FAN FICTION AUTORA: Sandra E-MAIL: sandrascaffide@yahoo.com.br ou sanrescaff@ig.com.br DISCLAIMER: Não tenho nenhum poder sobre estes personagens, seja comercial, de criação ou divulgação, portanto, não pretendo lucrar em cima desta estória. Minha intenção é, tão somente, entreter as pessoas que a lerem e mostrar um lado mais cotidiano dos personagens. CLASSIFICAÇÃO: Shipper, com certeza! SINOPSE: O que aconteceu com Mulder e Scully depois daquele beijo de "Existence". AGRADECIMENTOS: Agradeço a Selma (Sky) por me incentivar a escrever, numa mensagem muito legal em resposta ao feedback que eu lhe mandei sobre sua maravilhosa fic "Intolerância" e, claro, a minha amiguinha Mizinha que, mesmo sem saber, me fez ter vontade de escrever, ao permitir que eu lesse sua fic tão terna "Just a Summer Day". Mi, você me mostrou que para escrever uma fic, não é preciso bolar estórias complexas, incluir MOTWs e conhecer a fundo todos os episódios de AX, mas sim, ter sensibilidade e amar aqueles personagens que já fazem parte da nossa vida: Mulder e Scully. COMENTÁRIOS: Esta é uma fic sem pretensões. Nem mesmo a de agradar. Relata como eu, particularmente, gostaria que fosse o 1° episódio da 9ª temporada e que, claro, nunca vai acontecer. É apenas fruto da imaginação fértil de uma fã de AX que, até há bem pouco tempo, não sabia nem o que era ser shipper. É engraçado quando se gosta de um seriado, e lá no pequeno mundo do seu quarto, você fica imaginando cenas, situações, enredos, outros desfechos, romance onde não existe, etc, achando que é a única, ou que, no máximo, pode haver mais uns poucos sonhadores fechados em seus mundos, pensando a mesma coisa, mas que jamais ousariam expor suas idéias publicamente. De repente, você descobre um universo de pessoas com a mesma imaginação, pensamentos semelhantes e vontade idêntica. Pessoas que torcem por algo mais do que as histórias, algo além do que os autores e produtores do seriado quiseram mostrar: uma vida... Agora eu sei que pertenço a essa "raça" de seres humanos que enxergam muito além dos olhos, mas através do coração: os shippers. OBS.: Pessoal, não sei se vocês vão gostar desta estória, mesmo porque, cada fã de AX deve ter imaginado uma continuação para aquela última cena da 8ª temporada, porém, espero que me mandem feedbacks, inclusive, com suas idéias do que aconteceu depois... Para dar mais veracidade à minha estória, me utilizei de algumas poucas citações de trechos de episódios anteriores do AX. Resolvi também homenagear George Harrison (Beatles Fo-re- ver!!!). WE GET A LIFE... (NÓS TEMOS UMA VIDA...) 2001 – Washington, D.C. Apartamento de Scully – 9:00 PM (...Mulder está me beijando!!! Como eu esperei por isso: eu, Mulder, Willian, juntos finalmente! Neste exato momento, talvez fosse melhor que Willian estivesse no berço... então, Mulder colocaria seus braços fortes em torno da minha cintura e me envolveria, enquanto minhas mãos passariam por sua nuca indo aconchegar-se em seus cabelos macios... Não, não, esse momento é dos três, então tem que ser compartilhado por Willian também. Não tenho do que reclamar, é um beijo terno como nunca, nenhum homem, jamais me deu. MULDER. Gostaria de poder chamá-lo de Fox, ficaria mais íntimo,mas ele já me disse, há muito tempo atrás, que nem seus pais o chamavam assim. A verdade é que eu o amo, não posso negar...) (...Estou beijando Scully! Eu deveria dizer Dana, afinal, já somos íntimos o suficiente pra isso. É o costume, são tantos anos chamando-a de Scully! Também, periga ela me chamar de Fox, e eu não gosto do meu nome, já disse isso a ela. Talvez seja melhor continuarmos sendo apenas Mulder e Scully. Nosso filho esta presenciando esse meu ato de coragem. É coragem mesmo, porque sou tímido e não sou dado a esses lampejos românticos. Mas ela estava tão linda quando veio em minha direção com o bebê nos braços... Aliás, Willian, você esta sendo um porto seguro pra mim, nesse momento. Eu tenho certeza que ainda não conseguiria tomá-la nos braços e dar-lhe um beijo abrasador! Apesar de querer muito... mas, eu ainda chego lá! A verdade é que eu a amo, não posso negar...) Viajando nesses pensamentos, Mulder e Scully sentiam como se seus corpos estivessem flutuando... Para eles, parecia um sonho que jamais pudessem realizar: ambos com o filho nos braços, prova definitiva de seu amor, e um beijo doce enlaçando esse sentimento. Mulder foi o primeiro a despertar desse devaneio... Abriu os olhos, afastou um pouco o rosto, o suficiente para o ver o de Scully e, sem dizer palavra, sorriu. Um sorriso maroto como só ele sabia dar. Scully também estava sorrindo, mas seus olhos permaneciam fechados, como se não quisesse acordar de um sonho bom. Foi Mulder quem a retirou desse estado de torpor, dizendo, malicioso: - Scully! Eu não sabia que eu era tão bom assim! Por um breve momento, ela o fitou como se não o estivesse vendo e, quando se deu por conta do que havia acontecido, corou. Um calor insuportável e revelador subiu-lhe às faces e, pra disfarçar o seu constrangimento, como se ao vê-la assim Mulder pudesse decifrar os segredos de toda a sua vida, tomou-lhe o filho dos braços e o levou em direção ao berço, sem tecer comentário algum. Aquilo tudo era muito novo para ela! Com certeza, para ele também, mas Mulder, apesar de tímido, era mais safo. Ela era desembaraçada para os assuntos do F.B.I. e para as ciências, mas em se tratando de sentimentos... Nunca havia sido totalmente desinibida em relação aos homens. Talvez porque tivesse feito do trabalho a sua principal razão de viver e, depois