Autora: Luli E-mail: luli-x@bol.com.br Título: Os Sobreviventes-Parte 1 Categoria: Pós colonização/Shipper Sinopse: A colonização começou. Uma batalha é travada entre os colonizadores e os aliados. Em meio a tudo isso estão os humanos: os sobreviventes. Disclaimer: Os personagens dessa história não pertencem a mim, eu sei. Pertencem a Fox, CC, DD, GA, etc. Não estou ganhando dinheiro com ela, é só para divertir os fãs. Spoilers: Requiem. Os Sobreviventes - Parte 1 Mulder abriu os olhos lentamente. Estava em um quarto, como o de um hospital. Não havia janelas. Somente a cama em que ele estava com uma cadeira ao lado, uma mesinha e uma cômoda. O agente tentou levantar- se mas foi em vão. Parecia que seu corpo era mais pesado do que o normal. Havia um soro em sua mão gotejando lentamente o que dificultava ainda mais seus movimentos. Permaneceu deitado fitando o teto até que reparou num zumbido baixo que parecia vir do chão, ao lado da cama. Tentou virar-se o mais que pôde até que percebeu o que parecia ser uma saída de ventilação, que bombeava ar para o quarto em que estava. Sentia-se confuso, não sabia onde estava e sua última lembrança foi a de estar na floresta com Skinner. O cansaço acabou vencendo e ele adormeceu novamente. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX O agente começou a despertar de novo. Ouvia vozes. Alguém estava ali com ele. _ Mas você precisa comer,filha... Eu fico aqui com ele. _ Não mãe, pode deixar. Daqui a pouco eu vou. Não se preocupe. _ Tudo bem, eu volto em uma hora e não aceitarei recusas. Está bem? _ Tá, mãe. A porta se fechou. Mulder conhecia aquela voz. Era Scully. Ele esforçou-se para abrir os olhos. Ela percebeu e veio ao lado dele, segurando-lhe a mão. _ Mulder, vamos, acorde. _ disse ela acariciando a mão do agente. Mulder abriu os olhos e sorriu ao ver a parceira sorrindo- lhe com lágrimas nos olhos.Ela parecia a mesma daquele dia em que se despediram para ele ir ao Oregon. Usava roupas informais, uma calça jeans e uma blusa de lã creme. _ Como você está? Oh meu Deus, senti tanto a sua falta! _ Scully, onde estamos? _ Nós já falamos nisso, Mulder. Agora temos que ver como você está. Está com alguma dor ou sensação estranha? _ Não. Só uma dormência no corpo. Scully... quanto tempo eu fiquei fora? O que aconteceu? _ Mulder, você ficou desaparecido por 10 meses. Foi encontrado há duas semanas. _ Dez meses...Onde nós estamos, Scully? Ela o abraçou e beijou-lhe os lábios com carinho. Depois olhou direto nos olhos dele e falou : _ Nós temos muito o que conversar, Mulder. O agente a puxou para mais perto e a beijou levemente. _ Também senti sua falta. _ Mulder, o que eu tenho que te contar não vai ser fácil. Você acha que está preparado para o que eu tenho para falar? _ Scully, por favor. Você está me deixando assustado. Eu preciso saber o que aconteceu. Nós estamos em Washington? _ Não há mais Washington, Mulder. _ Como assim? Nesse momento a porta se abriu e Maggie Scully, sem perceber que Mulder tinha acordado, entrou falando: _ Dana, Katherine está chorando. Acho que ela está com fome. Vá lá que eu... Ela parou de falar vendo Mulder acordado e entrou no quarto com um sorriso nos lábios. _ Fox, como está? Que bom que acordou. Estávamos preocupados. O agente sorriu e depois dirigiu-se à Scully: _ Scully, quem é Katherine? _ Mulder, eu já volto. Tenho que resolver algo. Mãe, você pode vir comigo? As duas saíram do quarto deixando Mulder sozinho. Ele estava mais do que confuso. O que ela quis dizer com não há mais Washington, e quem era Katherine? XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Mais ou menos quarenta minutos depois Scully retornou ao quarto. Mulder estava sentado na cama esperando por ela. Já estava conseguindo se mexer melhor. _ Mulder,agora podemos conversar. Ela sentou-se na cama ao lado dele e segurou-lhe a mão. _ Muita coisa aconteceu desde que você foi levado, Mulder. Muita coisa. _ Onde nós estamos, Scully? _ Nós estamos em uma das bases subterrâneas construídas pela rebelião. _ Como assim? _ Mulder... A colonização aconteceu. _ O quê, Scully? Mas... _ Um mês depois do seu desaparecimento começaram a