Escrito por: Fabi_X E-mail: fabi_x@bol.com.br Resumo: Uma explosão acontece em circunstâncias estranhas. Mulder vai parar no hospital. Tudo parece estar bem, até que ele acorda... Categoria: Shipper Censura: Eu não achei as cenas tão fortes, mas é melhor que menores de 18 anos não leiam. Disclaimer: Os personagens desta história infelizmente não me pertencem. Eles pertencem a Chris Carter, a Ten Thirteen e a Fox. Sua utilização aqui visa apenas o divertimento e não o lucro. Obs.: Essa história foge um pouco ao meu estilo, porque eu sou, na verdade half-shipper. Encarei como um desafio e espero que tenha ficado bom! Feedbacks são bem vindos... Agradecimentos: Gostaria de agradecer a Paty Emy por ter feito as correções na história. E a Mônica, por, além de ter corrigido, ter me incentivado e escrever a cena final, entre os dois. Valeu meninas! SEM MEMÓRIA Arredores de Washington D.C. 01:53 PM Mulder estava realmente entediado. Nada de novo acontecia, nenhum caso paranormal, nenhuma abdução, nada. Tudo no mais completo marasmo. E ainda por cima, Skinner resolveu colocá-los para perseguir um ladrão, um reles assaltante, nada de mais. E ali estavam os dois, junto com policiais e cães farejadores no meio de uma floresta. Mulder ia andando na frente. Scully o seguia. - Scully, será que você poderia me esclarecer novamente porque estamos aqui? – perguntou ele, colocando a mão no bolso do paletó e tirando algumas sementes de girassol. - Estamos procurando um assaltante. – ela também não via a menor graça naquilo. - E por que o FBI está atrás de um assaltante? - Porque ele conseguiu entrar na casa do governador. - E o que nós temos com isso? Se ele conseguiu entrar numa casa tão bem guardada, ponto para ele. Quem sabe não seria bom para o nosso governador dividir as riquezas? O homem tem uma fortuna que provavelmente saiu do nosso bolso mesmo! - Ei, não fale como se fosse culpa minha estarmos nessa situação! – disse ela parando e colocando as mão na cintura – Eu não te designei para a missão. Só respondi ao que você me perguntou! - Desculpa, Scully. – ele se virou pra trás e fez aquela cara de cãozinho abandonado que ela bem conhecia – Eu não queria descontar minhas frustrações em você. – sorriu e continuou andando. - Eu sei que não, Mulder. – ela acabou sorrindo também e o seguiu – Também não entendo porque Skinner nos colocou nessa. - Acho que ele estava cansado de nos ver à toa, andando pelo Bureau. Nada acontece ultimamente. Tem quase um mês que não aparece um caso que possa vir a ser um Arquivo X. - É, as coisas estão estranhamente para... – Scully não terminou a frase. Mulder parou quando ouviu o som de um arma sendo engatilhada. Virou para trás já sacando sua arma. Por um breve momento um arrepio percorreu sua espinha: um homem, que ele supôs ser o assaltante, estava com a arma apontada para a cabeça de Scully. Ele tinha um sorriso muito confiante no rosto. - Vocês dois falam demais. O que andam ensinando na polícia ultimamente? Nunca disseram que o silêncio é uma virtude? - Nós não somos policiais, somos agentes federais – disse Mulder – Acho melhor se entregar antes que as coisas se compliquem para você. - Há há, a coisa está melhor do que eu pensava! Sabe, eu nunca me imaginei sendo perseguido pelo FBI. Devo confessar que é emocionante! - Quando você for preso, duvido que sinta a mesma emoção. – Scully falou, com muita raiva. - Quieta moça! Sabe, foi meu silêncio que me ajudou a entrar na casa do governador. Vocês deveriam aprender um pouco comigo. – se dirigiu a Mulder – Agora, oh bonitão, joga essa arma no chão ou vou esquecer de ser silencioso quando atirar na sua amiguinha aqui. Mulder olhou tenso para Scully e depois para o assaltante. - Fique calmo, nós podemos chegar a algum acordo... - Acho que você não entendeu bem. – e gritou – Larga essa arma, cara! Agora! - Tudo bem, tudo bem. – contrariado, ele