Título: Reflexos Autora: Claudia Modell E-mail: cmodell@hotmail.com Categoria: Mulderangst. UST Sumario: Ao perseguirem um criminoso Mulder e Scully se tornam alvo da fúria de uma terceira pessoa. E o destino se torna incerto para todos. Dar um fim aquele caso era a única coisa que todo o FBI queria. Ter um assassino como aquele andando solto pelas ruas era, além de aterrorizante, também vexatório para a polícia e principalmente o FBI, afinal ele matava somente agentes e já havia matado mais de doze em apenas seis meses. Sua forma de agir demonstrava que ele não somente sentia prazer no que fazia, como, também, planejava cuidadosamente os homicídios, fazendo de tudo para conhecer todos os detalhes da vida da vítima. Mandava bilhetes que, para qualquer outra pessoa, eram perfeitamente inocentes, mas que, para a vítima, deixava claro que alguém conhecia alguns detalhes íntimos. Mulder foi chamado um mês antes para desenhar o perfil do assassino, e, em seguida, ele e Scully viajaram para Boston. A caçada ao criminoso consumiu quase um mês de analise comportamental, exames de evidências, fotografias e muita investigação. Mas, enfim, após um trabalho exaustivo de equipe, o criminoso, agora identificado como Jason Harris, foi localizado. O cerco do FBI foi cauteloso e a ação correu bem. Harris, no entanto, não queria se entregar e, antes que qualquer um pudesse reagir, ele atirou na própria cabeça, deixando os agentes do FBI ao mesmo tempo decepcionados e aliviados. O caso havia terminado e Scully somente queria voltar para casa. Mulder parecia exausto e ela pensou em ficar mais uma noite na cidade, mas ele mesmo quis partir o mais cedo possível. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Scully já estava dirigindo há horas e se sentia muito cansada. A estrada totalmente escura não ajudava muito na sua concentração. Poderia pedir a seu parceiro para pegar o volante, mas, toda vez que cogitava em fazer isso, ela desistia ao ver como ele dormia profundamente. Mulder não havia dormido bem durante os três dias em que eles estiveram em Boston e agora que ele parecia tão relaxado ela não se sentia confortável em incomodá-lo. A estrada era um problema, no entanto. Sem curvas e iluminação, era um convite ao sono. Ela não via outro carro na estrada, como também não via postos de gasolina ou motéis. Scully até pensou em parar fora da estrada e dormir por algumas horas, mas isso seria perigoso. O jeito era mesmo prosseguir. De repente, algo na estrada a deixou alerta. Era um carro, com o farol ligado, parado no acostamento. Poderia ser alguém, que, como ela, estava cansado e havia decidido parar para descansar. Ela ia passar direto mas pensou que, talvez, o carro pertencesse a alguma família e que eles poderiam estar com problemas. Scully parou o carro e notou que Mulder continuava a dormir profundamente. Ela desceu do carro e puxou sua arma, apenas por precaução. Foi em direção ao outro veículo. Bastou uma olhada para o lado para que Scully percebesse que havia um precipício ao lado do acostamento. Ela sentiu um arrepio. Havia pensado em parar o carro fora da estrada e nem ao menos sabia do precipício. Scully se aproximou do carro e olhou para o seu interior. Com a lanterna ela iluminou todo o veículo. Mas não havia ninguém. Certamente o carro havia enguiçado e a família havia arranjado uma carona. Scully ouviu um barulho vindo do carro dela. Provavelmente era Mulder que havia acordado. Ela resolveu voltar para o carro. Não havia dado dois passos quando uma explosão a jogou contra o chão. Ela caiu, mas antes bateu a cabeça no carro enguiçado. A última coisa que viu foi seu carro, em chamas, ser lançado para o fundo do precipício. Ao mesmo tempo que o carro mergulhava no abismo, Dana Scully mergulhava na inconsciência. Seu último pensamento foi para Mulder. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Scully sentia alguém segurando seu braço e achou isso muito estranho. Sentiu também o calor do sol no seu rosto. Ela se esforçava para se lembrar onde estava antes de dormir. Quando abriu os olhos e viu que estava na estrada, sendo atendida por paramédicos, ela se lembrou de tudo. Mas, principalmente, ela se lembrou que Mulder estava dentro do carro na hora da explosão. Ela tentou avisar aos paramédicos sobre seu parceiro, mas não tinha certeza se eles a tinham ouvido. Em seguida adormeceu novamente. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Mulder estava com frio e sede. Havia acordado há algum tempo, mas não fazia idéia de como havia chegado ali. Lembrava-se de ter caído, e, agora que olhava para cima, podia notar que havia caído de uma altura bem grande. Mas, ao olhar para baixo, viu que, na verdade, tivera sorte, pois havia um carro, que provavelmente era o dele, totalmente destruído e ainda em chamas. Se ele tivesse ficado dentro do carro com certeza não teria deixado nada de si para uma autópsia. Ele tentava se lembrar como aquilo havia acontecido mas sua mente não cooperava. Decidiu deixar as lembranças para depois. No momento, algo lhe dizia que ele precisava sair dali. Que havia alguém por perto e que sua sorte não iria durar muito. