FAN FICTION AUTORA : Sky E-MAIL : selmasky@ig.com.br DISCLAIMER : Os personagens desta estória pertencem aos seus criadores e divulgadores, minha única intenção é o entretenimento de fãs que, como eu, apreciam o seriado, não há nenhum interesse lucrativo. CLASSIFICAÇÃO : Shipper SINOPSE : Os pensamentos de Mulder e Scully durante o beijo de Millenium e como ele realmente terminou OBSERVAÇÕES : Sei que estou atrasada, mas como somente agora vi o episódio Millenium, não pude me furtar a escrever. Espero que gostem e aguardo um feedback. SEM PALAVRAS Em meio aos fogos de artifício, a chuva de papéis, o narrador entusiasmado afirmava pela TV. "Chegamos ao novo millenium" Eu estava feliz de estar ali, vê-la a salvo apesar dos arranhões e hematomas no pescoço, imagino o que ela sentiu quando aquele zumbi a atacou, logo ela, tão cética e fria. "Que golpe para a sua racionalidade Scully". Não pude deixar de achar graça. Mas o homem continua a falar, enquanto vejo um casal se cumprimentando, trocam um beijo rápido, se abraçam com alegria. Atrevo-me a olhar para ela, porque não ? Porque não posso simplesmente dar um beijo de Ano Novo na mulher que está comigo há sete anos, que faz parte da minha vida de um modo tão bizarro mas ao mesmo tempo tão intenso. Não é minha amante eu sei e como sei ! Mas tampouco é apenas a companheira de trabalho, desde que está comigo, principalmente nos últimos anos, não sinto a necessidade de ninguém mais ao meu lado, parece estranho, estar com ela me satisfaz e completa de uma forma que nenhuma mulher, por mais quente e apaixonada que se mostrasse, conseguiria. Virou-me para fitá-la e esquadrinho seu perfil de beleza singular, ela parece absorvida pela cena à sua frente, sua expressão é serena, seus lábios não se permitem sorrir abertamente mas percebo a alegria em suas feições. Talvez por ver passar um novo período, talvez por ter resolvido mais um caso ou simplesmente por ter visto a alegria no olhar de Frank ao ver a filha. Pode ser ! Ela não se entusiasma com um caso intrigante, nem sempre consigo fazê-la sorrir de minhas piadas estúpidas, raramente ouvi seu riso cristalino, mas seu rosto se ilumina ao ver a felicidade estampada nos rostos de criaturas que se amam, que se importam umas com as outras. Sentimentos simples que tocam uma mulher complexa. Vejo-a me observar e antes que perca a coragem, aproximo-me sorrindo e toco-lhe, de leve ,os lábios que me aceitam com delicadeza, vejo seus olhos se fecharem e rezo para que esse minuto não termine, que possa durar para sempre, um encantamento do novo século. Seus lábios são quentes, macios, sei que parece bobagem mas, consigo sentir meu coração disparar, minha respiração se acelerar, meu Deus ! É apenas um toque de lábios Mulder ! É apenas Scully! Mas essa é exatamente a diferença! É ela, minha confidente, parceira, minha amiga. Meus sentidos todos se alteram quando a tenho por perto, minha irritação diminui e eu me vejo querendo ser gentil, agradável ; escutando atento suas observações, buscando, precisando delas, meu alicerce. Percebo que ela se afasta e constato aliviado que não vai me fulminar, ao contrário, está tão risonha quanto eu, meneia a cabeça de leve como a esperar que eu diga algo e eu simplesmente consigo dizer "O mundo não acabou" . Como você é idiota, Mulder, claro que o mundo não acabou, ele ia começar agora. Ela apenas responde "É, não acabou". A mudança em sua fisionomia é automática e não sei se foi porque não fui mais intenso ou porque ousei tentar. O que eu faço ? Pense Mulder, pense. Deixo que meu braço a envolva lentamente, sem olhá-la, com medo de que ela se afaste e murmuro apenas um cumprimento de feliz Ano Novo que ela responde sem muito ânimo e nos dirigimos para a porta. Sinto que ele me olha, a tela mostra o beijo dos apaixonados e eu faço um pedido, um pedido de que um dia possa ser recebida assim. Confiança, ternura, felicidade. Estou