REVIRAVOLTAS Autora: Jennifer Fearnsaille (saille@ig.com.br) Home Page: http:// DanadeAvalon.hpg.com.br ATENÇÃO: Arquivo X (The X Files) pertence à Chris Carter, à Fox Network, à 1013 Productions e não há intenção de se obter lucro com essa história, que se destina unicamente à diversão dos fãs. Home Page: http://www.danadeavalon.hpg.com.br Categoria: NC17 Sinopse: Essa história começa onde a maioria termina: Mulder e Scully ficam juntos, mas depois seu relacionamento entra em crise. Diana Fowley está de volta, de modo que ignorei sua morte na 7ª temporada, assim como outros fatos "oficiais" para poder contar essa fanfic da maneira como a concebi. Posso adiantar que são muitas as reviravoltas que acontecem na vida dos agentes. Gravidez, o Canceroso, separações, etc,. Ah, antes que alguém diga que eu sou muita ingênua para achar que o Mulder se comportaria como um santo com a Diana, quero dizer que na verdade não acredito que ele agiria dessa forma, mas são nas fics que a gente cria um mundo do jeito que gostaria que fosse, não é mesmo? Pedido: Sua opinião é o salário que recebo para continuar tendo inspiração para escrever, portanto, e-mail-me, seu feedback é precioso para mim. Escrevi essa longa historinha somente para o seu deleite e espero que divirta-se com ela. Martha's Vyneard 07:19 PM Mulder e Scully deitados de bruços numa cama de casal, de frente para os pés da cama assistindo vídeo. Uma caixa de bombons está no meio deles. Scully pensa: "Nunca poderia imaginar ficar assim com Mulder um dia... Parece até que somos namorados... O que será que deu na cabeça dele pra me convidar pra vir aqui?" Na noite anterior ele fizera o convite à parceira: _ Scully, sei que amanhã é sábado, dia do seu raro descanso, mas será que você não gostaria de fazer uma visita ao Vinhedo da Matha? _ Fazer o quê no Vinhedo da Martha, Mulder, algum caso? _ Não – ele riu – eu preciso ir à casa de uma tia minha que passa a maior parte do ano na França com o marido, pegar umas coisas da minha mãe e arrumar umas papeladas dela... achei que talvez você fosse gostar. É uma casa muito bonita, muitas flores azuis do lado de fora... e as empregadas fazem uma comida muito boa. Scully o ouvia atentamente. _ Gostaria que viesse comigo – ele completou. Ela assentiu e eles combinaram que Mulder passaria bem cedo no apartamento de Scully. Mulder resolvera os assuntos pendentes na parte da manhã. Felizmente tudo estava em ordem, ele só precisou checar e organizar a documentação financeira. Havia uma empregada e uma cozinheira na casa, ambas já de certa idade. Ficaram felizes em ver Mulder, lembravam-se dele ainda menino, e prepararam um belo almoço. As duas senhoras, muito curiosas a respeito de Scully, chegaram a comentar: _ Até que enfim você apareceu por aqui acompanhado de uma moça bonita! Scully se perguntou se elas disseram isso porque ele nunca trouxera uma mulher lá, ou se as que ele trouxera não eram bonitas. Olhando para o vídeo sem prestar atenção, Scully revia mentalmente os diversos momentos que transcorreram a partir do início da tarde em que Mulder parecera querer estreitar os laços entre eles. O próprio convite para passar aquele sÁbado juntos era uma clara demonstração de que ele não se cansava da presença dela, mesmo trabalhando juntos a semana inteira. Ela começou a se perguntar se por trás daquele convite não haveria uma 2ª ou 3ª intenção de levar o relacionamento dos dois para um nível mais íntimo e pessoal. Desde que chegaram lá, Mulder estava diferente, parecia empenhado em seduzí-la ou, no mínimo, demonstrar o quanto ela era especial para ele. Mostrou-lhe a casa toda, perguntando se ela gostava. Explicara-lhe que a tia Ruth já havia dividido seus bens entre os sobrinhos, já que não tinha filhos, e que ele herdaria a casa. Passeou com ela pelo pequeno jardim repleto de flores azuis. Num dado momento em que Scully parou para observar um ramalhete, Mulder colocou o braço sobre seus ombros: _ Que bom que você gostou daqui. A partir desse momento ele não se distanciou mais dela fisicamente. Deram umas voltas pelos arredores, mas ele sempre a envolvendo com o braço ou guiando-a pela mão. Por mais ingênuo que Scully quisesse achar que fosse esse comportamento, ela não conseguia deixar de imaginar que devia haver um motivo para Mulder estar agindo assim. Apesar de conversarem muito durante a tarde, evitava olhá-lo nos olhos, que brilhavam para ela verdes e molhados, transmitindo um carinho intenso, provocando sensações que ela queria e temia ao mesmo tempo. Ele estava sendo extremamente cuidadoso, perguntando o tempo inteiro se ela queria alguma coisa. "Brincando" colocou bombons em sua boca e instigou: _ Scully, beijos com sabor de chocolate são deliciosos. A princípio ela sorria tímida, mas no fim da tarde todas as barreiras existentes entre eles pareciam ter sido quebradas, e ela conseguia rir e brincar com ele e contar coisas sobre si mesma. Mulder encontrou álbuns antigos e mostrou a Scully fotos de Ruth, de seus primos, de seus pais, dele e de Samantha quando eram crianças. _ Mulder, como você era fofo e lindo! _ Preferia que você me achasse fofo e lindo hoje. Ele entrou na internet e inscreveu a si mesmo e a Scully num site de quis com perguntas variadas concorrendo a prêmios. Ficaram quase 2 horas rindo das respostas erradas dos dois. Não pareciam dois adultos formais e sim duas crianças se divertindo. Por fim, Mulder mostrou a Scully uma pequena coleção de MP3 que ele fizera ali já que ninguém mais usava o computador, a maioria músicas do Elvis. Ele procurou na rede a única música da Enya que a Scully não tinha em casa: "Willows on the water". A atenção e o carinho de Mulder totalmente voltados para ela um dia inteiro começavam a surtir efeitos: ela não sentia nenhuma vontade de ir embora; queria que aquele sábado se prolongasse para sempre. Por isso não resistiu quando ele propôs que fossem assistir vídeo no quarto que ele ocupava sempre que visitava a tia. A cama de casal ampla e macia acomodava dois seres que se sentiam bem mais íntimos agora, embora a proximidade dos corpos dos dois fosse um fator altamente perturbador para os sentidos de ambos. Mulder sentia o perfume de Scully impregnando-se no seu colchão, no seu edredon e desejava que esse mesmo cheiro impregnasse sua pele. A alegria pela presença dela inebriava-o e ele queria enfiar seus dedos naquela massa de cabelo avermelhado, mas tinha medo. Dana observava parte do seu peito que os botões da camisa pólo verde-escura abertos lhe permitiam ver. Sentiu o braço dele roçando o dela ao procurar o controle remoto e sua própria pele e pêlos se arrepiando com aquele contato. Então ela se virou na cama, se esticando como uma gata manhosa. O edredon desceu até a altura dos quadris. Os braços estendidos para fora da cama, fazendo sua tradicional blusinha branca subir revelando a pele clara. O movimento sinuoso afrouxando os botões, deixando entrever as rendas em seu sutiã. Ela fechou os olhos preguiçosamente, os cabelos espalhados sobre as cobertas, seu corpo se arrepiando mansamente. Subitamente compreendeu o que estava fazendo e abriu os olhos. Mulder apoiando o cotovelo no colchão a contemplava hipnotizado, sem pudor ele subia e descia os olhos descaradamente pelo corpo dela, absorvendo cada detalhe. Por um instante fixou-se em seus olhos, mas não sentiu vergonha por ser pego no flagra e lentamente voltou a descer seu olhar perscrutante, admirando-a, até pousá-lo sobre o decote nos seios dela, cujos mamilos endurecidos eram um espetáculo a parte. Dana percebeu que sua atitude fora um ato instintivo de sedução. Mal podia acreditar que fizera aquilo, mas de fato, ela estava se oferecendo a ele. Seu desejo há tanto tempo trancafiado começava a tomar o controle, após um dia inteiro de intimidade, ela estava, sem se dar conta, agindo como uma fêmea, provocando o macho para que ele a tocasse. Reconhecendo a situação, ela chegou rapidamente a duas conclusões: ou ia embora agora ou estaria em segundos se esfregando no homem que despertava todos os seus desejos. Scully se conhecia muito bem, sabia que seu tesão uma vez acendido dificilmente ela o conseguiria deter. Sabia também que tinha pouco tempo para decidir. Ergueu-se na cama torcendo para estar ainda sob domínio da razão: _ É tarde, Mulder, preciso ir. Ele não esperava aquela atitude repentina dela. _ O que foi? Deu os 5 minutos? – ele perguntou sorrindo. O olhar sério dela respondeu claramente a ele "o quê" é que havia dado nela. O olhar dele por sua vez, respondeu que ele entendia o medo e as reservas dela, mas que o desejo estava ali, explícito para os dois, e que não poderia ser negado. Talvez ela pudesse fugir ainda essa noite, mas em outra muito próxima o que ela temia acabaria por acontecer. Ela levantou-se e calçou os sapatos. Mulder lhe emprestaria o carro pois ele teria que permanecer mais um dia ali para conversar com o contador que concordara em recebê-lo mesmo num domingo. Um silêncio pesado os acompanhou até o portão. Ambos sabiam o que queriam fazer. Ambos sabiam o que estava acontecendo. Na noite fria eles se contemplaram antes que ela entrasse no carro. Ela queria lhe agradecer pelo dia maravilhoso, mas quase não conseguia falar. Seu coração doía, ela olhava para o belo homem na sua frente e parecia ainda ouvir "Willows on the water" em sua mente. Não entendia como aquela despedida estava sendo tão difícil, seu corpo simplesmente não queria ir embora dali. Mulder envolveu sua cintura com as mãos e falou baixinho: _ Dana, o dia de hoje foi o melhor em muitos anos da minha vida. Obrigada. _ Eu adorei ficar aqui com você – ela disse também num fio de voz. Eles falavam bem perto agora. Os olhos brilhavam intensamente, suas testas quase se encostando. Scully apoiava as mãos nos braços de Mulder, que ainda estavam em sua cintura. _ Por que você tem de ir? Amanhã nós vamos juntos – ele a fitava implorando com voz rouca. Ela nada respondeu, mas o azul do seu olhar mostrava que ela travava uma luta interior. Queria abraçá-lo para se despedir, mas não teve coragem. Entrou no carro: _ Nos vemos segunda. Ele abriu o portão e ela foi saindo com o carro devagar. A rua estava deserta, eram quase 10:30 da noite. Já fora do portão, Scully manobrou o carro e foi guiando quase em câmara lenta, os olhos fixos nos olhos de Mulder que a acompanhava ao lado da janela do veículo. Era difícil deixá-la partir. Os segundos se arrastavam dolorosamente. Então ela voltou sua atenção para a frente e depois para o volante. Respirou fundo e desligou o carro. O que se desenrolou a seguir aconteceu muito depressa. Ela abriu a porta do carro, saiu e agarrou Mulder. Ou foi agarrada por ele. Era difícil dizer com certeza. Provavelmente os dois se agarraram ao mesmo tempo. Mulder procurou a boca dela e beijaram-se loucamente. Quando Scully já estava sem quase sem ar, ele afastou seus lábios roçando- os ligeiramente em seu ouvido e sussurrou: _ Por quê... para quê...segurar, evitar isso? _ Não dá mais... não consigo... – ela gemeu em resposta. Mulder colocou o carro pra dentro do portão novamente. Conduziu Scully pela mão de volta ao quarto, deixou-o à meia luz, e fechou a porta. Meses Depois Porão do FBI 08:43 AM _ Não acredito que estamos discutindo isso de novo! _ Eu é que não acredito que você fez isso comigo de novo, Mulder! _ É o nosso trabalho, Scully! Sempre foi! O que está acontecendo com você? _ Vá em frente, complete a frase, Mulder! "É o nosso trabalho! Sempre foi! Sempre será! Os incomodados que se mudem!" Não é mesmo, Mulder? _ Não coloque palavras em minha boca! _ Fazer o "nosso trabalho", Mulder, não significa me ligar num sábado de manhã, do aeroporto, dizendo que está indo para um lugar "secreto" e que eu só devo acionar o FBI se você não der sinal de vida até segunda-feira! Você acha isso certo?! _ Não sei por quê o escândalo, até parece que é a primeira vez que o trabalho nos Arquivos X exige procedimentos fora do padrão. _ Você acha que arriscar sua vida é apenas um procedimento fora do padrão? _ Eu não estava sozinho. _ Ah, mas é claro, tinha que estar acompanhado e ainda mais por quem! _ A Diana me deu uma pista segura e só ela poderia me levar até o local. Além do mais, você já tinha dito catedraticamente que esse caso estava mais do que resolvido e que você não iria mais perder tempo com ele. _ Ótimo! Quer dizer que é só eu discordar de você em alguma coisa que a agente Fowley torna-se automaticamente a sua parceira! Isso é mesmo ótimo, Mulder! _ Scully, não misture as coisas! _ Como "não misture as coisas", Mulder? É só essa mulher aparecer pra fazer você de otário e você cai sem questionar nada? A discussão pega fogo. _ Mesmo que ela me fizesse de otário dessa vez, Scully, você não tem moral para me criticar. Quantas vezes você não caiu de otária na lábia do primeiro espertinho que soube jogar as palavras certas prá cima de você? Até mesmo o Canceroso conseguiu isso, mesmo sendo notório e de conhecimento quase público que ele não presta! _ É isso, então, Mulder? Vingança? – ela tem lágrimas nos olhos. _ Acha que eu saí para investigar um caso com Diana por vingança? As lágrimas rolam por sua face. _ Acho que você ainda gosta dela e se sente lisonjeado com as demonstrações de "quero um flashback" que ela lhe dá até mesmo na minha frente. _ Scully, não vê o que o ciúme está fazendo com você? _ Você não entende, Mulder, nunca consegue me entender? O medo que eu tenho é de perdê-lo! Não para a Diana, mas para algo muito pior! – ela chora copiosamente – Se antes eu já sofria, como acha que me sinto agora, quando vejo que estou prestes a perder você, que algo irremediável possa lhe acontecer. Não suporto mais vê-lo correr de frente para o perigo. Eu lhe disse, Mulder, o motivo pelo qual sempre hesitei em me envolver afetivamente com você, porque eu não suportaria mais vê-lo se arriscar todos os dias, como se isso fosse algo normal. Mas você não se importa com meu sofrimento! Basta a Diana te chamar para qualquer suposta averiguação prá você me ignorar completamente. Ele começa a sentir remorço. _ Scully, não chore desse jeito. Lembre-se, você está sensível por causa dos medicamentos... _ Medicamentos prá quê? Para gerar um filho que vai nascer sem pai? Na verdade não sei o que é pior, se isso ou você sobreviver e seu filho crescer para passar finais de semana de desespero como esse que eu passei sem saber se você iria voltar vivo ou não. _ Scully, pelo amor de Deus... Ela pega a sua bolsa e encaminha-se para a porta. Antes de sair vira-se para dizer: _ Escute uma coisa, Mulder, posso ser a burra ou a desequilibrada que você pensa que eu sou, mas escreva o que eu vou dizer. Quando você der por si, a Diana terá lhe preparado uma armadilha tão boa que nem a burra aqui vai conseguir te tirar. Dizendo isso ela saiu batendo a porta. Mulder suspirou fundo. Depois que eles ficaram juntos ele lhe revelou sobre os óvulos que havia roubado do laboratório de criogenia. Eles resolveram não esperar mais para ele e Scully terem um filho. Procuraram uma médica especialista que explicou a eles que o método mais seguro seria a inseminação artificial. Mesmo assim Scully quis tentar um método mais natural através da reimplantação dos seus óvulos. A porcentagem de êxito era pequena e requeria um tratamento de dosagem hormonal ao qual ela estava se submetendo. Se após alguns meses não houvesse fecundação, então eles fariam inseminação artificial. Mas ultimamente eles vinham brigando demais. Tudo parecia motivo para que discutissem; sempre tinha algo a ver com trabalho. Ao mesmo tempo que seu envolvimento pessoal progredia, sua parceria profissional decaía. Scully parecia cada vez menos disposta disposta a colaborar com Mulder, procurando sempre um meio de provar que o caso em questão não valia a pena ser investigado e que o melhor a fazer era voltarem para casa. Ela se desinteressava dia a dia do trabalho. Mulder tentava conciliar as duas coisas, mas quando decidia investigar sozinho para não obrigar Scully a ir com ele, sempre que voltava a encontrava emburrada, alegando ter sido trocada por quimeras. Ainda para piorar a situação, Diana parecia adivinhar os casos que Scully rejeitava e aparecia prontamente oferecendo ajuda. Ela sabia, assim como todo o Bureau, que eles estavam juntos, mas Mulder percebia os sinais claros de interesse que ela lhe estendia, porém achava que Scully deveria confiar nele, acima de tudo. Durante o resto do dia Scully não voltou a aparecer no FBI. Profundamente contrariado, Mulder foi afogar as mágoas no Bar do Casey, no fim do expediente. Após algumas tequilas, alguém veio lhe fazer companhia. _ Fox? O que faz aqui? _ O mesmo que todo mundo. _ Você parece preocupado. Posso ajudar em alguma coisa? _ Acho que não, Diana. _ Então, pelo menos vou lhe fazer companhia, assim não bebe sozinho. Algumas horas e muitas tequilas depois, Mulder estava meio grogue e sonolento e já falara demais. _ Eu sempre lhe disse, Fox, a agente Scully talvez até seja uma boa pessoa, mas não é a parceira ideal para você. Ela não tem a mesma visão que nós dois, por exemplo... _ Eu e ela ... nós... temos...(hic)... tido problemas... ultimamente... _ Percebo. Afinal por qual outro motivo você estaria aqui? Profissional não é, pois tenho lhe ajudado no que posso e frequentemente tenho até passado da conta. Mas faço isso por você, Fox. Você sabe que é especial para mim. _ A Scully... me completa... _ Sabe, Fox, acho melhor você repensar esse relacionamento. É visível que ele não está lhe fazendo bem. _ A Scully... eu... tenho que ligar pra ela... – ele está completamente bêbado, não ouve direito o que ela está dizendo. Ele tenta se levantar do balcão mas não consegue, está tonto. _ Venha, querido, eu vou te levar para casa. Apartamento do Agente Mulder 07:57 AM Mulder está sonhando com Scully. Em sua mente imagens distorcidas, flashs de lembranças, o rosto dela em momentos de prazer. Scully gemendo. Ele gemendo junto com ela... o suor escorrendo por sua face, por seu pescoço... os olhos azuis brilhando... ele lambendo um fio de suor que escorre entre seus seios... o cheiro dela... suas coxas quentes... Ele acorda com muito calor, o corpo suado. Percebe que está nu agarrando o travesseiro. Pensa em Scully. Com desejo. Resolve: "Não importa os problemas que possamos ter, não posso viver sem você". Levanta-se disposto a ir atrás dela. Olha estarrecido para a imagem em sua cama: Diana nua dormindo. Ele sente um frio no estômago. Veste-se e a acorda. _ Uhm... Fox, querido, já acordou? – ela faz menção de abraçá-lo, mas ele evita. _ Diana, o que aconteceu? Ela ri alto. _ Hahaha... – passa as mãos pelos cabelos dele – não se lembra, querido? Foi tão bom quanto nas outras vezes; mas realmente você estava bem bêbado. Subitamente, como uma intuição, Mulder vê a mentira estampada no fundo dos olhos dela. Não quer discutir, mas sente em seu íntimo que se tivesse feito sexo com ela jamais acordaria sentindo tanto desejo daquele jeito. Há mais de uma semana não fazia amor com Scully e seu corpo o lembrava disso a todo momento. Além do mais, ele estava acostumado a beber, embora não tanto, e nunca havia se esquecido de algo após um porre. Ele via a mentira claramente dissimulada em Diana e lembrou-se automaticamente das palavras de Scully. _ Diana, escute, não importa quantos problemas profissionais eu possa ter com a Scully. Eu a amo mais que tudo na vida. O que nós dois tivemos ficou no passado. Ela é meu presente e meu futuro. Por um instante ele achou que ela ia gritar, tivera a impressão de ver o ódio se instalando na fisionomia dela, mas, o que se seguiu foi um sorriso: _ Ora, querido, somos adultos. Você não acha que eu vim prá cama com você para sair daqui correndo e contar prá sua ruivinha, não é? Eu entendo que foi um momento de fraqueza seu, ao qual eu, como nunca te esqueci, não pude resistir. Mas não se preocupe, isso ficará entre nós. _ Diana, eu não quero ser indelicado... _ Não precisa dizer nada, Fox – ela o interrompeu – eu sei que seu relacionamento com sua parceira não tem futuro e que cedo ou tarde você voltará para mim, mas sei também que você está iludido e por isso não vou pressioná-lo. Quero apenas que saiba que o que aconteceu entre nós pode voltar a acontecer quando você quiser. É só você me procurar. _ Diana, por favor, se arrume e vá embora agora – ele estava impressionado com o cinismo dela ao insistir que eles tivessem feito sexo durante a noite. Calmamente ela se vestiu e saiu; antes porém disse: _ Só mais uma coisa, Fox. Assim que tiver um tempinho, ligue-me, pois preciso conversar com você, mesmo que seja no FBI. Tem uma coisa sobre seu passado que você precisa saber. Ah, se a agente Scully quiser ir junto, não tem problema, pode levá-la. Até mais, Fox. Ele não se importou muito. Não podia imaginar o que estava por vir. Apartamento da Agente Scully 05:17 PM Mulder subia as escadas que levavam ao apto. de Scully com a mente em turbilhão. Ela não aparecera aquela manhã no FBI, não atendia o celular e Skinner dera-lhe ordens que o impediram de abandonar suas funções para ir procurá-la. Mulder aproveitou o horário do almoço para falar com Diana Fowley e saber o que ela queria lhe dizer. O assunto não poderia ser mais bombástico. Da maneira mais natural do mundo, como se não fosse nada, Diana Fowley disse a ele que quando eles romperam seu relacionamento, cerca de 8 anos atrás, ela estava grávida. Mas não contou nada para que ele não pensasse que ela estivesse querendo usar isso para mantê-lo preso a ela. Além do mais ela compreendia que ele era muito novo, tinha uma carreira pela frente e não estava preparado para ser pai. Por isso ela tivera uma menina sozinha na Inglaterra, que estava sendo criada durante todos esses anos num colégio interno em Londres e que ela a visitava sempre que podia. Mas... agora a menina estava crescendo e perguntando muito sobre o pai, então, ela achou que já era hora de Mulder saber. Ela também deixou claro que não queria nada em troca e nem estava dando essa informação com segundas intenções; inclusive ela achava que ele não deveria simplesmente acreditar nas palavras dela e sim fazer um exame de DNA para não ter qualquer dúvida. Ela estava sendo tão aparentemente correta que ele não conseguia deixar de achar que havia algo de muito errado nessa história. Ele ouviu tudo impassível, sem esboçar nenhuma reação. Disse apenas que faria o exame de DNA. Diana despediu-se calmamente dizendo que providenciaria a vinda da menina da Inglaterra para que o exame fosse feito e eles pudessem se conhecer. Ele não se conteve e ligou para Scully assim que retornou ao escritório. Ela atendeu friamente e ele contou tudo a ela sobre a conversa da paternidade. Ela não disse nada, nem uma única palavra a respeito, embora ele soubesse que ela devia estar tão abalada quanto ele. Após o silêncio no telefone ele perguntou: _ Scully, você está me ouvindo? _ Sim. _ ... _ ... _ Está em seu apartamento? _ Sim. _ Vou para aí assim que o Skinner me liberar. _ ... _ Scully, você me ouviu? _ Sim. Ela respondeu e desligou o telefone. Ele