UM TELEFONEMA, UMA CONVERSA Autora: Emily Maybe E-mail: angela.m@uol.com.br (feedback por favor!) Sinopse: Mulder telefona para Scully no meio da noite, mas não é ela que atende... Classificação: Livre Categoria: shipper APARTAMENTO DE MULDER 3h50m Am Mulder estava em seu apartamento, lendo as pastas de um caso, e pensou descobrir algo relevante em meio às provas. Agiu por impulso, pegou o telefone e discou o número de Scully. Queria discutir o assunto antes que esses pensamentos se dissipassem, e nem pensou que em tal horário ela deveria estar dormindo. Esperou o telefone tocar por duas vezes, esperando ouvir sua voz sonolenta, já preparado para mais uma bronca por tê-la acordado no meio da madrugada. Mas ao invés disso, ouviu uma voz grave e rouca de homem, aparentando ter acabado de acordar. Mulder arregalou os olhos, surpreso. Nunca tinha imaginado passar por uma situação tão constrangedora. Em sete anos em que trabalhavam juntos, isso nunca havia acontecido. No momento não atinou o que fazer, ficou em silêncio enquanto o homem do outro lado da linha repetia a saudação. Por fim decidiu desligar sem falar nada, no momento não teria coragem de confrontar-se com tal homem. Após depositar o telefone no gancho, Mulder sentou-se no sofá, onde estava deitado, e passou as mãos pelo cabelo em uma atitude nervosa. Não sabia o que pensar. Ele não esperava uma atitude dessas de Scully. Ela nunca havia dado sinais de que tinha alguém em sua vida, e ele nunca pensou que ela recebesse e passasse as noites com um homem. Pensou por alguns instantes na possibilidade de ter discado o número errado, e tentou mais uma vez. E para a sua decepção o mesmo homem tornou a atender, e mais uma vez, Mulder desligou sem dizer nada. Percebeu que não tinha se enganado, Scully estava mesmo com um homem em seu apartamento. Por um segundo, sentiu-se traído, apunhalado por sua única amiga. Mas tentou afastar esses pensamentos de sua mente, afinal não tinha esse direito. Mas não conseguia deixar de sentir-se dessa maneira, era mais forte do que ele. Era parte de um sentimento que ele vinha tentando reprimir. Depois de algum tempo, ainda tentando ordenar seus pensamentos, decidiu voltar sua atenção novamente para o caso, deixando a vida pessoal de sua parceira de lado. Não conseguiu. Ficou tentando adivinhar quem deveria ser o misterioso homem que atendera ao telefone. "Será que eu o conheço? Será que ela falou de mim para ele? Há quanto tempo será que eles estão juntos? Por que ela nunca me falou sobre isso?" – eram as perguntas que passavam por sua cabeça, enquanto ele tentava inutilmente manter sua atenção no que lia. SEDE DO FBI 8h00 Scully entrou normalmente na sala que dividia com Mulder, e como em todos os dias ele já estava na sala, trabalhando em alguns papéis. - Bom dia, Mulder – ela falou ao entrar. - Bom dia. – ele respondeu secamente, sem tirar os olhos do que estava lendo. Scully estranhou a atitude dele, mas nada comentou. Sentou-se na cadeira e aguardou que ele agisse em todos os dias, expondo alguma teoria ou explicando algum caso. Porém ele nada falou. - Aconteceu alguma coisa, Mulder? – ela perguntou, preocupada. - Não. – ele respondeu simplesmente. Tentava não demonstrar o que tinha descoberto. - Sabe que pode confiar em mim. Se estiver com algum problema pode me dizer. – ela falou em seu tom calmo e carinhoso. - O que te fez pensar que tenho algum problema? – Mulder perguntou, tirando os olhos do papel e olhando para ela pela primeira vez. - Eu conheço você. Sei quando não está agindo normalmente. Sei quando algo o perturba. "Só eu que não sei nada sobre você, Scully. Pensei que soubesse, mas percebi que me enganei." – Mulder pensou, mas não foi capaz de falar. Apenas fez um movimento negativo com a cabeça. Scully decidiu não insistir, pois percebeu que ele não estava disposto a se abrir. Os dois passaram o dia no escritório, e Mulder continuou com a mesma expressão amuada, e indisposto para conversar. No fim do dia, Scully saiu antes