de ter tomado conhecimento de sua esterilidade, quem sabe, a única. Mas agora tudo havia mudado! Ela tinha um filho, e quem lhe proporcionara a realização desse sonho que, há muito, ela havia reprimido, era seu parceiro de 8 anos de trabalho árduo e ininterrupto; um agente do F.B.I., cujo delírio ela deveria desmascarar perante seus superiores, provando cientificamente ser ele possuidor de idéias infundadas e atos insensatos; seu companheiro de todas as horas que, apesar das atitudes e pensamentos tão opostos aos seus, ela aprendera a amar com tanta paixão. Nesses poucos instantes em que ela caminhava e pensava, Willian que, alheio à tensão da mãe, dormia o sono dos justos, despertou, e se pôs a chorar, pedindo peito. Aquele silêncio constrangedor fôra quebrado... Scully virou-se para Mulder e, sem olhá-lo diretamente nos olhos, disse: - Willian está com fome. Desculpe-me, Mulder, mas agora não posso mais dar atenção à você, tenho que dar de mamar à ele. Mulder, distante há apenas alguns passos, ainda sorria. Por um lado, por se sentir feliz com o que acabara de acontecer entre eles. Por outro lado, porque todo aquele constrangimento de Scully não deixava de ser engraçado para ele que a conhecia tão bem. Ela era sempre tão segura em tudo o que fazia e porque mantinha constantemente uma postura firme e confiante, era, no mínimo, estranho vê-la assim de tal modo, como se ainda fosse uma adolescente cheia de vergonhas e medos. - Mulder, está me ouvindo? Foi então que Scully ouviu a pergunta que jamais poderia esperar, após a sua declarada cena de recato... - Posso ver, Scully? - Ver? - Você dar de mamar ao Willian. Scully ficou perplexa e muda. Ao mesmo tempo que, com certeza, ficaria novamente sem jeito, como poderia negar esse prazer ao pai de seu filho? Teria que deixar, à todo custo, seus pudores de lado, para satisfazer o justo desejo do homem que amava. Que pai de primeira viagem não iria querer sentir essa emoção de ver a mãe alimentando seu filho? Agora que já voltava à sua cor normal, sentiu seu rosto ruborizar outra vez... Scully apenas assentiu com a cabeça e foi aconchegar-se nos travesseiros sobre a cama, não antes que Mulder, num gesto rápido e inesperado, viesse ajudá-la a ficar mais confortável. Ele sentou-se ao seu lado e pôs-se a observar o pequeno Willian a sugar o leite morno dos seios fartos de Scully. Por um momento, ficou com inveja do rebento. Queria estar em seu lugar! Mas, logo afastou tais pensamentos mundanos da mente, afinal, eram um verdadeiro sacrilégio num momento tão puro e sublime como aquele. Ele se deixaria ficar olhando aquela cena eternamente, porém, Willian adormeceu novamente e Scully o levou finalmente ao berço. Depois, virou-se para Mulder e deu um sorriso que traduzia uma completa falta de palavras. Ele retribui-lhe o sorriso e percebeu que era hora de ir embora, apesar de desejar o contrário. Scully parecia cansada e ficara muito pouco à vontade aquela noite. Era melhor deixar os calores dos acontecimentos esfriarem, pra depois voltar à carga. Ele a amava e sabia que ela o amava também, mas era preciso ir aos poucos, um passo de cada vez, até fazer eclodir a mulher apaixonada e impetuosa que, com certeza, havia dentro dela. Aqueles cabelos de fogo não poderiam esconder pessoa tão recatada! Divagando nesse pensamento, Mulder olhou para Scully e disse: - Bem, eu já vou indo, não quero mais atrapalhar você. Creio que está exausta com tudo o que passou, Scully. - Você não me atrapalha, Mulder, mas realmente tem razão. Estou um pouco cansada e meus músculos ainda doem por causa da tensão que passei durante o parto de Willian. Realmente, o semblante de Scully não negava o que ela havia passado na noite em que o menino nascera. Mulder se despediu dando-lhe um beijo amistoso no rosto, e saiu apressado. Washington, D.C. Apartamento de Mulder – meia noite Ele entrou, bateu a porta e, como era de costume, estirou-se no sofá, atirando longe os sapatos. Pegou o controle remoto que estava no chão ao seu lado, e ligou a TV para ver as últimas informações. Não conseguia prestar atenção no noticiário. Pensava nos mais recentes acontecimentos de sua vida: sua abdução e quase morte (o fato de ter sido enterrado vivo, causava-lhe arrepios!), a gravidez inesperada de Scully, sua saída do F.B.I., a entrega dos arquivos X, todo o trabalho de uma vida, nas mãos do agente Doggett, o nascimento tumultuado de Willian e seu desespero para encontrá-lo e à Scully, em Democrat Hot Springs, cidadezinha abandonada, lá no fim da Geórgia e, finalmente, aquele beijo que deixara Scully tão perturbada... Acabou adormecendo com um leve sorriso no rosto. Durante a madrugada teve pesadelos. Neles, procurava por Scully que, nesse momento, paria seu filho em local desconhecido. Por mais que a procurasse, não a encontrava, e uma extrema aflição ia tomando conta de todo o seu ser. Depois de horas de buscas infrutíferas, acabava achando Scully sozinha e em prantos, pois o bebê havia sido levado por alienígenas... Mulder acordou com a boca seca. Olhou para o lado, procurando o relógio. Ainda era madrugada. Todo o seu corpo estava molhado de suor. Levantou-se, foi até a cozinha, abriu a geladeira e bebeu uns goles de água gelada direto da garrafa. Depois, tomou uma ducha refrescante e foi se deitar na cama. Já nem sabia mais como ela era, tantas as vezes que adormecera naquele sofá! Porém, não pregou mais os olhos. Ficara pensando, tentando imaginar o porquê daquele pesadelo. Já passara por tanta aventura, vira tantas coisas bizarras, enfrentara