SPIRIT Fanfic de Lucas Zago. 25/7/00 Categoria: Shipper, MSR Classificação: Livre. Sinopse: Mulder está sofrendo com algo que é maior do que si próprio e com o qual ele não pode lutar. O que fazer, então? Revelar o que sente ou tentar acobertar tal sentimento? Nota: Esta fic é bastante romântica, portanto aqueles que não gostam de histórias românticas não irão se identificar com esta. É shipper, obviamente, portanto, os noromos estão avisados. E a narrativa apresenta o ponto-de-vista de Mulder. Disclaimer: Blá, blá, blá... todo mundo já sabe que eles não são meus, é lógico, pois se fossem eles já estariam juntos há muito tempo. E claro, a fic não possui fins lucrativos (mas recompensas de mil dólares em notas de cem irão ser muito bem-vindas), portanto, apenas leia e divirta- se. E diga-me o que achou. É romântica, já estou avisando... Ok, a escolha é sua... X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X-X- X-X-X-X- ** SPIRIT ** 00:21 PM "Como é triste a gente se pegar à noite olhando pras estrelas, disperso ao luar e o frio penetrando na pele. Meu peito desnudo sente a gélida brisa que se aproxima pela janela. Estou aqui, lembrando e relembrando tantos momentos de união infindável... uma união una e completa. Eu nunca pensei que iria chorar por você. Nunca pensei que meu coração se despedaçaria para ter você junto de mim. Nunca pensei... nunca imaginei que meu espírito, sôfrego, iria gritar ao longe tentando trazer você pra perto de mim. Nunca chorei do jeito que choro agora. Nunca senti a dor que assola meu peito e espreita a felicidade que outrora senti. As estrelas, na mágica dança junto à lua, me chamam para revelar algo, mas estou muito entretido em minha solidão. Não quero conversa, não quero nenhuma aproximação. Quero fazer uma intersecção do amor com a tristeza. Eles caminham juntos, como velhos amigos. Nesta linha estreita e ambígua, que me faz chorar e chorar e chorar como um rebento que procura o colo da mãe. É, não posso negar... também quero colo. Você sabe que nunca fui de ter muitos amigos, sempre fui introvertido e, por que não dizer tímido? Se faço piadas irônicas com você é porque me sinto confortável e ao mesmo tempo seguro ao teu lado. Um homem também tem o direito de se sentir seguro. Um homem também tem o direito de chorar e falar com o espírito numa noite fria, olhando as estrelas brilharem no tão longínquo céu. Mas o brilho dos seus olhos é mais belo. A cor dos seus lábios é mais linda do que o sol no amanhecer. Sua pele é mais macia do que a seda... e você me completa. Você é meu pólo atrativo. Você é um segundo eu, mais céptico e racional, que se faz íntegro com este "eu" presente no fundo do meu ser. Scully, você é meu amor, meu anjo, meu tudo, minha vida... você é a razão do meu viver. Você é a razão por eu tentar gritar e não poder. Você é a razão da rouquidão da minha voz trêmula, a quentura no meu corpo... você é o calor nesta noite fria. Você é o equinócio. A deusa a quem me curvo, pois você é digna de respeito. Você merece mais, muito mais do que acompanhar um sujeito estranho numa busca infindável pela Verdade. Você merece um cara melhor do que eu. Eu não sou digno de ter você. Não sou capaz de lhe mostrar o quanto meu amor é grande. Não sou nem ao menos capaz de lhe beijar, quanto mais revelar o que sinto. Mas você deve entender que sou assim, de poucas palavras... meus gestos falam mais do que minha boca... minha boca que chama pela sua. Minha mão que quer tocar suas madeixas cheirosas... quero inalar seu perfume, sussurrar juras ao pé do seu ouvido... quero te amar e tirar a dor cravada em meu espírito. Quero que minha alma siga até encontrar a sua. Quero você. Quero nós dois juntos. Quero ser teu, e mais de ninguém. Quero poder lhe falar como meu amor perpetuou-se durante estes anos todos em que estamos juntos, sem nunca nos separarmos. Apesar das divergências e da tentativa frustrada de várias pessoas em nos separar, sempre estivemos juntos, mesmo sem nos falarmos, sem nos tocarmos, sem nos olharmos... eu sei que você pode sentir o que sinto. Sei que você sabe o que sei... que tudo isso é muito maior do que eu. Não posso impedir, estou imerso neste mar de paixão, não sei como encontrar a saída deste túnel... nem sei se quero. Talvez se você se juntasse a mim e me beijasse... talvez assim, somente assim, eu regozijaria dos momentos álacres que passaríamos juntos. Sendo assim, só mês resta pensar... e conversar com meu espírito. Queria poder achar uma forma de te dizer "eu te amo", mas tenho