TUDO ACABA BEM Autora: Emily Maybe Disclaimer: Esses personagens não pertencem a mim, não tenho lucro os usando, apenas os uso por diversão. Mas ficarei recompensada se receber um feedback (Por favor!!). Classificação: Livre Categoria: Shipper Mensagens para: angela.m@uol.com.br Sinopse: Mulder e Scully resolveram o sentimento que guardaram por muitos anos, e acabaram se casando, mas quando tudo parece ir bem as coisas começam a se complicar. Agradecimentos: Agradeço a todos meus amigos "virtuais", e a todos que me enviam feedbacks. Adoro fazer amizade com vocês! Por isso, se quiser, mande mensagens para fazer amizade comigo!!! Agradeço também aos meus amigos não X-Philes, que "aturam" essa minha obsessão. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX RESIDÊNCIA DOS MULDER 9:20PM Mulder já estava em casa, após chegar de uma viagem que durara cinco dias. Era uma casa relativamente grande, com dois andares, e muito confortável. Ele havia comprado um jantar para esperar sua esposa, que deveria chegar logo do trabalho. Tinha arrumado tudo para um jantar romântico. Ele agora era um homem casado, com a única mulher que pôde imaginar por tantos anos. Scully. Por fim, em um dia em que não resistira mais, Mulder deixou que seu lado impulsivo falasse mais alto e se declarou para Scully, num repente. Ela não acreditou de imediato. Pensou que ele estivesse brincando. Mas quando seus olhos se encontraram ela percebeu tudo o que o coração dele guardou por anos, e que não suportava mais. Assim como o seu coração. Ela não respondeu, apenas o beijou apaixonadamente para demonstrar que também sentia o mesmo. XXX RESIDÊNCIA DE SCULLY DOIS ANOS ANTES 1:45AM Scully estava sentada tomando um chá e olhando pela janela. Mesmo sendo altas horas da madrugada, ela não conseguia dormir. Estava em sua poltrona tentando olhar o céu, distraída com seus próprios pensamentos, quando ouviu o som da campainha. Ela sobressaltou-se por não esperar ninguém que pudesse ir tão tarde a sua casa. Mas isso durou poucos segundos, pois logo chegou a uma conclusão óbvia: Mulder. Ela foi em direção à porta e olhou pelo olho mágico a figura de Mulder. Quando abriu a porta, percebeu que ele estava angustiado com algo. E que não conseguia esconder isso. - Aconteceu alguma coisa, Mulder? – ela perguntou preocupada, assim que ele entrou e foi sentar-se no sofá. - Eu ainda não sei... – ele respondeu afobado, sentando no sofá. - O quê? – ela perguntou sem entender, ainda de pé em frente a ele – O que veio fazer aqui? Precisa de mim para alguma coisa? – ela perguntou em seu tom carinhoso. - Preciso, Scully. – ele respondeu rápido, para não ter chance de desistir – Preciso de você pra tudo. Sempre precisei. Você é a pessoa mais importante da minha vida. A única pessoa da minha vida. Scully ficou olhando para ele, desconfiada. Enquanto ele aguardava resignado por qualquer reação dela. Tinha colocado tudo o que tinha nas mãos dela. Ela estava com a vida dos dois em suas mãos. A decisão era dela. Ela ficou ponderando o assunto por alguns instantes para assimilar o que tinha ouvido, e saber o que fazer. - Você está bêbado, Mulder? – ela perguntou, pois foi a única coisa que conseguiu pensar no momento, que ele estivesse bêbado, como pensou outrora que ele estivera delirando quando disse que a amava. - Não. Eu tinha que dizer isso sóbrio. – Mulder respondeu sorrindo melancolicamente, por estar sentindo uma profunda dor. Ele não esperou que Scully falasse mais nada. Levantou-se e estava decidido a sair do apartamento dela. Mas ela o impediu. - Mulder. – ela o chamou rapidamente. Antes que ele pudesse sair. Mulder virou-se para fitá-la. Em seus olhos estava estampado toda a tristeza que sentia no momento. Não estava com o brilho verde, e sim com um tom apagado. E Scully viu tudo aquilo no momento, e percebeu que ali a decisão teria que ser sua. Ele colocara as decisões para ela falando tudo aquilo. Ele havia tomado a iniciativa, e ela deveria tomar a atitude final. - O que quer dizer com "preciso de você para tudo"? – ela perguntou receosa – Quer dizer que não precisa de mim apenas no trabalho, precisa de mim na sua vida particular? Mulder não respondeu. Ficou fitando-a profundamente, com os olhos um pouco mais iluminado pela esperança que começou a sentir no momento em que ela disse tal coisa. Scully ficou olhando-o por alguns segundos, e por fim decidiu não falar nada também. Abraçou-o para demonstrar todo amor que tinha, e se beijaram. XXX Mulder riu ao lembrar daquela cena. Ele e Scully juntos pela primeira vez. E era daquela maneira que ele pretendia ficar por toda sua vida. Junto dela. E por isso, em um dia chuvoso em que os dois estavam no apartamento dela, em um fim de semana em que não trabalharam. Ela havia pedido exoneração de seu cargo no FBI, por causa do relacionamento que estavam tendo. Estava decidida a seguir a carreira na medicina que abandonara, e decidiu isso porque sabia que a carreira dela e de Mulder seriam afetadas se descobrissem seu relacionamento. E naquela época ela estava disposta a tudo para viver plenamente o amor com Mulder. Tomou a decisão sem sequer informa-lo, apenas já tinha falado sobre o assunto. XXX RESIDÊNCIA DE SCULLY 1 ANO E SEIS MESES ANTES SÁBADO 2:20 PM Scully e Mulder estavam sentados e abraçados no sofá, comendo pipoca e olhando a chuva. - Você não podia ter feito isso sem me consultar, Scully! – Mulder falou um pouco irritado. Não