subia as escadas do prédio dela apreensivo, não sabia como ela o receberia, qual seria sua reação. Scully estava vivendo há dias num inferno interior. O sumiço de Mulder no último final de semana só agravara uma situação que estava instável. Ela simplesmente não suportava mais vê-lo correndo perigo. No fundo ela queria largar aquela vida, o FBI, tudo, mas sabia que Mulder jamais concordaria. Ela não queria viver sem ele, mas não estava conseguindo viver com ele. Ela sabia que os medicamentos que estava tomando para propiciar a fecundação, podiam estar deixando-a hipersensível. Mas começava a duvidar que ela e Mulder pudessem vir a ter um bebê fosse por esse método ou por qualquer outro. Não do jeito como vinham se desentendendo. Como poderiam planejar um filho com um futuro tão incerto para os dois. E agora essa notícia. Mulder já tinha um filho. Ou melhor, uma filha. As coisas estavam ficando cada vez mais difíceis para eles. Ela não conseguia ignorar o pressentimento ruim de que estava prestes a perdê-lo. Não estava conseguindo mais pensar. Tirou a roupa e foi se deitar. Acabou adormecendo de tanto chorar. Scully acorda ouvindo batidas na porta. Entreabre os olhos sonolenta. Pela luminosidade que entra pela janela do seu quarto, deve estar anoitecendo. Ouve novas batidas. Levanta-se ainda tonta por ter dormido à tarde, reconhece a batida de Mulder e vai abrir a porta. Ele percebe que ela acabou de acordar. Os cabelos desalinhados, o olhar que não se fixa , seu rosto está corado demais e ele presume que ela provavelmente esteve chorando antes de adormecer. Ela também esqueceu de vestir alguma roupa antes de abrir a porta, indo atendê-la do jeito que estivera dormindo. Uma calcinha bem cavada e uma camisete creme era tudo que ela vestia. Não o fez de propósito, nem teve tempo de pensar em seduzí-lo, seus pensamentos totalmente voltados para a sua tormenta interior. Mesmo assim estava absurdamente sensual. E isso era o que mais seduzia Mulder, ela era naturalmente sexy. Ela abriu a porta e deu passagem para que ele entrasse, mas não o olhava diretamente. Mulder percebeu que ela ainda estava muito magoada. Ela passou a mão pelo rosto e cabelos tentando acordar e se ajeitar um pouco e foi sentar num dos braços do sofá. Para Mulder pareceu que só então ela se deu conta de que como estava vestida, pois pegou uma almofada do sofá e colocou sobre suas pernas apoiando as mãos ali. Permaneceru calada esperando que ele falasse. Por fim ele falou, em pé, no meio da sala: _ Espero que não seja tarde para pedir desculpas. Ela não disse nada. _ Sei que estamos passando por um momento de crise em nosso relacionamento. O trabalho não tem ajudado; você está num momento delicado de sua vida e eu ... eu não tenho sido tão bom quanto você merecia. _ ... _ Scully, eu ... não sei como explicar isso mas, estou começando a entender o que você tem tentado me dizer a respeito de Diana Fowley. Eu não tenho nenhum dado concreto mas, estou começando a desconfiar do comportamento dela, de que ela esteja realmente aprontando alguma coisa. Ela mantinha a cabeça baixa olhando para as próprias mãos. Ele já estava sentindo medo com o silêncio dela. Sua voz começou a tremer e a altear pelo nervoso: _ E-eu... sei que muitas coisas ruins poderiam ter sido evitadas se ouvisse você, eu ... sei que sou burro, teimoso e grosso quando já deveria ter aprendido a ser mais lógico, mais desconfiado e sobretudo mais delicado, gentil e justo com você. Mulder tinha os olhos rasos d'água e pela face de Scully as lágrimas já rolavam. _ Me perdoe, amor, por favor. Eu vim te pedir prá não desistir de mim... porque eu não posso existir sem você. O medo de perdê-la fazia as lágrimas descerem pelo seu rosto agora. Pela primeira vez, então, ela falou, entre lágrimas: _ Nós apostamos tudo nesse relacionamento, nossa confiança, amizade, carreira, todas as fichas, simplesmente por que era prá ser o maior e melhor relacionamento de nossas vidas... mas agora... Cada palavra doendo fundo nos dois. _ ... agora não consigo mais acreditar que possa dar certo de nenhuma maneira... Ouvindo isso ele vai para perto dela e ajoelha; apóia as mãos na almofada que ela tem no colo. _ Por favor, Scully, não diga isso! Eu sei que está sendo difícil, reconheço a minha culpa... mas, por favor... não desista da gente, não desista de nós. Eu não creio no fracasso do nosso relacionamento. Apesar de tudo eu acredito que estejamos destinados um ao outro... _ Não estamos colaborando com esse destino, ou então, ele é que não está colaborando conosco... _ Você se lembra, Scully, daquela conversa que nós tivemos – ele tentava sorrir apelando para as boas recordações, desejando internamente que isso pudesse salvá-los – sobre as almas-gêmeas? Sobre como elas sofrem e sofrem até conseguirem ficar juntas? Você se lembra – ele segura as mãos dela – naquele dia nós decidimos que éramos almas- gêmeas. _ Almas-gêmeas não se "decidem", Mulder, elas simplesmente "são". Nós chegamos a essa conclusão porque foi muito difícil ficarmos juntos... mas agora, agora é diferente... não são as coisas à nossa volta que estão nos causando sofrimento, somos nós mesmos! Não acredito que almas-gêmeas possam machucar uma à outra tanto assim... _ Scully, todos os casais brigam algumas vezes, passam por fases ruins... Ela o olha nos olhos pela primeira vez e diz pausadamente: _ Não quero viver com você assim, Mulder. Não foi para isso que esperei tanto tempo por você. Mulder está apavorado. Percebe que se não fizer alguma coisa rápido para fazê-la mudar de idéia, ela terminará tudo entre os dois. _ Scully, tudo vai melhorar, você vai ver! Não vamos nos deixar abater pela primeira dificuldade que surge à nossa frente! Nunca agimos assim no trabalho, como podemos reagir assim quando se trata do nosso relacionamento, que prá mim, Scully, é a coisa mais importante da minha vida. Nós temos um futuro pela frente... o nosso bebê... – ele chora – vai desistir dele? _ Como posso pensar em trazer uma criança ao mundo com todo a estrutura do nosso relacionamento indo pelos ares? – ela chora copiosamente – O nosso bebê, Mulder... é só mais um sonho de desvanecendo como o nosso romance... Ela levanta-se bruscamente e caminha até a porta: _ Vá embora, Mulder, por favor, vamos acabar logo com isso! Ele não pode acreditar no que está ouvindo. Começa a argumentar desesperado: _ Scully, é por causa da menina que a Diana diz que eu sou o pai? Olha, se for, você não tem com o quê se preocupar, porque se o teste de DNA der positivo eu vou assumir minha responsabilidade, mas isso não tem nada a ver com nós dois e nossos planos para o futuro... _ Não há mais futuro, Mulder, vá embora! – ela grita e abre a porta. Ele está paralisado em pé, ao lado do sofá. Chora. As palavras dela soam dentro da cabeça dele como uma sentença maldita. _ Você entendeu, Mulder? Vamos encerrar esse capítulo de nossas vidas enquanto ainda há tempo para que sobre algo de bom para nos lembrarmos... da nossa parceria... da nossa amizade... – não consegue terminar a frase, chora convulsivamente. Mulder olha-a de cima a baixo. De repente a imagem dela parece acordá-lo de um transe. _ Não! – ele diz – Nós não vamos terminar assim. Ele caminha até a porta e a fecha. Scully não tem forças para reagir. Ele tira as mãos dela do rosto e a abraça, envolvendo o corpo dela completamente. Passa as mãos no rosto dela, afastando os cabelos, limpando as lágrimas dela enquanto as suas próprias caem. Fala baixinho: _ Vai ficar tudo bem, não chore mais... Nós não vamos terminar assim – encosta a cabeça dela em seu peito fazendo carinhos nos cabelos dela, enquanto sua outra mão segurava-a fortemente pela cintura, contra seu corpo, tentando com esse gesto acalmar a ela e a si próprio – Eu não vou desistir de você... nunca vou desistir de você... porque você é a minha vida... _ Ela vai lentamente parando de soluçar. Não o abraça, mas permite que ele o faça. Mulder sente que está temporariamente seguro. Vira devagarinho o rosto dela prá cima, segurando-a ternamente pelo queixo. Quando seus olhos se encontram uma lágrima solitária cai dos dois. Eles se contemplam ante o medo enorme da separação. Mulder diz baixinho: _ Me dá uma chance e tudo vai ser diferente... eu prometo. Scully fecha os olhos, sem forças para refutar. Se entrega querendo acreditar. Mulder beija o rosto dela, passa os dedos por seus cabelos, sente o cheiro dela atrás da orelha... a nuca. Ela se sente derreter. São quase 7 da noite e nenhum dos dois acendera a luz, a sala começava a escurecer. Mulder sente o calor das costas dela por cima da camisete. Lembra-se de que ela está quase nua e do seu desejo por ela ao despertar naquela manhã. A necessidade de possuí-la é agora mil vezes maior. Vai descendo dando leves beijos em seu rosto, em direção ao queixo. Sente um estremecimento nela e faz o mesmo em seu pescoço. Ela solta um gemido. Empurra mais seu corpo contra o dele, encostando os mamilos rijos em seu peito. Com uma mão por dentro da camisete apertando-lhe a cintura e a outra segurando-a pela nuca, ele começou a devorá-la em beijos desesperados, saboreando sua língua, seu gosto... bebe a saliva dela inebriado. Seu corpo reagindo a tanto prazer de forma instantânea. Ele sente uma área de fogo incontrolável entre suas coxas másculas. Quer penetrá-la rápido. Ela sente a mesma fogueira ardendo em seu ventre, entre suas pernas. Seu corpo contrai-se no desejo de tê-lo dentro de si. Um prazer incrível ao sentir seus seios roçando nele. Sem poder esperar, mais começa a tirar a camisa dele puxando-o ao mesmo tempo em direção ao quarto. Ele chega lá sem a camisa e quase sem as calças. Estavam com pressa e enlouquecidos. Scully descia a cueca dele acariciando sua maior fonte de prazer, deixando-o completamente maluco. Ajoelhados em cima da cama, excitando-se mutuamente, ele acariciava com mãos enormes e ávidas o bumbum dela, a parte interna de suas coxas. Colou seu corpo ao dela e à medida que a calcinha ia sendo retirada, acariciava sua floresta de pêlos com o próprio sexo. Ela jogou a cabeça prá trás delirando de prazer e oferecendo a ele seus seios ávidos pela boca dele. Rapidamente ele tirou a camisete e começou a sugá- los enquanto suas mãos passavam fortes e decididas por todo o corpo dela. Scully já não gemia, gritava de prazer enquanto Mulder estava completamente fora de si sentindo sua ereção deslizar deliciosamente na umidade dela. A agonia do prazer era insuportável quando ela o chamou com voz doce e rouca, travada pelo tesão, que Mulder adorava ouvir: _ Vem! Ele parecia estar só esperando esse chamado para deitá- la na cama e invadí-la completamente. A cada estocada ela se esfregava mais e mais nele. Chegaram a um estado de platô, onde o prazer era permanente mas o orgasmo não vinha, mantendo-os naquela dança cadenciada, falando palavras desconexas, num frenesi alucinado de paixão. _ Dana... você me deixa louco... eu te amo... isso é bom demais... _ Vem... não pára... vem mais... prá dentro de mim... assim... ahhh... Seus corações batiam tanto que parecia que iam explodir. Eles não eram mais um homem e uma mulher, eram pura energia de amor e paixão. Então, Mulder afastou seu corpo ligeiramente do dela, modificando brevemente sua posição, só para em seguida penetrá-la mais fundo, fazendo-a gritar enquanto sussurrava em seu ouvido "Eu amo você". Ela cravou as unhas nas costas dele, projetando o corpo prá frente e, finalmente, ambos gozaram. Deixando o corpo e a alma em paz, pelo menos por enquanto. Dias Depois FBI