feliz, ver Frank com a filha me deixou alegre. Porque duas pessoas que se amam não podem simplesmente ficar juntas ? Porque sempre tem alguém tentando nos afastar do objeto de nosso amor. Ok, sei que nem sempre é o melhor, mas a distância pode matar esse sentimento, transformá-lo em mágoa... não ,isso não... talvez só consiga aumentá-lo. Queria poder beijá-lo também Mulder, apenas um cumprimento de Ano Novo, nada mais. "Scully sua mentirosa ! É claro que gostaria de mais, muito mais do que isso".Mas me sentiria feliz da mesma forma, apenas com um toque. Olho para ele e não acredito quando vacilante ele se aproxima e cola os lábios aos meus. "Deus existe e ouviu meus pensamentos". Meu coração está nesse beijo, penso se ele não o está escutando bater enquanto me toca de leve. Sim foi um beijo leve, casto, apenas uma saudação, mas demorou mais do que um simples roçar de lábios. Ouso imaginar que talvez ele quisesse o mesmo que eu, prolongar esse momento. "Pare Scully ! Ele é seu amigo, apenas está sendo gentil, passamos por maus bocados hoje, ele só quer retribuir de alguma forma". Mas poderia ser mais, nem sei desde quando passei a desejar que fosse mais do que um simples toque ocasional. Nos afastamos devagar e eu temo que ele perceba o quanto gostei daquele gesto, respondo de qualquer maneira suas brincadeiras e permaneço extasiada, fitando-o embevecida até que meu orgulho, minha racionalidade, ou não sei que diabo de sentimento repressor, me faz abaixar a cabeça timidamente. Alegro-me, no entanto, de sentir a mão dele em minhas costas e sinto-me confortada e ao mesmo tempo frustrada de sair dali assim. Obrigo meus braços a permanecerem colados ao corpo, foi apenas um gesto amigável, apesar de meu coração se debater aqui dentro, não posso confundir e colocar em risco nossa amizade, não quero arriscar perder, perder tudo por querer demais. Chegamos ao carro ainda encabulados, ela senta-se no banco do motorista para me deixar em casa e eu fico pensando o que poderia fazer para retê-la mais tempo ao meu lado, e nesse esforço a distância vai ficando para trás e me desespero quando paramos em frente ao meu prédio. Tento mas não consigo achar uma boa desculpa para pedir-lhe que fique . E a ajuda vem de alguém lá de cima, alguém que gosta de mim, porque a chuva começa a cair com força e ela me olha desolada. ¨Isso vai acabar com a festa¨, diz melancólica e eu respiro fundo para ganhar coragem. Sento-me silenciosa ao seu lado, não sei como agir, um constrangimento natural se forma entre nós, ele está calado, o pensamento distante, será que se arrependeu ? Não quero pensar nisso, gostaria tanto de ficar o resto da noite com ele, sei dos compromissos assumidos com a família mas largaria tudo se ele simplesmente me pedisse pra ficar. Estaciono em frente ao prédio e vemos juntos a chuva cair com força sobre o carro, sinto-me imediatamente desolada, aquela chuva representava bem meu estado de espírito, tumultuado e melancólico. Não sei onde consigo coragem mas me vejo dizendo a ele se gostaria que o acompanhasse até a porta, sinto-me meio boba por dizer-lhe que talvez não consiga abrir a porta. É claro que ele conseguiria, apenas um braço está machucado ! Mas fico aliviada quando vejo o sorriso se espalhar pelas faces dele. Meu garotinho parece feliz com minha oferta. Descemos correndo e chegamos à porta do prédio. No elevador nenhuma palavra, cabeças baixas que procuram desesperadamente algo para fixar os olhos, era imprescindível encontrar algo no chão, no painel, questão de vida ou morte. Abro lentamente a porta do apartamento e entrego-lhe as chaves. Preciso fazer algo, não quero que ela vá ! Por favor Deus ! Me ajude, faça com que o carro seja fulminado e ela seja obrigada a ficar a noite aqui, me dê uma idéia. E como disse, alguém lá quer me ver feliz ,porque sinto uma dor enorme no braço e não consigo disfarçar a careta de