Titulo: Terapia Autora: Rosa Maria Uma bela jovem de olhos azuis, cabelos castanhos, aparentando ter quinze anos, entra num consultório de Psicologia. Logo é recebida pela psicoterapeuta Linda White. -Olá! Entre, por favor! Já iremos conversar! -Está bem. Obrigada. A jovem entrou numa sala e esperou as instruções da psicóloga. -Está tudo bem! Sente-se no divã, que eu sentarei nesta cadeira. – disse apontando para uma poltrona em frente ao divã – Não há o que temer! Apenas vamos conversar. -Meu pai falou que a senhora estudou com ele. -Sim, estudei com seu pai. Fizemos faculdade juntos. Só que eu me especializei, mas isso não vem ao caso. Fique à vontade. Responda-me uma única coisa: você está com medo dessa conversa? Por favor, seja sincera. -Sim, estou com medo. Mas, podemos conversar, sim, pois eu logo vencerei este medo. -Muito bem!! Você é muito corajosa! Por onde quer começar? -Quero começar fazendo-te uma pergunta. Posso? -Sim, faça. -Podemos fazer terapia se a senhora estudou com meu pai? -Sim, podemos. Não tenho vínculos com você, mas, a partir de hoje, seremos amigas. Agora, vamos... Quero que comece a falar. -Sei que a senhora já sabe meu nome, mas posso começar me apresentando? -Sim, como quiser. Fique à vontade. Só não me chame de senhora nem de doutora, ok? -Ok! Meu nome é Samantha Katherine Scully Mulder. Meu pai chama-se Fox William Mulder e minha mãe, Dana Katherine Scully. Nasci no dia 25 de setembro, às 23:30. Hoje tenho quinze anos. Tenho um irmão de treze anos chamado David William Scully Mulder, mas nós o chamamos pelo apelido, Will. – parou e olhou para Linda, esperando que ela se apresentasse também. -Bom... Eu sou psicoterapeuta e meu nome é Linda White. Tenho cinqüenta anos, embora eu aja como uma pessoa mais nova. Sou solteira, não tenho filhos e estou pronta para te ajudar. Por favor, continue. -Estou no segundo ano do Ensino Secundário e pretendo seguir a área de meu pai. -Que bom! Continue... Fale o que vier a sua cabeça ou o que quiser contar. Alguma coisa te aflige? -Sim, a separação de meus pais. – ela não agüenta e deixa que algumas lágrimas rolarem por sua face - Por isso, que eu perguntei se não haveria problema de fazer terapia com você. Você não era amiga de meu pai? -Eu não vejo seu pai desde a formatura. Nós apenas nos conhecíamos, não éramos amigos. Nem nos falávamos direito na época da faculdade. -Não há problema? -Não. Continue, Samantha. Continue. -Não sei o que dizer. Acho que não tenho mais nada a falar. Aliás, quanto tempo eu tenho que falar com você? -Como é a nossa primeira conversa, ficaremos o tempo necessário. Está bem? -Sim, está. Posso te chamar de Linda? -Claro, claro. Trate-me de você. Chame-me pelo meu primeiro nome, assim como faço com você. -O que eu faço agora, Linda? Não sei o que falar. -Você já começou a falar, Samantha. Já falou sobre você, sua família e iria começar a me falar sobre a separação de seus pais. Quer continuar/ Samantha começa a chorar descontroladamente e Linda continua: -Isso te aflige? Essa separação? Acalme-se. Tente se controlar, por favor. Vamos. Respire fundo, enxugue essas lágrimas e tente continuar. Vamos lá. Respire fundo. A menina respirou profundamente e enxugou as lágrimas com um lencinho que havia levado. -Pronto. – disse Linda sorrindo – Está bem melhor! Uma menina bonita como você não deve ficar chorando desse jeito. -Obrigada, Linda. Você me acalmou. Agora, tenho vontade de continuar a falar. -Bom, Samantha, bom... -Meus pais não são casados no papel. Não é bem uma separação, eles brigaram e cada um está em uma casa. -Continue. -Meu pai comprou uma casa para nós quatro morarmos, mas eles, ainda, tem cada um o seu apartamento, e, assim, cada fim de semana ficamos em um lugar. Ainda tem a casa da minha avó materna, Margareth, e a da minha avó paterna, Teena, que já faleceu. -Muito bem. Continue. -Linda, desculpe minhas explicações, mas