queria o que ela havia feito. - Eu tinha que fazer, Mulder. – Scully retrucou calmamente – Nossas carreiras e reputações ficariam prejudicadas se alguém descobrisse, e se informássemos aos superiores, um de nós seria transferido. Eu não queria ser transferida. Vou ser médica. – ela concluiu, serena. Estava totalmente decidida, e ele não iria demove-la disso. - Scully... – ele disse, tentando explicar o seu ponto de vista, e tentando persuadi-la – Você sabe que nossa vida está naquele porão. O que vou fazer agora? - A coisa mais importante da minha vida não é o porão, ou os Arquivos X, e sim você. Eu quis sair de lá para poder ficar inteiramente com você. – ela retrucou sorrindo, e acariciando a face dele – Eu não quero me esconder, quero sair por aí com você quando quiser, sem medo. Ou você quer esconder que eu sou oficialmente sua namorada? – ela falou tentando anima-lo – Tem vergonha? Os dois se beijaram, e sorriram um para o outro logo após. - Eu tenho orgulho de Dana Scully se interessar pelo Estranho Mulder. – ele sorriu. Depois que ele e Scully haviam se envolvido, ele se tornara uma pessoa mais feliz. – E agora que você não é mais minha parceira no trabalho, aliás, contra a minha vontade. – ele falou, não mais tão irritado. – Não quer se tornar minha parceira na vida? Em tempo integral. - O que esta dizendo, Mulder? – ela perguntou sorrindo, feliz. - Não quer casar comigo? Ela o abraçou, sem precisar responder nada. Ele sabia a resposta. XXX Mulder olhou no relógio. Já estava relembrando tudo há algum tempo. Já estava começando a se preocupar com a demora de Scully. Ela já deveria ter chegado há mais de vinte minutos. Ele sempre se preocupava com ela da mesma maneira de antes, quando ela ainda estava envolvida com o FBI. Por isso ia ligar para o hospital em que ela trabalhava, mas antes que o fizesse seu próprio telefone tocou. - Mulder? – ele ouviu a voz de Scully assim que atendeu ao telefone. - Scully, eu estava preocupado. Estou esperando você com o nosso jantar. – ele falou carinhoso. - Oh, Mulder. Eu liguei justamente para falar que eu não vou poder ir para a casa agora à noite. Um médico faltou, e eu não vou poder sair tão cedo. – ela falou cautelosa. Sabia que ele iria ficar irritado, já que não se viam há praticamente uma semana com a viagem dele e os plantões que ela teve no dia anterior. - Ah! – ele disse simplesmente. Estava chateado com a situação atual. Mal se viam. - Desculpe, amor. Mas não tenho como sair mesmo. – ela falou carinhosa. - Tudo bem. – ele respondeu seco – Depois nos vemos. Depois que desligou o telefone, Mulder olhou para a mesa que havia preparado. Triste por não ter mais Scully por perto. Agora que eram casados tinham menos intimidade e tempo compartilhado do que quando eram apenas parceiros de trabalho sem envolvimento amoroso. Foi deitar-se sem jantar. 7:40 AM Scully entrou em casa, após retornar do hospital. Logo que entrou na espaçosa e bem decorada sala viu que tinha um buquê de flores largado em cima de um aparador. Colocou a bolsa no sofá e foi em direção da cozinha para coloca-las na água. Passou pela sala de jantar para ir à cozinha, e foi quando viu o que Mulder havia preparado para ela. A mesa ainda estava posta, preparada para um jantar romântico, com castiçais e arranjo de flores no centro. Sorriu ao ver o carinho que ele a dedicava, preparando tal coisa. Quando voltava da cozinha, com uma jarra com as flores, viu Mulder descendo as escadas, arrumando a gravata. Ela sorriu ao vê-lo. - Oi, Mulder. – ela o saudou indo em sua direção e depositando-lhe um beijo. – Eu estava com muitas saudades. – ela falou, ainda abraçada a ele – Obrigada por tudo o que fez pra mim. É uma pena que não pude aproveitar. - Também sinto sua falta, Scully. - Podemos tomar café juntos e conversar um pouco? - Eu tenho pouco tempo. – ele respondeu olhando no relógio. Eles foram para a cozinha, e Mulder sentou-se à mesa, enquanto Scully movimentava-se preparando alguma coisa para comerem. - Como foi em Ohio? – ela perguntou. - Eu não fui para Ohio, fui para o Oregon. – ele replicou, um pouco chateado. - Ah. Então... – ela ficou sem jeito. Sabia que já havia algum tempo não se dedicava aos assuntos dele. – Como foi no Oregon? - Tudo bem. – ele respondeu simplesmente, mas um pouco contrariado – Você deve estar cansada, não é? – ele falou sorrindo ao vê-la bocejar. – Descanse. Eu vou para o FBI. – ele disse levantando-se. - Tudo bem, Mulder. Eu nem sei mais o que estou falando de tanto sono. – ela falou, vendo-o sair sem se despedir com um beijo. Imaginou que ele não estava muito satisfeito com a maneira em que viviam ultimamente. Terminou seu desjejum e foi dormir. Mulder foi para o seu trabalho no FBI, ele sabia que naquele dia iria ter um novo parceiro. Desde que Scully não era mais parceira dele, ficou sozinho por um tempo, mas haviam decidido que deveria ter um parceiro no momento. Estava contrariado com a idéia, e depois que já estava no caminho para o trabalho percebeu que estava descontando sua preocupação sendo frio com Scully naquela manhã. Mesmo porque ele gostava quando ela era sua parceira. XXX RESIDÊNCIA DOS MULDER 7:00 PM Scully estava em casa, preparando o jantar. Ela não teria que trabalhar, e estava feliz por poder passar um tempo com Mulder. Ela ouviu o barulho da porta, e saiu da cozinha para vê-lo chegar. Ela sorriu para ele, mas ele respondeu com um sorriso forçado, acenando e