FAN FICTION AUTORA : Sky E-MAIL : pisosul@uol.com.br DISCLAIMER : Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o divertimento e entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há interesse lucrativo. CLASSIFICAÇÃO : Shipper SINOPSE : É aniversário de Mulder, o que Scully poderia lhe dar para devolver sua alegria ? SPOILERS : Unnatural Espero que gostem, é a primeira vez que escrevo, mas gostaria de saber o que acharam, mandem um feedback, por favor. VOCÊ É MINHA ÚNICA VERDADE SEDE DO FBI Washington - DC __ Vamos lá, Mulder! Não confia em mim ? Ela estava sentada na cadeira dele, atrás da mesa, os olhos refletiam um brilho de divertimento e tranqüilidade incomuns para ela, enquanto o fitava com ar meigo. __ Scully, você só pode estar brincando, quando foi que se lembrou ou pensou em comemorar meu aniversário?__ perguntou-lhe desconfiado. Na verdade, ele não gostava de comemorações, carregava tantas culpas em sua mente, o desaparecimento de sua irmã, a morte de seu pai e da irmã de Scully, a própria doença que quase a tirara dele, não se sentia a vontade para celebrar nada, não achava correto sentir-se realmente feliz, não enquanto as verdades que ele buscava tão desesperadamente não viessem a tona, ou, pelo menos, enquanto ele não pudesse entender o porquê de elas terem acontecido com ele. Ademais, nunca comemorara realmente seu aniversário, nunca tivera motivos para isto, sobretudo após a abdução de Samantha, pois seu pai nunca estava presente, ou quando estava era para discutir com sua mãe que parecia sempre distante, assustada e, somente agora, ele podia entender porque. Sempre se sentira só, assumindo o ar de superioridade e desdém que o caracterizavam afim de esconder sua real carência de afeto, estudara Psicologia mais para se entender do que para entender aos outros, mas não conseguia se livrar dos sentimentos que lhe corroíam a alma e o faziam anti- social ao ponto de não conseguir ligar-se a ninguém. __ Mulder ? Scully aguardava uma resposta, ele estivera imerso em seus pensamentos e esquecera-se de lhe responder. __ Ahm? Ah ! Ok, Scully, você venceu, Acha que esta roupa é adequada ou deveria alugar um smoking ? Ele tentava melhorar seu humor enquanto falava com ela, não queria magoá-la . __ Aonde vamos__ perguntou-lhe__ Não vai me levar para ver uma surpreendente sessão de autópsia, não é, Scully ? Agora ele estava sorrindo e ela o acompanhou. __ Quem sabe, Mulder, eu sempre quis entender o que você tem dentro desta cabeça, talvez com um bisturi ou uma boa serra eu consiga, o que acha ? __ Acho que não ia encontrar muita coisa que já não soubesse __ Te pego às oito, Mulder__ respondeu ela saindo apressada, um sorriso misterioso nos lábios. Mulder se viu pensando nela. Como se deixara influenciar tanto por ela, brigavam sempre, é certo, mas já se acostumara a pedir e compartilhar suas opiniões , não se imaginava mais trabalhando sozinho, precisava de sua segurança, sua mente lúcida e equilibrada para contrapor-se às suas bizarras teorias, apesar de raramente concordar com ele, ela o ouvia, tentava dar alguma base científica às suas loucuras. Não se lembrava quando ela havia deixado o escritório, o trabalho, os arquivos X, para povoar também seus pensamentos diários, sobretudo a noite quando chegava em seu apartamento e se sentia só, gostaria que ela estivesse ao seu lado, quantas vezes prolongava as horas de trabalho, lembrava-se de casos durante a madrugada, acordava-a com alguma desculpa para ouvir-lhe a voz e certificar-se de que ela era real.. Ele sorriu, sentia-se completo em sua companhia, mesmo quando zombava dele, era atenciosa, interessada, reservada e forte, extremamente forte, quantas vezes buscara refúgio na fortaleza de suas palavras, de seus braços, ou mesmo, quando