TÃO SIMPLES E TÃO COMPLICADO Autora: Késsia Nina Email: shipperx@gmx.net Site: http://www.shipperx.com Notas: 1) Primeiro, esta fic tem como pressuposto o que aconteceu no episódio Trust no One da nona temporada. Não é um spoiler, spoiler, mas se você não quiser ler, então é melhor parar por aqui mesmo. 2) Esta fic foi escrita sem nenhuma pretensão a não ser fazer com que a Scully não estivesse totalmente matando cachorro a grito ao chamar o Mulder para o seu quarto, como mencionaram em Trust no One. Espero que tenha sido um pouquinho melhor do que o CC fez pra gente. 3) Devo ter escrito em uma hora, uma hora e meia por aí do dia 20/02/2002. 4) Brigadinha a ale por ter betado a fic!!! :) Adorei seus comentários!!!! 5) Por favor, MANDEM FEEDBACK!!! Eu vivo de feedback!!!! :) TÃO SIMPLES E TÃO COMPLICADO Basicamente era sempre aquilo. Somente pizza. Era impressionante como eles deixaram, depois de anos, de serem completamente estranhos para se tornarem companheiros de pizza. Não foi um trajeto fácil, tampouco rápido. Os primeiros anos foram de puro conhecimento um do outro. Abduções, monstros horrendos, tudo isso serviu para aproximá- los cada vez mais. E finalmente o câncer. Ela não se lembrava mais de como fora difícil. Talvez preferisse tentar esquecer os momentos tão intensos que viveu naqueles meses. A quase morte. Ele, por sua vez, não conseguia esquecer. O sofrimento ficara marcado para sempre em seu coração e memória. Não podia esquecer que quase a perdera e, apesar de não demonstrar seriamente, que não conseguia viver sem a presença dela. Sua forma de dizer o que sentia era através de ironias, sarcasmo. Não era a melhor forma, mas foi a que encontrou para lidar com Scully. E então, estavam agora comendo pizza e assistindo aos Três Patetas. _ Mulder, eu detesto esse programa._ Scully reclamou, sabendo que seria em vão. _ É um clássico._ Ele então ria como uma criança a cada trapalhada que um dos três Patetas fazia. _ Não é possível que você não ache graça. Ela somente o observava e ria. Gostava de vê-lo sorrir. Era algo não muito comum ver qualquer um dos dois rindo de qualquer coisa. O trabalho era sério demais e esses momentos de pizza e Três Patetas realmente a faziam pensar na vida e em como era bom estar ali. Fazia tempo que não se sentia tão à vontade com alguém, especialmente com Mulder. Não que não fossem amigos. Não. Dariam a vida um pelo outro, porém, era algo diferente estar ali com ele daquela forma. Era algo novo. Algo inédito em sua vida. Havia tido relacionamentos antes de entrar para o FBI, mas nenhum deles a havia feito se sentir daquela maneira. Era algo simples. Muito simples, porém forte. Era como se aquele momento fosse realmente o mais importante da sua vida. "O mais importante da minha vida... Ver os Três Patetas com o Mulder rindo como os personagens? Será?" Ela pensava. _ Vou pegar mais uma cerveja. Quer uma? _ Mulder perguntou enquanto se levantava e ia em direção à cozinha. _ Não, obrigada. _ foi tudo o que disse, continuando a olhar para a televisão. Mulder, por sua vez, já tinha certeza em seu coração de que aqueles momentos que passavam tomando cerveja e comendo pizza estavam virando suas rotinas e seus momentos de felicidade. Toda sexta-feira era como lei ter que ir à casa de um dos dois. Normalmente era sua casa, mas naquele dia decidiram ir à dela, porque lá havia cerveja e na dele mal havia copos limpos. Pegara a cerveja e, ainda no caminho para o sofá, percebeu que Scully ria. Não era algo forçado como ela fazia sempre com aquele programa, mas algo sincero, algo inédito para ele. Ela estava de fato se divertindo com o show. Decidiu não