Texto: Gabriela Beltrand E-mail: gabi_vernet@bol.com.br Relato de uma super Shiper THE TRUTH IS IN THE LOVE! PM 9:51 APARTAMENTO DE MULDER A porta do apartamento 42 se abre. Um paletó preto é atirado sobre a cadeira. O homem de olhos verdes senta, e em sua mão uma lata de Ice Tea e algumas sementes de girassol. O homem se chama Fox. Fox Willian Mulder. Ele está cansado, rosto marcado pelo trabalho. Mais uma vez querem encerrar os Arquivos X. Mais uma vez para Mulder e Scully a ameaça de seperação. Ele estava realmente cansado. Resolveu deitar-se um pouco. Retirou as revistas de cima da cama, e deitou-se olhando para o espelho. Neste momento pensava em Scully. Em seus lindos olhos azuis, em seu cabelo ruivo, seu sorriso... Mulder sentia medo em pensar que a perderia. Não teria motivos para encontrá-la se não fossem os Arquivos- X. Uma lágrima escorre pelo rosto daquele estranho homem. Pensava em todas as vezes que ela o livrara de seus próprios medos, das vezes que ela salvou sua vida, de como o manteve honesto, de como o manteve vivo... Ele realmente a amava. Como nunca amara ninguém antes, amava estar com ela, amava quando seu celular tocava, sabia que era ela, sempre era. A única pessoa que realmente se importava com ele, a única pessoa com quem ele realmente se importava. Ele estava quase pegando no sono, seus sonhos se misturavam à realidade. O sonho de tê-la junto a ele. Claro que Mulder sabia que Scully sentia algo por ele, algo diferente da grande amizade que tinham. A amizade que se tornou uma barreira para o amor. O sono chegava cada vez mais forte mas Mulder queria pensar na sua amada. Queria senti-la perto dele, sentir que estava presente mesmo que em pensamento. PM 10:34 APARTAMENTO DE SCULLY Scully estava na cozinha preparando um café, depois de um banho longo. Ela estava cansada. Ao tomar o primeiro gole lembrou de um rosto. Cabelos castanhos, olhos verdes... Resolveu pensar em outra coisa, não queria chorar, não novamente. Levantou-se e foi até a sala ligar seu aparelho de som. No rádio tocava I will always love you de Whitney Houston. - Ah, não! - pensou. Essa música a fazia lembrar do mesmo rosto. Sentou-se no sofá com sua xícara de café e aquele rosto vinha em seu pensamento a cada refrão da música. Pensava que não o veria nunca mais, seus olhos ficaram úmidos e uma lágrima teimava em descer por aquele rosto triste. O nome Mulder era como uma música suave tocada repetidamente em seu coração. Não queria perdê-lo, não queria mais sofrer. Estava cansada. Lembrava agora do beijo no Ano-Novo. Lembrava do amor que sentia por aquele estranho homem, aquele investigador de mentes humanas, aquele que um dia ela queria que investigasse seu coração. Sua mão foi instantaneamente ao telefone, o número dele já na memória, o telefone chamou algumas vezes quando do outro lado da linha uma voz assustada atendeu: - Alô? Scully permaneceu sem dar uma palavra. - Alô? Alô? Scully emitiu um longo suspiro, e foi o bastante para o homem do outro lado da linha descobrir quem era. - Scully é você? Seu coração começou a bater forte, e suas pernas tremiam. - É você Scully? Por favor me diga que é você! Ela desligou o telefone imediatamente, o medo tomou conta de seu corpo inteiro. Ela nunca havia se sentido assim a não ser quando viu Mulder pela primeira vez. Será que ele sabe que fui eu quem ligou? - pensou. O susto deu lugar a um sorriso, ela lembrou-se do que ele disse: Scully, por favor me diga que é você! Será que ele queria falar comigo? Preciso ligar pra ele novamente. Resolveu se acalmar para não parecer muito nervosa, o que ele pensaria? Deitou-se no sofá, olhou para o teto e novamente aquela imagem do homem de olhos verdes apareceu em sua mente. Meu Deus como ela o amava! De repente o telefone tocou, Scully assustou-se e atendeu: - Scully! - Dana, sou eu! - Mulder?! - O coração disparou, Mulder nunca havia a chamado de Dana antes. Ela sentiu seu coração querendo sair pela boca. Eles sempre se trataram