Só dói quando eu respiro By Meggie Feed para : wm3@uol.com.br Resumo: Mulder em 'Três Palavras' Spoiler: Três Palavras Eles são um pouco meus e eu faço o que eu quiser com eles. Se não gostar, me processe. Tudo bem, desculpe, eu me retifico. Eles não são meus, são do Chris e por isso sofrem tanto. Não estou lucrando, bla bla bla Nota: Roubei o titulo de algum lugar, acho que de um livro, mas não tenho certeza. Também não me pertence e eu não o inventei. Nota II: Obrigada Terry Nota III: Não assisti aos outros episódios da oitava temporada, sou escrava da Record, por isso uma fic sobre o comportamento de Mulder em Três Palavras só está saindo agora. De qualquer forma, estou feliz que ele esteja de volta, mesmo que por pouco tempo. Nota IV: Chega de notas, que ninguém suporta mais ? Só doi quando eu respiro Ela continuava linda, como eu sempre soube que continuaria. Talvez até mais...ah, quem eu estava enganando? Muito mais, muito mais. Eu apenas não estava entendendo, e, droga, doía. Ela estava grávida, mas, como? Ela não podia. Como ela poderia? Scully não poderia Ter arranjado outro pai em tão pouco tempo, certo? Não seja bobo, Mulder, claro que não. Mas ela está gravida. E estão pensando que é meu. Mas não é meu. Não é meu e eu quero chorar, porque... eu queria tanto que fosse. Eu nunca pensei, juro, que eu quisesse tanto até o dia em que soube que todos os esforços foram vãos. Que, enfim, não seriamos pais. E agora ela estava grávida, minha Scully, e não era meu. Doía. Doía mais que aquela enorme ferida no peito. Doía mais que meus pulmões, mais que as lembranças. Desde criança eu nunca tive dificuldade de entender as coisas, mas agora, nossa, agora eu não estava entendendo nada. Eu voltei e tem um Agente Doggett que é o parceiro da minha parceira. Isso dói também. Eu, EU, sou o parceiro dela! Ou fui, por sete longos e delicados anos. Eu que estava ao lado dela. Eu que segurei a sua mão. Eu que passei noites eternas sem dormir, ao seu lado, em camas hospitalares. Eu que mataria por ela, morreria por ela, viveria por ela. Eu. E agora? E agora? Eu não estava entendendo. Não, eu não quero parecer ingrato ou frio, Scully. Eu quero só entender. Eu quero entender a criança que cresce aí dentro. Como pode ser? Eu fui cretino. Confesso. Fui mesmo. Droga, eu sou o psicólogo e sei o que estava fazendo. É um mecanismo de defesa estúpido. Não pense nisso, não olhe, ignore que um dia vai embora. Mas estávamos falando de Scully. Dana Scully. Ela não iria embora. Eu queria ficar sozinho. Pensar...Não, pensar não, ignorar. Talvez desaparecesse o mundo. Mas depois eu descobri que agora tem outra pessoa no meu lugar, escondendo informações. E o pior, Scully confia nele. Ela confia nele, e eu estava com vontade de chorar. O que fizeram com a minha vida? Falar com os Pistoleiros foi bom. Ver o baixinho de novo. Algumas coisas não mudam e ver os rostos amigos deles, exatamente iguais, foi um alivio. Então o Langley fez aquele comentário... Eles achavam que eu era o pai. Como, Scully? Eu não queria pensar. Eu não estava pensando. Por isso eu fui naquela base. Por isso eu me arrisquei tanto. Não olhe que vai embora. Olhe para outra coisa que talvez vá embora também. Ou melhor, talvez eu começasse a entender. E então, tudo foi para o inferno. E eu fui para casa. Não para a minha, mas para a de Scully. Ela não me deixaria ficar sozinho depois daquilo. Eu já havia conseguido evitá-la tempo demais. Fomos