar Afrodite no dia de sua risada".(13/09/00) 01/01/01 Residência do casal Crestani 09:00 AM O telefone celular toca despertando a bela agente do FBI, Dana Scully, que só conseguira adormecer há , no máximo, duas horas. Rapidamente ela relembra o maravilhoso reveillon em sua mente. "Agora sim – ela raciocinava logicamente – estamos no Terceiro Milênio." Ela dormira na casa de seus amigos, Fulvia e Júnior Crestani. Se conheciam desde a adolescência e, em ocasiões festivas como essa ela se sentia muito mais à vontade com eles do que com sua família. Já passaram muitos reveillons e aniversários juntos e esse foi realmente especial. Todos os amigos do casal se reuniram lá, as irmãs com seus namorados, maridos, etc, e...todo mundo tinha par. Então, seus amigos lhe disseram: "_ Por que você não traz o Mulder? Você fala tanto dele e nós ainda não o conhecemos. Você disse que ele é solitário então, por que você não o convida para passar o ano novo com a gente?" Scully ponderou que poderia ser uma boa idéia. Primeiro porque não podia convidar Mulder para passar as festas com ela junto à sua família, pois o ambiente não era dos mais agradáveis: lembravam-se de seu pai e de Melissa, Scully lembrava-se de Emily, a única diversão era o pequeno Matthew; definitivamente Mulder não se sentiria à vontade, ainda mais com seu irmão Bill por perto. Nem ela tinha mais tanta vontade de ir a essas reuniões mas, afinal, era a sua família. Já com os Crestani era diferente. Eles eram alegres, vários assuntos se desenrolavam ao mesmo tempo e ele teria liberdade até para ficar quieto num canto se preferisse. Além do mais era reveillon, por si só uma data alegre que fazia as pessoas acreditarem que no ano seguinte tudo seria melhor. Em segundo lugar ela tinha seus motivos para querer estar com Mulder na virada do milênio... Quem sabe ele continuasse de onde parou no ano passado ou...Bem, pelo menos havia a esperança de ganhar outro beijo, ainda que suave, para guardar na lista das suas melhores lembranças dessa vida. Ainda bem que ela tivera essa idéia. O reveillon em nada deixou a desejar. Quando o convidou, a princípio ele estranhou, mas depois se sentiu importante em sua vida e resolveu aceitar o convite. Ele apareceu cedo por lá, pouco depois de a própria Dana ter chegado à casa de seus amigos, e logo se enturmou. Todos gostaram dele; Scully previra isso, pois seus amigos adoravam assuntos "estranhos" como ufologia e paranormalidade. Não faltou o quê conversarem a noite e a madrugada toda. Quando Mulder foi embora às 6 da manhã o convidaram para retornar sempre que quisesse para beberem e continuarem o papo. Porém, o que fez a virada do milênio especial para Dana Scully foi outra coisa. Ele chegou simplesmente lindo numa calça creme e uma camisa em pano cru trazendo para Scully uma pulseirinha com pingente de estrela do mar para dar sorte no ano novo. Todo mundo tratava-o como se fosse, ou devesse ser, o namorado dela e ele assim se comportava, claro, na medida do possível. Sempre que algum marido vinha beijar sua atarefada esposa ou namorada na cozinha, Mulder procurava abraçar Scully por trás ou fazer um carinho nos cabelos dela enquanto ela descascava ou cortava alguma coisa. Ela procurava reagir naturalmente, como se aquilo fosse normal entre amigos de longa data como eles mas, só Deus sabe como ela se sentia por dentro. Só às 11 da noite tudo ficou pronto e os casais puderam se reunir no terraço com a mesa já posta, apenas esperando a meia- noite. Então, o clima de romance foi se instalando no ar. As pessoas que se amavam queriam aproveitar os últimos instantes do tempo velho juntas apenas sentindo uma à outra e fazendo planos, formulando desejos para o tempo novo. Mulder conduziu Scully para um canto do terraço, envolveu um braço em sua cintura e eles ficaram assim, conversando baixinho, filosofando sobre várias coisas, fazendo à sua maneira a mesma coisa que todos os casais estavam fazendo, pois o que falavam não era de fato o que importava, era apenas o pano de fun do para o mais importante que era eles estarem ali, juntos, na presença um do outro sem nenhum monstro ou alienígena para perseguir. Às 11:30 da noite os fogos de artifício começaram a explodir. O barulho às vezes interrompia a conversa e nos instantes em que se aguardava o silêncio para voltar a falar, olhavam nos olhos um do outro e timidamente sorriam, não pelo que estava acontecendo ali, mas pelo momento que viria, assim que desse a meia-noite ambos sabiam o que aconteceria e o que eles iriam fazer. 