Autora: Carla Categoria: Shipper/ Pré – Arquivo-X Classificação: Acho que se você tiver 13 anos ou menos é melhor não ler essa estória. Disclaimer: Os personagens desta estória não pertencem a mim. Pertencem a Chris Carter, 1013 production, Fox Network e a mais quem tiver direitos autorais. Sinopse: Continuação de "No Tempo de Nossa Inocência". Oito anos depois de se encontrarem pela primeira vez, as duas crianças, agora adolescentes, se encontram novamente. Será que eles se lembrarão um do outro? No Tempo de Nossa Inocência – Parte II Casa de Campo da Família Scully Dezembro de 1980 Era época de férias e o Capitão William Scully, como fazia todas as vezes que ele e seus filhos estavam de "folga", levou a família para a casa de campo. O lugar onde a casa ficava era confortável e tranqüilo. Haviam apenas algumas casas ao redor, mas seus proprietários ou inquilinos eram pessoas muito simpáticas e que nunca criavam problemas, com exceção do Sr. Baker, que para a felicidade de todos, havia resolvido comprar uma casa em outro lugar, deixando a sua para ser alugada. Quando a família Scully chegou em sua casa, Dana olhou para a casa em frente, onde o Sr. Baker morou, e notou que a placa onde antes estava escrito "aluga-se" agora estava escrito "alugada". - Pai, parece que o Sr. Baker finalmente conseguiu alugar a casa. – disse Dana ajudando seus pais e irmãos a tirarem a bagagem do carro. - É, ele a alugou a um pouco menos de uma semana. – respondeu o capitão. - O senhor sabe quem alugou a casa? – perguntou a outra mocinha de cabelos ruivos. - Um casal com um filho. Parecem ser boa gente. - O senhor sabe a idade dele? – perguntou o garoto mais novo. - Não sei ao certo Charlie. Talvez uns dezoito ou dezenove anos. - Chega de conversa pessoal ou só vamos conseguir tirar a bagagem do carro quando for a hora de ir embora! – disse a Sra. Scully. - Só espero que ele seja bonitinho – disse Melissa a sua irmã. Casa de campo da família Scully Duas horas depois Depois de tirarem toda a bagagem do carro e arrumarem em seus quartos, a Sra. Scully foi fazer o jantar, acompanhada por seu marido. - Mãe, pai, Dana e eu vamos dar uma volta por aí, está bem? – perguntou Melissa. - Não demorem muito, o jantar vai estar pronto em uma hora. - Tá bem. Dana e Melissa estavam saindo de sua casa para dar uma volta, quando notaram que as luzes na casa em frente estavam acesas. - Olha Dana. Parece que os novos inquilinos chegaram. - É, parece que sim. - Vamos falar com eles? - Não. Agente nunca os viu antes. Vamos dizer o quê? - Ah, vamos Dana. Vamos mostrar um pouco de hospitalidade. - Hospitalidade Melissa ou você só quer ver se o garoto é bonitinho? - Que diferença faz? - Melissa, eu não vou. - Dana não seja tão... - Tão...? - Você parece a mamãe, porque não age como alguém da sua idade pra variar? - Porque você age como se tivesse 12 anos e eu tenho que ser a "mamãe" porque você sempre arranja um meio de se meter em confusão! - Tá bem Dana! Não venha então. Eu vou sozinha. - Melissa! Espera! - O que foi? - Eu vou com você. - É assim que se fala, irmãzinha. As duas meninas atravessaram a rua, e Melissa tocou a campainha. Um rapaz de mais ou menos 19 anos atendeu. Quando ele abriu a porta, Dana não conseguia tirar os olhos dele. Parecia que estava tendo uma alucinação, pois ele era lindo demais para ser de verdade. Ele era alto, magro, cabelos castanhos, olhos verdes e uma carinha de menino levado que deixava qualquer mulher sem fala. - Sim? Posso ajudá-las? – Perguntou o garoto. - Meu nome é Melissa e essa é minha