FAN FICTION AUTORA : Sky E-MAIL : selmasky@ig.com.br DISCLAIMER : Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há nenhum interesse lucrativo. CLASSIFICAÇÃO : Shipper SPOILER : X-Cops SINOPSE : Scully possuía muitos fantasmas para temer e Mulder muitos motivos para se preocupar OBSERVAÇÕES : Gostaria que me enviassem um feedback, por favor, digam o que acharam. Escrevi esta fic para alimentar meu lado shipper já que o episódio foi bastante light neste sentido. Achei que eles poderiam ter explorado mais o medo dos agentes, afinal eles já conheceram muitos monstros. THREE WORDS Arredores de Los Angeles Scully caminhava de um lado para o outro. Passava das duas horas da manhã e ela estava cansada. Queria voltar para Washington e esquecer aquele caso que parecia não ter nada de consistente ou racional. ___ Chega, Mulder ! _ ela reclamou _ Seja lá o que for, está na cabeça dessas pessoas. A ronda terminou. Quero ir para o hotel, tomar um banho e dormir__ ela se impacientou__ Você pode parar de filmar um instante ? _ perguntou ao homem que a seguia com a câmera _ Eu não agüento isto__ ela continuou, olhando para Mulder. Scully estava nervosa. Sentia-se constrangida sendo o tempo todo filmada e observada. Incomodava-se mais do que imaginava. Não sabia se era por ter todas as suas ações vigiadas ou se por ser vigiada num caso tão esdrúxulo que a expunha ao ridículo, tanto quanto a Mulder que, aliás, parecia não se importar, ao contrário estava seguro , tranqüilo e até mesmo receptivo, dando informações sobre o caso sem se importar com a natureza duvidosa delas. Não sabia porque tinha deixado Mulder convencê-la a ficar mais uma noite e acompanhar outra ronda. Não haviam conseguido mais nada, mas, afinal, ele sempre a convencia a fazer o que ele queria. Ela afastou-se em direção ao carro, enquanto o câmera a seguia com insistência. Abriu a porta e sentou-se olhando pela janela e barrando a entrada do cinegrafista. __ Nem pense ! __ cortou ríspida __ Você vem, Mulder ? Olha aqui__ fitou o homem que insistia em seguí-la __ A ronda acabou, eu não estou mais em serviço. No meu quarto você não vai entrar. Será que me entendeu ? O homem desistiu, desviou a câmera e voltou para junto da equipe de policiais. Mulder realmente estava se divertindo com aquilo, vendo-a irritada e constrangida com a situação. ___ A enigmática Agente Scully __ pensava ele __ Do que será que tem medo ? Mas sabia que não era medo. Ela apenas era discreta e tímida demais para ter refletores sobre ela. Já se expunha o suficiente no trabalho ao lado dele, agüentando os sorrisos e comentários irônicos sobre os casos que investigavam e o acompanhando mesmo quando ele a expunha a mais ridícula das situações. Não seria justo pedir-lhe mais. Viu que ela ligava o carro e saía sem esperá-lo. Realmente estava nervosa. Não costumava vê-la agindo assim. Ele ainda ficou conversando com os policiais, tentando encontrar mais alguma coisa, mas tudo o que tinha de concreto era o medo que se materializava para cada uma daquelas pessoas, na forma do seu mais horrível pesadelo. Enquanto caminhava para o carro, com o policial que o deixaria no hotel, ainda estava intrigado. Todas as vítimas tinham em comum apenas a seqüência das mortes. Como se o monstro que as atacara passasse a perseguir imediatamente a pessoa mais próxima à vítima ou à cena do crime. De repente, uma leve apreensão começou a tomar conta dele. A enfermeira havia sido a última vítima a morrer e quem estava com ela era Scully. A apreensão logo se transformou em angústia e, à medida que o tempo ia passando e não chegavam ao hotel, passou ao completo desespero. QUARTO DE SCULLY Hotel Hollywood Scully chegou ao hotel e sentiu-se mais confortável sem a presença desagradável das câmeras. Dirigiu-se ao banheiro e ligou as torneiras, temperando a água, antegozando a alegria de mergulhar naquele banho quente e reconfortante. Imediatamente relaxou os músculos, deixando para trás as tensões do dia. Colocou a arma sobre o criado-mudo. Tirou os sapatos. Abriu a mala e separou o que usaria. Havia esquecido o pijama e