tudo parecia perdido e o desânimo e a tristeza invadiam seus pensamentos, a lembrança dela, apenas sua imagem era o bastante para que ele se equilibrasse e reagisse. APARTAMENTO DE MULDER Scully bateu em sua porta, algumas horas depois, esperava-a para saber aonde iriam e surpreendeu-se ao vê-la. Trajava jeans e camiseta branca, um casaco simples e um boné cobrindo-lhe parte dos cabelos ruivos. Estava encantadora em sua simplicidade, seus olhos brilhavam divertidos, tão diferente da Scully formal e sisuda do FBI. __ Nossa, Scully, agora acredito que vamos realmente nos divertir, nunca a vi tão... __ Deselegante? __ cortou ela __ A vontade, eu diria, bem... o que me espera? __ Tenho que passar na casa de minha mãe para pegar uma encomenda, depois vamos para Chicago, já comprei as passagens e fiz as reservas, está pronto ? __Então não é só um dia ? perguntou malicioso. __ É final de semana, Mulder, não temos pressa. Ela realmente estava estranha, pensou ele __ Scully, porque meus instintos me dizem que eu vou me arrepender desta estória ? __ Não seja chato, Mulder, ao contrário de você, quando foi que eu te convidei para um programa ruim.? Vamos ? __ Preciso pegar umas coisas __ disse ele dirigindo-se ao quarto. Ela o olhou comovida, estava feliz por lhe proporcionar alguma alegria, ele estivera tão triste e desanimado, gostaria de poder embalá-lo nos braços, fazê-lo sentir-se protegido. Que sentimento era aquele, que tomava conta dela ? Amor fraternal ? Talvez, mas porque ela se sentia tão desconcertada quando ele a tocava, mesmo de leve, sentindo um calor involuntário percorrer seu corpo. Sentia-se extremamente segura ao seu lado, a força que ela tinha vinha dele ,estava com ele. __ Ei ! Scully__ gritou ele do quarto__ você não assaltou os cofres do FBI para fazer esta viagem e agora quer que eu fuja com você, não é ? Se eu vou passar meu aniversário na cadeia, quero levar meu travesseiro e algumas fitas educativas . __ Não, Mulder, fique tranqüilo __ sorriu ela . CASA DE MARGARETH SCULLY Chegaram na casa da Sra. Scully e tocaram a campainha. __ Dana ! Fox ! Que surpresa ! __ Olá, mamãe, disse ela abraçando-a __ vim buscar aquele pacote. __ Entrem, está no escritório Scully foi até lá e Mulder ficou com Margareth __ Parabéns ,Fox, Dana me falou que é seu aniversário. __ Obrigado, Sra. Scully, ela está aprontando alguma,mas não sei o que é , está diferente __ Deixe-se levar, Fox, ela sabe o que faz, sempre soube, pode confiar nela. __ Deve ter sido uma garota geniosa, não ? __ perguntou-lhe sorrindo, os olhos mostrando um brilho emotivo__ ainda é. __ Dana sempre foi assim, mas é uma garota sensível, apenas não sabe como expressar o que sente, sempre foi difícil entrar em seu mundo, sobretudo após a morte de meu marido, mas quem quer que consiga, encontrará uma garota meiga e carinhosa...por favor, Fox, cuide bem de minha garotinha, ela é mais frágil do que demonstra. __ Não sou a melhor pessoa para cuidar dela, Sra. Scully, ela está sempre em risco por mim. __ Acredite, Fox, você é tudo o que ela precisa. Ele a fitou intrigado, gostaria de ter uma mãe assim, talvez não se sentisse tão sozinho. __ Ela é tudo o que eu tenho, Sra. Scully, daria minha vida de bom grado para vê-la bem. Scully voltou com um embrulho nas mãos. __ Vamos ? Obrigada, mão, te ligo depois. __ Cuide-se, Dana, Tchau, Fox ! __ Tchau, Sra. Scully, e obrigada__ disse ele abraçando-a ternamente. __ É pra mim ? __ perguntou ele ao saírem , apontando para o embrulho. __ Não seja xereta, Mulder, seu aniversário é só amanhã. __ Scully, eu realmente estou ficando apreensivo__ disse ele , fingindo pânico, com os olhos arregalados, enquanto entravam no carro. __ Você é engraçado, Mulder, quantas vezes eu já estive com sua vida em minhas