irmã Dana. Estamos passando férias na casa em frente e pensamos em lhe dar boas vindas. - Ah, obrigado – disse o rapaz sorrindo o que apenas contribuiu para deixar Dana ainda mais sem fala – Prazer em conhecê-las. Meu nome é Mulder e meus pais não estão em casa no momento por isso não posso apresentá-los a vocês. Mas se quiserem entrar... - Não, obrigada – disse Dana – temos que ir. - Como quiserem. Mas ficarei honrado se voltarem aqui outro dia. - Claro! O mesmo vale pra você, se quiser ir lá em casa... – disse Melissa. - Tudo bem. - Bom, então tchau. - Tchau – respondeu o rapaz que mesmo depois das duas garotas irem embora, ele ainda ficou um bom tempo com a porta aberta olhando para o lugar onde Dana estava em pé, pois assim como ela, ele também a achou linda demais para ser de verdade. A família Scully estava sentada à mesa, jantando, fazendo planos sobre o que iam fazer no dia seguinte. - Dana? O que foi querida? Não gostou da comida? – perguntou a Sra. Scully pois o prato de Dana ainda estava cheio de comida e ela só fazia mexer o garfo pra lá e pra cá no prato. - Hum? Não mãe. A comida tá ótima eu só estou sem fome. - Eu sei bem o porquê dessa falta de fome. – disse Melissa com um sorriso no rosto. - Melissa! – disse Dana entre dentes. - O que foi hein? – perguntou Bill Jr. - Não foi nada Bill. - Se não foi nada, então porque seu rosto tá vermelho desse jeito? - Talvez seja de ficar olhando pra essa sua cara de tapado! - Dana! Bill! Parem com isso. Vocês estão sempre brigando. Não podem dar um tempo nem na hora das refeições? – disse a Sra. Scully, com uma cara de que estava com vontade de dar palmada nos dois. Dia seguinte 09:00 da manhã A família Scully estava arrumada para ir na cidade, passear um pouco. - Dana vamos filha! – disse a Sra. Scully olhando a hora em seu relógio de pulso. Dana desceu as escadas, enrolada num cobertor, parecendo doente. - Mãe, acho que eu não vou. Estou me sentindo tonta, com dor de cabeça. - Dana você está quente. Talvez eu devesse ficar em casa com você. - Não mãe. Eu estou bem. É só tomar um remédio, eu vou ficar melhor. - Tem certeza de que não quer que eu fique? - Tenho mãe. Divirtam-se. - Está bem querida. Amo você. - Eu também. Um tempo depois que a família Scully saiu, Dana tomou seu remédio e foi deitar no sofá, ligando a televisão. Uns dez minutos depois alguém tocou a campainha. - Já vou! – disse Dana se levantando, ainda embrulhada no cobertor. - Oi Dana. - Oi Mulder. - Você está bem? Parece doente. - Estou bem. É só uma gripe. - Eu trouxe uma coisa para você e sua família. Para agradecer por vocês terem ido lá em casa nos darem boas vindas. - Não foi nada, mas obrigada. Quer entrar? - Obrigado. – disse Mulder passando por Scully. - Fique à vontade. – disse Dana enquanto os dois se sentavam no sofá – Quer alguma coisa pra beber? - Não, obrigado. Na verdade, estou meio atrasado. Eu fiquei de pegar meus pais na rodoviária. - Eles não vieram com você? - Vieram, mas a minha mãe disse que esqueceu a porta da garagem aberta. Então ao invés de dirigir por várias horas de novo, eles resolveram ir de ônibus. Acho que a idade tá começando a mostrar sua cara. A minha mãe não se esquecia de nada, muito menos de fechar a porta da garagem - Bom isso é normal. Acontece com quase todo mundo, numa certa idade. - É. Eu tenho que ir. – disse Mulder se levantando do sofá, Dana se levantou junto com ele e o acompanhou até a porta. - Mulder? A minha irmã vai fazer aniversário amanhã e meus pais sempre dão uma festa quando um de nós faz aniversário, pra