já que estou começando a confiar em você, acho que posso dar detalhes de nossa vida para você. -Que bom! Fale o que quiser. -Atualmente, meu pai está no apartamento dele, minha mãe e meu irmão no dela e eu estou na casa da minha avó, Margareth. -Sente falta de algo? -Sim. Do carinho do meu pai, da atenção de minha mãe e da companhia do Will. -Tem contato com eles? -Sim. Vejo minha mãe sempre que ela vai na casa de minha avó. Vejo meu irmão durante a semana na escola na qual estudamos. E meu pai, embora minha mãe não queira, o vejo depois do colégio. Minha avó não tem a intenção de trair minha mãe, mas, como sempre gostou muito de meu pai, deixa que ele me pegue na escola e passe algum tempo com ele. O mesmo acontece com meu irmão, só que eles somente encontram-se às sextas- feiras, quando o Will passa a tarde comigo e com a vovó, pois temos um pacto de estudarmos juntos todas as sextas-feiras. -E como você se sente em relação a essa situação? -Não sei dizer. Acho que mal, pois não tenho os meus pais comigo em todos os momentos. -Momentos ou agora? -Não sei... Acho que... Não os tenho agora. -Samantha, vamos parar a nossa conversa agora? Tudo bem? -Sim. A sessão terminou, não é? -Menina esperta! – Linda sorriu – Não vou mentir. A sessão terminou. Você vai ter que vir nas sessões durante seis meses ou até sentir que está aliviada. Ligue-me se quiser parar ou marcar uma nova consulta. -Não teremos dia, nem hora fixa? -Não. Seria bom se nos encontrássemos uma vez por semana, mas posso falar com você a qualquer hora. Entendeu? Ah, nossas sessões terão 45 minutos de duração, mas pode ser que eu nem te veja mais... -Por que? -Porque seu pai me disse que você só precisava desabar, tomar coragem para enfrentar uma situação, falar do que sente. -E eu consegui? -Você saberá se conseguir falar o que sente, o quer que aconteça daqui para frente na sua casa. -Acha que vou conseguir? -Você é muito corajosa, por isso tenho certeza que vai conseguir. Agora, vá pra casa. A jovem saiu do consultório e logo avistou o carro de sua mãe do outro lado da rua. Scully sai do carro e indaga: -Você está bem, Samantha? -Olá, mamãe. Eu estou bem, não se preocupe. – diz abraçando a mãe com força. Ao se separarem, Scully pergunta a filha: -O que foi? Preciso saber. -Mãe, eu não quero mais voltar para a casa da vovó. -Por que? Aconteceu alguma coisa? -Não... Depois eu explico... -Ok! Vamos entrar no carro e iremos pro meu apartamento, onde poderemos conversar em paz. -Mãe, cadê o Will? Ele não está na sua casa? -Não. Seu pai ficou de leva-lo para dar uma volta enquanto eu vinha te buscar. -Agora, vamos entrar no carro e sair daqui. Ambas entraram no carro e durante o percurso nenhuma palavra foi dita. Ao entrarem no apartamento, encontraram Mulder e Will sentados no sofá. Mulder tinha dois buquês de flores no colo: um, maior, com rosas vermelhas, e outro menor com rosas cor-de-rosa. Mulder não conseguiu dizer nada, pois Samantha, assim que o viu, correu até ele e o abraçou com força. -Oi, minha princesa! -Oi, pai! Que bom que veio! Olá, Will. -Oi, Sammie. – respondeu o menino. -Olha só o que eu trouxe para a minha Sam? – disse Mulder pegando o buquê menor – Eu trouxe esse buquê pleonasmo. -Rosas cor-de-rosa – Samantha, Mulder e Will disseram ao lembrar da brincadeira que faziam sempre que Scully recebia flores. -Obrigada, papai. Vou coloca-las num vaso agora. -Will, por que não vai ajudar sua irmã? – perguntou Mulder, querendo tirar o menino da sala. -Oh... Sim, pai. – e saiu. Scully, que havia ficado ao lado da porta, percebeu que Mulder não iria até ela, sem que ela dissesse a primeira palavra. Podia ver isso nos olhos dele. -Mulder, não vai falar comigo? Apesar de tudo o que está acontecendo, ainda sou a mãe de seus filhos. – disse Scully com os olhos cheios d'água. -Não só vou falar com você, como estou falando agora, como vou também lhe dar