SEMPRE JUNTOS Fic pós - all things Disclaimer: Precisa mesmo?? Sinopse: Os momentos subseqüentes à cena do sofá no final do episódio escrito e dirigido por Gillian Anderson. Categoria: Shipper (dá pra acreditar???) / Mulder POV Mail: luxfiles@zipmail.com.br NOTAS INICIAIS: OK, eu andei sumido por um boom tempo e estava sentindo muita falta de escrever minhas pimpolhas. Achei que o aquecimento ideal pra minha retomada "literária" (há! Que chique...) seria um post-episode. Estava fuçando umas fitas e vi uns episódios que a Lu Costa gravou pra mim (thanx a Lot Lu!) e lembrei que Arquivo X ainda tinha aquele espírito cativante. Tenho que confessar que, desde Existence, não havia me animado em nada com a nova temporada, mas acho que o plot de TrustNo1 me animou pra caramba. Senti saudade dos bons tempos da série, em que os roteiristas nos propiciavam momentos prazerosos com a verdadeira alma da série: Mulder E Scully, e não Scully sem Mulder. Sinto que a continuação na nona temporada sem o David era previsível, e se bobear, a série passa dos 15 anos de duração. É uma verdadeira vida, uma era, e eu não queria que essa era tivesse fim. Acho que essa fic simboliza o prazer que todos nós tínhamos em ver Mulder e Scully juntos, e quando eu escuto o tema de All Thing, juro por Deus, me arrepio de pensar que aqueles personagens já faziam parte da minha vida. Ainda espero que eles façam, e vou continuar amando a série, embora tenha passado por um período de abnegação, uma espécie de rebeldia contra o futuro, mas já está passando. A gente tem que aceitar o rumo que a vida segue, é inevitável, e por isso eu senti que precisava transpor uns sentimentos presos para o papel, e a melhor forma foi relembrar da cumplicidade e companheirismo dos meus agentes preferidos. Peço desculpas pelo longo prefácio, mas devia uma explicação, talvez a mim mesmo, mas também a quem lê essa fic. Encare-a como um presente para relembrarmos a época em que sonhávamos em vê-los juntos, shippers ou não, sexualmente ou não, mas juntos. Sempre juntos. - x - Levantei-me do sofá em que ela permanecia adormecida. Embriagada em seus sonhos, pensei que acorda-la, ali, daquela maneira, seria um pecado. Não podia tirá-la de seu sono tão reconfortante. Senti que a solidão, naquele momento, seria minha melhor companhia. Segui até a porta da cozinha, e no batente virei-me para poder observá-la melhor. As madeixas avermelhadas quase que contrastavam com a doçura de seus olhos que, embora fechados, olhava para um lugar, é certo que sim, olhava para um lugar fonte de sentimentos bons. Talvez ela lembrasse os momentos por que passamos juntos, um ao lado do outro. Talvez ela pensasse que a vida lhe fora injusta em tantos aspectos, afinal, perdera uma irmã, o pai, e ainda por cima era estéril, mas mal sabia eu que ela estava mesmo feliz. Feliz por estar novamente ao meu lado. Sempre ao meu lado. Como eu era estúpido, meu Deus. Como eu era idiota em pensar que ela preferia ter levado a vida que havia sonhado com aquele homem, quando na verdade, a vida comigo para ela era tão perfeita. Mas eu insistia em duvidar do óbvio. Meus olhos me pediam para acreditar, mas meu coração tentava fazer-me negar o que eu sentia. Talvez o impulso não fosse o meu ponto forte. Talvez meu verdadeiro erro era ter medo, ou talvez meu maior medo era o de errar. Eu já estava envelhecendo, seguindo meu próprio rumo, não tinha ninguém com quem compartilhar tantos momentos como os que partilhei com ela. Era minha cúmplice, minha salvação, talvez até meu anjo da guarda. A redenção por que esperei tantos anos. Psicologia estudada não adiantava nada nessas horas – como entender o que passava na mente daquele ser tão doce e tão sereno, as pálpebras fechadas e o coração aberto, desnudo de qualquer segredo ou mentira fugaz? E mais, como entender a minha própria mente? Não sabia se chorava ou se sorria ao vê-la tão feliz. Não sabia se comemorava ou se sofria em tê-la perto mim, ainda que tão longe naquele momento. O fato é que eu senti um peso em meus ombros que parecia enfraquecer meu corpo pouco a pouco. Mas não tomei coragem para chegar até lá, para acariciar a sua mão, para beijar os seus olhos. Como uma amizade tão bonita podia se transformar num amor tão incômodo? Como? Por que tinha que ser assim, ligado ao amor, à paixão? Eu estava com medo – e o medo me fazia pensar coisas absurdas. Tinha medo de errar mais uma vez. Tinha medo de prejudicar o meu coração, mas mais que isso: prejudicar a Scully. Ela não merecia qualquer injustiça. Sua cumplicidade vital e sua lealdade incondicional me faziam raciocinar em quão raro é encontrar alguém tão devoto como ela. E ela estava ali, sob um cobertor, a divagar em