reunir a família, nada demais. Então se você não tiver nada pra fazer, você gostaria de vir? - Claro que sim. Estarei aqui. - Está bem então. Até amanhã. - Até amanhã. E como Dana e Mulder já esperavam, nenhum dos dois dormiu direito aquela noite, ansiosos pela hora de se verem de novo. Aniversário de Melissa 08:34 da noite A casa estava cheia, com os parentes e amigos de Melissa. Dana estava conversando com alguns colegas, quando a campainha tocou. - Eu atendo! – disse Dana correndo para porta, e o que viu quando a abriu a deixou sem fala e Mulder também pareceu perder a capacidade de falar ao ver Dana. Mulder estava usando uma calça preta com uma blusa verde escura que realçava a cor de seus olhos. Dana estava usando um vestido de alça vermelho escuro que realçava ainda mais a cor de seus cabelos, e seus olhos pareciam ainda mais azuis. - Oi Dana. Você está linda! - Obrigada. Você também. Entre. - Eu trouxe uma lembrancinha pra Melissa. - Vem, eu te levo até ela. - Melissa. Olha quem está aqui – disse Dana cutucando a irmã que estava de costas. - Ah, Mulder. Que prazer. - Igualmente. Feliz aniversário – disse Mulder dando seu presente a Melissa. - Não precisava se incomodar. - Não foi incômodo nenhum. - Melissa! Vem cá! – um de seus colegas a chamou. - Com licença. Mulder fique à vontade. - Obrigado. - Mulder, vem cá. Quero que conheça meus pais – disse Dana o levando para a cozinha onde seus pais estavam. - Mãe, pai. Este é o Mulder. Os pais dele alugaram a casa ali em frente. - Oi. Como estão? - Bem querido. Meu nome é Margareth mas pode me chamar de Meg e este é meu marido William. - Oi Mulder. Então, estão gostando da casa? - Estamos. É bastante agradável. - Mãe, pai, se não se importam, vou apresentar o Mulder a alguns colegas. - Claro querida, pode ir. - Starbuck? Pode levar esses salgadinhos pra sala? - Claro, Ahab. Depois de apresentar o Mulder a alguns colegas, a casa já estava ficando cada vez mais abafada, por causa da noite que era calma e não corria um vento e porque a casa estava um pouco cheia demais. - Mulder quer ir lá pra fora? Tá muito abafado aqui dentro! - Claro. – Dana o levou pro jardim, que existia nos fundos da casa, e se sentaram num banco. A noite estava calma e agradável, e estava clara pois a lua estava brilhando muito forte, junto com as estrelas. - Então Mulder, este não é seu primeiro nome não é? - Não, não é. - E qual é? - Meu primeiro nome? - É. - É muito idiota. Você vai rir. - Não vou não. - Vai sim. Eu prefiro não falar. - Está bem. Então me chame de Scully. - O quê? Por quê? - Eu te chamo pelo seu sobrenome, você me chama pelo meu. - Mas é diferente. Seu nome é bonito. - Não importa. Fica melhor assim. - Você que sabe, SCULLY. - Então, você está na faculdade? - Estou. Faço psicologia. - Psicologia hein? Você é um bom psicólogo? - Não sei, espero que sim. - Então me analise. - O quê? - Me analise. Ou não consegue? - Eu posso tentar. Bom, lá vai. Você é uma pessoa forte, independente e mesmo quando precisa de ajuda diz que está bem, e se eu olhar com atenção esses lindos olhos, posso saber o que você está sentindo ou pensando. Então, te analisei direito? - Melhor que eu mesma. - Scully? - Hum? - Posso te dar um beijo? - O que meus olhos dizem, Mulder? - Que sim. – Mulder se inclinou para beijá-la e seus lábios estavam quase se tocando, quando sua mãe a chamou. - Dana! Venha querida! Vamos cortar o bolo! - Já vou mãe! Que hora pra cortar o bolo. Parece até que estavam olhando a gente. - Tudo bem Scully. Podemos continuar de onde paramos amanhã. Posso