acontecer aparições de OVNIS pelo mundo inteiro. São duas raças de extraterrestres, Mulder. Uma, querendo colonizar a Terra e a outra tentando evitar, os nossos aliados. No meio disso tudo estamos nós, os humanos. Sem poder fazer nada. Mulder a ouvia com lágrimas nos olhos. _ Eu, Skinner e mais um grupo nos juntamos aos rebeldes, eles já estavam construindo bases como esta pelo mundo inteiro com a ajuda da raça de aliens que é contra a colonização. Eu consegui trazer a minha mãe, Bill, Tara e Mathew para cá. Não consegui encontrar Charles. _ disse ela chorando. O agente a abraçou. _ Como as coisas estão lá fora, Scully? _ Um caos, Mulder. Um caos. As grandes cidades foram todas destruídas. Os que foram pegos pelos colonizadores estão com o câncer negro e não há nada que se possa fazer até que a vacina seja produzida. Eu estou ajudando no desenvolvimento dela nos laboratórios. Nós já estamos chegando a uma fórmula mas ainda faltam muitos testes para termos certeza da sua eficácia. _ Nós estamos sob a terra, Scully? Desde quando você está aqui? _ Sim, Mulder. Nós estamos aproximadamente a 8 km embaixo da terra na base que fica próxima a Maryland. Essas bases são como cidades. Você conhecerá quando estiver mais forte para sair. Eu estou aqui há 8 meses. _ Scully... Quem é Katherine? _ É nossa filha, Mulder. _ O que? Mas como? Ela sorriu. _ Aqueles desmaios e tonturas que eu estava sentindo quando estávamos no Oregon, lembra? _ Sim... _ Eu estava grávida, Mulder. _ Mas Scully, você não podia... _ Na época eu fiquei confusa por causa disto, Mulder. Mas o fato é que eu estava grávida. Fiz todos os testes possíveis e imagináveis. Inclusive de paternidade. Precisava saber se essa gravidez era uma bênção ou uma artimanha do Sindicato, você sabe. E realmente o bebê era seu, Mulder. Katherine é nosso milagre, Mulder. Ela é nossa... _ Scully chorava emocionada por finalmente poder contar isso ao pai de sua filha. Mulder abraçou Scully forte e a beijou nos lábios. _ Eu te amo, sabia? _ Eu também te amo, Mulder. _ Scully... _ O que? _ Eu quero conhecer a nossa filha. Quando ela nasceu? _ Ela fará três meses amanhã, dia 10. Eu vou buscá-la. Depois eu te conto mais, tudo bem? _ Claro. Ela levantou-se e saiu pela porta enxugando as lágrimas com as mãos. Vinte minutos depois Scully entrou no quarto com um bebezinho embrulhado num cobertor cor-de-rosa. Sentou-se novamente na cama ao lado de Mulder, colocando o bebê no colo dele. _ Mulder, esta é Katherine Samantha Mulder. Katherine, este é o seu papai. O agente olhou emocionado para a garotinha que o observava curiosa. Ela tinha os cabelos ruivinhos e os olhos verdes exatamente como os dele. Lágrimas caíam pelo rosto de Mulder. Ele segurou na mãozinha de Katherine e ela agarrou seu dedo com força. Ele sorriu por entre as lágrimas. _ Oi, querida. É o papai. Mulder beijou a bochechinha rosada da filha e olhou para Scully. _ Ela é linda, Scully. Ela beijou-lhe os lábios e depois a testa da filha. _ É. Ela é linda, Mulder. E ela é nossa. _ Desculpe não ter estado aqui com você todo este tempo, Scully. Não deve ter sido nada fácil para você tendo que fugir para cá estando grávida. _ Mulder, não se culpe. A culpa não é sua. O importante é que você está aqui comigo agora. Conosco. Naquela noite eles dormiram ali abraçados, os três. Mulder acordou e sorriu ao ver Scully recostada na cama dando de mamar para o bebê. A garotinha segurava os cabelos da mãe, agora mais compridos enquanto olhava para Scully, que sorria para a filha. Ele não se lembrava de ter visto tão bela cena em sua vida. A agente percebeu que Mulder estava acordado: _ Como está se sentindo, Mulder? _ Bem, Scully. Que horas são? Ela olhou no relógio de pulso. _ São 3H40 da manhã. A pequenina Katy aqui acorda de quatro em quatro horas para mamar._ disse Scully sorrindo_ Pensei que você iria acordar com o choro dela. A agente pôs a filha apoiada no ombro para fazê-la arrotar e com a mão livre fechou a blusa. Depois, Scully a aninhou entre os dois e eles dormiram novamente. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Quando Mulder acordou novamente Scully estava entrando no quarto com uma bandeja. _ Bom dia! _ saudou ela sorrindo. _ Bom dia. Onde está Katherine? _ Está com a minha mãe. Já são quase meio dia. Trouxe seu almoço. _ Puxa, eu estou faminto. _ Também, você está sendo alimentado por soro há duas semanas. Reparou que eu o tirei? É melhor que você comece a comer sozinho de uma vez. Ele sentou-se e ela destampou o prato. Era uma sopa. _ O cheiro está bom. _ É uma sopa leve de verduras. É bom que você comece comendo coisas mais leves até que seu organismo se recupere novamente. _ Aqui é um hospital, Scully ? _ Sim, Mulder. Você está na Ala do Hospital. Os quartos dos residentes ficam em outra ala. Se você comer direitinho eu te levo para dar uma volta de cadeira de rodas, combinado? _ Combinado, mamãe. Scully riu e sentou-se ao lado dele enquanto ele comia. _ Scully, e os Pistoleiros ? Estão aqui? Ela olhou-o com tristeza. _ Mulder, há um mês os Pistoleiros saíram para levar suprimentos para uma base próxima que estava em dificuldades. Era para eles terem chegado há uma semana, nós estamos sem notícias deles... Mulder olhou para ela com os olhos tristes. _ Eles vão conseguir, Scully. Você vai ver. Eles não se deixariam capturar tão facilmente. _ Eu sei, Mulder. Eu sei. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Scully entrou no quarto empurrando uma cadeira de rodas. _ E então, Mulder? Pronto para um passeio? _ De cadeira de rodas, Scully? _ Bom, Mulder eu não acredito que você esteja forte o suficiente para andar sozinho. Mas, se você não quer... _ ela começou a fazer a volta para sair do quarto. _ Scully... Tudo bem, de cadeira de rodas está bom. Ela riu e aproximou a cadeira da cama. _ Você descobriu algo de errado comigo? _ Não, Mulder. Nada foi detectado nos exames que eu mandei fazer enquanto você estava desacordado. Agora que você acordou eu pretendo pedir mais exames, está bem? Ele assentiu e a agente aproximou-se dando apoio para que ele pudesse se erguer. Mulder ficou de pé com dificuldade e sentou-se na cadeira. Ainda sentia-se fraco. Scully aproximou-se, encostando sua testa na dele. _ Pronto? _ Sim. _ o agente sorriu e a beijou nos lábios sendo prontamente correspondido com paixão. Era o primeiro beijo assim deles desde que Mulder acordou. _ Vamos, Mulder. Ela saiu empurrando a cadeira porta a fora. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Passaram por um corredor cheio de portas. Em algumas delas, assim como na de Mulder, havia o nome do paciente numa plaquinha. Em outras estava escrito Sala de Exames, Raio-X, havendo até um Centro Cirúrgico. Algumas enfermeiras passavam de um lado ao outro apressadas. _ Bom, Mulder. Como você pode ver aqui é a Ala do Hospital. Eu venho trabalhando aqui com os doentes e nos laboratórios, com a vacina. Uma enfermeira passou e cumprimentou Scully: _ Boa tarde, doutora Scully. _ Boa tarde, Martha. Mulder olhava tudo abismado. Era incrível tudo aquilo existir embaixo da terra. Deixaram a Ala do Hospital por uma porta que dizia Ala de Pesquisas - Entrada somente para pessoas autorizadas. _ Aqui ficam os laboratórios, Mulder. Os de nível 1 a 3 são neste andar e os de nível 4 e 5 ficam embaixo. _ Como assim? _ Nós classificamos pelo nível de perigo de contaminação. _ Quantos andares tem essa base, Scully? _ Depende da Ala. Algumas chegam a ter até quatro andares, Mulder. _ Nossa... Na Ala de Pesquisas podia-se ver vários laboratórios através de paredes de vidro. Lá dentro, muitas pessoas trabalhavam com microscópios, placas de petri e tubos de ensaio. _ Scully, quantas pessoas vivem aqui? _ Atualmente estamos com 2500 pessoas, Mulder. _ E como tudo funciona, isto é, como fazem com a comida e tudo? _ Bem, água nós retiramos parte de um lençol subterrâneo e parte vêm do mar e nós fazemos a dessalinização. Já a comida, nós mantemos uma Ala de Agricultura bem grande, utilizando energia solar. Há também uma granja para a criação de aves. Algumas bases criam até bovinos, Mulder. Quando eu cheguei aqui não podia acreditar no que havia aqui embaixo... _ É incrível, Scully. Eles saíram da Ala de Pesquisas e seguiram por um corredor longo de metal até um elevador. Entraram e Scully apertou