Título: "Sonhos perigosos" Autora: Déia Mulder e-mail: deiamulder@ig.com.br ou deiamulder@uol.com.br Disclaimer: os personagens desta fic não me pertencem. Fox Mulder e Dana Scully, pertencem à Twenty Century Fox e à Chris Carter. Categoria: Shipper. Classificação: Tem um pouco de violência! Sinopse: Um assassino, frio e calculista, aprisiona Mulder e Scully em sua mente doentia. Eles tem pouco tempo prá sair, antes que seja tarde demais. Agradecimentos: À Sílvia Helena Penhalbel, que gentilmente achou um tempinho para betar essa fic para mim. Sil você é demais! Muito obrigada! "Sonhos Perigosos" Local desconhecido, Hora desconhecida. Ela estava ali. Entregue aos desejos dele. Sentia o gosto amargo do sangue em sua boca e seu corpo tremia. Como ele poderia ter feito isso com ela? Como? Ela sempre confiou nele cegamente, e agora ele lhe traía a confiança. Estava deitada no chão frio de cimento. Tinha um ferimento no estômago, resultado de um tiro. Um tiro dado pela pessoa mais importante de sua vida. Olhou ao redor. O lugar era lúgubre e frio. Parecia um corredor.... imenso. As paredes, que um dia foram brancas, tinham uma coloração amarelada. Um local sujo e que cheirava à poeira. Ouviu passos se aproximando dela. Sua visão distorcida, não podia enxergar a pessoa que se aproximava de seu corpo inerte. A pessoa ajoelhou-se ao seu lado, e pegou em sua mão fria. Apertou-a entre as suas e algumas gotas de lágrimas, que caíam de seus olhos, pingaram diretamente no rosto dela. Ele murmurava entre lágrimas "Por que? Por que.....?" Num súbito esforço, ela ergueu sua cabeça e olhou nos olhos dele. O homem tomou o corpo pequeno dela, deitando sua cabeça em seu colo. Seus olhos azuis, fitaram os olhos esverdeados dele, que estavam cobertos pelo sofrimento. Lentamente, sentia suas pálpebras ficarem mais pesadas e ela se entregou. Fechou os olhos e adormeceu. MULDER (GRITANDO, DESESPERADO): Nãoooooooo! Scully não faz isso comigo. Por favor, não faz isso comigo! Eu te amo! Mulder deitou sua cabeça no corpo dela e chorou, convulsivamente. "Dois dias antes......" Sala do diretor assistente Walter Skinner; 9:01am. SKINNER (ENTREGANDO UMA PASTA DE ARQUIVO À MULDER): Este é Josh Mc'Person, funcionário de uma loja de conveniências. A namorada foi encontrada morta, em sua casa. Aparentemente, morreu dormindo, de um ferimento feito à bala, no estômago. A polícia local não encontrou vestígios de nada. Apenas as impressões digitais de Josh, na arma do crime. SCULLY: E a polícia suspeita que foi Josh Mc'Person o autor do crime? SKINNER: Isso mesmo. A polícia local, encontrou uma arma entre os pertences dele, que combina com a bala que foi retirada da vítima. MULDER (DESANIMADO): Legal. Um caso de assassinato que pode muito bem ser investigado pela polícia local. Esse tipo de crime não se encaixa nos padrões do Arquivo X, portanto nós não vamos investigar isso. Scully e Skinner se entreolharam. Mulder estava estranho, nervoso, mais do que o normal. SKINNER (IRRITADO): Agente Mulder, eu dou as ordens aqui, portanto, vocês estão no caso. Existe algo estranho que a polícia não conseguiu decifrar. MULDER (DEBOCHADO E IRITANTE): Se ele era gay ou cortava para os dois lados? SKINNER (OLHANDO PARA ELE, DESAFIADOR): Ele estava na cadeia, ontem à noite. Josh Mc'Person foi preso, semana passada, por furto à loja onde trabalhava. A polícia não sabe explicar como a arma tinha suas impressões. Quero que investiguem, agentes. É só