11:55 os fogos pipocavam à toda e Scully simplesmente sentiu que não conseguia mais encarar Mulder. Então ela colocou as duas mãos espalmadas sobre o peito dele e se aninhou ali, para não Ter de olhá-lo, mas poder sentí-lo, aproveitando a boa desculpa que pairava no ar junto à fumaça dos fogos queimados. Ela encostou a testa onde os botões da camisa de tecido rústico de Mulder estavam abertos e quis se esquecer ali pra sempre. Mulder a trouxe mais para perto de si e passou aqueles últimos minutos acariciando e beijando os cabelos dela. Mas, à meia- noite em ponto, ele colocou as mãos sobre seus ombros e afastou-a ligeiramente para olhá-la melhor. O momento que esperavam há precisamente um ano chegara. Eles poderiam novamente se beijar. Scully mandou seu resto de racionalismo pro brejo e sorriu calmamente esperando a iniciativa de Mulder. Ele retribuiu o sorriso e começou a aproximar seus lábios lentamente enquanto a puxava para si. Então beijaram-se de forma bem suave e devagar, procurando um maior contato entre seus lábios e tentando fazer com que aquilo durasse o máximo possível. Embora não fosse um beijo profundo e sensual, era tenso e carregado de desejos já não tão bem escondidos como antes e durou bem mais do que o bom senso permitia que durasse um inocente beijo entre amigos. Os casais em volta terminaram de se abraçar e ficaram a olhar os dois ali, esperando que a qualquer momento explodisse a paixão. Mas isso não aconteceu, embora quando, enfim, Mulder começou a tentar se afastar de Scully, ele retrocedesse duas vezes, voltando e lhe dando breves beijos, deixando bem claro que parar com aquilo era muito difícil. Mas eles tinham que cumprimentar as pessoas à sua volta e voltar a se comportarem como antes, e, mesmo com as piadinhas, indiretas e incentivos dos amigos, a noite continuou sem romance, apenas com a ceia, risos e conversas até o amanhecer para todo mundo. Trriiimmm... O telefone insistente sacudia os neur6onios de Dana Scully fazendo- a localizar-se no tempo e no espaço. Relutante pegou o pequeno aparelho na mão e leu no visor: "MULDER". "Mulder? – ela pensou e olhou no rádio-relógio – Mas não fazem nem 2 horas que ele saiu daqui?!" _ Alô! _ Scully, sou eu. _ Mulder, aconteceu alguma coisa? _ Não, você estava dormindo, não é? _ ... _ Desculpe te acordar, é que eu precisava falar com você agora, mas depois eu juro que deixo você dormir. _ O que... o que é, Mulder? O que aconteceu? _O posto onde eu abasteço o carro aqui perto do meu apartamento fez uma promoção de final de ano e, bem, tem um recado na secretária eletrônica dizendo que eu fui sorteado e ganhei uma noite de reveillon num hotel cinco estrelas, desses em que o FBI nunca vai pagar a nossa estadia. Só que o "prêmio"só vale pra noite do dia 31 de dezembro e 1º de janeiro e, como ontem já foi, só temos hoje para resgatar o "prêmio". _ "Temos"? Não foi "você" que ganhou? _ Scully, o prêmio é pra um casal, o que eu vou fazer sozinho num lugar desses. Se você não for, eu não vou. _ Não quero ser acusada de desperdiçar sua sorte. _ Ótimo, passo às cinco pra te pegar, ok? _ Ok. _ Pode voltar a dormir agora, dorminhoca! 