Escritório dos Arquivos X 10:45 AM Mulder e Scully no porão examinando casos. Ele no computador. Ela em pé mexendo nos arquivos. Há uma relativa paz entre eles que ambos se esforçam para manter. Uma sombra, porém, logo não tarda para escurecer o ambiente: batidas na porta anunciam a presença funesta de Diana Fowley. Mulder e Scully olham para ela sérios, esperando que ela diga a que veio. Percebendo a fria recepção, ela dirige-se a Mulder. _ Fox, preciso falar com você. Scully nada diz, continua mexendo nos arquivos. _ Pode falar , agente Fowley. Ela não gostou de ser chamada assim por ele e resolve apelar: _ Acho melhor conversarmos em particular. _ Não é preciso, se for sobre o exame de DNA pode falar, quer marcar a data? _ Não... – ela parecia reticente – na verdade não é isso... Michelly chega na semana que vem, mas o assunto que me trouxe aqui é um pouco mais urgente. _ Pode falar, se pudermos ajudar em alguma coisa – ele não lhe dava atenção, mexia nas gavetas enquanto falava sem olhar para ela. _ Estou certa, Fox, de que vai preferir tratar esse assunto comigo, a sós. _ Custei a aprender, mas agora não trato assunto nenhum da minha vida sem a presença da Scully. Seja lá o que for que você tenha para falar, se me envolve, vai ter que falar na frente dela. _ Está bem, Fox, já que você insiste, mas depois não me culpe pelas consequências, embora... – ela olha para Scully com desdém – de qualquer forma, cedo ou tarde ela ficará sabendo. Os três finalmente se encaram e Diana Fowley dá o tiro de misericórdia na paz que Mulder e Scully vinham tentando manter no seu relacionamento: _ Fox, estou grávida. Scully olhou para Mulder desejando intensamente que ele não tivesse nada a ver com isso, embora soubesse que, se não tivesse, a vaca da Diana não estaria ali lhes dando a notícia. Assim que compreendeu a implicância daquelas palavras, Mulder empalideceu, principalmente porque não contara nada a Scully sobre o episódio no seu apartamento. Embora acreditasse não ter feito sexo com ela, nesse momento tinha medo de fazer qualquer pergunta. Mas não foi preciso. Diana, muito dona da situação, continuou regendo magistralmente seu espetáculo solo: _ Não sei se você contou à agente Scully sobre o nosso "momento de fraqueza" mas o fato é que nossos atos tiveram consequências e agora você será pai novamente, Fox. Sei que você não esperava por isso... e nem eu, mas... não vou abrir mão dessa nova oportunidade de ser mãe, na minha idade pode ser minha última chance. Dirige-se à Scully: _ Sei que tem planos com ele, agente Scully, mas apelo à sua consciência de mulher: já deve ter percebido que o relacionamento de vocês não tem futuro, ao contrário eu e Fox, bem... – ela ri – nós nos conhecemos muito e, por mais que o destino nos afaste por vezes, sempre acabaremos nos reencontrando; ainda mais agora que somos praticamente uma família. Deixe-o para nós, agente Scully – ela diz alisando o ventre – Você é jovem e poderá reconstruir sua vida sozinha. Mulder se irrita. _ Não acredito que esse filho seja meu, Diana! Não aconteceu nada entre nós! Ela faz um olhar triste: _ Pensei que já estivesse maduro para assumir seus atos, depois de 9 anos, Fox. Ainda pode se esconder atrás de mentiras, mas não poderá negar o resultado do exame de DNA que faço questão de realizar ainda na fase fetal. Já de saída, ela falou: _ Lamento estragar seus planos, Fox, mas dessa vez não vou deixar que um filho nosso cresça sem pai. Assim que Diana saiu, Skinner entrou, sentou-se e começou a falar sobre a evolução de um caso cujo departamento estivera envolvido, alheio ao drama que se desenrolara ali minutos antes. Falou por cerca de 15 minutos para os agentes que o ouviram em silêncio. Completamente absorta em seus pensamentos, Scully não ouvia uma palavra do que Skinner dizia. Quando ele saiu da sala, ela já tinha tomado sua decisão. Pegou a bolsa e preparou-se para sair. Quando Mulder ia impedí-la o telefone tocou. Era do laboratório, a atendente queria saber quando ele poderia realizar os exames. Ele respondeu "o mais rápido possível" e tratou de desvencilhar-se da ligação dizendo que entraria em contato depois. Assim que desligou Scully já sumira do seu campo de visão. Saiu correndo pelos corredores em busca dela. Avistou- a no pátio externo do FBI, ela ia rumo ao seu carro no estacionamento. Gritou por ela, que não se virou nem respondeu. Correu para alcançá-la. _ Scully! Ela começou a procurar as chaves do carro dentro da bolsa sem lhe dar a mínima atenção. _ Scully, precisamos conversar. _ Não, não precisamos mais. _ Scully, você não acreditou no que ela disse, não é? Ela explodiu: _ Ela não pode ser tão burra a ponto de inventar uma história dessas sabendo que o exame de DNA provaria o contrário se não fosse verdade! _ Scully, eu estava bêbado, acordei com ela no meu apartamento... Ela o olha com ódio. _ ... Eu não lhe disse nada porque não achei necessário e... _ Realmente, não era mesmo necessário – ela começa a chorar, berrar e dar murros no peito dele – Fez amor comigo e com ela no mesmo dia, seu cachorro, canalha! Desgraçado! _ Scully, eu juro que não aconteceu nada – ele tenta segurar os golpes dela. Estavam dando escândalo no estacionamento. _ De todas as decepções que eu poderia ter com você, Mulder, essa foi a pior. Eu me enganei achando que você tinha ética e valor na vida pessoal, não só na profissional. Nunca pensei que como homem você se igualasse a todos os da sua laia, mantendo duas mulheres ao mesmo tempo. _ Scully, tem que acreditar em mim! _ Nunca mais vou acreditar em você! Dias Depois Scully passou alguns dias afastada do Bureau, pediu uma licença. Deu ordem ao síndico do prédio que proibisse a entrada de Mulder. Não atendia as ligações e tomou uma decisão. Esperaria o resultado dos exames de DNA que Mulder se submeteria e então resolveria se continuava ou não no FBI. Foi então que ela percebeu que havia algo errado em seu corpo, que não era só estado nervoso como ela achara antes. Sentia-se estranhamente "doente". Foi ao médico e descobriu que estava grávida. Na mesma época soube que os exames de DNA a que Mulder submetera-se deram positivos; ele era pai de duas crianças: uma menina de 8 anos e um bebê que iria nascer em alguns meses. Scully não chorou nem se sentiu mais doente, então. Uma força estranha, totalmente nova a dominou. Ela se sentia forte, vitoriosa. Mulder colheria os frutos dos enganos e desenganos de sua vida. Ele tinha uma família e Scully achava agora que ele merecia Diana Fowley. Que fossem felizes. Ela desejava isso sinceramente, apesar de toda a sua dor, porque afinal as crianças não tinham culpa de nada e seria melhor prá todo mundo se eles fossem felizes. Mas o seu bebê... Scully não o dividiria com ele. Não exporia o fruto do seu amor ao ódio de uma Diana Fowley. Não o disputaria usando a gravidez como um troféu, como Diana Fowley fizera. Não valia a pena. Mulder já provara que não era fiel ou responsável. O seu bebê não teria um pai, mas teria a ela Dana Scully, e isso seria suficiente, pois aquela criança também era tudo o que ela teria daqui prá frente. Scully resolveu que voltaria a trabalhar no Bureau, mas não faria mais trabalho de campo; comunicou a Skinner a sua decisão, que foi aceita prontamente. Na véspera de seu retorno ao FBI, foi procurada por uma visita nefasta: _ O que faz aqui?! _ Vim dar-lhe os parabéns pelo bebê – o visitante respondeu entre uma tragada e outra de cigarro. _ Saia do meu apartamento! _ Ora, não se exalte, não faz bem no seu estado. Eu já estou de saída. Só queria dizer-lhe que para o seu bem e do seu bebê, é melhor que Mulder não saiba que ele é o pai. Você compreende, não é? Não convém estragar uma família... Ela não sabia como o Canceroso soubera, se pelo chip em sua nuca ou se rastreara seus exames na Clínica, mas isso não tinha importância. Embora já houvesse se decidido, esse era um fator a mais para negar a paternidade de Mulder. No dia seguinte, Scully retornou ao porão do FBI. Mulder estava magro e abatido. Depois do resultado dos exames de DNA, ele perdera totalmente as esperanças de tê-la de volta. Embora achasse difícil acreditar ser pai de uma menina de 8 anos, sabia que isso era possível. Mas quanto ao novo bebê de Diana, foi um choque. Ele não conseguia acreditar que tivesse feito sexo com ela naquela noite mas, o exame estava lá e não podia ser contestado. Mulder se sentiu o cachorro que Scully dissera que ele era, e por fim concluiu que devia estar mesmo tão bêbado que não se lembrava do fato, ou então, sua memória tentara apagar isso para isentá-lo da culpa por Ter traído Scully. De qualquer forma ele tinha sido um canalha e para não denegrir ainda mais a sua imagem perante os olhos de todos, de si mesmo e, principalmente, de Scully, o mínimo que podia fazer era prestar toda a assistência a Diana. Quando Scully entrou na sala, Mulder não teve coragem de olhá-la. Ela se aproximou, ficou em frente à mesa dele e falou calma e pausadamente: _ Estou reassumindo minhas funções. Não farei mais serviço de campo, os relatórios estão sob minha responsabilidade, assim como as autópsias e eventuais aulas em Quantico e casos em que o Bureau necessite de meus conhecimentos em medicina forense. Continuarei nos Arquivos X auxiliando-o no limite de minhas possibilidades. Ela fez uma pausa para respirar. _ Mulder... coloquei uma pedra sobre o passado e espero que faça o mesmo. Acho que podemos voltar a ser bons colegas profissionais se nunca mais misturarmos nossas vidas pessoais. Quero que você saiba que desejo sinceramente que você seja feliz com seus filhos, agora que o melhor que você tem a fazer é casar-se com Diana. Ele ouviu as palavras dela como uma sentença de morte. Não havia mesmo qualquer coisa que ele pudesse fazer. Não casar-se com Diana agora apenas deixaria transparecer leviandade e faria com que Scully o desprezasse ainda mais. E ele não suportaria mais ser reprovado por ela. Queria fazer, mesmo em seu erro, alguma coisa que ela julgasse correto. Se casaria com Diana, se ela achava que isso era o melhor a fazer, mesmo que isso o fizesse infeliz, afinal era justo que ele pagasse um pouco de todo o sofrimento que causara à Scully. Mesmo porque nada poderia fazê-lo sofrer mais depois da perda definitiva de Scully, já que a felicidade não era mais uma coisa possível em sua vida, tentaria, então, apenas fazer a coisa certa. Ele apenas olhou-a, demonstrando concordar com as palavras dela, já que aquela era a sua vontade. Pelo menos teria a presença dela nos Arquivos X, o que era melhor que nada. Olhando-a ele achou-a diferente, especialmente bela, com um brilho especial que ele nunca vira antes. Parecia ...serena. Talvez ela estivesse mesmo melhor sem ele, afinal, em todos esses anos, ele só contribuíra para tirar a sua paz. Mulder só descobriu que Scully estava grávida meses depois, porque ela desmaiou perto dos arquivos. Ele socorreu-a desesperado. Quando ela recuperou a consciência, ele insistiu que ela estava doente: _ Scully, me diga a verdade, você está doente? _ Não, Mulder, não estou doente. _ Vou chamar um médico. _ Não é necessário. _ Você está doente e não que me dizer – ele presumia desesperado já se achando o culpado. _ Não estou doente! _ O que é que você tem? _ Estou grávida. Pela 1ª vez em muitos meses um brilho de esperança perspassou pelos olhos de Mulder. Ele quase sorria ao perguntar, já bem próximo dela, fazendo menção de tocar na barriga, embora ianda não fosse muito visível: _ É o nosso bebê? Ela virou o rosto olhando prá baixo. Não