isso. SCULLY (LEVANTANDO): Nós manteremos contato, senhor. Com licença. Mulder acompanhou-a até a porta, abrindo-a e dando passagem à ela, como um cavalheiro. Estavam caminhando na direção do elevador. Mulder estava calado, não disse uma palavra desde que saíram da sala de Skinner. Scully apertou o botão do elevador, e estavam esperando o mesmo abrir-se. SCULLY (PREOCUPADA): Tudo bem, Mulder? MULDER (COM EXPRESSÃO CANSADA): Tudo! SCULLY: Tem certeza? Você parece..... MULDER (CORTANDO-A, IRRITADO): Scully, você quer me fazer um grande favor? Me deixe em paz. Esquece que eu existo. Ela sentiu uma enorme vontade de chorar, mas segurou-se. Não ia dar esse prazer à ele. Só queria saber o que havia feito, prá que ele a tratasse assim. Entrou no elevador, seguida por Mulder. MULDER (OLHANDO PARA ELA, ARREPENDIDO): Desculpe. Desculpe, Scully. Você não tem culpa das minha frustrações. Scully não disse uma só palavra. Limitou-se a olhar para o outro lado, com medo de encará-lo e deixar que as emoções que estava sentindo, brotassem, e deixasse transparecer a dor, que aquelas palavras lhe causaram. MULDER (MEIGO, APERTANDO O BOTÃO DO ELEVADOR PARA QUE ELE TRAVASSE): Scully...... olhe para mim, por favor. Eu sinto muito, muito mesmo. É muita pressão em cima de mim. Estou frustrado, porque não consigo mais ser uma pessoa normal. Ando sentindo falta disso. De sair, de pescar, ir ao cinema, sei lá, qualquer coisa que uma pessoa normal faça. Sempre que pegamos um caso é a mesma coisa. Dias e dias de trabalho e investigações cansativas, chega uma hora que a pessoa cansa. Que o corpo não obedece mais e você só quer cair na cama e desligar do mundo...... e eu sei que você também quer isso. Que você sente falta de sua família. Que sente falta de uma boa noite de sono. Eu sei. E é por isso que me culpo mais ainda, dessa vida medíocre que levamos, aliás, que eu impus à você. Eu olho para você e vejo, como fui egoísta, em levar você na minha cruzada, totalmente sem sentido e mesquinha e ainda assim, você se preocupa comigo. Me consola quando eu preciso, me apoia em minhas decisões. Mulder ergue o queixo dela, com a ponta dos dedos, obrigando- a à olhá-lo. Ele vê as lágrimas que escorrem, involuntariamente de seus olhos. Ela queria, mas não conseguiu evitar que suas emoções viessem à tona. Mulder não disse mais nada, apenas apertou-a em seus braços fortes e permitiu-se chorar, também. Scully aconchegou-se nos braços dele, deixando que seu perfume acalmasse sua dor. Penitenciária da Comarca; 20:31pm. Josh dormia pesadamente, deitado em sua cama. De repente um rosto surgiu em sua mente. Uma mulher de olhos incrivelmente azuis, pele clara e lábios grossos. Os cabelos eram vermelhos e voavam com a leve brisa. Ela vinha andando em sua direção, pés descalços, pisando nos grãos de areia fina, daquela praia linda. Chegou perto dele e tocou de leve sua mão. Ele não conseguia tirar os olhos daqueles cabelos cor de fogo, que emanavam um perfume suave, em sua direção. DANA (SORRINDO): Eu gosto de você, Josh. Mas não te amo mais. Eu me apaixonei por outro. Mas sinto um incrível carinho por você. Josh esbofeteou seu belo rosto, deixando a marca de seus dedos. JOSH (DECIDIDO, AGARRANDO OS BRAÇOS DELA): Você é minha, Sarah. E ninguém vai tirar você de mim. Nem que para isso eu precise matar. Scully acordou sobressaltada. Sentou-se na cama, passou as mãos pelo rosto, empurrando para trás os cabelos vermelhos, encharcados pelo