Time after time. Autora: telma. Categoria: MSR/SHIPPER Spoilers: Algo de Never Again/ pós - all things. Disclaimer: Como todos sabemos, os personagens não nos pertencem, mas a FOX, tio CC, a Gillian e ao David que dão vida com maestria a estes dois. E aquelas que me conhecem, sabem.... se o Mulder me pertencesse...... bem......... deixa pra lá.... pra que ficar divulgando... Eu sei, eu sei...... "O Mulder é da Scully" (Cris, Déia, Fê e Anna ADAS). Feedback........... que quiser e puder........ faça sua vontade no amortrust@ig.com.br. Tentei preencher o desafio da Késsia duplamente......... escrever uma fic, e sob o ponto de vista de Mulder....... espero que tenha ficado legal. Dedicatória: Esta é para todos os amigos dos fóruns, que sempre me incentivaram a escrever, mas de uma forma especial dedico às minhas irmãs ADAS e ao meu irmaõzinho CDAS. Sábado de manhã. Porão do FBI. Mais um Sábado. Inútil pensar que isso possa fazer diferença alguma para mim. Sou um homem sem Sábados ou domingos. A minha vida não permite que o simples prazer de um final de semana se manifeste. Pelo menos não que me lembre; pelo menos não até agora. Vou partir para uma nova caçada. Vamos partir, eu e a mulher que resolveu abraçar estes ideais comigo. A minha única em cinco bilhões..... não seis bilhões. E nesse meio tempo, um bilhão depois, você ainda é a minha única. É engraçado e dá um medo pensar que nesta vastidão toda, você só tem uma opção, um leme a que se agarrar: mas é confortante saber que eu estou seguro, assim mesmo. Enquanto preparo os slides, uma música vai preenchendo o ambiente. "See the storm is broken, in the middle of the night...." . O ritmo é legal, começo a ensaiar alguns passos... não, eu diria que literalmente estou mexendo só os joelhos, algo como dançar parado. "The rain pushes, the buildings aside...." O som já se confunde com os passos firmes que vêm do corredor, que eu conheço tão bem. Scully entra, decidida e imediatamente desliga a música; o silêncio faz-se novamente. Ela parece chateada. Com gestos rápidos, abre os pacotes que trouxe junto a si e distribui o nosso almoço. Ah... como conheço aqueles olhos......... ela está profundamente entediada, já a vi assim antes e sei os estragos que isso pode lhe causar. Tento lhe explicar sobre o novo caso a ser investigado, que vamos partir pra Inglaterra, mas sua atenção está voltada em devorar uma salada. Quando nossos olhares se cruzam, já sei que não vou ter êxito. Ela novamente repete o discurso "eu quero ter uma vida Mulder....." ela não vai estar comigo. Já sei que nada pode ser feito neste momento. Novamente é preciso que se dê um tempo entre nós. Espero que desta vez possamos sair mais fortes desta situação. Me despeço dela e vou atrás do meu destino. Dirigindo meu carro pelas ruas de Washington, a caminho de casa, meu coração se aperta; meu primeiro impulso é voltar, pedir que cancele esta maldita autópsia e venha comigo. Mas algo me impede de fazê-lo. Sinto que o curso da estória, da nossa estória vai mudar e eu sou uma peça fora do jogo neste momento. Tempo ao tempo. +++++ Estou em casa, arrumando as malas, e pensando que talvez ela possa ter mudado de idéia e tenha resolvido vir comigo... o telefone toca; peço-lhe que pegue uns documentos relativos ao caso com uma pessoa que mora próxima ao hospital, ela me diz que se der, pois vai "sair a noite". Tento ser indiferente a esta informação, mas novamente me lembro de algo que lhe ocorreu na Philadelfia três anos atrás......... não vou ficar me martirizando; vou dar tempo ao tempo, sem precipitações. ++++++ E quem disse que posso resistir? Até o último momento possível preciso saber que ela está bem, que ficará bem. Enquanto me encaminho para o aeroporto, ligo no celular dela; ela está no trânsito, eu escuto o barulho do tráfego ao fundo de sua voz. A voz dela também some do telefone e eu escuto a sua respiração ofegante. Eu quero ir até ela. Eu quero ver se ela está bem. Mas não posso. Digo-lhe que estou partindo e onde ela pode pegar os arquivos que preciso; ela me diz que vai providenciar isto e desliga a chamada. Tomo a decisão de continuar com meus planos. Talvez alguns dias separados possam ajudar, talvez quando eu volte as coisas tenham mudado, ou não. Estou em pleno vôo para a Inglaterra; nunca senti tanta impotência ou desvantagem ao sair para investigar um arquivo x como estou sentindo neste momento. Ela não está comigo, o que já é muito, mas eu sei que Scully está passando pôr nova metamorfose, que ela está me escondendo algo; o caso na