podia encará- lo ao responder. _ Não! Eu... fiz inseminação artificial. Recorri ao banco de sêmen. Também preciso reconstruir minha vida, Mulder.. além do quê, você já tem filhos demais. Toda a alegria do semblante dele foi embora. Como um menino que quase ganhara um doce ele agora se entristecia novamente. Scully estava dano novo rumo à sua vida. E se ela se afastasse definitivamente do FBI? 4 Anos Depois Rodovia Headrow 08:25 AM Dana Katherine Scully rumava para o seu serviço no FBI. Acabara de deixar sua filha Jessica de 3 anos e meio na creche e relembrava o dia em que ela nasceu enquanto dirigia. Os meses de sua gravidez passaram calmos. Mulder não permitia que ela fizesse esforço algum. Tentava cuidar dela, apesar das circunstâncias. Ele casara-se com Diana Fowley numa manhã de 2ª feira em que Scully fazia o pré-natal e do cartório foi direto para o trabalho. Não houve lua-de-mel nem comentário algum sobre o fato. Ao chegar nos Arquivos X, a 1ª coisa que Mulder fez foi perguntar como foram os exames. Apesar do frio profissionalismo que ela procurara manter, Mulder não escondia seu carinho e sua preocupação com ela e com Jessica. Scully se perguntava se ele era tão atencioso assim em casa. Durante todos esses anos ele jamais usara aliança, nem tirara férias. Diana Fowley pediu demissão do FBI antes do parto, e até onde Scully sabia ela não trabalhara desde então. Mulder não trazia nada da sua vida pessoal para o trabalho. Não havia nenhuma foto de Diana ou de seus filhos sobre sua mesa, ao contrário da de Scully, que tinha sempre, no mínimo três fotos de Jessica. Ele não parecia um homem casado; pelo contrário parecia mais largado do que antes. A única diferença entre o Fox Mulder de agora e o Fox Mulder do passado é que esse era visivelmente mais triste. Dana vira os filhos dele pouquíssimas vezes. Espantara- se ao ver Michelly. Ela era lourinha, tinha os cabels cacheados e era muito calada; não parecia nem com Mulder, nem com Diana. Scully imaginou que ela devia ser muito tímida devido aos anos em que crescera longe de uma família. Já o menino, Michael, nasceu menos de dois dias antes de Jessica (Scully teve que dizer que ela nascera com menos de 8 meses) e era a cara de Mulder. A semelhança entre pai e filho era gritante, só o verde dos olhos do menino era de um tom diferente. Mas sempre que perguntava sobre eles Mulder desconversava, simplesmente não parecia interessado em responder. O que era estranho levando-se em conta o alto interesse que ele tinha por Jessica. Quando Dana lhe contava alguma coisa engraçada que Jessica fizera, ou quando a levava rapidamente ao Bureau, eram as únicas vezes em que o via sorrir. Quando Michael nasceu, Mulder e Scully estavam em uma viagem de investigação a quilômetros de Washington. Skinner ligou avisando que Diana dera à luz. Scully ouviu Mulder perguntar se estava tudo bem e que voltaria dentro de uns 3 dias e desligar. Scully lhe deu os parabéns e ele respondeu: _ Tá. No dia seguinte Dana começou a sentir-se mal. Mulder pensava que ela estava na metade do 7º mês, mas na verdade já passava dos nove. Por essa ironia do destino Mulder estava presente quando Jessica nasceu de uma cesariana naquela noite. Ele chorou quando segurou Jessica nos braços. Encheu o quarto de flores e adiou sua volta a Washington até que Scully pudesse viajar com o bebê. Ele parecia não ter nenhuma pressa em ver o filho. Scully imaginou que Diana não devia gostar nada disso. Mulder enchia Jessica de presentes e sempre que comprava algo para seus filhos comprava para ela também. Scully procurava retribuir a gentileza, enviando algumas lembranças para Michael e Michelly pelo menos no natal, mas Mulder não parecia muito satisfeito ou à vontade com isso. Um dia, quando Jessica tinha pouco mais de um aninho, Mulder foi pegar um relatório na casa de Scully. Quando ele ia embora a pequena acenou: _ Tchau, Mulder. Ambos ficaram estarrecidos. Ela não falava muitas palavras, mas disse o nome dele direitinho. Mulder pegou-a no colo e fez a maior festa. Recentemente ocorrera um fato insólito no Bureau; Scully chegara ao escritório um dia de manhã e Mulder estava ao telefone sorrindo e falando carinhosamente com alguém que, após 5 minutos de conversa e pelas palavras ditas, deduziu ser a filha dele. Scully pensou: "Que bom que Mulder está parecendo mais feliz com a família". Então, depois de um tempo ele lhe estendeu o telefone dizendo: _ Scully, é a Jessica, ela quer falar com você. Agora, com quase 4 anos, Jessica era uma menina falante, carinhosa e cativava a todos com sua meiguice. Era muito bonita, com cabelos castanhos e grandes olhos azuis. Mas um detalhe preocupava Scully: estava cada dia mais e mais parecida com Samantha Mulder. Até Margareth Scully já percebera isso e comentara, pois no fundo desconfiava daquela história de inseminação artificial. Se continuasse desse jeito, ela seria uma cópia perfeita de Samantha Mulder em breve. E aí, o que ela iria dizer se Mulder exigisse um exame de DNA? Casa dos Mulder 08:30 AM Mulder acordou com os berros de Michael vindo da cozinha. O menino o que tinha de bonitinho tinha de intragável. O moleque era uma pestinha e Mulder costumava pensar que esse era o castigo que ele merecia por ter pulado a cerca numa bebedeira. Desde então, ele nunca mais ingerira uma gota de álcool, embora muitas vezes tivesse vontade de se embebedar para esquecer a vida que tinha. Lembrou-se do trabalho, o único motivo que tinha para viver e levantou para se arrumar. Chegou à cozinha e olhou para a confusão. Michael em cima da mesa batia o pé e dizia que não ia descer. Michelly chorava no canto da porta e Diana, num vestido simples de dona de casa, caminhou até Mulder. _ Bom dia, querido! Dormiu bem? – ele tentou beijá-lo nos lábios, mas ele desviou permitindo que ela o fizesse apenas no rosto. _ Não parece um bom dia por aqui – ele foi até Michelly, que geralmente era a vítima dos atentados de Michael. _ O que aconteceu, querida? _ O Michael jogou sucrilhos em mim – ela choramingou. Já tinha 12 anos, mas era franzina e falava num fio de voz. Isso quando falava, pois não era difícil passar um final de semana inteiro sem ouví-la emitir um único som. Era tímida e parecia ter tanta dificuldade em se entrosar naquela família quanto o próprio Mulder. Como psicólogo Mulder percebera que ela se sentia uma intrusa ali e não como parte da família. Tentara reverter o quadro, fazê-la sentir-se aceita, mas ela quase não conversava, fugia dos carinhos dele e quando Mulder sugeriu uma terapia para vencer aqueles bloqueios, Diana o impediu veementemente dizendo que Michelly era cheia de frescuras e que tinha que se adaptar. Diana, como sempre, justificava todas as atitudes de Michael. _ Ele é pequeno, ela como irmã mais velha tem que entender. Virando-se para Michael continuou: _Vamos, querido, desça daí. _ Não desço, você não manda em mim. Mulder agarrou o moleque de cima da mesa e colocou no chão. Abaixou-se à altura dele para olhá-lo nos olhos. _ O que acontece com você, menino? Não se cansa de fazer coisas feias? Até quando vai fazer essas malcriações? _ Fox, não fale assim com ele! – Diana interveio. _ Ele precisa de freios, Diana. Não pode fazer tudo o que tem vontade. _ Ele é só um menino – ela diz passando as mãos nos cabelos do garoto que permanece de braços cruzados, emburrado. _ Queria que você fosse condescendente assim com a Michelly. _ Michelly é uma adolescente boba e mimada que tem obrigação de entender e perdoar as travessuras do irmão – ela fala irritada. _ Se não tomarmos providências ele vai virar um monstrinho, isso sim. _ Fox, nenhuma criança dessa idade tem modos. _ Está enganada. _ O que você entende de crianças? – ela começou a se enervar. Mulder fala sem pensar: _ A Jessica não é assim! Diana o fuzila com o olhar. _Michelly não é assim. – ele tenta consertar – É nosso dever educá- lo, ensinar a ele o que é certo e errado. O ônibus escolar chega. Michelly pega a sua mochila e sai porta afora ainda chorando. Mulder a chama, corre para fora para lhe dar um beijo. Ela não pára, corre e entra no ônibus. Diana leva Michael pela mão. _ Não vai dar um beijo no seu filho, Fox? Ele beija a testa do garoto, que passa a mão limpando em seguida. _ Filho, por favor, comporte-se. Não quero mais ouvir as professoras reclamarem de você. Eu sei que você pode fazer as coisas diretinho. _Fox, não amole o Michael! As professoras é que se irritam com qualquer bobagem. O ônibus parte. Mulder anda em direção ao carro. _ Fox, venha tomar café antes de ir. _ Eu tomo no escritório. Ela o abraça por trás, pela cintura. _ Querido, há tanto tempo não tomamos o café da manhã juntos, não temos um tempo prá nós. Ele se solta devagar e abre a porta do carro. _ Tenho muito serviço no escritório. _ Fox, que tal se fôssemos viajar no final de semana, só nós dois? Podemos deixar as crianças com uma babá. Ele a olha sério. _ Acha mesmo, Diana, que um final de semana vai mudar alguma coisa? _ Você não nos dá atenção... _ As coisas estão erradas por aqui há anos e você não quer ver. Trata Michelly como se ela não fosse sua filha e está deixando Michael se tornar uma criança insuportável e quando falo você tira minha autoridade e nem aceita sugestões na educação deles! _ Querido, nesses anos todos eu tenho esperado que você esquecesse seu passado e me desse um pouco mais de atenção;... se acostumasse com a nova situação de ter uma família, mas... – ela não sabe se sente raiva ou chora de frustração – você nunca está disponível para mim! Ele olha para cima impaciente e cansado ao mesmo tempo. _ Diana, tenho que ir. _ É sempre o trabalho! Esse maldito trabalho! _ Desculpe, Diana, não sou o que você queria que eu fosse. _ Eu só queria que você fosse homem prá mim! Só isso! É pedir muito? Mulder abaixa a cabeça, fica vermelho. Entra no carro e dá a partida. Diana dá um murro na parede. Chora frustrada. No meio da Rodovia Headrow, a caminho do trabalho, Mulder começou a respirar melhor. Com sorte teria o que fazer até as 10 da noite. Quanto mais tempo conseguisse passar fora de casa, melhor. Ele se sentia exatamente como Morris Fletcher, quando entrara no seu corpo, um intruso no meio de uma família estranha. Só que dessa vez era muito pior, ele estava no seu próprio corpo e aquela era a sua família. As únicas coisas boas em sua vida era ainda poder ver Scully no trabalho, dispor de seu convívio diário e ouvir a risada de Jessica no telefone, brincar com ela nas raras vezes em que Scully a trazia ao Bureau. Pensando nela Mulder sorriu. "Aquela menininha era mesmo uma gracinha. É bem a filha que a Scully merecia ter; bem diferente do meu caso, que vivo entre desajustados como eu. É o que mereço, o pesadelo em que vivo. Não fiz jus ao meu sonho de ter Scully ou uma filha como Jessica. O sorriso sumiu do seu rosto como veio, com a lembrança de uma vida jogada fora. A ferida estava ali em seu peito, sempre aberta a lembrá-lo do passado perdido. Quando Jessica nasceu ele chorara de felicidade pelo sonho de Scully de ser mãe ter-se realizado, e de tristeza por ele não mais fazer parte da realização desse sonho. Seus filhos com Diana eram bonitos. Ele procurava ser um bom pai apesar da distância, mas realmente não sentia como se fossem seus filhos e sim, seres humanos, pelos quais ele era responsável e procurava fazer o melhor. Recriminava-se por não conseguir sentir por eles o afeto que achava que um pai deveria sentir, ou mesmo o que sentia por Jessica. Mulder achava que era ligado a Jessica por ela ser filha da