teria que se contentar com o roupão do hotel . Foi até a banheira e desligou a água, despindo-se e entrando, soltando uma exclamação de puro prazer. Pôs-se a pensar no caso. O que levaria aquelas pessoas a personificar os próprios medos ? Se é que a teoria de Mulder estava certa... Porque relembrar monstros e fantasmas de filmes ou da infância, como o policial e a mexicana ? Por que aquele bizarro casal homossexual não fora atingido ? Lembrou-se deles e sorriu. Realmente era um estranho casal. Mas havia algo de poético na forma como se protegiam, como se esforçavam para chamar a atenção um do outro. Talvez Mulder tivesse razão : eles não tinham medo da própria morte e sim da vida sem o outro. Passou a pensar em si mesma. Relembrar e avaliar as situações de medo e tensão pelas quais havia passado. Eugene Tooms... Duane Barry... todas as vezes que se encontrara perto da morte...teu câncer... todos os momentos em que estivera com Mulder...num hospital... no frio... lutando para mantê-lo vivo. Foram muitos casos, mas, apesar do medo, quase sempre conseguira manter o equilíbrio... a razão. Pensava que , se não fosse tão racional, provavelmente não estaria mais viva ou ,no mínimo, estaria internada em algum sanatório. Tentou apagar as lembranças um tanto amargas que lhe vinham à cabeça, tomando a tensão que começara a envolvê-la como resultado dos pensamentos que estava alimentando. Mas não conseguia evitar e, de repente, uma imagem formou-se em sua mente, tomando forma como uma de suas mais temíveis recordações e ela se viu pensando em Donnie Pfaster. Na primeira vez que o vira. No pavor que ele lhe causara . Do último encontro, onde sua reação havia sido tão intensa que não hesitara em atirar nele, tamanho o medo do que ele pudesse lhe fazer. A inquietação começou a aumentar e ela sentiu-se incomodada. Subitamente, o banho não estava mais tão bom. Levantou-se lentamente, estendendo a mão para pegar o roupão sobre a cadeira. Ouviu um barulho na porta e se apressou a ver o que era. O quarto estava na penumbra. Ela caminhou devagar, ajustando o roupão ao corpo com força. Estava começando a entrar em pânico. Suas mãos tremiam e ela, apesar dos esforços, não conseguia se controlar. Seus sentidos estavam aguçados e qualquer ruído parecia enorme e a deixava em sobressalto. Olhou para a arma sobre o criado mudo e achou melhor mantê-la junto a ela. Caminhou até a cama e estendeu a mão para pegá-la. Seus braços , porém, foram bloqueados por mãos enormes que a seguravam por trás, envolvendo-a num abraço. Pensou em gritar, mas a voz não saiu. Foi violentamente jogada sobre a parede oposta. A arma arremessada no chão. Não queria acreditar no que via. Donnie Pfaster estava na sua frente. O mesmo sorriso assustador, a mesma voz baixa. ___ Estava com saudades, querida __ disse se aproximando __ Ainda não terminamos o que havíamos começado. Scully fechou os olhos, tentando se convencer de que aquilo não passava de um pesadelo. De que Donnie Pfaster estava morto. De que ela precisava se controlar. Controlar seu medo, mas não conseguiu, ele a atacou prendendo-lhe as mãos, a respiração próxima ao seu pescoço, sussurrando em seu ouvido. ___ Já nos poupou algum trabalho. Está cheirando tão bem e esses seus cabelos são tão... bonitos_ disse enterrando o nariz no pescoço dela _ São naturais, não são ? Scully tentou reagir. Conseguiu soltar as mãos e correr para a porta, mas, seja pelo estado em que ela se encontrava, ou pelo pavor com que ela o alimentava, Donnie estava muito mais forte. Jogou-a novamente no chão e começaram a lutar. Ela tentava alcançar a arma, derrubando móveis e então sua voz se soltou e ela começou a gritar, tentando chamar a atenção de alguém. Seus braços estavam arranhados. Havia sangue em sua boca. Seus cabelos completamente despenteados seu corpo machucado. Mas, finalmente, ela ouviu algo que lhe deu esperanças. ___ Scullly !!! Tente abrir a porta ___ Mulder gritava desesperado do outro lado, tentando entrar no quarto __ Não pode ter medo, Scully. Lute contra seu medo. Nada disso existe. É tudo ilusão. Você precisa