um dos botões. Enquanto subiam, Mulder pôde ver através do vidro do elevador a grandiosidade da base. Era realmente enorme e cheia de pessoas. O elevador parou e Scully saiu com Mulder. _ Aqui é o quarto andar da Ala dos Residentes da Base, Mulder. É aqui onde eu moro e para onde você virá quando estiver totalmente recuperado. Ela empurrou-o através de um grande corredor com muitas portas e parou em frente a uma delas com o número 42. Percebeu que Mulder olhava para o número na porta. _ Bem, Mulder. Coincidência ou não, é aqui que eu moro. Ela tirou um cartão do bolso e passou no sensor. A porta imediatamente se abriu revelando uma pequena sala bem decorada. Havia uma mesa com duas cadeiras, um jogo de sofás e uma estante com alguns livros e fotos. Mulder sorriu ao ver o cercadinho cor-de-rosa perto do sofá. _ Aqui, como você pode ver é a sala. _ disse Scully. Ela empurrou a cadeira para um pequeno corredor onde haviam três portas. Scully abriu a primeira. _ Aqui é o banheiro. Foi até a segunda com ele e, desta vez, entrou. _ Este é o quarto da Katherine. No quarto havia um berço, um guarda-roupas, uma cadeira de balanço e um trocador. Todos os móveis eram brancos e a parede era cor-de- rosa. Mulder sorriu ao sentir o cheirinho de bebê que havia ali. Olhou para as prateleiras com brinquedos e viu um porta retrato com uma foto de Katherine recém nascida no colo de Scully, que estava sentada numa cama. Mulder pediu a foto e Scully alcançou-a para ele. _ Esta foto foi tirada pelos Pistoleiros no dia que a Katherine nasceu._ disse ela sorrindo._ Eles tiraram várias fotos nesse dia, disseram que assim você teria a oportunidade de saber como foi o dia do nascimento dela. Se dependesse deles eles teriam filmado o parto mas digamos que eu não estava exatamente disposta a estrelar em um filme na ocasião, Mulder. Mulder riu e torceu para que seus amigos estivessem bem. De repente algo lhe ocorreu: _ E onde está Skinner, Scully? _ Ele está passando o mês trabalhando em outra base mas já soube que você está aqui e disse que virá assim que puder. Eles saíram do quarto e dirigiram-se a outra porta. Ela abriu e ele pôde ver uma cama de casal, um guarda roupa e uma poltrona. Mulder reconheceu alguns objetos do quarto de Scully no apartamento em Georgetown. _ Este aqui é o nosso quarto, Mulder. Ele não esperava que ela fosse já incluí-lo em sua vida dessa maneira mas gostou. Não suportaria viver longe dela e de Katherine. Afinal, eles agora eram uma família. _ Obrigado, Scully. _ Por que, Mulder? _ Por me incluir assim na sua vida e de Katherine. _ Mas Mulder, você sempre fez parte de nossas vidas. Eu sempre tive certeza de que você voltaria, e agora nós somos uma família. Eu nunca mais quero ficar longe de você. Eles sorriram e voltaram para a sala. _ Como me acharam, Scully? _ Você apareceu na entrada da base, Mulder. Até onde nós sabemos você foi resgatado pela raça aliada e trazido para nós. _ Por que eles me resgatariam, Scully? _ Eu não sei, Mulder. Os dois ouviram um bip. Scully pegou o aparelhinho em seu bolso e leu a mensagem. _ É da minha mãe. A Katy está com fome. Eu utilizo o bip por causa do meu trabalho no Hospital mas para quem tem um bebê isso aqui vem a calhar. Eles deixaram o apartamento e seguiram pelo corredor. Algumas pessoas passavam e cumprimentavam Scully amistosamente. Entraram em outro corredor. _ Bom Mulder, aqui ficam os apartamentos de um quarto. É aqui que a minha mãe mora. As moradias são divididas de acordo com a necessidade da família. O Bill, a Tara e o Mathew, por exemplo, moram num apartamento como o nosso mas é no andar de baixo. _ Um tanto utópico, não? Ela riu. _ Eu diria que é bem utópico, Mulder. Chegaram na frente da porta com o número 86. Scully bateu. Dali a alguns instantes, Margareth Scully abriu sorrindo. _ Fox, que surpresa! Como está? _ Bem, obrigado Maggie. Entraram na sala e viram Katherine no carrinho. _ Dana, ela acabou de parar de chorar. Acho que ela sentiu que a mamãe estava a caminho. _ Oi, amorzinho. A mamãe e o papai estão aqui. Está com fome? Scully sentou-se no sofá e deu de mamar para a filha enquanto Mulder conversava com