do que ele, dizendo que precisava resolver alguns assuntos. Quando ela falou tal coisa, Mulder assentiu, imaginando que ela teria algum encontro com o homem misterioso do telefone. XXX Mulder voltou para casa, decidido a não pensar a respeito do que Scully estava ou não fazendo, mas no meio da noite não resistiu, e ligou para a casa dela apenas para verificar se o homem atenderia ao telefone. E foi o que aconteceu. APARTAMENTO DE SCULLY 2h15 Scully ouviu o telefone tocar, mas percebeu que o seu hóspede atendera. Levantou-se de sua cama e foi até onde ele estava, na sala. - O telefone tocou, Bill? – perguntou, sonolenta. - Ahn?! – Bill sobressaltou-se, pois tinha voltado a dormir – Ah, sim, era o telefone... por falar nisso, Dana. Você tem recebido trotes durante a noite? Ontem também aconteceu isso, ligaram mas não falaram nada quando eu atendi. - Não. A única pessoa que me liga a essa hora é o Mul... – ao falar isso, ela compreendeu o que estava acontecendo com o parceiro – Então foi por isso que ele estava daquela maneira... – falou para si mesma, voltando para seu quarto. "Ele está com ciúmes? É isso? Porque ele pensou que eu estava com um namorado?" Ela por um momento achou divertida a atitude dele. Não esperava que ele fosse sentir o que tinha demonstrado, e decidiu deixar ele pensar o que estava imaginado e ela iria até ajuda- lo nisso... SEDE DO FBI 8h30 Mulder já tinha chegado ao trabalho, decidido a pelo menos tentar disfarçar o sentimento de traição que estava sentindo, e agir como em todos os outros dias. Scully entrou na sala sorrindo, o que não passou despercebido a ele. - Olá, Mulder. Desculpe o atraso, mas eu perdi a hora. Dormi demais... - Não tem problema. Não temos muito o que fazer hoje, mesmo... – ele falou laconicamente. Ele a olhou, e percebeu que ela ainda sorria, numa atitude não muito comum para ela, que sempre mantinha a seriedade. Ele na resistiu e perguntou: - Quer me contar o motivo de tanta alegria, Scully? - Não é nada, Mulder. – ela respondeu ainda sorrindo, para instigá-lo a demonstrar os ciúmes que ela sabia que ele estava sentindo. - Eu pensava ser seu amigo, além de ser só seu parceiro, Scully. Imaginei que você me contasse tudo, e sei que tem alguma coisa que você não me contou. - Por que pensa que eu tenha alguma coisa para contar? – ela perguntou e ficou aguardando a resposta que não veio, então ela falou: – Foi você que ligou no meio da noite, não é? – era mais uma afirmação do que uma pergunta Mulder ficou um pouco constrangido, mas não deixou que ela percebesse. - Desculpe se eu atrapalhei vocês. Mas eu não sabia. - Por isso você estava daquele jeito ontem? Por que estava com ciúmes? – Scully decidiu ir direto ao ponto. - Ciúmes por quê? A vida é sua! Eu não tenho porquê ter ciúmes – ele tentou consertar a situação, não queria, principalmente agora que sabia que ela tinha alguém, soubesse o que ele sentia. - Ora, Mulder. Porque com um relacionamento sério eu não vou ter o meu tempo integral disponível para você... Você não vai mais poder ficar me ligando no meio da noite porque pode acontecer dele atender, e ele pode não gostar que o meu parceiro homem fique com esse tipo de intimidade. Eu não vou poder ficar até tão tarde no escritório porque vai ter alguém me esperando. E não vou poder ficar freqüentando tanto o seu apartamento e você o meu, porque ele pode ser ciumento, e para não brigarmos eu vou ter que ceder um pouco as vontades dele. Mulder fez sua expressão de pânico, pensando nessa possibilidade. Ela tinha razão, tudo mudaria entre eles. Nunca mais seria a mesma coisa. - Como eu disse, a vida é sua. – ele falou escondendo sua tristeza – E você tem o direito de viver sua vida como queira. - Tenho mesmo. – scully falou decepcionada, havia pensando que ele fosse ter alguma reação e por isso o tinha instigado, e não permanecer apático daquela maneira. Os dois ficaram em silêncio, e trataram de tentar concentrar- se no trabalho. Mas um tempo depois, Mulder não se conteve e