mulher que ele mais amava no mundo e sempre amaria; que Michelly era distante por ter sido criada longe dele; mas não entendia por que ele e Michael não se afinavam de jeito nenhum. Desde bebê Michael o repelira, chorava no colo dele, cresceu fazendo pirraça e se refugiando nos braços de Diana. Era triste admitir, mas Michael era a criança mais antipática que Mulder já conhecera. E Diana não era o protótipo de mãe que ele aprovava. Fria com Michelly e frouxa demais com Michael, não dava conta de nada direito apesar de não estar trabalhando. Mas Mulder não se sentia no direito de criticá-la pois não estava em casa para ajudar e estava consciente de suas faltas, não como pai, mas como marido. Em todos esses anos ele nunca dera a ela um minuto sequer de carinho, de amor... ou mesmo... de sexo! Eram casados só no papel, mas não tinham uma vida marital. Ela tinha muito do que reclamar e não reclamava, por isso ele a respeitava. Amando-a ou não, ela era a mãe dos seus filhos. "Amor". Amor só Scully. Só ela. Sempre ela. Prá sempre em seu coração. Cada dia mais linda. Mulder agradecia a Deus por ela não ter se afastado de sua vida completamente, ou ele não teria tido mais nenhum incentivo para viver. No começo ela quase não falava com ele, a mágoa era muito grande. Mas com o passar dos anos, e muito também por causa de Jessica, o gelo foi quebrando entre eles e agora conviviam no mesmo clima de cordialidade que predominava em seus primeiros anos como parceiros nos Arquivos X. Naquele tempo ele a amava e tinha que manter isso em segredo e agora era a mesma coisa. Se ela soubesse como era a sua vida... Mas ele não tinha o direito de reclamar. Ainda mais para ela. Diana tentara de tudo para despertar o desejo de Mulder, mas era inútil. No começo ele usara a desculpa da gravidez, depois o trabalho. Diana acabou tendo uma conversa séria com ele, dizendo que sabia que ele ainda se sentia preso ao passado, à Scully, que ele estava se adaptando a uma situação nova e que ela esperaria até que ele estivesse pronto para usufruírem a vida a dois. Anos se passaram desde essa conversa e quando não iam dormir brigados por alguma discussão sobre a educação dos filhos, Mulder ia dormir cedo "cansado do trabalho". Diversas vezes ela tentou seduzí-lo sem nenhum efeito. Ele se sentia mal por isso, não queria que ela se sentisse humilhada como mulher, mas seu corpo não o obedecia. Procurava lembrar-se de quando sentia algo por ela, mas não adiantava, o toque dela não o despertava. Por fim disse a coisa mais cretina que podia, para que ela o deixasse em paz: _ Não insista. Quem sabe um dia. Virou na cama e dormiu. Mulder sabia que não tinha nenhum problema de ordem física. Pensava em Dana Scully de forma "bastante peculiar" quando acordava de manhã ou quando tomava banho. Tinha sonhos tórridos com ela. Tarava-a descaradamente quando podia e não lutava contra isso, embora não pudesse dar vazão a seus desejos. O corpo dela era tudo o que queria. E se não podia tê-lo, outro não servia. Ela o enfeitiçara de forma permanente e definitiva. Maravilhosa... Nenhuma mulher jamais lhe dera tanto prazer. Scully era uma deusa na cama e ele não sabia mais se contentar com menos. _ Ah, Scully... – diz em voz alta já no fim da rodovia – se você soubesse... No que me diz respeito a última vez que fiz amor foi com você num fim de tarde antes da minha vida virar esse inferno, e com a Diana... nem me lembro mais; deve ter sido há uns 12 anos... Se não fosse o exame de DNA do Michael eu não acreditaria que fiz algo aquela noite... – balança a cabeça – Às vezes me pergunto se não foi uma polução noturna... Mac Donald's 12:38 PM 1 Semana Depois Era um sábado e Mulder resolveu levar as crianças para comer no Mac Donald's. A lanchonete está cheia. Michael avista uma mesa com 4 lugares no fundo, corre até lá aos gritos. Mulder, Diana e Michelly chegam depois. Há um mal estar geral. Ao lado da mesa deles, encostada à janela, numa mesinha para 2, Dana e Jessica estão terminando de comer as batatas fritas. Scully os vê e gela. Jessica sorri ao ver Mulder e diz: _ Oi, Mulder! _ Oi, amor! – ele responde. _ A minha mãe me trouxe aqui porque hoje é o Mac Dia Feliz e nós vamos ajudar as criancinhas com câncer. _ Que coisa boa! – ele olha para Scully e sorri cumprimentando-a . Diana se surpreende com a veemência da menina, que parece gente grande falando, e se manifesta: _ Olá, agente Scully. _ Olá – Scully aponta com o olhar para as crianças – Estão grandes. Jessica olha para eles curiosa: _ São seus filhos, Mulder? _ São – ele responde. _ Querida, vamos comer as batatas – Scully intervém, não pretende ficar ali muito mais tempo. _ Do jeito que ela fala não vai ter tempo para comer – Diana fala incomodada com a presença delas ali. Michael abre seu lanche e joga o picles em Michelly. Mulder o repreende. Diana não gosta. Michelly chora. O de sempre. Jessica olha a cena assustada. Scully com espanto. Michael olha prá Jessica e diz: _ O que tá olhando? Vou jogar em você também! Diana dá risada alto. Mulder agarra a mão do menino e fala: _ Ou você come esse lanche direito ou vamos prá casa agora! Diana não gosta de ver Mulder defendendo "o filho dos outros" e diz: _ Você não presta prá ser pai mesmo. Mulder abaixa a cabeça. Olha para o lado, vê Dana e Jessica e não consegue evitar de sentir que está sentado na mesa errada. Jessica procura o colo de Scully, está com medo de que Michael jogue comida nela. Scully percebe que ela quer sair dali. _ Mamãe, posso comer as batatas no carro? _ Claro, querida. Ela levanta-se com Jessica no colo: _ Bom almoço prá vocês. _ Tchau, Mulder – Jessica acena prá ele. Mulder as vê partindo e sente-se mal. Sua vida está toda errada e ele toma uma decisão. Ouve Diana dizer: _ Garotinha metida igual à mãe... _ Vamos terminar de comer e ir para casa. Vamos ter uma longa conversa. _ Quero ir no parque! – Michael berra. _ Eu disse que nós vamos para casa! Diana se preocupa com o tom de voz dele e, dessa vez, não ousa falar nada. Casa dos Mulder 02:12PM Chegando em casa, Mulder deu ordens às crianças que fossem brincar no quintal para que ele e Diana pudessem conversar. _ Fox, eu acho melhor deixar essa conversa prá outro dia, você está muito cansado e... _ Eu estou cansado de ver as coisas erradas. Mas vou pôr um fim nisso de uma vez por todas. _ O que você quer dizer? – ela treme. _As coisas não podem continuar como estão. _ Como assim, Fox? – as lágrimas começam a ameaçar…. _ Diana, eu sei que você faz o que pode e que eu não sou perfeito. Entenda que não a estou criticando, mas nosso lar é um desajuste total e só há um jeito de arrumar... _ Isso não é verdade! – ela começa a chorar com medo. _ Fazer de conta que está tudo bem não vai ajudar, porque não está, e é nosso dever arrumar as coisas... _ Não... não... – ela só chora. _ Vou colocar Michelly e Michael sob acompanhamento psicológico... _ Não! Eu não vou permitir! – ela grita com raiva. _ Diana, é necessário, eles precisam e é nosso dever orientá-los! _ Não existem famílias perfeitas, Fox! Você está iludido pelo "mito da família perfeita"! É você que precisa de terapia! – ela berra enlouquecida – Você que não esquece o passado e fica descontando na gente! _ Ok, Diana! Está bem, então! Eu vou procurar um terapeuta, mas você também vai. Se eu peco por ver defeitos demais em nossa vida, você peca por sua recusa em enxergar a verdade. Vamos todos fazer terapia! _ Eu não quero meus filhos num psicólgo! Mulder perde a paciência de vez. _ Chega, Diana! Dessa vez você não tem querer! Se você criar problemas com isso, vou tomar uma decisão radical! _ O que está dizendo? _ Se você se recusar a admitir o tratamento, não tenho outra alternativa a não ser requerer o divórcio e a guarda das crianças para proporcionar à eles acompanhamento psicológico e uma educação melhor. _ É isso que você queria, não é? Toda essa discussão prá chegar nesse ponto! _ Já carrego culpas demais comigo prá me arriscar a carregar mais uma: a de não ter dado assistência adequada aos meus filhos. Diana começa a bater nele, que se defende. _ Eu sei o que é! É aquela maldita mulher! Eu sei! _ Diana, ninguém tem nada a ver com isso! É um problema nosso! _ "Scully é a mulher perfeita", "Jessica é a criança perfeita"! Ninguém mais presta prá você, não é, Fox? Ninguém lhe basta! _ Páre com isso, Diana! _ Nesses anos todos você nunca a esqueceu! Não faz amor comigo e quando nos deitamos na mesma cama chama o nome dela dormindo! Como acha que me sinto? _ Diana, essa discussão não vai levar a nada! Temos que fazer o que é melhor para as crianças! _ Foi por isso que se casou comigo, não é, Fox? Ou melhor, você não casou comigo, casou com nossos filhos! Negue, negue prá mim que você não pensa nela! _ ... _ É por ela que você não falta um só dia no trabalho, é prá fugir de mim que você faz tanta hora extra! Negue que você queria estar casado com ela, ser o pai da filha dela! Negue isso, Fox Mulder! Ele a solta e diz: _ Você não quer mesmo saber, não é? Ela sente um calafrio. _ Então, acho melhor não perguntar novamente. Apartamento da Agente Scully 04:16 Pm Scully fazendo uma lista de compras à mesa, Jessica brincando no sofá da sala. De repente a menina se levanta e vai até a mãe. Carrega um boneco. _ Mamãe, diz "oi" pro Snoopy. _ Oi, Snoopy. _ Mamãe, na escola a professora mandou a gente fazer um desenho para dar para "os pais". Scully se arrepiou pressentindo o que vinha pela frente. _ Eu perguntei para a professora o que era "os pais". Aí ela disse que "os pais" era a mesma coisa que papai. O tio Bill não é o papai do Matthew? _ É, sim. _ E quem é meu papai? Scully pegou a menina no colo, respirou fundo e começou uma longa explicação que ela sabia que teria que fazer um dia e ainda muitas outras vezes até que ela entendesse. Explicou a Jessica que algumas crianças não tinham papai porque vinham de uma caixinha de sementes. Que Jessica tinha vindo dessa caixinha, que era onde as mães que não tinham um papai para fazer um bebê buscavam as sementes quando queriam ter filhos. Jessica escutou como sempre com muita atenção. _ Entendeu, meu amor? _ Entendi. Mas eu vou ter que dar o meu desenho para uma caixinha, então? Scully teve vontade de chorar pela 1ª vez, então, desde que Jessica nasceu. _ Pode ser a do correio, mamãe? – ela continuou – Mas eu preferia ter um papai porque a caixinha não sabe falar, não vai dizer que o meu desenho tá lindo. Scully não sabia o que dizer. Então, de repente, a menina se entusiasmou e disse: _ Eu posso dar o meu desenho para o Mulder? Scully mudou de assunto rapidamente: _ Jessica, que tal fazermos um bolo? Casa dos Mulder 05:06 PM Mulder vai para o jardim espairecer. Michelly está sentada no balanço, o vestido sujo de terra. Mulder aproxima-se. A menina o olha, abaixa a cabeça. Ele aponta para o vestido: _ Foi o Michael, não foi? Ela faz que sim com a cabeça. _ Michelly, eu... sei que as coisas têm sido difíceis para você. Estou procurando uma maneira de melhorar tudo. Acho que as coisas não podem continuar como estão. Vamos procurar pessoas que possam nos ajudar. A você, a mim, ao Michael... Ela continua olhando para baixo. _ Você gostaria, Michelly, de conversar com alguém que entendesse você? Como uma professora, uma amiga? _ Ela não vai deixar. Michelly nunca tratava Mulder e Diana por "pai" e "mãe". Era sempre "ele" e "ela". Parecia que só quem tinha nome era o Michael. _ Michelly, não quero mais ver o Michael judiar de você. Ela deu um breve sorriso. Mulder se arriscou a perguntar algo que sempre temeu