Titulo: Segunda vida Autora: Meggie Colaboração especial: Meu irmãozinho Mathew Feedback: wm3@uol.com Disclaimer: Não são meus, não tenho a intenção de infringir nenhum direito autoral. Classificação: Shipper Resumo: Mulder morre, Scully continua nos Arquivo X. Mas depois de muito tempo ele volta. Como? - E agora, com tudo mudado, como será o relacionamento dos dois? – Nota: A fic foi baseada nesse trecho de um livro do José Saramago. ( Francisco está deitado, vestido. A cena sugere um quarto, mas pode ver- se o cabide grande. Ouve-se bater à porta) Francisco: (Sentando-se) Entre. Clara: ( Entrando.) Tanto tempo ausente, ainda te lembrarás de mim? Que tinhas morrido, que já não pertencias a este mundo, que andava em colóquio com os anjos eloqüentes nas alamedas do paraíso, e de repente apareces sem avisar, entras e dizes "aqui estou". Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu fizeram-no de carne, e sangra todo dia. Francisco: (Levantando-se) Mas não vieste a correr ver-me. Clara: Também tu não me procuraste a correr...Nem me disseste se te deu contentamento ver-me . Francisco: Não me daria maior contentamento ver outra pessoa. Clara: Não parece. Francisco: A regra não mo permitiria, mas hoje é o dia da minha chegada. Só por isso sou capaz de te dizer que estás muito bonita. Nem naqueles tempos passados, quando, pensando em ti, o corpo me atormentava, nem então te disse que eras bonita. E só eu sei quanto me custou calar-me, que para castigar o corpo e afastar o demônio me deitava a rolar sobre espinhos ou me atirava para um buraco de neve. Clara: Aqui não encontrará neve nem espinhos. Francisco: O meu corpo está tranqüilo. Clara: O meu sempre o esteve. Francisco: Afortunada. Ou terás perdido a memória, quem sabe? A minha não pode ajudar-te a recordar, nunca fui teu confessor. Clara: Mesmo a confessores não se declara tudo. Afasta-te de mim. Francisco: Porquê? Clara: Porque o teu corpo já não está tranqüilo e o meu se inquietou de repente. Francisco: Saberá de ti o teu corpo, mas o meu, como soubeste? Clara: O ar moveu-se. Francisco: Clara. Clara: Não diga meu nome. Deve-se Ter muito cuidado com os nomes das pessoas. Chama-se por um nome, e ele leva consigo a pessoa que o usa, mesmo não querendo ela. Francisco: Feitiçarias, supertições. Clara: Francisco. Francisco: Que é isso? Fizeste-me estremecer. Clara: Foi o teu nome que te sacudiu e empurrou. Se eu te chamasse outra vez, virias para mim. Lembra-te: não cai neve dentro desta casa, e os espinhos não crescem aqui. José Saramago do livro " Que farei com esse livro? " peça A Segunda vida de Francisco de Assis, pág. 178/9 Segunda Vida Dois meses depois de A libertação II (Closure) O mundo parecia em paz visto do Cemitério Central de Washington, talvez porque de lá se tivesse a impressão que não havia mais humanos vivos sobre a Terra. O vento soprava baixinho, jogando para trás as lágrimas da mulher ruiva. Era Quinta-feira, não se percebia ninguém por perto. Scully, toda de preto, tirou os óculos escuros e pôs as flores que trouxera no túmulo do parceiro. Olhou desolada pelo lugar, os galhos das arvores se movendo com graça. Os olhos dela estavam vermelhos e inchados, não dormia direito há uma semana, talvez mais, talvez nunca mais. Skinner lhe dera férias depois da morte de Mulder, tempo para pensar e decidir o rumo que sua vida tomaria. Foi andando devagar até o carro, os ombros caídos, as lágrimas caindo. Nunca pensara que poderia perde-lo, não de verdade. Mesmo nas piores horas, de certa forma sabia que escapariam, tinha esperanças. Naquele momento elas estavam todas enterradas juntos com o homem que mudara sua vida. Duas vezes. Primeiro quando entrara, depois quando saíra. Bruscamente era a palavra certa. Fora um ato bruto de