falar nada, então simplesmente caminhou até o sofá e riu também. ~~~~~~~~~~~~~~~ Já passava de uma da manhã quando Mulder olhou para o relógio e se apressou em levantar do sofá. _ Já vai? _ É uma da manhã. _ Hoje é sexta. Vamos, eu deixo você assistir mais aos Três Patetas! _ Ela disse entusiasmada. Era realmente raro ver Scully pedir algo com tanta veemência. Havia percebido que aqueles momentos eram tão importantes para ela quanto para ele, mas não sabia onde ela queria chegar. Não que tivesse um amor romântico idealizado, porém não gostava de se sentir usado. Era uma estranha sensação. Era amigo dela, mas precisava de mais. Não necessariamente algo romântico, mas havia de chegar a um nível mais alto no que se referia aos seus sentimentos. A amizade somente não era mais suficiente. De qualquer forma, não seria ele a dar o primeiro passo. Há muito decidira deixar que ela tomasse a iniciativa. Sabia dos sentimentos da parceira. Sabia que ela não estava pronta talvez para ir em frente, então, que o destino, se é que isso de fato existe, tomasse seu curso. _ Okay, okay. Eu fico. _ e assim, ele jogou o casaco na cadeira ao lado do sofá e sentou-se ao lado da amiga novamente. Algum tempo se passou até que Scully falou com a voz mais calma que encontrou naquele momento, apesar de seu coração bater a mil por hora. _ Sabe, Mulder, eu gosto das nossas noites de sexta. Eu sei que não fazemos coisas muito interessantes e eu nem sei como você agüenta ficar parado tanto tempo, mas eu gosto muito. Fazia tempo que eu não me sentia bem assim... _ Ele não falou nada, esperou que ela continuasse. _ eu acho que passamos muito tempo sem nos conhecermos realmente apesar de tudo pelo que já passamos._ ele concordou com um gesto de cabeça, somente. Mais uma vez o silêncio se instalou e Mulder lembrou-se de algo. _ Scully, eu nunca te perguntei isso, mas sempre tive curiosidade de saber. _ela franzia a testa intrigada. _ Sobre o que você e o Eddie van Blundht conversaram naquele dia que ele se passou por mim? Um frio percorreu a espinha de Scully. Não por ter sido perguntada sobre a situação, mas porque percebeu que era exatamente o que estava acontecendo ali. Conversava sobre sua vida e se deixava levar por Mulder. Esperava e não esperava, ao mesmo tempo, um contato físico. Era como se precisasse disso, mas tinha medo. Era essa a realidade. Para onde iriam após algo mais físico? Durante todos os anos anteriores haviam trocado somente um beijo nos lábios e fora no ano novo, o que não contava muito. E naquele momento, apesar de tudo o que sentia, teve medo. Medo do desconhecido. _ Scully? _ele a tocou e a tirou dos seus devaneios. _ Desculpe... Estava tentando me lembrar. _ disfarçou. _ Bom, conversamos sobre o tempo de escola, sobre a faculdade, sobre relacionamentos. Essas coisas. Mas no fundo, eu sabia que não era você. Era estranho estar tendo aquelas conversas com você, mas me deixei levar. _ Fez questão de não mencionar o quase beijo que trocara com aquele ser mutante e o fato de que se deixara levar por ele. Não podia deixar de imaginar em que Mulder pensou quando a viu naquele dia. _ hmmm... Mas deve ter sido algo bem interessante, afinal, se eu não chegasse ali talvez você estivesse hoje com um filhinho com rabo. _ Ele sorriu e ela não pôde deixar de fazê-lo também. Seria uma situação horrenda. _ Eu não sei se deixaria chegar a esse ponto. _ Ela disse sorrindo e imediatamente o pensamento de que ali, naquele exato momento, se deixaria levar totalmente por Mulder. Como esperava que ele desse o primeiro passo! Mulder, por sua vez, somente sorriu. Jogava como podia, mas não tomaria iniciativa