Título: Quebrando o Silêncio Autora: Alice J. Foster (Fe) Classificação: Shipper, pós-episódio de En Ami (acho que a tradução ficou "A Salvação Da Humanidade") Disclaimer: Não são meus, são da FOX, CC e cia... Censura: Livre (essa é fraquinha) Spoilers: En Ami, e alguns minúsculos. Dedico essa fic às minhas companheiras ADAS, que mesmo sem concordar com minhas "teorias", ainda me agüentam... E-mail para feedback: alice_j_foster@hotmail.com ##### Scully entrou no carro e bateu a porta com força. Mulder nem olhou para ela e ligou o carro. Em alguns minutos o carro parava em frente ao prédio de Mulder. "Por quê você não me deixou em meu apartamento?" Scully perguntou impaciente. "Se você quer ir para seu apartamento, você pode pedir um carro da frota do FBI ou pegar um Táxi. Eu vou para casa. Preciso dormir. Você se vira muito bem sem mim." Ele desceu do carro e foi em direção ao prédio. "Você não dorme, Mulder. Eu não vou pegar um Táxi. Está começando a chover e além disso, são quase seis horas da tarde, você não vai dormir agora." "Acontece que eu não durmo há duas noites. Eu vou dormir, se você quiser, pega meu carro e vai para casa." Quando eles viram eles já estavam abrindo a porta para o apartamento dele. Ele entrou e largou a porta aberta, escancarada e foi em direção ao seu quarto, ignorando a presença de Scully. Ela bateu a porta e foi em direção à cozinha. Ela pegou a chaleira e colocou água, depois ela tirou o blazer e o colocou sobre uma cadeira na sala, contente de ver que os Pistoleiros já tinham ido embora, deixando apenas uma bagunça na escrivaninha de Mulder. Ela deu uma arrumada até vê-lo entrar na sala apenas de boxer e sentar-se no sofá, ignorando-a completamente. Ele ligou a TV e começou a assistir a um jogo de basquete. Ela passou por ele, mas ao invés de ir em direção à porta, como ele imaginava, foi em direção ao quarto dele. Alguns minutos depois, ela saiu do quarto, vestida apenas em uma camisa dele e meias e foi em direção à cozinha, onde a chaleira começava a apitar. Mais alguns minutos se passaram e ela voltou à sala com uma xícara de chá, sentando-se na cadeira em frente à escrivaninha dele, ligou o computador, abriu uma gaveta e tirou um livro de dentro. Abriu na página marcada, encostou-se na cadeira e ficou apenas lendo. Porém Mulder percebeu que ela estava na mesma página há mais de 15 minutos. "Você não queria ir para casa? Agora decidiu que vai sentar aí e fingir que está lendo esse livro?" "Eu estou esperando o computador ligar." "Primeiro, ele já está ligado há mais de dez minutos. Segundo, você tem o SEU computador, na SUA casa." "Acontece, que eu não quero ir para MINHA casa." Ela tomou mais um pouco de chá e começou a mexer no computador dele, depois de digitar a senha. "E quanto a minha privacidade? Você já descobriu minha senha de novo." Ela ignorou o comentário e o silêncio continuou por mais alguns minutos, rompido apenas pelo clique do mouse que ecoava no apartamento de vez em quando. A TV ficou no mute e depois de alguns minutos, Mulder levantou-se e saiu da sala. Ele voltou indignado, com um copo de suco de laranja e um jornal. Ele começou a folhear o jornal, provocando um barulho ensurdecedor na silenciosa sala. Ela começou a digitar furiosamente tentando fazer mais barulho. Ele pegou algumas sementes de girassol e começou a mastigá-las, o mais alto possível. Ela começou a assobiar e ele começou a se mexer no sofá, provocando barulhos vindos da fricção com o couro. Ela colocou uma música no computador e ele ligou a TV. Ela aumentou o volume das caixas de som e ele aumentou a TV. Ela começou a