Philadelphia, Ed Jerse.... não, novamente não... Quase lhe perguntei hoje ao telefone; vontade tive, mas e a coragem? ++++++ Eu preciso estar distante milhares de quilômetros para tomar esta decisão? Preciso me sentir ameaçado pôr algo que nem sei se realmente esta ocorrendo para fazer isso? Estou resoluto que sim. Querendo ou não, quando voltar, Eu e Scully vamos Ter aquela conversa que venho adiando a tempos...... eu acho que sete anos foram mais que suficientes para definir meus sentimentos em relação à ela. Sei que perdi tempo demais; mas este tempo é recuperável pôr nós dois; porque nosso relacionamento está mais maduro, consciente e completo. Finalmente vou assumir que a amo incondicionalmente, que eu quero percorrer os seus caminhos, ao seu lado. Ufa.... um alívio me satisfaz o peito e consigo sorrir. Como eu gostaria de já estar voltando e não indo. Percebo que esta investigação já não tem razão de ser. Imprevistos providenciais fazem com que eu não permaneça em território inglês pôr muito tempo. O caso se revela um embuste; me sinto enganado novamente, e parto. Estou em Washington, cheguei preocupado. Todas as ligações que fiz para Scully do avião, nenhuma foi atendida; ela não está em casa, seu celular desligado; a princípio não sei onde começar a procurá-la. Claro, o hospital, ela só pode estar lá, deve Ter acontecido algum imprevisto com a autopsia realizada, só pode ser isso... Estaciono o carro, estou me dirigindo ao hospital. Sinto uma mão a tocar meu ombro. Ela me encara com surpresa, e alívio, eu vejo isso em seus olhos. Eu lhe digo que voltei, que o caso era uma farsa e vamos embora. Ela me convida para uma xícara de chá, e no caminho resolvo que este chá tem que ser na minha casa, no meu território, antes que eu perca..... não eu estou certo, certo. Repito este mantra mentalmente várias vezes para não mais esquecer. ++++++ A primeira impressão que tive ao ouvir o relato que Scully me fez nestes últimos minutos: surpresa. Não deveria ser assim, mas foi; às vezes, acho que a conheço tão bem, que posso olhar para ela e ver tudo que se passa em sua mente, sua alma e ela me surge novamente como uma caixinha de surpresas, revelando algo que não poderia esperar. Todos estes anos em que estamos juntos, só nós dois, e eu me esqueço que não foi a vida inteira assim. É interessante saber que neste momento ela sente a segurança de me confiar tais segredos do seu passado; conheço mais um pouco deste pequeno quebra-cabeça que quero tanto desvendar. Ela me diz que chegou a cogitar a permanecer com este homem, e o que não teria perdido com isso. Eu sei o que eu teria perdido se não a conhecesse, estamos discutindo sobre escolhas e probabilidades. Provavelmente não estaríamos sentados aqui, e para mim faria uma diferença enorme, diria muito, muito....... Mas ela não me ouve mais; caiu-lhe o sono e eu não sei até onde ela me escutou, até onde me fiz ouvir. Fico a olhá-la pôr um breve momento, tiro-lhe uma mecha de cabelo que insiste em cair pelo seu rosto, e cubro-lhe com uma manta. Todas as coisas que planejei dizer-lhe ficaram novamente para trás; não senti que o momento permitia, que ela me desse uma brecha para tal declaração. Quem sabe, quando novamente poderei fazê-lo. Neste momento, o que me importa é tê-la aqui, junto a mim. Levanto-me para que possa ajeitá-la melhor no sofá; meu ímpeto é carregá-la e deixar que ela possa dormir em minha cama, mas não sei se ela ao acordar, entenderia tão bem esta situação, então só a ergo e a deposito cuidadosamente ali mesmo. Me perco na sua beleza, na simples beleza de vê-la dormir. Ajoelhado ali no chão, delicadamente sussurro em seu ouvido aquilo que tanto quis lhe dizer a momentos atrás: - Eu te amo, eu te amo, eu te amo... Uma lágrima de tristeza me cai. Deito minha cabeça sobre o seu peito, escutando o vai e vem do seu coração. A mão dela toca o meu cabelo gentilmente, o meu coração dispara. Ela me sussura de volta: - Eu te amo, eu te amo, eu te amo... Levanto a cabeça, nossos olhares se cruzam; ela está tranqüila e feliz como nunca vi neste anos todos. Ela tem a certeza no olhar, a certeza de que vamos ficar juntos. A emoção bate, me aproximo e toco suavemente seus lábios com os meus. Nosso caminho se faz........... Fim. Espero que gostem. Curiosidade: Quando estava escutando uma música da Cindy Lauper, Time after time, tive a inspiração pra escrever esta fanfic. E acho que no final das contas, quem conhece a música sabe que ela bem se encaixa no relacionamento destes dois agentes. Foi uma experiência bem interessante.