perguntou: - Eu o conheço, Scully? - Quem? O homem que atendeu ao telefone? Conhece. - É o Skinner? – ele perguntou assustado com a possibilidade. Era o único homem que conhecia que pensava poder despertar um interesse sério em Scully. - O Skinner? O que te fez pensar que era o Skinner? – ela falou admirada – Não, não era ele. Era o Bill. - O Bill? – Mulder perguntou incrédulo – Bill, seu irmão? Mas não era um namorado? - Eu nunca disse isso. Você deduziu por si só. – ela retrucou calmamente. - Mas e aquilo que você disse? – ele ficou confuso. - Eu falei que se eu tivesse alguém. Não disse que tinha. - Por que você deixou eu pensar tudo isso? – Mulder disse irritado. - Se eu tivesse alguém seria exatamente como eu disse. Mas eu não saio, não tenho encontros... Se eu tivesse alguém teria que ser mesmo o Skinner! – ela concluiu debochada – Eu só convivo com você e com ele. – ela falou pensativa – Eu não tenho ninguém... mas como você mesmo disse, você é meu amigo e eu te contaria. - Eu sei. – ele falou arrependido com sua conduta – Me desculpe, eu pensei mal sobre você. Mas quando eu ouvi um homem atendendo o seu telefone eu fiquei... - Você se sentiu mal. – Scully completou o pensamento dele – Eu também me sentiria se fosse o contrário, exatamente pelo que eu disse que aconteceria. Mudaria tudo entre nós. - E eu não gostaria disso. – ele falou, sincero. - Mas se pensarmos bem, isso é inevitável, Mulder. Nós somos jovens, e mais cedo ou mais tarde um de nós vai ter alguém. Eu não gostaria e nem pretendo ficar sozinha para sempre. – ela falou, demonstrando sua racionalidade sempre predominante. - E o que fazemos sobre isso? – Mulder perguntou preocupado. - Acho que não podemos fazer nada. Você é um homem e vai querer ter uma mulher. E eu sou uma mulher e vou querer ter um homem. Somos amigos, apenas isso. E temos consciência de que outras pessoas vão modificar as coisas entre nós. - Não se você for a minha mulher e eu... – ele ficou relutante em completar a sentença. - Você quer ficar comigo apenas porque não quer que eu tenha uma pessoa que atrapalhe o nosso trabalho e a nossa amizade? – Scully perguntou, surpresa e ao mesmo tempo com medo de onde haviam chegado com essa conversa. - Não. – ele falou decidido – Eu quero ficar com você porque eu não suportaria ver outra pessoa com você. Porque eu amo você. Scully ficou em silêncio, assim como Mulder. Ela ficou escolhendo as palavras para não estragar nada do que tinha acontecido. - Você me ama como mulher? Não como a sua amiga? – ela queria certificar- se de que ele não estava falando aquilo apenas para não modificar a amizade entre eles. - Amo. Há muito tempo. E já que estávamos tendo esta conversa, nada mais lógico do que eu falar tudo o que penso. Já chegamos longe demais, e voltar atrás seria burrice. Talvez nunca mais você falasse tão abertamente como falou hoje, mas se você não quiser que tudo o que falamos aqui fique esquecido eu não vou me opor. Pode ser melhor... – Mulder começou a arrepender-se do que tinha falado. Scully ficou apenas olhando para ele, já decidida o que fazer. Um tempo depois falou: - Acho que não devemos esquecer o que falamos aqui. Como você mesmo disse, seria burrice. – ela levantou-se da cadeira, e aproximou-se dele – Eu também amo você. Por isso que eu deixei que você pensasse que eu estava com um namorado. Para ver se você teria alguma reação como a que teve. – ela falou sorrindo. - Então eu caí em uma armadilha? – ele perguntou também sorrindo. - Você quem armou sua própria armadilha. – ela falou debochada. – Mas agradeça ao Bill por ter atendido ao telefone. - Eu vou agradecer. – Mulder falou, levantando-se e aproximando-se para um beijo. FIM XXXXX Muito obrigada por ler até aqui! Eu tive essa idéia por imaginar o que Mulder faria se acontecesse isso. Achei que seria interessante! Feedback, por favor! Eu preciso! Para críticas, elogios, ou apenas para fazer amizade e falarmos sobre nossa série favorita, envie mensagens para angela.m@uol.com.br