mãos ? E agora está com medo de um simples embrulho. Fique tranqüilo, não é um alienígena mutante com o rosto da Cindy Crawford, que vai pular no seu colo e sugar suas energias, se bem que... acho que você até gostaria, mas, infelizmente, o vendedor não tinha nada disponível neste sentido, então, confie em mim, eu sei aonde estamos indo__ falou divertida. Ele riu, __ Meu Deus! quem era aquela mulher, pensou ele, aonde estava a Scully séria, discreta e mal humorada que ele conhecia. Ele estava assustado, sim, mas não por não saber aonde estava indo, mas porque estava gostando demais do que estava vendo, se é que poderia gostar mais . As palavra saíram sem pensar e, ao fitá-la, ele sentiu-se quase feliz pelo embaraço que elas causaram. __ Mesmo se eu ainda estivesse na total escuridão que me envolveu por toda a vida, Scully, perdido e sem saída, mas sentisse que você continua ao meu lado, eu me sentiria seguro e protegido na mesma hora. Me entregaria a você sem hesitar. Ela enrubesceu e sorriu abaixando os olhos. __ Obrigada __ sussurrou __ sinto-me da mesma forma com você. AEROPORTO DE CHICAGO A viagem até Chicago transcorreu sem incidentes, exceto pelo atraso no vôo. Ao desembarcarem, Scully consultou o relógio insatisfeita. _ Não conseguiremos passar no hotel sem nos atrasarmos, Mulder, importa-se de irmos direto ? _ Scully, eu não sei aonde vamos, lembra ? Você resolve. _ Então vamos, o carro deve estar na recepção do aeroporto, está muito cansado ? _ Depende do que você vai fazer comigo, parceira_ respondeu entre curioso e divertido Ela sorriu e não respondeu, seguindo para a saída do aeroporto. Seguiram de carro até que ela parou próximo a um estádio, nas ruas, faixas anunciavam : "CAMPEONATO ESTADUAL DE BEISEBOL - HOJE - GRANDE FINAL" Ele olhou surpreendido e se lembrou de uma noite memorável, onde o riso cristalino dela enchera o espaço e sua proximidade atordoou- lhe a mente. Ela retirou dois ingressos do bolso do casaco. __Seu presente, Mulder, achei que gostaria __ disse séria Ela a fitou alegre, sem olhos brilhavam, não estava acostumado à estas delicadezas, aproximou-se dela e beijou-lhe o rosto. __Obrigado, Scully, adorei a surpresa, principalmente porque você veio junto, muito obrigado. Ela sorriu, tinha conseguido trazer alegria genuína àqueles belos olhos verdes tão acostumados a ver o pior. __ Estamos atrasados, está lotado ! Desceram e se encaminharam para a entrada, estava realmente cheio o lugar e ela se perdeu na multidão, ao olhar para trás, não o viu e parou, tentando localizá-lo, as pessoas passavam por ela, empurrando e gesticulando, de repente, alguém aproximou-se, envolvendo-a pelos ombros com os braços, ela se assustou. __Eu não te disse para não se afastar muito, crianças não devem andar sozinhas, ainda mais pequenas como você, é quase impossível encontrá-las. Ela riu para Mulder, deixando-se conduzir pelos corredores até encontrarem seus lugares e se permitiram entrar no clima da disputa, envolvidos pelo prazer das coisas simples e despreocupadas. Demoraram para conseguir sair ao final, Mulder estava contrariado porque o time que escolhera perdera feio. __Ah ! Scully, não é justo, é o meu aniversário, eu tinha que ganhar! __ reclamou emburrado. Ela sorriu para ele, afinal de contas ele não era mais do que um garoto bonito e crescido. __ Você escolheu seu time, Mulder, não tenho culpa se ele era ruim, até eu rebateria aquela bola, mas, pelo seu aniversário, eu te libero da aposta. __ Não, eu faço questão de pagar, você vai ter o melhor jantar de sua vida. Parou em frente a uma barraca de cachorro quente e pediu. __ Este é o meu jantar inesquecível, Mulder ? Se eu soubesse tinha insistido em pagar. Ele entregou-lhe o sanduíche e sorriu maroto. __ Vir ao estádio e não