seus anseios e memórias. Talvez desejasse voltar atrás – mas e se, como ela mesma havia dito, todas as coisas tivessem tomado um rumo incerto, mas que, de uma maneira certeira, culminou no momento que estávamos vivendo? E se tudo tivesse que ser exatamente daquela maneira? E se todos os caminhos fossem errados e somente esse fosse o certo? Como poderíamos desperdiçar tão chance preciosa de gozar de plenitude e paz, enfim? E se a verdade, acima de tudo, fosse o futuro a nós reservado? Mas que se consolidou no presente, sob forma de dúvida – a dúvida que permeava nossa vivência e me fazia parar para pensar constantemente... E se, com medo de errar, eu estivesse errando novamente? E se nós não tivéssemos que fazer absolutamente nada, apenas desfrutar daquele momento? Por que não podíamos seguir nossos impulsos? Por que tínhamos que ser racionais, ao ponto de desprezar o que a vida nos havia proposto? Por que tudo tinha que ser tão difícil? A dificuldade parecia ser uma constante em toda a minha vida. No amor, no trabalho, na busca por uma verdade uma e intacta, mas que já havia se despedaçado tantas e tantas vezes que ficava difícil recolher todos os pedaços. Por que eu tinha que ser coerente, quando a incoerência era, na verdade, o meu forte? Por que eu não podia dizer o amor que me invadia nas noites frias... da solidão que me afligia por dentro, e das lágrimas, pesadas, que não escorriam por puro medo de me mostrar vulnerável?... quando ela, ali, se mostrava mais vulnerável ainda? Será que na vida tudo tinha que ter um motivo? Um fundamento? Uma razão para ser? Por quê? Ainda não compreendia... por que tantas perguntas, e nenhuma resposta. Por que tanta busca e nenhuma prova palpável do que eu tanto buscava encontrar? Por que eu devia ser condizente com uma promessa inexistente de encontrar algo que nem mesmo eu sei se ainda existe ou sequer existiu? Por que tantos pensamentos emaranhados me invadiam a mente e me faziam divagar justamente no momento em que eu sentia que era hora de revelar a verdade – a minha verdade...? Virei-me de volta para a cozinha e segui o meu caminho só. Senti, um tanto desconfortável, uma lágrima rolar pela maçã do meu rosto, como se ela quisesse libertar-se em fim do meu âmago – senti que ia desabar. Senti que perdi as forças e não havia como recuperá-las. Senti que não podia remar contra a maré, nem a favor dela, mas também não podia ficar ali, parado, precisava tomar uma atitude. Estava aturdido com tantas interrogações, tantas indagações, tanto sofrimento vão. Fiquei ali, parado, os olhos abertos, as lágrimas caindo pouco a pouco, e uma dor imensa que me corroia bruscamente. Eu era fraco, extremamente fraco, exposto aos medos e incertezas de que tanto fugia. Não tinha força, não tinha a capacidade de munir armas para lutar contra uma dor tão besta que eu não sabia de onde vinha. Ela, lá, no sofá, ainda imóvel, era mais feliz que eu, e embora estivéssemos juntos, sentia que estávamos nos separando ainda mais. O que fazer? O que pensar? Como agir? Precisava formular algo para fugir de todo aquele caos que se havia formado dentro de mim. A realidade era estranha, e eu não queria encará-la. Caí. E então parei. Cessei todo e qualquer pensamento, e sem vacilar, olhei para o infinito, observando a grandeza desse ser inanimado que, talvez sem razão, munia vida extraordinária. Eu me fazia torto, desconsoante de tudo aquilo que me circundava. As paredes, o chão, o teto, os objetos tão frios e imóveis, que pareciam dialogar comigo naquele momento tão marcante. Eu parecia estatificado, perdido no nada, vagando pelas lembranças e, sem piscar, tornava a voltar ao princípio, tentando entender por que tudo aquilo sucedia daquela maneira. Tentando entender os mistérios da existência. Filosofando comigo mesmo, fazendo de conta que eu estava feliz, enquanto as lágrimas, outrora cessadas, pareciam insurgir ainda com mais poder. Jorravam como sangue preso que pedia para ser liberto, alforriado da solidão no meu interior. Que tristeza. Que infelicidade. Enquanto a beleza, lá fora, parecia infinita, eu findava-a no momento em que ela passava por aquela porta. Se os olhos são a janela para a alma, elas estavam escancaradas, e velhas, e sujas, e destonantes da musicalidade que se passava no ambiente. Pude ouvir a primeira nota de uma música estranha, como se fosse a premissa de uma certeza que ainda estava por vir. Como se fosse um aviso de que algo estava por vir. E acordei. Despertei do pesadelo contíguo que se passava nos confins do pensamento. Me havia perdido todo naquele mundo estranho, mas finalmente havia acordado. As lembranças, outrora tão vívidas, desvincilhavam-se umas das outras para formarem uma