suor. Sentiu uma dor súbita, do lado esquerdo do rosto. Levantou-se correndo e olhou-se no espelho. Uma vermelhidão encontrava-se em seu rosto. Havia marca de dedos, como se tivesse sido esbofeteada. Imediatamente, lembrou- se do sonho estranho que tivera. Mas como era possível? Porão dos Arquivos X; 8:02am. Mulder estava sentado em sua cadeira, com os pés em cima da mesa. Nas mãos uma caneta, que ele batia sobre o tampo da mesa. Ouviu os passos de Scully se aproximando. Era incrível como o simples barulho do salto dela, ecoando no chão, fazia com que ele se acalmasse. Ela entrou na sala, tentando em vão, esconder a marca avermelhada que tinha no rosto. MULDER (LEVANTANDO-SE E APROXIMANDO-SE DELA): O que aconteceu, Scully? O que é essa marca em seu rosto? Alguém te bateu? Me fala que eu acabo com a raça do desgraçado que te fez isso! SCULLY (TRISTE): Ninguém me bateu, Mulder. Eu.... na verdade.... não sei o que houve. MULDER (ATENTO): Como assim, Scully? Me conte o que houve. Ele envolveu a cintura dela com as mãos fortes, e fez com que ela se sentasse, na cadeira que ficava de frente à sua mesa. SCULLY (RECEOSA): Eu cheguei cansada ontem, deitei na cama e apaguei. Tive um sonho estranho e quando acordei..... essa marca no meu rosto. MULDER (PREOCUPADO): Que tipo de sonho estranho? SCULLY: Um homem.... eu caminhava de encontro à ele e lhe dizia que.... amava outra pessoa. Ele se irritou comigo e me esbofeteou, exatamente deste lado do rosto. Acordei assustada e me olhei no espelho. Foi quando vi a marca. Mulder, eu sei que vai parecer estranho, mas..... o homem do meu sonho era..... Josh Mc'Person! Mulder levantou-se, esfregando o rosto com ambas as mãos. MULDER (VIRANDO-SE PARA ELA): Scully, eu acho que entendi como ele matou a vítima. E se de alguma forma, Josh Mc'Person conseguisse fazer com que as pessoas entrassem em sua mente? Fazendo parte de seus pensamentos, assim ele poderia conseguir que a pessoa escolhida, faça exatamente o que ele quer. SCULLY (INCRÉDULA): Mulder, isso é um absurdo. Ninguém pode fazer uma coisa dessas. Vai além das fronteiras do ser humano, Mulder. Aquela mulher se matou. Por algum motivo que nós não sabemos, mas foi isso que aconteceu. Ela não foi induzida por ninguém. Eu me recuso a acreditar nessa bobagem de teoria infundada. Mulder tinha os olhos fixos nela. Jamais havia visto a parceira tão furiosa. Ela nunca concordava com ele, mas nunca o tratou assim. Sem palavras, ele voltou a sentar-se em sua cadeira. SCULLY (ARREPENDIDA): Desculpe, Mulder. Eu não queria.... MULDER: Não fale comigo, Scully. Eu não quero ouvir sua voz. SCULLY (FURIOSA): Quer dizer que eu não tenho direito de explodir, também. Esqueceu do seu showzinho no elevador. MULDER (GRITANDO): Eu não dei showzinho no elevador, não! Você é que me enche, com essa sua ladainha de "Você está bem, Mulder?" ou então "Tem certeza que está bem, Mulder?" Eu não preciso de babá, entendeu? Scully, sentindo-se desprezada pelo homem que tanto ama, pegou seu casaco e foi embora, batendo a porta atrás de si. Mulder, limitou-se a olhar para porta e vê-la ir embora. MULDER (ESMURRANDO A MESA E GRITANDO): Idiota! Eu sou um idiota! Apartamento de Dana Scully; 19:21pm. O dia transcorreu normalmente. Scully procurou Skinner e disse que não se sentia muito bem. Skinner permitiu que ela fosse para casa, descansar um pouco. Não teve notícias de Mulder, durante o dia todo. Nem ele, nem ela, ligara um pro outro, como costumavam