provar o hot dog é um crime, Scully, é como num pacote, você compra um e leva dois __ respondeu lambendo o molho que escorria de seu sanduíche. __ Definitivamente, Mulder, você só cresceu no tamanho__ riu ela, mordendo o lanche. Caminharam até o carro, conversando sobre amenidades, como pessoas normais, que iam aos jogos, trabalhavam e voltavam para os seus lares, sem se ocupar de traições, conspirações , lutas desenfreadas e morte, sentiam-se felizes. Ao chegarem ao carro, Scully entregou-lhe o pacote, já passava da meia noite, tocou-lhe suavemente o face e beijou-lhe a testa. __ Feliz Aniversário, Mulder. Ele desembrulhou o pacote e sorriu, dentro havia um taco, uma luva e uma bola de beisebol, abraçou-a comovido, estreitando-a fortemente em seus braços. __Obrigado, Scully, não me lembro de ter me sentido tão bem num aniversário como hoje. Entraram no carro, seguindo para o hotel, porém, no meio do caminho ele avistou um campo de beisebol e decidiu provocá-la. __Ei! Scully, que tal me provar que pode rebater a bola melhor do que aquele jogador, heim ? Ela olhou na direção em que ele apontava. __Mulder, eu mal consigo segurar o taco, melhor irmos para o hotel, já é tarde ! __ Vamos lá , Scully, está com medo ?__ perguntou desafiador Ela parou o carro e desceu. __ Ok , Vamos lá__ respondeu Ele deu-lhe algumas explicações __ Eu fico ali __ apontou __ e arremesso a bola para você, tudo o que precisa fazer é rebatê-la e então correr pelas bases ali, antes que eu pegue a bola e chegue à última base. __Só isso__ ela sorriu, erguendo as sobrancelhas, num gesto que ele tão bem conhecia__ você está me gozando ! __ Não, é fácil, vai ver Ele se afastou carregando a bola e a luva, começaram a jogar. Ela errou as três bolas que ele arremessou. __Vamos, Scully, você não está se concentrando, lembre-se, quadris antes das mãos __ ele gritou __ Ok! __ ela respondeu, virando a aba do boné para trás __ vou tentar ! Ele arremessou novamente e, desta vez, ela acertou. Gritou entusiasmada. __ Ah ! Consegui !!! __ saiu correndo entre as bases, sentindo-se como uma garota com um novo vestido. Ele correu atrás da bola e os dois se encontraram na última base, correndo e rindo ofegantes, ele a derrubou no chão e gritou. __Cheguei primeiro ! Ganhei, Scully. __ Não é justo, Mulder __ ela protestou sorrindo, tentando recuperar o fôlego __ Você tem pernas enormes, e ainda roubou, me derrubou antes de alcançar a base. Eles estavam ali, deitados na grama, rindo, felizes, os olhos brilhantes, a pele afogueada, ele se virou para fitá-la às gargalhadas. __Você é muito pequena, Scully, não tem chance ! Ela sorriu, passando a mão pelos cabelos em desalinho. Mas, subitamente, ficaram calados, como se só então percebessem a presença um do outro, seus olhos se encontraram, estavam a uma distância quase inexistente, suspenderam a respiração por instantes, havia embaraço, tensão e um grande desejo em seus olhares. Mulder baixou os olhos até os lábios dela e voltou a fitá-la, como se pedisse permissão para continuar e encontrou assentimento pois vagarosamente encostou seus lábios aos dela, a princípio delicadamente, sentindo a maciez e o perfume, depois com mais paixão, abrindo-os com sua língua, buscando encontrá-la naquele beijo. Puxou-a mais para si e ela gemeu, afastando a boca. __Ai ! Jesus !!__ exclamou com expressão de dor. __ Desculpe, machuquei você ? __ Mulder perguntou-lhe preocupado e tímido. __ Não, ai !, meu pé, acho que torci o tornozelo, está doendo ! Ele afastou-se e segurou-lhe a perna, seu tornozelo estava ligeiramente inchado. __Dói ? __ perguntou movendo a perna dela. __ Ai! Dói ! __ sussurrou sentando-se e examinando o pé. __ Eu te levo até um hospital__ levantou-se para ampará-la __Não...acho que não é preciso...