formalmente, existia um espaço separando-os que ás vezes desaparecia quando ele a abraçava para protejê-la. Agora foi um desses momentos em que a grande barreira que os separava e ao mesmo tempo os unia desaparecesse completamente. - Sim, sou eu. Dana... - O que houve? - Dana eu, ... - Sim? - ...você acha que vão fechar os Arquivos X? - Mulder, você me ligou pra dizer isso? - Na verdade não. - O que foi então? Scully esperava um "eu te amo", esperava que ele viesse a seu apartamento e a beijasse ferozmente, esperava que pelo menos ele dissesse alguma coisa, mas o silêncio permaneceu e cada vez ela se sentia mais nervosa com a situação. - Acho que estou um pouco atordoado. Vou desligar. - Espera Mulder, o que houve? - Até logo, Scully. Tchau Fox, eu te amo!- ela disse após Mulder ter desligado. Ela o achou estranho, mais do que de costume, mas com toda a história do FBI... Ela levantou-se e foi para o quarto, abriu a gaveta de sua escrivaninha e lá achou um cartão de Natal que recebera de Mulder. Ela lembrou de quando quase morreu escolhendo o presente certo pra ele. Não sabia com o que presenteá-lo, nada do que encontrava achava que ele gostaria, na verdade ela descobriu que ele era um homem simples e também meio complicado. Abriu o cartão que dizia: Scully, Feliz Natal Fox Mulder P.S.: A verdade está lá fora. Mulder era um homem de poucas palavras, mas no que dizia, era irônico. Ela verificou em seu laptop se não haviam novas mensagens. E lá encontrou todos os rascunhos de e-mails que fizera para enviar a Mulder. Rascunhos que delatavam todo o seu amor, seu sofrimento, todos não enviados. Guardou seu precioso cartão na gaveta e pegou uma foto que estava dentro de outro envelope, esse com o logotipo do FBI. Dentro, uma foto que Skinner havia tirado sem que eles percebessem no dia do seu aniversário. Dentro um papelzinho em que estava escrito: "Eu sei o que você sente, percebe-se em seus olhos um presente para uma amiga Skinner" Eles nunca comentaram nada sobre o assunto, e Mulder nunca soube da foto. Hoje ela admirava aquele rosto que já sabia de cor. Ah, aqueles olhos verdes... AM 9:11 APARTAMENTO DE MULDER O "Dono do Porão do FBI" já estava acordado, ele dormiu muito pouco. Levantou-se pensando no que fizera ontem. Ligou pra Scully e só falou coisas sem sentido, e a chamou de Dana. Ela deve ter desconfiado... - pensou. Quando ele pensava nela, não pensava como Scully- a parceira e sim como Dana. Sua Dana. Comeu o que restava de algumas sementes de girasol e tomou um gole de Ice Tea, que agora mais parecia "Hot Tea". Vestiu seu paletó preto e foi ao Birô.Era a última audiência. Enquanto estava a caminho, em seu carro, pensava no que diria à Dana. Embora ela não tivesse entendido nada (ele achava) ele preparou uma explicação. Pela primeira vez na vida suava frio, nem quando foi resgatar Scully no meio daquela montanha de neve, nem quando percebia que os conspiradores estavam à sua espreita preparando uma armadilha, hoje dentro daquele carro o estranho sentia medo. Ele estava apaixonado, tinha necessidade de tê-la por perto para orientá-lo, para consolá- lo, aquela figura de uma mulher dura não o convência. Mulder conhecia a verdadeira Scully, a médica dedicada, amorosa com seus pacientes, a profissional expcional que ele queria estar para sempre junto. 0 maior amor que já tinha sentido ele dedicou à ela. Sua querida Dana. AM 10:17 FBI Mulder sentado em sua mesa recolhendo alguns papéis que julgava necessário para a audiência. Na verdade ele só estava esperando Scully chegar. Ouviu alguns passos muito familiares e Scully entrou na sala. Nenhum dos dois disse nada por alguns instantes... - Vamos, Mulder? - Ahnn? - Vamos, você não vai à audiência? Já estamos atrasados. Mulder levantou e seguiu sua parceira pelos corredores até entrarem no elevador. Ele foi para o canto oposto do dela. Ficaram se olhando assustados, apaixonados. - Está ansiosa? - Um pouco e você? - Não sei. Todo o meu trabalho indo embora não sei se