Título: Sozinha Autoras: Graça e Bellefleur X Rio, 23/01/2001 Resumo: Mais um dia... Sem você... Feedback: gracap@bol.com.br, bellefleur_x@hotmail.com Mais uma fic pós Réquiem.... Agradecimentos: Sky, Clá e ale e ao patrocínio dos lenços de papel Clin X e dos colírios LoveIsAll! Apartamento de Scully Terça-feira 7:00 a.m. Pooohnnn! O despertador dá sinal de vida. Me viro para parar com esse barulho que, às vezes, parece infernal. Deus, mais uma vez sonhei com ele, que ele estava de volta. Sonhei que tinha tudo, enfim. O homem que amo, uma filha linda, que estávamos felizes, brincando no parque como uma família normal. Isso me fez feliz, por alguns segundos, quando acordei, porque sinto, sei que esse sonho vai se tornar realidade. Uma realidade que por algum tempo eu vivi, e cujas lembranças me mantêm viva, me dão forças para continuar a crer que eu posso querer muito mais, que eu posso ver um futuro maravilhoso para nós. E por que não? Hoje, estou só. E sozinha é sozinha. Não consigo, no entanto, admitir, não posso permitir que seja assim e assim permaneça. Não depois de tudo o que passei ao lado dele, depois de tudo o que vivi e vi, depois de anos tentando esconder e negar o que sentia por ele. Não depois dos momentos maravilhosos que passamos ao, finalmente, admitir o que sentia-mos um pelo outro. São esses os momentos que não me deixam ficar só, e que, de certa forma, preenchem esse vazio que invade todo o meu ser e que dói tanto. Nossa, como dói... Foram momentos que, além das lembranças, deixaram algo mais, o combustível para que eu possa continuar a acreditar que vou, apesar de tudo, voltar a vivê-los... Não está sendo muito fácil viver sem você ao meu lado, para me apoiar. Sinto falta até mesmo dos deboches e piadas. Nossa! Lembro de cada sorriso, de cada abraço, de cada contorno do seu rosto. Como sinto sua falta. Como eu queria que você estivesse aqui, colocando suas mãos em torno da minha barriga e jogando suas pernas sobre as minhas. Alisando meus cabelos e me beijando a nuca com sua barbinha pinicante. Dizendo "bom dia", baixinho no meu ouvido. Me deixando arrepiada e me fazendo sentir a mulher mais feliz do mundo... Sim, uma mulher completa. É assim que me sinto quando estou com você. Apesar de tudo o que passamos... Como eu te amo, sabia? Não, acho que você não sabe. Não houve tempo suficiente para que eu te dissesse com todas as letras o quanto eu te amo. Você se foi tão rápido... Senti sua perda de uma maneira tão aguda, que, no princípio, achei que não fosse suportá-la. Tive medo de desmoronar, de deixar a frágil Dana se sobrepor à lutadora Scully e se entregar ao desespero. Mas essa coisinha que trago em minhas entranhas me ajudou a superar essa fase. Esse pedacinho de você que cresce dentro de mim me deu forças para continuar. Agora, o medo de perder você se foi. Sei que estaremos sempre unidos no seu e no meu coração, não importa o que aconteça, daqui em diante... Já encontrei você. Já tive de você o melhor e o pior e sei que continuarei a ter, enquanto eu viver. É a minha única certeza neste momento... Sabe, odeio admitir isso, mas adoro quando você discorda das minhas opiniões. Ou melhor, adoro discutir com você, adoro esses joguinhos mentais de gato e rato em que tantas vezes nos envolvemos, nesses anos todos. Só não gosto muito, e isso eu devo confessar, de quando você parece se esquecer de mim, ou talvez lembrar-se até demais, para seguir outras opiniões... Até o seu ciúme eu odeio e adoro, pois me faz sentir viva de uma forma natural e confusa. Essa foi por você! Adoro o seu jeito rebelde de ser, sua força de vontade e sua determinação que quase sempre acaba em teimosia... Incrível como o amor é cego mesmo! Cego... Será? Vi e descobri mais coisas através dele do que de qualquer outro caso que tenhamos investigado... O amor me ensinou mais do que todos os meus anos na escola de medicina. Quantas vezes lutamos contra o que sentíamos um pelo outro, hein? Nossa, quanto tempo desperdiçado, se é que posso falar assim... Sabe, eu não estou mais tão enjoada assim. Acho que o pior já passou. Estou louca para sentir os primeiros chutes e quero que você os sinta também. Quero ver a sua cara de bobo e babão, na hora em que isso acontecer... Quero você segurando minha mão na hora em que o bebê nascer. Quando ele chorar e sorrir pela primeira vez. Quando disser a primeira palavra, "mamãe", não tenho a menor dúvida! Imagino você com os olhos rasos d'água quando, em seu primeiro dia dos pais no jardim de infância, ele presentear você com uma gravata pintada, rabiscada, melhor