Autora: Luli E-mail: luli-x@bol.com.br Título: Os Sobreviventes Categoria: Pós colonização/Shipper Sinopse: A colonização começou. Uma batalha é travada entre os colonizadores e os aliados. Em meio a tudo isso estão os humanos: os sobreviventes. Disclaimer: Os personagens dessa história não pertencem a mim, eu sei. Pertencem a Fox, CC, DD, GA, etc. Não estou ganhando dinheiro com ela, é só para divertir os fãs. Spoilers: Requiem. Os Sobreviventes Mulder abriu os olhos lentamente. Estava em um quarto, como o de um hospital. Não havia janelas. Somente a cama em que ele estava com uma cadeira ao lado, uma mesinha e uma cômoda. O agente tentou levantar-se mas foi em vão. Parecia que seu corpo era mais pesado do que o normal. Havia um soro em sua mão gotejando lentamente o que dificultava ainda mais seus movimentos. Permaneceu deitado fitando o teto até que reparou num zumbido baixo que parecia vir do chão, ao lado da cama. Tentou virar-se o mais que pôde até que percebeu o que parecia ser uma saída de ventilação, que bombeava ar para o quarto em que estava. Sentia-se confuso, não sabia onde estava e sua última lembrança foi a de estar na floresta com Skinner. O cansaço acabou vencendo e ele adormeceu novamente. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX O agente começou a despertar de novo. Ouvia vozes. Alguém estava ali com ele. _ Mas você precisa comer,filha... Eu fico aqui com ele. _ Não mãe, pode deixar. Daqui a pouco eu vou. Não se preocupe. _ Tudo bem, eu volto em uma hora e não aceitarei recusas. Está bem? _ Tá, mãe. A porta se fechou. Mulder conhecia aquela voz. Era Scully. Ele esforçou-se para abrir os olhos. Ela percebeu e veio ao lado dele, segurando-lhe a mão. _ Mulder, vamos, acorde. _ disse ela acariciando a mão do agente. Mulder abriu os olhos e sorriu ao ver a parceira sorrindo- lhe com lágrimas nos olhos.Ela parecia a mesma daquele dia em que se despediram para ele ir ao Oregon. Usava roupas informais, uma calça jeans e uma blusa de lã creme. _ Como você está? Oh meu Deus, senti tanto a sua falta! _ Scully, onde estamos? _ Nós já falamos nisso, Mulder. Agora temos que ver como você está. Está com alguma dor ou sensação estranha? _ Não. Só uma dormência no corpo. Scully... quanto tempo eu fiquei fora? O que aconteceu? _ Mulder, você ficou desaparecido por 10 meses. Foi encontrado há duas semanas. _ Dez meses...Onde nós estamos, Scully? Ela o abraçou e beijou-lhe os lábios com carinho. Depois olhou direto nos olhos dele e falou : _ Nós temos muito o que conversar, Mulder. O agente a puxou para mais perto e a beijou levemente. _ Também senti sua falta. _ Mulder, o que eu tenho que te contar não vai ser fácil. Você acha que está preparado para o que eu tenho para falar? _ Scully, por favor. Você está me deixando assustado. Eu preciso saber o que aconteceu. Nós estamos em Washington? _ Não há mais Washington, Mulder. _ Como assim? Nesse momento a porta se abriu e Maggie Scully, sem perceber que Mulder tinha acordado, entrou falando: _ Dana, Katherine está chorando. Acho que ela está com fome. Vá lá que eu... Ela parou de falar vendo Mulder acordado e entrou no quarto com um sorriso nos lábios. _ Fox, como está? Que bom que acordou. Estávamos preocupados. O agente sorriu e depois dirigiu-se à Scully: _ Scully, quem é Katherine? _ Mulder, eu já volto. Tenho que resolver algo. Mãe, você pode vir comigo? As duas saíram do quarto deixando Mulder sozinho. Ele estava mais do que confuso. O que ela quis dizer com não há mais Washington, e quem era Katherine? XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Mais ou menos quarenta minutos depois Scully retornou ao quarto. Mulder estava sentado na cama esperando por ela. Já estava conseguindo se mexer melhor. _ Mulder,agora podemos conversar. Ela sentou-se na cama ao lado dele e segurou-lhe a mão. _ Muita coisa aconteceu desde que você foi levado, Mulder. Muita coisa. _ Onde nós estamos, Scully? _ Nós estamos em uma das bases subterrâneas construídas pela rebelião. _ Como assim? _ Mulder... A colonização aconteceu. _ O quê, Scully? Mas... _ Um mês depois do seu desaparecimento começaram a acontecer aparições de OVNIS pelo mundo inteiro. São duas raças de extraterrestres, Mulder. Uma, querendo colonizar a Terra e a outra tentando evitar, os nossos aliados. No meio disso tudo estamos nós, os humanos. Sem poder fazer nada. Mulder a ouvia com lágrimas nos olhos. _ Eu, Skinner e mais um grupo nos juntamos aos rebeldes, eles já estavam construindo bases como esta pelo mundo inteiro com a ajuda da raça de aliens que é contra a colonização. Eu consegui trazer a minha mãe, Bill, Tara e Mathew para cá. Não consegui encontrar Charles. _ disse ela chorando. O agente a abraçou. _ Como as coisas estão lá fora, Scully? _ Um caos, Mulder. Um caos. As grandes cidades foram todas destruídas. Os que foram pegos pelos colonizadores estão com o câncer negro e não há nada que se possa fazer até que a vacina seja produzida. Eu estou ajudando no desenvolvimento dela nos laboratórios. Nós já estamos chegando a uma fórmula mas ainda faltam muitos testes para termos certeza da sua eficácia. _ Nós estamos sob a terra, Scully? Desde quando você está aqui? _ Sim, Mulder. Nós estamos aproximadamente a 8 km embaixo da terra na base que fica próxima a Maryland. Essas bases são como cidades. Você conhecerá quando estiver mais forte para sair. Eu estou aqui há 8 meses. _ Scully... Quem é Katherine? _ É nossa filha, Mulder. _ O que? Mas como? Ela sorriu. _ Aqueles desmaios e tonturas que eu estava sentindo quando estávamos no Oregon, lembra? _ Sim... _ Eu estava grávida, Mulder. _ Mas Scully, você não podia... _ Na época eu fiquei confusa por causa disto, Mulder. Mas o fato é que eu estava grávida. Fiz todos os testes possíveis e imagináveis. Inclusive de paternidade. Precisava saber se essa gravidez era uma bênção ou uma artimanha do Sindicato, você sabe. E realmente o bebê era seu, Mulder. Katherine é nosso milagre, Mulder. Ela é nossa... _ Scully chorava emocionada por finalmente poder contar isso ao pai de sua filha. Mulder abraçou Scully forte e a beijou nos lábios. _ Eu te amo, sabia? _ Eu também te amo, Mulder. _ Scully... _ O que? _ Eu quero conhecer a nossa filha. Quando ela nasceu? _ Ela fará três meses amanhã, dia 10. Eu vou buscá-la. Depois eu te conto mais, tudo bem? _ Claro. Ela levantou-se e saiu pela porta enxugando as lágrimas com as mãos. Vinte minutos depois Scully entrou no quarto com um bebezinho embrulhado num cobertor cor-de-rosa. Sentou-se novamente na cama ao lado de Mulder, colocando o bebê no colo dele. _ Mulder, esta é Katherine Samantha Mulder. Katherine, este é o seu papai. O agente olhou emocionado para a garotinha que o observava curiosa. Ela tinha os cabelos ruivinhos e os olhos verdes exatamente como os dele. Lágrimas caíam pelo rosto de Mulder. Ele segurou na mãozinha de Katherine e ela agarrou seu dedo com força. Ele sorriu por entre as lágrimas. _ Oi, querida. É o papai. Mulder beijou a bochechinha rosada da filha e olhou para Scully. _ Ela é linda, Scully. Ela beijou-lhe os lábios e depois a testa da filha. _ É. Ela é linda, Mulder. E ela é nossa. _ Desculpe não ter estado aqui com você todo este tempo, Scully. Não deve ter sido nada fácil para você tendo que fugir para cá estando grávida. _ Mulder, não se culpe. A culpa não é sua. O importante é que você está aqui comigo agora. Conosco. Naquela noite eles dormiram ali abraçados, os três. Mulder acordou e sorriu ao ver Scully recostada na cama dando de mamar para o bebê. A garotinha segurava os cabelos da mãe, agora mais compridos enquanto olhava para Scully, que sorria para a filha. Ele não se lembrava de ter visto tão bela cena em sua vida. A agente percebeu que Mulder estava acordado: _ Como está se sentindo, Mulder? _ Bem, Scully. Que horas são? Ela olhou no relógio de pulso. _ São 3H40 da manhã. A pequenina Katy aqui acorda de quatro em quatro horas para mamar._ disse Scully sorrindo_ Pensei que você iria acordar com o choro dela. A agente pôs a filha apoiada no ombro para fazê-la arrotar e com a mão livre fechou a blusa. Depois, Scully a aninhou entre os dois e eles dormiram novamente. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Quando Mulder acordou novamente Scully estava entrando no quarto com uma bandeja. _ Bom dia! _ saudou ela sorrindo. _ Bom dia. Onde está Katherine? _ Está com a minha mãe. Já são quase meio dia. Trouxe seu almoço. _ Puxa, eu estou faminto. _ Também, você está sendo alimentado por soro há duas semanas. Reparou que eu o tirei? É melhor que você comece a comer sozinho de uma vez. Ele sentou-se e ela destampou o prato. Era uma sopa. _ O cheiro está bom. _ É uma sopa leve de verduras. É bom que você comece comendo coisas mais leves até que seu organismo se recupere novamente. _ Aqui é um hospital, Scully ? _ Sim, Mulder. Você está na Ala do Hospital. Os quartos dos residentes ficam em outra ala. Se você comer direitinho eu te levo para dar uma volta de cadeira de rodas, combinado? _ Combinado, mamãe. Scully riu e sentou-se ao lado dele enquanto ele comia. _ Scully, e os Pistoleiros ? Estão aqui? Ela olhou-o com tristeza. _ Mulder, há um mês os Pistoleiros saíram para levar suprimentos para uma base próxima que estava em dificuldades. Era para eles terem chegado há uma semana, nós estamos sem notícias deles... Mulder olhou para ela com os olhos tristes. _ Eles vão conseguir, Scully. Você vai ver. Eles não se deixariam capturar tão facilmente. _ Eu sei, Mulder. Eu sei. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Scully entrou no quarto empurrando uma cadeira de rodas. _ E então, Mulder? Pronto para um passeio? _ De cadeira de rodas, Scully? _ Bom, Mulder eu não acredito que você esteja forte o suficiente para andar sozinho. Mas, se você não quer... _ ela começou a fazer a volta para sair do quarto. _ Scully... Tudo bem, de cadeira de rodas está bom. Ela riu e aproximou a cadeira da cama. _ Você descobriu algo de errado comigo? _ Não, Mulder. Nada foi detectado nos exames que eu mandei fazer enquanto você estava desacordado. Agora que você acordou eu pretendo pedir mais exames, está bem? Ele assentiu e a agente aproximou-se dando apoio para que ele pudesse se erguer. Mulder ficou de pé com dificuldade e sentou-se na cadeira. Ainda sentia-se fraco. Scully aproximou-se, encostando sua testa na dele. _ Pronto? _ Sim. _ o agente sorriu e a beijou nos lábios sendo prontamente correspondido com paixão. Era o primeiro beijo assim deles desde que Mulder acordou. _ Vamos, Mulder. Ela saiu empurrando a cadeira porta a fora. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Passaram por um corredor cheio de portas. Em algumas delas, assim como na de Mulder, havia o nome do paciente numa plaquinha. Em outras estava escrito Sala de Exames, Raio-X, havendo até um Centro Cirúrgico. Algumas enfermeiras passavam de um lado ao outro apressadas. _ Bom, Mulder. Como você pode ver aqui é a Ala do Hospital. Eu venho trabalhando aqui com os doentes e nos laboratórios, com a vacina. Uma enfermeira passou e cumprimentou Scully: _ Boa tarde, doutora Scully. _ Boa tarde, Martha. Mulder olhava tudo abismado. Era incrível tudo aquilo existir embaixo da terra. Deixaram a Ala do Hospital por uma porta que dizia Ala de Pesquisas - Entrada somente para pessoas autorizadas. _ Aqui ficam os laboratórios, Mulder. Os de nível 1 a 3 são neste andar e os de nível 4 e 5 ficam embaixo. _ Como assim? _ Nós classificamos pelo nível de perigo de contaminação. _ Quantos andares tem essa base, Scully? _ Depende da Ala. Algumas chegam a ter até quatro andares, Mulder. _ Nossa... Na Ala de Pesquisas podia-se ver vários laboratórios através de paredes de vidro. Lá dentro, muitas pessoas trabalhavam com microscópios, placas de petri e tubos de ensaio. _ Scully, quantas pessoas vivem aqui? _ Atualmente estamos com 2500 pessoas, Mulder. _ E como tudo funciona, isto é, como fazem com a comida e tudo? _ Bem, água nós retiramos parte de um lençol subterrâneo e parte vêm do mar e nós fazemos a dessalinização. Já a comida, nós mantemos uma Ala de Agricultura bem grande, utilizando energia solar. Há também uma granja para a criação de aves. Algumas bases criam até bovinos, Mulder. Quando eu cheguei aqui não podia acreditar no que havia aqui embaixo... _ É incrível, Scully. Eles saíram da Ala de Pesquisas e seguiram por um corredor longo de metal até um elevador. Entraram e Scully apertou um dos botões. Enquanto subiam, Mulder pôde ver através do vidro do elevador a grandiosidade da base. Era realmente enorme e cheia de pessoas. O elevador parou e Scully saiu com Mulder. _ Aqui é o quarto andar da Ala dos Residentes da Base, Mulder. É aqui onde eu moro e para onde você virá quando estiver totalmente recuperado. Ela empurrou-o através de um grande corredor com muitas portas e parou em frente a uma delas com o número 42. Percebeu que Mulder olhava para o número na porta. _ Bem, Mulder. Coincidência ou não, é aqui que eu moro. Ela tirou um cartão do bolso e passou no sensor. A porta imediatamente se abriu revelando uma pequena sala bem decorada. Havia uma mesa com duas cadeiras, um jogo de sofás e uma estante com alguns livros e fotos. Mulder sorriu ao ver o cercadinho cor-de-rosa perto do sofá. _ Aqui, como você pode ver é a sala. _ disse Scully. Ela empurrou a cadeira para um pequeno corredor onde haviam três portas. Scully abriu a primeira. _ Aqui é o banheiro. Foi até a segunda com ele e, desta vez, entrou. _ Este é o quarto da Katherine. No quarto havia um berço, um guarda-roupas, uma cadeira de balanço e um trocador. Todos os móveis eram brancos e a parede era cor- de-rosa. Mulder sorriu ao sentir o cheirinho de bebê que havia ali. Olhou para as prateleiras com brinquedos e viu um porta retrato com uma foto de Katherine recém nascida no colo de Scully, que estava sentada numa cama. Mulder pediu a foto e Scully alcançou-a para ele. _ Esta foto foi tirada pelos Pistoleiros no dia que a Katherine nasceu._ disse ela sorrindo._ Eles tiraram várias fotos nesse dia, disseram que assim você teria a oportunidade de saber como foi o dia do nascimento dela. Se dependesse deles eles teriam filmado o parto mas digamos que eu não estava exatamente disposta a estrelar em um filme na ocasião, Mulder. Mulder riu e torceu para que seus amigos estivessem bem. De repente algo lhe ocorreu: _ E onde está Skinner, Scully? _ Ele está passando o mês trabalhando em outra base mas já soube que você está aqui e disse que virá assim que puder. Eles saíram do quarto e dirigiram-se a outra porta. Ela abriu e ele pôde ver uma cama de casal, um guarda roupa e uma poltrona. Mulder reconheceu alguns objetos do quarto de Scully no apartamento em Georgetown. _ Este aqui é o nosso quarto, Mulder. Ele não esperava que ela fosse já incluí-lo em sua vida dessa maneira mas gostou. Não suportaria viver longe dela e de Katherine. Afinal, eles agora eram uma família. _ Obrigado, Scully. _ Por que, Mulder? _ Por me incluir assim na sua vida e de Katherine. _ Mas Mulder, você sempre fez parte de nossas vidas. Eu sempre tive certeza de que você voltaria, e agora nós somos uma família. Eu nunca mais quero ficar longe de você. Eles sorriram e voltaram para a sala. _ Como me acharam, Scully? _ Você apareceu na entrada da base, Mulder. Até onde nós sabemos você foi resgatado pela raça aliada e trazido para nós. _ Por que eles me resgatariam, Scully? _ Eu não sei, Mulder. Os dois ouviram um bip. Scully pegou o aparelhinho em seu bolso e leu a mensagem. _ É da minha mãe. A Katy está com fome. Eu utilizo o bip por causa do meu trabalho no Hospital mas para quem tem um bebê isso aqui vem a calhar. Eles deixaram o apartamento e seguiram pelo corredor. Algumas pessoas passavam e cumprimentavam Scully amistosamente. Entraram em outro corredor. _ Bom Mulder, aqui ficam os apartamentos de um quarto. É aqui que a minha mãe mora. As moradias são divididas de acordo com a necessidade da família. O Bill, a Tara e o Mathew, por exemplo, moram num apartamento como o nosso mas é no andar de baixo. _ Um tanto utópico, não? Ela riu. _ Eu diria que é bem utópico, Mulder. Chegaram na frente da porta com o número 86. Scully bateu. Dali a alguns instantes, Margareth Scully abriu sorrindo. _ Fox, que surpresa! Como está? _ Bem, obrigado Maggie. Entraram na sala e viram Katherine no carrinho. _ Dana, ela acabou de parar de chorar. Acho que ela sentiu que a mamãe estava a caminho. _ Oi, amorzinho. A mamãe e o papai estão aqui. Está com fome? Scully sentou-se no sofá e deu de mamar para a filha enquanto Mulder conversava com Maggie. Depois, Mulder segurou a filha para fazê-la arrotar. O bebê logo adormeceu no colo do pai. _ Eu reparei que não há cozinhas por aqui. Onde a comida é preparada? _ perguntou Mulder curioso. _ As cozinhas ficam na Ala da Alimentação juntamente com os restaurantes. Cada um trabalha no que sabe ou pode fazer por aqui. Algumas pessoas cozinham, outras plantam, outras cuidam da granja, outras trabalham na administração e no posto de comando e defesa contra os colonizadores para prevenir possíveis ataques._ respondeu Scully. _ Eu e a Tara trabalhamos na escola cuidando das crianças enquanto os pais trabalham. É lá que a Katy fica enquanto a Dana está trabalhando._ contou Maggie. _ E nunca ocorreram ataques? A base não foi descoberta?