monstros, extraterrestres, vírus alienígenas, assassinos, homens que se transformavam em seres que eram tudo, menos humanos, e nunca, nada o fizera ter pesadelos assim! Talvez fosse o medo de perder seu filho para aqueles mesmos seres que tanto combatera. Mulder queria, nesse momento, estar junto de Scully e de Willian. Eles se amavam e todo casal que se ama deve ficar junto, criando seu filho em paz! Ele tinha que resolver logo essa situação. Precisava arranjar uma nova ocupação e ir morar com eles. Porém, primeiro tinha que ultrapassar a delicada barreira que se formara entre ele e a mulher de sua vida. Washington, D.C. Apartamento de Scully – 11:00 PM Assim que Mulder saiu, Scully entregou-se a um banho relaxante e, em seguida, foi dormir. Tentara não pensar mais no beijo daquela noite que, apesar de tão esperado, a deixara extremamente constrangida. Durante a madrugada também teve pesadelos horríveis com Willian. Ele era raptado por seres alienígenas que o levavam para a sua nave. Quando, finalmente, ela o encontrava, o bebê estava nos braços de Mulder, mas antes mesmo que pudesse sentir alívio, ao se aproximar, ambos se transformavam em seres verdes horripilantes com olhos esbugalhados e cabeça descomunal. Ela, em seu desespero, soltava um grito alucinante... Scully acordou de sobressalto. Seu próprio grito a fizera despertar. O suor escorria por todo o seu rosto, descendo pelo pescoço e indo alojar-se entre os seus seios. A respiração estava ofegante como se tivesse acabado de subir 10 andares pela escada. Depois de alguns minutos, quando se refez do susto, resolver tomar outra ducha. Abaixou a cabeça e deixou a água morna cair sobre a nuca. O líquido tépido e cristalino escorria por todo o seu corpo. Ela observava seu físico e pensava: (...estou um pouco fora de forma, depois do parto. Preciso me cuidar, imediatamente! Se o que estou pensando vier a acontecer, não quero que Mulder me veja assim...) Após o banho, deu uma espiada em Willian, que dormia feito anjo, voltou para a cama e conseguiu dormir pelo resto da noite, levantando somente para alimentar o bebê. Não fôra mais importunada por sonhos ruins. Tanto Scully, quanto Mulder, haviam tido pesadelos com o filho aquela noite. Ambos ainda temiam pelo menino. Quem poderia garantir que ele nunca seria levado de seus pais. Mulder pensava nos testes medonhos aos quais fora submetido e Scully lembrava da dor da perda de Mulder. Não queriam passar por tudo aquilo de novo. Willian tinha que ser muito mais protegido do que qualquer outra criança. Annapolis – Maryland Distrito Policial de Annapolis – uma semana depois - 9:00 AM - Então, Sr. Fox Mulder, o senhor trabalhou no F.B.I. por 8 anos, resolvendo uns tais de arquivos X... - Sim, senhor, uns tais de arquivos X. - E o que são esses arquivos X? - São casos inexplicáveis, muitas vezes dados como insolúveis pelo Bureau. - Se eram insolúveis, porque acabavam indo parar em suas mãos? - Era justamente esse o meu trabalho, senhor, tentar solucioná-los mesmo contra todas as expectativas e com pouquíssimas provas. - Aham, sei... e porque saiu do F.B.I., Sr. Mulder? - Porque eles quiseram transformar os arquivos X em arquivos Y, e eu não gostei... - Como? - Desculpe-me, senhor, estou brincando. O fato é que tive que me afastar por problemas alheios à minha vontade e, quando voltei, não havia mais clima pra mim. - Entendo. E agora está querendo ser investigador aqui em Annapolis. - Bem, se o senhor me aceitar... - Seja bem vindo à nossa corporação, Sr. Mulder. Pedirei à um de nossos policiais que lhe mostre a sua sala. - Obrigado, senhor. O comissário Jones chamou um de seus subordinados e ordenou que ele levasse Mulder à sua sala de trabalho. Depois, olhou para o novo colaborador, que já caminhava em direção à porta, e falou: - Espero que se sinta em casa aqui, Fox. Posso chamá-lo assim? - Mulder, pode me chamar de Mulder, senhor. E retirou-se sem dizer mais nenhuma palavra... Distrito Policial de Annapolis – um mês depois Mulder estava triste. Já trabalhava há um mês na corporação e não conseguia se acostumar. Resolvia ocorrências banais, pequenos furtos, desavenças conjugais, brigas de rua, etc, casos que não faziam jus à sua experiência no F.B.I. Sentia falta dos arquivos X. Como pudera chegar a esse patamar em que se encontrava? Jamais poderia imaginar que um dia estaria longe dos casos bizarros, dos homenzinhos verdes, das atividades paranormais, da verdade... Ela ainda estava lá fora e ele, de certa forma, fôra impedido de buscá-la. A única coisa que ainda o fazia ter ânimo de se por em pé todas as manhãs, eram Scully e Willian. Ele precisava de uma ocupação que proporcionasse, não só o seu sustento, como pudesse auxiliar na criação do menino. Ele sentia muita saudade de ambos pois, durante a semana, era obrigado a morar em Annapolis e só retornava à Washington no sábado. Passava o fim de semana com os dois e, no domingo à noite, voltava para o seu martírio. Aliás, nesse mês, a convivência com Scully ficara cada vez mais tranqüila e a intimidade parecia estar aumentando a cada encontro. Mulder não via a hora em que pudesse fazer amor com Scully. Da primeira vez, havia sido meio estranho, atípico. Havia acontecido no calor daquele momento e por razões de extrema solidão de ambos. Estavam em Bellefleur, Oregon, investigando novas abduções acontecidas naquela região, a pedido de Billy Miles, xerife do local. Por volta das 20h00, Scully batera na porta de seu quarto de motel, e estava lívida. Ela não se sentia bem. Olhando-a assim, ele lembrara, imediatamente, a emoção da