dor. Imediatamente vejo as feições preocupadas dela voltadas para mim, a mão suavemente pousada sobre a tipóia e me forço a sorrir quando ela pergunta o que foi. De seus lábios e olhos sempre a mesma atitude protetora e gentil. Mas uma vez respiro fundo quando ela me pergunta se preciso de alguma coisa. Vejo que seus músculos se contraem e imagino se sente alguma dor mas ele nega com um sorriso, automaticamente levo minha mão até seu braço e sinto o estremecimento que isso causa, me desculpo por sem querer tê- lo machucado e ele apenas balança a cabeça. Não há porque ficarmos ali, nos olhando, esperando o tempo passar. Tentando encontrar palavras que me retenham ao seu lado, pergunto se precisa de algo e vejo que ele respira fundo. "Feliz Ano Novo, Mulder", digo me afastando tão devagar que pareço imóvel, sinto a mão dele deslizar pelo meu braço e meu corpo todo se alarma. Percebo que ela se afasta e meus instintos tomam conta de meus pensamentos, agarro-lhe a mão avidamente e a puxo para mim, não quero que ela se vá, não é simplesmente por estar só, com qualquer outra pessoa me sentiria sozinho, tinha que ser ela, precisava ser ela, somente ela. Ela está agora em frente a mim, os olhos indagadores fixados nos meus, Ah ! Esses olhos, porque me fitam assim ? Porque sempre me deixam em dúvida ? Porque tinham que ser tão encantadores ? Conheço-a através deles, me encontro neles. Sinto meu corpo inteiro tremer mas não consigo desviar os olhos dele, parece que um milhão de pensamentos povoam-lhe a mente nesse momento e estão todos refletidos no brilho intenso de seus olhos. Mais lentamente que no hospital vejo a distância desaparecendo entre nós, as mãos suadas e frias, os gestos vacilantes e finalmente os lábios trêmulos que se encontram com os meus igualmente tensos. Imagino que seja apenas um beijo de despedida, trocado por amigos que se encontram em festas, que voltam a se falar após um longo tempo, somente um roçar de lábios que nunca estiveram juntos. Fechando os olhos, resolvo deixar todas as reservas de lado. Coloco minha racionalidade e orgulho em correntes de pouquíssimos elos para que se mantenham distantes e ouso me aproximar mais. Não quero mais pensar, apenas vou me aproximando devagar, sentindo a respiração dela se tornar tão irregular quanto a minha e isso me dá alguma coragem para me inclinar sobre ela, chegando-me mais até tocar-lhe os lábios. Em última instância, poderia me afastar com alguma piada boba e desejar-lhe uma boa passagem de ano como se aquilo não tivesse me tirando o fôlego. Mas não é isso que ela faz, ao contrário, percebo que se aproxima e encorajado por esse gesto deixo de lado qualquer razão, circulo o braço sobre o corpo dela e elimino a distância entre nós. Nossos lábios se colam, nossos corpos se unem, nossas bocas se abrem a sinto o gosto de sua língua sobre a minha. Que sensação inigualável a de tê-la tão próxima, tão íntima. A paixão desperta violenta , os sentimentos vêm à tona e não consigo mais segurar, o beijo tímido logo se transforma em avalanche de sensações e completamente atordoado por elas, me entrego de corpo e alma. "Não sei o que nos espera no final dessa madrugada, Mulder, nem pretendo imaginar". Apenas me deixo conduzir para dentro, fechando a porta com um gesto improvisado e rodeio seu pescoço com meus braços, não quero abrir os olhos, não quero pensar. Seus lábios são quentes, seu toque suave, seu gosto .... Sinto sua língua deslizar sobre a minha e me rendo, sem defesas, sem razão. Os fogos explodem na rua, o barulho de gritos e risos, de chuva e carros... tudo distante. A profecia se cumpriu, o mundo acabou ! Só nós dois estamos aqui, perdidos em um caos de sentimentos lançados no espaço dessas paredes. E uma mão misteriosa, que ligou nossos destinos, apaga do quadro da vida ,as palavras solitárias do Eu e Você e começa a traçar uma nova estória, agora iniciada com Nós. FIM