jogou a arma. Não podia arriscar a vida de sua parceira. - É isso aí. Ainda bem que o rapaz é esperto, certo gracinha? – e olhou para Scully, cheirando seus cabelos – Será que vamos ter um tempinho pra nos divertirmos? Mulder, percebendo que ele estava distraído, deu um passo em sua direção, mas o bandido percebeu e apontou a arma para ele. - Quietinho aí, camarada! Se achando muito esperto, é? Scully então resolveu agir antes que ele tentasse atirar contra o parceiro. Deu-lhe uma cotovelada no estômago e o viu se contorcer. A arma disparou e Mulder se jogou no chão. Ela então se enfiou por baixo do assaltante e o jogou no chão, usando o peso do próprio oponente, como tinha aprendido nas aulas de judô. Aplicou-lhe mais um golpe quando ele já estava caído. Pronto! O bandido estava desmaiado e a arma bem longe do seu alcance. Mulder se levantou, olhando a parceira, que já algemara o assaltante, com muito espanto. Outros policiais chegaram, atraídos pelo tiro, e o levaram para a viatura. - Missão cumprida Mulder! – ela disse com satisfação. - É, estou vendo! Me lembre de nunca te desafiar pra uma briga. – sua habilidade realmente o tinha surpreendido – Não me lembro de ter te visto lutar assim. - É porque nunca precisei. Não quando você esteve por perto. – ela sorria – Mas faz parte do treinamento da Academia, já esqueceu? - Eu sei que faz parte do treinamento, mas acho que nunca te imaginei assim. - Bom, agora que você já conhece minhas habilidades, precisando de alguma ajuda, é só me ligar! - Pode deixar que vou fazer exatamente isso. Agora, é melhor sairmos daqui. Quem sabe o Skinner não tem mais um desses casos emocionantes para a gente resolver. - Não, obrigada, acho que vou demorar bastante pra fazer o relatório dess... – ela parou de repente. - O que foi Scully? Mais algum ladrão perdido na floresta? - Tem alguma coisa ali – ela olhava para atrás dele. - Onde? – ele perguntou, olhando para trás. - Ali, perto daquelas árvores – apontou – Está vendo aquele brilho? - Sim, agora estou. Vou até lá pra checar – e saiu correndo. - Mulder, espera! – ela estava indo atrás dele, mas: - Agente Scully – era o delegado quem falava – alguém está chamando pelo rádio. Acho que é seu superior. - O Skinner? – ela olhou na direção de Mulder, mas ele já sumia atrás das árvores – Por que ele não ligou pro meu celular? – ela pegou o aparelho. - Ele disse que só cai na caixa postal. - É, parece que aqui ele não pega. Eu já vou atendê-lo. Ela havia se virado para seguir o delegado até a viatura quando ambos ouviram uma explosão. Se viraram a tempo de ver um clarão de onde o som tinha vindo. - Oh, meu Deus! Mulder! – dizendo isso ela correu naquela direção, seguida pelo delegado. Ao chegarem no local, rapidamente encontraram Mulder caído no chão. Não haviam sinais da explosão, nem no local, nem no agente. Tudo estava estranhamente normal. Ela se aproximou mais de Mulder. Verificou seu pulso. Estava com ritmo normal. Ele parecia estar apenas desmaiado. - O que está acontecendo aqui, agente Scully? Nós ouvimos a explosão, vimos a luz, mas aparentemente nada aconteceu. - Também não compreendo, mas é melhor pensarmos nisso depois. Alguma coisa aconteceu com o agente Mulder. Precisamos levá-lo ao hospital. - Sim, claro. - Senhor, o que aconteceu? Ouvimos uma explosão – eram dois policiais que chegavam, assustados. - Agora não tenho tempo para explicações. É bom que vocês estejam aqui. Me ajudem a carregar o agente Mulder para o carro. – e saíram, carregando-o. Ninguém pode ver a mulher que observava a cena e sorria, muito feliz. Hospital Geral de Washington Washington, DC 03:42 PM Scully estava ansiosa, sentada numa cadeira, ao lado da cama de Mulder. Ele estava em observação. Seus sinais vitais estavam normais, seu exames também. Ele estava apenas dormindo. De repente ela percebeu um movimento e se levantou rapidamente. - Mulder, até