ouvir a resposta: _ Michelly... você... gosta do papai? Ela deu outro sorriso tímido. _ Você é legal... mas não é meu pai. _ Michelly, eu só soube disso quando você tinha 8 anos, mas eu sou seu pai. _ Eu era bem pequena quando fui para o orfanato... mas eu me lembro... não sou sua filha – ela disse isso olhando nos olhos dele. Nisso Diana apareceu na janela olhando feio para ela. Michelly estremeceu e entrou para dentro da casa, deixando Mulder pensar que os problemas psicológicos dela já estavam bem avançados. Na Mesma Semana FBI 11:43 AM Scully anda prá lá e prá cá, dentro do escritório dos Arquivos X, aflita. Não sabe como vai dizer a Mulder o que descobriu. Ele ainda não chegara, tinha ido levar as crianças no dentista porque Diana tinha um compromisso. Scully nunca imaginara que suas investigações sobre o caso do senador Richard Matheson fosse dar no que deu. E agora, como ela falaria sobre suas recentes descobertas para Mulder? Foi retirada de suas divagações pelas passadas firmes de Mulder que adentrava o porão: _ Olá, Scully! _ Mulder, preciso falar com você. _ O que foi? – ele perguntou preocupado – Alguma coisa com a Jessica? _ Não, Jessica está bem. É sobre o caso que você me pediu que investigasse. _ O caso de reconhecimento de paternidade do senador Matheson? _ É ... Mulder, você tinha razão. Eu não via motivos para perder tempo com esse caso, mais uma secretária alegando envolvimento com um político importante que nega o fato. Principalmente após o teste positivo de DNA, para mim estava claro que ele era mesmo o pai do bebê Gray... mas, quando você me pediu para averiguar porque achava que era uma tentativa do sindicato para denegrir a imagem pública do senador, eu fui rever o processo mesmo sem acreditar e ... você estava certo. Já tenho as provas de que o sindicato está envolvido nisso tudo. _ Scully, eu conheço o senador Richard Matheson. Ele não é nenhum santo, mas eu vi o rosto dele, parecia nunca ter visto aquela secretária antes. Eu o procurei e ele me disse que, se fosse outra secretária do Departamento de Defesa ele teria que aceitar as implicações do caso, mas que não se lembrava sequer de ter visto essa que o acusa perto dele. _ Ele não mentiu, Mulder. _ Ele me disse que andou recebendo ligações anônimas dizendo que a carreira pública dele estava encerrada. _ Não era a secretária? _ Não, era voz de homem. Isso me fez desconfiar do Sindicato. _ Veja isto, Mulder – Scully se aproxima e mostra alguns exames para Mulder – esta é a cópia do exame de reconhecimento de paternidade do senador Richard Matheson. Você está vendo as cadeias de DNA? _ Sim, estou vendo. _ São examinadas sempre três cadeias de genes em separado para se chegar a uma conclusão. Todas as cadeias mostram incompatibilidade total. Não existe a menor possibilidade de que Richard Matheson seja o pai do bebê Charles Gray. No entanto, na última folha, o laudo técnico do laboratório afirma que o teste deu positivo. _ O crime perfeito... _ Sim, porque a maioria das pessoas não compreende esse tipo de gráfico laboratorial, assim como não define imagens de ultrassom, ainda mais que um exame polêmico desse não ia ficar exposto ao público. _ Eu vou atrás dele – Mulder levanta-se. _ Espere, tem mais uma coisa. _ O que é? _ O nome do técnico que assina o laudo... – ela olha prá ele com pena, um olhar terno como há anos não lhe dava; a última vez que vira aquele olhar foi quando sua mãe morreu e ele descobrira a verdade sobre Samantha – eu chequei com o laboratório, não é funcionário deles, mas se recusaram a dar maiores informações. Procurei seu nome nos registros do FBI e... bem, ele é um homem muito velho, Peter John Weiss, e aparece numa foto antiga junto com seu pai, CGB Spender e o dr. Kurtzweil. _ Eu sabia, é a prova de que o Sindicato está envolvido. _ Mulder... _ O que é Scully? Ela olha prá baixo, aperta as mãos. _ ... Eu não sei como lhe dizer isso... Ele se aproxima dela, segura o braço dela com uma mão. _ Fala, Scully, o que você descobriu? _ Não é sobre o caso – ela olha prá ele tímida. _ E sobre o que é? _ Olha, Mulder, eu... fico sem graça prá falar sobre isso. Não quero que pense que estou querendo atrapalhar as coisas ou semear a discórdia... _ Eu nunca pensaria isso. _ Mulder, talvez não seja nada, não tenha nada a ver, mas... você precisa saber. Peter John Weiss é o mesmo homem que assinou os laudos de DNA dos seus filhos. Mulder solta o braço de Scully; se encosta na mesa; olha para o nada. Lembra-se imediatamente das palavras de Michelly há alguns dias e de Scully anos atrás: " Eu era pequena mas me lembro... não sou sua filha." "(...) ela vai te preparar uma armadilha tão bem feita que nem eu vou conseguir te tirar..." A verdade quando é descoberta depois de muito tempo escondida costuma vir à tona aos borbotões. Foi o que aconteceu. Scully viu os laudos de DNA de Michael e Michelly. Nenhuma das duas crianças era filha de Mulder, embora houvessem genes comuns entre Michael e Mulder além da semelhança física. Scully descobriu que Michael era na verdade meio-irmão de Mulder, filho portanto de CGB Spender. Com a ajuda dos Pistoleiros Solitários descobriram que Michelly viera de um semi-orfanato na Inglaterra onde entrara aos 6 anos. Diana não era sua mãe e ela estava na lista de crianças desaparecidas de lá, pois seus parentes, apesar de pobres, nunca deram autorização para que ela fosse adotada. Mulder acompanhava as descobertas sem dizer uma palavra, Scully temia pela expressão de ódio que ia se desenhando em seu rosto. Por fim ele tinha um enorme problema para resolver. Era tarde da noite quando ele foi prá casa. Scully lhe disse: _ Mulder, eu quero que conte comigo no que for preciso, por favor não faça nenhuma besteira, lembre que as crianças não têm culpa. Me chame a qualquer hora que precisar que eu deixo a Jessica com a minha mãe. _ Tenho ganas de matar a Diana, embora para mim ela já esteja morta há muitos anos. Perdi 4 anos da minha vida por causa daquela desgraçada. Perdi você e perdi Jessica – ele fala com voz presa – Mas, pelo menos agora – olha-a nos olhos – você sabe que eu nunca menti prá você. Aquelas palavras atingem-na profundamente. A discussão com Diana foi feia. Ele gritava e ela chorava não conseguindo acreditar que ele havia descoberto tudo. Por fim ajoelhou-se aos pés dele implorando que ele não pedisse o divórcio: _ No fundo, Fox, você precisa entender que eu fiz tudo por amor, só para que você tivesse uma família. Ele a olha com desprezo: _ Você não sabe o que é amor. E eu já tinha uma família. Naquela noite enquanto Mulder pensava no que fazer com as crianças, Diana foi pedir a ajuda do Canceroso para impedir que Mulder fosse embora. Após ouvir tudo em silêncio, apenas fumando seu cigarro, ele levantou-se com a habitual tranquilidade e falou: _ Você é uma incompetente, Diana. Incapaz de fazer Mulder se distanciar dos Arquivos X. Até um filho meu lhe dei para isso e você não soube tirar proveito. Não vou mais perder tempo com você. Foi a última coisa que ela ouviu antes de receber o tiro. Dia Seguinte Mulder não se importou com a ausência de Diana na manhã seguinte. Mandou as crianças para a escola e foi para o trabalho. No fim do dia as notícias desabaram todas de uma vez: Diana foi encontrada morta e seus filhos desapareceram de dentro da escola. Dias depois os Pistoleiros descobriram que Michelly estava novamente na Inglaterra, entre os familiares e havia saído da lista de crianças desaparecidas. Michael não foi encontrado. Chegaram à conclusão que, como Jeff Spender, ele devia estar sendo criado em alguma base secreta, já que era filho do Canceroso. Tempos Depois Os dias foram passando e deixando para trás um período de pesadelo que Fox Mulder queria esquecer o mais breve possível. Ele passou a morar sozinho em um apartamento. Dana e Meg sentiam muita pena de Mulder por tudo o que acontecera em sua vida de forma tão abrupta e procuraram lhe dar toda a assistência agora que ele não tinha mais uma família e era novamente um homem só. Margareth o convidou com bastante antecedência para passar as festas de final de ano com elas, o que o deixou muito feliz. Mulder passava quase todos os dias na casa de Scully e ele e Jessica se apegavam cada vez mais um ao outro. Scully via que não havia mais sentido em esconder a verdade, não havia mais nenhum obstáculo que justificasse negar-lhes a simples felicidade de serem pai e filha, mas também tinha medo de tocar no assunto. Ao mesmo tempo Mulder parecia querer recuperar o quanto antes o tempo perdido. Demonstrava que a queria de volta o mais rápido possível para que tudo voltasse a ser como antes. Comia-a com os olhos e quando ela percebia o encarava com cara de cachorrinho sem dono, como se dissesse "Quando você vai voltar pra mim?" ou "Quando tudo vai voltar a ser como antes?". Scully estava um pouco assustada com o comportamento dele, agora que ele não se esforçava mais para ser um "bom menino" no ambiente de trabalho e começou a ficar receosa de que ele simplesmente a agarrasse no meio do porão. Ela não estava certa a respeito de duas coisas: uma se seria uma boa idéia reassumirem o relacionamento; e duas, se ela conseguiria resistir se ele realmente fizesse isso. Embora tentasse manter sua postura, às vezes a mulher que havia nela assumia o controle e ela se pegava provocando Mulder deliberadamente. Como no início de seu romance com Mulder, era difícil se conter com os instintos aflorando devido ao clima de sedução que se instalava dia a dia entre eles. Até que um dia ao passarem por um shopping foram brindados com um show promocional do The Corrs. Quando começou a tocar "Breathless" a coisa foi esquentando, pois a letra os fazia lembrar de todas as dificuldades para o seu 1º beijo. "Go on, go on Leave me breathless Go on, go on I long for yor kiss This loving feeling" Então Mulder pegou a mão de Scully e clocou sobre seu coração para que ela sentisse o quanto ele batia acelerado. Ela não resistiu e aninhou-se em seu peito, queria ouvir o som daquele coração que um dia já fora seu. Feliz com a aproximação dela, Mulder não perdeu tempo, começando a acariciá-la, passando as mãos pelas costas, cabelos... antes que a música terminasse encontrou sua boca voluptuosamente, com uma ânsia de anos... Ambos se agarraram e se devoraram em beijos durante minutos. Por fim, completamente sem ar e já com medo de que um guarda viesse "convidá-los" a se retirar para um local apropriado às suas efusões afetivas, o que pegaria mal já que eles não eram adolescentes, Scully se afasta dizendo: _ Não provoca, Mulder. Não dá certo... _ Quero você. _ Nós já sabemos que não dá certo... Continuaram a conversa no carro, onde ele lhe contou todos os detalhes de sua vida nos últimos 4 anos, da ausência de sexo com Diana; do desejo por Scully que jamais cedia. Ela o ouviu mas argumentou: _ Nós fomos separados dolorosamente e de forma inesperada, Mulder, antes da hora eu diria, mas não podemos fazer de conta que estava tudo um paraíso entre nós quando isso aconteceu. Estávamos tendo problemas, problemas sérios, e tenho dúvidas se os teríamos solucionados. _ Você se lembra dos problemas, mas eu me lembro que fizemos as pazes. Entramos num acordo de que não mais haveria brigas entre nós. _ Nossa vida não era um mar de rosas e eu jurei a mim mesma que não sofreria mais por você. _ Também fiz uma promessa naquela tarde em que fizemos as pazes. Eu disse a mim mesmo que não acabaríamos daquele jeito e que eu não desistiria de você. Uma eu já cumpri e a outra eu vou morrer tentando. Dias Depois Jessica teve uma festa na escolinha, Maggie fez para ela uma roupa de fada-bailarina. De volta do "evento" Jessica não quis tirar a roupa e ficou dançando para sua platéia familiar. Mulder trazia um sorriso encantado no rosto. De repente ele lembrou-se de Samantha quase na mesma idade vestindo uma roupa como aquela. Subitamente a semelhança o fez cogitar um detalhe no qual antes não se detera. _ Scully? _ Que é? _ A Jessica nasceu de 7 meses e meio não foi? _ ... foi – ela respondeu após uma pausa. _ Mas ela não ficou na encubadeira, não é? _ É, é...er... não foi preciso. _ Estou pensando... ou ela era um bebê de 7 meses muito grande... ou um de 9 muito pequeno. Scully sentiu o estômago se contrair e não conseguiu responder nada. Depois do jantar, quando Mulder foi embora, disse para Scully: _ Dana... – e quando ele falava "Dana", ela sabia que o assunto era delicado – eu quero lhe dizer que... eu não vou brigar com você, nunca mais, por razão alguma que tenha ficado no nosso passado... e, olhe, você não precisa dizer nada agora, mas... o natal é daqui a poucos dias e o melhor presente que eu poderia ganhar... é ter a certeza que a Jessica é minha filha. Segurou o queixo de Scully e continuou; _ Não que ser o pai biológico da Jessica fosse mudar em alguma coisa o amor que eu sinto por ela, que é enorme, mas porque eu queria muito poder saber que fui eu que contribuí para que a mulher que eu amo realizasse o sonho de ser mãe, que as nossas noites não foram em vão, que dos nossos momentos de amor brotou um fruto tão lindo como esse. Ele deu-lhe um beijo de boa-noite e foi para o seu apartamento. 