para casa e ela sentou-se, exausta, no sofá. E começou a chorar. Alguém está entendendo? Ela começou a chorar, com soluços e tudo. E o que eu podia fazer? Eu não posso com ela chorando. Dói tanto. "Você quase morreu de novo" Ela disse e eu sei que queria que soasse como uma acusação, mas pareceu mais um gemido. Uma cicatriz. Eu não soube o que dizer. O que poderia Ter dito? Só fiquei lá, em pé, o coração nas mãos. Enquanto ela chorava no sofá, olhando para mim, os olhos mais azuis do mundo. "Você faz isso porque não sabe como é" Continuou " Você não sabe como é de madrugada, quando eu precisava tanto, tanto mesmo ouvir sua voz e então eu ligava para o seu apartamento só para escutar sua mensagem na secretaria eletrônica, e então eu podia me enganar pensando que você só estava fora, investigando uma coisa idiota qualquer, ou quem sabe no chuveiro, e logo você viria atender o telefone. Por que você acha que eu não vendi seu apartamento? Eu queria Ter para quem ligar de madrugada e queria poder ouvir sua voz na secretária eletrônica e pensar...ei, na próxima talvez ele atenda." "E eu queria poder ir até lá, de vez em quando, quando estava tão difícil dormir, tão difícil respirar, então eu podia ir até lá, dar comida para os peixinhos e dormir no sofá. A cama era muito difícil de suportar e todas aquelas lembranças." " E agora você quer o que, Mulder? Quer morrer de novo? Você quer me matar, Mulder?" E Scully, Dana Scully, começou a chorar muito mais. Ah, Scully, me perdoa. Eu não fazia idéia. Eu só a abracei . Como não fazia há tanto tempo. Com barrigão e tudo. E chorei, como não havia chorado desde que cheguei. Chorei tanto, enroscado nos braços dela. Chorei com ela, por ela, por mim. Me perdoa, eu sou um cretino, mas eu te amo tanto. Eu já disse que ela está tão linda? Ela está. Algumas coisas nunca mudam mesmo. Scully e seu perfume de fruta. Morango. Scully e sua maciez. É a mesma. E aqueles olhos, os mesmos. E eu a amava, o mesmo. Meses horríveis, os últimos. Mas não só para mim. Ah, Scully, eu sinto tanto. "E então, como aconteceu?" Eu perguntei, ainda no colo dela, aquele colo que agora eu dividia com um bebê. Explique-me, Scully. Eu não entendo e ainda dói. "Eu não sei. Eu estou com medo, Mulder. E se esse milagre também não era para acontecer? Como Emily?" Tudo bem, era um milagre. Era bom pensar assim. Se fosse um milagre, então, por um milagre, ele poderia ser meu. Meu bebê. Mas não dava para saber, não naquele momento. E era minha Scully e ela estava com medo. Eu quis reassegura-la. Não importa, Scully. Eu não vou deixar nada acontecer com o seu milagre. Por enquanto, o milagre é dela. Eu não quero pensar agora que possa ser meu e me decepcionar tanto depois. Eu não quero pensar que possa Ter acontecido em uma daqueles noites, que parecem ser noites de séculos atrás, mas são de apenas alguns meses. Não quero pensar que em uma daquelas noites, em que passei com ela nos braços. Minha Scully tão nua e linda, que em uma daquelas noites tenhamos gerado nosso milagre. Vamos descobrir com o tempo, eu prometo. Eu prometo que vou fazer tudo que puder para que esse bebê seja nosso. "Vai sempre ser nosso, Mulder." Mas eu não queria pensar assim ainda. Por enquanto, era o bebê dela. " O que é meu, é seu" Eu sorri, com os lábios nos dela. Algumas coisas nunca mudam. Algumas coisas nunca morrem. Minhas três palavras preferidas: Dana Katherine Scully. Eu amo você. Feedback para wm3@uol.com.br