que enfim você acordou! – disse ela, se aproximando da cama – Eu estava muito preocupada. Ele a olhou, confuso. - Mulder? – ele perguntou – Quem é Mulder? E quem é você? Onde é que eu estou? - Você não se lembra de mim? – havia um pouco de mágoa em sua voz. - Eu deveria me lembrar? Um brilho de pavor passou pelos olhos de Scully. Aquilo não podia estar acontecendo... Dia Seguinte 11:37 AM Mulder estranhava tudo o que acontecia. Novos exames eram realizados, vários aparelhos, vários médicos à sua volta, vários testes. Tanta coisa que ele já estava ficando zonzo com tanta agitação. Mas havia uma presença ali que, mesmo sem ele saber porque, o confortava e fazia com que ele resistisse. Dana Scully... Sim, agora ele sabia que era esse seu nome. A bela agente do FBI foi sua primeira visão quando acordou, e não saiu do seu lado em nenhum momento. Ele queria tanto conversar a sós com ela. Tinha tanta coisa pra perguntar. E sabia que ela deveria ter todas as respostas. Mas desde que dissera que não se lembrava de nada, um monte de gente ficou a sua volta. Ele via a preocupação nos olhos azuis da agente. Mais que isso: ele via tristeza. E se sentia mal com isso, porque, de alguma maneira, sabia que tinha que se lembrar dela! Haviam se passado horas, mas agora, finalmente, tudo tinha acabado. Os médicos vieram conversar com Scully, no corredor. - Agente Scully, segundo o resultado dos exames, não existe nada de errado com o Agente Mulder. Ao menos não no aspecto físico ou neurológico. A explosão ocorrida deve ter causado algum tipo de trauma psicológico. Talvez, após alguns dias de descanso, sua memória volte ao normal. – o médico estava um pouco apreensivo – Talvez. Não podemos prometer nada, porque em casos desse tipo, não há como prever a evolução do paciente. O que deve ser feito, é deixá-lo circular por lugares que ele conhece, ver coisas, e, principalmente, descansar. Sua memória não deve ser forçada. Não se devem tentar lhe empurrar as lembranças, porque isso pode, ao invés de ajudá-lo, confundi-lo, fazendo com que ele não saiba se essas lembranças provém de si mesmo, ou do que lhe disseram. Bem, de qualquer maneira, não podemos retê-lo por mais tempo aqui no hospital. Aconselhamos que ele venha nos ver dentro de dois dias para que seja reavaliado. Gostaríamos de acompanhar seus progressos. Scully apenas agradeceu as informações e foi comunicar o resultado a Skinner, que andava de um lado para o outro na frente do quarto de Mulder, visivelmente ansioso. - Então, Agente Scully – disse quando a viu se aproximar – alguma novidade? Os médicos descobriram o que há de errado com o Agente Mulder? - Não há nada de errado com ele, senhor. – ela estava visivelmente desanimada – seu EEG obteve resultados normais, a tomografia não mostrou nenhuma lesão, os testes físicos mostraram que ele está perfeito. O que eles concluíram é que o trauma deve ser psicológico, devido à explosão. - Uma explosão que não deixou nenhum vestígio, certo, agente? - Nada, senhor. O local estava intacto, como se nada tivesse acontecido. Mas todos os policiais ouviram o som e eu e o delegado vimos o clarão que se formou. Eu sinceramente não sei o que dizer. – e riu, melancólica – O engraçado é que o Mulder adoraria investigar um caso desse. - Bem, Agente Scully, qual o próximo passo? Acha que devemos pedir a opinião de outros médicos? - Não, senhor, acredito que não há necessidade. Eu acompanhei todos os exames, vi os resultados. Todos os profissionais envolvidos são muito competentes, não cometeram erros. - Mas, e então? O que podemos fazer? - Bom, ele tem que voltar daqui a alguns dias. Os médicos querem acompanhar o caso. – ela olhou para a porta do quarto, sem fixar-se nela – vou levá-lo para seu apartamento. Ele tem que ficar em um lugar que lhe seja familiar. Acho que todos nós precisamos dormir. Eu passei a noite em claro, assim como