fazer. Scully estava deitada no sofá, de pijamas, pensando nos últimos acontecimentos, quando ouviu batidas na porta. Levantou-se e foi atender. E qual não foi sua surpresa, ao deparar-se com Fox Mulder, parado em sua frente, com um buque de flores do campo nas mãos. MULDER (RECEOSO): Oi.... posso entrar? Scully deu passagem para ele. Mulder esbarrou, de leve, sua mão direita no braço dela. Scully sentiu sua pele arrepiar-se, com esse simples toque. Fechou a porta e pediu que Mulder se sentasse. Ela se sentou ao lado dele. Era incrível como ele sempre escolhia o perfume certo prá enlouquecê-la. E as roupas..... nossa! Mulder vestia uma camiseta branca, colada ao corpo, delineando os músculos bem feitos, calças jeans e um casaco de couro preto. Os cabelos estavam um pouco molhados, devido ao banho que tomara, antes de ir falar com Scully. MULDER: Scully.... mais uma vez eu sinto muito. Scully levantou-se, com as flores nas mãos, sem dizer uma só palavra. Caminhou até a estante e pegou um vaso. Mulder observava as mãos delicadas dela, arrumando o arranjo de flores do campo. Observou suas unhas, sempre muito bem feitas, com cores claras. Sorriu, levemente. MULDER (RECEOSO, LEVANTANDO-SE E INDO AO ENCONTRO DELA): Scully.... olha.... desculpe por te magoar. Eu não tinha essa intenção. SCULLY (OLHANDO PRÁ BAIXO): Tudo bem, Mulder. Eu também explodi, me desculpe. MULDER (LEVANTANDO O QUEIXO DELA): Não.... você tem todo o direito de explodir comigo. Eu sou um cara que não dá valor para as coisas que tem. Você é tudo que tenho de mais precioso na vida, Scully. Eles se olharam, por um longo tempo. A mão de Mulder, que estava acariciando levemente o queixo de Scully, passou a acariciar seu rosto, levemente. Dana fechou os olhos, inebriada. Sorriu, discretamente e Mulder se sentiu à vontade para prosseguir. Aproximou seus lábios dos dela, e roçou suavemente. Ela entreabriu seus lábios, clamando pela boca dele. Delicadamente, Mulder começou o beijo. Sentiam suas línguas se acariciarem, se tocarem pela primeira vez. Aprofundaram o beijo, sentindo o gosto um do outro. As mãos de Mulder, iam e viam, em carícias pelas costas de Scully, que tinha seus dedos envoltos nos cabelos dele. MULDER (MURMURANDO, COM A BOCA ENCOSTADA NA DELA): Eu não quero que você fique sozinha, Scully. Eu quero ficar aqui para proteger você. SCULLY (SUSSURANDO, ENTRE OS LÁBIOS DELE): Fique, Mulder. Me proteja. MULDER (NUM MURMÚRIO QUASE INAUDÍVEL): Eu te quero.... Ele toma a boca dela novamente entre a sua. Ergue-a no ar, desesperadamente. Scully enlaça suas pernas ao redor da cintura dele e Mulder a carrega pro quarto, colocando-a na cama. Lança-lhe um olhar, como que pedindo permissão. Scully consente. Sente as mãos dele percorrerem seu corpo. Ela estremece, sentindo os lábios dele em seu pescoço, descendo até seu colo. Scully suspira de prazer e abraça-o com força, desejando que aqueles momentos não terminassem nunca. Mulder e Scully adormecem, um nos braços do outro. Penitenciária da Comarca; 21:37pm. Ele sabia que havia chegado o momento. Agora ele a teria. Chegou a hora de aprisioná-la em seus mais terríveis sonhos. Iria torturá- la, como ela o torturou..... sua Sarah. Ela era muito parecida com sua Sarah. Os olhos azuis, da cor do mar, os cabelos vermelhos como fogo..... tudo nela fazia com que ele se lembrasse de Sarah. Fechou os olhos e concentrou-se. Sabia, de alguma forma, que eles estavam dormindo. Sim.... ela estava