reagir. Me escute. Ela pareceu recuperar um pouco do sangue frio. ___ Parece que vou ter que matar seu amigo primeiro, não é querida ? _ Donnie sussurrava perto dela _ É uma pena, homens não são objetos do meu desejo, mas... Ele tentava amarrá-la na cama para ir atrás de Mulder, numa atitude que ela ainda não conseguia entender. Mas, ao perceber a intenção dele, que olhava fixamente para a arma no chão, ela compreendeu o que ele pretendia fazer. Buscou toda a sua força e chutou- o, golpeando-lhe o estômago. Desvencilhou-se, jogando-se no chão e pegando a arma. Disparou todos os tiros sobre ele, vendo-o desaparecer sobre os seus olhos , enquanto Mulder entrava após arrombar a porta e a fitava atirando para o nada . Soltou a arma e teria caído, se Mulder não corresse para ampará-la. Mulder deitou-a na cama e voltou para fechar a porta, onde já se reuniam várias pessoas atraídas pelo barulho. __ Não há nada aqui ___ disse, enquanto as colocava para fora __ Amanhã eu acerto os estragos com o senhor __ disse, dirigindo-se ao recepcionista ___ Agora saiam ! Mulder fechou a porta e colocou o trinco, já que a fechadura estava destruída pelo tiro que ele dera. Voltou para junto dela que já despertava assustada, procurando por seu agressor. __ Calma, Scully, calma __ disse abraçando-a ___ O que quer que você tenha visto já foi embora. Precisa se controlar. Seu medo o está alimentando. Tente se acalmar. Ele a estreitou mais, falando-lhe com carinho junto ao ouvido, roçando os lábios em seus cabelos. __ Eu estou aqui _ dizia em voz baixa _ Nada vai lhe acontecer. Eu prometo . Scully começou a assimilar o que havia acontecido. Fora vítima do caso que estavam investigando. Todas as suas resistências ruíram e ela desabou, chorando descontroladamente abraçada a Mulder que a embalava. Demorou um pouco até que ela recuperasse o sangue frio. Encostou-se nos travesseiros que ele ajeitara e permaneceu quieta, enquanto ele se dirigia ao banheiro. ___ O que é isso Mulder ? _ murmurou _ Tinha tanta certeza de que era ele. Eu o via e quando atirei... ele simplesmente desapareceu, eu... não entendo. Mulder voltou com uma toalha nas mãos e sentou-se ao lado dela. ___ Não quer ir a um hospital ? ___ perguntou-lhe, aproximando-se e limpando os ferimentos dela, na testa e junto à boca __ Não está sentindo dor ? __ Estou bem agora. Não se preocupe. Apenas meu corpo está dolorido _ disse, fazendo uma careta _ Nós lutamos e... Ah ! Deixa pra lá ! Não havia ninguém aqui, não é ? ___ Quem você viu, Scully ? Ela fechou os olhos e respirou fundo antes de responder. ___ Donnie Pfaster __ falou baixinho, abrindo os olhos para fitá-lo. Ele a abraçou novamente. ___ Ele ainda te assombra não é ? Ela apenas afirmou com a cabeça, feliz por ele estar ali com ela. Sentia-se segura agora. Aninhou-se em seus braços e ficou ali, restabelecendo suas forças...controlando suas emoções. Passou-se algum tempo até que ela se tranqüilizasse e se afastasse. ___ Está bem agora ? ___ Estou Mulder, obrigada . Descobriram mais alguma coisa ? ___Não, mas o medo é o fator de contaminação. Disso não há dúvida. O xerife vai continuar investigando, não há nada para fazermos aqui. Não era verdade. O caso era intrigante. Ele gostaria de ficar mais tempo. Sair novamente com os policiais, mas sabia que Scully não deixaria que ele fosse sozinho e, no momento, a segurança dela era tudo o que importava. Não queria que ela se expusesse mais. ___ Sabia que ele estava morto, Scully. Sabia que o seu medo o estava alimentando . O que a fez reagir ? ___ Não sei, Mulder. Estava pensando no caso. Porque aquele casal , os homossexuais... porque não foram atacados ? Fiquei pensando... acho que tem razão. Eles não têm medo de morrer, têm medo de se separar e... Ela parou para ordenar as idéias e lembrou-se o que a havia feito reagir. ___ Acho que perdi o medo quanto ouvi sua voz e Donnie disse que iria te matar. Ele queria pegar a arma...ia atirar na porta, eu acho, não sei, mas quando pensei que ele poderia te atingir perdi o medo... perdi o medo de morrer. Acho que a questão é desviar o medo da própria