Maggie. Depois, Mulder segurou a filha para fazê-la arrotar. O bebê logo adormeceu no colo do pai. _ Eu reparei que não há cozinhas por aqui. Onde a comida é preparada? _ perguntou Mulder curioso. _ As cozinhas ficam na Ala da Alimentação juntamente com os restaurantes. Cada um trabalha no que sabe ou pode fazer por aqui. Algumas pessoas cozinham, outras plantam, outras cuidam da granja, outras trabalham na administração e no posto de comando e defesa contra os colonizadores para prevenir possíveis ataques._ respondeu Scully. _ Eu e a Tara trabalhamos na escola cuidando das crianças enquanto os pais trabalham. É lá que a Katy fica enquanto a Dana está trabalhando._ contou Maggie. _ E nunca ocorreram ataques? A base não foi descoberta?_ Mulder perguntou. _ Houve uma tentativa de ataque há quatro meses. Mas felizmente não houve nada de mais. Os aliados nos ajudaram a deter os colonizadores e desde então não houveram mais incidentes._ contou Maggie. _ Mulder, é melhor eu te levar de volta ao Hospital. Você precisa descansar. Terá muito tempo para conhecer tudo isso aqui. Mulder beijou a filha e a entregou a Scully, que também a beijou. _ Pronto docinho, fica aqui com a vovó._ disse enquanto dava a filha para Maggie._ Mãe, eu vou levar Mulder e depois volto para pegar a Katherine, tá? _ Claro, Dana. Eles saíram e foram até o elevador. _ Scully... Você e a Katherine vão dormir lá comigo hoje? Ela sorriu e beijou-lhe a testa. _ Claro, Mulder. Imagine se eu iria perder a oportunidade de ficar com você. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX No dia seguinte, Scully entrou no quarto de Mulder vestida com roupas de Centro Cirúrgico sob um jaleco branco. _ Bom dia, Mulder. Como está? _ perguntou ela beijando-o. _ Bem melhor. _ Comeu alguma coisa? _ Sim, fiz um lanche agora a pouco. _ Desculpe não poder vir te ver antes, Mulder. Hoje eu estou de plantão por aqui mas a tarde vou ver se consigo um tempinho para darmos mais um passeio. Assim você pode conhecer mais a base, o que acha? _ Adoraria, se não atrapalhar o seu trabalho, é claro! _ Não vai atrapalhar, se eles precisarem de mim eles me chamam pelo bip e eu venho. _ Como está a Katy? Já estou com saudades dela. _ Está no berçário. Acabei de ir lá alimentá-la. A tarde nós iremos vê-la, está bem? Eles sorriram um para o outro. O bip de Scully tocou. _ Bem Mulder, tenho que ir ver um paciente. Pedi para a enfermeira vir colher um pouco de sangue para vermos como está, ok? Daqui a pouco ela vem aqui. _ Tudo bem. Nos vemos a tarde então. _ Virei aqui logo após o almoço. Vê se almoça direitinho, tá? _ Você é quem manda. _ falou ele com um sorriso maroto. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Depois do almoço Scully chegou ao quarto de Mulder. Ainda estava vestida com as roupas de trabalho. _ Oi! E então, pronto para irmos? _ Claro. Ela o ajudou a erguer-se e, desta vez ele conseguiu ficar de pé sozinho por algum tempo. _ Uau, Mulder. Você andou treinando isso enquanto eu estive fora, é? _ Adivinhou! Eu estava meio sem nada para fazer aqui, então... _ Desse jeito você vai sair daqui logo! Ele sentou-se na cadeira e saíram porta a fora, indo diretamente ao elevador. _ E então, Scully? Onde vamos hoje? _ Bom, antes temos que passar no berçário para eu amamentar a Katy, depois eu pensei em te mostrar a Ala de Agricultura. _ Scully, quando eu me recuperar, o que você acha que eu poderei fazer por aqui? _ O Skinner falou em te oferecer trabalho na Ala de Defesa junto com ele. Ele achou que você iria gostar... _ Eu também acho. Estou me sentindo meio inútil por aqui, Scully. _ falou ele sorrindo. _ Mulder, você ainda está se recuperando, assim que puder irá assumir um trabalho. Só precisa ter paciência! Eles chegaram a uma grande porta colorida onde estava escrito Ala da Escola. Entraram. Lá havia um corredor com várias portas. Tudo era colorido e alegre. _ Bom, aqui é a Ala da Escola. Cada porta dessas é uma sala de aula. Agora isso aqui está calmo mas você não viu como fica na hora da saída. _ disse ela rindo. _ Imagino. Chegaram a uma porta onde lia-se Berçário. Lá dentro havia vários berços, brinquedos e a decoração era muito bonita dando ao lugar um aspecto aconchegante. Muitas pessoas estavam lá cuidando dos bebês. Algumas os trocavam, outras davam mamadeira, outras simplesmente brincavam com eles. Tara veio com uma garotinha no colo. _ Oi Dana, oi Fox! Como você está? _ disse ela cumprimentando-os. _ Bem melhor, obrigado._ responde Mulder retribuindo o sorriso da mulher. _ Tara, onde está a mamãe?