nenhuma. Ele sabia que ela o esperava, mas não o faria. Estava decidido. Conversaram mais sobre outras coisas até que o assunto dos dois, mesmo que indiretamente, voltara à tona. _ Scully, eu não sei quanto a você mas faz um bom tempo que eu não estou com alguém de que eu realmente goste. Aliás, eu não acho que já tive alguém assim. Nem mesmo Diana, que foi meu relacionamento mais longo. _ a melancolia em sua voz era evidente, apesar de tentar disfarçá-la. _ Também acredito que nunca estive com a pessoa certa, como dizem por aí. Mas como saber? Isso se existe de fato uma pessoa certa para cada um de nós. _ Ela tentou sair do tópico Diana, porque só de ouvir o nome ela seu estômago se retorcia. Sentia uma mistura de ódio por aquela mulher que tanto fez mal a Mulder e também admiração por ela ter sido capaz de conquistá-lo e ainda de perder a vida por ele. _ Eu acredito que há. _ enquanto falava, ele a olhava profundamente como se querendo dizer com os olhos tudo o que seus lábios não conseguiam. _Vou pegar mais cerveja. Quer? _ Não. Quero vinho. Enquanto ele estava fora da sala, ela se pôs a pensar no que estavam fazendo. Os dois brincavam com fogo. Era um campo minado em que ambos sabiam como acabaria. Ela tinha medo, mas sabia que as noites de pizza e cerveja desembocariam no que acontecia naquela noite. Ao pegar a taça das mãos de Mulder, reparou mais uma vez nele. Era um homem que mais parecia um menino quando trabalhava. Gostava tanto daquilo que não se via longe. Foi preciso tirar férias forçadas para não haver problemas no FBI. Entretanto, era também um homem. Um homem forte. Um homem capaz de tirá-la literalmente de qualquer perigo. Estavam acostumados a sempre se verem, a viajarem juntos e seu coração se sentia fraco quando isso não acontecia e ela não tinha mais vontade de nada. Os filmes dos três personagens continuavam a passar na TV, mas nenhum dos dois prestava atenção, cada um permanecia com seus pensamentos sobre o outro guardados em sua mente até que a terceira hora da madrugada chegou. _ Agora eu tenho mesmo que ir. Marquei de jogar com os Pistoleiros Solitários amanhã cedo. Eles me matam se não aparecer. _ ele disse levantando-se rapidamente, pegando seu casaco e se encaminhando para a porta. Não havia mais tempo para conversas e nem pensamentos. A hora era aquela. Estava certa disso. Sete anos haviam se passado e era muito tempo. Era uma vida sem vida. Sem maiores delongas e antes que ele alcançasse a porta, ela disse: _ Mulder... Quando ele se virou para observá-la, Scully estava parada no seu corredor com a mão estendida para ele. Não precisava de mais nada. Ele a olhou e sorriu. Era o momento. Era o que tanto esperavam há anos. Tão simples e tão complicado. Bastava caminhar até ela e esquecer do resto do mundo. Assim, ele o fez. E, sem dizer nada, segurou sua mão e caminharam juntos até o quarto. ~~~~~~~~~~~~~~~ Fim ~~~~~~~~~~~~~~~ Bom, pessoal, é isso. Espero que tenham gostado! Eu fiquei muito intrigada com a frase: "Numa noite solitária você chamou o Mulder para a sua cama." Eu sei lá, precisava de mais romantismo porque se não pareceria que a Scully estava de fato matando cachorro a grito e como o Mulder sempre esteve disponível, o chamou. O que significa que poderia ter sido qualquer um e não o Mulder. Mas todos sabemos que só ele serve, não é? ;) Pra complementar, esta fic tem duas outras fics "atachadas". Uma da Mônica Almeida chamada Tão Perto e Tão Longe e outra da Paty Emy chamada So far so close que você encontra no Acervo Shipper! :) Mais uma vez, obrigada à ale pela betagem super rápida! hehehehe Mandem seus comentários para shipperx@gmx.net