este buquê de rosas. – respondeu Mulder entregando-lhe o buquê. -Oh... Obrigada, Mulder. Eu adorei. Obrigada. -Agora, eu preciso ir. Tchau. -Tchau. Obrigada pelas flores novamente. E por trazer nosso menino para casa. Ao abrir a porta, sentiu que alguém o puxava pela mão para dentro. Virou-se e viu que era Samantha. -Pai, não vá. Fique conosco. Por favor. Nós precisamos de você. -Filha... Não posso... -Pai... – Samantha começa a chorar. Mulder fecha a porta, pega a filha em seus braços e a leva para o sofá, onde senta com ela em seu colo. -Samantha, você já tem quinze anos. Não deve agir como criança. Você entende a nossa situação. – disse olhando para Scully, que continuava imóvel no mesmo lugar. – Agora, respire fundo e pare de chorar. Samantha pára de chorar e chama pela mãe e pelo irmão: -Mamãe, venha cá. Sente-se aqui do nosso lado. Will, venha também. Scully obedeceu à filha. Will não obedeceu à irmã e disse: -O pai já me falou sobre essa situação que estamos enfrentando. Eu só acho que devemos deixa-los conversar a sós. Eu vou para o quarto da mamãe. – e saiu. -Mãe, - disse Samantha – não quero voltar para a casa da vovó, porque eu quero ficar junto a você e ao meu pai. Vocês se amam e um precisa do outro. Vocês se completam. Eu amo vocês. Por isso, eu quero vê-los felizes. -Samantha... Pare com isso! – censurava Mulder. -Filha, escute-me. – disse Scully – Vá para o quarto, fazer companhia a seu irmão, pois nós iremos conversar e assim que nos acertarmos, chamaremos você e o Will. -Obedeça a sua mãe. – reforça Mulder. -Está bem! – disse Samantha correndo para o quarto. Assim que se viram a sós, começaram a conversar tranqüilamente. -Scully, antes de tudo, gostaria de falar que ela não precisa ir mais ao consultório da Linda. -Por que? Ela não falou comigo sobre o que aconteceu lá. Aliás, por que marcou essa sessão para ela com uma colega de faculdade? Surtiu efeito? -Converse com Samantha, ela irá se abrir. Sei que ela é difícil, assim como nós, mas ela irá se abrir com você. Eu marquei essa sessão para ver se ela tomava a iniciativa de nos falar o que sentia diante da nossa separação. Preciso continuar? -Não, pois já percebi que funcionou. E, por que não marcou uma sessão para o David William? -Porque sempre que falava com ele, ouvia as reclamações sobre não ter com quem poder falar algumas besteiras. – Mulder deu uma gargalhada – Estou brincando. Ele reclamava da nossa frieza um para com o outro durante essas cinco semanas que estamos separados. -E... Quanto a nós... O que tem a dizer? – perguntou Scully olhando dentro dos olhos verdes de Mulder. -Em relação à psicóloga, Sam não vai mais precisar ir lá, a não ser que ela queira. Já falei com a Linda. Ela conseguiu superar o medo na primeira sessão. -Você não respondeu a minha pergunta... Mulder, por que veio aqui senão para conversar? -Trazer nosso bebê, nosso menino, nosso filho, que como a Samantha Katherine, é um grande pedaço de nossa vida. -Sim, isso é verdade. Mas, responda. – disse Scully com lágrimas nos olhos. -Samantha Katherine e David William são os frutos do nosso grande e eterno amor. -E quanto a nós? -Quanto a nós... Só tenho a dizer que... Eu te amo, Scully. Scully não respondeu. Apenas o abraçou e o beijou na boca. Um beijo ardente, cheio de amor. Ao se separarem, perceberam que os adolescentes os observavam do corredor com um sorriso de orelha a orelha. -Fox, acho que não devemos nos beijar assim na frente das crianças. -Também acho, Dana. -Mas não somos mais crianças... – disse Samantha. -Nós crescemos... – completou Will. -Querida, concordo com eles. – acrescentou Mulder. -Estamos juntos novamente. – anunciou Scully. -Agora, sim. Está bem melhor assim. Eu amo vocês. – disse Samantha correndo para sentar entre os pais. -Concordo com você, Sam. – disse Will fazendo o mesmo. E, como toda estória com final feliz, eles viveram felizes para sempre.