passar aqui pra te pegar amanhã pela manhã? - Estarei esperando. Na manhã seguinte, Scully estava pronta, esperando por Mulder. - Dana acalme-se! Nunca te vi tão agitada. – disse Melissa que só observava a irmã andar de um lado pro outro, na sala se estar. - Desculpe, mas não sei o que está acontecendo comigo. - Eu sei. Você está apaixonada. - É tão óbvio assim? - Mais que óbvio, maninha. - Eu... – Dana não teve tempo de terminar o que estava dizendo, pois a campainha tocou e ela foi correndo atender. - Oi Mulder. - Oi Scully. Vamos? - Vamos. Melissa avise a mamãe e o papai que eu já fui, está bem? - Pode deixar. - Tchau, Melissa. – disse Mulder. - Tchau, Mulder. Divirtam-se. - Não tenha dúvida. – disse Mulder com um sorriso nos lábios. Quando Mulder entrou no carro, no banco do motorista, Scully falou: - Então, Mulder, onde vamos? - É surpresa. Depois de dirigirem por meia hora, Mulder parou o carro em frente a um porto, onde várias pessoas estavam passeando em seus barcos ou lanchas. Mulder levou Scully até um dos barcos, e a ajudou a entrar. - Gostou da surpresa? - Adorei. Esse barco é lindo, Mulder. Você sabe dirigi-lo? - Não deve ser difícil. E depois, o máximo que pode acontecer é o barco afundar, mas não tem problema pois temos um bote inflável e salva- vidas. – Scully olhou pra ele com uma cara que demostrava medo e ao mesmo tempo dizia "você é louco".- Calma Scully! Eu tô brincando. Claro que eu sei dirigir esse barco. Meu pai me ensinou quando eu era pequeno. Dizendo isso, Mulder dirigiu o barco até um lugar bem longe do porto, onde poderiam ficar sozinhos. Então, desligou o barco e se sentou ao lado de Scully. - Então há quanto tempo vocês tem aquela casa Scully? - Há uns oito ou dez anos, mais ou menos. Mas é a última vez que vamos passar férias nela. - Por quê? - Meu pai foi promovido a capitão e se antes já não parávamos num lugar, agora vai ser completamente impossível. Provavelmente vamos viver, passar os feriados e as férias num navio, em alguma parte do planeta que eu nem sabia que existia. - Vão ser minhas primeiras e últimas férias naquela casa também. - Por quê? - Meus pais, desde que minha irmã foi tirada de nós, só abrem a boca pra discutir. Meu pai alugou essa casa com esperança que passar um tempo longe da cidade grande iria melhorar a situação um pouco. Mas tá pior do que antes. Sabe aquele dia que eu disse que a minha mãe esqueceu a porta da garagem aberta e por isso teve que voltar? Bom, na verdade, eles discutiram tanto na viagem que a minha mãe resolveu ir embora e meu pai foi atrás dela. - Sinto muito. - Não sinta. Acho que eu já me acostumei. - Mulder? O que quer dizer com sua irmã foi tirada de vocês? - Ela foi abduzida, quando ela tinha 8 anos. - Abduzida? - Seqüestrada por alienígenas. Eu tinha 12 anos, e nós estávamos discutindo porque ela queria ver um programa no televisão e eu queria ver outro. Meus pais não estavam em casa, tinham saído pra jantar e me deixaram tomando conta da Samantha, minha irmã. Então de repente a casa começou a tremer e uma luz branca levou Samantha embora, e eu não conseguia me mexer. Só conseguia gritar o nome dela. Provavelmente deve achar que eu sou louco. - Não, quer dizer eu acredito que sua irmã tenha sido levada, mas... - Não por extraterrestres. Tudo bem Scully. Às vezes nem eu acredito. Mas vamos mudar de assunto. Você está em que série do colégio? - Eu estou no terceiro ano do colegial. Vou pra faculdade ano que vem. - E já decidiu o que vai ser? - Vou fazer medicina. - Bom saber que quando eu ficar doente vou