subindo as escadas para o segundo andar da casa. Ela o seguiu, e como sabia que ele deveria estar aborrecido não se importou pelo modo que a ignorara. - Eu quero meu beijo, agente Mulder. – ela falou, encostada no batente da porta. - Desculpe. – ele respondeu indo beija-la. - Chateado com o que? – ela perguntou, olhando-o nos olhos – Está aborrecido por causa de ontem? - Não... Bem, um pouco... – ele sorriu – Mas é que eu comecei com um novo parceiro hoje. - Mesmo? Você não tinha me dito. - Disse antes de ir para o Oregon. – ele contestou – Você não deve ter prestado atenção. Como não tem prestado atenção em outras coisas também, Scully. – ele concluiu saindo dos braços dela. - Não é bem assim, Mulder. Eu tenho meu trabalho também. – ela respondeu calma. - É, eu sei. Um outro trabalho! – ele falou ferino. - Mulder eu tive que fazer uma escolha, ou eu poderia viver o amor que sinto por você, ou continuar naquele porão e ser apenas sua parceira. – ela falou perdendo um pouco da calma. - Não era bem assim, Scully! - Era sim, Mulder. Se descobrissem iam nos separar mesmo, estávamos envolvidos. Mas acho que você me preferia apenas como parceira de trabalho, e não de cama, não é? Se arrependeu de ter ido na minha casa aquela noite, Mulder? – ela perguntou elevando ainda mais o tom, de voz, e um pouco magoada com a reação que ele estava tendo. Seus olhos azuis estavam brilhando de raiva, e Mulder viu isso, e se arrependeu do que tinha dito. - Desculpe, Scully. Eu amo você. – ele falou se aproximando novamente dela – Eu adoro você como minha esposa, mas sinto falta da minha parceira, entende? Eu gostava de ter você perto de mim o dia todo, e agora nós mal nos vemos. – ele concluiu com cara de cachorrinho abandonado. - Eu sei, Mulder. – ela falou abraçando-o – Também me sinto assim. Sinto falta de sair com você para investigar as coisas, de trabalhar naquele porão, mas eu não tenho culpa de não nos vermos tanto quanto antes. Mas estamos juntos nesse momento, e desperdiçamos brigando. - Desculpe. – ele falou arrependido e a beijando logo em seguida. - Tudo bem. – ela respondeu – Vamos, fiz um jantar, e agora acho que temos um pouco de tempo para ficarmos juntos, sem brigarmos. – ela concluiu puxando-o pela mão. Desceram para o andar de baixo da casa, e foram jantar. - Acho que essa foi nossa primeira briga. – Mulder falou, enquanto jantavam. - Mas não durou muito. – Scully retrucou. – Você está aborrecido por causa de seu novo parceiro. - É parceira. – ele corrigiu – Chama-se Jane Reeve. - Ela é bonita? – Scully perguntou como quem não quer nada. - Acho que sim. Mas eu tenho certeza que ela foi lá para me espionar. - Você é paranóico, Mulder! – Scully falou em tom de troça – Achou que eu fosse te espionar, mas, no entanto estamos aqui jantando juntos, casados. Mulder sorriu, e não respondeu. Levantou-se da mesa, a pegou pela mão, e a levou para o quarto. Havia muito tempo que não ficavam juntos. XXX RESIDÊNCIA DOS MULDER UM MÊS DEPOIS 8:00PM Mulder já estava acostumado com a idéia de trabalhar com Jane Reeve. Ela era uma pessoa inteligente, e se interessava por casos paranormais, e segundo ela este fora o motivo que ela havia aceitado o trabalho nos Arquivos X. Ele e Scully não mais tiveram uma briga, estavam tentando conciliar seus horários, e pareciam estar conseguindo no momento. Estavam em casa, preparando o jantar juntos e conversando, quando o telefone tocou, e ela atendeu. - Alô. - Alô. – respondeu a voz de mulher no outro lado da linha. – É a residência de Fox Mulder? - Sim. Quem gostaria? - Sra. Mulder? – a mulher perguntou - Sim, sou eu. – Scully respondeu. - Sou Jane Reeve, parceira de seu marido. Precisava falar com ele, mas não consegui o celular. - Só um momentinho. – Scully entregou o telefone para Mulder, que observava enquanto ela falava ao telefone. – Sua parceira. - Olá, Jane. – Mulder falou quando pegou o telefone, sob os olhares atentos de Scully, que estranhou o modo pelo qual ele a tratou. - Oi, Mulder. Estou ligando porque recebi as análises do nosso caso, e precisava discutir com você ainda hoje. Podemos nos encontrar para isso? - Não podemos esperar até amanhã? – ele perguntou, olhando para Scully. - Acho que não. – Jane respondeu simplesmente. - Tudo bem. Quer vir até minha casa? – ele perguntou, e viu o olhar contrariado de Scully. – Acho que não posso sair agora. - Tudo bem para mim. Que horas? - Agora. Esperamos você para jantar. – Mulder respondeu, dando o endereço logo após, e desligando o telefone. Scully o ficou fitando por alguns instantes, sem saber se estava realmente aborrecida com ele e com a tal mulher que ainda não conhecia. - Você a chama de Jane. – ela fez uma observação. - Sim. É o nome dela. – Mulder respondeu, voltando a mexer nas panelas – Vamos ter companhia para o jantar. - Eu ouvi. Você a convidou sem me consultar! - Está com ciúmes, Scully? – ele perguntou, surpreso com o tom ríspido dela – Achei melhor do que sair agora daqui. Pensei que ficaria menos aborrecida. Meia hora depois, os dois ouviram o som da campainha, e Scully foi atender. Ela viu uma mulher alta, com os cabelos castanhos quase na cintura, e os olhos cor de mel, vestida em um tailler azul. Não aparentava mais do que trinta anos. - Olá. – Jane falou ao vê-la, e estendendo a mão para cumprimenta-la – Sou Jane Reeve. - Boa noite. – Scully respondeu polidamente, retribuindo o cumprimento – Sou Dana Mulder. Entre. Mulder