morte. Esquecermos de nós mesmos, ou talvez, pensar em algo que tememos mais do que nossa própria morte. Ela levantou os olhos para fitá-lo. ___ Tem mais medo da minha morte que da sua Scully ? ___ ele perguntou, perigosamente junto a ela. Scully balançou a cabeça assentindo, mas procurou desviar o assunto que estava entrando num terreno que também a apavorava. ___ Este quarto está de pernas pro ar __ disse, levantando-se e procurando ajeitar as coisas. Mulder deitou-se na cama e ficou observando-a se movimentar...organizar os móveis. Também temia mais colocá-la em risco do que a si próprio, e não imaginava o que faria se ela morresse. Ela terminou e voltou a fitá-lo. ___ Não está cansado, Mulder ? Eu estou bem. Pode ir dormir. ___ Só vou sair daqui para ir ao aeroporto, Scully.Não vou deixá-la sozinha, com alguma coisa que não sabemos o que é. ___ Acho que já exorcizei este demônio. Não creio que ele voltará a me atacar. Não estou mais com medo __ ela contou, sentando-se na cama novamente, em frente e ele. Mulder levantou-se e caminhou pelo quarto, tomando coragem para decidir o que fazer. Parou novamente em frente a ela e sentou-se numa cadeira, de certa forma, impedindo que ela saísse. __ Mas eu ainda tenho medo, Scully __ ele estava tão sério e a olhava tão intensamente que ela sentiu-se inquieta __ Tenho medo que algo de ruim lhe aconteça. Medo que alguém a machuque, mais uma vez, por estar ao meu lado. __ Eu estou bem. Nada vai me acontecer, mas... se vai se sentir melhor...pode ficar aqui. __ Também tenho mais medo da sua morte que da minha _ ele continuou _ Só não sei se pelos mesmos motivos. Por que, Scully ? Por que teme mais a minha do que a sua morte ? __ ele se inclinou em direção a ela, diminuindo a distância entre eles, procurando nas mudanças de expressão dela a resposta que queria ouvir. Ela não sabia o que dizer. Uma leve sensação de pânico apoderou-se de sua mente. Apertou as mãos com força para que ele não notasse o tremor. Daria tudo para sair daquela situação e voltar à segurança de sua racionalidade, mas algo mais forte que ela dominava o ambiente. As emoções liberadas pela tensão que havia passado instantes antes... a proximidade dele...o perfume que chegava até ela... suas feições sérias... extremamente sérias. Tão diferente do que estava acostumada. Tudo isso a perturbava mais do que queria admitir. Pensava em algo para dizer que pudesse descontrair o ambiente, mas sua resposta saiu vacilante, sem convicção. __ Somos parceiros...Vive se metendo em encrencas, Mulder. É natural que eu me preocupe com você. Somos amigos há muito tempo. __ Há muito tempo que você deixou de ser minha amiga, Scully __ Oh ! Obrigada Mulder, sinto-me lisonjeada__ ela respirou fundo e exibiu um sorriso, acreditando que ele faria algum de seus comentários ou piadas bobas que terminariam apenas em risos e afastaria aquela expressão desconfortavelmente séria que adotara. Porém não foi o que ele fez. Tomou as mãos dela, que pareciam estranhamente fixas sobre as pernas e acariciou-as com as pontas dos dedos, recolocando-as no lugar e cobrindo-as com as dele. Ela sentiu um calor intenso espalhar-se pelo corpo ao sentir o toque em suas pernas. Voltou a fitá-la. A mesma intensidade nos olhos muito abertos. __ Há muito tempo que você deixou de ser somente minha amiga para se tornar a mulher que eu amo, Scully. Havia sinceridade, ternura e, sobretudo, medo naquelas palavras .Temia que ela o repelisse, mas estava disposto a arriscar tudo para finalmente, tê-la por completo para si. Todos os anos de convivência diária e constante. Tudo o que passaram juntos. Todas as vezes que suas mãos se encontraram num gesto terno de solidariedade...