o senhor e ele deve estar tenso, devido aos exames. – virou-se novamente para Skinner – Senhor, eu gostaria de solicitar alguns dias de folga, para que eu possa cuidar do Mulder. Essa fase inicial de readaptação vai ser a mais difícil. - Claro, Agente Scully. Você tem todo o tempo de que precisar. Eu também quero vê-lo bem o mais rápido possível. - Sim, senhor. Obrigada. - Bem, vou assinar os papeis para que a saída dele seja providenciada o mais rápido possível. Os médicos já assinaram a alta? - Creio que era isso que eles estavam indo fazer, senhor. - Certo, vou cuidar de tudo então. - Como quiser, senhor. Vou explicar a situação a Mulder e ajudá-lo a arrumar suas coisas. – dizendo isso ela se encaminhou para a porta do quarto. Colocou a mão na maçaneta, fechou os olhos, respirou fundo e entrou. APARTAMENTO DO MULDER ALEXANDRIA 02:12 PM Scully o ajudou a entrar em seu apartamento. - Então é aqui que eu vivo, Dana? - Isso mesmo, Mulder. É aqui... - Lugar meio estranho. Sombrio, eu diria. – ele olhava tudo em volta, com curiosidade. Entrou na cozinha, no quarto, voltou para a sala – Nossa, eu tenho uma grande cama de casal. Parece confortável. - É, você tem mesmo. E esse seu colchão é novo, você o comprou depois que seu colchão d'água furou. - Eu tinha um colchão d'água, Dana? - É, só não me pergunte como você conseguiu e nem porque, já que você sempre preferiu passar a noite no sofá. – ela se repreendeu pelo que disse. Estava lhe forçando as lembranças e sabia que isso era errado. - Já vi que eu tinha umas manias estranhas, hein, Dana? Ela apenas sorriu, de uma maneira um tanto triste. Isso não passou despercebido a ele. - O que houve, Dana? Eu disse alguma besteira? - Não, não disse. É que... – e parou de falar - É o quê? Não esconda as coisas de mim. Eu preciso que você me ajude. Se eu disse algo de errado, você precisa me dizer. Ela olhou pra ele. Tinha muito carinho eu seu olhar. - É que te ouvir me chamando de Dana me faz pensar a todo momento que você não se lembra de mim, Mulder. Isso é difícil... - Mas no hospital você me disse que somos parceiros há mais de sete anos. Eu achei que já tivéssemos intimidade suficiente para nos chamarmos pelo primeiro nome. - E você quis ser gentil comigo... – ela sorriu – Bom, eu sei que você não gosta que te chamem de Fox. Poucas pessoas chamam você assim. – ou chamavam, ela pensou – E os Agentes do FBI se chamam pelo sobrenome. Você se acostumou a me chamar de Scully. Eu me acostumei com você me chamando assim. – ela tinha lágrimas nos olhos. - Bem, quanto a não me chamarem de Fox, eu até entendo. Onde é que meus pais estavam com a cabeça quando me colocaram esse nome? – ele tentou brincar – Mas seu nome é bonito. Não tem motivo pra não usá- lo. Esse nome combina muito com você. – ele a olhava diretamente nos olhos. Passou a mão por seus cabelos. Scully sentiu a tensão crescendo. Uma tensão que ela conhecia muito bem. O ar pareceu ter diminuído a sua volta. O apartamento, subitamente, pareceu menor. - É melhor eu sair pra comprar alguma coisa pra comermos. – disse ela, indo em direção a porta, tentando demonstrar indiferença – Você geralmente não tem nada por aqui. Ele apenas assentiu com a cabeça. Havia uma certa confusão em seu olhar. - Enquanto isso – ela disse, vendo que ele se manteve calado – você pode aproveitar pra dar uma olhada melhor em tudo. Quem sabe você não consegue encontrar algo familiar... - Eu farei isso. - Eu volto em uma hora. – pegou seu casaco e saiu, apressada. Mulder ficou olhando para porta depois que ela saiu. Ele sentia um vazio que não conseguia entender. Scully resolver ir a pé até o mercadinho que existia perto dali. Precisava pensar e caminhar sempre lhe fazia bem. Ela nem sequer prestava atenção às pessoas que passavam. Só conseguia pensar em Mulder. Se sentia completamente impotente, não havia o que fazer. A última vez que havia