_ Mulder perguntou. _ Houve uma tentativa de ataque há quatro meses. Mas felizmente não houve nada de mais. Os aliados nos ajudaram a deter os colonizadores e desde então não houveram mais incidentes._ contou Maggie. _ Mulder, é melhor eu te levar de volta ao Hospital. Você precisa descansar. Terá muito tempo para conhecer tudo isso aqui. Mulder beijou a filha e a entregou a Scully, que também a beijou. _ Pronto docinho, fica aqui com a vovó._ disse enquanto dava a filha para Maggie._ Mãe, eu vou levar Mulder e depois volto para pegar a Katherine, tá? _ Claro, Dana. Eles saíram e foram até o elevador. _ Scully... Você e a Katherine vão dormir lá comigo hoje? Ela sorriu e beijou-lhe a testa. _ Claro, Mulder. Imagine se eu iria perder a oportunidade de ficar com você. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX No dia seguinte, Scully entrou no quarto de Mulder vestida com roupas de Centro Cirúrgico sob um jaleco branco. _ Bom dia, Mulder. Como está? _ perguntou ela beijando-o. _ Bem melhor. _ Comeu alguma coisa? _ Sim, fiz um lanche agora a pouco. _ Desculpe não poder vir te ver antes, Mulder. Hoje eu estou de plantão por aqui mas a tarde vou ver se consigo um tempinho para darmos mais um passeio. Assim você pode conhecer mais a base, o que acha? _ Adoraria, se não atrapalhar o seu trabalho, é claro! _ Não vai atrapalhar, se eles precisarem de mim eles me chamam pelo bip e eu venho. _ Como está a Katy? Já estou com saudades dela. _ Está no berçário. Acabei de ir lá alimentá-la. A tarde nós iremos vê-la, está bem? Eles sorriram um para o outro. O bip de Scully tocou. _ Bem Mulder, tenho que ir ver um paciente. Pedi para a enfermeira vir colher um pouco de sangue para vermos como está, ok? Daqui a pouco ela vem aqui. _ Tudo bem. Nos vemos a tarde então. _ Virei aqui logo após o almoço. Vê se almoça direitinho, tá? _ Você é quem manda. _ falou ele com um sorriso maroto. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Depois do almoço Scully chegou ao quarto de Mulder. Ainda estava vestida com as roupas de trabalho. _ Oi! E então, pronto para irmos? _ Claro. Ela o ajudou a erguer-se e, desta vez ele conseguiu ficar de pé sozinho por algum tempo. _ Uau, Mulder. Você andou treinando isso enquanto eu estive fora, é? _ Adivinhou! Eu estava meio sem nada para fazer aqui, então... _ Desse jeito você vai sair daqui logo! Ele sentou-se na cadeira e saíram porta a fora, indo diretamente ao elevador. _ E então, Scully? Onde vamos hoje? _ Bom, antes temos que passar no berçário para eu amamentar a Katy, depois eu pensei em te mostrar a Ala de Agricultura. _ Scully, quando eu me recuperar, o que você acha que eu poderei fazer por aqui? _ O Skinner falou em te oferecer trabalho na Ala de Defesa junto com ele. Ele achou que você iria gostar... _ Eu também acho. Estou me sentindo meio inútil por aqui, Scully. _ falou ele sorrindo. _ Mulder, você ainda está se recuperando, assim que puder irá assumir um trabalho. Só precisa ter paciência! Eles chegaram a uma grande porta colorida onde estava escrito Ala da Escola. Entraram. Lá havia um corredor com várias portas. Tudo era colorido e alegre. _ Bom, aqui é a Ala da Escola. Cada porta dessas é uma sala de aula. Agora isso aqui está calmo mas você não viu como fica na hora da saída. _ disse ela rindo. _ Imagino. Chegaram a uma porta onde lia-se Berçário. Lá dentro havia vários berços, brinquedos e a decoração era muito bonita dando ao lugar um aspecto aconchegante. Muitas pessoas estavam lá cuidando dos bebês. Algumas os trocavam, outras davam mamadeira, outras simplesmente brincavam com eles. Tara veio com uma garotinha no colo. _ Oi Dana, oi Fox! Como você está? _ disse ela cumprimentando-os. _ Bem melhor, obrigado._ responde Mulder retribuindo o sorriso da mulher. _ Tara, onde está a mamãe?_ perguntou Scully. _ Está trocando a Katy, ela já está vindo para cá. Vou ter que pedir licença pois está na hora do banho da pequena Mary aqui. _ Claro, Tara. _ disse Scully enquanto a cunhada ia se afastando. _ E o seu sobrinho Mathew, Scully? Onde está? _ Ele já está na sala de crianças maiores que fica aqui ao lado. Nesse momento, Maggie aparece trazendo Katherine, que chorava. _ Oi, parece que a filhinha de vocês está faminta. _ falou ela passando a criança aos braços de Scully. Scully quase não pôde conter um riso ao ver a cara de Mulder, que sorria feito um bobo toda vez que via a filha. Após Scully alimentar Katherine, eles foram conhecer a Ala da Agricultura, que era mesmo impressionante: gigantescos holofotes de tecnologia alienígena canalizavam a energia solar através de placas_ colocadas estrategicamente sobre a base de forma a não serem descobertas_ e projetavam a luz sobre as imensas plantações de diversas culturas. A granja também funcionava com a ajuda desses refletores. A Ala de Esportes: quadras poliesportivas, uma pista de corrida e até uma academia, também dispunha desses refletores e as pessoas sempre procuravam ir lá para receber a luz do sol. Lá também havia um playground para que as crianças pudessem usufruir da luz solar. Mulder estava maravilhado com o lugar. Era incrível. Inúmeras coisas lá vinham da tecnologia extraterrena dos aliados, que haviam ajudado os rebeldes a construir tudo aquilo. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Alguns dias depois Mulder já conhecia bem a base. Estava conseguindo andar sozinho e já não sentia mais fraqueza no corpo. Tinha acabado de almoçar e estava sentado na cama lendo um livro, não aguentava mais ficar no hospital. Scully entrou no quarto empurrando o carrinho de Katy. _ Olá, Mulder. _ disse ela beijando-o. _ Oi Scully! Oi filhinha! _ falou Mulder beijando Scully e pegando a filha no colo. _ Trouxe boas notícias:Os seus exames saíram perfeitamente normais e você acaba de receber alta! Nós viemos aqui te levar para casa. _ Até que enfim. _ disse ele sorrindo. _ Chega de hospital. Scully ajudou Mulder a guardar suas roupas e eles saíram para ir para casa. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX No dia seguinte em que foi para casa, Mulder acordou e viu que Scully ainda dormia deitada em seu peito. Essa fora uma longa noite. Após meses sentindo a falta um do outro, eles tinham finalmente feito amor de novo. Ele colocou-a cuidadosamente sobre o travesseiro e saiu do quarto em silêncio. Entrou no quarto da filha. Katherine dormia tranquilamente sob o facho de luz que vinha da lâmpada de luz solar, que iluminava automaticamente toda a casa pela manhã. Ele debruçou-se no berço e ficou a observá-la. Ela era um milagre. Um milagre dele e de Scully. Sentiu-se sendo abraçado por trás. _ Bom dia, amor! _ disse Scully sonolenta. _ Bom dia! _ disse ele beijando-a. _ Acabei de saber boas notícias, ligaram no interfone dizendo que Skinner está para chegar a qualquer momento. Provavelmente depois do almoço. _ Puxa, que bom. Quero muito falar com ele, saber como vão as coisas por aí. _ Eu tenho que me arrumar para ir ao laboratório. Se você quiser eu deixo a Katy no Berçário, assim você poderá dar umas voltas por aí. _ Não precisa, hoje ela vai passear com o papai. Vou levá- la no carrinho, está bem? Eu te aviso pelo bip e a levo para você amamentar quando ela chorar e na hora do almoço nós te esperamos na entrada da Ala de Pesquisas para almoçarmos juntos, ok? _ Perfeito! Depois de tudo pronto eles se despediram na porta do apartamento e cada um foi para um lado. Scully, apressada para o trabalho e Mulder todo animado empurrando o carrinho de Katy, que olhava tudo interessada. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Na hora do almoço, Mulder, Scully e Katherine, que dormia no carrinho, entraram em um dos restaurantes para almoçar. O lugar estava cheio e animado com a expectativa da chegada do Conselheiro de Defesa Skinner, que traria notícias do mundo exterior. Escolheram uma mesa e sentaram. Serviram-se no bufet e comiam tranquilamente. Maggie, Bill ( que até então Mulder não tinha visto), Tara e Mathew aproximaram-se. Todos se cumprimentaram. Bill foi menos agressivo com Mulder do que costumava ser mas, como Scully havia dito, Bill parou de culpar tanto Mulder ao constatar que tudo em que este acreditava era verdade. Agora Bill trabalhava na Ala de Monitoramento, onde era feito o controle das atividades dos colonizadores. Eles trocaram algumas palavras e se afastaram para uma mesa próxima, deixando-os sozinhos. De repente, ouve-se uma agitação, o Conselheiro de Defesa Skinner acabara de chegar. Um homem aproximou-se deles: _ Doutora Scully, Senhor Mulder, o Conselheiro de Defesa Skinner pediu-lhes que viessem a sua sala o quanto antes. Eles assentiram e Scully empurrou o carrinho da filha até sua mãe, pedindo que lhe chamasse no bip caso ela acordasse com fome. Mulder seguiu Scully até um elevador, que os levaria até a Ala de Defesa, onde ficava o escritório de Skinner. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Entraram em um escritório cheio de mapas da base e do exterior nas paredes. A secretária mandou que sentassem pois Skinner já estava vindo falar com eles. _ Mulder, Scully! _ disse Skinner, entrando e abraçando os agentes. Skinner estava com aparência cansada, mas sorria. _ Como vai, senhor? _ falou Mulder. _ Mulder, eu é quem devia lhe fazer esta pergunta, como você está? _ Bem, senhor. _ respondeu Mulder. _ Eu vi o que aconteceu no Oregon, Mulder. Eu não pude fazer nada para evitar. Eu queria ter podido ajudar... _ Eu sei, senhor. Não se preocupe. _ Scully, como vai a pequena Katherine? _ Está bem, com saudades do tio Skinner. _ respondeu ela sorrindo. Skinner sorriu. _ Eu vou tentar passar para vê-la hoje. Sentem-se. Os agentes sentaram nas cadeiras em frente à mesa de Skinner. _ Mulder, não sei se a Scully já falou com você a respeito disso mas quando você estiver recuperado eu gostaria que viesse trabalhar comigo na Ala de Defesa. _ Sim, senhor, ela falou algo a respeito. Eu ficarei honrado em trabalhar aqui. O quanto antes possível. _ Assim que quiser pode começar. Daqui a pouco teremos uma reunião para discutir os últimos eventos externos e, se você quiser pode juntar-se a nós. É uma oportunidade para começar a se familiarizar com o pessoal da Ala. _ Claro, vou estar lá. _ Senhor, alguma notícia dos Pistoleiros?_ perguntou Scully. _ A Ala de Comunicação está tentando entrar em contato com eles constantemente. Espero que tenhamos notícias em breve. Nesse momento alguns homens e mulheres começaram a entrar na sala para a reunião, cumprimentando Skinner e os agentes. _ Boa tarde a todos. _ saudou Skinner, que então dirigiu-se a Mulder e Scully. _ Se quiserem ficar serão bem vindos. _ Eu vou ficar, senhor. _ falou Mulder. _ Eu tenho que alimentar a Katherine e passar no Hospital. _ disse Scully levantando-se. Mulder achou estranho o fato de a parceira não permanecer para ouvir as notícias sobre os colonizadores. Ela nunca gostou de ser deixada de fora de nada. Depois perguntaria a ela. _ Bom, primeiro eu quero apresentar o mais novo membro do Conselho de Defesa, Fox Willian Mulder. Todos cumprimentaram Mulder e se apresentaram amistosamente. _ Senhor, alguma mudança na posição das naves colonizadoras? _ perguntou uma mulher sentada ao lado de Skinner na grande mesa redonda de reuniões. _ Não, Riggs, não houve mudanças nas posições, o que é uma boa notícia. Parece-me que inclusive estão chegando mais 5 naves aliadas dentro de alguns dias. _ Qual a opinião dos aliados quanto a essa permanência dos colonizadores nas mesmas posições? _ perguntou um homem de cabelos brancos sentado ao lado de Mulder. _ Quando estava na base da Virgínia nós tivemos uma reunião com os líderes dos aliados dessa região e eles acham que pode ser uma estratégia camuflada. Eles querem que pensemos que estão desistindo. Eu concordo com eles. McGregor? _ Sim, senhor? _ disse uma mulher sentada do lado oposto à mesa. _ Temos que avisar à Ala de Monitoramento para que verifique a possível chegada de novos armamentos dos colonizadores. _ Tudo bem, senhor. _ Na próxima reunião geral trataremos de possíveis medidas de defesa se isso se confirmar. Por enquanto é só, uma boa tarde para vocês. _ Walsh e Mulder, por favor fiquem que eu quero falar com vocês. Todos os outros deixaram a sala, só ficaram Mulder e um homem alto de óculos que falou: _ Sim, senhor? _ Eu gostaria que você mostrasse a Mulder o funcionamento dessa Ala. Coloque-o a par da frequência das reuniões, horários, pessoal, tudo. E explique o que ele quiser saber sobre o funcionamento da base.Ok? _ Claro, senhor. _ respondeu Walsh. _ Podem ir então. Mulder, mais tarde eu passo para ver a Katy. _ Tudo bem, senhor. No resto da tarde Mulder conheceu a Ala de Defesa e como seria o seu trabalho nela. Segundo Walsh, as alas funcionavam com total independência umas das outras havendo reuniões gerais sempre que necessário. Mulder descobriu que os Pistoleiros trabalhavam na Ala de Tecnologia da base que era incrível, com tecnologia humana e alien juntas. Toda a base era informatizada com interfones, computadores , captadores de luz solar e outros recursos. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Na hora do jantar, Mulder passou no Berçário para pegar a Katy e foi se encontrar com a Scully no restaurante. Encontraram-se na entrada e foram procurar uma mesa. O agente estava totalmente empolgado com o novo trabalho e contou à Scully como havia sido tudo. Skinner, que estava se dirigindo à saída do restaurante, aproximou- se. _ Boa noite Mulder, Scully. _ disse ele pegando Katherine no colo. _ Olá Katy! Sentiu falta do tio Skinner? A menininha olhava para ele sorrindo. _ Como ela cresceu! Está cada dia mais linda! E então, Mulder? Como está se saindo como pai? _ Estou aprendendo, senhor. _ respondeu o agente sorrindo enquanto Skinner devolvia Katherine ao carrinho. _ Que bom. Deu para conhecer o funcionamento de tudo por aqui, Mulder? _ Sim, o Walsh me mostrou o funcionamento das Alas e algo sobre a base também. _ Então tudo bem. Amanhã nos vemos na Ala pela manhã. _ Claro. _ Uma boa noite a vocês, eu tenho que ir. _ Boa noite, senhor._ responderam os agentes. Mulder e Scully acabaram de jantar e foram para casa. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Após fazer a filha dormir, Scully entrou no quarto e deitou-se ao lado de Mulder. _ Scully, por que você não quis ficar na reunião hoje? Você sempre detestou ficar de fora dessas coisas no Bureau... Ela aconchegou-se a ele e suspirou. _ Isso foi antes disso tudo acontecer, Mulder. Antes de eu ter a Katy... Eu acho que mudei. _ Como assim? _ Eu não estou aguentando mais participar dessas reuniões. Só se fala de estratégias de guerra, novos armamentos, naves que vão e que vem... Eu temo pela Katherine, Mulder. Pelo futuro dela. Sei lá, parece que é mais fácil eu ficar de fora e fingir que nada disso está acontecendo. Poder abraçar a minha filha sem pensar que amanhã poderá haver uma ataque à base e ... A agente começou a chorar. _ É normal você sentir medo, Scully. Eu sinto... Pela Katherine, por você. Mas nós precisamos saber o que está acontecendo para fazer o possível para evitar o pior... _ Mulder, eu queria que a nossa filha pudesse ter a infância que nós tivemos... Eu queria que ela pudesse correr na grama ao ar livre, brincar na areia da praia, mas o mais provável é que ela passe a infância confinada aqui. _ Vai dar tudo certo, Scully. Você vai ver... Pode levar um, dois ou dez anos mas um dia isso vai acabar e nós teremos a chance de reconstruir tudo lá fora. Um dia a nossa filha vai ter a oportunidade de olhar para o céu sem medo e ver as estrelas. Algo me diz que ela vai... Os agentes choraram juntos temendo pelo futuro da filha, que dormia tranquilamente no quarto ao lado alheia a colonizações, câncer negro, guerras e ataques. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte 2 XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Algumas semanas depois, Mulder já estava totalmente habituado ao novo trabalho. Estava feliz por estar trabalhando e por estar vivendo com Scully e Katherine. Sentia-se um tanto confinado às vezes na base mas tentava não pensar muito nisso. Chegou em casa após ter ficado até tarde numa reunião do Conselho e não via a hora de ver Scully e Katy. Mas pelo menos hoje teria ótimas notícias para dar a ela. O pequeno apartamento estava escuro com excessão do quarto do bebê. Entrou e sorriu ao ver Scully sentada na cadeira de balanço cantando suavemente para a filha. _ Oi. _ disse se aproximando e abaixando-se na frente das duas. _ Oi. _ respondeu Scully beijando-o. _ Como foi a reunião? _ Tenho boas notícias. _ falou enquanto beijava a cabecinha da filha. _ É? O quê? _ Os técnicos da Ala de Comunicação esperam conseguir entrar em contato com os Pistoleiros amanhã de manhã ! Scully sorriu. _ Oh, Mulder. Tomara que dê certo! _ Ao que tudo indica vai dar sim, eles estão conseguindo atingir a frequência do comunicador deles, então amanhã provavelmente teremos notícias! Eles se abraçaram e Mulder pôde perceber o quanto aquela notícia animara Scully. _ Mulder, você não sabe o quanto eles me ajudaram quando eu estava procurando você... Eles me deram força quando eu descobri estar grávida...Eles são ótimos amigos, eu estou super preocupada com eles. _ Os rapazes não se deixariam capturar tão facilmente. _ É. _ falou ela sorrindo. _ Eu vou rezar para que tudo dê certo. Os agentes sorriram, Scully colocou a filha no berço com cuidado para não acordá-la e Mulder apagou a luz. Depois, os dois saíram do quarto abraçados. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX No dia seguinte, Mulder foi logo cedo para a Ala de Comunicação. Ao chegar lá, os técnicos já estavam tentando estabelecer contato utilizando o comunicador de tecnologia extraterrena. _ Bom dia, Mulder. _ disse Frank, o técnico chefe. _ Bom dia. E aí? Estão conseguindo captar algo? _ Por enquanto nada mas estamos quase lá. De repente ouve-se um chiado pelo aparelho. _ Parece que pegamos algo! _ falou uma mulher com um fone de ouvido. _ Vou tentar digitalizar e aumentar o volume. O chiado aumentou de volume e começou a se trasnformar em vozes... Mulder levou um susto ao constatar que era Frohike. _ Chamando base de Maryland. Chamando base de Maryland. Estão na escuta? Um técnico pegou um microfone, digitou algo no computador e falou: _ Base de Maryland na escuta. _ Graças a Deus! Aqui é Frohike, nós precisamos de ajuda. _ Frohike? É o Sean. Onde vocês estão, cara? Estamos preocupados. Mulder fez um sinal para Sean pedindo para falar. O homem lhe passou o microfone. _ Frohike? _ Mulder? _ disse Frohike surpreso. _ Sim! Eu estou aqui! _ Meu Deus, Mulder! Como você está? _ Agora estou bem. Onde vocês estão? Estão bem? _ Nós estamos nos escombros de um prédio na entrada de Maryland, Mulder. _ Por quê? O que aconteceu? _ Olha, a situação não está boa. Nós perdemos contato com vocês pois nosso rádio foi danificado num ataque depois que nosso aparelho de camuflagem foi destruído. Tivemos que nos esconder aqui para tentarmos pedir ajuda. Não sei o que podemos fazer. Além disso o Byers foi ferido. _ O tempo de conexão está acabando Mulder _ avisou Frank. Mulder assentiu e voltou a falar no microfone. _ Nós daremos um jeito, amigo. Não se preocupe. Qual é a localização de vocês? Frohike passou a Mulder as coordenadas de onde eles estavam. Depois se despediram dizendo que tentariam entrar em contato de novo no dia seguinte. O agente agradeceu aos técnicos e foi falar com Skinner. Desde que chegara ali nunca ninguém lhe tinha mencionado esse aparelho de camuflagem e ele não tinha idéia do que seria. Estava aliviado por ter falado com o amigo mas preocupado pela situação deles. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX _ Bom dia, senhor. _ disse Mulder ao entrar no escritório do Conselheiro. _ Bom dia, Mulder. Alguma novidade? Me disseram que você tinha ido a Ala de Comunicação. _ Eu consegui falar com Frohike, eles estão num prédio abandonado e ele disse que não podem voltar pois os aparelhos de camuflagem deles foram destruídos. Skinner demonstrou preocupação quando Mulder mencionou os aparelhos. _ Senhor, o que são esses aparelhos de camuflagem? _ O único meio de sair da base sem ser interceptado pelos colonizadores, Mulder. Esses aparelhos confundem os sinais de transmissões dos viajantes para a base de modo que possamos manter contato sem que captem o sinal. Possuem eletrodos que são ligados ao corpo para evitar que os sensores de calor dos colonizadores nos encontrem, entre outros modos. É regra internacional das bases que ninguém pode deixá-la sem utilizar um aparelho desses. _ E nós ainda temos algum destes aqui? _ Sim, felizmente. Os Pistoleiros estavam estudando uma forma de fazer a manutenção dos aparelhos na própria base, sem ter que pedir a ajuda dos aliados. Mas ainda faltam muitos dados. Por sorte nós estamos com três aparelhos aqui na base ainda. _ Senhor, acho que deveríamos formar uma equipe para trazer os Pistoleiros de volta. _ Teremos que fazer isso, Mulder. E logo. Sem os aparelhos de camuflagem os Pistoleiros não tardarão a ser percebidos pelos colonizadores. Vou até a Ala do Exterior ver o que eles acham. Você vem? _ Sim. Eles discutiram o assunto com o Conselho da Ala do Exterior e eles concordaram com Skinner. Teriam que formar uma equipe para ir até lá. Mulder sentia que devia ir, devia isso aos Pistoleiros... Iria trazê- los de volta. Skinner tentou demovê-lo da idéia mas não conseguiu, resolveu que também iria. A equipe seria formada por três pessoas: Mulder, Skinner e Tom, da Ala do Exterior. Mulder só não sabia como contaria isso a Scully. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX _ Não, Mulder. Eu vou junto. Não posso deixar você ir lá fora. _ disse Scully com lágrimas nos olhos. Mulder tinha contado a ela assim que chegaram em casa após o jantar. Ela estava sentada na cama olhando para ele, ajoelhado em frente a ela. _ Scully, eu preciso ir... Eu devo isso aos Pistoleiros... _ Eu vou junto, Mulder. Se você vai, eu vou. _ E a Katherine, Scully. Ela precisa de você. _ Ela precisa de você também... _ Eu vou voltar em alguns dias. Nada vai acontecer, você vai ver. Scully começou a chorar e Mulder segurou o rosto da agente com as duas mãos, aproximando-se. Encostou sua testa na dela. _ Tudo vai dar certo, meu amor. _ Mas, na outra vez, Mulder... Você custou a voltar para mim... Eu não aguentaria passar por isso de novo. _ Você não vai ter que passar por isso de novo. Nós vamos com os aparelhos de camuflagem e com um rádio sobressalente. Poderemos entrar em contato um com o outro sempre. _ Mas... _ Eu prometo que tudo vai dar certo. Eu vou voltar em poucos dias para você e a Katy. Ele sentiu as lágrimas dela molhando o próprio rosto e o agente a beijou longamente, deitando-a na cama. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Na manhã do dia da partida, Scully acordou e não se moveu. Estava deitada no peito de Mulder ouvindo o som da sua respiração tranquila. Ela acariciou os cabelos dele imaginando como poderia ficar esses dias sem Mulder, tinha se acostumado a acordar todo dia aconchegada a ele, vê-lo nas refeições, dormir junto dele... Não sabia como iria aguentar. Olhou para Mulder e viu que ele a observava sorrindo. _ Bom dia. _ Bom dia, Mulder. _ disse ela com um sorriso triste. _ O que foi? _ Eu não sei como vou aguentar ficar sem você, Mulder. Só de pensar que hoje a noite você não estará aqui comigo... _ Não será por muito tempo, Scully. Em alguns dias eu volto. _ ele falou enquanto agradava o rosto dela com os dedos_ Eu te amo, sabia? _ Eu também te amo demais. Eles se beijaram e ouviram Katherine, que chorava no quarto ao lado. Scully fez menção de levantar e Mulder a impediu. _ Espere aqui que eu vou buscá-la. Ainda é cedo para levantar. Rapidamente ele voltou com a filha que usava um macacãozinho amarelo claro. _ Olha quem estava chamando pela mamãe querendo o café da manhã! _ Oi docinho! Mulder pôs a menininha no colo da mãe. Katy mamou avidamente enquanto Mulder agradava a cabecinha dela. _ Eu vou morrer de saudades de vocês. Vocês duas são tudo para mim. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX O dia se passou rapidamente, muitos preparativos tinham que ser feitos e a hora tão temida por Scully se aproximava rápido. Mulder, Skinner e Tom partiriam ao cair da noite. Ela olhou para a filha que estava em seu colo brincando com as mãos e rindo como se nada estivesse acontecendo. A porta do apartamento se abriu e Mulder entrou com ar preocupado sem nem ao menos fechar a porta. _ Está tudo pronto, vim me despedir...Você vai comigo até a entrada, não vai? _ Claro que sim, Mulder. Só tenho que esperar a minha mãe vir aqui para ficar com a Katy. Ela ligou dizendo que estava vindo. O agente aproximou-se delas e beijou Scully nos lábios, depois pegou a filha no colo segurando sua mãozinha e beijando-a. _ Docinho, papai vai ter que fazer uma viagem mas logo estará de volta. Cuide da mamãe, está bem? A menininha olhava intensamente para o pai como se realmente entendesse o que isso significava. Mulder sorriu para a filha que retribuiu com um sorriso luminoso, depois a colocou deitada no cercadinho entregando-lhe um brinquedo não sem antes dar-lhe um beijo na bochecha rosada. _ Antes de irmos para a entrada eu preciso te perguntar uma coisa. Ele a puxou e eles sentaram-se lado a lado no sofá. _ Scully, eu te amo demais e eu não quero ir sem antes te fazer este pedido: casa comigo? _ O que? _ Casa comigo, Scully? Quando eu voltar? Ela sorriu, como se só agora se desse conta do que ele estava dizendo. Acariciou o rosto de Mulder e disse: _ Claro, amor! Claro que eu me caso com você. Eles sorriram um para o outro com os olhos cheios de lágrimas e se beijaram. _ Scully, eu só sinto não ter uma aliança para te dar, mas um dia nós daremos um jeito nisso, está bem? Ouviram um barulho na porta e viram Maggie ali parada observando a cena sorrindo com lágrimas nos olhos. _ Desculpem, eu não pude deixar de ouvir..._ disse ela sorrindo meio sem jeito. _ Tudo bem, mãe. _ disse Scully sorrindo. Ela entrou, abraçou os dois agentes e falou: _ Eu estou muito feliz por vocês. E quero ser a primeira a lhes dar um presente de casamento. Dito isso, ela levou as mãos atrás da nuca e soltou uma correntinha de ouro onde pendia a aliança de casamento do marido depois, tirou a sua própria do dedo e segurou as duas juntas em uma das mãos. _ Não, mãe. Não faça isso, você não precisa..._ disse Scully percebendo o que a mãe pretendia fazer. _ Minha filha, eu quero fazer isso e tenho certeza de que seu pai faria o mesmo. Maggie segurou as mãos dos agentes e entregou-lhes as alianças. Mulder e Scully olhavam para Maggie emocionados. _ Esse é o meu presente e do seu pai, Dana, para vocês. Eu espero que essas alianças abençoem o amor de vocês assim como abençoaram o nosso. _ Obrigado, Maggie. _ disse Mulder. _ Obrigada, mãe. _ falou Scully. Maggie sorriu, levantou-se, pegou a neta no colo foi em direção ao quarto de Katherine, que agora dormia profundamente. Scully, emocionada, olhava para as alianças. Mulder segurou a mão de Scully e deslizou o anel no dedo dela. A agente pegou a outra e colocou-a no dedo de Mulder. Os anéis couberam perfeitamente nos dedos dos dois. Ambos olharam-se nos olhos e se beijaram demoradamente sem a necessidade de palavras. Depois,foram ao quarto da filha para que Mulder se despedisse de Maggie e Katherine. Saíram do apartamento abraçados e dirigiram-se a entrada, onde teriam que enfrentar o terrível momento da despedida. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Ao chegarem na entrada, Skinner e Tom já estavam lá. Skinner, conferindo os equipamentos com os técnicos e Tom, checando os suprimentos. A entrada era uma sala enorme com uma grande porta de algum tipo de metal desconhecido a Mulder que estava fechada. Só era aberta rapidamente para permitir a entrada e saída. Membros de Conselhos de cada uma das Alas estavam lá para desejar boa sorte aos viajantes e o clima era tenso, como sempre era quando alguém tinha que deixar a base. O mundo exterior era perigoso e imprevisível. Não tinham certeza das condições que encontrariam e, além disso, não havia veículos que pudessem ser usados sem chamar a atenção dos colonizadores então fariam o percurso a pé. Skinner aproximou-se dos agentes. _ Está tudo pronto. Partimos em quinze minutos. _ dito isto, afastou-se deixando-os sozinhos para que se despedissem. Mulder e Scully abraçaram-se com força e permaneceram assim por alguns minutos. _ Mulder, promete que vai se cuidar? Não se arrisque desnecessariamente, ok? _ Claro, não se preocupe. Amanhã mesmo tentarei entrar em contato com você pelo rádio. Vou sentir a sua falta, meu amor. _ Eu também, Mulder. Volta logo, tá? Eles beijaram-se. Ambos tinham lágrimas nos olhos. _ Eu amo você. _ disse Scully. _ Eu também te amo muito. Eles foram de mãos dadas até onde estavam Skinner e Tom. Técnicos colocaram os eletrodos dos aparelhos de camuflagem nos três, que depois vestiram as mochilas de equipamentos e suprimentos. A porta começou a abrir. Scully beijou Mulder mais uma vez e entregou-lhe a foto que estava no quarto de Katherine tirada no dia do nascimento da pequena. A mesma foto que Mulder havia visto quando conheceu a casa deles. Ele sorriu agradecido e seguiu os dois homens porta a fora. A porta fechou-se e Scully voltou para o apartamento rezando para que tudo desse certo. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Ao passar pela porta, Mulder só via escuridão. Seguindo o conselho de Skinner, o agente vestiu os óculos de visão noturna e pôde começar a se localizar. Estavam em uma mata. Havia muitas árvores, a maioria caídas ou queimadas. _ Segundo as coordenadas dos Pistoleiros temos que ir para o norte. _ disse Tom. _ Em quanto tempo chegaremos à cidade? _ perguntou Mulder. _ Se continuarmos nesse passo em cerca de três horas e meia estaremos lá. _ Skinner respondeu. Continuaram andando pela mata, onde só se ouviam ruídos de insetos. Nada mais. Após uma hora e meia de caminhada começaram a ouvir ruídos como de um avião, só que mais suaves. Mulder olhou para cima e viu uma nave pairando sobre eles. Não havia luzes acesas na nave. Provavelmente não a enxergariam se não estivessem com os óculos de visão noturna. Tom fez sinal para que se abaixassem. Ficaram ali, abaixados em meio as folhagens por meia hora, até que a nave se afastou, primeiro lentamente e depois com uma velocidade extraordinária, sumindo na escuridão. _ Era uma nave sentinela. _ disse Skinner. _ Será que nos perceberam? _ perguntou Tom. _ Acho que não, só não gostei do fato de encontrar uma nave sentinela tão perto da base. Isso não é bom. Depois avisaremos a Ala de Monitoramento. Vamos, é melhor continuarmos. _ falou Skinner. _ Será que estão preparando um ataque? _ disse Mulder com medo de que a resposta fosse afirmativa. _ Espero que não. _ disse Tom, preocupado. Skinner pegou um pequeno monitor de cristal líquido e o ligou, mostrando uma espécie de radar, que rastreava todas as naves em atividade na região em que eles estavam. Os três olharam para a tela e viram os pontinhos representando naves piscando. _ Os pontos que piscam numa frequência rápida são as naves dos colonizadores e os que piscam em frequência lenta são as naves aliadas. _ explicou Skinner. _ Onde está a nave que acabou de passar por nós? _ perguntou Mulder. _ As naves sentinelas dificilmente são captadas por radares. Não está aqui. _ respondeu Tom. _ Temos cinco naves inimigas na região e quatro naves aliadas. Vamos ter que nos preparar para um possível conflito. Mulder, está vendo a posição em que estão as naves? _ Skinner falava enquanto apontava para os pontos na tela traçando trajetórias com o dedo. Mulder assentiu. Realmente, do jeito que as naves estavam posicionadas pareciam estar assumindo posições de combate. Skinner desligou e guardou o aparelho e os três continuaram andando. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Scully deixou a entrada em direção a sua casa. Sentia um aperto no coração como o que sentiu quando Mulder a deixou para ir ao Oregon. Isso parecia ter acontecido há tanto tempo... Chegou em casa e encontrou Maggie sentada na sala esperando por ela. Vendo a filha chegar, Maggie levantou-se e abraçou Dana. _ Como você está, filha? _ Ainda não sei, mãe. Ainda não sei... Katy está dormindo? _ Sim, eu já a troquei e ela está dormindo como um anjo. Não se preocupe. Scully começou a chorar. _ Mãe, eu não sei o que eu vou fazer se algo acontecer a ele. Eu não quero passar por aquilo de novo... Eu não sei se posso, se aguento... _ Psssss, tudo vai dar certo, você vai ver. Ele voltou para você, não voltou? Em alguns dias ele estará de volta e nós inclusive teremos um casamento para planejar, está bem? Maggie agradou os cabelos da filha, que chorava. _ Eu estou com medo, mãe. _ Eu sei, eu sei. Venha._ disse Maggie levando a filha até o quarto_ Deite um pouco, descanse, isso vai fazer bem para você. Quer que eu fique aqui ? Scully deitou-se mesmo duvidando se conseguiria dormir. _ Não, mãe. Não precisa. Vá para casa, qualquer coisa eu te chamo. _ Promete? Não importa que horas sejam, tá? _ Prometo. Maggie beijou a testa da filha e saiu, encostando a porta. A agente fechou os olhos pensando em Mulder. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Mulder já tinha perdido a noção do tempo que estavam andando pela mata, agora já começavam a ver ao longe sinais da cidade. _ Skinner, acho que deveríamos acampar antes da entrada da cidade hoje. Não é seguro entrarmos lá com o dia amanhecendo. Deveríamos esperar até amanhã a noite._ falou Tom. _ Você tem razão, Tom. Amanhã a noite entraremos na cidade. _ disse Skinner. Continuaram andando até achar um lugar seguro . O agente pensava em como estariam Scully e a filha. Queria que encontrassem logo os Pistoleiros para que pudessem voltar para a base. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Scully acordou com o chorinho vindo do quarto da filha. Olhou no relógio: eram 5 da manhã,levantou-se e foi ver Katy. _ Oi docinho, está com fome? _ disse pegando a filha no colo. Sentou-se na cadeira de balanço e a amamentou. " Daqui a pouco o dia estará amanhecendo. Eles devem estar acampando."_ pensava. Após alimentar a filha, abraçou a pequena sentindo o cheirinho de bebê. _ Papai logo estará de volta, Katy. Você vai ver. Tudo vai dar certo. _ dizia mais para si mesma do que para a criança. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Os três homens passaram o dia no acampamento, descansando para a longa caminhada da noite. Se tudo desse certo chegariam lá no amanhecer do dia seguinte. No fim da tarde, reuniram-se para revisarem as rotas e coordenadas da localização dos amigos. _ Bom, entraremos na cidade assim que o sol se pôr. Iremos pelo subúrbio até a rua principal. Depois desceremos pela tubulação do esgoto até chegarmos em baixo do prédio em que os rapazes estão. _ falou Skinner. Mulder e Tom assentiram. _ Algum sinal da nave sentinela ? _ perguntou Mulder. _ Não, ainda bem. Eu chequei o radar agora a pouco e as posições em que as naves se encontravam ontem mudaram. Não me parece mais uma posição de combate. Apenas de espera. _ disse Tom. _ Isso é bom. _ falou Skinner. _ Temos que nos comunicar com a base. São quase 6 da tarde. _ lembrou Tom. _ Sim, vamos ajustar a frequência do rádio. _ falou Skinner. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Já eram quase 6 da tarde. Scully saiu correndo da Ala de Pesquisas em direção à Ala de Comunicação. Segundo todos haviam combinado, os três deveriam comunicar-se com a base todos os dias às 6. Se isso não ocorresse era sinal de que algo aconteceu a eles e uma equipe de resgate sairia. Entrou na Ala e foi logo para a sala do rádio. _ Oi Frank, já conseguiram a comunicação com eles? _ Ainda não mas estamos quase lá. _ disse ele entretido digitando códigos no computador. Ela sentou-se e ficou esperando juntamente com várias pessoas de outras alas, que também esperavam notícias dos três. De repente, o ruído que saía dos alto-falantes foi transformando-se em vozes. _ Base de Maryland, Base de Maryland, estão na escuta? Aqui é a equipe de resgate aos Pistoleiros. Era a voz de Skinner. Uma técnica pegou o microfone. _ Aqui é base de Maryland. Como estão? _ Está tudo bem, esperamos entrar na cidade assim que anoitecer. Scully está aí? A mulher passou o microfone para Scully. _ Estou aqui, senhor. _ Scully? _ era Mulder. _ Mulder, que bom ouvir sua voz! _ Também é muito bom ouvir a sua. Como estão você e Katy? _ Estamos bem, com saudades de você. _ Eu também. Dê um beijo nela por mim. _ Claro. _ Há alguém aí da Ala de Monitoramento, Scully? _ Sim, eu vou passar o microfone para a Conselheira Hawkins. Se cuida, tá? _ Pode deixar. Ela passou o microfone para a Conselheira da Ala de Monitoramento Hawkins. _ Hawkins falando. Dessa vez Tom respondeu. _ Hawkins, ontem vimos uma nave sentinela próxima a base. É bom vocês ficarem de olho. _ Entendido, Tom. Ficaremos de olho. Não se preocupem. Alguma outra atividade anormal? _ Naves em posição de combate ontem. Novas posições hoje. Mas agora de espera, ao que parece. _ Tudo bem. Frank fez sinal de que o tempo estava se esgotando. _ Temos que cortar a comunicação, Tom. Boa sorte para vocês. _ falou a técnica, que tinha pego o microfone. _ Obrigado. Dessa vez, as vozes transformaram-se em ruídos e a comunicação se desfez. Todos começaram a se retirar assim como Scully. Mais aliviada por ter falado com Mulder, mas ao mesmo tempo preocupada com a entrada deles na cidade esta noite. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Mulder estava feliz por ter falado com Scully. Era bom ter notícias dela e de Katy. Estava escurecendo rápido, os três homens desmontaram acampamento e colocaram as mochilas nas costas, preparando-se para a incursão na cidade. Andaram por uma hora e meia e a cidade pôde ser visível. Mulder sentiu-se aterrorizado. A cidade não passava de ruínas semi- destruídas. Era como um cenário de pós-guerra. Era assustador. Andaram pelo o que teriam sido calmas ruas de subúrbio daquelas cheias de casas com um grande jardim na frente, agora montes de destroços.O agente pensou no que teria acontecido com as pessoas que moraram ali. Teriam conseguido salvar-se? Ir para uma das bases? Poderiam ter sido capturadas? Não havia como saber. Esse pensamento parecia dominar todos os homens, que andavam em silêncio, como um sinal de respeito com o lugar. Já se passavam três horas desde que começaram a incursão na cidade quando o silêncio foi quebrado por um estrondo muito forte juntamente com o que pareceu ser um terremoto. _ Corram!!! _ gritou Skinner. Mulder seguiu correndo os dois homens e os três abrigaram- se dentro do porão de uma das casas, que felizmente encontrava-se parcialmente conservado. Acharam uma pequena janela e puderam enxergar o que se passava lá fora: uma nave em chamas estava caída a alguns metros de onde se encontravam. Uma outra nave aproximou-se da primeira e disparou uma espécie de raio, que causou uma explosão. Mulder, Skinner e Tom abaixaram-se protegendo os rostos quando a janela por onde olhavam se estilhaçou e tudo tremeu ao redor deles. A nave que disparara afastou-se rapidamente. Depois disso, só podiam ouvir o barulho das chamas que consumiam a nave caída. _ Meu Deus, o que foi isso? _ perguntou Tom. _ Parece que nossos aliados destruíram uma nave dos colonizadores. _ disse Skinner _ Vocês estão bem? Tom e Mulder assentiram com a cabeça. _ Será que há mais naves na região? Os colonizadores poderão querer se vingar ..._ disse Mulder _ Você tem razão, Mulder. _ disse Tom com ar preocupado. Skinner pegou o monitor para que pudessem checar pelo radar a presença de outras naves. _ Droga, têm duas naves inimigas vindo nessa direção. _ falou Skinner_ Não é seguro sairmos daqui hoje. Teremos que esperar as coisas se acalmarem. _ Algum sinal de naves aliadas? _ perguntou Mulder. _ Não, pelo menos por enquanto. Vamos ficar monitorando o radar em todo o caso. _ respondeu Skinner. Ouviram um barulho e voltaram-se para o buraco onde antes havia o vidro da janela. Puderam ver uma das naves pousando enquanto a outra mantinha-se planando sobre o local. _ Algo me diz que isso vai ser interessante. _ falou Skinner_ Mulder, você está prestes a ver como são nossos "amigos" colonizadores. Peguem os binóculos de visão noturna. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX PARTE 3 XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Scully acordou sobressaltada. Olhou no relógio: eram 2 da manhã. Estava com uma sensação ruim. Levantou-se e foi ver como Katherine estava. Entrou no quarto da filha e constatou que o bebê dormia tranquilamente. Pegou a criança no colo e a levou para o quarto dela. Iria colocá-la para dormir com ela hoje. Deitou novamente na cama dessa vez ao lado da filha. "Está tudo bem, essa sensação ruim só pode ser fruto das preocupações com Mulder. Ele está bem. "_ pensou. Beijou levemente o bebê e fechou os olhos, fazendo uma prece pelo seu amor. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Já com os binóculos, os homens ficaram a observar a movimentação no local da queda. A nave pousada permaneceu parada por algum tempo emitindo luzes de diferentes cores até que começou a fazer um ruído estridente. Tom sorriu para Mulder: _ Prepare-se, meu amigo que a lata de sardinha está abrindo! Mulder deu um sorriso nervoso e voltou sua atenção para a nave. Finalmente iria ver como eram os seres nos quais sempre quis acreditar. Ainda não sabia o que havia acontecido nesse tempo em que ficou fora e não tinha nenhuma lembrança se tinha encontrado seres de outros planetas ou não. Uma espécie de porta parecida com uma escotilha começou a abrir lentamente na nave, ao mesmo tempo que uma rampa parecia formar-se do nada ligando a porta até o chão. A respiração de Mulder tornou-se difícil. Seu coração batia descompassadamente. De repente, um ser apareceu na porta da nave. Devido às luzes que emanavam do interior do aparelho, só se podia ver sua sombra. A medida que o ser descia pela rampa, Mulder pôde perceber seus contornos. A criatura tinha uma grande cabeça, enormes olhos negros e, apesar de ao que parece estar usando uma roupa de proteção, dava para perceber que era extremamente esguio. O agente mal pôde acreditar que estava vendo aquilo que sempre soube existir. A criatura segurava um pequeno aparato com os grandes dedos, o qual direcionou em direção à nave caída. _ Eles estão vendo se há algum sobrevivente, é para isso que esse aparelhinho serve. _ disse Tom. _ Como vocês conhecem tanto esses aparelhos deles? _ perguntou Mulder. _ Nossos aliados nos informam sobre a tecnologia dos colonizadores nas reuniões. _ respondeu Skinner. Mulder tinha mais perguntas para fazer mas resolveu deixá- las para depois. Os dois homens estavam observando a movimentação de fora e o agente preferiu não atrapalhar. O extraterrestre, após vinte minutos aparentemente finalizou sua tarefa na nave caída pois entrou novamente pela porta da nave de onde tinha saído. A rampa assim como apareceu, sumiu e a porta se fechou. Um ruído como o de uma turbina de avião pôde ser ouvido enquanto a nave deixava o chão, depois o ruído cessou e a nave emitiu um laser que destruiu a nave caída. Os três homens tiveram que se abaixar devido à força da explosão. Depois, a nave foi embora com uma velocidade incrível. _ Nossa! _ disse Tom _ Essa foi das grandes! _ Com certeza! _ falou Skinner. _ Será que eles destruíram a nave para que ninguém se aproveite da tecnologia que há no interior dela? _ Sim, Mulder. É um procedimento padrão deles. Aliás, tanto deles quanto dos nossos aliados. Pura estratégia de guerra. _ disse Skinner. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Mulder, Skinner e Tom permaneceram escondidos por umas duas horas até acharem seguros seguir adiante. Esse atraso talvez lhes custasse uma noite de viagem. Passaram perto do local onde antes estava a nave caída. Ainda havia muita fumaça e o que antes fora a nave agora eram destroços espalhados pelo chão. _ Vamos começar a procurar um lugar para nos escondermos durante o dia pois já irá amanhecer. _ disse Skinner. Os dois homens assentiram. Teriam que ser rápidos pois a tonalidade do céu já estava se modificando, anunciando que o nascer do sol estava próximo. Acharam escombros de uma igreja e lá entraram. Seria um bom esconderijo. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Scully acordou com os barulhinhos da filha, que resmungava em sua língua de bebê. Sentou na cama e amamentou a criança. Sentia- se aliviada, como se tivesse certeza de que Mulder estava bem, como se o perigo tivesse passado. Pelo menos por enquanto. Esperaria até o fim da tarde para saber notícias e poder falar com ele novamente. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Durante o dia, os homens procuraram dormir, entretanto Mulder não conseguia pegar no sono. Pensava em como sua família estaria. Pegou a foto que Scully tinha lhe dado e ficou a observá-la. Scully tinha a aparência cansada, afinal tinha acabado de dar a luz, mas sorria. O bebê em seu colo tinha a pele vermelhinha devido ao pouco tempo de vida e dormia tranquilamente agarrando o dedo da mãe com a mãozinha. Mulder pensou em como gostaria de ter estado presente nesse dia e em todos os dias da vida da filha mesmo antes de nascer. Queria ter tido a oportunidade de senti-la chutando dentro da barriga de Scully, de ter acompanhado as modificações no corpo dela, desde o início da gravidez. Pensou se algum dia eles teriam outro filho para que pudessem curtir juntos esses momentos. Mas, de qualquer forma faria de tudo para ser um ótimo pai para Katherine, presente em todos os momentos daqui para a frente. Sorriu com a oportunidade de vê-la dando os primeiros passinhos e pronunciando as primeiras palavras. Com um leve sorriso no rosto e segurando a foto com força, adormeceu. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Mulder acordou com a movimentação dos companheiros, que já estavam de pé e começavam a preparar algo para comerem. Olhou no relógio: 4 da tarde. Daqui a pouco poderia falar com Scully. _ Mulder, venha comer algo. _ disse Skinner. O agente juntou-se aos homens na refeição e os três discutiram os planos e as rotas para esta noite. Mulder lembrou das perguntas que tinha em mente na noite anterior e achou que era um bom momento para puxar assunto. _ Skinner, ontem você falou de reuniões com os aliados... Onde elas ocorrem? _ De vez em quando eles nos convocam para essas reuniões, que costumam ocorrer nas maiores bases da região. Quando cheguei daquela viagem na base logo que você retornou eu tinha ido a uma dessas reuniões. _ E como eles são? Parecidos com os colonizadores? _ Não. Os aliados não tem um corpo físico propriamente dito. São feitos de energia. Eles assumem forma humana para as reuniões, e é assim que os vemos. Se eles não o fizessem não os veríamos, seriam transparentes aos nossos olhos. Mulder ficou impressionado com o nível evolutivo dos aliados. _ Quando houver outra reunião você pode ir como meu assessor, se quiser. _ disse Skinner, conhecendo o interesse do agente pelo assunto. _ Claro que quero! _ respondeu Mulder sorrindo. Após comerem, prepararam o equipamento para partirem. O sol já estava começando a se pôr quando Tom anunciou que começaria a sintonizar a frequência do rádio para a comunicação. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Scully chegou à Ala de Comunicação e novamente a encontrou cheia de pessoas querendo saber como a missão estava indo. A técnica já segurava o microfone. O rádio já estava sintonizado na frequência deles. Agora era só esperar. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX _ Base de Maryland, chamando Base de Maryland. _ Tom falou no pequeno microfone. Mulder e Skinner estavam do lado dele ansiosos. _ Aqui é Base de Maryland. Carol na escuta. _ Oi Carol, aqui é Tom. _ Como vão? _ Bem, tivemos uns contratempos e estamos um tanto atrasados com a missão mas fora isso está tudo bem. _ O que aconteceu? Tom relatou o ocorrido na noite anterior e depois passou o microfone para Mulder. _ Mulder? _ Scully, como você está? E a Katy? _ Estamos bem, Mulder? E você? Vocês têm certeza de que não foram vistos pelos colonizadores? _ Eles não nos viram, Scully. Não se preocupe, está tudo bem. _ Sinto sua falta. _ Eu também. Mas eu voltarei logo, assim que chegarmos aos Pistoleiros, o que deve acontecer hoje a noite se não houver nenhum empecilho. _ Tome cuidado, está bem? _ Pode deixar. Te amo. Scully sorriu com o microfone na mão, por um momento esqueceu que era observada por todos na sala. _ Eu também te amo. Estou... Ouviu-se um ruído e a comunicação foi cortada. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX _ Perdemos o sinal!!! _ disse Carol, uma das técnicas de comunicação. _ Algum problema? Aconteceu algo de errado com eles? _ perguntou Scully, preocupada. _ Não, provavelmente foi apenas uma queda no sinal. _ disse Carol pegando o interfone. _ Alô, Ala de rastreamento?...Sim, é a Carol... Preciso que vocês rastreiem o sinal código 2555463-966540S ...Ok, eu espero. Carol desligou o interfone e dirigiu-se às pessoas na sala, que a olhavam ansiosas. _ Eles estão rastreando o sinal deles agora. Deve estar tudo bem. Vamos esperar. Scully fechou os olhos procurando se acalmar. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX _ O que foi isso? _ perguntou Mulder ao perceber o corte na comunicação. _ Uma nave está entrando no radar. Isso deve ter causado a interferência. _ disse Skinner com o aparelho na mão. _ Colonizadores? _ perguntou Tom. _ Não. Está tudo bem, são os aliados. Não se preocupem, vamos esperar o anoitecer e andar o mais rápido possível. _ falou Skinner. _ É isso aí. _ disse Tom. Os homens levantaram acampamento e ficaram esperando que a noite caísse. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX O barulho do interfone fez com que todos se sobressaltassem. _ Aqui é Carol... Sim... Que ótimo... Obrigada, qualquer coisa eu aviso. _ a técnica desligou o interfone e sorriu. _ Está tudo ok! O sinal deles está forte e claro no radar. Não há com o que se preocupar. Eles disseram que o corte no sinal foi provocado pela entrada de uma nave aliada no espaço aéreo. Todos respiraram aliviados. Scully levantou-se e foi para casa, mas sabia que só ficaria mais tranqüila quando falasse com Mulder, no dia seguinte. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Os três homens chegaram ao ponto em que teriam que descer pela tubulação de esgoto. Abriram a tampa e entraram, um atrás do outro no lugar úmido e escuro. O cheiro era desagradável e eles andavam rápido, para poderem sair o quanto antes daquele lugar. Foram seguindo o mapa e já eram quase 3 da manhã quando chegaram em baixo do prédio onde estavam os Pistoleiros. _ É aqui. _ disse Skinner. Eles olharam-se preocupados torcendo para que encontrassem os amigos bem e começaram a abrir a tampa do bueiro. Subiram. O que restava do prédio eram só escombros. Era como se um terremoto terrível tivesse atingido o local. Andaram por entre os entulhos tentando ouvir algo, mas o que ouviam era só silêncio. Foram entrando vendo o que sobrou do que antes foram os apartamentos. A visão era desoladora. Móveis quebrados, roupas pelo chão, um ar de tristeza. Mulder ouviu um barulho vindo de um canto. _ Tom, Skinner, tem algo ali. _ sussurrou. Skinner acendeu a lanterna_ que até então estava desligada pois utilizavam os óculos de visão noturna_ e apontou para o local indicado por Mulder. Um enorme rato branco saiu correndo de lá, surpreendendo- os. _ Não se assustem, é só o Elvis. _ disse alguém atrás deles. Os três homens viraram-se. Ali estava Frohike, sorrindo. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Os amigos abraçaram-se e ficaram muito felizes por estarem se vendo novamente. Os três homens foram seguindo Frohike, que levava seu rato branco de estimação no ombro até onde os Pistoleiros estavam escondidos. _ Como está, Mulder? _ Bem. E vocês? Como estão Byers e Langly? _ Byers está melhor, já está podendo andar e Langly está bem. Como estão Scully e a pequena Katy? _ perguntou Frohike com um sorriso no rosto que foi logo retribuído por Mulder. _ Estão ótimas... _ Foi uma surpresa e tanto, não foi? _ Foi uma surpresa maravilhosa! Frohihe deu um tapinha nas costas do amigo e dirigiu-se a uma porta no fim do corredor. _ É aqui. Os quatro entraram no que antes fora a lavanderia do prédio. O lugar agora parecia uma espécie de alojamento, com colchões, suprimentos e lanternas. Langly logo apareceu, seguido por Byers,que mancava. Os dois correram para cumprimentar Mulder. Depois, fizeram uma refeição rápida e conversaram, havia muito para contar. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Logo cedo Scully foi chamada a comparecer ao laboratório, haviam novidades sobre a vacina, ao que parecia. Chegando lá, encontrou algumas pessoas que nunca tinha visto conversando com o Conselheiro da Ala de Pesquisas. Eram dois homens e duas mulheres de aparência cansada. Aproximou-se do grupo tentando fazer com que notassem a sua presença. _ Dra Scully, estes são Nick Dyne, Mary Bline, Suzanne LaSalle e Victor Sange. Eles trabalham com a pesquisa da vacina na base do Novo México e chegaram hoje com novidades. Scully cumprimentou todos. _ Bom, acho que vocês devem estar cansados da viagem. Vou mandar alguém levá-los aos seus quartos e, enquanto vocês descansam eu intero a Dra Scully do que conversamos, está bem? _ disse o Conselheiro Fiennes. Todos concordaram e se despediram, seguindo o assessor do Conselheiro até os quartos. _ Você sabia que eles viriam, Fiennes? _ perguntou Scully. _ Não, eles chegaram há duas horas, de surpresa. Parece que a base deles no Novo México corria perigo e eles tinham que fugir com as amostras para um local seguro. _ Amostras? Da vacina? Por que nós daqui não sabíamos que existiam amostras? E o pacto de cooperação entre bases? _ Parece-me que eles já estavam violando este pacto há algum tempo... _ Onde estão as amostras? Puxa, pessoas morreram sem ter acesso a vacina e eles a tinham... _ disse Scully. _ Elas estão em um recipiente refrigerado, temos que esperar cinco horas para que as amostras descongelem e possamos analisá- las. E não saberemos de muita coisa até conversarmos com eles. Ao que me pareceu essas amostras ainda são protótipos, não sei se já foram feitos todos os testes. _ O que eles contaram? _ Apenas disseram que fugiram pois a base estava para ser atacada. Como a base do Novo México é uma base extritamente de Pesquisas, os poucos residentes que ali residiam foram levados para o abrigo anti- bombas e estão para serem transferidos para a base do Texas. Eles disseram que vieram para cá porque queriam despistar os colonizadores... _ Fiennes, eu tenho que ver alguns pacientes agora. Quando eles acordarem me chame pelo bip, está bem? _ Claro. Scully saiu de lá com uma sensação ruim, esses novos visitantes poderiam atrair os colonizadores, que devem estar atrás da vacina. Isso não era nada bom... XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Mais ou menos às 3 da tarde, Scully foi chamada novamente ao laboratório. Chegou lá e encontrou Fiennes mexendo em algumas provetas. _ Scully, as amostras estão praticamente descongeladas e os quatro cientistas estão vindo para cá nesse momento. Eles terão muito o que explicar. A agente pegou uma das provetas e olhou o líquido azulado que havia dentro. "Será que estou segurando a verdadeira cura, a esperança para a humanidade? " _pensou. Os quatro cientistas chegaram e todos sentaram-se em volta da mesa da pequena sala de reuniões anexa ao laboratório nível 4. LaSalle, uma mulher alta, de cabelos loiros aparentando ter uns quarenta anos começou a falar: _ Bem, eu sou a Conselheira da Ala de Pesquisas na base do Novo México e essa é a minha equipe. Em primeiro lugar eu preciso que vocês saibam que não rompemos o pacto de cooperação entre bases, todas as medidas que tomamos foram extremamente necessárias. _ Como não romperam? Vocês tinham as amostras da vacina, pessoas morreram pela falta dela, contaminados com o câncer negro! Nós nem sabíamos que existiam essas amostras! _ falou Fiennes indignado. _ Deixe eu explicar, Dr Fiennes. _ disse calmamente a mulher. _ Há muito a ser dito aqui hoje. Ele assentiu, procurando manter a calma. La Salle continuou. _ Há cinco meses fomos procurados pelos aliados e eles nos trouxeram um tubo de ensaio com uma amostra de DNA dos colonizadores. Disseram que se quizéssemos ter algum resultado na busca pela vacina, deveríamos trabalhar em cima dessa amostra e não poderíamos contar a niguém de outras bases. Perguntamos o por quê e eles responderam que estavam nos entregando essa amostra em sigilo absoluto pois estavam violando leis alienígenas que dizem que o DNA de seis bases nitrogenadas deles não pode ser entregue a nenhum ser com DNA inferior, de quatro bases, como o nosso. Tudo isso para evitar a criação de híbridos e clones não naturais. Mas, querendo nos ajudar e sabendo que os colonizadores há muito fazem experiências genéticas desse tipo, resolveram entregar essa amostra para nós, embora não pudessem ajudar mais do que isso. Após meses de um exaustivo trabalho, conseguimos criar um protótipo, que é o que está ali no laboratório. Precisamos fazer testes ainda mas acreditamos estar no caminho certo. _ Por que a base de vocês corre perigo? A informação vazou? _ perguntou Scully. _ O quinto membro de nossa equipe, foi abduzido pelos colonizadores e achamos que ele contou algo. Provavelmente sob tortura ou técnicas de hipnose. Acreditamos que esteja morto. _ disse a cientista com tristeza. _ Sinto muito. _ disse Fiennes. _ Que testes ainda precisam ser feitos? A cientista começou a explicar os testes e sentiu uma súbita tontura. Todos levantaram para ajudá-la. _ Você está bem? _ perguntou Scully. _ Sim, acho que é cansaço da viagem... O caminho para cá não foi nada fácil... _ Entendo. _ disse Fiennes. _ Acho que podemos deixar o resto da conversa para amanhã. Vocês podem ir descansar. Eu e a Dra Scully iremos analisar as amostras se vocês não se importarem. _ Não, tudo bem. _ disse LaSalle._ As anotações das fórmulas estão aqui. A cientista passou à Scully uma pasta e se retirou apressadamente da sala acompanhada de sua equipe, deixando Scully e Fiennes sozinhos. _ Scully, são quase 6 da tarde, se você quiser ir até a Ala de Comunicação eu vou começando as coisas por aqui. _ Tudo bem, Fiennes. Eu volto em uma hora. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX _ Base de Maryland, Base de Maryland, aqui é Skinner. _ ouviu-se pelo rádio pouco depois das 6. _ Sim, aqui é Base de Maryland. Como estão? _ disse a técnica. _ Perdemos a comunicação com vocês ontem... _ Sim, foi uma nave aliada, está tudo bem. Encontramos os Pistoleiros! Todos na sala vibraram com a notícia. Scully pediu o microfone e a técnica pediu que Skinner chamasse Mulder. _ Scully? _ Mulder, você está bem? Como estão os Pistoleiros? _ Está tudo bem, Scully. Eles estão bem. Sairemos daqui amanhã a noite. Daqui a alguns dias estaremos aí! Dê um beijo na Katy por mim, tá? _ Pode deixar. Scully saiu da Ala de Comunicação mais aliviada por ter falado com Mulder. Não mensionara a chegada dos cientistas para não preocupar os homens que já teriam que enfrentar uma viagem dura. Amamentou a filha, que estava aos cuidados de Maggie e foi ao laboratório. Teriam muito trabalho pela frente. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX PARTE 4 XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX _ Fiennes, descobriu algo? _ perguntou Scully ao entrar no laboratório e ver o Conselheiro vendo algo ao microscópio. _ Scully, acho bom você dar uma olhada nisso. _ disse ele ligando a televisão conectada ao microscópio. A agente ficou estarrecida ao ver inúmeras células se regenerando com uma velocidade incrível. _ Meu Deus! _ Eu coloquei um pouco da vacina numa amostra de tecido contaminado com o câncer negro e é impressionante o resultado! _ Eu nunca vi algo assim, Fiennes! Parece que a vacina realmente funciona afinal! _ Mas não sabemos ainda o seu efeito num humano contaminado. Ainda faltam muitos testes infelizmente... _ Então vamos trabalhar. _ disse Scully abrindo o refrigerador e tirando umas provetas com amostras. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Os seis homens estavam comendo algo e conversando sobre a viagem de volta. _ Eu já ajustei os aparelhos de camuflagem extra que trouxemos com a freqüência de vocês. _ disse Tom aos Pistoleiros. _ Acho que não haverá nenhum impedimento de partimos ainda esta noite para a base. _ Tomara que não, estou ansioso para voltar. _ disse Byers. _ O Elvis está louco para conhecer a base, né Elvis? _ disse Frohike para o rato que estava roendo um pedaço de pão no chão. Todos riram e Skinner falou apontando para Mulder: _ E vocês estão sabendo que teremos um casamento assim que voltarmos? Os três Pistoleiros olharam ao mesmo tempo para Mulder. _ Sério? _ disseram em uníssono. _ É..._ disse Mulder sorrindo e mostrando a aliança em seu dedo. _ Não tinham visto? _ Não... Puxa, parabéns, cara! _ disse Byers. _ É, parabéns! Até que enfim um de nós vai desencalhar afinal!_ disse Frohike. _ Espero que a minha camiseta-smoking esteja em bom estado! _ disse Langly. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Scully tinha acabado alguns testes e estava indo ver Katherine e amamentá-la. Saiu do laboratório e foi andando pelo corredor em direção à Ala da Escola quando deparou-se com o Dr Sange, que estava sentado numa cadeira perto da porta da Ala de Pesquisas. Ele estava segurando a cabeça com ambas as mãos e suava muito. _ Dr Sange? Está se sentindo bem? _ perguntou Scully preocupada. _ Ahn? _ o cientista a olhou confuso como se só nesse momento percebesse a presença de Scully._ Ah, sim. É só uma indisposição, não se preocupe. _ Tem certeza? Parece que está com febre... _ Claro, não é nada. Deve ser um resfriado.Vou deitar um pouco e daqui a pouco estarei novo em folha._ falou ele levantando-se rapidamente. _ Se quiser passe no Hospital depois. _ Tudo bem, obrigado, Dra Scully. Mas daqui a pouco passa. Ele acenou para ela e foi rapidamente pelo corredor em direção ao elevador. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX A agente saiu do laboratório depois das 8 da noite. Estava cansada mas contente por ter falado com Mulder e pela notícia de que ele estava a caminho. Já não aguentava de saudades. Foi em direção ao apartamento da mãe para buscar a filha. Maggie abriu a porta com um sorriso misterioso no rosto. Estava escondendo algo. _ Oi mãe. _ disse Scully beijando Maggie. _ Que sorriso é esse? _ Tenho uma surpresa para você. _ falou Maggie dando espaço para que a filha entrasse. Katy dormia profundamente no carrinho. Scully a beijou e sentou no sofá. _ O que é, mãe? _ perguntou intrigada. A mãe pegou uma caixa de cima da mesa e entregou a Scully. _ Abra e veja! A agente olhou para a mãe curiosa e abriu a caixa. Era um corte de seda de cor pérola. _ Mãe! _ falou ela com lágrimas no rosto. _ Imagine se eu não iria providenciar um vestido de noiva da minha própria filha! Você está o dia todo naquele laboratório, daqui alguns dias o Mulder estará de volta e eu não vi você tomar uma só providência para o casamento._ depois disse dando de ombros._ Resolvi dar uma mãozinha... _ Ah, mãe! Obrigada! _ disse Scully abraçando a mãe. _ Mas... como você conseguiu? _ Nada de perguntas, presente é presente. Amanhã você tem que passar aqui em casa para conversar com a Charlotte. Ela vai fazer o vestido. Eu falei para ela vir aqui depois das sete para você escolher o modelo e tirar as medidas, tá? _ Estarei aqui. _ a agente abraçou a mãe. _ Estou com tantas saudades dele, mãe... _ Eu sei, minha filha. Mas ele já está voltando, logo vocês estarão juntos de novo! Katherine acordou e começou a chorar. _ Fome. _ disse Dana pegando a filha no colo._ Pronto, docinho. Mamãe está aqui. Prontinho. Maggie e Scully ficaram conversando enquanto Scully amamentava. Depois Scully e a filha foram para casa. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Os seis homens começaram a jornada de volta para a base. Esperavam fazer o trajeto em no máximo três ou quatro dias mas, para isso, não poderiam ter nenhum tipo de contratempo no caminho. Andaram a noite inteira e, ao nascer do sol, esconderam-se em uma casa abandonada. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Scully abriu os olhos lentamente. Já era manhã. Sorriu ao pensar que a cada manhã que chegava ficava mais próxima a volta de Mulder. Pensou em como era diferente de uma época em que ela acordava todo dia de manhã sem saber quando, como ou se o parceiro voltaria. Ouviu o choro da filha no quarto ao lado e levantou-se. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX A agente chegou ao laboratório depois de ter passado no Hospital para ver seus pacientes. Lá estavam Fiennes e LaSalle discutindo. _ Precisamos de mais testes, não há como ter certeza de que a vacina é 100% segura! _ dizia Fiennes. _ Veja bem, nós não temos tempo. Eu conversei com minha equipe e achamos que é hora de arriscar. Temos que achar a dosagem ideal e começar a produção! Fiennes percebeu a presença de Scully. _ Scully, venha aqui dar a sua opinião. A Dra LaSalle quer que comecemos a produção da vacina imediatamente. _ Bem, eu acho arriscado. Ainda não foram feitos testes suficientes e nós correríamos o risco de haverem reações adversas sérias. LaSalle olhou feio para Scully ao perceber que ela não seria uma aliada. _ Está vendo, LaSalle? Temos que ser racionais! _ disse Fiennes._ Além disso não há ninguém infectado no interior dessa base e no momento não temos notícias se há alguém infectado em outras bases. LaSalle tomou fôlego e gritou furiosa: _ Mas nós temos que nos prevenir! E se amanhã aparecessem pessoas infectadas? E se um de vocês descobrisse que está infectado? O que vocês poderiam fazer? Nós temos que agir o mais rápido possível!!! Fiennes e Scully se entreolharam. Scully falou calmamente: _ Dra, em primeiro lugar não chegaremos em lugar nenhum discutindo dessa maneira. Em segundo lugar, acho improvável alguém aparecer infectado do dia para a noite em uma base em que não há ninguém carregando o vírus. A cientista respirou fundo e tentou recompor-se. _ Me desculpem. Eu não devia ter gritado. Eu acho que estou um pouco estressada. Com licença. _ ela foi até a porta e, antes de sair, virou-se e falou:_ Me desculpem novamente. _ Meu Deus, o que deu nela? _ perguntou Fiennes visivelmente aborrecido. _ Não sei, Fiennes. Mas algo não está certo por aqui...Eu estou com um pressentimento de que há algo de errado nessa história. _ Como assim, Scully? Scully resolveu não alarmar ainda mais o colega, que já estava aborrecido, com uma desconfiança sobre a qual não sabia se tinha fundamento. _ Não é nada, Fiennes. Acho que é bobagem minha. Vamos aos testes? _ Vamos! _ falou ele já colocando umas amostras na centrífuga. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Após falar com Mulder na Ala de Comunicação, Scully foi ao Hospital e depois até a casa da mãe. _ Oi, mãe! _ disse ela ao ver a mãe abrir a porta com a neta no colo. _ Como está, filha? Você está um pouco abatida. _ Tudo bem, só estou um pouco cansada._ viu que Katy sorria para ela com os bracinhos erguidos._ E o docinho da mamãe? A garotinha riu e praticamente se jogou nos braços da mãe, que foi sentar-se no sofá com o bebê no colo. _ Como ela passou hoje, mãe? _ Ótima! Chegamos agora a pouco da Ala da Escola. Alguém bateu na porta e Maggie levantou-se para atender. Scully levantou com a filha e foi até a porta também. _ Oi Charlotte! _ disse Maggie abraçando a amiga. Scully reconheceu a senhora, que era um pouco mais velha que a mãe dela e aproximou-se para cumprimentá-la. _ Tudo bem, Sra Jolly? Como está a coluna? _ Está ótima, querida! E essa gracinha? _ disse agradando a cabecinha de Katy._ Puxa, eu não sabia que a noiva era a minha própria médica, Maggie! _ Que coincidência! _ falou Maggie sorrindo._ Sente, Charlotte! A senhora sentou-se e começou a falar sobre modelos de vestidos animadamente. Depois, olhou para Scully. _ Então, minha filha? Tem alguma idéia do que quer? _ Algo simples. _ Tenho umas idéias que você vai adorar!_ disse a senhora animada._ Agora levante-se, vamos! Temos que tirar as medidas! XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Mulder e seus companheiros já haviam começado a caminhada. Mulder olhava para toda aquela destruição na cidade e pensava no quanto queria que tudo isso se acabasse logo. Scully tinha contado sobre a chegada dos cientistas e ele ficou feliz ao saber que a vacina não estava mais tão longe de ser concretizada, a vacina traria uma esperança de que um dia o mundo poderia voltar a ser como antes. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Três dias depois, chegou o dia da chegada de Mulder, Skinner, Tom e os Pistoleiros. A chegada estava prevista para depois da meia noite. Scully acordou animada, levou a filha até Maggie e foi ao Laboratório. A vacina continuava em testes e a Dra LaSalle não tinha voltado ao assunto da discussão. Embora ela e sua equipe parecessem especialmente preocupados em terminar os testes e produzir a vacina, ela não mais insistia em deixar de faze-los. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Eram onze e meia. Scully mal podia esperar para ir até a entrada. Maggie chegou no apartamento da filha para ficar cuidando de Katy e Scully correu para esperar Mulder. Seu coração batia descompassadamente, a ansiedade de ver Mulder era enorme. Ela chegou na entrada e sentou numa cadeira junto com os outros que esperavam os viajantes. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Já passava da meia noite, Scully começava a ficar preocupada. De repente, ouviu-se um barulho e a porta começou a abrir. A agente levantou e ficou esperando junto com os presentes até que a porta se abrisse completamente. Primeiro apareceu Tom e Skinner, seguidos de Byers, Langly, Frohike e Mulder. Mulder sorriu ao ver Scully, que correu até ele. Os dois se olharam por um momento e depois se abraçaram e se beijaram com paixão. _ Senti tanto a sua falta! _ disse Mulder. _ Eu também, Mulder! Os outros homens cumprimentavam as pessoas ali presentes. Scully foi, de mãos dadas com Mulder, cumprimentar os recém chegados. Ela abraçou os Pistoleiros, que cumprimentaram-na pelo casamento. Mulder cochichou para Scully: _ Scully, vamos para casa? Eu mal posso esperar para ver a Katy. _ Claro! Mulder abraçou Scully e eles foram andando. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Maggie abriu a porta e abraçou Mulder. _ Como está, meu filho? _ Feliz por voltar para casa, Maggie. _ Eu vou indo, então. _ ela foi saindo e voltou-se para Mulder._ Tem alguém ali na sala que não quis saber de dormir antes do papai chegar! Ele sorriu e entrou em casa junto com Scully. Mulder pegou a filha no colo, que riu feliz. _ Como está a bonequinha do papai? Como você cresceu! O bebê riu, bocejou e aninhou-se no colo do pai. _ Alguém aqui está com sono. Ele sentou no sofá com a filha e Scully sentou-se a seu lado, sendo abraçada por Mulder. _ Você não sabe o quanto eu senti a falta de vocês duas! _ Eu nem acredito que você chegou. Não agüentava mais de saudades! _ Eu também não. Ainda bem que no final deu tudo certo, né? Ela o beijou de leve e os dois ficaram quietos observando Katy. _ Ela está linda, cresceu bastante! _ disse Mulder quebrando o silêncio. _ É... E ela já está quase com seis meses. Não demorará muito para termos uma garotinha engatinhando por aqui. _ Scully, eu nunca quero perder nenhum momento na vida da nossa filha. Eu quero que você saiba que se depender de mim eu sempre estarei aqui, tá? _ disse ele olhando para Scully com ternura. _ Eu sei, meu amor. Eu sei. Os dois levantaram e foram levar a filha para o berço. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte 5 XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX _ Bom dia, meu amor! _ disse Mulder enquanto dava um leve beijo em Scully, que dormia. Ela sorriu ainda de olhos fechados. _ Bom dia! _ disse ela abrindo os olhos._ Você não sabe o quanto eu senti falta de acordar com você do meu lado. _ Eu também. _ disse ele enquanto a beijava apaixonadamente. Os dois ouviram o choro da Katy no quarto ao lado. Mulder sorriu e falou: _ Eu senti falta disso também, de acordar com o chorinho dela. Deixa que eu vou buscá-la. Mulder saiu e depois voltou com a filha no colo, entregando- a para que Scully a amamentasse. O agente sentou-se e ficou observando-as. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Mulder e Scully deixaram a filha com Maggie e depois cada um foi seguir com seus afazeres. Scully foi para o laboratório e Mulder foi a uma reunião na Ala de Defesa. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Scully entrou no laboratório sorridente. _ Bom dia, Fiennes! _ Bom dia, Scully. Como está o Mulder? _ Está bem. _ ela olhou em volta e falou:_ Onde está a Dra La Salle? Ela nunca chega depois da equipe dela. _ Ela ligou e disse que não estava passando muito bem hoje, disse que vai tentar passar aqui mais tarde. A agente assentiu e eles começaram os testes. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX No final da tarde, Scully foi para a casa de Maggie pegar a filha e provar o vestido. Tinha combinado com a mãe e com a Sra Jolly de fazer segredo quanto a isso para Mulder. Ela queria fazer surpresa. Logo após a Sra Jolly ter ido embora, Scully pegou a filha e foi para casa esperar Mulder. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX _ Oi, meu amor. Desculpe a demora, mas é que tínhamos muitos assuntos pendentes na Ala da Defesa por causa da viagem. _ disse Mulder após dar um beijo em Scully. O agente entrou em casa seguido dos Pistoleiros. _ Oi Scully, viemos ver a pequena Katy! _ disse Frohike sorrindo. _ Oi, entrem! Eles sentaram e Scully foi buscar a filha, que estava no quarto. _ Como ela cresceu! _ disse Frohike. _ Ela está linda! _ disse Byers. _ É, ela está uma gracinha! _ falou Langly. Os três ficaram brincando com a pequena enquanto conversavam com Mulder e Scully sobre os acontecimentos da viagem. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Quinze dias depois da chegada de Mulder chegou o dia do casamento. A cerimônia estava marcada para às oito da noite na capela da base e depois haveria uma festa no restaurante. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Após o almoço, Scully despediu-se de Mulder e foi para a casa da mãe dela junto com Katy. Charlotte iria lá para ajudá-la a se arrumar e fazer retoques no vestido, se necessário. _ Oi, querida!