violência contra sua alma tê-lo tão afastado de si, irremediavelmente. Acidente de carro. Tão simples, tão normal, não combinava com ele. Era como se lhe dissessem que o Super Homem morreu de enfarto. Mas Mulder não era o super-homem, era um Estranho comum que morria em acidentes de carro. A mente aceitava, o coração morria devagar. Entrou no carro e deu a partida, queria sumir, evaporar. Um homem bem vestido saiu de trás de um salgueiro quando a mulher ruiva partiu, fumava copiosamente e tinha uma expressão triste na face. Quatro anos depois Sala dos Arquivo X Washington DC– 10:24 AM Scully escrevia absorta quando o telefone tocou, continuava a mesma mas estava diferente. O tempo e as circunstancias a fizeram outra pessoa, uma completamente diferente de uma Dana que entrara naquela mesma sala onze anos antes. Transformara-se em uma espécie feminina de Mulder, não fora proposital, mas inevitável. Decidira não sair dos Arquivo X, não lhe parecia justo, nem se via fazendo outra coisa. Os primeiros casos foram difíceis porque tinha que pensar como ela e como ele para resolver os problemas com eficiência. Imaginava o que ele teorizaria e confrontava com suas próprias opiniões, tentando ser o mais parcial possível. A dupla dinâmica do porão funcionava bem demais sendo dupla, antes podia pensar como ela mesma, duvidando sempre, porque sabia que Mulder se encarregaria do insólito ele próprio. Mas sem o amigo não podia se dar ao luxo de permanecer intacta e intocável, tinha que se expor ao ridículo do sobrenatural por ser o certo a fazer. Sobrevivera ao primeiro ano por uma teimosia implacável, muitos muros de defesa e a certeza de que Mulder gostaria que continuasse, mas quase ficara maluca. Era como Ter duas personalidades, tinha a impressão de que logo estaria conversando com sua outra metade. Com o tempo, porém, seu lado Mulder fora vencendo o lado Scully, ela passara a não Ter princípios, como se fosse uma criança propensa a acreditar em tudo, mas havia também um sensor que a permitia pensar com a clareza e malícia necessária. Aperfeiçoara-se até que seus dois eu, fossem apenas um, inseparáveis. Era a nova Scully, uma Scully-Mulder. Não se permitia pensar muito nele, condicionara-se a isso. Mas quando as lembranças ficavam fortes demais para serem ignoradas vinha-lhe um vazio sem tamanho, como se perdesse a alma, a essência que a fazia ser. Não diria que vivia por viver, mas não sabia porque vivia. Vivia, apenas. Dividia o dia em horas e as esperava passar, uma de cada vez. Na primeira hora do dia se ocuparia em tomar banho e se arrumar, na outra em tomar café e chegar ao FBI, na outra em ver qual o caso do dia. Se sobrasse uma brecha entre os minutos a imagem dele se formaria sorrateira em sua mente, tirando-lhe a cor do rosto e a motivação para continuar. Se antes não tinha vida pessoal, agora sua vida pessoal era trabalhar. Funcionava e lhe permitia Ter esperanças de que um dia toda aquela tristeza desapareceria. Queria paz. Atendeu o telefone, eram os pistoleiros. Frohike parecia excitado, nervoso, eufórico. - Scully, tá sentada? - Estou Frohike, o que houve? - O Mulder. Ela ficou pálida, sentiu um já familiar aperto no estômago. Sua voz se tornou impessoal, as barreiras sendo construídas as pressas para se defender da bomba que certamente viria. - O que tem ele? - Está vivo. - Como é? - Está vivo, Scully. Muito vivo e muito bem, está aqui com a gente. - Não brinca com isso. Não tem graça. - Mas eu tô falando sério. Ele está aqui. Vem pra cá que você vai ver com seus próprios olhos. - Mas como ele pode estar vivo? - É uma historia comprida, vem pra cá. - Espera um pouco, preciso...pensar. Desligou. Não estava preparada para aquilo, Mulder não podia ressuscitar assim. Vira o corpo