aproximou-se das duas, e saudou Jane. - Boa noite, Jane. Já conheceu minha esposa? - Já nos apresentamos. – Jane respondeu, olhando para Scully, depois voltou-se novamente para Mulder e continuou falando – Eu trouxe os laudos das autópsias, e o legista encontrou muitas anormalidades. – disse, sorrindo para ele. - Vamos falar disso depois, vamos jantar. – Ele retrucou, seguindo Scully que já estava de saída para a sala de jantar. Após sentarem à mesa, e já estarem servidos, começaram a conversar. - É um prazer conhece-la, sra. Mulder. – Jane falou, tentado ser amável. - Pode me chamar de Dana. – Scully respondeu, retribuindo o mesmo tom de Jane. - Eu realmente não queria atrapalhar hoje. - Não atrapalhou, Jane. A Scully também queria te conhecer. – Mulder intrometeu-se. - Scully? Ela era a sua parceira? Scully olhou para Mulder e sorriu de um modo que ele não entendeu. Não sabia o que ela estava pensando, se estava surpresa ou irritada. - Sim, eu era a parceira dele. Não sabia? - Não, eu sou nova no Bureau e não conheço muitas pessoas. – Jane se explicou – Mas sabia que Mulder era parceiro de Dana Scully, mas que ela havia saído do FBI. Por que saiu? - Saí porque as regras do Bureau são claras. Eu não poderia ser parceira do meu marido. – Scully respondeu. - E você a chama de Scully? – Jane estava surpresa com isso, e perguntou a Mulder. - É o costume. Sabe apelidos carinhosos que certos casais tem? Fofucho, Coraçãozinho, Nico* ou coisa assim. – Mulder falou debochado – Pois é, eu penso que para nós é assim quanto aos nossos nomes. - Você a chama de Jane? – Scully falou em zombaria, estava incomodada com a presença da mulher em sua casa. Mulder ficou encabulado com a atitude de Scully, mas Jane não ficou, e respondeu dando uma risada. - É que eu não gosto de ser chamada de Reeve. Não soa como se fosse eu, entende? Scully assentiu, e continuaram a jantar. Depois Jane e Mulder discutiram o caso por um tempo, na sala de estar. Scully achou melhor não se intrometer no assunto, pois a "parceira" podia não gostar de ter a "esposa" intrometendo-se no assunto do trabalho que não mais a interessava. Mas em determinado momento, Mulder a chamou para olhar o que estavam analisando. Era um homem que havia morrido com alguns objetos de metal dentro de seu sistema digestivo, que haviam aparecido misteriosamente. Depois que debateram o tema por algum tempo, Jane foi embora. Mulder a acompanhou até a porta, e Scully permaneceu no sofá com expressão irritada. Ele não entendeu o que estava acontecendo, por isso perguntou inocente: - O que foi? - Isso não podia esperar até amanhã de manhã? – ela perguntou, cruzando os braços. - Bem, a Jane disse que não. – ele falou sentando-se ao lado dela, e a abraçando. – Você sabe que esse trabalho não tem hora certa - Por que você a chama de Jane? – ela falou levantando-se e saindo dos braços dele. - Isso te incomoda? – ele falou, rindo – Se você quiser, amanhã eu começo a chamá- la pelo sobrenome, vou dizer que a minha esposa me proibiu de chamá-la pelo Prenome. – ele concluiu em tom de troça. – Pára com isso, Scully! - Não é isso, Mulder. – Scully falou, tentando disfarçar. – Eu acho que não confio mesmo nela. Talvez você tenha razão quando disse que ela poderia estar lá para te espionar. - Não confie em ninguém, não é? – ele falou aproximando- se e beijando-lhe o pescoço, por trás. – Não se preocupe, e nem fique com ciúmes, sra. Mulder. Eu só confio em você. Scully virou-se para ele, e os dois se beijaram. UMA SEMANA DEPOIS 1:30 AM Scully estava dormindo, mas Mulder não. Ele virou-se para ela e ficou olhando- a por alguns instantes, depositou-lhe um beijo na testa, e se levantou. Foi ao escritório, no quarto ao lado para analisar o caso que ainda estava investigando. Leu alguns documentos, e pensou encontrar algo estranho em um deles. Sem pensar duas vezes, ele pegou o telefone e ligou para Jane, queria contar o que tinha descoberto. - Alô, Jane? – ele falou ao ouvi-la ao telefone. – Descobri alguma coisa sobre o caso. Tenho certeza que foi magia negra do filho. - Sabe que horas são, Mulder? – Jane perguntou sonolenta. - Temos que ir até a casa dele, Jane. Acredito que ele vai matar a mãe esta noite. - Por que, Mulder? – Jane respondeu, já mais acordada. - Depois eu explico. Vou até aí te buscar. – ele falou, desligando o telefone. Quando ergueu o olhar para levantar-se e ir se vestir, viu que Scully estava parada na frente da porta, o observando. - O que estava fazendo? – ela perguntou, curiosa – Aonde vai? - Eu tenho que sair. Acho que já sei o que aconteceu com aquele homem. – ele falou, enquanto andava em direção ao quarto do casal. - Com quem estava falando ao telefone? – ela perguntou, enquanto o observava vestir-se. - Com Jane. Ela é a minha parceira, e eu não posso ir sozinho, não é? – ele falou, já terminando de vestir-se, e já saindo do quarto novamente – Vá dormir. Eu te amo. – ele concluiu, beijando-a antes de sair. - Sinto falta de quando você me acordava no meio da noite para investigar um caso absurdo, Mulder. – Ela falou para si mesma, após um longo suspiro, depois que ele já tinha saído. TRÊS MESES DEPOIS 12:20AM Durante esses meses, Mulder continuou agindo com Jane do mesmo modo que agia com Scully quando eram parceiros. Sempre ligava para ela para discutir os casos, as vezes ela ia até a casa dele para discutirem os casos lá, e outras eles saíam para investigar no meio da noite. Nesse