_ perguntou Scully. _ Está trocando a Katy, ela já está vindo para cá. Vou ter que pedir licença pois está na hora do banho da pequena Mary aqui. _ Claro, Tara. _ disse Scully enquanto a cunhada ia se afastando. _ E o seu sobrinho Mathew, Scully? Onde está? _ Ele já está na sala de crianças maiores que fica aqui ao lado. Nesse momento, Maggie aparece trazendo Katherine, que chorava. _ Oi, parece que a filhinha de vocês está faminta. _ falou ela passando a criança aos braços de Scully. Scully quase não pôde conter um riso ao ver a cara de Mulder, que sorria feito um bobo toda vez que via a filha. Após Scully alimentar Katherine, eles foram conhecer a Ala da Agricultura, que era mesmo impressionante: gigantescos holofotes de tecnologia alienígena canalizavam a energia solar através de placas_ colocadas estrategicamente sobre a base de forma a não serem descobertas_ e projetavam a luz sobre as imensas plantações de diversas culturas. A granja também funcionava com a ajuda desses refletores. A Ala de Esportes: quadras poliesportivas, uma pista de corrida e até uma academia, também dispunha desses refletores e as pessoas sempre procuravam ir lá para receber a luz do sol. Lá também havia um playground para que as crianças pudessem usufruir da luz solar. Mulder estava maravilhado com o lugar. Era incrível. Inúmeras coisas lá vinham da tecnologia extraterrena dos aliados, que haviam ajudado os rebeldes a construir tudo aquilo. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Alguns dias depois Mulder já conhecia bem a base. Estava conseguindo andar sozinho e já não sentia mais fraqueza no corpo. Tinha acabado de almoçar e estava sentado na cama lendo um livro, não aguentava mais ficar no hospital. Scully entrou no quarto empurrando o carrinho de Katy. _ Olá, Mulder. _ disse ela beijando-o. _ Oi Scully! Oi filhinha! _ falou Mulder beijando Scully e pegando a filha no colo. _ Trouxe boas notícias:Os seus exames saíram perfeitamente normais e você acaba de receber alta! Nós viemos aqui te levar para casa. _ Até que enfim. _ disse ele sorrindo. _ Chega de hospital. Scully ajudou Mulder a guardar suas roupas e eles saíram para ir para casa. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX No dia seguinte em que foi para casa, Mulder acordou e viu que Scully ainda dormia deitada em seu peito. Essa fora uma longa noite. Após meses sentindo a falta um do outro, eles tinham finalmente feito amor de novo. Ele colocou-a cuidadosamente sobre o travesseiro e saiu do quarto em silêncio. Entrou no quarto da filha. Katherine dormia tranquilamente sob o facho de luz que vinha da lâmpada de luz solar, que iluminava automaticamente toda a casa pela manhã. Ele debruçou-se no berço e ficou a observá-la. Ela era um milagre. Um milagre dele e de Scully. Sentiu-se sendo abraçado por trás. _ Bom dia, amor! _ disse Scully sonolenta. _ Bom dia! _ disse ele beijando-a. _ Acabei de saber boas notícias, ligaram no interfone dizendo que Skinner está para chegar a qualquer momento. Provavelmente depois do almoço. _ Puxa, que bom. Quero muito falar com ele, saber como vão as coisas por aí. _ Eu tenho que me arrumar para ir ao laboratório. Se você quiser eu deixo a Katy no Berçário, assim você poderá dar umas voltas por aí. _ Não precisa, hoje ela vai passear com o papai. Vou levá- la no carrinho, está bem? Eu te aviso pelo bip e a levo para você amamentar quando ela chorar e na hora do almoço nós te esperamos na entrada da Ala de Pesquisas para almoçarmos juntos, ok? _ Perfeito! Depois de tudo pronto eles se despediram na porta do apartamento e cada um foi para um lado. Scully, apressada para o trabalho e Mulder todo animado empurrando o carrinho de Katy, que olhava tudo interessada. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Na hora do almoço, Mulder, Scully e Katherine, que dormia no carrinho, entraram em um dos restaurantes para almoçar. O lugar estava cheio e animado com a expectativa da chegada do Conselheiro de Defesa Skinner, que traria notícias do mundo exterior. Escolheram uma mesa e sentaram. Serviram-se no bufet e comiam tranquilamente. Maggie, Bill ( que até então Mulder não tinha visto), Tara e Mathew aproximaram-se. Todos se cumprimentaram. Bill foi menos agressivo com Mulder do que costumava ser mas, como Scully havia dito, Bill parou de culpar tanto Mulder ao constatar que tudo em que este acreditava era verdade. Agora Bill trabalhava na Ala de Monitoramento, onde era feito o controle das atividades dos colonizadores. Eles trocaram algumas palavras e se afastaram para uma mesa próxima, deixando-os sozinhos. De repente, ouve-se uma agitação, o Conselheiro de Defesa Skinner acabara de chegar. Um homem aproximou-se deles: _ Doutora Scully, Senhor Mulder, o Conselheiro de Defesa Skinner pediu-lhes que viessem a sua sala o quanto antes. Eles assentiram e Scully empurrou o carrinho da filha até sua mãe, pedindo que lhe chamasse no bip caso ela acordasse com fome. Mulder seguiu Scully até um elevador, que os levaria até a Ala de Defesa, onde ficava o escritório de Skinner. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Entraram em um escritório cheio de mapas da base e do exterior nas paredes. A secretária mandou que sentassem pois Skinner já estava vindo falar com eles. _ Mulder, Scully! _ disse Skinner, entrando e abraçando os agentes. Skinner estava com aparência cansada, mas sorria. _ Como vai, senhor? _ falou Mulder. _ Mulder, eu é quem devia lhe fazer esta pergunta, como você está? _ Bem, senhor. _ respondeu Mulder. _ Eu vi o que aconteceu no Oregon, Mulder. Eu não pude fazer nada para evitar. Eu queria ter podido ajudar... _ Eu sei, senhor. Não se preocupe. _ Scully, como vai a pequena Katherine? _ Está bem, com saudades do tio Skinner. _ respondeu ela sorrindo. Skinner sorriu. _ Eu vou tentar passar para vê-la hoje. Sentem-se. Os agentes sentaram nas cadeiras em frente à mesa de Skinner. _ Mulder, não sei se a Scully já falou com você a respeito disso mas quando você estiver recuperado eu gostaria que viesse trabalhar comigo na Ala de Defesa. _ Sim, senhor, ela falou algo a respeito. Eu ficarei honrado em trabalhar aqui. O quanto antes possível. _ Assim que quiser pode começar. Daqui a pouco teremos uma reunião para discutir os últimos eventos externos e, se você quiser pode juntar-se a nós. É uma oportunidade para começar a se familiarizar com o pessoal da Ala. _ Claro, vou estar lá. _ Senhor, alguma notícia dos Pistoleiros?_ perguntou Scully. _ A Ala de Comunicação está tentando entrar em contato com eles constantemente. Espero que tenhamos notícias em breve. Nesse momento alguns homens e mulheres começaram a entrar na sala para a reunião, cumprimentando Skinner e os agentes. _ Boa tarde a todos. _ saudou Skinner, que então dirigiu-se a Mulder e Scully. _ Se quiserem ficar serão bem vindos. _ Eu vou ficar, senhor. _ falou Mulder. _ Eu tenho que alimentar a Katherine e passar no Hospital. _ disse Scully levantando-se. Mulder achou estranho o fato de a parceira não permanecer para ouvir as notícias sobre os colonizadores. Ela nunca gostou de ser deixada de fora de nada. Depois perguntaria a ela. _ Bom, primeiro eu quero apresentar o mais novo membro do Conselho de Defesa, Fox Willian Mulder. Todos cumprimentaram Mulder e se apresentaram amistosamente. _ Senhor, alguma mudança na posição das naves colonizadoras? _ perguntou uma mulher sentada ao lado de Skinner na grande mesa redonda de reuniões. _ Não, Riggs, não houve mudanças nas posições, o que é uma boa notícia. Parece-me que inclusive estão chegando mais 5 naves aliadas dentro de alguns dias. _ Qual a opinião dos aliados quanto a essa permanência dos colonizadores nas mesmas posições? _ perguntou um homem de cabelos brancos sentado ao lado de Mulder. _ Quando estava na base da Virgínia nós tivemos uma reunião com os líderes dos aliados dessa região e eles acham que pode ser uma estratégia camuflada. Eles