_ disse Maggie abrindo a porta. _ Oi, mãe! _ disse Scully sorrindo. Katy, que estava no carrinho, viu a avó e levantou os bracinhos pedindo colo. Maggie sorriu e pegou a neta. _ Oi para você também, Katherine! Você sabia que hoje é um dia muito especial? O bebê riu, como se entendesse o que este dia significava. Scully agradou a cabecinha da filha e foi sentar-se no sofá. Maggie sentou-se ao lado dela, com a neta ainda no colo. _ Nervosa, minha filha? _ Não..._ disse Scully pensativa._ Eu sempre pensei que ficaria nervosa no dia do meu casamento mas não estou... Estou calma... _ Isso é bom, filha. _ Sabe, acho que pelo tempo que conheço o Mulder, por conhecê-lo tanto... Não sei, depois de tudo o que passamos juntos... Desde um bom tempo antes de nós termos nos declarado um ao outro eu já não podia me imaginar com mais ninguém a não ser com ele. Para falar a verdade, acho que nós já estamos casados há muito tempo, bem antes da Katy, mesmo quando éramos só amigos... Maggie a olhava sorrindo. _ Filha, você não sabe o quanto me faz feliz ver você assim, tão apaixonada, com tanta felicidade estampada no rosto. Já terminou de escrever seus votos? _ Já. _ disse Scully com um sorriso. _ Trouxe as coisas da Katy, querida? _ Trouxe sim, mãe. _ Você vai dormir na casa da vovó hoje, sabia? _ Maggie falou para a neta, que brincava distraída com as próprias mãozinhas. _ Mas antes você vai numa festa! XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Já eram quase oito da noite. A capela estava lotada. Havia flores e velas espalhadas por todo o lugar. A meia luz do local, iluminado em maior parte pelas velas dava à capela um ambiente aconchegante e romântico. Mulder estava já no altar andando de um lado para o outro. Parou apenas quando viu Maggie entrando com Katy, que usava um vestidinho e sapatinhos brancos. _ Oi, Maggie. _ disse ele cumprimentando-a. Depois, olhou encantado para a filha._ Oi, princesinha! Você está linda! A garotinha riu. _ E a Scully, Maggie? _ Já está aqui. Acho que podemos começar a cerimônia. Mulder beijou Katy e foi falar com o padre. Maggie sentou-se com a neta no colo na primeira fila, ao lado de Tara e Mathew. A música começou a tocar e a porta da capela se abriu, revelando Scully e Bill. O coração de Mulder disparou quando viu Scully com um vestido pérola longo, que delineava sutilmente o corpo, com um decote que lhe deixava os ombros à mostra. O cabelo dela estava parcialmente preso com algumas mechas soltas e havia pequenas flores em meio ao penteado. Ela segurava um bouquet de rosas brancas. Scully sorriu ao ver Mulder. Ele estava lindo em seu terno azul marinho, e sorria para ela ternamente. Bill e Scully aproximaram-se do altar e Bill cumprimentou Mulder, indo sentar-se ao lado de Tara. Mulder sorriu para Scully e aproximou seu rosto do ouvido dela: _ Você está linda! Ela agradeceu e sorriu. Eles deram as mãos e colocaram-se diante do padre. O padre começou a cerimônia. Depois, disse a Scully e Mulder que eles poderiam dizer seus votos. Mulder assentiu e virou-se de frente para Scully, segurando-lhe ambas as mãos. _ Scully, Dana, eu estava tentando lembrar quando descobri que amava você e sabe a que conclusão eu cheguei? Que meu coração foi seu desde o dia em que você entrou no meu escritório pela primeira vez. Desde aquele nosso primeiro trabalho juntos eu vi que podia confiar em você cegamente, e nessa época eu não confiava em ninguém. Você foi se tornando mais e mais importante na minha vida e eu vi que não poderia viver sem você. Você se tornou o ar que eu respiro. Já te disse uma vez que você me faz completo, e realmente sem você eu me sinto incompleto, vazio. Você alimenta minha alma, afasta meus demônios, me dá paz, o que eu não sabia o que era antes de conhecer você. Você é meu porto seguro. Eu quero te agradecer por ser quem você é e quero que você saiba que eu te amo, que você é meu tudo, meu anjo, minha vida. Scully sorriu com lágrimas nos olhos e começou a falar: _ Mulder, uma vez me perguntaram se eu acreditava na existência de almas gêmeas. Na época eu disse que não sabia. Hoje eu acredito, pois eu tenho certeza de que nós dois somos almas gêmeas. Almas que se completam. Que separadas sentem-se enfraquecidas, pela metade. E que juntas são fortes, completas, invencíveis. Você é minha força, Mulder. Eu sei que nós sempre estaremos juntos, por todo o sempre. Mesmo quando foi levado de mim, você deixou um pedacinho de você comigo, a Katherine. E graças a ela eu tive forças para seguir em frente. E quando você voltou para mim eu senti que a minha alma retornou junto com você. O nosso amor é forte pois nasceu de uma amizade sincera, pura. Nasceu da confiança, do carinho, do cuidado e cresceu, e nos fez ver que o que sentíamos um pelo outro era amor. Eu te amo demais, Mulder. E sempre irei te amar. Mulder, com lágrimas nos olhos, agradou o rosto de Scully. O padre, pediu as alianças a Byers, e as abençoou. Entregando uma delas a Mulder. O agente pegou a mão esquerda de Scully e colocou o anel . Depois, Scully recebeu o outro anel do padre e o colocou no dedo de Mulder. O padre por fim falou: _ Com as bêençãos de Deus, eu vos declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva. Os agentes se beijaram sob os aplausos de todos os presentes. Depois, foram para a frente da capela receber os cumprimentos. Mulder pegou a filha no colo e abraçou Scully enquanto Frohike os fotografava. Este dia estaria para sempre na memória deles. Depois, todos seguiram para o restaurante. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Chegando ao restaurante, foi servido um jantar e depois, os agentes dançaram a primeira música. A festa corria animada. Maggie já tinha ido embora com Katy, que havia adormecido. Após algum tempo, Mulder cochichou para Scully: _ Será que vão sentir falta se nós fizermos nossa fuga estratégica agora? Ele olhava para ela com um sorrisinho sapeca no rosto. _ Acho que não... _ disse ela retribuindo o sorriso. Os agentes foram saindo de mansinho quando foram abordados por Tara e um grupo de mulheres. _ Dana, nem pense em fugir antes de jogar o bouquet! Scully e Mulder riram e ela foi até onde estavam reunidas as mulheres solteiras. Ela jogou o bouquet e, enquanto todos riam da batalha que era travada pela posse do bouquet, saiu do restaurante com Mulder. Depois, a festa se extendeu pela madrugada, todos dançaram e se divertiram e até esqueceram por um momento do que acontecia lá fora. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Os agentes chegaram na porta do apartamento e Mulder abriu a porta. Depois, olhou para Scully : _ Temos que seguir a tradição... Dito isso, ele pegou Scully no colo e eles entraram no apartamento. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Na manhã seguinte, Scully acordou e ficou observando Mulder dormindo. Ele estava tão tranqüilo, sereno, relaxado... Como era bom vê-lo dormir. Depois de um tempo, ele abriu os olhos. _ Bom dia! _ a agente disse agradando os cabelos dele. _ Bom dia, minha esposa! Ela sorriu e eles se beijaram com paixão. _ Que horas são? _ Scully perguntou. _ Meio dia. Por que, Scully? Temos o dia inteiro de folga! Não temos que trabalhar hoje, a Katy está com a Maggie... _ depois completou com um sorriso._É nossa Lua de Mel! _ Bom, é que eu combinei uma coisa com a minha mãe... Espere aqui só um pouquinho. Ela levantou-se, vestindo o hobbie. Após alguns minutos, voltou com uma bandeja com o café da manhã. Mulder sorriu: _ Você pensa em tudo, né? Ela apenas sorriu e sentou-se na cama ao lado dele. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX No começo da noite, Mulder e Scully foram até a casa de Maggie buscar Katherine. _ Oi! _ disse Maggie ao vê-los. _ Tem alguém aqui com saudades do papai e da mamãe! O bebê riu e ergueu os bracinhos ao ver os pais entrarem. Scully pegou a filha no colo e a beijou. _ Oi, docinho! Que saudades! Mulder se aproximou das duas e também beijou a filha. _ Oi, Katy! Mulder e Scully falaram para Maggie: _ Maggie, nós ainda não tivemos a oportunidade de agradecer por tudo. _ disse Mulder. _ É, mãe. Obrigada. Sem você eu não sei o que faríamos. Estava tudo lindo! _ De nada, meus filhos. Vocês merecem! _ ela disse sorrindo. Depois de juntarem as coisas da pequena, foram para casa. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX No dia seguinte, Mulder levou Katy para a Ala da Escola e Scully foi ao laboratório. Tinha muito trabalho a fazer para compensar esses dois dias de folga. Fiennes veio cumprimentá-la demonstrando preocupação: _ Bom dia, Scully. _ Bom dia, Fiennes. O que houve? Ele apontou para um vidro, que dava para o laboratório ao lado, que era usado pela Dra LaSalle e sua equipe. Eles estavam todos lá e pareciam extremamente ocupados. _ O que eles estão fazendo? _ Eu não sei mais o que fazer para demovê-los de começar a produzir a vacina. Eles trancaram-se no laboratório esta manhã e disseram que vão testar as dosagens quer nós aceitemos ou não. _ Meu Deus, Fiennes! Mas eles não podem fazer isso! _ Eu sei, Scully. Mas eu não sei o que fazer... Tem mais uma coisa..._ a expressão preocupada no rosto de Fiennes se agravou. _ O que? _ O Dr Sange não aparece aqui desde ontem. Eu perguntei o que aconteceu e a Dra LaSalle tinha me dito que ele tinha bebido demais na festa e que não viria trabalhar. Hoje ele também não apareceu e a Dra LaSalle e sua equipe vieram decididos a começar a produzir a vacina. Eu não estou gostando dessa história... Scully o olhou preocupada. _ Não pode ser, Fiennes! _ O que, Scully? _ Eu espero que as minhas suspeitas estejam erradas mas eu acho que alguns membros ou até mesmo toda a equipe da Dra LaSalle possa ter o vírus. _ Droga! E agora? Se você estiver certa, todos nessa base estão correndo perigo! O que nós poderemos fazer? _ Não sei, mas eu acho que poderíamos ir ver como está o Dr Sange. Assim veremos se nossas suspeitas estão corretas. _ falou Scully, já sentindo seu coração disparar de preocupação._ Se estiverem, teremos que avisar imediatamente a Ala de Defesa. Fiennes concordou e eles saíram apressados do laboratório. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte 6 XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Scully e Fiennes chegaram ao apartamento de Sange e bateram na porta. Não houve resposta. Scully olhou para Fiennes preocupada. _ E agora? _ perguntou. _ Não sei, Scully. Será que aconteceu alguma coisa? _ É melhor nós darmos um jeito de descobrir. Os dois chamaram dois homens que passavam no corredor e juntos, os quatro arrombaram a porta do cientista. Fiennes e Scully entraram no apartamento. Não havia ruído algum. Era como se não houvesse ninguém em casa. Seguiram até o quarto de Sange e viram que a porta estava entreaberta. Entraram no quarto e encontraram o cientista desfalecido na cama. Scully mediu a pulsação do homem. _ Ele está com o pulso extremamente fraco, Fiennes. _ Vamos chamar o pessoal da Ala do Hospital. Acho melhor tomarmos as precauções anti-contaminação para o caso de nossas suspeitas estarem corretas. Scully assentiu e dirigiu-se ao interfone do apartamento. Em alguns minutos chegou uma equipe da Ala do Hospital com uma maca anti-contaminação para levar o Dr Sange. O apartamento do cientista foi isolado. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Mulder chegou preocupado na Ala do Hospital e pediu para chamarem Scully. Não era permitida a entrada de ninguém no Isolamento a não ser dos médicos, enfermeiros e cientistas. Algum tempo depois, Scully apareceu na porta, com a roupa anti-contaminação e expressão preocupada. _ Scully, e então? _ Mulder, a situação não está nada boa. Vou me trocar e depois tenho que ver o Conselho de Defesa para explicar o que está havendo. Ele esperou por ela e depois ambos foram para a Ala de Desfesa onde o Conselho já estava reunido esperando. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX _ Senhores, acabamos de concluir os exames no Dr Sange e infelizmente concluímos o pior... Ele está contaminado com o vírus. Todos na sala adquiriram uma expressão ainda mais preocupada.Mulder apoiou a cabeça nas mãos e fechou os olhos. _ Como está o Dr Sange? _ perguntou Skinner. _ Nada bem. Achamos que ele não passará desta noite. Ele está começando a apresentar sintomas de febre hemorrágica e entrou em coma há duas horas. _ Vocês já sabem se os outros membros da equipe da Dra LaSalle estão contaminados? _ perguntou uma mulher sentada ao lado de Skinner. _ Nós não estamos conseguindo convencê-los a fazer os exames. Eles recusam-se a abrir a porta do laboratório. _ Eles não podem arriscar a vida de todos dessa maneira! _ disse a mulher ao lado de Skinner. _ Eu sei, McGregor. Eles vão fazer os exames nem que tenhamos que arrombar a porta daquele laboratório. Dra Scully, você acha que há a possibilidade de alguém fora da equipe estar contaminado?_disse Skinner. _ Eu ainda não sei. Mas é possível. Eu acredito que eles já tenham chegado aqui carregando o vírus. Talvez seja uma idéia realizar os testes em todos os habitantes da base._ falou Scully, com a expressão séria. _ Sim, mas primeiro vamos fazer os exames na equipe da Dra LaSalle. Vamos formar uma equipe para arrombar aquele laboratório e fazer aqueles testes a força._ disse Skinner, decidido. Todos assentiram e formaram uma equipe para ir ao laboratório. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX A porta do laboratório foi arrombada e a equipe liderada por Mulder entrou. Todos vestindo roupas de proteção. Scully e outros dois médicos retiraram amostras de sangue dos três membros da equipe, ignorando seus protestos. _ Vocês não podem fazer isso! _ gritou a Dra LaSalle. _ Dra, se vocês estiverem contaminados nós precisaremos saber. De que outra forma poderemos ajudá-los? _ disse Scully, enquanto colhia sangue da cientista. Todas as amostras foram recolhidas e a equipe da Dra LaSalle foi mandada para o Isolamento para aguardarem os resultados.Scully e Fiennes prometeram à Dra que continuariam com a produção da vacina. Três horas depois o resultado dos exames saiu: os três cientistas estavam contaminados com o vírus. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Scully entrou em casa tarde da noite e encontrou Mulder sentado no sofá. _ Eu queria ficar lá para continuar com as pesquisas com a vacina, mas..._ disse ela sentando-se ao lado do marido. _ Você precisa descansar um pouco, Scully. Além disso a Katy precisa de você. _ Eu sei. A agente começou a chorar. _ O que foi, Scully? _ Eu estou tão preocupada, Mulder. Meu Deus, tem crianças aqui na base! A Katy! _ Eu também estou preocupado, Scully. Mas a única coisa que podemos fazer no momento é manter a Katy aqui em casa. A sua mãe disse que fica aqui com ela. Eu não sei o que mais poderíamos fazer para protegê-la.Não vamos pensar no pior, tá? Ela assentiu e encostou a cabeça no ombro dele. _ Mulder, talvez o melhor a fazer fosse retirar todas as crianças da base. Elas poderiam ir para uma base vizinha... _ Scully, você sabe o quanto uma viagem dessas é arriscada. Ainda mais com crianças junto. Além do mais, se as crianças estiverem com o vírus nós não podemos levá-las para outra base e espalhar ainda mais essa doença. _ Você tem razão... Mas é que eu não quero nem pensar no que eu faria se algo acontecesse a você ou a Katy. Eles apenas se abraçaram e foram juntos ao quarto da pequena, que dormia tranquilamente. Ficaram um bom tempo abraçados apenas olhando o bebê dormir. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX De manhã bem cedo, começaram a colher sangue de todos da base. Scully tirava sangue de várias pessoas, que formavam uma fila em frente a uma das salas da Ala do Hospital, onde ela estava. Nas salas ao lado estavam Fiennes e quatro outros enfermeiros fazendo o mesmo trabalho. Frohike aproximou-se de Scully e ergueu a manga da camisa. _ Isso só vai levar um minuto. _ ela disse enquanto prendia a circulação do braço dele com um elástico. Frohike não pôde deixar de perceber a expressão preocupada na face da agente. _ Scully, vai dar tudo certo, você vai ver..._ disse ele olhando para ela sério. _ Eu espero que sim, Frohike, eu espero que você esteja certo... Ela retirou a seringa e colocou um algodão no local da picada. _ Obrigado. _ disse ele segurando o algodão no lugar._ Você vai ver, Scully. Tudo vai acabar bem...Eu acredito... Ele deu um sorriso pequeno mas esperançoso para ela e afastou-se. Meia hora depois, Mulder entrou na sala com Katherine no colo e expressão preocupada no rosto. _ Já colheram o sangue dela? _ perguntou Scully quase que num sussurro. _ Não... Eu estava procurando por você. Eu prefiro que você faça isso._ respondeu Mulder com expressão séria. Ele sentou na cadeira em frente à Scully e murmurou algo para a filha, que o olhava intensamente. Scully abaixou-se perto da filha. _ Filhinha, a mamãe vai dar uma picadinha em você. Vai ser bem rápido, tá? A mamãe ama você. _ ela beijou a criança e levantou. Scully pôs o elástico no bracinho da pequena e preparou-se para inserir a agulha. Ela parou e respirou profundamente, depois soltou o elástico rapidamente. _ O que foi, Scully? _ Mulder perguntou acariciando os cabelos da esposa. _ Eu...Eu não posso fazer isso, Mulder. O agente percebeu que as mãos dela tremiam e ela estava quase chorando. _ Tudo bem, querida. Está tudo bem... _ Mulder, não está tudo bem. Todos ficam me dizendo isso, mas não está tudo bem. Nós estamos presos aqui nessa base correndo o risco de estarmos contaminados com um vírus mortal e...Deus, Mulder, eu nem quero pensar se... O agente acariciou o rosto da esposa. _ O que foi, Scully? _ ele sabia que não era só isso... Havia algo mais de errado. Ele podia ler isso na expressão dela. _ Sange morreu uma hora e meia atrás, Mulder. Sabe-se Deus quantos mais vão morrer. Eu não suportaria... Ela abraçou Mulder e a filha. Mulder pôde perceber pela umidade em seu ombro que ela estava chorando. Ele apenas segurou ela por alguns minutos, seria bom que ela desabafasse um pouco. Scully sentiu a mãozinha da filha mexendo no cabelo dela. _ Hey, querida. _ disse ela beijando o bebê._ Mulder, eu vou chamar Fiennes para colher sangue de vocês dois, tá? _ Claro. E você, Scully? _ Eu, Fiennes e todos da Ala de Pesquisas e da Ala do Hospital tiramos sangue hoje cedo, quando chegamos. _ disse ela mostrando o pequeno ponto roxo no braço. Ela saiu da sala e retornou alguns minutos depois junto com Fiennes, que cumprimentou Mulder. _ E essa garotinha? O tio vai dar uma picadinha em você, tá bom? Só vai levar um minutinho._ A garota olhava para ele com um olhar questionador. Depois, Scully segurou Katy, que chorava mais pelo susto do que pela dor da picada, para que Fiennes tirasse sangue de Mulder. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX No dia seguinte todos na Ala de Pesquisas estavam trabalhando nos testes das amostras de sangue. Os três cientistas ainda não mostravam os sintomas da doença e estavam sendo mantidos na Ala de Isolamento. Fiennes, que trabalhava no microscópio ao lado de Scully, falou: _ Scully, dá uma olhada nisso aqui. Ela aproximou-se e olhou pelas oculares do aparelho. _ Meu Deus, Fiennes. Quem? _ Sean Wiston. _ Você já fez a prova? _ Já. Fiz o teste três vezes. Ele está contaminado, Scully. Scully olhou-o triste e chamou dois enfermeiros. _ Por favor, tragam Sean Wiston para a Ala de Isolamento. Nós iremos vê-lo assim que ele chegar lá. Os dois homens olharam-na tristes e foram fazer o que lhes foi pedido. Scully suspirou e voltou a trabalhar na amostra que estava em seu microscópio. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX No fim do dia, tinham descoberto mais seis pessoas contaminadas. Todos na base esperavam ansiosamente pelos resultados dos testes. Scully saiu do laboratório com quatro envelopes nas mãos. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Mulder esperava por Scully no apartamento deles juntamente com Katy e Maggie. A agente entrou no apartamento e foi recebida com olhares ansiosos. _ E então, Scully? _ perguntou Mulder. _ Eu não sei ainda. _ disse ela mostrando os envelopes fechados. Ela pegou a filha do colo de Maggie e entregou um dos envelopes para a mãe. Entregou os outros três para Mulder. _ Bom, só há um jeito de descobrir, não é? _ falou Maggie abrindo o envelope. O sorriso dela foi a única resposta que precisou dar. _ Graças a Deus, mãe! _ disse Scully aliviada. _ Agora só faltam três._ disse olhando para Mulder ansiosa. Mulder abriu os envelopes um por um com uma expressão neutra no rosto. Depois, abriu um sorriso. _ Nós três também estamos bem, Scully. _ Graças a Deus! _ disse Maggie. A agente abraçou a filha e a amamentou. Ela estivera exitante em fazer isso nos últimos dois dias com medo de que ela estivesse contaminada e pudesse passar o vírus para a filha, mas agora sabia que estava tudo bem. Mulder sentou ao lado dela e agradou a cabecinha da filha. _ Dana, você sabe notícias do Bill, da Tara e do Mathew? _ Sim, mãe, eu falei com Bill e os três estão bem também. _ Graças a Deus! Maggie foi para casa. Mulder, Scully e Katherine permaneceram no sofá aina por um tempo. _ Viu, amor? Só o que precisamos é ter esperança. Esperança de que tudo vai ficar bem, de que um dia a nossa filha ainda vai correr no sol e olhar para as estrelas. _ Eu amo você, sabia? _ falou Scully beijando Mulder. _ Sabia. Eu também amo você. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Scully chegou ao laboratório e encontrou Fiennes sentado com a cabeça apoiada nas mãos. _ O que foi, Fiennes? _ disse ela enquanto sentava ao lado do colega. _ Duas pessoas contaminadas começaram a apresentar sintomas de febre hemorrágica esta madrugada entre elas Mary Bline da equipe da Dra LaSalle. _ Como estão, Fiennes? _ Nada bem... Uma delas entrou em coma há algumas horas. Eu não sei mais o que falar para a família... Não há nada o que possamos fazer sem a vacina. _ E a vacina? Ontem eu fiquei trabalhando nos exames de sangue e nem tive a oportunidade de vir ao laboratório. _ Nada bem, Scully...Hoje de madrugada a Dra Bline nos convenceu a testar o protótipo da vacina nela e até agora não houve qualquer tipo de mudança no seu estado. _ Meu Deus, Fiennes! Isso quer dizer que poderemos estar no caminho errado para a criação da vacina... _ Sim, infelizmente é o que parece..._ disse ele levantando-se._ Quer me acompanhar até a Ala de Isolamento para ver como estão os doentes? _ Claro, vamos. _ disse a agente levantando. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Entrando na Ala de Isolamento, Fiennes e Scully, já com as roupas de proteção, perceberam que havia algo de errado. Uma movimentação de médicos e enfermeiras pelo lugar. _ O que será que está acontecendo? _ perguntou Fiennes entrando na área reservada aos doentes. A movimentação concentrava-se em volta da cama da Dra Bline. _ O que está acontecendo? _ perguntou Scully a um enfermeiro. _ A Dra Bline acabou de entrar em coma._ respondeu o homem apressado antes de ir para perto da cama da cientista levando umas ampolas. Scully fechou os olhos e tentou acalmar-se, pois a vacina não havia funcionado. A doença estava desenvolvendo-se normalmente.Voltou então ao laboratório para trabalhar na vacina. Era o melhor que podia fazer no momento. Se esta vacina não estava funcionando a primeira coisa a fazer seria descobrir o porquê. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Mulder chegou em casa tarde. Ele, Skinner e os outros membros da Ala de Defesa tinham ficado tentando se comunicar com os aliados para pedir ajuda. Infelizmente as tentativas foram em vão, mas eles tentariam novamente no dia seguinte. O apartamento estava escuro e silencioso. Ele imaginava o quanto Scully estaria arrasada pelo fato de a vacina ter falhado. O agente foi ao quarto da filha, que dormia pacificamente no berço. Depois, foi ao seu próprio. Scully estava deitada mas não estava dormindo, apenas olhava para o nada. _ Scully? _ disse ele sentando-se ao lado dela. _ A vacina falhou, Mulder. A Dra Bline morreu no final da tarde, 14 horas depois de receber a vacina._ disse ela com lágrimas nos olhos. Ele apenas abraçou a esposa. _ Mulder, e se o número de contaminados aumentar? Hoje já apareceu mais um caso. Ele teve o exame negativo, isso significa que o vírus está por aí e nós estamos suscetíveis a ele. _ Scully, algo me diz que nós acharemos uma saída. Você vai ver! Quanto a vacina, talvez seja alguma coisa que vocês tenham deixado passar despercebida, alguma coisa que está faltando e que, a Dra LaSalle, na pressa de produzi-la, não percebeu. Você vai ver, logo vocês vão descobrir o que é._ disse ele beijando a testa de Scully. _ E se for tarde demais? Ele não respondeu, apenas beijou Scully com paixão. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX PARTE 7 XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX "(...) Under the heavens Sob os céus we journey far nós vamos longe na jornada on roads of life nas estradas da vida we're the wanderers, somos nós os que vagamos So let love rise, Então deixe o amor surgir, So let love depart, Então deixe o amor partir, Let hope have a place in the lover's heart. Deixe a esperança ter um lugar no coração de quem ama. Hope has a place in a lover's heart. A esperança tem um lugar no coração de quem ama." (Hope has a place - Enya) XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Dias depois, a Ala de Defesa conseguiu entrar em contato com os aliados. Eles viriam para uma reunião na base. A cada dia que passava mais contaminados apareciam e mais mortes ocorriam. Já eram dez mortes no total e vinte pessoas encontravam-se sob isolamento. As pesquisas com a vacina não progrediam e o prognóstico não era nada bom. A esperança eram os aliados. Eles poderiam ajudá-los com a vacina ou pelo menos colocá-los no caminho certo. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Mulder entrou no apartamento e sentou-se no sofá, onde Scully estava. Os dois tinham uma aparência abatida. O agente abraçou a esposa e a beijou de leve. _ Como está Katy? _ Está bem, dormindo. Graças a Deus, Mulder, nenhum de nós parece estar contaminado. _ É... _ Os aliados marcaram a reunião? _ Sim, amanhã a noite. Sua mãe vem ficar com a Katy? _ Vem, sim. Vocês já estão sabendo quem virá? _ Sim, o Skinner me disse que os conhece. São um casal de líderes dos aliados. Parece que são os responsáveis pela proteção ao Planeta Terra, algo assim. Scully assentiu preocupada. _ Vai dar tudo certo, Scully. Você precisa ter esperança! É só o que nós temos por enquanto... _ É que... Mulder, eu detesto me sentir assim impotente, vendo aquelas pessoas morrendo e sem poder fazer absolutamente nada para salvá-las. Eu tentei uma variação na fórmula da vacina hoje de novo. Eu e Fiennes aplicamos numa amostra de tecido contaminada e nada. Nem uma mudança. Isso é frustante demais! _ Eu sei. Mas eu acredito que a reunião de amanhã vá trazer mais esperanças para nós. Você vai ver. _ Eu também quero acreditar nisso, Mulder. Você sempre consegue me fazer ter esperança. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX No dia seguinte, ao cair da noite, Scully e Mulder foram para a entrada esperar pelos aliados juntamente com inúmeros membros de várias Alas. Os Pistoleiros esperavam sentados num banco conversando com um grupo da Ala de Comunicação. Skinner conversava com outros conselheiros em frente à porta. Mulder estava ansioso: finalmente iria conhecer e falar com os aliados. Segurou a mão de Scully que estava a seu lado. Ela olhou para ele e sorriu. A porta começou a abrir. Uma luz muito forte projetou-se na entrada da base e logo desapareceu ao mesmo tempo que um ruído de nave partindo foi ouvido. Um casal adentrou a base de mãos dadas. Ambos usavam vestimentas brancas quase translúcidas, de um tecido desconhecido. Eram altos e esguios. Tanto o homem como a mulher tinham cabelos longos lisos de uma cor tão clara que podia-se dizer que era branca. Não podia-se estimar uma idade para eles. O rosto da mulher era pequeno e suave. O do homem, um pouco mais longo. A pele, se é que pode-se chamar assim, era quase transparente e eles emanavam uma luz estranha. Os olhos eram de um azul cintilante quase violeta. Podia-se sentir uma paz enorme vindo deles. Skinner aproximou-se para cumprimentá-los juntamente com outros conselheiros. Eles foram dirigindo-se para o interior da base até a grande sala onde seria a reunião. Scully fez menção de seguí-los e puxou Mulder pela mão mas este não saiu do lugar. O agente estava parado de olhos arregalados. Scully sorriu. _ Vem, Mulder. Ele continuou parado. _ Vem, Mulder, vamos perder o começo da reunião! Ele a abraçou com força. _ Você está bem, Mulder? _ Sim... É que... _ Eu sei..._ disse ela olhando diretamente em seus olhos. Eles saíram abraçados para a reunião. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Os agentes chegaram e tomaram os assentos reservados a eles na grande mesa redonda de reuniões. Os aliados já se encontravam sentados em seus lugares ao lado dos conselheiros, que expunham os problemas enfrentados pela base. Depois, o aliado começou a falar. A voz dele era muito bonita e ele falava de maneira calma. _ Então vocês estão em dificuldades para formular a vacina. Quem está trabalhando nisso? Scully e Fiennes responderam ao mesmo tempo. _ Nós. _ Após a reunião, eu gostaria de olhar o que vocês têm pronto. _ disse a mulher. A voz dela era suave mas sem deixar de ser audível por todos os que ali estavam. _ Claro. _ disse Scully. _ E eu quero olhar os doentes. _ disse o homem. _ Eu o levarei até lá._ disse Fiennes. _ Como está a situação dos colonizadores? _ perguntou um dos conselheiros. _ Eles continuam destruindo o que resta das cidades e já construíram quatro bases principais nas principais cidades. Nas demais localidades eles fazem suas bases nas próprias naves-mãe que permanecem pairando a certa altura do chão._ disse o homem _ Queremos que vocês saibam que tentamos de todas as maneiras possíveis evitar essa colonização através da paz, mas os colonizadores são seres de guerra. Para eles é a única maneira de conseguir o que querem. _ Não há guerras em nossa natureza. Somos seres pacíficos mas quando tudo o que tentamos deu errado vimos que não haveria outra saída senão defender seu planeta através das batalhas._ disse a mulher visivelmente triste. O homem segurou-lhe a mão por cima da mesa. E ela sorriu para ele. Mulder permanecia quieto olhando como se não conseguisse acreditar que estava vivenciando aquilo. _ Eu posso sentir que muitos de vocês estão perdendo a esperança. Vocês não podem deixar-se abater. Seria uma vitória para eles se isto acontecesse! _ disse a mulher. _ Gaia tem razão._ disse o homem. _ Nós vamos fazer tudo o que pudermos por vocês mas se vocês continuarem com esta energia será difícil. Todos assentiram. A reunião prosseguiu e depois várias pessoas saíram, só ficando os mambros da Ala de Defesa, Scully e Fiennes. _ Sheran , vamos ver como está tudo? _ disse a aliada para o companheiro. Ele assentiu e olhou para Fiennes. _ Pode me mostrar os doentes? _ Claro._ respondeu Fiennes levantando e saindo seguido de Skinner e Sheran. _ Quer ver como está a vacina? _ perguntou Scully a Gaia. _ Si