dele, tocara, abraçara, chorara sobre um cadáver. Obrigou o cérebro a pensar sem noções de realidade pré concebidas... Nem assim, não conseguia imaginar uma forma só de como uma pessoa morta quatro anos atrás poderia estar viva. Muito menos o que estaria fazendo no QG dos pistoleiros. Pegou o carro mas não seguiu direto para encontrar os amigos. Parou no cemitério. Fazia quatro anos que não colocava os pés lá, tudo parecia igual. As arvores, o vento. Chegou ao suposto túmulo do parceiro. Tinha vontade de exumar o corpo com suas próprias mãos e conferir se estava mesmo lá. Não chorou, mas teve vontade. Mais uma vez seu mundo iria virar de pernas para o ar por causa do mesmo homem. Deveria estar feliz mas tinha medo. Pavor de se alegrar e ser tudo outra ilusão. Decidida a acabar com as duvidas se dirigiu ao QG. Furou mais sinais vermelhos do que em toda a sua vida, chegou em tempo recorde. Olhou no relógio, já passava do meio dia. Não se dera conta que passara tanto tempo no cemitério. Escutou as trancas sendo abertas. - Entra, Scully. Demorou, ele está dormindo. - Dormindo? - É. - Preciso vê-lo. - Eu te levo, vem. Chegaram a um quarto pequeno, estava na penumbra e só era possível destinguir uma forma humana sob os lençóis. Scully se aproximou lentamente, boca seca, pupilas dilatadas. Tremia, suava frio. Não conseguia pensar em nada. Quando conseguiu chegar perto o suficiente para ver na semi escuridão seu coração falhou uma batida. Parou. Era ele mesmo, Mulder. Não entendia como, não tinha certeza se queria saber, mas era ele. Frohike tocou seu braço, sentiu-o frio. - Você vai acorda-lo? - Não. – A voz era só um murmúrio rouco e espantado. Os outros pistoleiros se juntaram a eles. Foram conversar fora do quarto. - Mas como pode...eu não entendo...como ele pode estar vivo? - Nós achamos que o corpo era um clone. – Explicou Byers - Mas, se era um clone, porque Mulder não voltou antes? Como podemos saber se esse não é um clone e não o verdadeiro? – Ela perguntou, perturbada. - Ele perdeu a memória. Arrancaram dele, não sei, mas foi uma coisa assim. - Expliquem isso direito. - Mulder chegou aqui, parecia diferente, confuso. Imagina, nós quase tivemos um ataque . Ele explicou que tinha tido um acidente de carro e desde então não tinha memória. O FBI descobriu que ele era um agente, bom em traçar perfis psicológicos, mas que não tinha família nem nada do gênero. Claro que tem dedo dos poderosos chefões nisso. Ele ficou trabalhando em San Francisco esse tempo todo. Até que um dia se lembrou de nós, que tinha outro trabalho, de você. Mas ainda está meio baratinado, acho que não se lembra de tudo. Scully parecia catatonica, eram muitas informações para o cérebro processar de uma vez só. - Mas esse ainda pode ser um clone.- Ela argumentou sem pensar muito. - É, mas não tem muita lógica. Por que eles nos devolveriam um clone? Já tínhamos aceitado a morte dele, não havia necessidade. - É. Então, devagar e de repente, ela começou a chorar. Se encostou em uma parede e escorregou até o chão, completamente desolada. Era muito para uma pessoa só, tanto sofrimento, tanto tempo perdido, por nada. Por que? Qual o motivo daquela vez? Seu cérebro se negava a funcionar. Por quê? Por quê? Os pistoleiros se entreolharam incertos, não estavam acostumados a ver mulheres chorando, muito menos Scully. Era como se ela nunca chorasse, não sabiam o que fazer. Byers se recuperou primeiro, ajoelhou- se ao lado dela e tocou seus cabelos. - Ei, o que houve? Não precisa chorar, ele está bem, está vivo. A agente olhou para o amigo, seus olhos azuis pareciam enormes, frágeis, assustados. Byers se sentiu assim também. Langly abaixou-se, segurou os braços dela. - Vem, levanta daí. Essa não é você, Scully. Entra lá, conversa com ele. Ela