imagem suave que era ainda mais atenuada por uma melodia tão...tão bela que vinha da sala. As lembranças transcorridas de maneira disforme, agora cediam lugar à certeza... a certeza de que eu estava vivo, munido de minha alma e buscando encontrar a verdade... mas a verdade? Novamente a verdade? A verdade me havia despertado. Pude acordar dos devaneios com o toque de uma verdade intacta, uma verdade permanente. Uma verdade chamada Scully. Uma verdade chamada amor. Senti uma brisa envolver-me e uma foz suprema me trazendo de volta à tona. Como o nascer do sol, eu a havia visto única. Como o surgir da vida, eu a pude constatar verdade. Perdia-me nas sensações gostosas que me invadiam continuamente, e não pude deixar de sorrir. Ela me viu, ajoelhado, e estendeu-me a mão, acolhendo meu espírito e entendendo que a força maior tinha que vir do coração, e ela me ajudou a levantar, a encarar todo e qualquer desafio. Ela me pôde fazer forte de novo, me fez iluminado pela sua luz maior e mais bonita, me deixou a par do que vinha a ser a resposta que tanto latejava na minha mente, mas que eu não conseguia decifrar. A resposta estava ali, a pergunta, já havia sido sanada, mas eu não a havia entendido. Ela me fez completo de novo, e confortou meu peito ao me ajudar a levantar. Pude entender que ser assim, tão unicamente feito para mim não havia mais. Ela era feita para mim. Sim, para mim. E, minha amiga era agora minha melhor companheira. E de uma maneira tão dolorosa eu pude descobrir que um homem não é nada sem amor. Um homem, tão ínfimo diante da vida, não existe sem uma constante que o faça entender por que está vivendo. E eu, finalmente encontrei a minha, tão linda e tão sincera. _Mulder, por que você... _Scully, é uma longa história. _Você está... _e vendo-me frio, notou as lágrimas já inerentes à minha face _ você estava chorando? _Eu? Eu... eu estava tentando, tentando encontrar a verdade. _Mulder, a verdade está lá fora, você mesmo já me disse isso tantas vezes... _Eu sei, Scully, mas cheguei à conclusão de que essa verdade não me pertence. _Mulder, como assim? Você... você está bêbado ou algo assim? _Não, Scully, estou mais sóbrio do que nunca. Vendo você ali, deitada, desprovida de medo ou tristeza, entretida no seu sono, me fez ver que essa verdade pertence a nós dois, e não só a mim. _Não entendo... _Não precisa entender, Scully, porque eu já entendi. E isso já é bastante. Eu só preciso que você fique do meu lado. _E você ainda tem alguma dúvida disso? _ Preciso que você me ajude encontrar, enfim, aquilo que tanto buscamos... _ O que, Mulder? Isso... Antes de qualquer coisa, olhei para seus olhos. Ela estava na expectativa, assim como eu, mas finalmente pude tomar uma iniciativa. Devia a ela aquilo. Devia a ela tudo o que havia conquistado, ela merecia algo em troca... e nada melhor que um beijo. Pude sentir sua respiração ofegante que, junto a mim, surtiu calafrios bem- vindos, que eu já sabia que estavam por vir. Beijei-a. Como era certo, como estava marcado nas linhas da nossa história. Iniciávamos, ali, uma nova página em nossas vidas. O calor que nos uniu era propenso a uma união fumegante, mas a calma reinou e pudemos conceber nossos desejos de maneira plena, sem pressa, sem correr contra o tempo. Já bastava tanta angústia, tanto esperar. Bastava guardarmos ali, confinado em nós mesmos, o nosso amor que perdurava pela eternidade. Bastava estarmos juntos, para podermos desfrutar de momentos tão maravilhosos quanto pudessem ser. Eu devia apenas agradecer a Deus por te-la do meu lado. Tinha muita sorte em ter alguém como aquela mulher, tão leal e parceira de minhas jornadas. Estávamos, talvez, predestinados a permanecer um ao lado do outro. Juntos. Sempre juntos. - x – NOTAS FINAIS: Escrevi essa fanfic em aproximadamente uma hora. Não era meu desejo que ficasse tão pequena, nem tampouco longa Eu, como escritor, achei que ela ficou um pouco piegas, mas espero que opiniões sejam lançadas para eu ter uma noção se estou errado ou não. Tentei fazer um "momento de consumação" (?) digno de sete anos de espera. Afinal, acho que esse episódio foi, sem dúvida, o ápice dos sentimentos dos dois. Acho que o teaser completa o final e vice-versa, e essa "vignette" (é isso?) serve como o meio-termo. Tentei fugir um pouco do estilo das outras fanfics shippers pós-all things, mas não sei se tive sucesso. Escolhi a visão do Mulder, ao meu ver, e essa é uma das hipóteses do que poderia ter realmente acontecido. Acho que fiz essa história mais para agradar a mim mesmo, pois precisava escrever algo com Mulder e Scully juntos, para esquecer que eles estão separados, mas talvez tenha agradado a mais alguém. Feeds para luxfiles@zipmail.com.br