dormindo com outro homem que não ele. O sofrimento ainda nem havia começado...... Local desconhecido, Hora desconhecida. Mulder despertou primeiro. Olhou ao redor e tentou decifrar em sua cabeça onde estava. Percebeu que estava deitado no chão de um local frio, escuro e sujo. Scully dormia ao seu lado. Os cabelos ruivos, lhe cobrindo parcialmente o rosto alvo. Tocou levemente o rosto dela, afastando os cabelos macios. Scully abriu os olhos e o fitou. Mulder lhe sorriu. Scully tremeu de frio e levantou depressa. Olhou ao redor.... que lugar horrível. SCULLY (ASSUSTADA): Mulder..... onde estamos? MULDER (ACARICIANDO O ROSTO DELA): Eu não sei, Scully. Mas não se preocupe, tudo vai ficar bem. SCULLY: Mas, Mulder..... nós estávamos dormindo no meu apartamento e...... MULDER (TENTANDO ACALMÁ-LA): Eu sei. SCULLY: Mulder o que está acontecendo? MULDER:...... SCULLY (DESCONFIADA): Mulder.... eu sei que você sabe! MULDER (RECEOSO): Scully, olha.... eu não sei exatamente o que está havendo aqui, mas acho que tem algo haver em como a namorada de Josh morreu. As impressões digitais de Josh estavam na arma do crime, mas ele estava preso. ( COÇANDO A CABEÇA, CONFUSO) É como se ele tivesse feito isso por telepatia, ou..... sei lá o que, Scully. A verdade é que estamos presos aqui e eu nem sei que lugar é esse e como viemos parar aqui. Eu nunca pensei que diria isso para você, mas..... eu estou com medo, Scully. Isso é muito estranho. SCULLY (ABRAÇANDO-SE NELE): Também estou com medo, Mulder. E é estranho porque, me sinto vulnerável. MULDER (SE ENTREGANDO AO ABRAÇO DELA, FECHANDO OS OLHOS): Eu estou preocupado, Scully, mas vou achar um meio de sairmos daqui..... eu prometo. Confie em mim, está bem? SCULLY (SORRINDO ENTRE LÁGRIMAS): Está bem, Mulder. Eu sempre confiei em você e sempre vou confiar. Escutaram passos. Alguém se aproximava. Levantaram depressa e ficaram lado à lado. Mulder colocou seu braço ao redor do corpo de Scully, protegendo-a. Scully abraçou-se nele, com medo. A figura, escondida pelas sombras, se aproximava cada vez mais, à passos lentos. Aos poucos foi se aproximando, até que chegou a uma fina claridade, onde seu rosto pôde ser descoberto. Parou a alguns centímetros dos agentes. Olhou para eles. Mulder engoliu em seco. MULDER (INCRÉDULO): Josh Mc'Person! Scully sentia seu corpo todo tremer. Apesar de estar com Mulder, sentia um pavor imenso a percorrer seu corpo. O que ele queria dela? Por que exatamente ela? E por que ele à havia chamado de Sarah? JOSH (OLHANDO NOS OLHOS DE SCULLY): Você é minha, Sarah. Só minha. Ele agarrou os braços de Scully, com uma força fora do comum, fazendo que ela se soltasse dos braços fortes e protetores de Mulder. JOSH (SACUDINDO-A PELOS OMBROS): Minha! Entendeu bem.... minha. Aproximou seus lábios furiosamente dos dela. Scully tentava se soltar, se debatendo. MULDER (GRITANDO): Solte-a, Josh! Ela não é sua Sarah. Ela está morta. Você à matou! Josh soltou Scully e aproximou-se de Mulder. JOSH: O sofrimento está apenas começando.... Mulder! Josh voltou-se para Scully, mas não à tocou, apenas olhou-a e caminhou novamente para as sombras, desaparecendo. Os agentes permaneceram estacados ao chão. Scully não tinha dúvidas, era difícil prá sua mente cética acreditar mas.... estavam presos na mente de Josh Mc'Person. Depois de alguns segundos, Mulder aproximou-se de Scully e abraçou-a por trás. Aconchegou seu rosto nos ombros dela e fechou os olhos. Scully, entendeu o