parceira ao segurar em seu colo, naquele mesmo dia, o bebê de Teresa Nemman (esposa de um policial desaparecido em Bellefleur). Scully acabara de sentir uma tontura e Mulder ficara muito assustado com seu estado. Ele a fizera deitar em sua cama e a abraçara, carinhoso, sob as cobertas. E então, entre algumas palavras balbuciadas, e um olhar profundamente azul, que o hipnotizara quando ela se virou para ele, e o fitou....aconteceu! Depois daquela noite, eles não haviam tocado mais no assunto e nem mesmo se preocuparam com as conseqüências que seus atos poderiam trazer. De manhã, quando Mulder acordara, Scully já não estava mais lá. Provavelmente, ela madrugara e, para evitar maiores constrangimentos, saíra na penumbra. Durante o dia inteiro, cuidaram do caso em Bellefleur e retornaram a Washington, sem deixar que o acontecido mudasse alguma coisa na rotina de suas vidas. Dois dias depois, Mulder havia sido raptado por extraterrestres e desaparecera. Ele nunca pudera imaginar que o entusiasmo de uma noite, mais de sexo e amizade do que de amor, pudesse culminar no nascimento de Willian. Na verdade, apesar de hoje envergonhado por seus pensamentos irracionais, na época pensara que o filho poderia ser de outro homem que passara pela vida de Scully, enquanto ele estivera na nave alienígena, alvo de testes macabros. Pensara em traição, sim! Mas sabia que não tinha esse direito, pois nunca declarara seu amor à Scully. Não havia compromisso algum entre eles, portanto, ela não devia nada a ele, muito menos esperar por um homem que, àquela altura, já poderia estar morto... Na primeira vez que vira sua barriga saliente, fôra frio com Scully, acreditando que ali estava a realização de um sonho só dela. Depois, caíra na realidade e percebera que, mesmo sem grandes expectativas de voltar a vê-lo, ela esperara por ele. Afinal, o F.B.I. arranjara-lhe um parceiro "boa pinta", e ele sabia que Doggett também se apaixonara por ela. Quem não o faria? Scully era uma mulher excepcional! Do alto de seu um metro e poucos de altura, ela era uma mulher forte, decidida, corajosa, eficiente e bonita, extremamente bonita, com aqueles seus olhos azuis penetrantes e impressionantes cabelos de fogo. Mas, contudo, ela se mantivera afastada das tentações da carne e dos olhares apaixonados de Doggett, e se preocupara tão somente com sua gestação, enquanto aguardava ansiosa, por alguma notícia de Mulder. Bastava para ela essa espera e o receio da hora do parto, afinal, ela era estéril até então. Como pudera engravidar? Apesar daquela noite com ele, esse filho seria humano, ou poderia ser conseqüência das experiências pelas quais ela havia passado tempos atrás? Eram conjecturas, mas também um medo muito grande dela vir a dar à luz à um híbrido-humano ou coisa parecida! Washington, D.C. Sede do F.B.I. – Gabinete do diretor-assistente Skinner - 8h05 AM Os agentes Doggett e Reyes chegam à ante-sala do gabinete de Skinner e falam com a secretária: - Bom dia! O diretor-assistente Skinner mandou-nos chamar. - Bom dia, agentes Doggett e Reyes. Sim, porém, ele não está aqui no momento, mas deve retornar em instantes. Ele pediu que vocês o aguardassem em sua sala. Eles entram no gabinete. Alguns minutos depois, Skinner chega e também entra. Doggett e Reyes estão sentados em frente à sua mesa. - Bom dia, senhores. - Bom dia, senhor. O sr, mandou chamar a mim e à agente Reyes? - Sim. Tenho algo muito importante a comunicar. - E o que é senhor? - Eu quis que você e a agente Reyes fossem os primeiros a saber porque envolve os arquivos X. - Os arquivos X, senhor? - É, agente Reyes, os arquivos X estão em perigo novamente. - Mas porque, senhor? - Porque acabo de saber que, devido à investigação iniciada pelo agente Doggett, o diretor Kersh foi afastado de seu posto esta manhã e... - Mas, senhor, a presença do diretor Kersh é que ameaçava a continuidade dos arquivos X! Além de que eu não poderia deixar que a verdade acabasse ficando escondida atrás da autoridade dele! - Eu sei, agente Doggett, mas não sabemos quem vai vir para ocupar o lugar dele, e esse novo diretor pode fechar definitivamente os arquivos, principalmente depois de ler os antigos relatórios de Mulder e Scully. Ele pode não compreender tudo aquilo, vocês sabem... - Entendo. Quando saberemos quem vai ser o novo diretor, senhor? - Ainda não sei. Assim que eu for informado, vocês saberão. E então, os agentes saem da sala de Skinner, deixando-o a coçar o queixo, pensativo: (...os últimos acontecimentos acabaram afastando o diretor Kersh: a transformação de Billy Miles em um super-soldado, sem qualquer explicação científica; o desaparecimento misterioso de Knowle, que dizia pertencer ao setor de operações especiais do exército, e do agente Crane também; a perseguição ao bebê de Scully; até o fato de Mulder ter se utilizado de seu nome em Ellicot, para conseguir encontrar o agente Doggett, prejudicou- o, pois fez com que aquele Stites o acusasse de estar fazendo denúncias sem fundamento a seu respeito, antes que soubéssemos que ele era um animal assassino... tanta coisa que Kersh não compreendeu e, nem mesmo nós conseguimos entender, culminou em grandes suspeitas e sua posterior transferência. A investigação de Doggett pôs alguns desses fatos sobre a mesa, principalmente, por ter visto Crane e Knowle saindo de sua sala, os outros fatos vieram como consequência...) No corredor, Mônica Reyes olha para Doggett com ar inquieto, e pergunta: - John, acha que um novo diretor pode mesmo acabar com os arquivos X? - Não sei, mas, francamente, estou preocupado. No