enxugou as lágrimas e sorriu timidamente. - Tá. O trio foi para outro lugar para que os dois parceiros tivessem privacidade. Scully se ajeitou, bateu na porta, não esperava resposta mas veio. - Entra. Estremecendo ao ouvir a voz dele, tão querida, ela entrou. Mulder estava sentado na cama, se levantou ao ver quem era. Ficaram se olhando, somente. Os olhos azuis se encheram de lágrimas novamente, ele abriu os braços e ela foi se aconchegar neles. Podia ouvir o coração dele bater apressado ou talvez fosse o seu, Mulder estava chorando também. Não se lembrava de muita coisa, não se lembrava direito da mulher ruiva que abraçava naquele momento, mas quando a vira soubera, não tinha certeza como, que ela era muito especial, muito estimada por ele. Teve vontade de toca-la, precisava, fazia muito tempo, ele não entendia bem o porque, mas tinha que te- la perto de si, saber que estava tudo bem. Scully era quente e macia. Scully... Sabia que ela tinha um primeiro nome mas se esquecera qual. Catherine? Não, não era assim. Katherine? Também não. Della? Não. Depois pensaria nisso, não agora, tinha muitas idéias para por em ordem. Ela se afastou primeiro. Fungou. - Tudo bem? - Eu me sinto meio estranho. - Então está tudo bem. – Ela sorriu, ele sorriu de volta. – Por que você veio para cá? - Pros pistoleiros? - É. - Eu não me lembrei de nenhum outro endereço além desse e do FBI, e eu não sabia se você ainda estaria lá. Está? - Claro... E você, Mulder? Vai voltar? Boa pergunta, tinha uma vida agora, não era uma vida maravilhosa mas era estável. Quem sabe devesse fugir daquele passado de vez. Mas sentiu que não era justo, nem com ele, nem com ela. - Claro. Os dias que se seguiram foram turbulentos para ambos. Mulder voltou para o seu apartamento, que Scully tinha mantido mas para o qual nunca voltara, e para os Arquivo X. Ainda não tinha ido trabalhar efetivamente, estava em fase de adaptação. Algumas lembranças iam e voltavam como um raio. Skinner também ficara chocado com a ressurreição de seu agente. Mandaram exumar o corpo mas como era de se esperar não havia nada no túmulo além de um caixão vazio. Mulder fizera exames, de todos os tipos, mas nada de estranho fora encontrado. Era ele mesmo, o Spooky. Mulder desceu as escadas que davam para o porão com uma sensação confortável de volta ao lar, podia escutar sua própria voz dizendo algo sobre os menos procurados do FBI. Entrou, era uma sala pequena e arrumada, havia um enorme pôster com um ovni e as palavras I Want to Beleive grafados. Scully estava lá, imersa em uma pilha de papéis. Sorriu ao vê-lo. - Bem vindo de volta! - Obrigado. Ele sentou-se em frente a ela. - Sabe, Scully, tenho que confessar, ainda não me lembro direito do que fazíamos aqui. - Investigamos casos paranormais. - Como assim? - Casos sem respostas explicáveis pela ciência, nós os investigamos aceitando a ótica insólita, pra dizer assim. - Quer dizer que pesquisamos crimes que possam Ter sidos cometidos por fantasmas, vampiros, ets? - Sim. - Eu não acredito nessas coisas. Ela arqueou as sobrancelhas. - Você o que? - Eu não acredito, sinceramente Scully, pensei que fosse mais sensata. Ela passou os dedos pela testa, colocou uma mecha de cabelo para trás, mordeu o lábio inferior, respirou fundo. - Tudo bem, Mulder. Um dia você vai lembrar, não precisamos nos preocupar. - Não estou preocupado. - Ótimo, vamos começar então. - Claro, qual é o caso? - Sean Gordon – Passou a pasta com os dados para ele, começando a lhe explicar a situação como ele mesmo fizera muitas vezes antes – Ele jura que seu padrasto voltou do inferno e matou sua irmã Megan. Jura também que será a próxima vitima se não o ajudarmos. - E como a irmã dele morreu? - Não se sabe, ainda não fizeram a autopsia. Estão nos