ter uma médica competente pra cuidar de mim. – Scully sorri. - Mulder? - Hum? - Acho que eu estou... - Está enjoada do barco? - O que? Não, não é isso. É que eu...acho que eu estou... - Estou...? - Acho que estou me apaixonando. - É? Eu conheço esse sortudo? Como ele é? - Conhece. Se quiser saber como ele se parece é só você se olhar no espelho. - Scully? Acho que estou me apaixonando também. - É? Eu conheço essa sortuda? Come ela é? - Ela é linda, tem os olhos azuis mais lindos que eu já vi. Quando ela sorri eu esqueço até de quem eu sou e a única coisa de que me lembro é de como é bom estar ao lado dela. Como agora. – disse Mulder se inclinando e beijando Scully de leve na boca. - Mulder, você é bom demais pra ser verdade – disse Scully beijando Mulder apaixonadamente. E assim os dois passaram o resto da tarde, namorando e conversando, e só foram embora quando a noite começou a cair. Quando chegaram na porta da casa de Scully, eles ainda estavam de mãos dadas, como passaram a tarde inteira. - Mulder? Tem certeza de que não quer entrar? - Eu gostaria muito. Mas prometi a meus pais que estaria em casa à noite para jantarmos juntos. Eu não quero que eles tenham mais um motivo pra discutir. - Tudo bem. Te vejo amanhã? - Com certeza. – disse Mulder dando um beijinho em Scully - Boa noite, Scully. - Boa noite, Mulder. – disse Scully e Mulder foi para sua casa. Entrando em casa Scully se sentou no sofá, com um sorriso nos lábios. - Eu quero detalhes, Dana. Como foi o encontro? E que encontro, hein? Passaram o dia inteiro juntos! - Melissa! Fala baixo. Eu não quero o Bill me importunando. - Tudo bem, eu me comporto. Mas eu tô morrendo aqui Dana! Conta logo como foi! E não deixe nada de fora! - Ah Melissa! Foi maravilhoso. O Mulder é maravilhoso. Ele me levou pra passear de barco, e ficamos sozinhos no meio daquele mar. Foi muito romântico. Eu não sei, mas eu tenho uma sensação de que já o conhecia. É estranho. - Bom, talvez vocês tenham se encontrado em outra vida... - Melissa, pára com isso, tá legal? Você sabe que não acredito nisso e se não importa eu vou me deitar. Estou muito cansada. Boa noite. - Tá cansada é? Eu posso imaginar. Passar a tarde inteira com Mulder, num barco, sozinhos no meio do nada... - Melissa não aconteceu nada, se é o que quer saber. - Claro, como quiser. Eu finjo que acredito. - Melissa, boa noite. – disse Dana subindo para seu quarto. No dia seguinte, Mulder passou na casa de Scully e a levou para andar na beira da praia. Os dois estavam andando de mãos dadas, perto da água do mar. - Mulder, seus pais vão fazer alguma coisa no natal? - Eu nem sei mais o que é natal há sete anos. - Bom, então não gostaria de passar o natal lá em casa? - Adoraria, Scully. Sabe, quando Samantha e eu éramos pequenos, costumávamos andar na praia um pouco antes do sol se pôr, então quando só conseguíamos ver uma pontinha do sol, fazíamos um pedido. - E seu pedido se realizou? - Sim. Duas vezes. - Duas vezes? Qual era seu pedido? - Encontrar uma pessoa por quem pudesse me apaixonar e que me amasse também. Uma pessoa gentil e carinhosa que conversasse comigo e que me entendesse. E eu a encontrei duas vezes. – dizendo isso, Mulder tirou do bolso uma flor linda, igual aquela que ele havia dado à Scully na última vez que se encontraram e a entregou à ela. - Mulder é linda. Onde conseguiu... Fox? - Se lembra Dana? Rhode Island, oito anos atrás? - Eu sabia que já tinha te visto antes. Eu disse pra Melissa, mas ela venho com uma estória de vidas passadas e... Ah, Fox! É mesmo você? – disse