se sentido assim foi quando Emily, sua filha, morreu... Ela não conseguia evitar as perguntas que vinham a sua mente: "O que provocou nele essa situação? E se ele não recuperar a memória? E se ele nunca mais se lembrar dela?" Não, ela não poderia pensar assim. Era óbvio que ele iria ficar bom. Ele ia voltar a ser o seu Fox Mulder... O seu Spooky... Não havia tanto motivo assim pra se preocupar. Ele era forte, tinha uma ótima saúde, claro que tudo acabaria bem! Scully se sentiu melhor depois de organizar as idéias de maneira racional, como gostava de fazer. Já estava bem mais tranqüila quando abriu a porta do mercadinho. Depois que Scully saiu, Mulder demorou um tempo para se mover. Ele tinha vontade de ficar ali até que ela voltasse. Mas resolveu fazer o que lhe foi sugerido e começou a abrir portas, revirar armários e gavetas. Tudo era muito estranho. Ele tinha tantas dúvidas, queria perguntas tantas coisas! A sensação de não saber nada sobre si mesmo chegava a ser desesperadora. Ele se sentou numa cadeira, fechou os olhos, pôs as mãos no rosto. A imagem de Scully surgiu em sua frente. Ele não se lembrava dela, mas o que sentia quanto estavam juntos não lhe deixava dúvidas de que se conheciam e muito bem. Ele tinha um palpite de que havia algo mais entre eles além de amizade. Mas por que ela não disse nada? Mencionou que eles eram parceiros há 7 anos e só. Não, não era possível! Como ele poderia ter deixado essa mulher escapar? Ele tinha que ser idiota demais! E não conseguia se imaginar um idiota. A não ser que ela quisesse que ele descobrisse sozinho. Ela havia falado alguma coisa sobre ele fazer suas próprias descobertas, que as lembranças, para serem verdadeiras, deveriam vir sozinhas. Só podia ser isso! Ele ia conseguir se recuperar! E tinha a impressão de que o melhor caminho para começa, seria através do relacionamento dos dois. Como se uma nova dose de ânimo fosse injetada em suas veias, ele começou a revirar gavetas novamente. Encontrou fotos e ficou perdido no tempo, olhando para elas. Foi assim que Scully o encontrou quando chegou: sentado no sofá, com um álbum no colo e várias outras coisas espalhadas pelo chão. Ela foi até a cozinha e preparou algo para comerem. Ela evitou propositadamente conversar enquanto comiam. Em seguida, os dois voltaram para a sala. Foi só aí que ela tomou coragem para voltar ao assunto. - E então? Encontrou algo familiar? Lembrou de alguma coisa? – ela tentava parecer casual, mas o nervosismo em sua voz mostrava sua preocupação. - Infelizmente não. Parece que tudo em meu apartamento é muito comum. Notei que sou uma pessoa bastante simples. - É, você realmente não se importa com luxos e coisas assim. Sempre preferiu viver para seu trabalho. - Então eu devo ser uma pessoa muito solitária, é isto? Eu vi fotos de família que suponho que seja minha. Eu tenho uma família, não tenho? – ele começou a andar de um lado para outro na sala. - Olha, Mulder, eu não gostaria de entrar em detalhes quanto a isso. Eu te falei o que o neurologista disse... - Você não precisa dizer mais nada. Eu não tenho nenhuma família, não é isso? Claro, só pode ser! Ninguém, além de você e aquele chefe do FBI foram me visitar no hospital, ninguém ligou pra perguntar a meu respeito... É por isso que você está aqui comigo agora, e não minha mãe, ou meu pai... – ele se sentou no sofá e colocou a cabeça entre as mãos. Ela caminhou até ele e passou as mãos pelos seus cabelos. Depois se sentou ao seu lado e pegou uma de suas mãos, olhando em seus olhos. - Em primeiro lugar, quero que você saiba que eu estaria aqui de qualquer maneira, Mulder. Eu não sairia do seu lado, acredite. Quanto a sua família, bem, eu não poderia esconder algo assim de você. – ela baixou os olhos e respirou fundo, como se estivesse tomando coragem. Depois voltou a olhar para ele – Você perdeu seu pai há cerca de quatro anos. E sua