esperando. - E como o padrasto morreu? - Bêbado, caiu da escada. - Vamos ver o corpo. Chicago A casa dos Gordon era muito simpática, tipicamente americana, Jordanna Gordon, mãe da vitima, parecia muito abalada e trazia os olhos vermelhos e inchados, além de indisfarçaveis olheiras. Sean, um jovem de 21 anos, era a imagem do medo. Os ombros encolhidos, olhos injetados, curvado, tremulo. Sentaram-se em frente a ele. - Somos os agentes Mulder e Scully do FBI. Não quer nos contar o que houve? O garoto passou a língua sobre os lábios, seu pomo de Adão mexia nervosamente. - Meu pai morreu quando eu e Megan tínhamos 8 anos, éramos gêmeos, minha mãe se casou depois com Alex Finch. Ele não era um homem bom, bebia muito e batia em nós. Um dia ele chegou muito bêbado em casa, quis violentar Megan, ela o empurrou escada abaixo. Não foi proposital, entendem? Ela só queria se defender. Um ano depois, mais ou menos, começamos a ouvir uns barulhos estranhos pela casa. - Que espécie de barulho? – Mulder perguntou, interessado. - Todo o tipo. Passos, gritos, copos se quebrando, mas se fossemos verificar não achávamos nada. Minha mãe já estava até querendo chamar um padre quando... – Os olhos do rapaz se encheram de lágrimas – Quando aconteceu. Eu e Megan estávamos nos preparando para sair, ela estava de costas para escada, entende? Não dava pra ela ter caído, não dava. Scully olhou para a escada, devia Ter uns vinte degraus de 15, 20 cm cada, Mulder acompanhou o olhar da parceira. Voltaram-se para Sean. - Ela caiu e morreu? – Perguntou Mulder - Não, ela foi empurrada e sufocada. - Por quem? – O agente insistiu. - Pelo meu padrasto, oras. Quem mais? E ele vai voltar, eu sei, ele vem me matar também. - E por que faria isso? Foi Megan quem o matou, ou não? - Foi, foi, mas eu...eu... encobri. Agora ele vem me matar. - O que a senhora acha disso Sra. Gordon? – Questionou Scully olhando para a mulher sentada chorando ao lado do filho. - Eu acredito, Alex era endemoniado, acredito que ele vem fazer mal para meu filho. - E para a senhora? - Não, pra mim não. Alex era bom para mim. Quando bebia ficava nervoso mas era bom para mim. Scully fitou Jordanna com impaciência. Como a mulher podia pensar que um homem como aquele podia ser bom para alguém? - Faremos o possível – Ela comentou, se despediu e saiu, acompanhada pelo parceiro. - Ele não tem chance – Disse Scully já dentro do carro. - Como assim? – Perguntou Mulder seguindo para o necrotério aonde se encontrava o corpo da vitima. - Já peguei casos assim antes, quando o espirito está determinado não há como evitar. - Quer dizer que acredita nele? – Mulder estava espantado. - Claro, qual motivo ele teria para matar a irmã? - Não sei, talvez ele tenha matado o padrasto não Megan, ela o ameaçou e ele tratou de dar um jeito nela. Agora está tendo uma crise histérica. É até normal. Scully franziu a testa, não estava acreditando que aquele era mesmo Mulder. Não o seu Mulder. Fez uma expressão desconsolada. - Sean Gordon vai morrer de uma queda da escada ou asfixiado mais cedo ou mais tarde e infelizmente não há nada que possamos fazer. - Você está dizendo que sabe que um assassinato vai acontecer e não fará nada para impedir? - Não depende de nós, Mulder, depende dele. Se Sean tiver fé que é mais forte que o padrasto se dará bem. Mas ele não está confiante, sente-se culpado por Ter matado o padrasto. - Ele não disse que matou o padrasto. - Dificilmente um homem adulto morreria se caísse daquela escada e Megan morreu sufocada, provavelmente Sean estrangulou Finch e agora ele veio se vingar. Se ele não tiver fé, vai morrer. - Então diga isso a ele. Não, melhor, deixa que eu digo, é melhor você ir fazer a autopsia. QG dos Pistoleiros Solitários Uma semana depois Scully entrou