batucar na escrivaninha e ele começou a mudar de canal até achar um filme pornô e os sons começarem a ecoar na sala. "Vamos parar com o barulho aí?" Os dois pularam com o som do vizinho gritando e batendo na parede. Os dois pararam com o barulho imediatamente, ele desligou a TV e ela desligou o computador. Então ela virou-se para olhar para ele. Os dois ficaram assim, olhando um para o outro, sem permitir a comunicação de seus olhos, apenas encarando e desafiando. Até que Mulder desviou o olhar. "Scully, vai embora." "Por quê?" "Porque eu estou pedindo. Vai embora." "Não." Ele se levantou abruptamente. "Que droga, Scully, vai embora. Ou eu..." Ele parou no meio da frase. "Ou você o que?" Ele ficou em silêncio por vários instantes. "Ou você o que? Me bate? Atira em mim? O que?" Ela ficou de pé, tentando olhar nos olhos dele, mesmo quando ele deliberadamente desviava o olhar. "Hein, Mulder? Você o que? O que você fizer não vai me afetar. Não mais do que me ignorar. Não mais do que o jeito como você está me olhando desde que eu voltei. Isto é, quando você me olha, pois você não tem nem a decência de olhar para mim." "Eu não tenho que ficar olhando para você ou ficar te agüentando. Foi você que me abandonou. Foi você que mentiu para mim. Foi você que partiu sem deixar uma pista enquanto eu fiquei tentando desesperadamente te encontrar." "E daí?" "E daí? Como assim, 'e daí'? Você me abandonou." "Repetindo: e daí? Quantas vezes você me abandonou sem dizer para onde ia? Quantas vezes você sumia do mapa sem me consultar e eu tinha que achar um modo de te encontrar para salvar sua vida. Você foi para Hong Kong, Canadá, Alaska e Rússia sem me dizer nada e/ou sem me perguntar o que eu achava." "Foi diferente." "Foi mesmo? Porque saiba que o desespero é o mesmo. Você partiu com menos evidências do que eu. Eu não poderia simplesmente mandá-lo se ferrar enquanto ele oferecia uma cura para o câncer. Eu tinha que investigar. Você jamais teria me deixado ir se eu tivesse falado alguma coisa." "Não teria mesmo." Ele disse com as mãos no quadril enquanto olhava para o chão. "Mulder, eu já te disse, eu sou perfeitamente capaz de cuidar de mim mesma. Eu posso tomar decisões sozinha." Eles ficaram em silêncio por vários minutos. "Por que, Mulder?" "Por que, o que?" "Por que você simplesmente me ignorou? Por que você nem perguntou como eu estava ou o que eu tinha descoberto? Você só ficou aí parado enquanto os Pistoleiros analisavam o disco?" "Porque eu sei o tipo de crápula que aquele homem é. Eu não entendo, Scully, você viu tanta coisa, tantos feitos desse homem, como você pode confiar nele?" "Você confiou na Diana. Mesmo quando eu te mostrei provas, você..." "Chega, Scully! Toda vez que discutimos você traz de volta o assunto." "Eu é que digo, Mulder, chega! Eu já estou por aqui com você!" Ela disse fazendo um movimento com a mão sobre a testa. Ele começou a rir. Ela ficou mais nervosa e ele continuava a rir. "Há há ha. Perdi a piada." Ela disse nervosa – e um pouco curiosa. "É que aqui em você..." Ele fez imitando o movimento dela. "... dá mais ou menos aqui em mim." Ele movimentou a mão sobre o peito. "Isso se você estiver de saltos." "Há, há. Continuo sem ver a graça." Ela disse, segurando o riso, sabendo que ele estava tentando facilitar a situação, mas sabendo também que nem piadinhas nem nada no mundo poderiam fazer essa discussão mais fácil. Os dois voltaram ao silêncio e os olhos deles se prenderam. "Mulder, eu sinto muito. Eu sinto porquê eu sei que você deve ter ficado desesperado. Mas eu não me arrependo de nada. Eu precisava ir. Mesmo se eu não