início, não estava muito interessado neles. O que me importava era cumprir a ordem que me fôra dada de encontrar o agente Mulder, à qualquer custo. Eu não tinha nenhuma simpatia pelos arquivos X, aliás, eles me eram indiferentes. Mas agora, tudo mudou. - Por que? - Porque depois que conheci os agentes Scully e Mulder, percebi o quanto os arquivos X eram importantes para eles. - Mas, que eu saiba, eles eram a razão de viver apenas do agente Mulder. A agente Scully sempre foi muito cética para compreendê-los. - Mônica, se você tivesse trabalhado diretamente com Scully, como eu, saberia que ela não pensa mais assim há muito tempo. Ela sempre dizia pra mim: Open minded, agent Doggett, open minded! (mente aberta, agente Doggett, mente aberta!). E Doggett e Reyes dirigiram-se para a salinha acanhada dos arquivos X, que já fôra, há 8 anos atrás, quase que um lar para Mulder e Scully. Washington, D.C. Sede do F.B.I. – sala de reuniões especiais – uma semana depois – 8:10 AM - Senhores! Senhores! Um minuto de silêncio, por favor! Skinner se atrasara, devido a um telefonema de última hora que tivera que atender, mas como essa reunião havia sido convocada por ele mesmo, porque não poderia iniciá-la 10 minutos mais tarde?! Ele estava acompanhado por mais três senhores muito bem trajados e parecendo gente importante. - Desculpem-me pelo atraso, senhores. Eu convoquei esta reunião de emergência, porque o novo diretor do F.B.I. já foi escolhido. Nesse instante, iniciou-se um burburinho entre os agentes que só foi silenciado quando Skinner, visivelmente nervoso, subiu o tom de voz, provocando uma ensurdecedora microfonia. Doggett e Reyes, que estavam na primeira fila de cadeiras, apenas se entreolharam, preocupados. Skinner respirou fundo... Algumas gotas de suor escorriam-lhe pela calva. Ajeitou o microfone, pigarreou três vezes e voltou a falar: - Senhores agentes especiais, eu quero lhes informar que "eu" fui o escolhido para substituir o diretor Kersh – e, virando-se para dois dos senhores que o acompanhavam, concluiu – e faço gosto em aceitar o cargo com muita honra... Skinner não conseguiu dizer mais nada nos próximos cinco minutos. Logo após as suas últimas palavras, seguiu-se uma seqüência de "vivas", aplausos e assobios que acabaram tumultuando a reunião. Porém, ele não impediu as manifestações de alegria, pois ele também estava feliz. Se estivesse sozinho e seu alto posto lhe permitisse, ele daria pulos de contentamento. Doggett e Reyes apenas sorriram e, finalmente, respiraram aliviados. Ufa! Agora os arquivos X estavam salvos! Quando conseguiu falar novamente, Skinner apresentou o terceiro homem que estava ao seu lado: - Este, senhores, é o novo diretor-assistente, Sr. G. Harrison, de Ohio. Alguns minutos depois, o novo diretor conversava animadamente com os três senhores. Havia dispensado os agentes, após ter dito mais algumas palavras ao recém-chegado, pois não havia mais condições de continuar a reunião, tamanha era a euforia que tomara conta do ambiente. Por outro lado, já havia dito o mais importante, além de que, não poderia falar mais nada, estava emocionado demais para isso. O cargo a que fôra designado tinha sido seu sonho, tudo pelo qual lutara e trabalhara duro, desde que se tornara diretor-assistente. Só não imaginava que viria tão cedo, afinal, o próprio Kersh havia adiado seu sonho quando assumiu o lugar. Achava que ainda demoraria alguns anos até que pudesse assumir esse posto. Mas, agora era dele! A maioria das pessoas já haviam deixado o local. Skinner olhou, por um momento, em direção à porta, e viu quando Doggett e Reyes iam quase saindo da sala. Rapidamente, pediu licença aos três senhores com quem conversava, e correu em direção aos agentes, chamando-os para uma outra reunião em seu novo gabinete, em 15 minutos. Gabinete do diretor Skinner – quinze minutos depois Walter Skinner não escondeu a alegria e a satisfação de ter conquistado o direito de usar aquela sala. Quando abriu a porta, olhou em toda a volta e sentiu orgulho de si mesmo. Os agentes Doggett e Reyes já estavam sentados, aguardando-o. Antes mesmo que ele pudesse dizer alguma coisa, ambos ficaram de pé e o parabenizaram. Skinner agradeceu e pediu que eles se sentassem novamente. Virou em direção à enorme janela que ficava atrás da mesa, afastou duas lâminas da persiana e espiou por uns momentos. Depois, olhou para ambos, sentou-se e começou a falar: - Quando vim trabalhar no Bureau como diretor-assistente, nunca havia me preocupado com os arquivos X, até conhecer o agente Mulder. Lembro-me que a primeira vez que trabalhei diretamente com ele, um monstro comedor de fígados humanos, chamado Eugene Tooms, tinha acabado de sair do local em que estava recluso para tratamento, por bom comportamento. Mulder conseguiu me convencer de que ele deveria ser vigiado, pois disse que voltaria a matar. Apesar de permitir que o vigiasse, não dei muito crédito a ele. Mas ele estava certo, Eugene matou exatamente aquele que o havia libertado. Por sua sorte e competência, Mulder acabou conseguindo eliminá-lo. Confesso a vocês que ele, com seu jeito maluco e obstinado, aos poucos me ensinou a dar valor aos arquivos X... Doggett olhou para Reyes sem compreender nada. Por que Skinner estaria dizendo tudo aquilo pra eles? Parecendo adivinhar seu pensamento, o novo diretor virou para o agente e explicou: - Tomei uma decisão, vou chamar o Mulder de volta. Isto é, se ele quiser retornar ao F.B.I. e aos arquivos X. O que vocês acham? - Eu acho maravilhoso! – disse Reyes. - E você, agente Doggett? Ele