dia, Mulder estava em casa, lendo as pastas de um outro caso, e Scully estava lendo um livro. Estavam deitados na cama, um ao lado do outro, mas sem trocar palavras. Ela estava muito desapontada com Mulder. Parecia que ele não desejava mais sua presença. Sentia-se substituída por Jane Reeve. Em todos os sentidos. Mas como era de sua personalidade, preferia não demonstrar sua momentânea inquietação. Porém sabia que teria que fazer em algum momento. E depois de pensar muito, fingindo que lia o livro, resolveu falar com Mulder. - O que é isso, Mulder? – ela perguntou, abaixando o livro. - Um caso que eu e Jane estamos investigando. Sobre marcas de discos voadores em campo de trigo. Talvez eu tenha que viajar amanhã ou depois. – ele respondeu sem tirar os olhos da pasta. - Eu sinto falta de quando você me acordava no meio da noite para seguir alguma pista louca! – ela falou sorrindo. - Agora moramos juntos, Scully. Eu não preciso mais telefonar para você no meio da noite, dormimos juntos. E você não é mais minha parceira, é médica, trabalha em um hospital e tem um consultório. – ele falou, retribuindo o sorriso. - Você sente falta? – ela perguntou. - Do quê? – ele perguntou distraído, lendo a pasta. - De nada, Mulder! – ela falou, decepcionada. Scully sentia que Mulder estava se afastando, assim como ela. Sentia falta de ser uma agente do FBI, de sair para investigar, de ouvir as piadas dele durante todo o dia. Mas o que mais a afligia era saber que Jane estava tomando seu lugar. Não estava sentindo puros ciúmes de seu marido, mas sim de seu amigo e companheiro. Pensou por alguns instantes se fez certo em ter se envolvido romanticamente com ele. Em alguns momentos, quando ele ligava para a nova parceira, sentia inveja, e outras vezes desejava estar no lugar dela. E pelas ocasiões em que Jane esteve em sua casa, soube que ela desejava estar em seu lugar, almejava ser mais que parceira de Fox Mulder, via isso pelo modo que ela o olhava, por mais que quisesse disfarçar. Mas na verdade não era isso que mais a perturbava, de certo modo confiava no amor de Mulder. Ele continuou lendo, parou para pensar por alguns instantes. E Scully viu quando ele repentinamente pegou o telefone. Naquele momento ela não pôde se conter. Colocou a mão sobre a dele, impedindo que ele fizesse a ligação. - Posso falar com você? – ela perguntou, séria. - Eu tenho que ligar para Jane. Acho que descobri alguma coisa. - Já passa da meia-noite, amanhã você fala com ela. Eu preciso falar com você agora. – ela falou, olhando diretamente nos olhos dele. – Você confia na sua parceira? - Por que está me perguntando isso, Scully? – Mulder ficou surpreso com a pergunta dela. Scully queria saber se ele confiava em Jane por um motivo. Se ele confiasse, para ela, significaria Jane que já tinha o mais importante a confiança dele. E isso assustava Scully. - Eu gostaria de saber. Você já trabalha com ela há quatro meses. Então você já deve ter uma opinião. – ela falou, escondendo sua apreensão pela resposta. Mulder parou para pensar por poucos segundos, e respondeu. - Não sei ainda. Pode ser que ela esteja lá para me espionar, mas creio que não. Só com o tempo poderia te dizer. Scully assentiu, demonstrando entender o que ele falava. Ele tornou a pegar o telefone, e discou o número de Jane, falou por alguns instantes sobre as marcas no trigo. Ela se ofereceu para irem averiguar no meio da noite mesmo, e ele aceitou, já que elas supostamente apareceriam de madrugada. Scully ficou observando a parte que podia da conversa em silêncio, e quando ele desligou, ela falou. - Não vai, Mulder. – ela falou em um tom de voz baixo. - O quê? – ele perguntou enquanto se vestia. - Não vai investigar com ela, por favor. Mulder estranhou o modo que Scully falava, ela parecia com medo ou frágil, ou seja, atípico dela. - Você não precisa sair no meio da noite para isso. - Eu já combinei com a Jane. – ele foi enfático. Estava curioso a respeito das marcas. - Você não percebe o que está fazendo, Mulder? – Scully perguntou, com vontade imensa de chorar, mas não o fazendo. - É o meu trabalho, Scully. – Mulder argumentou. - Não é seu trabalho investigar isso! Eu sei bem que você arrumou esse caso por si próprio, e não foi designado. Você está indo porque quer. – Scully falou, perdendo um pouco sua compostura. - Eu sempre fiz isso, Scully. – ele falou calmo – Nós mesmos saímos muitas vezes assim. - Esse é o problema, Mulder! – ela falou derrubando algumas lágrimas, que não puderam permanecer em seus olhos – Você está começando a confiar nessa Jane Reeve! - Eu não estou entendendo onde está o problema nisso! – ele falou assombrado com a reação dela. - Você a está colocando no meu lugar! – ela argumentou limpando suas lágrimas. Estava decidida a não chorar mais. - Não fui eu quem a colocou no seu lugar, e sim os meus superiores. Eu não a escolhi como parceira. - Nem escolheu a mim! Mas escolhe sair com ela para investigar esse trigo! – Scully falou em um tom de voz alterado. - Você sabia como eu era! Essas coisas me interessam. – Mulder também perdeu a calma – E por falar em escolhas... foi você quem escolheu sair do FBI, ninguém te obrigou! – ele concluiu, saindo do quarto, e em seguida da casa. Quando Scully se viu sozinha no quarto, viu que não precisava mais se conter, e por isso chorou o tanto que quis. E pensou enquanto isso. Chegou a uma conclusão. De súbito, levantou-se da cama, onde ainda