gesto como proteção, escutando o murmúrio das palavras de Mulder em seu ouvido. MULDER (ASSUSTADO, MURMURANDO): Nada vai te acontecer, Scully..... eu estou aqui. Não tenha medo...... (MURMURANDO PARA SI MESMO)mas o que está acontecendo aqui...... Mulder sentiu uma forte dor na cabeça e franziu o cenho..... cerrou os olhos. Soltou-se do corpo de Scully e levou as mãos à cabeça. Scully preocupou-se e aproximou-se dele. SCULLY (PREOCUPADA, TOCANDO NOS BRAÇOS DE MULDER): Mulder.... o que houve? Você está bem? Mulder abriu os olhos lentamente. Um brilho quase maléfico, existia em sua íris. Olhou Scully, levantando a cabeça devagar. Scully desconhecia o homem à sua frente. Olhou em seus olhos e não mais via o brilho de antes. O olhar protetor e aconchegante. Ficou em transe, como se estivesse hipnotizada. A voz dele soou fria e calma. MULDER: Como pôde fazer isso Sarah? Como pôde me trocar por ele..... SCULLY (ASSUSTADA): Mulder sou eu.... Scully. Com uma força fora do comum, Mulder ergueu sua mão, desferindo um golpe certeiro no rosto dela. Scully gritou e tombou no chão, levando as mãos ao rosto. Mulder apenas a olhava, com o mesmo olhar frio de antes. Scully não resistiu e chorou. As lágrimas molhando sua face, que agora tinha a marca dos dedos de Mulder. Mulder aproximou-se dela e agarrou seu braço com força, erguendo-a numa fúria selvagem. Scully chorava desesperadamente. Mulder olhou nos olhos dela e parecia estar voltando ao normal. MULDER (CONFUSO): Scully..... o que houve? O que eu fiz? Scully não conseguia expressar o que sentia em seu íntimo. As palavras simplesmente não saíam. Limitou-se a abraçá-lo com força. Mulder se agarrou nela, apertando-a contra seu corpo forte, enquanto acariciava seus cabelos, ouvindo os soluços que saíam da garganta dela. MULDER (ARREPENDIDO): Scully... me desculpe. Por favor, me desculpe. SCULLY (AINDA ABRAÇADA À MULDER): O que está havendo, Mulder? Eu nunca senti tanto medo em minha vida. Mulder nunca havia visto Scully tão frágil. Ela jamais admitira seus medos. Ele sabia que ela tinha medo, mas a mulher forte que existia dentro dela, não permitia que ela deixasse transparecer isso. Mas agora, ali na sua frente, ela chorava e admitia que sentia medo. O corpo dela tremia, envolto pelos braços de Mulder. Eles estavam entregues aos desejos de Josh, mas Mulder não sabia se deveria dizer à ela isso. Tinha medo de assustá-la ainda mais. Mas ela tinha que saber prá ficar preparada para o que ia vir. O futuro era imprevisível. Estavam presos na mente de um assassino. MULDER (AFASTANDO O CORPO DE SCULLY): Scully eu acho que sei o que houve. Josh nos aprisionou em sua mente. Estamos entregue aos desejos dele e ..... tudo..... que ele quiser que façamos..... nós temos que lutar contra isso, Scully. Não se deixe levar por ele. Ele quer te ver fraca e submissa, não faça isso. Ele está me usando para acabar com você. Vamos lutar, não vamos nos entregar. Me prometa que vai ser forte. Não se entregue. SCULLY (TENTANDO CESSAR AS LÁGRIMAS): Não sei se consigo, Mulder.... estou com tanto medo. MULDER (OLHANDO NOS OLHOS DELA): Scully, seja forte como você sempre foi. Você é uma mulher forte, eu sei disso. Você sabe disso. Nós vamos voltar prá casa eu prometo isso para você. Josh está centrado em você, se você se mantiver fraca vai ser mais fácil prá ele acabar conosco. Ele acredita que você é a Sarah e que eu sou o homem com quem ela o traiu. Isso é um jogo mental, portanto não