querem que pensemos que estão desistindo. Eu concordo com eles. McGregor? _ Sim, senhor? _ disse uma mulher sentada do lado oposto à mesa. _ Temos que avisar à Ala de Monitoramento para que verifique a possível chegada de novos armamentos dos colonizadores. _ Tudo bem, senhor. _ Na próxima reunião geral trataremos de possíveis medidas de defesa se isso se confirmar. Por enquanto é só, uma boa tarde para vocês. _ Walsh e Mulder, por favor fiquem que eu quero falar com vocês. Todos os outros deixaram a sala, só ficaram Mulder e um homem alto de óculos que falou: _ Sim, senhor? _ Eu gostaria que você mostrasse a Mulder o funcionamento dessa Ala. Coloque-o a par da frequência das reuniões, horários, pessoal, tudo. E explique o que ele quiser saber sobre o funcionamento da base.Ok? _ Claro, senhor. _ respondeu Walsh. _ Podem ir então. Mulder, mais tarde eu passo para ver a Katy. _ Tudo bem, senhor. No resto da tarde Mulder conheceu a Ala de Defesa e como seria o seu trabalho nela. Segundo Walsh, as alas funcionavam com total independência umas das outras havendo reuniões gerais sempre que necessário. Mulder descobriu que os Pistoleiros trabalhavam na Ala de Tecnologia da base que era incrível, com tecnologia humana e alien juntas. Toda a base era informatizada com interfones, computadores , captadores de luz solar e outros recursos. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Na hora do jantar, Mulder passou no Berçário para pegar a Katy e foi se encontrar com a Scully no restaurante. Encontraram-se na entrada e foram procurar uma mesa. O agente estava totalmente empolgado com o novo trabalho e contou à Scully como havia sido tudo. Skinner, que estava se dirigindo à saída do restaurante, aproximou-se. _ Boa noite Mulder, Scully. _ disse ele pegando Katherine no colo. _ Olá Katy! Sentiu falta do tio Skinner? A menininha olhava para ele sorrindo. _ Como ela cresceu! Está cada dia mais linda! E então, Mulder? Como está se saindo como pai? _ Estou aprendendo, senhor. _ respondeu o agente sorrindo enquanto Skinner devolvia Katherine ao carrinho. _ Que bom. Deu para conhecer o funcionamento de tudo por aqui, Mulder? _ Sim, o Walsh me mostrou o funcionamento das Alas e algo sobre a base também. _ Então tudo bem. Amanhã nos vemos na Ala pela manhã. _ Claro. _ Uma boa noite a vocês, eu tenho que ir. _ Boa noite, senhor._ responderam os agentes. Mulder e Scully acabaram de jantar e foram para casa. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Após fazer a filha dormir, Scully entrou no quarto e deitou-se ao lado de Mulder. _ Scully, por que você não quis ficar na reunião hoje? Você sempre detestou ficar de fora dessas coisas no Bureau... Ela aconchegou-se a ele e suspirou. _ Isso foi antes disso tudo acontecer, Mulder. Antes de eu ter a Katy... Eu acho que mudei. _ Como assim? _ Eu não estou aguentando mais participar dessas reuniões. Só se fala de estratégias de guerra, novos armamentos, naves que vão e que vem... Eu temo pela Katherine, Mulder. Pelo futuro dela. Sei lá, parece que é mais fácil eu ficar de fora e fingir que nada disso está acontecendo. Poder abraçar a minha filha sem pensar que amanhã poderá haver uma ataque à base e ... A agente começou a chorar. _ É normal você sentir medo, Scully. Eu sinto... Pela Katherine, por você. Mas nós precisamos saber o que está acontecendo para fazer o possível para evitar o pior... _ Mulder, eu queria que a nossa filha pudesse ter a infância que nós tivemos... Eu queria que ela pudesse correr na grama ao ar livre, brincar na areia da praia, mas o mais provável é que ela passe a infância confinada aqui. _ Vai dar tudo certo, Scully. Você vai ver... Pode levar um, dois ou dez anos mas um dia isso vai acabar e nós teremos a chance de reconstruir tudo lá fora. Um dia a nossa filha vai ter a oportunidade de olhar para o céu sem medo e ver as estrelas. Algo me diz que ela vai... Os agentes choraram juntos temendo pelo futuro da filha, que dormia tranquilamente no quarto ao lado alheia a colonizações, câncer negro, guerras e ataques. Continua! Feedback? Sim!!!!! Me digam o que acharam da história até agora! Parte 2 a caminho, ok?