dizendo, por ele mesmo. Vejo você correndo atrás dele em suas primeiras tentativas de andar de bicicleta sem as rodinhas. E, depois, assoprando-lhe o joelho esfolado por uma queda enquanto o cobre de mertiolate. Já pensou quando você encontrar com ele, no quarto, brincando com um bonequinho de Guerra nas Estrelas? Eu e você, de mãos dadas na platéia, na sua primeira apresentação no auditório da escola. Tanta vida eu vejo para nós três... Triiimmm! É a campainha da porta tocando. Olho para o relógio, 7:08. Quem será a essa hora? Quem ousa interromper meus devaneios românticos, minhas reflexões de vida? Triiimmm! insiste a campainha. Além de tudo, é alguém insistente. Calma, eu já vou. Apenas, não é hora de correr. Me levanto devagar, visto um robe. Passo as mãos nos cabelos sem nem ao menos me olhar no espelho, numa vã tentativa de colocar as coisas mais ou menos no lugar. Ah! Quer saber? Dane-se! Quem mandou bater na porta do outros a essa hora? Triimmm! Deus, que pressa tem essa criatura! Ando até a porta, arrastando os pés. Abro lentamente a porta, quando me dou conta de que nem ao menos dei uma espiada pelo olho mágico antes. É essa lerdeza matutina. Percebo, também, que esqueci de calçar os chinelos. Paciência! Felizmente o apartamento tem carpete. Levanto os olhos devagar para examinar quem é essa criatura infame que ousa perturbar a tranquilidade dos outros tão cedo. Um par de tênis meio surrados, calças jeans, camiseta preta, um boné dos New Yorkers. É ele! Em pessoa. Ali, na minha porta. E ele sorri e me diz, como se tivesse partido ainda ontem: - Oi. Eu quero falar, dizer tudo o que sinto, tudo o que tenho sentido ultimamente, tudo em que estava pensando há alguns minutos atrás. Mas um nó se formou em minha garganta e a voz não sai. Quero abraçá-lo, pular em cima dele, segurá-lo com toda a minha força para não deixá-lo partir nunca mais outra vez. Mas minhas pernas viravam gelatina, meus braços viraram gelatina. Tudo o que consigo é ficar ali imóvel, muda, olhando para ele como se eu fosse uma estátua de sal, esperando pela primeira chuva para me dissolver. Ouço até os trovões ao longe. Depois de um instante que me parece uma eternidade, seus braços se erguem vagarosamente. Suas mãos se estendem em câmera lênta para tocar meu rosto. Estão perto, perto, tão perto. Quase posso sentir-lhes o calor antes mesmo que me toquem. Seu rosto se aproxima do meu e antecipo o gosto de sua boca na minha antes mesmo que o beijo se consume. É bom. Muito bom! Pooohnnn! Desperto assustada. Estou novamente em minha cama. Olho o relógio, 7:11. Droga, apertei o snooze em lugar de desligar o despertador. Foi tudo um sonho! Mas um sonho muito bom! F I M On My Own - Les Miserables On my own Prentending he's beside me All alone I walk with him 'til morning Without him, I feel his arms around me And when I lose my way I close my eyes and he has found me In the rain, the pavement shines like silver All the lights are misty in the river In the darkness, the trees are full of starlight And all I see is him and me forever and forever And I know It's only in my mind That I'm talking to myself and not to him And although I know that he is blind Still I say, there's a way for us I love him, but when the night is over He is gone, the river just a river Without him the world around me changes the trees are bare and everywhere the streets are full of strangers I love him, but everyday I'm learning All my life, I've only been pretending. Without me, his world will go on turning A world that's full of happiness that I have never known I love him I love him I love him But only on my own. Info: Música do grupo Les Miserables On My Own (Sozinha) - Les Miserables Sozinha Finjo que ele está comigo Solitária Caminho com ele até de manhã Mesmo sem ele Sinto seu abraço Quando me perco Fecho os olhos e ele me encontra Sob a chuva A calçada brilha como prata Todas as luzes Tornam-se névoa sobre o rio Na escuridão Estrelas brilham entre árvores E tudo que vejo É você ao meu lado para sempre Mas eu sei Que são apenas sonhos Que estou falando comigo mesma E não com ele Apesar de eu saber Que ele é cego Ainda penso Que há uma chance para nós Eu o amo Mas quando a noite termina Ele vai embora E o rio é apenas um rio Sem ele O mundo ao redor se transforma As árvores perdem a cor E só vejo estranhos Eu o amo Mas a cada dia aprendo Que toda minha vida Eu passei me enganando Sem mim A vida dele continuará O mundo está cheio de felicidade Que eu nunca conheci Eu o amo Eu o amo Eu o amo Mas só quando estou sozinha