às vezes sem conta em que os braços um do outro parecia o único lugar seguro para se estar...o desejo cada vez maior de estar com ela...sentir seu toque...ouvir sua voz. Tudo era intenso demais para ser ignorado e ele não queria continuar assim. ___ Mulder não.... __ ela disse tentando se esquivar do contato, mas ele pressionou as mãos sobre as pernas dela. __ Eu sei que estou arriscando alto, Scully. Arriscando perder as duas únicas paixões que eu conheci, você e o meu trabalho porque, sozinho, os Arquivos X não fariam sentido. Mas eu não planejei isso. Você apareceu com seu jeito cético, suas teorias científicas, seu bom senso e eu me senti seguro porque achava que odiaria trabalhar com alguém assim . Alguém que me questionasse, que moderasse minhas ações. Eu não me protegi e então você foi se aproximando...sua segurança...sua ternura... sua confiança... seus cuidados me tomaram completamente. ___ Isso é gratidão, Mulder, nada mais... ___ Não é gratidão quando quero estar todo o tempo ao seu lado. Ouvir sua voz à noite, quando estou sozinho e me sentir infeliz porque você não está lá. Ligar a noite pra te acordar porque eu sei que você vai me ouvir, por mais absurdo que seja. Sentir-me estremecer quando você acidentalmente me toca. Quando suas mãos percorrem meu corpo procurando algum ferimento. Quando, não suportando a pressão, você se aninha em meus braços procurando consolo. Quando seu riso, tão raro, enche o ar e preenche meu dia. Scully, isso é tudo, menos gratidão. Se eu fosse grato diria para você ir, para não se arriscar mais. Mas não posso me afastar. Não quero ficar sem você. Eu já te disse isso uma vez. Você é a pessoa que eu mais admiro, a única em quem confio. Apenas você seria capaz de me fazer abandonar tudo, somente para estar ao seu lado. ___ Mulder, por favor ! __ ela desviou o olhar. ___ Porque não, Scully ? Porque não podemos simplesmente nos amar ? ___ Não é certo, somos parceiros.... ___ Somos humanos... mais vivos do que nunca. ___ Não podemos Mulder ___ ela não conseguia sustentar o olhar que ele lhe dirigia, numa súplica muda. ___ Scully, diga apenas : "Eu não quero"__ ele achegou-se mais, já temendo que houvesse jogado todas as fichas e agora iria perder tudo. __ Não devemos... __ a voz dela era apenas um sussurro. __ "Eu não quero" , apenas isso__ seus lábios próximos ao ouvido dela. __ Podemos perder tudo __ ela tomou coragem e o encarou. __ Três palavras, Scully, e eu me afasto e tentamos esquecer tudo isso, não vou me magoar. Ela abaixou a cabeça. Tomou as mãos dele nas suas. Ficou pensando o que, para ele, pareceu uma eternidade e então, seus olhos se encontraram, brilhantes e úmidos, as mãos dela subindo pelos braços e , num gesto terno que ele tanto gostava , segurou-lhe o rosto entre as mãos. ___ Três palavras, Mulder___ ela disse, encostando os lábios aos dele ___ Também amo você. Ele abriu o sorriso mais genuinamente feliz que ela já vira e pensou que somente aquilo valia o risco que estavam correndo. ___ Vamos tentar esquecer que somos parceiros_ ela continuou _ Talvez isso arruíne anos de amizade, mas... não importa... Quero você, Mulder ! Tanto que dói, tanto que estou disposta a esquecer meu bom senso, minha lucidez...minha racionalidade. para simplesmente me entregar a essa nossa loucura. O beijo que trocaram foi ardente. Havia urgência neles. Mulder a puxou para si, colocando-a em seu colo, abraçando-a com força, enquanto ela passeava as mãos pelas suas costas. Estavam ofegantes quando ele a ergueu nos braços, deitando-se sobre ela na cama, as mãos sobre o laço do roupão. Olhou para ela como a pedir permissão e sorriu, correndo os dedos pela abertura e deixando à mostra a pele branca e macia que ele vira apenas em momentos tensos demais para qualquer observação emotiva. Entregaram-se a carícias lentas e suaves. Não deixando que a emoção transbordasse a ponto de consumí-los de uma vez. Queriam cada minuto. Sentir cada toque, cada suspiro. Havia sete anos de espera e eles fariam com que aquele momento valesse por cada um deles. Seus lábios se encontraram, se exploraram, as mãos vagueando incertas e trêmulas. A pele arrepiando-se ao mais leve toque. A noite prometia ser breve demais para consumir tanta paixão, mas era apenas a primeira de todas as que, agora, eles sabiam que se seguiriam. A amizade não estaria arruinada, nem o trabalho comprometido. Havia mais um motivo para estarem unidos e essa razão preencheria as lacunas que ainda existiam em suas vidas. FIM