09:30 PM Hotel Ritz Marine De frente para o mar era o quarto com que um tal de Fox Mulder sortudo fora contemplado. Tanto ele como Scully foram de branco; ele trajava uma camisa azul clara por dentro do blaser e ela usava um vestido longo sem mangas com tirinhas cruzadas nas costas. A recepção preparara uma mesa de frutas deslumbrante, o jantar fora calmo e requintado; tudo estava perfeito, embora a grande festa houvesse ocorrido na noite anterior. Haveria um baile noite adentro mas eles jantaram cedo e preferiram ir para a suíte que tinha mais atrações do que o salão de festas, onde não acharam muito o que fazer. Já a suíte tinha home theatre, uma moderna aparelhagem eletrônica, uma cama redonda linda e enorme forrada em lençóis de cetim branco, piscina, sauna, barzinho, jardim de inverno, enfim, tudo tudo o que se pudesse imaginar além dos tradicionais bombons, flores e frigobar recheado. Realmente, era um hotel no qual poucas coisas precisariam ser pedidas pelo interfone. Mulder e Scully resolveram ficar por ali e aproveitar as regalias do luxo. 10:05 PM Suíte nº 04 do Hotel Ritz Marine No aconchego de um tapete branco e felpudo o casal conversava descontraidamente. Scully não se lembrava de uma ocasião em que estivera tão à vontade com seu parceiro e na qual eles conseguissem falar tanto sobre si mesmos de forma tão natural. Eles bebiam champagne enquanto conversavam. _Scully, você sente cócegas no nariz quando toma champagne? _Não!?! – ela responde rindo – não entendo porque as pessoas dizem isso! _Penso que seja só uma boa desculpa para beijar. _ ... _ ... _E beijos tiram as cócegas do nariz, caso elas existam? _Talvez você fique tão concentrada no beijo que esqueça as cócegas. _Hum...talvez. Nunca se soube exatamente o porquê, mas é fato constatado que algumas mulheres, quando estão bem perto de realizar seus objetivos, sentem um súbito medo que as faz mudar de assunto. Foi o que aconteceu com Scully nesse momento: _ Mulder, a minha família é descendente de irlandesese, você sabe como são os irlandeses, cheios de histórias sobrenaturais...e, eu nunca disse antes mas... existem uma porção de arquivos X na minha família. _ É mesmo? _Meus avós, por exemplo, viam fantasmas. _Scully, VOCÊ vê fantasmas, já se deu conta disso? Ela finge que não ouve. _Existem histórias sobre tesouros enterrados, aparições, barulhos inexplicáveis, uma porção de coisas... _ Eu já imaginava. _ Eu nunca contei antes porque... ( olha nos olhos dele ) ...bem... acho que você sabe o porquê. _Scully, quando você era pequena e ouvia essas histórias, acreditava nelas? _ Na verdade, não. Mas era divertido ouvir meus avós contando casos ao pé do fogo ou na beirada da cama pra fazer a gente dormir. Sempre achei que eram contos de fada... só recentemente percebi que eles acreditavam mesmo no que estavam contando. _ Eu gostaria de ouvir essas histórias. _ Um dia eu as contarei para você, mas não hoje que estamos comemorando o ano novo do milênio... Ambos se olharam lembrando dos beijos do reveillon. Mulder resolveu jogar lenha na fogueira. _ Eu queria que fosse ano novo todo dia, mas fico feliz que pelo menos hoje nós possamos ... comemorar ... novamente. _ Eu li em algum lugar, que toda semana existe uma comemoração de ano novo para algum povo do planeta que não segue o calendário gregoriano oficial. _ Isso me faz pensar... por que, então, só nos beijamos uma vez por ano? _ Por que você não faz uma pesquisa com todas essas datas comemorativas e afixa no calendário do porão ao lado do seu pôster " Eu Quero Acreditar" ? _ Um calendário " Eu Quero Beijar" ? É até uma boa idéia, mas não vai resolver o meu problema. Se houver um ano novo por semana... bem, o ano tem mais ou menos 54 semanas, serão 54 beijos... Ainda é muito pouco... Eu quero te beijar bem mais do que isso... Ele começa a se aproximar dela. _ ... na verdade se eu começar agora ... TAM-TAM-TAM. Alguém bate na porta da suíte. Mulder fecha os olhos paralisado. Scully suspira. Ele levanta e atende a porta. Um rapaz uniformizado fala sorrindo: _ Boa noite, senhor. Trouxe mais champagne. Mulder responde com uma cara de poucos amigos: _ Por favor, avise o gerente que se eu precisar de alguma coisa, eu peço. Só então o rapaz percebe a inconveniência da sua presença. _ Sim, senhor. Desculpe incomodá-lo, senhor. Mulder fecha a porta e olha para Scully. Ela está ajoelhada no tapete, de costas para a porta, examinando os comandos da aparelhagem de som. _ Mais champagne, Scully? _ Não, obrigada – ela responde sem olhar pra ele, atenta aos botões do aparelho. Mulder ajoelha-se atrás dela. _ Não vai fazer uma autópsia nele, vai? _ Estou vendo se está " vivo". Queria ouvir uma musiquinha pra relaxar. Coloquei um CD, mas não está tocando. Mulder apaga a luz e acende o interruptor do abajur. _ Pra relaxar essa luz é melhor. Mulder se aproxima por trás, estende sus braços na direção dos botões do aparelho encostando-se ao corpo de Scully que também está com o braço esticado apertando os botões do painel. O contato morno e agradável faz os dois estremecerem ligeiramente, chegando mais perto um do outro, com Mulder avançando e Scully recuando o corpo. As tentativas de ligar o som são infrutíferas. Mulder põe a outra mão na cintura de Scully e chega seu braço ainda mais perto tentando ligar o aparelho, roçando a lateral do seio dela. Ela fecha os olhos, respirando baixo e encosta as costas no peito dele. O perfume e a pele macia dela, os braços, os ombros, o pescoço tão perto dele o enlouquecem. Ele suspira e sussurra no ouvido dela: _ Tá ouvindo lá fora o barulho das ondas do mar? _ Aham ... – ela geme. _ Pode ser essa a nossa música esta noite? Ele encosta os lábios no pescoço dela que inclina a cabeça para trás de olhos fechados. Ele pega as usas mãos e segura fortemente. Ela respira profundamente, está sentindo coisas demais. Abaixa a cabeça enquanto ambos mal conseguem se conter. Ele morde sua nuca suavemente e agarra-a pela cintura. Ela se vira encontrando-o com olhos cheios de desejo colando seu corpo ao dela. Com uma das mãos ele a segura fortemente enquanto a outra sobe passando por seu seio e pescoço até o seu rosto. Sente os cabelos ruivos entre seus dedos. Ela se entrega. Ele a vê com os lábios entreabertos ansiando pela boca dele e não se contém mais; avança sugando sua boca, sua língua. Eles trocam o beijo que sempre desejaram. Scully segura a nuca de Mulder; prende-se aos cabelos dele; arranha suas costas por cima da camisa. Ele se arrepia todo. Enquanto a beija, Mulder desliza as mãos pelo corpo dela, sente seus seios rijos, sua cintura encaixada perfeitamente em suas mãos másculas. Scully geme alto, está desesperada por ele, começa a abrir-lhe a camisa e a beijar cada pedaço do peito dele que vai se revelando com os botões abertos. Ele desce o zíper do vestido e acaricia suas costas retirando o vestido completamente. Ela abre a calça dele e começa a retirá-la. Ele olha para o corpo quase nú de Scully e a deita sobre a almofada no tapete, quase não acreditando que aquele momento enfim chegara. Consumido pelo desejo, ele avança sobre ela, acariciando-a sensualmente, beijando e lambendo aquele corpo com o qual sempre sonhara. Ele contorna o mamilo dela com a língua e depois encaixa seus lábios na auréola dos seios dela sugando-os avidamente. Scully se contorce no tapete, grita de prazer pedindo para sentí-lo dentro de si. Ele desce beijando seu corpo; passa a língua em volta do umbigo dela; morde suavemente seu ventre, suas coxas, e começa a retirar sua última peça de lingerie. Ela o agarra com força, quer envolvê-lo completamente, morde os ombros dele. Beija-o apaixonada. Ele afasta suavemente as pernas dela, que já estavam entreabertas, segura-a pelos quadris e eles se encaixam num movimento sensual. Tornam- se um, numa fusão, gemendo de felicidade. Scully aperta as nádegas de Mulder contra seu corpo desejando-o cada vez mais. Eles respiram ofegantes. Cada movimento revelando anos de puro desejo reprimido. Eles sussurram "Eu te amo" no ouvido um do outro. Mulder ergue o corpo de sua amada possuindo-o de forma ainda mais intensa. Eles aumentam o ritmo delirando de prazer. Scully sente o homem que ama gozar dentro de seu corpo e entra em êxtase, completamente fora de si. (...) Eles se abraçam, envolvidos na emoção, na glória de fazer amor, acalmando lentamente sua respiração. Lá fora, fogos distantes comemoram uma vida nova. Naquele tapete branco como as nuvens do céu, um amor antigo se concretizara cumprindo uma profecia, um sonho dourado eternamente revivido. FIM