pensou por alguns segundos e, então, respondeu: - Eu creio que é uma ótima idéia, senhor. Mas, o senhor pretende transferir a mim ou à agente Reyes? - Não. Vocês irão trabalhar todos juntos e, no retorno da licença da agente Scully, serão quatro. Vocês mesmos saberão o que cada um deverá fazer, as duplas que vão formar e, até mesmo, se os quatro deverão resolver o mesmo caso, desde que, claro, sejam ponderados nas despesas e viagens. Não haverá chefe, haverão apenas bons companheiros. Os arquivos X precisam da experiência de cada um de vocês e, enquanto eu estiver na direção, eles terão todo o valor que merecem. Não ficarão mais no submundo do F.B.I. Pedirei que arranjem uma sala maior e arejada pra vocês. Os agentes sentados à sua frente estavam felizes com aquela decisão, mas Doggett ainda tinha uma dúvida: - Senhor, e o novo diretor-assistente, o que pensa disso tudo? - Bem, aí está outra boa notícia pra vocês. O Sr. G. Harrison, enquanto agente em Ohio, trabalhou com vários desses casos sem explicação. Dedicou-se com afinco na solução de inúmeros mistérios, com resultados fantásticos. Ele dará o maior apoio pra vocês e total liberdade de ação, desde que não ultrapassem os limites do bom senso. Particularmente, ele me confessou estar muito mais ansioso pra tomar conhecimento dos arquivos X do que de qualquer outro caso do Bureau. - Ótimo, senhor. Ficamos aguardando uma comunicação sua à respeito do retorno do agente Mulder. - Ok. Vocês estão dispensados. Amanhã mesmo já poderão ocupar o novo local. Ainda hoje serão informados sobre o andar e o número da sala. E assim, os agentes se despedem com um aceno de cabeça e um sorriso, saindo satisfeitos do gabinete do novo diretor. Washington, D.C. Apartamento de Scully – domingo – 6:00 PM – quinze dias depois O fim de semana já estava quase acabando. No dia anterior, Mulder e Scully haviam levado Willian pra conhecer o campo. Tinha sido um sábado maravilhoso! O sol estivera quente, mas não causticante. Durante a manhã, Scully deixara o menino aproveitar um pouco os raios inofensivos, porém, à tarde, protegera a criança sob uma árvore frondosa. O casal estava feliz como nunca! Mulder contara várias piadas e falara um pouco do seu dia-a-dia em Annapolis. Os casos de pendengas conjugais quase sempre eram hilários. Scully ria muito com ele. Nunca negara que ele tinha um excelente senso de humor, algumas vezes sarcástico, é bem verdade, mas que, geralmente, fazia dele um cara muito engraçado. Eles haviam se divertido demais durante o dia e, à noite, estavam exaustos. Mulder levou Scully e Willian para casa e se despediu, ainda na porta. Scully sentira uma certa decepção por ele não ter entrado. Pusera o bebê, que já havia pego no sono há muito tempo, em seu berço, e fôra tomar uma ducha. Durante o banho, pensara em tudo o que estava acontecendo entre eles, desde aquele beijo. Mulder nunca mais tocara no assunto e nem tão pouco a beijara novamente. Ela sentia que, com suas atitudes naquele dia, havia afastado qualquer possibilidade deles virem a ficar juntos. Ele a tratava super bem, com carinho e consideração, mas era só isso. Era um ótimo pai para Willian, porém, Scully acreditava que ele nunca seria um marido para ela. Talvez ela tivesse que fazer alguma coisa à respeito! Pensando assim, enxugou umas lágrimas que escorriam pelo seu rosto, terminou o banho e foi se deitar, pensando em Mulder... Em seu apartamento, Mulder também pensava nela. Durante todo esse tempo que estava trabalhando em Annapolis, não havia um só dia que não quisesse tomar Scully em seus braços e beijá-la. Depois, pensava, a levaria pra cama, e fariam amor como nunca antes haviam feito com ninguém. Porém, faltava-lhe coragem. Scully, apesar de ser uma mulher forte, às vezes, parecia frágil, e ele tinha receio de magoá-la. Ele deveria esperar a hora certa. Mas, quando seria essa hora? Será que ele saberia quando ela chegasse? E assim, Mulder adormeceu no velho sofá, pensando em Scully... No domingo, de manhã, fôra apanhar os dois para um piquenique no parque. Escolhera um lugar lindo, cheio de flores, com um lago repleto de peixes e muitas crianças brincando. Mulder quis dar umas aulas de pesca para Scully, mas foi ele que acabou aprendendo muita coisa da arte com ela, afinal, seu pai havia sido da Marinha e ela, praticamente, crescera vendo e conhecendo o mar. Havia sido mais um dia super divertido e, à tardezinha, Mulder levou-os para casa. Quando estava prestes à se despedir na porta outra vez, Scully, surpreendentemente, o convidou a entrar e tomar um drinque com ela. Eram 18h00. Ele entrou e disse que prepararia os aperitivos, enquanto ela levasse o bebê para o quarto. Havia se passado 15 minutos. As bebidas estavam prontas e Mulder, impaciente, notou que Scully estava demorando demais para quem havia apenas ido colocar Willian pra dormir. Já ia chamar por ela, quando, de repente, olhou em direção ao quarto e a viu, deslumbrante, numa camisola um tanto quanto ousada para os padrões recatados que ele acostumara a vê-la se trajar. Ela veio caminhando em sua direção, e mais parecia uma deusa com suas vestes esvoaçantes! Quando se aproximou, Mulder notou que seu rosto estava mais belo do que nunca, e seus olhos brilhavam feito diamantes. Ele ficou ali plantado, boquiaberto, com os dois drinques nas mãos, como se tivesse visto uma aparição! Scully encostou suavemente o dedo no queixo de Mulder e disse: - Agora você já pode fechar a boca, Mulder! - Hã? Ah! Desculpe-me, Scully, é que você está tão linda... - Obrigada. Venha, sente-se aqui no