parecendo um furacão, sentou-se irritada no sofá. - Eu não agüento mais o Mulder – Declarou. - Como é? – Langly exclamou espantado. - Ele não é mais o mesmo. Pra falar a verdade, parece outra pessoa. Uma completamente diferente da que conhecíamos. Parece eu há uns onze anos atrás, para falar a verdade acho que nem eu era daquele jeito. - Como? – Perguntou Frohike pacientemente se sentando ao lado dela. - É, como? Pensamos que ficaria feliz com a volta dele. – Reforçou Byers. Ela suspirou. - Ele é completamente céptico, mudou totalmente seus hábitos. Nem come mais sementes de girassol, não faz mais piadinhas, não é nem um pouco sarcástico e não entende mais o que eu digo sem precisar falar. Duvida de mim e acha que eu sou doida. - Parece grave. - Tenho medo que não seja ele. - Não tem como não ser ele. - O que eu faço? Não quero que ele vá embora, mas do jeito que as coisas estão não podem continuar. Pra vocês terem idéia, estávamos investigando um caso em Chicago, um daqueles sobre espíritos vingativos, eu disse a ele que o garoto não tinha chance porque já havia passado do estado de pânico e não iríamos consegui-lo fazer voltar a seu estado normal para salva-lo. Mulder ficou bravo e disse que eu estava acobertando o assassino e facilitando o crime ao me recusar a dar cobertura ao garoto. Nem em meus piores tempos eu acusei o cretino de acobertar um crime. - Calma, Scully! Ele não está em seu juízo perfeito, acabou de voltar da morte. - Não brinca, Frohike. - Não tô brincando. Mas e aí, o que aconteceu com o garoto de Chicago? - Morreu asfixiado. Agora Mulder jura que é a mãe a assassina e está lá, tentando provar seu ponto de vista. Eu não agüentei e voltei, tenho mais o que fazer do que investigar um caso em que o assassino não pode ser preso e nem vai matar mais. - Quando ele volta? - Não sei e nem quero saber. Preciso de um tempo. - Tudo vai dar certo, você vai ver. Um dia ele vai Ter que lembrar. Hotel Chicago's Chicago 03:13AM Mulder caiu na cama de seu quarto, estava cansado mas o cérebro funcionando a uma velocidade espantosa com certeza não o deixaria dormir. Teve vontade de ligar para Scully, não sabia porque, mas teve. Não obedeceu ao impulso, porem. Aquela maluca. Gostava dela, mas que era maluca, era. Tinha olhos incríveis, mas era pirada. Ainda não se lembrava do primeiro nome dela, nem da relação que mantinham antes mas era especial e intima, podia sentir. Pena que fosse doida. O caso do assassinato dos irmãos Gordon acabara dando em nada, voltaria para Washington no outro dia. Era o melhor a fazer. Logicamente ainda se recusava a acreditar que havia sido Alex Finch o assassino, devia haver outra explicação, ele só não conseguia pensar qual. XXXX Canceroso fumava impaciente, olhando ameaçador para todos os outros membros restantes do sindicato. - Mulder está vivo! – Ele disse mantendo o tom de voz de sempre, mas havia um brilho estranho em seu olhar.- Agora alguém pode explicar como, se eu mesmo vi seu corpo? Eu pensei que o acordo fosse deixar que eu mesmo cuidasse dele. Um dos homens se manifestou. - Não planejamos o acidente de carro, aconteceu e ficamos sabendo antes dos outros. Decidimos então colocar o corpo clonado, aquele que não deu muito certo e acabou morrendo, no lugar. Pegamos o verdadeiro e apagamos sua memória. Inventamos outra identidade para ele e o soltamos em São Francisco. Sempre havia alguém o vigiando. - E por que me deixaram pensar que ele havia morrido? Por que ele voltou? - Pensamos que não concordaria e tentaria abortar o plano. Agora porque ele voltou, não sei. Não era para ele Ter se lembrado. Não entendemos como isso aconteceu. - Seus loucos, e agora? - Agora deixa ele lá, não vai prejudicar nem ajudar. - Só mais uma pergunta, por que não o mataram