se entregue. SCULLY: Está bem, Mulder. Eu vou ser forte. Vou pensar em você e no que aconteceu antes de pararmos aqui. MULDER (SORRINDO): Eu amo você, Scully. Nunca duvide disso. Scully sorriu e os dois se abraçaram, carinhosamente. Local desconhecido, Hora desconhecida. Mulder e Scully adormeceram um nos braços do outro. Estavam sentados e encostados em uma parede. Mulder despertou primeiro e visualizou a figura de Josh aproximando-se deles. Rapidamente pôs-se de pé e esperou que ele chegasse perto. MULDER: Fique longe dela. Me mate, mas fique longe dela. JOSH: Alguém vai morrer sim, Mulder. Mas não é você..... é ela. Eu não posso perdoar sua traição. (CHORANDO, OLHANDO SCULLY ADORMECIDA) Sarah, por que? Por que fez isso comigo? MULDER: Ela não é Sarah, Josh. O nome dela é Dana Scully. Ela se parece com a Sarah, mas não é a Sarah. Você está tentando destruir a pessoa errada. Sarah está morta. JOSH (GRITANDO): Cale a boca! A hora do julgamento final chegou. Eu não posso mais agüentar isso! Mulder sentiu as mãos delicadas de Scully tocarem seus ombros. Virou-se para ela e seus olhos se encontraram. Mulder virou-se novamente para Josh, mas ele havia desaparecido. SCULLY: O que houve, Mulder? Ele não teve tempo de responder. A dor de cabeça voltara e ele apenas gritava para Scully. MULDER (GRITANDO, COM AS MÃOS NA CABEÇA): Corra, Scully! Corra prá bem longe daqui! SCULLY (ASSUSTADA): Mas, Mulder.... MULDER (GRITANDO): Corra, Scully! Saia daqui agora! Scully correu. Ela corria sem rumo por entre a neblina que começava a se formar no local frio. Parecia um labirinto com paredes enormes.... sujas. Ela já estava sem fôlego. O suor escorria por sua face. Olhou para trás e divisou a figura de Fox Mulder correndo atrás dela. Ele queria evitar, mas não conseguia. Era mais forte do que ele. Não queria machucá-la, mas estava sendo forçado. Corria atrás dela, como um animal correndo atrás de sua presa. Scully parou. Não havia mais para onde correr. Estava presa. Virou-se para encarar Mulder, que parou a uma distância de alguns centímetros dela. Seus olhos assustados, o fitavam. Mulder sacou sua arma e apontou para ela. Scully recuou alguns passos para trás. SCULLY (DESESPERADA): Mulder, por favor, não faça isso. Mulder não dizia uma só palavra, apenas a olhava. SCULY (DESESPERADA): Mulder, você me pediu para ser forte e não me entregar aos desejos dele, agora sou eu quem te peço isso. Mulder em nome do nosso amor, por favor.... não faça isso. Você não quer atirar em mim. Mulder abaixou a arma por alguns instantes, mas tomado por uma fúria espantosa, levantou-a de novo e apontou para Scully. Disparou, acertando um tiro certeiro no estômago dela. Scully tombou, caindo no chão. Mulder continuou com o olhar frio, a fitando. A arma apontada para a parede. Local desconhecido, Hora desconhecida. Ela estava ali. Entregue aos desejos dele. Sentia o gosto amargo do sangue em sua boca e seu corpo tremia. Como ele poderia ter feito isso com ela? Como? Ela sempre confiou nele cegamente, e agora ele lhe traía a confiança. Estava deitada no chão frio de cimento. Tinha um ferimento no estômago, resultado de um tiro. Um tiro dado pela pessoa mais importante de sua vida. Olhou ao redor. O lugar era lúgubre e frio. Parecia um corredor.... imenso. As paredes, que um dia foram brancas, tinham uma coloração amarelada. Um local sujo e que cheirava à poeira. Ouviu passos se aproximando dela. Sua visão distorcida, não podia enxergar