sofá. Ambos sentaram-se com seus drinques e Scully começou uma conversa amigável. Porém, Mulder não conseguia prestar a mínima atenção às palavras dela. Percebia seus lábios se mexendo, mas só conseguia pensar em beijá-los. Depois, descia os olhos para a parte de seus seios que a camisola deixava à mostra, e não conseguia mais desviá-los de lá. Scully notara a sua ousadia mas, ao invés de se cobrir, sutilmente, deixou que uma gota de bebida caísse sobre seu peito e, com extrema sensualidade, passou o dedo recolhendo o líquido, para depois sorvê-lo com sua boca carnuda. Nesse momento, Mulder não foi mais dono de seus próprios atos. Num gesto rápido, tirou o drinque de suas mãos, colocando-o junto ao dele na mesa, virou-se para ela, e só conseguiu balbuciar: - Desculpe-me, Scully, mas... E atirou-se sobre ela, beijando-lhe a boca com ímpeto e paixão avassaladora, ao que ela retribuiu com a mesma intensidade. Sua excitação era tanta, que ele tomou-a nos braços e a levou para o quarto. O que aconteceu ali, à partir daquele momento, iria ficar nos anais da história de suas vidas! Naquela noite, depois de anos de tensão sexual não resolvida, eles se amaram de todas as formas possíveis e imagináveis. Não haviam mais vergonhas ou pudores! Não existia mais falta de coragem ou escrúpulos! O que existia eram apenas um homem e uma mulher que se amavam loucamente, e que já haviam perdido muito tempo para fazer explodir essa paixão. De madrugada, suados e exaustos, entregaram-se a um banho sensual na hidro de Scully. Ambos faziam suas mãos deslizarem no corpo do outro, como quem acaricia o objeto de sua adoração. Mulder passava os dedos ternamente pelo rosto de Scully e na polpa de seus lábios entreabertos. E, então, fazia a mão escorregar com suavidade, tocando seus seios de maneira delicada, mas firme. Scully também passava as mãos pelo rosto de Mulder e as baixava até tocar os músculos rijos de seu peito. E assim, nessa volúpia de prazeres sem fim, entre o banho morno e a cama ardente, eles acabaram por adormecer, abraçados e felizes como dois adolescentes... Mulder sabia que no dia seguinte teria que ir trabalhar em Annapolis, mas nada, nem ninguém, o faria sair dali. Washington, D.C. Apartamento de Mulder - próxima sexta-feira – 10:00 AM Mulder está em seu apartamento somente para pegar algumas coisas e se mudar para o apartamento de Scully. Estava entretido em juntar apenas os seus pertences pessoais, roupas e alguns objetos de grande estima. Tralhas como a geladeira que trabalhava aos trancos, o fogão entupido por falta de uso, ou a TV que só funcionava quando ele lhe aplicava vários socos, essas coisas iriam ficar para quem alugasse aquele "pardieiro". Quem visse o lugar, não seria capaz de imaginar que ali vivia um ser humano, tamanhas eram a sujeira e a desordem. O apartamento de Scully sim, era um verdadeiro lar: era espaçoso, arejado e tinha um cheiro de família no ar. Além de tudo, ele tinha as suas melhores lembranças naquele local. Lá havia acontecido o primeiro beijo apaixonado entre eles e a primeira transa realmente importante, porque fôra com amor, e uma paixão arrebatadora que estivera reprimida em seus corações durante anos. Enquanto juntava seus bens, percebeu que alguém enfiara um envelope por baixo da porta sem sequer bater, e pensou: (...quem poderia ter colocado esse envelope aí? O porteiro não pode ser, porque ele sempre bate e me entrega a correspondência quando estou em casa. Está até parecendo a época em que eu trabalhava no F.B.I....) Quando ele investigava os arquivos X, não raro, informantes como o "Garganta Profunda" e o "Sr. X", atiravam papéis secretos pelo vão da porta e sumiam, tão rápido quanto haviam aparecido! Mulder caminhou em direção do envelope com uma certa ansiedade, como nos velhos tempos. Apanhou-o e, quando leu o remetente, não acreditou: (...é do F.B.I. Será que voltei no tempo e não percebi? É do Skinner... diretor Walter Skinner?!!...) Ele lia e relia e não conseguia crer no que seus olhos viam. Skinner se tornara o novo diretor do F.B.I. e o estava chamando para uma conversa. O que poderia querer com ele? Num primeiro momento, ficou muito mais curioso do que entusiasmado, mas depois, sentiu uma pontinha de esperança de que eles estivessem precisando de uma colaboração sua ou, até mesmo, de sua participação esporádica em algum caso escabroso. (...com o Skinner como diretor, os arquivos X não estariam mais ameaçados de extinção, e eu poderia oferecer meus préstimos aos agentes Doggett e Reyes! Não, não! Eu não devo pensar dessa maneira! Tudo isso é bobagem! Provavelmente, Skinner está me chamando para me responsabilizar por algum erro cometido na época em que eu trabalhava lá...) Mulder terminou de recolher suas coisas e, ao sair, olhou para o velho sofá e pensou: (...você será o único de quem eu sentirei saudade, companheiro! Além de ter sido sempre o guardião do meu sono, foi aí que tive longas conversas com Scully e onde, muitas vezes, ela se aconchegou e adormeceu. Se eu pudesse levá-lo para o apartamento dela...) Mas, em seguida, caiu na realidade, deu um sorriso maroto e saiu, batendo a porta atrás de si. Washington,D.C. Sede do F.B.I. – ante-sala do gabinete do diretor Skinner – 9:00 AM Mulder se aproxima da secretária. Ele não a conhecia. - Bom dia, meu nome é Fox Mulder. O diretor Skinner está à minha espera. - Ah! Bom dia, Sr. Mulder. O diretor Skinner pediu que lhe avisasse que ele o está aguardando no 8° andar, sala 316. Mulder achou esquisito ele não recebê-lo em sua própria sala, mas fez um aceno afirmativo