logo? - Ele poderia vir a ser útil um dia, nunca se sabe. XXXX Skinner olhava impaciente para Mulder sentado do outro lado da mesa. - Ela não vem? – Perguntou o diretor assistente perdendo a paciência. - Já devia estar aqui. - Tentou o celular? - Mil vezes. Naquele momento a agente ruiva entrou na sala, pediu desculpa e sentou-se. Mulder fitou-a com aquela expressão de até que em fim. Ela ignorou. - Podemos começar agora agente Scully? - Claro Senhor. - Muito bem, o que vocês tem a dizer do caso que estavam investigando? - Foi o caso de um espirito vingativo que veio matar os enteados que o assassinaram. – Scully explicou, séria. - Agente Mulder? Mulder estava espantado, não acreditava que ela tivera coragem de relatar aquela historia para seu chefe. Skinner não parecia abismado. - Hã, eu... acho que foi a mãe dos garotos mas não tenho provas. Skinner pareceu mais estupefado com a teoria dele do que com a dela, Mulder não entendeu porque. - E por que ela mataria seus próprios filhos? - Bom, eles mataram o marido dela. Sala dos Arquivo X 05:18 PM Mulder olhava para a parceira sentada do outro lado da sala, com uma cara incrédula. Não acreditava que Skinner dera mais credito para a opinião dela do que para a sua. Devia ser todo mundo esquisito por ali. Ela se levantou, ajeitando alguns papeis. - Mulder – Ela disse – Para de me olhar com essa cara de Eu não acredito! Vai pra casa, come umas sementes de girassol, assista um daqueles vídeos que não são seus, leia um dos seus livros estranhos, liga pros pistoleiros, sei lá. Mas volta sendo você mesmo! - Fitou os olhos dele intensamente. - Eu estou com saudades do outro Mulder! Quero ele de volta. Ele ficou bravo. - Eu não me lembro do outro Mulder, eu não quero ser outro Mulder, eu gosto de mim desse jeito mesmo. Eu sou normal, tenho idéias normais, ajo e penso de uma forma coerente. Se eu era diferente antes, se eu era parecido com você, então eu era louco! Os olhos dela se encheram de lágrimas mas ela se recusou a derrama- las na frente dele. Girou os calcanhares e saiu decidida. Ele que se danasse. Mulder percebeu o que tinha feito e se arrependeu. Não queria magoa-la mas também tinha o direito de ficar irritado. Estava confuso, não sabia se a amava ou desprezava e ela ainda dizia que preferia que ele fosse outro? Não tinha culpa se não era mais o mesmo mas não tinha motivo para ser. Não se lembrava da abdução de Samantha, nem da de Scully, e o período da sua vida do qual se recordava completamente havia sido marcado por teorias cientificamente comprovadas e casos normais. Foi para casa chateado, não gostava da sensação de Ter brigado com ela muito menos de te-la feito chorar. Mas agora não havia como voltar atrás. O que será que ela quisera dizer com fitas que não são minhas? Scully chegou em seu apartamento triste, as lagrimas brotando sem que ela pudesse controlar. Seu coração parecia partido ao meio, por um lado totalmente louco de felicidade por vê-lo todo dia, são e salvo, ouvir sua voz, mesmo que fosse para falar besteira, por outro triste, era como se não fosse ele, era Mulder mas não era O Estranho. Não tinha a mesma graça. Mas os dois lados não queriam que se afastasse, era uma vontade mutua. Deixou-se ficar sentada lá, só pensando, até altas horas. Acabou dormindo. Mulder chegou se sentindo mal consigo mesmo, com o mundo. Chateado, tirou os sapatos, sentou-se no sofá e ligou a televisão. Não devia Ter dito tudo aquilo pra Scully, afinal ela também não tinha culpa de nada. E gostava tanto dela. Será que haviam sido amantes? E se não, por quê? Ela era linda, se sentia atraído por sua parceira ruiva. Será que não era correspondido? Ela tinha namorado? Precisava perguntar, mas não pra ela. Talvez os pistoleiros soubessem, mas não