mãe morreu nessa última primavera. Ele baixou os olhos e deu um profundo suspiro. Depois olhou para ela de novo, com lágrimas nos olhos. - E a menina que vi em várias fotos? É minha irmã, não é? O que aconteceu com ela? Scully agora segurava suas duas mãos. - Mulder, sua irmã sempre foi a razão do seu trabalho. Ela desapareceu quando você tinha 12 anos. Você sempre acreditou que ela foi abduzida por extraterrestres. Apenas há pouco você descobriu que ela já morreu há muito tempo. Ele não pode evitar que lágrimas descessem de seus olhos. - Abduzida? – ele deu um sorriso triste – Engraçado, essa idéia não me parece absurda. Aliás, me soa bastante familiar... - Mesmo? Isso é bom, de certo modo. Essa sua sensação pode ser sinal que as lembranças estão querendo aparecer. - É, parece bom mesmo... – sua voz demonstrava desânimo. Mas ele não pensava na sua falta de memória. Ele estava pensando que era uma pessoa completamente sozinha. - Você não está só, Mulder. – ela pareceu adivinhar seus pensamentos – Eu sempre estive e sempre estarei ao seu lado. – ela também tinha lágrimas nos olhos – Eu acho que as emoções das últimas horas foram demais, pra você e pra mim... É melhor você se deitar um pouco. Nós dois estamos precisando descansar. O corpo e a mente... Ela se levantou, puxando-o pela mão e o conduzindo ao quarto. - Talvez você queira tomar um banho. - Farei isso assim que acordar. – disse ele puxando as cobertas da cama e se sentando – No momento eu estou me sentindo realmente cansado. - Tá bem, vou deixar você mais à vontade. – ela, vendo que Mulder já tirava os sapatos, se virou para sair do quarto. - Scully... Ela se voltou para ele. - Eu gostaria de te agradecer pelo que você tem feito por mim... Ela sorriu. - Você não precisa me agradecer, Mulder. Se fosse comigo que estivesse acontecendo isso, você faria o mesmo por mim. Ou até mais. - Claro que sim. – ele também sorriu, mas logo ficou sério - O que houve? Você quer me dizer mais alguma coisa, Mulder? – ela se aproximou mais da cama - Quero sim. – ele se levantou – Eu não gostaria que você fosse embora. Gostaria que você ficasse e me fizesse companhia. - Mulder, eu não pretendo ir a lugar algum! Jamais te deixaria sozinho num momento desses. Ele começou a olhar pra ela de uma maneira mais intensa. "Como foi que ele chegou tão perto de mim" ela pensava. A situação começou a incomodá-la. Ela fez menção de sair, mas ela a segurou. - Espera, Scully. Tem mais uma coisa que eu queria te perguntar. - Você mesmo disse que estava muito cansado. Não acha que já chega de perguntas por hoje? – ela queria sair dali. Precisava sair. Aquilo estava ficando perigoso demais. - Eu preciso saber, Scully. Preciso! – ele ainda segurava seu braço – Preciso que você me diga se existe algo mais entre nós... - Como assim, Mulder? – sua voz saiu um tanto trêmula. Ela baixou os olhos para tentar disfarçar seu nervosismo. - Eu não me lembro de nada sobre a minha vida, não me lembro de você, mas a sensação que tenho quando estou com você, quando olho pra você – com a mão livre ele segurou seu rosto, forçando-a a olhar para ele – eu sinto que existe algo diferente entre nós, um outro tipo de sentimento, além de companheirismo e amizade. Eu sei que você quer que as lembranças surjam sozinhas, mas eu estou convicto do meu sentimento por você. – ele agora acariciava o rosto dela com o polegar, ela fechou os olhos. – Então, Scully? Existe algo? Esse meu sentimento é correspondido? Ela não conseguia falar. Abriu os olhos. Começou a se sentir hipnotizada pelos olhos dele. Teve que reunir o resto de suas forças para conseguir se livras das mãos dele e se afastar. - Por favor, Mulder. Isso não é bom pra você! Você tem que descansar. Ficar forçando sua memória pode acabar te prejudicando. - Mas Scully, eu só... - Não, Mulder! Nós conversaremos depois. Por favor, compreenda... - Está