Título - Surpresa no Natal Autora - « Mel X » E-mail - juliana@plisnet.com.br Disclaimer - Os personagens são propriedade exclusiva de Chris Carter e da Fox Produções. Categoria - Shipper Resumo - Charles está de volta? Samantha reapareceu? Tudo isso é real, ou não passa de um sonho? Na sala do porão, Mulder e Scully preparam suas coisas para o último feriado do ano: O Natal. Mulder colocava as fotos do mural em ordem, enquanto Scully tentava a todo custo, tirar os lápis, que Mulder jogava, do teto. Terminado o serviço, os dois amigos se despediram com um longo abraço, desejando um Feliz Natal adiantado, e saíram, cada um para seu destino. No dia seguinte, Scully embarcou para a casa de seu irmão Bill, em Annapolis, onde passaria o Natal com ele, a cunhada, o sobrinho, e a mãe. O pai, ela sabia que não estaria presente, nem a irmã, mas queria muito que Charles fosse. Ele era o mais jovem de todos os irmãos, e Scully queria muito rever o irmão, companheiro de tantas travessuras na infância. Casa de Bill Scully Annapolis 13:35 PM Quando Scully chegou lá, foi recebida com muitos abraços por todos. Ficou emocionada ao conhecer o sobrinho, e também, em rever a mãe, que não via há muito. Scully arrumou suas coisas no quarto de hóspede, e deitou para descansar o corpo, da terrível viagem de carro. Enquanto estava deitada, ela relembrava antigos momentos de sua infância. Ela e os irmãos, correndo pela floresta, caçando pequenas cobras, enquanto a irmã Melissa, ficava num canto, observando-os, e temendo pela vida dos animais. Depois, lembrou do crucifixo que ganhara da mãe, quando tinha quinze anos. Lembrou-se do pai, Willian, levando-a no colo, para ver as zebras no zoológico. Como ela gostava de animais. Engraçado, como com o tempo, ela foi perdendo a maioria de sua sensibilidade. Estava muito inflexível e racionalista nos últimos tempos, e torcia para que o Natal em família, aliviasse aquilo nela. Na hora do jantar, Bill foi até o quarto de Scully chamá-la. _ Acorde dorminhoca. - riu ele. _ Puxa, me desculpe, eu estava cansada. _ Tudo bem Dana, sabemos como sofre na vida. Venha, vamos descarregar tudo isso, num belo prato de macarronada. Ela sorriu, e os dois irmãos desceram abraçados para a cozinha. O jantar correu descontraído e muito alegre. Todos conversavam animadamente, sobre o que gostariam de ganhar no Natal, que seria dali dois dias. Bill pedira um uniforme novo da marinha, já que o seu estava completamente velho. Margharet, religiosa como sempre, pedira somente, muita saúde e amor para todos. Sheila, a mulher de Bill, pedira uma panela de pressão nova, já que a sua explodira durante o preparo do peru, no ano passado. O pequeno sobrinho, não falava direito ainda, mas com um leve esforço, pediu uma espada, igual a de Luke Skywalker, de Guerra nas Estrelas. Scully, pensou um pouco. Pensava bem no seu íntimo, que tudo o que queria, era ter Mulder do lado dela, passando a noite de Natal abraçado com ela, mas nunca diria aquilo á sua família. Respirou fundo e respondeu: _ Gostaria que Charles estivesse aqui. Todos fizeram um profundo silêncio. Bill se levantou e disse: _ Em memória do nosso pai, de nossa irmã Melissa, rezemos agora, pela alma deles, e também, por Charles, que ninguém sabe onde ele se encontra. A família, de mãos dadas, rezaram por um longo tempo, e depois, cada um fez sua obrigação. Bill levou os pratos para a pia, Margharet limpou a mesa, enquanto Sheila lavava as travessas. Quando Scully foi pegar um dos pratos, foi repreendida por Bill. _ Nada disso Dana - disse ele - está cansada. Vá se deitar, deixe isso conosco. Ela não ousou contrariar o irmão, e foi para o quarto. Deitou a cabeça no travesseiro, e começou a pensar em Mulder, nas vezes, em que eles quase se beijaram, mas sempre eram atrapalhados por algo. Enfim, ela adormeceu, e sonhou. Sonhou com cenas muito estranhas. No sonho, sua irmã Melissa estava viva, e vinha até ela, desejando-lhe, feliz Natal, assim como Charles e seu pai faziam. Mulder, estava parado num canto, olhando-a, e junto com ele, estavam sua irmã Samantha, e seu pai, Bill Mulder. Scully acordou assustada, e foi até o banheiro. Passou