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Helen Duran nunca havia aceitado o comportamento violento de seu namorado, mas não queria sair do lado dele, mesmo quando descobriu que ele vinha matando agentes do FBI. Ela não era uma jovem bonita e por isso se sentia privilegiada em ter sido escolhida por ele para ser sua confidente e amante. As eventuais surras que ela levava dele e as explosões de violência contra todos os móveis do apartamento, não eram suficientes para derrubar a imagem que ela tinha dele. Mas agora ele havia morrido e ela se sentia exatamente como antes de conhecê-lo, ou seja, ela era somente mais uma no meio da multidão. O ódio que estava sentindo invadia todo o apartamento. Ela queria vingança e sabia que se vingando ela deixaria de ser somente mais uma na multidão, ela passaria a ser o centro das atenções. Jason não gostava de bombas. Preferia matar as vítimas mais diretamente, mas tinha preparada uma bomba, que, segundo ele, seria colocada em um local cheio de federais. Era o sonho dele. Bem, Helen não iria desapontá-lo. Foi relativamente fácil saber qual era o carro dos agentes que haviam descoberto Jason. Fox Mulder e sua parceira haviam se tornado famosos por causa da investigação. E para Helen foi fácil descobrir isso. Colocar a bomba no carro também havia sido simples. Helen não sabia como programar a bomba, mas configurou o timer do jeito que pôde, sem se importar em quando ou aonde a bomba explodiria. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Quando Scully acordou novamente percebeu que estava em um hospital. Não sentia dores e, por isso, tentou levantar a cabeça, o que lhe causou uma forte tonteira. "Dana, não tente se mexer." Era sua mãe, que parecia ter adivinhado o mal estar que ela estava sentindo. "Onde está Mulder? Ele estava no carro." "Não tente falar agora, você precisa descansar." Margareth Scully estava preocupada. Não sabia por quanto tempo esconderia a verdade de sua filha, mas sabia que este não era o momento adequado para lhe dizer que Mulder provavelmente havia morrido, mesmo porque isso ainda não era certo. Segundo o Diretor Assistente Skinner, o carro tinha sido completamente destruído na explosão. O calor intenso das chamas havia queimado todas as estruturas não metálicas do automóvel. Agora, doze horas depois, tudo o que restara eram as cinzas e o esqueleto metálico do veículo. Estava sendo difícil para a perícia saber se Mulder estava dentro do carro. Mas como não o acharam nas imediações a conclusão era óbvia. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Mulder havia se afastado do local do acidente, mas de onde ele estava ele ainda podia ver os carros da polícia e do corpo de bombeiros. Estava sendo difícil para Mulder se lembrar de qualquer coisa. Nem mesmo seu nome ele conseguia lembrar. A única coisa da qual ele tinha certeza era que precisava chegar a Washington. Sabia que precisava encontrar alguém, mas não tinha idéia de quem seria. Continuou caminhando, mesmo sentindo dores pelo corpo todo. Sabia que não havia quebrado nenhum osso, por sorte. Mas ainda assim seu corpo se ressentia da queda. Para piorar a situação, Mulder estava sentindo fome e frio. A combinação de todos esses fatores estavam deixando Mulder irritado e cada vez mais decidido a encontrar alguém que o levasse a Washington. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Não era época de férias quando James Nelson e sua família resolveram viajar para a Califórnia. Mas como ele e sua mulher trabalhavam por tarefa acharam uma boa idéia pegar a pequena Sandy e irem para a ensolarada Califórnia. Sandy, apesar de seus quatro anos, era uma criança tranqüila e não estava dando trabalho para os pais durante a viagem. Já o mesmo não se podia dizer da Sra. Nelson, que vinha se queixando de enjôos desde a primeira curva que eles fizeram, ainda na cidade. Ao pensar nisso, James se recriminou. Bastava voltar atrás. Mas agora era tarde e seria um desperdício de dinheiro e tempo retornar para Boston. Ao avistar um posto de gasolina, James respirou com alívio. "Querida, vamos descansar por meia hora, o que você acha?" "Hummm" Ele interpretou o gemido de sua mulher como um grito de alegria. Sandy olhava para a janela com curiosidade, não parecendo se importar se eles paravam ou não. Quando o carro estacionou ela acenou para um homem que estava parado próximo a uma bomba de gasolina. Ele acenou de volta e sorriu. Seus pais abriram a porta para ela e Sandy os seguiu até o restaurante. Olhou para trás e viu o homem acenar novamente para ela. Após terem se lavado e se alimentado, a família Nelson ficou no restaurante conversando. James não estava com pressa e sabia que sua esposa precisava fazer digestão antes de prosseguirem. Sandy viu, outra vez, o homem simpático, ao lado do carro dos pais. Mais tarde, ao saírem do restaurante, os Nelson seguiram para o carro, e, sem olhar seu interior, a mãe de Sandy abriu a porta traseira do carro para a filha. Sandy olhou radiante para o homem sentado dentro de seu carro, e pensou feliz que ele iria viajar com eles. Quando James percebeu o homem sentado em seu carro, ao lado de sua filha, teve como primeira reação arrancá-lo para fora do carro, mas então notou a arma. "Entrem no carro. Não falem nada. Eu não vou machucar ninguém. Vamos para Washington." xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Mulder havia conseguido alcançar a estrada, mesmo se sentindo tão mal. Ele sabia que cedo ou tarde ele encontraria um posto de gasolina ou alguém que lhe desse uma carona. A segunda possibilidade era remota, já que ninguém confiaria em um homem sujo de poeira e com as roupas rasgadas. Ainda sentia frio e fome quando avistou um posto de gasolina. Ao chegar, finalmente, ainda não tinha um plano, mas tinha uma vaga idéia do que faria. Primeiro comeria algo e o dinheiro que tinha no bolso era suficiente para isso, e após roubaria um carro. E em seguida iria para Washington. Claro que ele não entendia sua vontade de seguir para lá, mas como vinha fazendo inclusive quanto à própria identidade perdida, ele deixaria as perguntas para depois. Um carro, com três pessoas estacionou e ele viu uma menininha lá dentro. Ele gostava de crianças. Não sabia que gostava até ver o rostinho sorridente da menina. Ela acenou e ele acenou de volta sorrindo. Em seguida a família foi para o restaurante. Mulder já havia comido e pensou em roubar aquele carro, seguindo viagem imediatamente. Quando entrou no carro percebeu que o motorista não havia deixado as chaves dentro. Olhou para o banco de trás e viu os brinquedos da menina. Alguma coisa em relação a crianças o comovia e em razão disso ele decidiu ir para o banco de trás do carro. Poderia descansar por algum tempo, talvez. Mas, mal tirou o sobretudo, percebeu que os donos do carro estavam voltando. Não teve tempo de sair. A criança se sentou ao lado dele sorridente. Os pais se assustaram. Ele queria somente uma carona, e foi isso que disse. Mas ele mesmo não havia percebido a arma que trazia na cintura, que valeu por mais de mil palavras. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Dois dias já haviam se passado e não havia uma conclusão quanto a morte de Mulder. OFBI sabia que ele estava morto. Se ele não houvesse morrido devido à explosão, a queda o teria matado e como o corpo não havia sido encontrado eles deduziram que ele havia morrido na explosão. Scully pressentira isso, já que notou que as pessoas evitavam responder às perguntas sobre ele. E agora, dois dias depois, ela achava que Mulder, de fato, não poderia ter sobrevivido. Ela tinha assistido seu parceiro chegar perto da morte tantas vezes que, agora, quando ele realmente havia morrido ela não conseguia absorver a realidade. Alguma coisa lhe faltava para ter a certeza. Mas a certeza vinha justamente da ausência dele. Ao mesmo tempo que ela tinha essa certeza, ela também esperava que ele voltasse, como das outras vezes. Assim, ao menos para as pessoas que a rodeavam, ela parecia estar lidando bem com isso. Na primeira noite que passou em casa, após a explosão aguardou por horas que o telefone tocasse. E o mesmo ocorreu no dia seguinte. Ela sabia que iria se acostumar com a falta dele. Sabia que, com o tempo, até mesmo as lembranças poderiam esmaecer. Mas decidiu iniciar esse processo mais no futuro. O funeral seria no dia seguinte e talvez, então, ela finalmente entenderia que ele estava morto e conseguiria chorar. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Apenas um morto. Helen estava furiosa. A outra agente estava viva, e por milagre. Mas Helen estava disposta a reverter aquela situação. Iria até Washington e mostraria àquela agente que ela não pretendia deixar sobreviventes. Logo a Agente Especial Dana Scully iria se juntar a seu parceiro. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Todos estavam em silêncio dentro do carro. Mulder podia sentir a tensão. Até mesmo a criança parecia ter percebido que este era um momento de medo e preocupação. Mas Mulder não tivera a intenção de assustar ninguém, muito menos a menina. "Qual é o seu nome?" A voz de Mulder, dirigindo-se à criança, assustou seus pais. A mãe de Sandy, com os olhos marejados de lágrimas, virou-se e com a voz trêmula disse: "O nome dela é Sandy, ela tem somente quatro anos. Por favor não a machuque." Ao ver a mãe da criança implorando por sua segurança, Mulder se sentiu mal. Ele podia não lembrar de nada de seu passado, mas sabia que não faria mal a uma criança. "Não se preocupe. Eu já disse, não quero machucar ninguém. Eu somente preciso chegar a Washington." Mulder tentou usar seu tom mais calmo de voz para que a mulher se tranqüilizasse. Ela parecia estar à beira de um ataque histérico. Foi quando James Nelson decidiu, inoportunamente, demonstrar que ele era o homem da casa. Sem qualquer aviso, ele, simplesmente, parou o carro. Desceu do automóvel e abrindo a porta de trás, se dirigiu a Mulder. "Então saia! Se não pretende, realmente, machucar ninguém, saia. Nós mandaremos um táxi vir buscá-lo. Eu pago. Mas nos deixe em paz!." Mulder saiu lentamente do carro. A Sra. Nelson respirou aliviada. James olhou surpreso para Mulder. Ele não esperava que essa reação desse resultado. Mas, aparentemente, havia funcionado. Sair do carro havia sido, para Mulder, como se caísse novamente no precipício. Ele não poderia ficar no meio da estrada novamente. O tempo era essencial. Ele tinha pouco tempo para chegar a seu destino. Já havia perdido dois dias. E quem aquele homem achava que era para fazê-lo perder mais tempo? Afinal era Mulder que tinha o poder da situação. Ele tinha a arma. Mulder não iria desistir dessa forma. Sem pensar mais no assunto, Mulder apontou a arma para o homem que somente queria defender sua família. O sentimento de que isso era errado inundou Mulder, mas a urgência para chegar a Washington prevaleceu. "Vamos fazer o seguinte. Eu mando um táxi, ok?" Ao dizer isso Mulder, ainda apontando a arma para James, entrou no carro. Eu partida e seguiu em frente. James ficou na estrada, vendo o ponto negro que era seu carro, desaparecer no horizonte, levando consigo toda a sua família e um homem armado. Sandy não havia entendido porque seu pai não iria mais dirigir ou mesmo viajar com eles. Mas percebera que a situação era tensa. Bastava olhar seu pai na estrada, com uma expressão de pânico no rosto, para saber que algo estava errado. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx O cemitério estava cheio. Scully ficou surpresa ao ver quantas pessoas haviam comparecido já que Mulder não era um tipo muito sociável. Mas, pelo jeito, ele tinha muitos conhecidos e afinal seu trabalho era reconhecido por todos. Skinner foi em direção a Scully e lhe disse o quanto lamentava. Ela sabia que era verdade. Mulder sempre havia ficado do lado de Skinner, mesmo quando nem ela se sentia disposta a isso. E Skinner também sempre apoiara Mulder. "Scully, depende somente de você continuar com os Arquivos X." "Obrigada, senhor, mas ainda não sei o que fazer. Sei que o certo seria continuar com o trabalho dele, mas ao mesmo tempo era a cruzada dele, não a minha." "Entendo. Fique afastada alguns dias para pensar no assunto. Qualquer coisa que decidir eu a apoiarei." "Obrigada. Com licença, vou cumprimentar minha mãe que acaba de chegar." Scully seguiu em direção a Margareth, que parecia tão triste quanto ela. Scully sabia que a mãe sempre gostara muito de Mulder. "Dana, como está querida?" "Eu não sei. Tudo parece tão distante. Como se fosse o funeral de alguém que eu não conhecia." "Eu sei como é isso. É um mecanismo de defesa. Quando você estiver pronta vai poder sentir de verdade a morte dele." xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Helen observava o funeral de longe. De onde estava podia ver a Agente Scully e ao vê-la se irritava ainda mais. Ela não se sentiria dessa forma se os jornais tivessem noticiado o atentado como o que realmente era, ao invés de dizer que havia sido um trágico acidente. Logicamente ela não sabia, nem poderia saber, da política do FBI quando se tratava de atentados a bomba. Casos como esses não eram anunciados já que isso criaria um precedente fazendo com que todos os loucos começassem a colocar bombas em todos os cantos, e uma bomba era capaz de matar muito mais gente do que uma arma. Mas Helen não sabia nada disso. A única coisa que tinha certeza era que a estavam ignorando, e ela já havia permitido essa situação por tempo demais. Eles iriam pagar pela morte de Jason e saberia o porquê de sua raiva. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Walter Skinner estava à frente das investigações quanto à explosão e a morte de Mulder, mas até o momento não havia qualquer pista que levasse ao culpado. O tipo de explosivo usado na bomba não era difícil de se conseguir. A facilidade com que a bomba fôra colocada também não era de se estranhar, já que o carro havia ficado em um estacionamento público durante o dia, enquanto Mulder e Scully estavam terminando seus relatórios sobre a morte de Harris. Skinner sabia que a bomba não tinha sido colocada aleatoriamente. O cuidado que o criminoso deveria ter dito para colocar a bomba sem ser visto, seria menos se ele escolhesse um carro que estivesse na garagem mais próxima. Por precaução, e contra a vontade de Scully, Skinner ordenou que dois agentes ficassem por perto. Scully havia protestado, mas, no momento, não tinha forças para demover Skinner de sua decisão. E, apesar de sua vontade de ver o assassino atrás das grades, ela não se sentia forte o suficiente para se juntar às investigações. Mas Skinner precisava ao menos ter uma idéia sobre quem teria tanto ódio dos dois ao ponto de colocar uma bomba no carro. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Scully estava em casa, quando Skinner apareceu. "Scully, sinto muito incomodá-la mas acho que deveríamos conversar." "Na verdade acho que o senhor sabe tanto quanto eu. Não faço a mínima idéia sobre quem possa ser o culpado." Scully sabia que sua voz soava exasperada. Ela não pretendia mostrar irritação, mas a verdade era que ela se sentia irritada. Ela não queria mais pensar no assunto. No fundo ela queria saber quem era o culpado mas queria ficar distante de tudo isso. Mas Skinner não parecia entender isso e insistiu. "Scully, existem certos aspectos do trabalho de vocês que somente você e Mulder conheciam." "Desculpe, eu não queria parecer impaciente, mas eu realmente não sei nada mais que possa auxiliar nas investigações." Skinner decidiu não insistir mais. Ele podia imaginar o que ela vinha passando, não tendo mais seu parceiro a seu lado e sabendo que ainda podia estar correndo risco de vida. Mas ele não sabia de verdade o que ela sentia. A culpa que sentia por não ter agido de forma diferente naquela noite. Ela nunca deveria ter saído do carro para investigar o que quer que fosse sem alertar seu parceiro. Era isso que se esperaria dela. Assim como se esperaria dele que a seguisse para fora do carro. Procedimento normal. O fato dele estar cansado não era motivo para deixar de seguir as regras. Scully sabia que devia a ele não somente sua vida, mas agora, também, lhe devia uma satisfação sobre quem havia feito aquilo. Mas no fundo ela tinha certeza de que, ao encontrar o assassino, a única coisa que lhe restaria seria a culpa e ela não se sentia com forças para lidar com esse sentimento. Ela precisava esquecer. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Sandy continuava em silêncio. Via o nervosismo de sua mãe e sentia que o melhor era ficar quietinha. Mulder, por outro lado, se sentia desconfortável com o silêncio. "Escute, senhora, eu juro que não vou sequer tocar na senhora ou na sua filha. No próximo posto de gasolina nós ligaremos para a polícia e alguém irá buscar seu marido." Ao dizer isso, tanto ela quanto Mulder se deram conta da real situação. Mesmo que eles não avisassem a polícia havia a possibilidade de que o Sr. Nelson pegasse uma carona e alertasse as autoridades. E como Mulder havia roubado um carro, levando consigo uma mulher e uma criança, com certeza não somente a polícia como também o FBI iriam ser alertados. Afinal seqüestro era um crime federal e para piorar a situação eles em breve estariam entrando em outro estado. Para Mulder, ter o FBI em seu encalço parecia muito mais grave do que somente a polícia. Ele não sabia explicar o porquê de seu nervosismo. Não era somente medo. Ele também sentia que não podia confiar no FBI. Com certeza o acidente que havia sofrido fôra causado por alguma perseguição a ele. E lá estava ele, novamente pronto para servir de caça para o FBI. Pensando nisso ele