bem, Scully. – ele deu de ombros – Sei que você quer o melhor para mim. – se sentou novamente na cama. Ela começou a sair do quarto, mas se virou quando estava na porta. - Vou estar na sala. Se precisar de mim, é só chamar – e saiu. Ele ficou um tempo sem reagir, olhando para o vazio. Então tirou suas roupas, ficando apenas de cuecas e se deitou. Apesar de seu cérebro estar a mil, o cansaço físico era grande e ele logo adormeceu. Scully também estava com a cabeça fervendo! Aquela situação era extremamente inesperada. O Mulder expressando seus sentimentos daquela maneira! Só mesmo estando sem memória pra ele fazer isso. Mas e ela? Devia ter aproveitado a chance? Ela sempre quis ouvir essas palavras da boca dele, mas... Parecia que se ela deixasse ele continuar, estaria sendo desonesta, usando um momento em que ele estava debilitado. O que fazer? Ela pensava nessas coisas enquanto dava um jeito na louça da cozinha, organizava as coisas. Seus gestos eram completamente mecânicos. Depois de tudo arrumado ela se ajeitou para dormir no sofá. Mais uma vez ela cogitou a idéia de r se deitar na cama, junto com ele. Sem dúvida seria muito mais confortável. Mas também muito mais perigoso. Era melhor deixar pra pensar nisso no dia seguinte. Ela também estava muito cansada. A tensão dos acontecimentos a tinha afetado mais do que ela imaginava. Antes de cair no sono de vez, seu último pensamento foi para o Mulder... Seria bom se ao menos ela pudesse sonhar com ele... - Dana, acorde... Ao longe Scully ouvia uma voz lhe chamando. Parecia estar tão distante... De repente ela acordou, sobressaltada, se lembrando de onde estava. Poderia ser o Mulder lhe chamando. Ela se sentou no sofá, tentando ajeitar a coluna que parecia estar em forma de S. Viu que já era noite. E quem a tinha chamado? Ela começou a olhar em volta. Foi quando ela percebeu um vulto ao seu lado. Estava escuro mas, de algum modo, ela sabia quem estava ali. - Missy, é você? O que você está fazendo aqui? - Olá, Dana. Eu precisava muito te ver, falar com você... - Como é que pode? Eu devo estar sonhando. Você está morta! - Acho que esse não é o ponto que devemos discutir no momento. Eu vim até aqui pra te dizer que a situação está em suas mãos, minha querida. Só você pode decidir como vai se resolver... - Situação? Do que você está falando? - Você sabe muito bem do que eu falo. Você tem nas mãos a chance que sempre quis. Não deixe isso passar. Ela, então, entendeu que sua irmã flava de Mulder. - Mas Missy, ele nem se lembra quem eu sou? Como posso ter certeza do sentimento que ele diz ter por mim? - Você realmente não sabe, Dana? Pense bem. Você sempre soube o que ele sentia. Sempre. E sempre sofreu com a indecisão dele. - É, eu sempre desconfiei de algo, mas com ele é tão difícil ter certeza das coisas! - Foi por isso que eu criei essa situação... - Você criou? - Sim, eu criei. Eu fiz com que ele perdesse temporariamente a memória. Eu sabia que era a única maneira dele assumir seus sentimentos sem medo. - Quer dizer que ele vai recuperar a memória? - Vai sim, e vai ser logo. É por isso que você não pode perder a chance! Se ele recuperar a memória sem que você diga nada, ele vai achar que essa conversa de vocês foi apenas um sonho dele, fruto do cansaço. - Mas se eu assumir o que sinto?... - Tudo o que posso lhe dizer, é que a partir desse momento, vocês passaram a escrever sua história. Dana, até quando você pretende adiar a sua felicidade? Você sabe que seu lugar é ao lado do homem que ama! - Eu estou confusa... – ela então notou que a imagem de sua irmã começou a desaparecer – Missy, onde você vai? - Foi muito bom te ver de novo, minha irmã, mas meu tempo aqui acabou. Você sabe o que tem que ser feito... – e dizendo isso, desapareceu completamente. Scully acordou muito assustada. Então não tinha passado de um sonho? Mas foi tão real! Ela sentia como se sua irmã