um pouco de água sobre os olhos, e voltou a deitar, mas não conseguia mais dormir. Enquanto isso... Mulder estava em seu apartamento, sozinho como sempre. Assistia um programa de comédia, que não tinha graça nenhuma, e pensava nos casos que tinha deixado pendentes, durante o feriado. Ele se lembrou de Scully, e sentiu falta dela. Gostava muito da parceira, e há algum tempo, percebera que estava apaixonado pela mesma, mas nada podia fazer, pois tinha medo de ser rejeitado. Decidiu ligar para ela, e dizer o quanto estava com saudades. Pegou o telefone e discou para o celular dela, embora já fossem duas horas da manhã. Scully, sonolenta, levanta da cama, abre sua mala, e tira o celular de dentro, atendendo-o em seguida. _ Scully. Mulder não diz nada, somente ouve a voz dela, que começa a dizer impaciente. _ Quem é? Alo? Alo? Mulder não tem coragem de falar nada, e desliga o telefone. Em seguida, ele tira o aparelho de televisão da tomada, e deita em sua cama, onde um confortável colchão d'água o deixava com muito sono. No dia seguinte... Scully acorda ás nove da manhã, e sai a procura de seu irmão, mas ele não estava na casa. Na verdade, ninguém estava. Todos tinham ido á missa de domingo, e resolveram deixar Scully dormindo. Ela começou a andar indignada pela casa, quando a campainha tocou. Pensou que talvez fossem eles, que teriam esquecido a chave da porta, mas estava enganada. Ela abriu-a cuidadosamente, e viu um homem muito elegante na frente dela, que aparentava ter pouco mais que trinta e dois anos. _ O que deseja? - disse Scully, sentindo um aperto no coração. _ Senhora - começou o homem - acabei de chegar da Austrália, com minha mulher e meus dois filhos, mas não tenho dinheiro. Não se engane pela roupa bonita, foi uma das últimas que sobraram no meu guarda roupa. Eu gostaria de pedir uma contribuição. Scully se comoveu com a história do jovem homem, e resolveu dar-lhe um cheque de cinqüenta dólares, para este, ter uma ceia de Natal respeitável. Ele sorriu agradecido ao receber o cheque, deu um abraço em Scully, e já se virava para ir, quando Scully segurou-o e disse: _ Como chama? Para eu colocar no canhoto do talão. _ Charles. Scully ignorou aquele nome, achando que só o tinha ouvido, porque sentia muita falta do irmão. _ Como? - perguntou ela, tentando esconder a expressão de medo de seu rosto. _ Charles Scully. - respondeu o homem novamente. _ Meu Deus do céu. Scully pegou na mão de Charles e disse: _ Sou eu Charly, a Dana. Charles não se conteve de emoção, e caiu nos braços da irmã. Os dois ficaram daquele jeito, por algum tempo. Charles apresentou a mulher, Teena, e os dois filhos, Rob e Billye. Scully abraçou todos, e os convidou a entrar. Ficaram conversando por um longo tempo, e Charles contou, que se achava naquela situação, por causa de uma dívida feita no nome dele, na Austrália. Ele disse também, que nunca havia feito contato, porque, todas as ligações que ele fazia para os Estados Unidos, eram proibidas, tudo por causa da tal dívida. Eles trocaram muitos abraços, apertos de mão, e confissões emocionadas. Uma hora depois, Bill, Sheila, Bill Júnior, que era o filho de Bill, e Margharet chegaram. Todos ficaram estarrecidos, ao ficarem sabendo, que Charles estava ali, com eles. A família toda, muito bem reunida, conversou durante todo o dia, até tarde da noite. Scully estava na sala, com os três sobrinhos, e brincava com eles, enquanto Bill e Charles, conversavam na varanda, e Teena, Sheila e Margharet, fofocavam na cozinha. Ela estava imersa em seus pensamentos, quando o telefone tocou. Ela atendeu, e do outro lado da linha, escutou a voz de Mulder. _ Oi linda, como vai? - perguntou ele, com ar irônico. _ Mulder? Eu estava pensando em você. Tenho muitas coisas pra te contar. _ Eu também tenho Scully, minha irmã voltou. _ O que? _ Samantha está aqui. Scully sorriu consigo mesma. A maior felicidade de Mulder, e dela, estava realizada. Na mesma hora, ela levantou, colocou os sobrinhos para dormir, e saiu, em direção a Alexandria, no apartamento de Mulder, deixando o resto da família curiosa. Apartamento do Mulder Alexandria 3:11 AM Scully nem bateu na porta. Mulder