com a cabeça, agradeceu e foi em direção ao elevador. Há quanto tempo não passava por aqueles corredores do Bureau... Eram poucos meses, mas pareciam anos! Por instantes, sentiu uma ponta de saudade dos velhos tempos, mas logo caiu em si, quando ouviu o sinal sonoro do elevador que chegara ao 8° andar. Andou até a sala 316. Bateu na porta, e a voz de Skinner soou de imediato, com a certeza de quem sabe quem está ali. - Pode entrar, Mulder! - Com licença, senhor. Havia mais de uma mesa naquela sala. O diretor estava atrás de uma delas e, apontando para uma cadeira à sua frente, falou: - Sente-se. Antes de assentar-se, Mulder estendeu a mão e cumprimentou Skinner por sua promoção. Depois, acomodou-se, já visivelmente curioso com o teor da conversa. - Bem, Mulder como novo diretor do F.B.I., resolvi fazer algumas mudanças por aqui, principalmente, em relação aos arquivos X. Você sabe que, no início, eu não dava muito valor a esses casos misteriosos e insolúveis, mas, em razão da sua enorme paixão e competência e, é claro, por causa dos últimos acontecimentos que eu testemunhei, antes de você sair, eu passei a valorizá-los, dando-lhes a importância real que eles têm. Mulder não estava entendendo aonde Skinner queria chegar. Ele lhe fizera um elogio, mas agora, sabia que ele já não fazia mais parte disso tudo! Skinner olhou para ele e percebeu sua dúvida. Então, tratou de concluir: - Portanto, sem mais delongas, gostaria de convidá-lo... E antes mesmo que ele pudesse terminar a frase, Mulder pensou: (...é agora! Ele vai me pedir alguma colaboração, devido à minha experiência nos arquivos X...) - ... a fazer parte, novamente, do quadro de funcionários do F.B.I. e dos arquivos X. O que acha? Durante alguns instantes, Mulder ficou calado, olhando para Skinner. Não podia crer no que acabara de ouvir. Ele o estava convidando a retornar! Parecia um sonho: seus casos, seus homenzinhos verdes, sua verdade... tudo de volta! - Mulder, você ouviu o que eu acabei de dizer? - Hã! Sim, desculpe-me, senhor. - E então, aceita? - Ca...claro, senhor, com muita honra! Skinner sorriu, satisfeito. Rapidamente, olhou para a porta e falou em tom mais alto: - Podem entrar agora! A porta se abriu e, por ela, começaram a entrar vários agentes, antigos colegas de Mulder, fazendo a maior algazarra, encabeçados por Doggett e Reyes. Mulder olhou e não acreditava: estavam fazendo festa para ele! Até mesmo os pistoleiros solitários estavam lá! Mônica Reyes se aproximou e o abraçou, sorrindo. Em seguida, Doggett lhe estendeu a mão, e disse: - Seja bem vindo novamente aos arquivos X, buddy (companheiro). Será uma honra trabalhar com aquele que um dia confiou em mim cegamente. Mulder chegou mais perto de Dogget e cochichou: - Parabéns pela investigação que acabou afastando Kersh. Você agiu exatamente como eu agiria, e por isso estou aqui hoje. Obrigado! E abraçou o parceiro que um dia ele chegara a odiar... Doggett sorriu, fez um aceno com a cabeça e voltou pra junto de Mônica. Skinner também o cumprimentou e disse que aquela era a nova sala dos arquivos X, onde ele iria trabalhar com Doggett, Reyes e Scully, na sua volta da licença-maternidade. Mulder, novamente, não acreditou no que via. Pela primeira vez, prestava realmente atenção no local. Era uma sala grande, arejada (sim, haviam muitas janelas ali!). Tinha visto mais de uma mesa, mas agora observou que eram quatro mesas grandes e, sobre elas, computadores de última geração, telefones, headfones, blocos de anotações, apontadores elétricos, inúmeras canetas e lápis. Por um instante, Mulder olhou para o teto e pensou: (...não, não vai dar pra jogar, o pé direito desta sala é muito alto...) Atrás delas, cadeiras confortáveis e na frente, duas cadeiras para receber as pessoas. Na outra sala, se é que se podia chamá- la assim, não raro as pessoas que o procuravam tinham que ficar em pé. Ao lado das mesas, impressoras e scanners. Nas laterais da sala, vários armários-arquivo que, provavelmente, deveriam conter suas velhas pastas e os novos casos em que não havia participado. Em uma das paredes, um enorme quadro de avisos. Sobre cada mesa também, agora podia observar, placas com o nome de cada um deles. Sobre aquela em que conversara com Skinner, a placa dizia: "Agente Especial Fox Mulder", e antes ele nem havia reparado! Num canto, um pequeno armário, cujos dizeres da porta o fizeram rir: "Sementes de Girassol". E pensou: (...até disso eles lembraram! Aí deve ter um estoque pra mais de um ano!...) Sua gargalhada contagiou os outros agentes, e todos riram com ele. Nesse instante, percebeu que eles se afastaram, abrindo espaço e deixando um corredor livre entre a porta e o local em que Mulder estava. Ele virou e viu a pessoa, ou pessoas, que estavam faltando para completar a sua alegria. Caminhando entre os seus colegas, em direção a Mulder, estava Scully , sorrindo para ele, com Willian nos braços. - Você também veio! E trouxe o nosso filho! - Nós não poderíamos estar ausentes numa hora dessas! Mulder a beijou calorosamente, e os agentes começaram a assobiar e aplaudir. Ambos, um pouco envergonhados, sorriram para todos. Então, ele virou para Skinner e disse: - Agora, minha felicidade está completa. Obrigado, senhor, por essa oportunidade. Eu prometo que não vou decepcioná- lo. - Eu tenho certeza disso, agente Mulder. Você sempre buscou a verdade, e deve continuar a fazê-lo. - Eu sei. A verdade está lá fora, senhor, lá fora... Scully olhou para Mulder e viu uma lágrima escorrer pelo seu rosto, mas não era de tristeza, era de emoção... F I M