STRENGTH Pós-TINH SHIPPER luxfiles@hotmail.com www.luxfiles.hpg.com.br _____________________________________________________________ __________________________ "THIS IS NOT HAPPENING!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!" D.K.S. _____________________________________________________________ __________________ Ela gritou e permaneceu daquela maneira por um longo tempo. Não parecia estar a par do que realmente estava acontecendo, não raciocinava corretamente. Mulder morto, Jeremiah desaparecido? Aquilo era demais, não havia como aplacar toda a dor que se apossara de seu desolado coração naquele instante. Só então ela soube o quanto Mulder era importante pra ela. Somente ao sentir que ia-se junto dele, ela soube que ele era o que havia de mais importante para ela, e não havia nada que afastasse o que ela estava sentindo naquele momento. Não havia saída para o pesar, não havia saída para a dor, não havia saída para a morte. Caiu em seus joelhos e sentiu as lágrimas pesarem no rosto cada vez mais lânguido. Não! Não! Mulder não estava morto!! Aquilo NÃO ESTAVA ACONTECENDO!!!! Ela não queria admitir, mas ele estava morto de fato. Estava estirado no chão, e ao voltar à cabana em busca de ajuda, constatou que era tarde demais. Mas... não! Devia haver alguma maneira de salvá-lo! Ela não se conformava com tamanha brutalidade. A palidez presente no rosto do agente a faria ter pesadelos por dias a fio. Mas nada se comparava ao pesadelo que ela vivia ali, naquele momento. Uma tormenta de dor a fez gritar ainda mais, urrando para tudo e todos que quisessem ouvir: _Eu te amo!!!!! Mulder, eu te amo!!!! Não vá!!! Por favor, não vá!!! Por favor!!... _ela perdeu por um instante as forças e percebeu que aquilo era em vão _Não... vá. Permaneceu olhando para a terra que havia de engoli-lo dali a dias, mas não raciocinava direito. Tinha vontade de pôr fim à própria vida, mas sabia que aquilo era estúpido demais. Se fizesse aquilo, não honraria a si mesma, e mais... não honraria Mulder. Ele a havia mostrado que a força, mais que uma virtude, é sinônimo de fé. Ele a havia feito perceber que, se permanecesse fé, teria fé. Afinal, munindo forças, ela poderia crer que Mulder voltasse a viver. Ela parou por um instante e olhou para o céu. Viu as estrelas brilhando e lembrou-se imediatamente... ela não queria que ele brilhasse. Não no céu, como as estrelas já mortas. Mas sim na Terra, ao seu lado, por toda a eternidade. Queria que Mulder fosse sua estrela viva, de carne e osso. E ao lembrar da face moribunda que vira minutos atrás, deteu-se na mais remota das possibilidades: e se houvesse uma maneira de salva-lo? E se houvesse um meio de faze-lo voltar à vida? Ela tinha que acreditar para salvá-lo e também para salvar a si mesma. Sabia que, se acreditasse no oposto, sua vida escorreria por entre seus dedos naquele exato instante. Aquele era o fim. Mas não o fim de Mulder, ou o fim daquilo que ela nutrira por todos aqueles longos anos. Era o fim apenas de uma era, de um momento... o fim de uma dúvida. O Sol, de repente parecia sobrepor-se à negridão total que dava à cena um tom bastante fúnebre, não foçe a força presente numa mulher que, mesmo vendo-se acabada e despedaçada ali, naquele momento, com todos os seus nervos à flor da pele e ainda com o coração na mão, não desistia de um sentimento que, ela sabia, era seu maior trunfo. Talvez uma dádiva, talvez uma dúvida, mas agora uma certeza. Ela sabia que era pra valer. Sabia que era de verdade, e que era eterno sem dúvida alguma. Sabia que seu amor era maior que tudo e todos na face da Terra, daquilo não restavam dúvidas. Restava apenas a incerteza de como ela ia salvá-lo, como ia salvar Mulder das garras afiadas de seu pior