estou nervoso, não sei... - Olha, Mulder eu sei o que isso significa pra você mas... - E não significa nada pra você, Scully? - interrompeu Mulder. - Claro que sim. Você acha que eu continuaria aqui se não fosse pelos Arquivos X? Mulder olhou para baixo e uma lágrima caiu. O único motivo para Dana estar ali era então o Arquivo X? Para ele era mais, era estar na companhia dela, protegê-la, salvá-la. A porta do elevador se abriu e ela saiu enquanto ele acompanhava seus passos. Os agentes entraram na sala onde todos já esperavam impacientes. Em meio a audiência Mulder já perdera a cabeça, os Arquivos X não podem ser fechados! - gritou. - Dê-me um bom motivo para isso Agente Mulder! - Os Arquivos X investigam uma corporação que esconde a existência de alienígenas, quantas vezes vou ter que repetir isso! - Agente Mulder, você tem provas disso? - Bem não agora, mas... - Você está desrespeitando uma autoridade federal, além de não ter provas do que disse. Retire-se da sala imediatamente! Scully observava seu parceiro que saiu tenso da sala. Mulder foi para o lugar mais óbvio em que poderiam encontrá-lo, o seu esconderijo, seu canto pessoal "O porão do FBI". Sentou-se no chão ao lado da estante mais escondida e ali ficou. Imóvel. PM 12:30 PORÃO DO FBI - Mulder, você está aqui? - Mulder? - Estou aqui, Scully. Scully olhou o cara de olhos verdes e percebeu um ar de tristeza. Aquele homem que tantas vezes a fizera chorar estava agora em seu pior estado. - Trouxe uma nóticia... - Já sei, não precisa me dizer. Já arrumei minhas coisas, só me deixe ficar um pouco mais aqui. - Os Arquivos X serão reabertos. Ele não falou nada, a olhou com aqueles olhos verdes e de repente um sorriso abriu-se em seu rosto. Aquele sorriso que há muito tempo não via apareceu como um relance e agora inundava seu rosto de alegria. - Como assim? Tem certeza? - Eu conversei com eles e resolveram dar à você uma nova chance. Espero que dessa vez você pense mais no que dirá... Mulder levantou-se e não sabia o que fazer. O que diria aquela mulher que sempre o manteve vivo, como estava fazendo agora? Sentiu aquele medo novamente. - Scully eu... eu não sei nem como agradecer... eu, eu... Scully chegou perto dele e segurou sua mão, ficou olhando-a e olhou para o rosto do homem de olhos verdes que cada vez brilhavam mais. - Mulder, tudo isso que eu fiz foi por você! - Outra vez o coração dela pulava e se sacudia fazendo com que ela tentasse pará-lo. - Por favor Dana... Scully e Mulder se aproximaram mais e mais até sentirem o corpo um do outro. Agora Mulder sentia-se perto dela, e Scully olhava na direção do rosto mais lindo que já tinha visto. - Fox, você está tremendo! - Você também! Mas não é de frio... - Mulder eu, eu... - Eu também te amo, Dana! Fox beijou Dana com todo o amor que tinha guardado durante todos aqueles anos, toda a vontade que tinha de beijá-la como nunca fizera antes. Dana beijou-o. Ela o amava, e não precisa mais esconder, nem de si mesma. E qual lugar melhor do que "O Porão do FBI", onde passaram o maior tempo juntos, onde tudo aconteceu, qual melhor lugar? Ficaram abraçados, queriam sentir o calor um do outro, queriam sentir que estavam juntos finalmente. - Dana? - Hum? - Eu te amo! - Fox, eu queria ficar pro resto da vida assim com você... - Sabe que eu descobri uma coisa agora... - O quê? - Que a minha vida inteira eu procurei por uma coisa que eu não sabia bem o que era, e agora sei que o que eu procurei a vida inteira estava ao meu lado. Estava ao meu alcance e eu nunca tive coragem... - Shhh... Não fale mais nada, Fox. Os dois ficaram ali abraçados, uma lágrima correu pelo rosto do homem dos olhos verdes, outra desceu pelo rosto jovem da mulher dos lindos olhos azuis. Se amavam. Agora eles sabiam que além de agentes especiais Scully e Mulder eram Dana e Fox. A verdade estava lado a lado o tempo todo, estava no proteger, no ajudar, no aconselhar, no amar. E eles se amavam... " And I will always love you...." Gabriela Beltrand