sentia vontade de perguntar nada pra eles naquele momento. Olhou para a TV tentando se concentrar em alguma coisa, sorriu, estava passando novela. - Michael, você não pode ir embora! – A mulher dizia, chorando. - E posso saber porque, Dana? Dana! Depois disso ele não ouviu mais nada. Dana, Dana, Dana, Dana...Dana Scully. "Sou a agente especial Dana Scully" Scully, Dana Scully, tudo vinha a sua mente de uma vez, num turbilhão de idéias e emoções. Scully sentada na cadeira mexendo em suas fitas, fitas que não eram dele. Sorriu. Livros, conspirações, Garganta Profunda, Tooms, Duane Barry, abdução, câncer, Pfaster, vampiros, homens mariposa, Bambi, alcançar os pedais, cura, morte, Samanta, cigarros. Lembrou-se do dia do seu acidente, o caminhão vindo na contra mão, os gritos, sirenes e tudo ficando escuro. São Francisco, outra vida. Scully! Dana. Ela estava tão diferente, tão crédula. Não acreditava que ela havia proposto aquilo sobre espíritos vingativos no caso Sean Gordon, não acreditava que ele havia proposto aquilo sobre a mãe ser a assassina. Precisava contar para ela. Pegou o telefone...Não, por telefone não. Tinha que abraça-la e dizer que estava tudo bem. Scully acordou com batidas na porta da frente, quem seria aquela hora? Levantou-se espreguiçando-se. Conferiu no olho mágico. - Mulder! Abriu a porta de uma vez. - Mulder! Não estranharia se ele batesse na sua porta quatro anos atrás mas naquele momento a situação era no mínimo estranha. Encarou seu olhos verdes, estavam...diferentes. Um novo brilho, na verdade um brilho antigo, feliz. Ele sorriu, confirmando suas suspeitas, ele havia se lembrado! Lembrado de tudo. Sorriu também e o abraçou, sentindo seus braços a estreitarem firmemente. - Voltei! - Até que enfim. Mulder, ainda com ela nos braços, levou-os até o sofá mais próximo. - Senti sua falta! – A voz dela estava embargada e as lágrimas desciam com naturalidade.- Nunca mais morra antes de mim. Ele ainda não estava acostumado com a nova Scully, mas estava gostando. - Pois saiba que eu nem me lembrei de você. Ela riu. - Cretino, ainda confessa. - Se eu tivesse me lembrado teria voltado correndo. - Aposto que sim. - Você é minha melhor amiga, a única, eu te amo, pode apostar que eu voltaria. A vida é muito sem graça sem você, não tinha ninguém para me contestar e me chamar de idiota. - Não vou mais te chamar de idiota. Ele lhe lançou um olhar duvidoso. - Tá, só de vez em quando. Às vezes você merece. Mulder ficou olhando-a, completamente feliz. - Você é muito linda, sabia? Eu nunca te disse antes, mas acho que agora não tem problema, é muito linda mesmo. Ela sorriu. Ele ficou sério. - Dana. Ela estremeceu. - Dana. Ela se aproximou, incerta. - Me dá um beijo, eu fiquei fora quatro anos, mereço uma boas vindas. Scully arregalou os olhos fitando-o um pouco assustada. - É só um beijinho, não vai doer. Ela concordou com a cabeça e aproximou os lábios dos dele devagar, podia sentir a respiração do parceiro ficar mais pesada, o toque das mãos masculinas em seus cabelos trazendo-a mais para perto. Suas bocas se encontraram cálidas, mas foi pouco, muito pouco, Scully entreabriu os lábios e tudo foi ficando mais profundo e intenso, as mãos dele desceram para sua cintura, ela foi parar em seu colo. Afastaram-se relutantes. - Pensei que fosse só um beijinho. – Ela estava ofegante. - Não doeu. - Não. Ela mordeu o lábio inferior. Ele observou o movimento. - Não faz isso, assim é covardia. Eu não consigo resistir. - Talvez eu não queira que você resista. Sorrindo, ele aproximou-se novamente. As luzes se apagam. Cabô. PS: Feedback, por favor! Eu estou implorando, nem que seja só pra dizer que leu, que odiou, que tava horrível, faz uma forcinha, não custa nada e significa muito pra qualquer autor! ?