é só uma torção, um banho e uma bolsa d'água devem resolver. __Deveria fazer um exame mais minucioso, Scully, pode... __ De jeito nenhum eu vou passar a noite num hospital lotado, Mulder, eu sou médica, esqueceu ? Vamos lá, me ajude...ai..não... Antes que ela pudesse protestar ,ele a ergueu nos braços colocou-a junto ao peito. __Não seja teimosa, doutora ! Ela não reclamou, gostou da estar ali,, junto dele, sentindo seu coração batendo pausadamente, sua respiração quente próxima aos cabelos dela, a barba cerrada acariciando-lhe a testa. Não conversaram durante o trajeto, cada um perdido em seus próprios pensamentos, ele a fitou, estava recostada no banco, os olhos fechados, os longos cílios desenhando-lhe as pálpebras, os lábios entreabertos, que momentos antes estiveram entre os seus, sentiu um estremecimento subir-lhe pelo corpo__ Como é linda ! __ pensou. Tudo o que ele sonhara, resumido nos contornos frágeis e delicados de sua beleza, na personalidade forte e decidida, meiga e companheira, tudo ali, ao seu lado. Ajudou-a a descer do carro e a se acomodar numa cadeira no banheiro do quarto. __Está bem ? Quer que lhe ajuda ? __ ofereceu ele, apontando a banheira Ela o fitou maliciosa, um sorriso maroto brincando nos lábios. __Obrigada, Mulder, posso me virar sozinha, só me deixe a toalha e o roupão, por favor. Ele trouxe o que ela pediu, fechando a porta atrás de si, ligou a televisão, tirou os sapatos, ficaria ali aquela noite, pensou, caso ela precisasse de alguma coisa. Ela saiu pulando do banheiro, era realmente pequena e delicada, a pele alva e suave, os cabelos em desalinho, um agradável perfume de sabonete. Ele ajudou-a a se deitar, pegou a bolsa d'água e envolveu-lhe o tornozelo. Ela gemeu. __ Calma ! __ disse carinhoso, colocando o pé dela em seu colo __ não vai doer , prometo. E ela entregou-se àquele prazer, Mulder começou a tocar-lhe o pé gentilmente, massageando de leve, passando seus dedos pela pele branca e macia. Scully fechou os olhos, sentindo um calor agradável subir pelas sua faces. Ele continuava, escorregando as mãos pelos pés, tornozelo, num sobe e desce constante e suave. Ela já não sentia qualquer dor, mas não queria que ele parasse, continuou então imóvel, de olhos cerrados, aproveitando cada momento. De repente não sentiu mais as mãos dele em seu pé, elas haviam subido, estavam chegando ao seu joelho, acariciando e subindo, agora sobre sua coxa. Ela prendeu a respiração e então, ele parou. Ela esperou que ele voltasse, continuou quieta, mas ele não voltou e Scully, lentamente, abriu os olhos soltando uma exclamação de contrariedade. __ Ah ?! __ reclamou ela Mulder estava próximo a ela, podia sentir sua respiração, sentir suas mãos trêmulas sobre o colo, olhando-a fixamente e em seus olhos ela pode ver toda a ternura e dúvida que ali estavam. __ Isso muda tudo, Scully __ sussurrou próximo ao seu ouvido Ela limitou-se a fitá-lo e em seguida abaixou a cabeça, tímida e quieta. __ Scully, me escute, por favor __ ele segurou o rosto dela entre as mãos, acariciando com cuidado__ embora seja extremamente penoso, eu agüentaria conviver com você para sempre, sem te tocar como agora, mas...mas eu não suportaria estragar esta amizade, este relacionamento...esta... __ ele parou procurando as palavras __ cumplicidade que nós temos. Eu estou satisfeito com nossa situação...não, não é verdade, mas eu aceitaria se isto pudesse te por em risco ou te afastar de mim. Ela o ouvia atenta , emocionada, não sabia o que dizer diante do que ela sempre esperou ouvir, e de repente um traço de divertimento passou pelos seus olhos e seus lábios se abriram num sorriso discreto. __ É você mesmo aí dentro, não é Mulder ? __ disse fitando-o como se procurasse algo __ está tão sério, onde está meu Spooky ?