estava deitada, e trocou de roupa. Pegou algumas outras e colocou numa pequena mala. Depois disso, foi ao escritório no cômodo ao lado, sentou-se na escrivaninha e escreveu um bilhete, deixando logo após em cima da mesa de jantar. Deixou a casa ainda chorando. XXX Mulder foi investigar a plantação de trigo com Jane, mas não estava muito concentrado. Estava pensando no que Scully queria dizer com aquela conversa. Quase de manhã ele voltou para casa, decidido a pedir desculpas. Estava arrependido pelo que tinha falado. Mas quando chegou em casa não a encontrou no quarto. Por um momento pensou que talvez ela pudesse ter ido para o hospital, mas lembrou-se que era muito cedo para isso. Desceu novamente para o andar térreo da casa, e encontrou um bilhete em cima da mesa de jantar. "Mulder, A última coisa que você me falou antes de sair foi que eu havia escolhido deixar o meu posto no FBI. E é verdade. Eu havia escolhido isso por amor. Para poder viver meu amor com você. Mas pelo visto, essa foi uma escolha errada, já que ambos perderam com isso. Eu perdi um trabalho que eu gostava, e que apesar de tudo, me fazia feliz. Era louco, estranho, diferente do normal, mas era o trabalho que eu gostava. Você nunca soube se eu sofri ou não por ter que fazer isso. Porém mais do que gostar do trabalho, eu amo você. E por isso eu saí. E você perdeu também, porque mais do que me amar, você ama aquele trabalho. Perdeu sua parceira para ganhar uma esposa, mas ontem eu cheguei a conclusão de que você preferia a parceira enquanto eu preferi o marido. E isso nos afastou. Ontem eu vi que nós dois nos enganamos em ter nos envolvido fora do trabalho. Vi que você não consegue ser o marido, apenas o parceiro. E eu não sou mais a parceira. Jane Reeve é. E ela já está apaixonada por você. Pensei por um bom tempo e eis a minha conclusão: você confunde o trabalho com a vida pessoal, por isso se casou comigo. Você fez isso com a Diana. Apaixonou-se por ela, que trabalhava com você. Depois se apaixonou por mim. E agora, tenho certeza vai se apaixonar por Jane, se é que já não se apaixonou. Seu amor está vinculado com a confiança. Sofro por concluir isso, mas você vai amar qualquer mulher em quem confie, e que ajude você no seu trabalho. Por isso estou indo embora. Essa é a minha nova escolha. Vou deixar sua vida da mesma maneira que estava antes de me conhecer. E assim você poderá amar a sua parceira sem uma esposa por perto. Poderá voltar a ter um apartamento bagunçado, ou se quiser pode ficar morando na nossa casa. Agora a escolha é sua. A minha já foi feita, como fiz quando decidi deixar o FBI para me casar com você. Acreditava ser a coisa certa, e sinto ter me equivocado. Scully" Quando Mulder terminou de ler o bilhete, fechou os olhos, pesaroso, e disse para si mesmo. - Você entendeu tudo errado, Scully! Estava disposto a consertar tudo o que tinha feito. Percebeu que tinha magoado a mulher que amava, senão ela nunca teria feito tal coisa. Pegou o telefone, e discou seu número de celular dela, mas não tinha resposta. Tentou o hospital, mas ela não estava lá. Tentou a casa de Margareth. - Meg? É o Fox. Dana está aí. - Olá, Fox. – Meg o saudou, um pouco apreensiva pelo tom de voz dele – Não tenho visto a Dana. Aconteceu alguma coisa? - Se ela aparecer por aí, você poderia dizer que eu estou procurando por ela? - Por que, Fox? Vocês brigaram? – Meg ficou preocupada. - Ela me deixou Meg. – Mulder falou com a voz embargada. - Como assim te deixou? – ela ficou assustada. - Eu não sei. Preciso encontra-la. Eu te ligo qualquer hora, Meg. - Fox... Mulder desligou antes que Margareth pudesse dizer qualquer coisa. Ficou desesperado, não sabia onde procurar por Scully. - Parabéns, Mulder! – disse enervado com si mesmo – Conseguiu destruir seu casamento! UMA SEMANA DEPOIS Mulder procurou por Scully durante toda a semana, mas sem sucesso. Não sabia para onde ela havia ido, e tinha descoberto que ela tinha pedido férias no hospital em que trabalhava. Ele tinha até tentado falar com Bill, que disse não saber da irmã. Chegou a ir a San Diego para no caso dela ter mandado o irmão mentir, mas realmente ela não estava lá. Tinha falado com Margareth, mas ela disse que a filha havia ligado apenas para dizer que estava bem, mas não quisera dizer onde estava ou falar sobre o marido. Com isso Mulder percebeu que Scully estava mesmo convencida de que ele não a amava mais, e decidida a sumir da vida dele. Ele estava arrasado, e por isso tinha pedido férias no Bureau. Ficava casa, que estava uma baderna, bem como ela disse que ficaria no bilhete em que havia deixado como despedida, esperando que talvez ela se arrependesse e voltasse. Estava deitado na cama que compartilhava com ela, comendo sementes de girassol, quando ouviu o som da campainha. Levantou-se e desceu rapidamente as escadas, esperançoso de que fosse Scully. Mas quando abriu, viu a figura de Jane Reeve sorridente. - O que aconteceu, Mulder? – ela perguntou, entrando. Mulder não estava com paciência para responder a esses tipos de pergunta. - O que quer? – ele falou ríspido. Indo sentar-se no sofá, fazendo-a seguí-lo. - Eu estava preocupada com você, já que pediu férias. Fiquei sabendo que Dana te deixou. – ela falou como quem não quer nada. - Ela está apenas de férias, está na casa de um irmão. – Mulder tentou disfarçar. Não sabia o motivo, mas não queria que Jane soubesse. - Por que está mentindo? – ela falou rindo – Você está com o aspecto típico de um homem abandonado pela esposa! - O que veio fazer aqui, Jane? – Mulder perguntou nervoso. - Pensei que talvez você quisesse ajuda. Sabe que pode contar comigo. Eu quero ser sua amiga. – ela tentou ser carinhosa, como Scully era nas vezes em que ele precisava dela. Mulder não resistiu, e deu uma risada nervosa. Concluiu que Scully tinha razão no que escrevera no bilhete. Realmente Jane queria ocupar o lugar dela, e por algum tempo ele havia deixado sem perceber. Jane não entendeu o motivo da risada, e ficou olhando para ele sem saber o que fazer. Os dois voltaram-se para onde surgia um barulho de pessoa entrando. Era Scully. Ela olhou para os dois com uma certa irritação. "Já estão na minha casa!", pensou. Mulder levantou-se do sofá em que estava sentado, com medo que ela interpretasse mal o que via. - Eu só vim aqui buscar algumas coisas. – Scully falou, subindo as escadas para o outro piso. - Scully! – Mulder a chamou, seguindo-a. Scully não respondeu, entrou em seu antigo quarto e foi pegando algumas coisas em seu guarda-roupa. - Eu preciso conversar com você. – Mulder colocou-se em frente a ela. - Tudo bem, Mulder. Eu deixei caminho livre para você. Não me importo com o que ela está fazendo aqui. Ela pode ocupar o lugar de Sra. Estranho Mulder. Eu não sou mais. – Scully falou secamente. - Ela apareceu aqui sem ser convidada! – Mulder argumentou. - Eu perguntei alguma coisa? – ela falou irritada. - Por que foi embora, Scully? Eu te procurei a semana inteira. - Eu fui embora para que você pudesse ter a vida que gosta. Mas que não pode ter por completo porque ainda é legalmente casado. Mas não se preocupe que tem sorte, já que aqui é muito fácil se divorciar. Logo poderá ficar com sua vida de volta. - O que quer dizer com isso? – Mulder assustou-se. - Só tenho um conselho para você e para a nova Sra. Estranho. Nunca tenham nada mais do que parceria de trabalho. Sei que só serão felizes assim, foi assim comigo. O relacionamento amoroso irá destruir tudo entre vocês. – ela falou terminado de arrumar sua mala, e olhando para ele, tentando manter a compostura. – Depois nós resolvemos os assuntos da casa, e as coisas que têm aqui. – ela deu um suspiro – Acho que podemos ser amigos, não é? Afinal fomos por tantos anos antes de tudo isso. - Você está entendendo tudo errado! - Não, Mulder. Só agora que eu entendi realmente tudo. – ela falou, pegando as coisas e descendo as escadas. Mulder não tentou ir atrás dela. Um tempo depois foi até a sala de estar, de onde Jane já tinha partido. UM MÊS DEPOIS Durante o mês inteiro Mulder não tinha conseguido conversar sobre o assunto com Scully, e já tinha até desistido. Pensou bastante no que ela tinha mencionado em seu bilhete, e mais do que nunca ele chegou a conclusão de que ela estava enganada. Seu amor estava sim ligado a confiança, mas em sua confiança por ela, e não por qualquer mulher. Também se afastou de Jane. Não queria que ela fizesse as mesmas coisas que Scully fazia, e era isso que Jane tentava. Tornou a desconfiar de que talvez Jane fosse alguma agente do Sindicato, pelo modo com que ela tentava aproximar-se dele. No dia anterior, ele tinha recebido um telefonema de Scully, o único em todo aquele tempo, dizendo que teriam que ir a um advogado para tratarem do divórcio, que era o que ela tinha argumentado ser o certo. Mulder não argumentou nada contra isso, e tinha combinado de ir com ela no início da semana seguinte. XXX Durante esse mês, Scully tinha sofrido por sua decisão, mas pensava ser o melhor a fazer. Ela amava Mulder, mas tinha certeza de que ele iria ter com Jane o mesmo tipo de relação que tinha com ela no período em que eram parceiros, e não estava disposta a presenciar isso. XXX RESIDÊNCIA DE MARGARETH SCULLY Mulder parou o carro em frente a casa de Margareth, mas não desceu de imediato, ficou pensando se deveria fazê-lo por alguns instantes. Saiu do carro e tocou a campainha. Alguns instantes depois, Margareth apareceu. Ela sorriu para ele, e o abraçou. - Fox, querido... Ela não está aqui. – ela falou maternalmente, recebendo- o com um carinhoso abraço. - Eu sei, Meg. – Mulder respondeu, triste – É que eu não tenho mãe. E precisava de uma agora. - Claro, Fox. Venha comigo. – Margareth disse. Eles sentaram-se na sala de estar da casa, Meg olhou para ele carinhosamente, e falou. - Você está abatido, Fox. Eu posso ajudar? - Dana me ligou ontem, e marcou horário para irmos a um advogado. - Ela me falou, Fox. – Meg disse, enternecida. - Eu não queria isso, Meg... – Mulder disse triste. – Mas ela não quer me ouvir. - Dana está convencida de que você nunca a amou, querido. Que confundiu agradecimento e confiança com amor. - Mas eu não fiz isso, Meg. Eu a amo. – Mulder falou, com uma sincera expressão de tristeza. – Eu não quero que ela fique longe de mim... - Eu sei, Fox. – Margareth falou o abraçando – Mas não sou eu quem deve saber disso. E sim Dana. Fale com ela. - Eu não sei como argumentar, Meg. – Mulder falou envergonhado – Ela está tão decidida. - Ela não esta decidida, Fox. Ela apenas pensa que você ficaria melhor sem ela, e é por isso que ela esta saindo de sua vida. – Meg falou, transmitindo serenidade para Mulder – Você tem que mostrar para ela que não é assim. Que você fica melhor quando ela está por perto. É assim não é? Mulder assentiu, sorrindo. Margareth havia lhe dado alguma esperança, e era isso que ele precisava