a pessoa que se aproximava de seu corpo inerte. A pessoa ajoelhou-se ao seu lado, e pegou em sua mão fria. Apertou-a entre as suas e algumas gotas de lágrimas, que caíam de seus olhos, pingaram diretamente no rosto dela. Ele murmurava entre lágrimas "Por que? Por que.....?" Num súbito esforço, ela ergueu sua cabeça e olhou nos olhos dele. O homem tomou o corpo pequeno dela, deitando sua cabeça em seu colo. Seus olhos azuis, fitaram os olhos esverdeados dele, que estavam cobertos pelo sofrimento. Lentamente, sentia suas pálpebras ficarem mais pesadas e ela se entregou. Fechou os olhos e adormeceu. MULDER (GRITANDO, DESESPERADO): Nãoooooooo! Scully não faz isso comigo. Por favor, não faz isso comigo! Eu te amo! Mulder deitou sua cabeça no corpo dela e chorou, convulsivamente. MULDER (CORANDO, DESESPERADO): Me perdoe, Scully..... me perdoe. Penitenciária da Comarca, 24:31am. Skinner apontava a arma para Josh e gritava. SKINNER (GRITANDO): Josh, acorde! Acorde seu desgraçado, acorde. Josh abriu os olhos e encarou Skinner. Skinner não sabia por que exatamente estava ali, mas tinha uma intuição de que Josh, tinha a ver com o desaparecimento de Mulder e Scully. JOSH (DESAFIADOR): É tarde demais. Ela vai morrer. Josh avançou em Skinner e este acertou um tiro certeiro em seu peito, fazendo com que Josh caísse, pesadamente no chão de sua cela. Apartamento de Scully, 24:40am. Mulder despertou. Olhou para o lado e viu o corpo de Scully ao seu lado, ensangüentado. Chamou o nome dela, mas ela não respondeu. Aproximou seu rosto do dela e percebeu que ela ainda respirava. Pegou o corpo dela nos braços e levou-a rapidamente ao hospital. Hospital Memorial, 5:02am. Mulder estava sentado em uma cadeira ao lado do leito de Scully. Enquanto velava o sono dela, tentava se recordar do ocorrido. Lembrava vagamente de poucas coisas, como ele apontando a arma para Scully, ela correndo dele, mas nem isso era claro em sua mente. Tentava diminuir a culpa que sentia, por ter atirado em Scully e quase tirado a vida da pessoa que mais amava no mundo todo. Observou os olhos dela abrindo-se lentamente. Será que ela o perdoaria? Os olhos dela encontraram os dele. Mulder sorriu. MULDER (SORRINDO): Você está bem, Scully? Quer alguma coisa? SCULLY (SUSSURRANDO): Um pouco de água, por favor. Mulder encheu um copo com água e entregou a ela, ajudando-a a levantar-se para que ela pudesse beber. SCULLY: Mulder eu lembro de pouca coisa, mas sei que se sente culpado. Eu não o considero culpado, aquele não era você. Não se sinta assim. Os olhos de Mulder estavam marejados. MULDER (COM A VOZ EMBARGADA): Eu a amo, Scully. E essa é a maior de todas as verdades. SCULLY (EMOCIONADA): Também o amo, Mulder. E sabe de uma coisa? MULDER: O que? SCULLY: Lembra quando me disse para não me entregar à desejos? MULDER (SORRINDO): Lembro. E daí? SCULLY (SORRINDO): Vai ser impossível, Mulder. Eu estou entregue aos seus desejos e vai ser difícil me controlar. MULDER (RINDO): Quando chegarmos em casa, podemos resolver isso, não acha? SCULLY (RINDO): É eu acho que sim. Mulder se aproxima dela. Seu rosto fica a milímetros do rosto dela. Mulder acaricia sua boca com os dedos. MULDER (MURMURANDO): Eu te amo, baixinha. Scully sorri e sente os lábios de Mulder tomando os seus. Ela se entrega ao beijo, apaixonadamente. SCULLY (GEMENDO): Ai! MULDER: Desculpe. SCULLY: Mulder, eu acabei de ser operada, não aperta muito. Os dois riem e trocam mais um beijo. FIM!