__ fez uma pausa e tornou, séria, ele sorriu . __ Esta fala é minha, eu sou a racional e lúcida, mas... hoje, eu não sei se quero seguir o meu julgamento, minha racionalidade te encontrou e, então, eu me perdi completamente. __ Eu tenho medo, Scully, Eu nunca fui leviano ou irracional quanto a você, ao contrário, o que eu sinto é o que me torna lúcido, esta é a única coisa clara para mim, você é minha única verdade , parceira, mas há este sentimento não cabe mais aqui __ ele apontou para o peito __ tomou conta de mim de uma forma que eu não consigo mais controlar e o meu lado irracional quer mais, ele quer te tocar, sentir você, se mostrar, eu... Ela silenciou-o com os dedos, tocando-lhe os lábios, encolheu as pernas, segurando os joelhos, enterrando o rosto entre as mãos, queria que aquele momento nunca tivesse existido, porque ele punha em risco tudo o que eles tinham, mas, não podia negar, que seu coração estava aos saltos, feliz, por ouvir tudo o que sempre quis, mas e se ela não fosse o que ele esperava, neste instante, a Scully, insegura e vulnerável se manifestava. Quando voltou a fitá-lo, ele estava sentado na cama, em frente a ela, as pernas cruzadas, seus olhos se encontraram e a linguagem que só eles conheciam, que os tinha guiado e os fazia se entenderem tão perfeitamente, que dispensava qualquer palavra, se fez presente e eles continuaram ali, por um segundo ou uma hora, traduzindo pensamentos, explorando sentimentos e então ele sorriu, um sorriso meigo, suave, feliz como ela ainda não vira, de total compreensão e lentamente tirou a camiseta, sem desviar os olhos dos dela, o código mudo permitira com que ele visse ,naqueles maravilhosos olhos azuis, o mesmo sentimento que ele guardava com devoção em seus mais íntimos pensamentos e ela enterrou todos os seus medos, naqueles olhos brilhantes, tão familiares, ela se viu, como ele a via e eles entenderam que se houvesse alguma mudança seria para infinitamente melhor, não estavam mais sozinhos. Scully estava tímida, uma avalanche de sentimentos afloravam e que ela não queria mais segurar, pela primeira vez, deixou-se levar somente pelo instinto, permitindo que ele a guiasse e se aproximou dele, acariciando-lhe os cabelos, tocando-lhe o rosto, descendo as mãos pelo peito, suas mãos se encontraram, seus olhos não se desviavam, como se pressentissem que se o fizessem, o encantamento acabaria e eles acordariam para suas vidas solitárias e tristes, que agora eles não mais queriam. Se entregaram de corpo e alma àquela sensação, sem pressa, sem sustos, os corações batendo descompassadamente, as mãos trêmulas, os lábios quentes, eles começaram a se conhecer, se explorar. Ela inclinou-se, encostando o cabeça nos travesseiros e ele começou a beijar-lhe os cabelos, o rosto, a boca, descendo lentamente até o pescoço, suas mãos perdidas, acariciando, tocando, sentindo aquele corpo macio e frágil que ele distinguiria em qualquer lugar e que, agora, estava ali, partilhando com ele de um prazer que ele não supunha capaz de sentir. Abriu vagarosamente o roupão que a cobria, desnudando-lhe o corpo, beijou suavemente sua barriga, subindo até os seios, acariciando-os delicadamente. Olhou-a nos olhos, quando ela deixou escapar um suspiro e sorriu. Abraçaram-se com paixão, libertando o sentimento há muito represado, as sensações reprimidas, dando vazão ao desejo que os consumia há tanto tempo e que não tinham coragem sequer para admitir. E a noite, única testemunha, passou cálida e tranqüila, enquanto aqueles dois corações marcados pelas dores e sofrimentos, medos e solidão, se encontravam, se amavam , se completavam, preenchendo o universo de seus pensamentos, tornando-se uma única pulsação. _ Você é linda, Dana !_ disse suspirando de prazer. _ Eu amo você, Fox . FIM