medo... medo que as coisas se tornem piores e que eu lhe fira com meu amor e, mesmo assim, não obstante, que eu descubra o que não quero descobrir. Por isso, e por tudo mais... eu permaneço calado, tentando estacar em mim mesmo um limite que desconheço. E procuro desviar o olhar e pensar noutra coisa, mesmo que seja impossível. Tento disfarçar, mas de nada adianta. De nada adianta tentar, pois meu coração esbraveja incessantemente o amor que sinto por você. Por mais que tente, não posso. Por mais que queira, é impossível. Não consigo mudar e transformar um sentimento que está preso em mim. O máximo que posso fazer é abafar e acobertar este amor que apenas reitera minha certeza de que eu... eu amo você mais que tudo. Minha razão, meu trunfo, minha maior certeza é saber que um dia lhe encontrei. E agora, aguardo pelo dia em que consiga, ou possa revelar o que sinto. Até lá, só me resta esperar e tentar impedir que meu coração sofra com tamanha demora... até lá, só me resta chorar e abrandar meu espírito." 03:16 AM Passos firmes. Eco no corredor. A chave virando na fechadura trazia a penumbra escondendo a figura que adentrava. Vagarosa e cautelosamente, alguém surgia e seguia pelo apartamento de Mulder até notar que ele estava sentado numa cadeira, perante à janela, aberta, adormecido. Era uma mulher. É ela. A razão da angústia de Mulder... Era Scully, que seguia até ele, já cansado de chorar, agora em sono profundo. Ela revelava sua face lânguida à luz da lua que contrastava com seus olhos brilhantes prestes a expelir uma lágrima... que escorria por sua face. Scully chegou até Mulder e não suportou o aperto no coração de ver que ele estava chorando. Seu rosto estava molhado pelas lágrimas estampadas ante a tristeza presa em seu já despedaçado coração. Ela não agüentara... a vontade de selar seus lábios fora tanta que ela arriscou... mas logo ponderou. Retomou a posição anterior. Levou calmamente a mão até o rosto de Mulder, limpando a umidade presente em sua face e ele acordou. Como num sonho, ele acordou. Observou a imagem ali, inerte a tudo, apenas observando-o e acariciando-o verdadeiramente. Não sorrira. Voltara a chorar, ao lembrar do que sentia. Seu coração disparou, acelerado, suas mãos tremiam e ele suava incessantemente. Ele sofria com o calafrio que estava sentindo, pois sabia que não deveria estar sentindo. Deveria tentar acobertar seu sentimento, mesmo que parecesse ser impossível. _Mulder, sou eu... Ele olhou fixamente para ela, as lágrimas escorrendo cada vez mais rápido. _Eu sei... _Então, por que você está chorando? _Nada, é bobagem. _É bobagem você estar chorando? E bobagem você estar tremendo? Mulder, eu sinto o suor escorrendo, o calafrio tomando conta do seu interior... por que isso? Sou eu a culpada? _Scully... _ele retirou a mão macia da eterna parceira e companheira _ você não entende. _Como não Mulder? Será que sou eu quem não entendo? Como você é orgulhoso... ou será que não confia em mim para revelar o que lhe aflige? _Não é orgulho, Scully. É medo. E é justamente por medo de estragar tudo... e fazer não valer esta nossa confiança. _Mulder, escuta... você pode confiar em mim. Seja para o que for, eu estarei sempre do seu lado e, se puder fazer alguma coisa pra lhe ajudar, não irei hesitar. Será que não percebe? _O quê? Pausa imediata. Ela não revelou. Hesitou. Também estava com medo. Era um medo mútuo... até nisso eles se completavam. _Scully, tem algo que você pode fazer. _O quê? Ele olhou , decidido e convicto, para ela, e a tensão crescia. Um aroma rodeava seus corpos. Ele levou seus lábios aos dela, selando- os apaixonadamente e demonstrando o amor que sentia. Não houve impedimento. Ela fechou os olhos, imaginando que aquilo era um sonho e, ao separarem seus lábios, ela abriu os olhos e sorriu, dizendo logo: _Eu te amo. E beijando-a novamente, ele respondeu _Eu também. A dor que inundava Mulder agora se fora. Dera lugar à felicidade. Ele estava feliz por saber que seu amor era correspondido. Era um risco que tinha que correr, e se ela não a amasse, não seria sua culpa. Ninguém manda no coração... mas o que se passava ali era a afirmação maior de que ambos se amavam mais do que tudo. E o espírito de Mulder uniu-se ao de Scully, naquela noite fria, que agora já não era tão fria assim... e tornaram-se um só, completando o sentido do amor. FIM. Feedback para luxfiles@hotmail.com >> Sei que ficou açucarada, eu tentei não cair na mesmice. Mas um pouquinho de romantismo nunca é demais e não faz mal pra ninguém, não é mesmo? <<