consegui o que eu fui buscar." "Eu sei que ele deve ter falado do chip. Eu sei que ele deve ter falado que você deveria agradecê-lo por estar viva. Mas eu não posso imaginar que você tenha confiado nele." "Mulder, antes de tudo, deixe-me esclarecer uma coisa: Você me salvou. Você me curou. Se não fossem esses homens, eu possivelmente nem teria desenvolvido o câncer em primeiro lugar. Eu jamais teria sobrevivido sem você e eu jamais gostaria de ter sobrevivido se você não estivesse ao meu lado." Os olhos dele se suavizaram e eles se encontraram no meio da sala num abraço. Ela encaixou sua cabeça embaixo do queixo dele e ele beijou o topo da cabeça dela. "Obrigada. Eu queria que você tivesse feito isso quando eu cheguei." Ele ficou em silêncio e logo os dois se separaram. "Ok, continuando." Ela inalou uma grande quantidade de ar antes de continuar. "Ele me abordou quando eu fui na casa de Jason. Deixou um cartão com um número do telefone. Eu pedi para rastrearem o telefone e então eu recebi o endereço do local onde fomos. Ele possuía uma sala lá, como eu te falei. Eu deixei o recado na sua secretária eletrônica e arrumei as malas. Coloquei um microfone no meu sutiã e saí. Primeiro ele me mostrou a senhora de quem eu falei e depois continuamos na estrada. Cheguei a um posto e lá eu tirei a fita do gravador e coloquei numa caixa de correio para você." "Eu não recebi nada." "Pode ser que ainda chegue hoje, mas eu duvido. Acredito que tinha alguém cobrindo nossas pistas. De qualquer maneira, ele dirigiu o resto do caminho e eu adormeci no caminho. Acordei no dia seguinte com meu pijama numa cabana." "Como? Você não se lembra de nada? Se aquele crápula tocou em você, eu mato ele! Dessa vez eu atiro." "Calma, Mulder. É isso que eu estou tentando dizer. Ele teve várias oportunidades para me matar ou fazer qualquer outra coisa, mas ele não fez nada. Ele certamente soube do gravador, mas ele não fez nada! Eu ameacei ir embora e ele não me impediu. Eu me senti zonza de manhã, mas eu não acredito realmente que foram drogas. Eu acordei com uma dor no abdômen, mas acho que deve ter sido mal jeito dormindo no carro. Não senti nenhum sintoma associado à drogas. Talvez ele tenha sido honesto, eu simplesmente estava com muito sono." "Não sei, Scully. Esses homens podem ter drogas que não conhecemos, podem..." "Eu não quero pensar nisso." "Certo." "Mulder, a verdade é que eu não entendo o porquê que ele precisava de mim. Ê como você mesmo disse, o porquê que ele me deixou viva." "Ele precisava de você para o encontro com o Cobra, eu te disse." "Mas eu poderia ter ido embora a qualquer instante. Ele poderia ter arranjado alguém parecido comigo para ir ao encontro, ou me matado depois. Mas não, ele simplesmente deixou que eu chegasse aqui, são e salva." "Continue com o resto. Pensaremos mais depois." "Ele disse que tinha marcado um jantar com o contato e nós fomos ao restaurante para não achar ninguém. Ele já tinha desistido quando eu encontrei esse bilhete marcando um encontro. Eu cheguei lá no dia seguinte e esse homem que eu nunca tinha visto antes, me entregou esse CD. Depois atiraram nele e tentaram atirar em mim. Mas eu ouvi um tiro mais distante e os tiros pararam. Eu voltei e ele me entregou esse CD vazio." "Mas por quê ele te entregou esse CD vazio?" "Eu não sei. Eu nem imagino, Mulder. Tudo o que eu sei, é que ele pareceu preocupado de verdade quando eu fui ao encontro com o Cobra ou quem quer que seja." "Scully, ele é um bom ator. Ele já nos enganou diversas vezes." "Mulder, eu sei que confia em mim. Então confie nisso que eu digo, ele estava