24 de Dezembro 10:14 PM Apartamento da Agente Scully Margareth observava sorrindo as gargalhadas de Jessica brincando com Mulder no tapete da sala. Scully, da cozinha, ouvia os sons mas travava uma luta interior. Momentos depois ela avisou a mãe que estaria em seu quarto e pediu para não ser interrompida. Dana entrou em seu quarto e fechou a porta. Foi até o guarda-roupa e pegou uma caixa de presentes pequena em formato de coração e começou lentamente a colocar algumas coisas dentro. Um par de sapatinhos de crochê de quando Jessica era bebê; fotos dela em diversas fases: recém- nascida, aos 7 meses vestida de ursinho, aniversário de 1 ano, os primeiros passos, aniversário de 2 anos, de 3 anos, de festas na escolinha...; vários desenhos que ela fizera para o seu "amigo" Mulder e pedira para a mãe entregar para ele, mas Dana jamais tivera coragem, etc. Por fim passou um laço de fita na caixa e voltou para a cozinha. 12:37 AM A ceia já havia sido posta e servida. Scully estava apreensiva e Maggie reparou que ela parecia nervosa. Foi até a sala e viu Jessica adormecida nos braços de Mulder. Scully a tomou dele e levou- a para o quarto. Lá, olhando para a filha adormecida no berço, ponderou sua decisão e saiu fechando a porta. Pegou a caixa em formato de coração e foi até Mulder que assistia televisão. Ele sorriu brevemente quando viu a caixa imaginando um presente de Scully mas quando olhou em seu rosto viu que ela estava tensa e sequer o olhava. Abriu a caixa e viu os sapatinhos, as fotos, Scully começou a chorar. Mulder também quando começou a entender o que aquilo queria dizer. Maggie observava a cena emocionada. No fundo da caixa havia um cartãozinho com um carrinho de bebê, dentro estava escrito apenas: "Fox William Mulder, me desculpe. Dana Katherine Scully". E no fim de tudo um envelope. Dentro um exame de gravidez positivo assinalava 6 semanas de gestação. A data: 10 dias depois que eles terminaram seu relacionamento. Minutos depois Maggie foi para a cozinha fazer um chá para tentar acalmar a filha e o pai de sua neta, que abraçado a ela, chorava como criança pequena. 1 Semana Depois Para o reveillon Dana e Fox tiraram uma semana de férias. Era justo que aproveitassem um período de paz e alegria depois de tudo. Mulder sugeriu que alugassem uma casa na praia. Ele tinha um pequeno apartamento lá, mas era pequeno demais para uma família com criança e sogra. Na verdade uma "quase-família", pois apesar de estarem todos juntos e felizes e Mulder e Jessica aproveitarem ao máximo sua recém adquirida condição de pai e filha, Scully não quis misturar as coisas, fazendo questão de deixar claro o fato que a descoberta da paternidade de Mulder não implicava necessariamente no reatamento de seu romance com Scully. Apesar dessa decisão racional, no entanto, as coisas entre eles vinham progredindo rapidamente e na véspera do reveillon já estavam bem adiantadas e embora não tivessem ido prá cama, já tinham "ficado" aos beijos e abraços várias vezes, pois Mulder cercava Scully como um cachorro no cio e ela já não estava conseguindo resistir. Maine 31 de Dezembro 03:12 PM Scully numa saia curta de seda bege que marcava seu corpo de forma sensual, passa prá cá e prá lá na sala, arrumando detalhes da decoração. Mulder observa o contorno da calcinha dela que a saia marca. Olha as coxas roliças, a curva atrás dos joelhos, o tornozelo... Scully parece fazer de propósito. Vê a cara de tarado dele e senta numa poltrona, do lado oposto onde ele está. Cruza as pernas, suspira languidamente, olha- o. Ele está com os botões da camisa abertos até a metade do peito, mantém os olhos fixos nela, jogando todo o charme que tem. Ela pensa: "Esse desgraçado tinha que ser tão sensual?" _ Vem cá – ela lhe diz. Ele senta na mesma poltrona em que ela está... Acaricia seu pescoço e desliza os lábios em seu decote. Ela mexe nos cabelos dele. O contato conforta seu coração, mas também desperta reações físicas de desejo. Seu corpo tem sido exposto a excitação crescente e ela sente a libido cada vez mais forte dentro de si, começando a tomar o controle sobre suas decisões. _ Até que o Maine está calmo nessa época de final de ano – ela tenta se concentrar num assunto qualquer. Mas Mulder não parece querer conversar. Passa as mãos nas pernas dela, encosta o rosto em seus seios. _ Mulder... Ele envolve as duas mãos na cintura dela e beija o mamilo por cima da blusa. Fala com voz rouca: _ Sua mãe pode ficar com Jessica algumas horas. Vem comigo até aquele apartamento pequeno que eu falei que tinha aqui. Tenho uma surpresa prá você. Seaweed Street Apartamento 69 05:15PM Ele a puxa pela mão para dentro do apartamento. _ Pode abrir os olhos. _ Mulder, o que é isso? – ela fala rindo surpresa. Toda a sala do apartamento, que é minúscula, está decorada como uma tenda indiana. Há cheiro de incenso por todo o lugar. O ambiente é envolvente e convidativo. _ Vamos entrar muito bem o ano-novo. Prá começar tem uma sauna improvisada no banheiro do apartamento. Tire essa roupa, vista uma canga e venha me fazer me compainha. Estou te esperando lá dentro, preparando nosso banho a vapor. Scully estava impressionada com o requinte de Mulder. Havia tapetes, almofadas, cortinas, elefantes, tudo para compor um ambiente indiano, no mínimo, estimulante e afrodisíaco. Scully tirou a roupa e enrolou uma canga de cor vinho no corpo e foi encontrar Mulder. Abriu a porta do banheiro devagar. O vapor veio para fora. Mulder enchera a banheira com água bem quente com óleos aromáticos e fechou todas as janelas, deixando o banheiro escuro iluminado apenas por uma vela decorada com girassóis. Ele estava nu, apenas com uma toalha de rosto em volta dos quadris. Sorriu quando ela entrou. _ Isso é que é surpresa! – o ambiente fazia com que eles falassem baixinho – O que deu em você, Mulder? _ É uma das fantasias sexuais que nós não realizamos. _ Tarado! _ De fato... não posso contestá-la... mas é você que me deixa assim. _ Pensei que a idéia da sauna fosse para entrar com as energias renovadas no ano novo. _ Também. Mas tem coisas que relaxam e renovam as energias bem mais do que se expor ao vapor. Ela sorri e se encosta na parede. Faz cara de malandrinha. Ele sorri para ela também. A chama: _ Vem cá, tem uma sessão de massagem incluída no pacote. Ela se aproxima e ele pega vários vidrinhos de óleos essenciais. _ É uma massagem especial – fala no ouvido dela. _ Hum... Ele derrama algumas gotas de óleo nas palmas das mãos. Passa nos pulsos dela e na fronte. Vira-a de costas e começa a massagear os ombros, as costas. Ela vai se sentindo toda mole. Afrouxa a canga para que ele possa massagear toda a extensão de suas costas. A parte de trás da canga desce até seus quadris. Ele beija suas costas enquanto suas mãos grandes envolvem sua cintura e chegam até seu ventre passando a massagear sua barriga. O toque da mão dele e o cheiro do óleo começam a enlouquecê-la. Após alguns instantes ela toma uma pequena distância e se apodera dos frascos de essência. _ Agora é minha vez. Começa a massagear o peito dele. Admira suas formas másculas. Não resiste e começa a beijá-lo suavemente, no peito, no queixo. Ele permanece de olhos fechados, sentindo aquele momento. Ela o abraça, massageia suas costas fortes. Sente seus seios roçando o peito dele, separados apenas pelo tecido fino da canga. A tensão é crescente. Mulder não se contém mais e agarra Scully. Beija a boca dela com vontade, cheio de paixão. Ela percebe o desejo dele se avolumar sob a pequena toalha de rosto que lhe cinge os quadris, incapaz de esconder a excitação. Ela se afasta, com um sorriso malicioso, gosta de vê-lo nesse estado e quer provocá-lo ainda mais. Vai até uma prateleira com shampoos, desodorantes, de costas para Mulder, como se fosse escolher algum item. Mas ele não se segura mais. Vai até ela e a agarra por trás soltando-lhe a canga, mantendo o tecido somente sobre os seios dela, utilizando-o para acariciá-los. Ela também não se contém, começa a mexer seu corpo com o prazer que o toque dele lhe proporciona em movimentos para cima e para baixo. Mulder solta a canga que cai no chão, deixando-a completamente nua, agora são somente as mãos dele a bolinar seus seios, está louco de tesão. Ela não aguenta, leva as mãos para trás tentando segurá-lo pelos quadris. Por fim ele não resiste e tira a toalha de rosto. Ele se encosta na pia e puxa-a pelos quadris. Ela empina o busto prá frente e o bumbum prá trás, fecha os olhos. Sente-o gemer com o contato de suas nádegas e seu membro inflado de desejo deslizar por suas partes úmidas. O prazer é enlouquecedor. Antes que ele a penetre, naquele vaivém, ela diz num sussurro: _ Não vai me levar prá tenda? Meio tonto pelo tesão, ele a pega no colo e a leva prá sala, deitando-a sobre várias almofadas. Contemplam brevemente os corpos nús um do outro, mal podendo acreditar que esse momento chegara. Abraçam-se num beijo ensandecido, roçando as línguas, esfregando os corpos. Mulder toma os seios dela, começa a sugar um e acariciar o outro. Encaixa seus lábios na auréola e chupa os mamilos endurecidos proporcionando a ela um prazer indescritível. Ela geme, urra de prazer. Abre as pernas e começa a envolvê- lo na urgência de sentí-lo entre suas coxas. Seus pêlos se roçando; ela arqueia o corpo oferecendo-se completamente a ele, que aceita a oferta, possuindo-a sôfregamente. O ritmo é rápido e alucinante. Nenhum dos dois consegue parar ou diminuir, apenas aumentar a velocidade dos movimentos que os enchem de prazer. O orgasmo vem triunfante, ambos gritam, Mulder goza abundantemente dentro dela que arfa e contrai seu sexo, satisfazendo-o ainda mais. Adormecem brevemente nos braços um do outro. 12:05 AM Da sacada do prédio, Fox, Dana e Jessica avistam os fogos abraçados. Eles contemplam o futuro e aguardam os acontecimentos do destino ansiando por uma vida, daqui prá frente, sem tantas reviravoltas. FIM