Dana o abraçando. - É sou eu. – disse Mulder a abraçando e beijando sua testa. – Senti tanto a sua falta, Scully. - Senti muito a sua falta também. Muito! Mulder? - Hum? - Já reparou que toda vez que nos encontramos é sempre por pouco tempo? - O que quer dizer? - Você vai voltar pra faculdade e eu vou voltar com minha família pra um navio, sem saber ao certo aonde vou estar no dia seguinte. Como vamos nos ver? - Scully, eu não quero pensar nisso agora. Nesse momento, eu só consigo pensar em como é bom ter você em meus braços. – disse Mulder, beijando Scully. Noite de Natal 09: 03 da noite Desta vez a casa não estava tão cheia como no aniversário de Melissa. Só haviam alguns familiares e amigos mais íntimos. Scully estava sentada com Mulder no jardim, no banco onde se sentaram no dia do aniversário de Melissa. - Você viu a cara dos meus pais? – perguntou Scully rindo junto com Mulder. – Quando eu disse que você era aquele garotinho de Rhode Island? - Vi. Pena que não conheci seus irmãos daquela vez. Queria ter visto como eles eram quando crianças. Scully, eu tenho um presente pra você. - Você é meu presente, Mulder. - Obrigado. Mas estou falando de um presente que cabe numa caixinha. – disse Mulder tirando um embrulhinho do bolso e entregando a Scully. – Feliz natal, Scully. - Eu tenho um presente pra você também, Mulder. – disse Scully dando outro embrulhinho para Mulder. - Obrigado. - Mulder, é lindo. – disse Scully abrindo a caixinha e tirando de dentro um pingente que parecia um sol. – Obrigada. - Eu escolhi o sol porque foi a ele que eu pedi para encontrar uma pessoa maravilhosa. E eu encontrei, duas vezes. - Ah, Mulder. Eu amo você sabia? Não vai abrir o seu presente? - Claro. – disse Mulder tirando de dentro da caixinha uma bola de vidro com um barco dentro, parecido com o que Mulder levou Scully para passear. – É lindo Scully. Parece com o barco que andamos aquele dia. - É, foi minha intenção. Foi um dos melhores dias da minha vida. Não queria que fosse esquecido. - Não vai ser. Acredite. – disse Mulder dando um beijo na testa de Scully. - Dana! Fox! Venham pra dentro! A ceia está pronta! – disse a Sra. Scully. Já dentro da casa, todos se sentaram à mesa e estavam conversando animadamente. - Então Fox. Como vai sua irmã? – perguntou a Sra. Scully – Ela deve estar uma moça já, não é? - Eu não sei Meg. Espero que sim. - Como não sabe? - Mãe vamos mudar de assunto? – disse Dana. - Tudo bem Scully, pode deixar. Meg, a minha irmã foi tirada de mim quando ela tinha 8 anos. Nunca mais a vi desde então. - Sinto muito filho. - É, eu também. – disse Mulder com o olhar triste e Scully apertou sua mão para confortá-lo. Depois da ceia, os poucos convidados que haviam na casa foram para sala de estar e Scully ficou com Mulder no jardim, no banco "deles", abraçada, com a cabeça no peito dele, e Mulder estava com os braços ao redor do corpo de Scully. - Mulder, meu pai falou conosco hoje. - Alguma coisa ruim? - É, pelo menos pra mim. Nós vamos embora depois de amanhã. - Mas eu pensei que vocês só iam embora no final de janeiro. - Eu também, mas meu pai recebeu um telefonema da marinha dizendo que precisavam dele em no máximo três dias. Aparentemente houve um problema com um dos navios. - Eu não quero te perder de novo Scully. Por favor não vá. - Eu não quero ir, Mulder. Mas eu preciso. Se eu tivesse outra opção eu ficaria com você, acredite. - Mas temos outra opção. Você poderia fugir comigo. - Mulder, não podemos. E a sua faculdade? E o meu colégio? E os meus pais e os seus? - Eu dou um jeito, eu