já esperava ela. Scully entrou, deu um longo abraço em Samantha, e depois se sentou ao lado do parceiro, para ouvir a história que a irmã dele contava. Mais duas horas se passaram. Todos beberam, contaram piadas, e se divertiram muito. Scully contou que seu irmão Charles, tinha voltado também, o que provocou mais felicidade nos três. Quando Scully anunciou que teria que voltar para a casa de seu irmão, Samantha pediu para falar em particular com ela. _ Dana - começou ela - notei uma coisa em você, e não adianta dizer que estou errada, porque sei que não estou. Scully ficou preocupada e disse: _ O que notou em mim? _ Está apaixonada pelo meu irmão, e ele por você. _ Não é verdade. _ O que disse? _ Está bem, é verdade, mas não sabia que ele me amava. _ Agora sabe. Pode voltar mais tranqüila para a casa de sua família, e obrigada pela visita. _ De nada. Scully abraçou-a novamente, e foi acompanhada por Mulder, até a porta do prédio. _ Obrigado por vir ver minha irmã. - disse ele. _ Só fiz isso por você. Os dois trocaram um apaixonado abraço, e depois se separaram, ainda com as mãos juntas, como se quisessem continuar ali. No dia seguinte, quando Scully acordou, já era véspera de Natal, e ela ajudou a mãe e as cunhadas a prepararem a deliciosa ceia da família Scully. Bill e Charles, saíram com as crianças, para comprarem os presentes. Á meia noite, todos estava reunidos em volta da lareira, cantando, e se desejando Feliz Natal. Comeram e beberam pelo resto da noite, e no dia seguinte, fizeram a distribuição dos presentes. _ Este é pra Daninha. - disse Bill, entregando um embrulho para Scully - chegou pelo correio. Scully colocou aquele pacote de lado, e continuou recebendo e entregando o resto dos presentes. No final da tarde, todos quiseram ir pescar, mas Scully ficou. Ela tinha adorado, e aberto todos os presentes, mas não sabia porque, não queria abrir aquele que tinha chegado pelo correio. Ela olhou bem o papel que enfeitava o pequeno pacote, e viu seu nome escrito com letra de mão. Ela reconheceu aquela letra, e então, resolveu abrir rapidamente o embrulho. Emocionou-se ao ver, dois pombos, juntos, em cima de uma caixinha de música, que quando aberta, tocava uma suave música de Natal. O presente tinha vindo de Mulder. E junto com ele, um cartão que dizia: "Feliz Natal, meu amor". Scully sorriu consigo mesma, e colocou o presente em cima do criado mudo ao lado de sua cama. Ela deitou, colocou o cartão embaixo do travesseiro e dormiu. @@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@@ Bill entrou no quarto de Scully, sentou na cama, do lado dela, e acariciando levemente seu rosto disse: _ Acorde mana. Ela levantou a cabeça, com um lindo sorriso e perguntou: _ Onde está Charles? _ Que Charles? _ Como que Charles? Nosso irmão. _ Ele não está aqui Dana. Não apareceu, sinto muito, sei que quer muito vê-lo. _ Não, ele esteve aqui. Passamos o Natal juntos. _ Natal? Dana, ainda faltam dois dias pro Natal. É domingo, e eu vim chamá-la para ir a missa conosco. _ Onde está a Teena, o Rob e o Billye? _ Quem? _ A família do Charles. _ Dana você sonhou. Ele nunca esteve aqui. Muito menos a família dele, sinto muito. Scully olhou para o irmão com lágrimas nos olhos, e abraçou-o dizendo: _ Eu queria que ele estivesse aqui. _ Eu também Dana, eu também. Agora, limpe esse rosto, se troque, e vamos todos pra missa. _ Tá bom. Scully sorriu, enxugou o rosto, e esperou Bill sair, para começar a se trocar. Depois que já estava arrumada, ela não tirava da cabeça, seu irmão, a família dele, o presente de Mulder... O presente de Mulder? Ela correu para a cama, e levantou o travesseiro. Debaixo dele, não tinha nada do que ela pensava que tivesse. O cartão que ela queria encontrar ali, não estava, provando mais uma vez, que tudo tinha sido um simples sonho. Ela arrumou a cama, e pegou sua bolsa. Já estava saindo pela porta, quando seu irmão veio até ela e disse: _ Isso aqui estava caído do lado da sua cama quando eu cheguei. Desculpe não ter entregado antes. Scully não disse nada. Voltou para o quarto, e abriu o cartão. Dentro, estavam escritos com as letras de Mulder: "Feliz Natal meu amor". FIM