realmente tivesse estado ali. Ela se levantou, foi até a cozinha e pegou um copo d'água. Enquanto bebia, não conseguia deixar de pensar no que tinha ouvido de sua irmã. "Até quando vou adiar minha felicidade? Como é que posso perder essa chance?". Ela caminhou até a porta do quarto de Mulder. Ele dormia tranqüilamente. "Será que vale a pena arriscar?" Olhou para ele novamente. "Mas é claro que vale!" Ela se aproximou da cama. Se sentou ao lado dele. Começou a passar a mão em seu rosto, até que ele acordou. - Scully?... – ele disse, sonolento, ainda tentando descobrir se estava acordado ou não. - Sim Mulder, sou eu. – ela se inclinou o beijou seus lábios, suavemente – Eu precisava fazer isso... - Você resolveu vir me dizer a verdade sobre o nosso relacionamento? – ele já estava bem acordado agora. - Eu não vim dizer nada. – ela sorriu, maliciosa – Eu resolvi mostrar. Dizendo isso, ela se levantou, e tirou suas roupas. Mulder simplesmente não conseguia desviar os olhos daquela cena. Sem cerimônia, ela levantou as cobertas e se deitou ao lado dele. A resposta foi imediata. Mulder se deitou sobre ela e a beijou. Foi um beijo urgente, mas carinhoso. Scully sentiu o gosto de sua língua de encontro à dela. Como ela imaginou, ele tinha um gosto bom. Ao primeiro beijo, se sucederam vários outros e ele escorregou a mão por seu corpo abaixo. Passou pela curva dos seus seios e foi descendo, até chegar à junção entre suas coxas. Ele começou então a seguir com a boca o caminho anteriormente feito pela sua mão. Scully grudou as unhas em suas costas quando ele encontrou o que procurava. Ela o pegou pelo pescoço e puxou-o para si, com os dedos enterrados em sua nuca. Percebeu que ele tirava a cueca. Sem poder se conter, Mulder encaixou-se entre suas pernas e penetrou-a decididamente. Começou a mover os quadris e ela o enlaçou com as pernas. O ritmo foi se tornando cada vez mais urgente, até que sentiram seus corpos estremecerem de êxtase. Ficaram um tempo imóveis, sem trocar nenhuma palavra, saboreando o momento. Felizes como nunca, eles adormeceram, nos braços um do outro. Scully sentiu que era observada, mesmo assim sentia uma enorme preguiça de abrir os olhos. Quando finalmente teve forças para fazê-lo, ficou muito feliz por ver Mulder ali, ao seu lado, olhando para ela, completamente encantado. - Que bom que você está aqui. Assim eu tenho certeza de que não foi apenas um sonho... - É claro que não foi sonho. – ele a beijou – Mas se você ainda tem dúvidas, posso repetir tudo o que fizemos... – e sorriu. Como ela adorava aquele sorriso! - Até que a idéia não é má. - Principalmente agora que eu recuperei minha memória, as coisas podem ficar muito melhores. Ela se sentou na cama, arregalou os olhos. - Você recuperou a memória? Como foi isso? - Eu não sei. Eu acordei há pouco e me lembrava de tudo, como se a perda de memória nunca tivesse acontecido. - Isso é muito estranho, Mulder! Eu não entendo... - Eu também não. Mas, quer saber? Estou muito feliz por as coisas terem voltado ao normal. Aliás, houveram algumas modificações bastante significativas, – sorriu novamente e a beijou – mas que também foram excelentes. - E você se lembra do acidente? De como aconteceu? - Tudo o que me lembro é de ter visto um vulto, mas antes que eu pudesse identificar quem era, uma luz muito forte surgiu e eu apaguei. Só me lembro novamente de acordar no hospital. Scully sorriu. Um vulto? Acho que no final das contas ela não tinha apenas sonhado. Ela fechou os olhos e fez uma prece silenciosa para sua irmã... - Scully, o que houve? Você está bem? - Não poderia estar melhor, Mulder! – e o abraçou, muito forte. Começou a beijar seu pescoço – mas acho que podemos falar sobre o que houve mais tarde... - É, bem mais tarde... – disse ele, correspondendo de pronto. E eles se entregaram felizes ao prazer, porque sabiam que aquilo era apenas o início... FIM