inimigo. Restava a ela saber como iria salvar Mulder da morte. Ela se recompôs e voltou ao local onde estavam os outros que a mostraram o cadáver. Ela se aproximou devagar e tentou não parecer fraca, embora seus olhos delatassem exatamente o contrário. Sua espinha dorsal sentiu o calafrio insano que se alastrou por todo o corpo, mas ela não desistia. Era corajosa, e sabia que seria capaz de reverter aquilo. Sabia que seria capaz de trazer Mulder de volta para si, nem que aquilo custasse a sua vida... e a do bebê que carregava em seu ventre. Seus passos eram pesados, e o corpo parecia firmar-se com pesar sobre o chão. Ela andava ereta, embora sentisse que a qualquer momento pudesse cair. Mas não falseou, chegou até Mulder de olhos bem abertos e pôde olhar mais uma vez para um corpo já em estado de detrimento. Parecia ter sido totalmente torturado, e os olhos tristes mostravam que ele havia sofrido muito, muito. Não restavam dúvidas que Mulder foi torturado até morrer. E agora ela tentava fazê-lo voltar, custasse o que custasse. Ela estava disposta a buscar forças inexistentes para ser capaz de fazê-lo reviver. Estava disposta a fazer o que fosse preciso para tê-lo em seus braços novamente, vivo e movido a voltar a encontrar a verdade, como havia feito até ser levado. Não conteve as lágrimas, que rasgavam seu rosto a cada gota. Ela sabia que ia ser difícil, mas tinha que ser forte. Tinha que salvá-lo. Não podia desistir!! Caminhou até ele e abaixou-se, sendo observada pelos outros, todos comovidos com tal situação. Ela continuava andando, como uma diva no meio de tantas pessoas, uma verdadeira guerreira que desbravava os mistérios da vida e da morte. Ela era uma inspiração para qualquer um, e embora estivesse morrendo por dentro, vestia um disfarce impossível de ser retirado. Ela somente o havia retirado para Mulder, com quem era leal e verdadeira. E ao vê-la ali, não suportou e desabou em prantos novamente. Gritou com toda a voz que tinha naquele instante e esmurrou o ar, abrindo os braços em forma de asa, como se pedisse ajuda a Deus ou a qualquer um lá em cima. Ela tinha que ser forte, mas ao ver Mulder seu disfarce caía por completo, e ela era Scully de novo. A mesma Scully fraca e frágil de outrora. A mesma Scully que amava um ser tão estranho e ainda assim tão inigualável. Chorava incessantemente, e parecia desnorteada pelas lágrimas que caíam sempre, sem parar. Ela gritava, inconformada, e não conseguia parar de emitir o que parecia ser um som de desabafo, ou talvez de represália. Não a Mulder, mas a si mesmo por não ter revelado o quanto era louca por ele, o quanto o queria e precisava de seus braços ao redor de seu corpo. Ela não poderia viver sem ele. Não agora. Nem nunca. As lágrimas brilhavam ao sol imaginário que Scully vira outrora, e que parecia mais uma espaçonave que ela havia avistado antes de voltar a ver o corpo. Elas caíam e tocavam o corpo de Mulder, tão gélido e sem vida que parecia nem mesmo estar ali. Ela estava gelada, tremendo por fora, no entanto por dentro ainda alimentava um calor imenso que se disseminava por todo o corpo. As lágrimas, ainda cadentes, possuíam essa quentura e caíam lentamente sobre o corpo de Mulder. Scully não parava de chorar, mesmo com tantas pessoas tentando dar-lhe apoio num momento tão difícil. Ela não conseguia largar da mão de seu eterno parceiro, e permanecia ali, retorcida por completo, chorando feito uma criança, e transparente para todos, pois Mulder a fizera daquela maneira. Ele a fizera ser verdadeira consigo mesma, e agora ela não conseguia esquecê-lo. De subido, ela pôde sentir uma quentura espalhando-se por sua mão e subindo ao corpo, envolvendo-a por completo. Ela estava quente de novo, não por