para falar com Scully. Mulder foi ao endereço que Margareth havia lhe dado para procurar por Scully, e conversar com ela. Tinha ligado para ela sob o pretexto de conversar sobre a venda da casa, e marcar um encontro antes de resolverem a respeito do advogado. Ele tocou bateu à porta, e alguns instantes depois, Scully apareceu para abri- la, vestida de calça jeans e camiseta azul. Ele a fitou por algum tempo antes de falar qualquer palavra. Estava com saudades de sua presença, de seu cheiro, de tudo o que ela significava para ele. Ela fez o mesmo, ficou olhado para ele, tentando perceber qualquer mudança que por ventura ele pudesse ter sofrido. - Oi, Mulder. – ela o saudou com um sorriso tímido – Pode entrar. – ela falou abrindo espaço para ele passar. Ele entrou na pequenina sala do Flat, e se acomodou no sofá. Ela por sua vez, sentou-se em uma poltrona. Queria manter uma certa distância dele, para não ter chance de querer recuar em sua decisão. Ela não queria vê-lo antes de irem ao advogado, por temer que ele visse como ela estava triste com sua própria decisão. Mas como ele tinha insistido, e o assunto não seria o relacionamento deles, aceitou. - Geralmente é o homem que se muda para um flat, e não a mulher. – ele falou tentado fazer uma brincadeira – Somos sr. e sra. Estranho até nisso! - Logo não seremos mais sr. e sra. Estranho. – Scully retrucou, na defensiva. - Tem razão... – Mulder respondeu, sem jeito. Ficaram em silêncio por algum tempo. Mulder a fitava diretamente, mas ela desviava o olhar, um pouco constrangida com a situação. Era como se o tempo tivesse retornado, para quando ambos tinham medo de demonstrar qualquer sentimento. - Então... Como vai o trabalho? – ele perguntou, para iniciar a conversa. - Tudo bem, e você? – Scully falou, formalmente. - Tudo bem. - O que queria falar comigo, Mulder? - Sobre a nossa casa. Vou sair de lá, e acho que devemos colocá-la a venda, e depois dividir o dinheiro, fazer o acordo antes de falarmos com o tal advogado. - Claro. – Scully falou, mantendo a seriedade, mas estava decepcionada ao pensar que ele não colocava qualquer obstáculo para separar-se dela. Ao contrário, queria facilitar. - Nosso casamento foi curto, e acho que é só isso que temos para dividir, não é? - É. – ela falou desviando o olhar, para que ele não visse a tristeza. Ele saberia identificar isso. - Isso é doloroso para mim. – Mulder falou baixo. - Eu te disse que foi um erro nos envolvermos. Você se confundiu, Mulder. - Eu nunca me confundi, Scully. Não nesse assunto. – Mulder disse, levantando-se do sofá, indo em direção a poltrona que ela estava. – Você disse que eu não sei distinguir confiança, agradecimento e amor. Mas eu sei bem. Eu só amo você. Scully esboçou um sorriso triste, e secou uma lágrima que não conseguiu segurar. - Você confunde, Mulder. Você fez isso com Diana também. E está fazendo com Jane. Mulder tentou contestar, mais Scully continuou falando. - Você vai ficar bem, Mulder. Ficou logo depois que Diana foi embora, e vai ficar bem agora que eu estou indo. É a vez de Jane Reeve. - Eu nunca senti por Diana nada parecido pelo quê sinto por você. Eu não a amei como amo você. – Mulder falou decidido – E você não devia falar assim a respeito de Jane. Você diz que o meu amor está ligado com a minha confiança. E é verdade, mas só por você. Eu não sei quem é ou foi Jane Reeve, mas eu sei bem quem é Dana Scully. É a minha mulher, a mulher que eu amo. De quem eu não posso ficar longe, que é a minha vida. Mas que quer sair por pensar que não faz mais parte dela. Você não faz parte da minha vida, é a minha vida, Scully. Será que pode entender e aceitar isso? – Mulder suspirou, com algumas lágrimas nos olhos – Você alega que está me deixando para que eu fique bem. Mas como você quer que eu fique bem sem você? Mesmo tentando ser impassível, Scully ficou comovida pelo tom da declaração de Mulder. Sabia que ele estava sendo sincero. Ela levantou-se da poltrona que estava sentada, para olhar diretamente para ele que estava parado em frente a ela. Secou as lágrimas da face dele, carinhosamente, e ele colocou a sua mão sobre a dela, segurando-a por instantes. Depois de alguns instantes, os dois se abraçaram forte. Afastaram-se, e ficaram se olhando por alguns instantes, até Mulder se aproximar de Scully e dar-lhe um beijo nos lábios, um beijo, calmo e cheio de amor, que ambos estavam sentindo falta. Quando se afastaram, Mulder sorriu, e Scully retribuiu o sorriso. - Eu amo você, Scully. – ele sussurrou em seu ouvido – Eu não vivo sem você... Por favor, não saia da minha vida. Isso sim seria um erro. - Eu também te amo, Mulder. Desculpe fazer isso, mas é que eu pensei que fosse o melhor para você. Eles aprofundaram o beijo, tentado recuperar todo o tempo em que ficaram afastados, com toda a paixão que tinham. E que ainda teriam por muito tempo. Após fazerem amor, no quarto do flat de Scully, ficaram abraçados por um tempo sem dizer nada, apenas recuperando o tempo perdido. FIM XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Muito obrigada por ler até aqui! Preciso de um feedback!!!! Por favor!!!! Para críticas, elogios ou apenas para fazer amizade, mensagens para angela.m@uol.com.br Eu estava sem idéia para um título, por isso coloquei este aí, que não tem muita relação com a estória em si, mas que é uma bela frase, e que na minha opinião é verdade. Se não acabar bem, é porque ainda não é o fim. 7