realmente preocupado." Ela pegou as mão dele com as suas. "Mulder, por alguma razão que eu desconheço, eu sei que aquele homem está morrendo. E eu sei que ele não estava mentindo o tempo todo. Alguma coisa era verdade. Mas eu não acho que ele precisava de mim apenas para pegar aquele CD. Eles são espertos demais para deixar qualquer tipo de pista até em meu HD. Eles teriam dado um jeito de apagar aqueles dados. Mas não adianta ficarmos pensando nisso." Ela se moveu mais para perto dele. "Tudo o que eu sei, é que aquele homem pode ter em suas mãos, a cura para todas as doenças. E como ele mesmo disse, isso pode causar grande mal, assim como bem. Nós temos de achar aquele CD antes que ele caia nas mãos erradas. Porquê eu veemente acredito que ele ainda não está. Não por enquanto." "Eu quero acreditar nisso, Scully." "Eu também." Ela disse enquanto o abraçava mais uma vez. Ele se separou e sentou-se no sofá, puxando-a para sentar-se no colo dele. "Ele falou alguma coisa em relação a nós?" "Não exatamente. Eu acho que ele não sabe ainda. Mas eu não sei. Ele falou um coisa que eu achei... estranha pelo menos. Ele disse que eu sou atraída por homens poderosos, mas eu temo o poder deles. Não sei se ele já sabe sobre nosso 'status', mas ele sabe que nós somos mais que parceiros." "Eles já sabem há muito tempo, Scully. Eles já sabem que você não é só minha parceira desde o começo. Só queria saber se eles sabem que nosso relacionamento passou para... você sabe..." ele movimentou a cabeça em direção ao quarto. "Sabe de uma coisa, Mulder? Eu não ligo. Estou cansada de me esconder. Estou cansada de só poder dormir aqui raramente. Hoje é um dia como qualquer outro e eu vou dormir aqui. Isso não interferiu com nosso trabalho até agora." "Eu sei. É frustrante. Fique aqui hoje, mas ainda temos que tomar cuidado." "Não se preocupe. Vou sair antes do amanhecer, tenho que passar em casa para me trocar e explicar para Skinner tudo isso." "Tudo bem." "Eu só preciso dormir ao seu lado, Mulder. Nem que sejam por algumas horas. Eu ainda me sinto frustrada e sei que você ainda está um pouco nervoso, mas eu preciso desse contato." Ele colocou a mão na nuca dela e a puxou para um beijo. Eles se separaram instantes depois sem fôlego. "Mulder, você acha que isso muda alguma coisa? Você acha que você teria ficado menos bravo, não que eu concorde, mas que você ficou mais bravo porquê nós estamos... você sabe..." "Sinceramente?" Ela concordou com a cabeça. "Não. Talvez um pouco mais bravo, mas é que desde que nós decidimos tomar esse passo, nós temos sido mais sinceros um com o outro. Mas mesmo assim, eu ainda teria ficado da mesma maneira." "Eu sinto muito, Mulder. Eu já disse. Eu não me arrependo, mas eu sinto muito." "Não vai mudar nada ficarmos aqui lamentando ou brigando. Isso aconteceu e, infelizmente, vai acontecer de novo. Se não for o Canceroso, vai ser algum informante, alguém infiltrado, qualquer um. Nós temos que nos unir mais. Nós temos que parar de brigar e nos unir. Eu sei que eu agi errado hoje à tarde, mas eu não sabia como me sentir ou como agir. Nós dois agimos errado, me desculpe." "Estamos ambos desculpados." Ela o beijou rapidamente, um beijo suave e intenso ao mesmo tempo. "Agora vamos deitar." "Scully, são menos de sete horas, eu não estava falando sério quando disse que queria dormir cedo." "Quem falou em dormir? Eu disse deitar. Agora vamos." Ela se levantou e o ajudou a se levantar. "Eu já te disse que eu adoro o modo como você pensa, Scully?" Ele disse seguindo-a . "Já. Mas eu não me importo de ouvir mais vezes." Eles seguiram sorrindo... The End.