fora mas por dentro... e percebera que essa quentura havia vindo de Mulder, ali, deitado, nu, à sua frente, tão exposto e tão carente. Ela o havia aquecido, e em conseqüência ele a havia aquecido também. Scully parou de chorar por um instante, como se caísse em si naquele momento. Mulder estava... vivo??? Ela sentiu sua pulsação e pôde perceber que havia batimentos cardíacos cadenciados, embora longínquos e tão ínfimos à sua percepção, ela fazia-se dona de uma vontade insana de fazê-lo abraçar de novo sua mão... uma vontade de faze-lo abraçar de novo a sua mão. _Ele está vivo!!! Ela descerrou as sobrancelhas, já tão doloridas, e sorriu sentindo um arrepio tomar-lhe por completo. Mas ela estava arrepiada de felicidade, de uma felicidade incontrolável. Como quando se percebe que algo de bom ocorrerá dali a instantes. Ela sentiu um arrepio que a fez tremer por um instante, para só então ter certeza de que, a partir dali, tudo seria novo... menos o seu amor, somente engrandecido com o tempo. Ela era uma pessoa nova, assim como Mulder que, ela sabia, ia voltar a olha-la com os olhos tão característicos de alguém apaixonado. Ninguém acreditou quando ela disse que sentiu a pulsação de Mulder, mas ela sentiu um súbito sentimento de alegria que a invadiu por completo e a fez irradiar um brilho inigualável. Seus olhos transpareciam a felicidade, e ao ver Mulder tossindo ali, a fez chorar de alegria, uma alegria que ela não podia conter. Ele tossiu, resfolegando-se de um longo período de pausa. Abriu lentamente os olhos e todos ao seu redor o fitavam com ares de incredulidade. Scully acreditou, foi a única que acreditou que ele ia ressuscitar. Talvez ele fosse o novo Jesus Cristo, mas aquilo não importava, o que importava é que ela o havia feito reviver com seu amor e com sua vontade de vê-lo tão vivo quanto sempre fora. Ela o fez voltar a vida. Agora ele murmurava algo, ainda respirando forçadamente, o ar gelado adentrando suas vias respiratórias e limpando todo seu organismo das sensações maléficas que ali fizeram moradia. Ele estava vivo de novo, e queria dizer algo. Scully abaixou-se e levou o ouvido à sua boca, sentindo o hálito fresco dele. Era quase impossível ouvir: _Te peguei. Mas ela conseguiu, finalmente conseguiu ouvir a voz do parceiro. Finalmente conseguiu estar feliz de novo, e não se continha na alegria. Ela o viu sorrir, tão belo aos seus olhos, e beijou sua testa como que selando aquele amor. E, tomando coragem, observou-o por alguns segundos, apenas para ter certeza de que aquilo era o que devia fazer de fato. Ela o beijou. Na boca. O beijou doce e apaixonadamente, fazendo-o aquecer ainda mais seu coração. Separaram-se por um segundo e fitaram-se novamente, certos de sua paixão. Ela o envolveu em seus braços e o cobriu com sua vestimenta, para apenas estão sentir uma mão que se fazia presente ali há muito tempo. Era Jeremiah Smith, que esteve presente durante todo o tempo. Ela o observou, ainda abraçada a Mulder, e observou também a multidão ao seu redor, e constatou que seu amor por Mulder era algo intangível. Fosse na alegria ou na tristeza. Fosse na saúde ou na doença. Na vida ou na morte... Ela o amaria, sempre... sempre. E embora restasse a dúvida do que Jeremiah estivesse fazendo ali, durante aqueles minutos tão preciosos, ela sabia que o retorno de Mulder da morte fora obra sua, e de ninguém mais. Ela, junto de seu amor e sua infindável força, o trouxeram de volta a vida. E mesmo que, hipoteticamente, Jeremiah tivesse surtido algum efeito, levando a mão ao ombro de Scully e passando a ela o poder da cura, ela acreditava no oposto. Acreditava que era capaz de curar com o poder da sua luz, da sua vida, da sua força. Afinal, o amor... pode tudo.