posso trabalhar de dia e estudar à noite e você pode estudar em outro colégio. Meus pais provavelmente nem vão saber que eu fui embora, quanto aos seus, você pode conversar com eles. - Mulder, o meu coração diz sim a todas as suas propostas mas às vezes não podemos escutar só a ele, temos que pensar com a nossa parte racional também. - Isso é um "não"? - Mulder, eu não estou dizendo "não" por minha causa. Eu estou pensando em você. Não quero que se sacrifique desse jeito por mim. E se não der certo? - Vai dar, Scully. Eu amo você demais pra não dar certo. - Eu amo você também, Mulder. Muito. E é por isso que não posso aceitar. - Então já que amanhã é nosso último dia juntos, você gostaria de passear de barco outra vez? - Adoraria, Mulder – disse Scully o beijando. No dia seguinte, Mulder levou Scully no mesmo barco onde a tinha levado para passear da primeira vez e, de novo, dirigiu até um lugar onde poderiam ficar sozinhos, e depois sentou-se ao seu lado, abraçando-a. - Será que vai ser como da outra vez, Scully? - Como assim? - Será que vamos nos encontrar de novo? - Sim, Mulder. Vamos. Eu prometo. - Eu só não quero ter que esperar oito anos de novo para isso acontecer. - Só quero poder te abraçar de novo. – disse Scully o beijando e tirando a camisa de Mulder. - Scully, tem certeza? - Absoluta, Mulder. – Mulder a beijou apaixonadamente e a deitou no barco, botando seu corpo por cima do dela. Quando amanheceu, os dois ainda estavam no barco, dormindo, mas Mulder acordou primeiro e ficou um bom tempo admirando aquela pessoa ao seu lado. Os cabelos dela estavam um pouco desarrumados, seu rosto parecia de um anjo que Deus havia botado na Terra por engano. Então Mulder deu um beijo de leve na boca de Scully e ela sonolenta abriu aos poucos os olhos e deu um sorriso ao ver Mulder ao seu lado. - Bom dia, dorminhoca. - Bom dia. Mulder que horas são? - 07:12. - Mulder, odeio ter que dizer isso, mas temos que ir. Meu pai disse para estarmos prontos às 08:15. E eu ainda não arrumei as malas. - Eu amo você, Scully. - Amo você também, Mulder. – disse Scully dando um beijo em Mulder. Quando Mulder chegou com Scully na casa dela, ele parou na porta. - Não vai entrar, Mulder? - Não. Prefiro não ver você indo embora. Não sei se conseguiria ver você ir e só ficar olhando sem fazer nada para impedir. - Mulder, eu não quero dizer adeus. Não quero! – disse Scully chorando e se abraçou com Mulder que estava chorando também. - Então não diga. Vamos fingir que vamos nos ver amanhã, está bem? – disse Mulder enxugando as lágrimas de Scully. - Está bem. – disse Scully que mal conseguia falar, com um nó na garganta. - Até amanhã, Scully. - Até amanhã, Mulder – disse Scully, e se beijaram com muito amor. Mulder deu um último beijo na testa de Scully e andou rapidamente para seu carro, dando a partida e dirigindo para um lugar bem longe dali, para não ter que ver Scully ir embora. - Eu amo você. – disse Scully chorando e entrou em sua casa, fechando a porta. Durante vários meses, Scully e Mulder passavam a maior parte da noite chorando, lembrando dos momentos maravilhosos que passaram juntos e só encontravam conforto quando seguravam o pingente de sol e o navio dentro da bola de vidro, que eram as únicas testemunhas, além de Mulder e Scully, do amor que eles compartilharam. FIM Gostou? Não gostou? Acha que eu devo fazer outra fic sobre quando eles se encontraram já adultos no escritório dos Arquivos-X? Feedbacks fazem meu dia mais feliz. Please, mandem feedbacks para msmessina@yahoo.com.br X-abraços, Carla