afundou um pouco mais o pé no acelerador, o que assustou Sandy. A menina começou a chorar e sua mãe se virou imediatamente para acalmá-la. "Sandy, querida, não precisa chorar. Não vai acontecer nada, OK? Sandy abanou a cabeça e pareceu se acalmar um pouco. "Senhor, por favor, nos deixe descer no próximo posto. Eu não me sinto bem em viagens." "Não! Eu preciso chegar a Washington e vocês vão comigo." Ela achou melhor não insistir, pois isso poderia irritá-lo ainda mais. Mas ao mesmo tempo ela achava que era melhor tentar fazê-lo simpatizar com ela. "Pode me dizer o seu nome?" Mulder não esperava essa pergunta e ele não tinha uma resposta. Ele não tinha resposta para qualquer pergunta, na verdade. "Eu não sei. Sofri um acidente, não consigo me lembrar." "Talvez tenha seus documentos no bolso. Já olhou?" Não, Mulder não havia olhado. Havia encontrado 20 dólares no bolso da calça. Mas não tinha verificado o sobretudo. "Sandy, pode dar meu sobretudo para sua mãe?" Mulder sorriu pelo retrovisor e Sandy se sentiu útil obedecendo a ele. Quando a Sra. Nelson finalmente encontrou o que parecia ser a carteira de Mulder, ela se surpreendeu. "O senhor se chama Fox Mulder, e é um agente do FBI." A surpresa não foi somente dela. Mulder quase perdeu o controle do carro ao ouvir isso. Não podia ser verdade. Ele estava apavorado quanto ao FBI. Mas se ele era um agente porque estaria preocupado? Uma lembrança invadiu sua mente. Era uma mulher. Ele sabia que a conhecia, mas não conseguia lembrar seu nome. Na sua lembrança ele a via apontando uma arma, talvez para ele. "Bem, mais um motivo para não se preocupar." Mulder disse isso sem muita convicção. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Scully olhou pela janela e teve a confirmação. Havia um carro com dois agentes do outro lado da rua. Era uma situação que ela não pretendia suportar mais. Não importava o que Skinner dissesse, ela não queria nenhuma babá. Ao ouvir isso em alto e bom som, os agentes não tiveram outra opção, a não ser irem embora. Afinal ela não era uma mulher indefesa, mas uma ótima agente. Quando, mais tarde, Scully ouviu um barulho do lado de fora, tinha certeza de que eram os agente. Mas ao abrir a porta viu que não havia ninguém. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Helen viu os policiais indo embora. Eles não a tinham visto e mesmo que a tivessem notado, ela sabia que eles não desconfiariam de nada. Ela tinha tomado cuidado com a própria aparência. Naquele momento ela podia passar, perfeitamente, por uma simples dona de casa. Era até uma ironia, pensou Helen, ser uma dona de casa tinha sido seu sonho de infância. Ela nunca tivera uma família. Tudo o que queria era viver em uma casa limpa com uma família normal. Ao lembrar disso Helen mal podia entender como viera parar ali. Como havia chegado ao ponto de matar um agente e estar se preparando para matar outro. Mas a vida dava suas reviravoltas e ela somente tentava se adaptar, ou assim preferia pensar. Ela deixou de lado seus devaneios ao notar que a luz da sala havia sido apagada. Esse era um bom momento para se aproximar e estudar a casa. Mas Helen fez algum barulho pois Scully abrira a porta para verificar. Helen não pretendia fazer nada naquela noite, de qualquer maneira. Ela somente queria sondar o terreno para poder lançar seu ataque com calma. Helen não se importava em esperar. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Mulder viu uma placa anunciando a proximidade da cidade que ele tanto queria alcançar. Ele realmente se sentia aliviado ao ver que estava chegando. Por alguma razão ele não tinha a polícia ou o FBI em seu encalço. Talvez o Sr. Nelson tenha achado mais prudente não alertar as autoridades. Mas Mulder não podia relaxar. Ele tinha certeza que a qualquer momento encontraria uma barreira policial. "Escute, Sr. Mulder, eu preciso descansar e Sandy com certeza também." "Ok, nós vamos parar no próximo posto. Vocês ficam lá e eu sigo. Depois deixo o carro em algum lugar." Essa era a melhor saída, ele tinha certeza. Ao menos isso demonstraria que ele não queria ferir ninguém. Ao chegar ao posto Mulder parou o carro e disse para as duas descerem. Sandy saiu do carro um pouco confusa e sonolenta. Sua mãe a pegou no colo e se abaixou para falar com Mulder que continuava dentro do carro. "Obrigada Sr. Mulder. Boa sorte." "Eu não sei seu nome." "Samantha Nelson." Mulder teve uma sensação de que já ouvira esse nome. Sua mente começou a ser bombardeada com fragmentos de imagens. Com um filme sendo editado. Mas para ele a história do filme parecia clara. Ele tinha que proteger Samantha. Eles a levariam se ele não o fizesse. Ele não tinha idéia de que eram "eles", mas tinha certeza de que Samantha corria perigo. Sem pensar duas vezes ele ordenou que ela entrasse no carro. Samantha, que não poderia jamais imaginar que seu seqüestrador havia mudado de idéia, entrou no carro, com sua filha. E, para sua surpresa, Mulder afundou o pé no acelerador, seguindo viagem para Washington. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Ao contrário do que Mulder pensava, a polícia já estava informada sobre o seqüestro e o carro que Mulder dirigia vinha sendo monitorado. Quando os policiais viram a mulher e a criança descerem do carro, eles estavam prontos para pegá-las e prender o seqüestrador. Mas tiveram a mesma surpresa que a Sra. Nelson. A reação do seqüestrador havia sido muito estranha. Os policiais tinham certeza de que eles não tinham sido avistados. Seja lá o que foi que aconteceu, o fato era que eles haviam voltado à estaca zero. Tinham que continuar seguindo o carro com a mesma cautela, e rezar para que o seqüestrador não tivesse outra atitude como aquela. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Mulder dirigia nervoso. Suas mãos suavam e ele sentia um nó na garganta. Tudo isso porque ele, cada vez mais, tinha a certeza de que alguém queria fazer mal a Samantha. A parte lógica de sua mente lhe dizia que ele nem ao menos conhecia aquela mulher. Que, na realidade, ele era a pessoa que representava perigo para ela. Mas as lembranças que o assaltavam lhe diziam que ele devia protegê-la. Mas de quem? Novamente a imagem de uma mulher lhe vinha à mente. Ele quase podia se lembrar do nome dela. Ele quase podia ver seu rosto. A sensação que acompanhava as lembranças era de insegurança. A mulher de suas lembranças estava segurando uma arma e Mulder tinha a nítida impressão de que a arma estava sendo apontada para ele. Samantha percebeu o nervosismo dele. Ela queria entender porque ele havia mudado de idéia. "O que houve? Está se lembrando de alguma coisa?" Ele não respondeu. Na verdade ele mal a ouviu. Um nome estava surgindo na sua mente. Ele começou a repetir baixo algumas sílabas. E então ele disse o nome. "Scully" Ao dizer o nome ele finalmente tomou consciência de quem era ela. Dana Scully. Ela havia atirado nele. Mulder não conseguia lembrar de mais nada além desses fatos. E sua determinação aumentou. Ele iria para Washington e encontraria Dana Scully, que agora ele tinha certeza que era a pessoa que o havia colocado naquela situação. Era por causa dela que ele tinha tanto receio do FBI. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Scully estava ansiosa. Tivera a impressão, durante todo o dia, de que estava sendo vigiada. Tinha ido verificar os quartos de seu apartamento ao menos quatro vezes. Claro que seu receio não era de todo infundado. Ela sabia que a bomba havia sido colocada com intenção de matar não somente Mulder, mas ela também. Ela tinha convivido com essa certeza nos últimos dias, mas parecia que agora o perigo era maior. Sabendo que devia confiar em seus instintos, Scully mantinha sua arma sempre por perto. Sua arma era sua única segurança. Scully segurou a arma em suas mãos e a examinou. Ela tinha a sensação de que estava faltando algo. Algo muito importante. Era Mulder, claro. Se ele estivesse por perto ela não se sentiria tão insegura. Não que Mulder a tivesse sempre protegendo, mesmo porque ele sempre perdia a arma e era ela quem conseguia reverter as situações. Ela sorriu ao se lembrar desse fato. E ao lembrar disso ela se deu conta do que faltava. A arma dele. Ninguém havia falado nada sobre a arma. Scully ligou imediatamente para Skinner. "Agente Scully, eu sei como se sente, mas lhe garanto que a arma estava lá." "Senhor, pode dizer isso com certeza? Viu a arma?" "Scully, pouca coisa restou do incêndio." "Eu sei disso, mas uma arma não derreteria. Ela tem que estar em algum lugar." "Ok, eu vou verificar e te aviso." Scully agradeceu e desligou. Ela sabia que era uma esperança tênue. Se Mulder estivesse de fato vivo ele já teria aparecido. Mas ele podia estar ferido e não havia conseguido falar com ela. Essa nova esperança a fazia sentir melhor. Skinner não queria alimentar as esperanças dela, mas não queria negar seu pedido. Ligou para o laboratório e se irritou ao saber que ninguém havia lhe comunicado sobre a falta da arma. Como era possível que ninguém verificasse que a arma não estava no local do acidente? Mas o fato era que ela não estava e eles haviam perdido tempo precioso que teria servido para encontrá-lo. Não adiantava reclamar, o momento era para agir. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Quando Mulder se aproximou da rua que o levaria ao centro da cidade, decidiu pegar uma via secundária, que era pouco utilizada, o que fez com que os policiais que o seguiam perdessem sua pista. Mas eles tinham o número da placa e, já que o motorista não tinha notado os carros que o seguiam, eles com certeza o alcançariam novamente. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Mulder tinha um destino certo. Ao se lembrar do nome da pessoa que o havia traído conseguiu se lembrar, também de diversas outras coisas, até mesmo o endereço dela. Era para lá que ele iria. Mas não levaria a mulher ou a criança. Quando Mulder disse à Samantha e à Sandy para descerem do carro, ela quase não acreditou, mas não fez perguntas. A última coisa que queria era que ele mudasse de idéia novamente. Mulder se desculpou e foi embora, rumo à casa de Dana Scully. Determinado a ter sua vingança. Vingança, também, era o que almejava Helen. Ela não queria aguardar mais. Havia conseguido uma arma e estava pronta para matar Dana Scully. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx A polícia encontrou o carro que Mulder que Mulder havia usado. Estava vazio. Quando o policial que comandava a perseguição soube disse, teve o receio de que o seqüestrador tivesse roubado outro carro e levado consigo as reféns. Seu receio durou pouco. Ele ficou aliviado ao saber que a Sra. Nelson e sua filha estavam bem. Mas ainda restava encontrar o seqüestrador. Ao menos agora eles tinham a identidade dele. Era um agente do FBI, ou se fazia passar por um, afinal após verificar o nome do agente os policiais descobriram que ele havia morrido dias atrás. De qualquer maneira decidiram que o melhor a fazer era comunicar o FBI e em particular as pessoas que haviam trabalhado com o agente morto, cuja identidade agora vinha sendo usada pelo seqüestrador. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Ao receber o telefonema, Skinner não imaginava que iriam lhe dizer que Mulder poderia estava vivo. Mesmo sabendo que a arma não estava no local da explosão, eles poderiam afirmar com exatidão se Mulder havia sobrevivido. Mas a descrição dada do seqüestrador correspondia à Mulder. Além disso a mulher sequestrada afirmou que ele havia citado o nome de Dana Scully. Skinner achava que, talvez, Mulder tivesse ido para a casa dela. Ele não queria falar isso para Scully pelo telefone. Resolveu ir imediatamente para lá. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Scully havia tomado um banho e se vestido. Tinha planos de se encontrar com sua mãe. Ela queria contar à Margareth sobre a possibilidade de Mulder estar vivo, ainda que remota. Enquanto se preparava para sair, Scully não podia imaginar que haviam duas pessoas se preparando para matá-la. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Helen conseguiu entrar pela janela do quarto de Scully. Tarefa simples já que a agente morava no primeiro andar. O momento era tenso, e ela se sentia nervosa demais. O melhor a fazer era se esconder no quarto e aguardar o momento apropriado. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Mulder não tinha receio de ser visto. Estava armado e Dana Scully era somente uma mulher. Ele com certeza a dominaria com facilidade. Bater na porta e esperar que ela a abrisse eram as únicas coisas que ele tinha a fazer. E então ele a mataria. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Scully ouviu a batida na porta e tentou imaginar quem poderia ser. Mas nem todo a sua imaginação poderia lhe preparar para ver quem estava à porta. "Mulder!" Ela mal conseguia pensar. Mesmo tendo alimentado a esperança de que ele estivesse vivo, ainda assim era como se ela estivesse vendo um fantasma. Ela foi de encontro a ele, para abraçá-lo, mas foi freada pelo olhar gelado dele. Havia algo de estranho no modo como ele a olhava. E o silêncio dele também não era normal. "Mulder, entre, sente-se um pouco. Está ferido?" Mulder ouvia essas palavras mas não conseguia emitir nenhum som. Ele a obedeceu. Entrou no apartamento e foi em direção ao sofá. Mas não queria se sentar. "Não quer falar nada Mulder?" Ela estava assustada. Ele parecia tão distante. Provavelmente estava ferido. "O que você quer que eu fale? Quer que eu diga que sei que você me traiu?" Scully esperava tudo, menos uma acusação como essa. Ele realmente estava confuso. "Mulder, eu não traí você. Porque eu faria isso?" "Eu não sei. Mas sei que você armou tudo. A explosão. Você atirou em mim!" "Mulder você está misturando as coisas. Eu não tive nada a ver com a explosão. E você sabe porque eu atirei em você." "Então você nem ao menos nega?" Ao dizer isso Mulder pegou sua arma e apontou para a cabeça dela. Scully recuou. Ela sabia que se conseguisse recuar um pouco mais estaria em seu quarto, e com sorte, poderia entrar e trancar a porta. Mas as chances eram mínimas. Se Mulder realmente acreditava no que dizia ela tinha que tentar fugir, já que convencê-lo do contrário, estando ele naquelas condições, seria muito difícil. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Skinner viu que as luzes da casa dela estavam acesas. E a porta de entrada estava entreaberta. Ele concluiu que ela estava em casa. Abriu lentamente a porta e foi surpreendido ao ver Mulder, parado em frente à Scully com a arma apontada para ela. Imediatamente, Skinner sacou sua própria arma e ordenou que Mulder largasse a dele. Mas Mulder o ignorou completamente. Continuou em pé, de frente para Scully, pronto para apertar o gatilho. Mulder estava confuso. A visão de Scully estava trazendo diversas recordações e alguns sentimentos contraditórios. De um lado ele sentia raiva e estava pronto para atirar, mesmo tendo Skinner apontando uma arma para ele. De outro lado, ele sabia que podia confiar nela, que era injusto apontar a arma para ela. "Mulder, solte a arma. Agora!" A voz de comando de Skinner causou a reação esperada. Parecia natural para Mulder obedecer à ordem dada, e ele abaixou a arma, mas não a largou. Scully, apesar de não ter mais a arma apontada para sua cabeça, ainda não havia relaxado. Mulder mantinha a mesma expressão. Ela sabia que qualquer movimento seria perigoso. Skinner insistia para que Mulder largasse a arma, mas ele continuava na mesma posição. Skinner não tinha certeza se devia abaixar a própria arma, afinal um simples descuido e Mulder poderia atirar nela. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Helen estava escondida no quarto. Protegida pela escuridão do aposento. Podia ouvir vagamente o que diziam, mas havia entendido que o Agente Mulder acusava sua parceira de alguma coisa. Sentia que a situação era tensa. Ela não ia ter qualquer chance de atacar a Agente Scully. Mas sair do quarto era arriscado. De qualquer forma ela teria que tentar. Iria voltar pelo mesmo caminho que viera. Esperava que eles estivessem ocupados demais na sala para perceberem que ela estava dentro do quarto. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Mulder olhava para Scully mas ao mesmo tempo havia notado a presença de uma pessoa dentro do quarto, atrás dela. Estava sendo difícil para ele entender a situação. Porque tinha tanta certeza de que Scully o traíra? E quem seria a pessoa escondida no quarto? Mulder sabia que seja lá quem fosse, não devia ter boas intenções. Mulder viu o vulto no quarto pular a janela. Ele já não queria mais qualquer tipo de vingança. O que ele queria era saber quem era aquela pessoa. Sem qualquer aviso Mulder se lançou em direção à Scully e ao mesmo tempo ouviu um disparo da arma de Skinner. Mulder sentiu uma dor lancinante no braço. O disparo e a dor não o fizeram para. Ele correu em direção à janela e desapareceu na noite. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Skinner se arrependeu de ter atirado no momento em que viu o olhar furioso de Dana Scully. "Por que diabos atirou nele?" "Ele foi para cima de você! Ainda por cima ele está armado!" "Ele não ia me fazer mal. Sabe disso!" "Do meu ponto de vista ele estava pronto para matar você." "Ok, nós temos que achá-lo. Ele está ferido." Skinner não precisava ver o sangue no chão para saber que havia acertado o alvo. Ele não tinha como errar da distância em que se encontrava. Somente agradecia que não havia mirado na cabeça dele. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Helen podia ouvir alguém a seguindo. Olhava para trás, mas a noite escura escondia seu perseguidor. Ela sabia que precisava se esconder. Eles a achariam com facilidade. Ela não entendia como a tinham visto, mas o fato era que eles não somente a notaram como haviam atirado, talvez contra ela. Suas mãos tremia, e a arma escorregava devido ao suor. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Mulder já não sentia a dor no braço. A dormência havia tomado o lugar da dor. Mas ele sabia que a falta de dor não significava que ele não estava em mal estado. Ele havia perdido bastante sangue, e também não estava bem desde a explosão. Após sua fuga da casa de Scully, Mulder começou a se lembrar de tudo. Se lembrou da noite da explosão e de ter visto Scully fora do carro. Pôde se lembrar de tê-la recriminado mentalmente por sair do carro sem avisá-lo. Agora que as recordações estavam vívidas ele conseguia se lembrar de ter saído do carro e de ter ido em direção à ela, irritado pela sua falta de cuidado. Então veio a explosão e a queda. Como havia sobrevivido era um mistério. Com as lembranças veio também a certeza de que a pessoa que havia fugido pela janela era a mesma pessoa responsável pela explosão. Ele tinha que alcançá-la. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Helen se escondeu em um beco, atrás de alguns containers. Era uma boa posição para aguardar seu perseguidor. Assim que ele chegasse ela atiraria nele. A escuridão era ao mesmo tempo inimiga e aliada. Mas ela sabia que o mesmo acontecia para ele. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Mulder entrou no beco com cuidado. Já havia levado um tiro e não queria levar outro. Não estava sendo fácil manter-se alerta. Ele sentia sono. Era o estado de choque devido à perda de sangue. O suor escorria por seu rosto e mesmo que houvesse luz suficiente ele não poderia enxergar grande coisa. Ele ouviu um barulho e seguiu em direção a ele. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Helen sentiu que ele estava vindo exatamente na direção dela. Era o momento da verdade. Ou ela teria coragem de atirar ou se renderia. Ela não estava disposta a se render, no entanto. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Mulder pressentiu a presença de Helen, talvez por sua respiração ofegante. Ela estava com medo. O medo parecia reinar naquele beco. "Eu sei que você está aí. E eu sei que você não quer atirar em mim." xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Helen ouviu as palavras de Mulder e tremeu ao pensar que ele podia saber exatamente onde ela estava. O temor de ser morta parecia mais forte que a raiva. Ela saiu do local onde se escondera. "Não atire, por favor." Helen não conseguiu conter suas lágrimas. Dias e dias de tensão, de ódio e de medo haviam culminado em um só momento de dor. Ao se ver naquele beco escuro, com um agente do FBI apontando uma arma para ela, Helen sentiu pena de si mesma. Pena por não ter jamais conseguido agarrar as oportunidades que a vida apresentava. Mas, na verdade a vida somente lhe apresentava péssimas oportunidades. Somente migalhas. E nem mesmo disso Helen pôde tirar proveito. E agora era tarde. Ela seria presa. Seria jogada em uma prisão federal, pelo mesmo homem que ela havia tentado matar. Helen chorava compulsivamente. A arma havia caído ao chão sem que ela se desse conta. E ela também não havia notado que Mulder havia caído. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Mulder na verdade não havia simplesmente caído. Ele havia se deixado levar pela escuridão. Estava exausto, tanto física quanto emocionalmente. O ferimento lhe havia exaurido as últimas forças. Quando seus olhos começaram a se fechar, e a névoa negra do sono inebriou sua mente, ele aceitou o nada. Não queria sentir nada. Somente fechar os olhos e esperar pelo dia seguinte. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Helen viu que Mulder estava no chão, e vendo que ele não se movia, ela se aproximou. Ele estava sangrando. Helen, sem saber porque, retirou seu casaco e colocou sobre o ferimento. No momento Helen estava preocupada em cuidar dele tendo se esquecido de toda a raiva que sentia. Ela precisava acordá-lo, mas não estava sendo fácil. Ela conseguia fazê-lo abrir os olhos por alguns momentos, mas ele desmaiava logo em seguida. Ela precisava chamar uma ambulância. Helen correu em direção à rua e viu um carro se aproximando. Ela conseguiu fazer com que o carro diminuísse, mas quando viu quem estava no carro ela mudou de idéia. Eram Dana Scully e seu chefe. Eles haviam atirado em Mulder e Helen estava confusa sobre os motivos deles. Não era uma boa idéia arriscar. Fingiu estar bêbada e seguiu para o outro lado da rua. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Skinner dirigia devagar, procurando alguma pista sobre onde Mulder teria se escondido. Ele não ousava olhar para Scully. Podia sentir a raiva vindo dela. E ela realmente estava furiosa. Saber que Mulder estava vivo havia sido um alívio, e Skinner, ao atirar nele, havia feito com que a situação voltasse ao início. Mulder agora estava confuso e ferido, com certeza confiando menos neles do que antes. Skinner diminuiu a velocidade ao ver a mulher acenando no meio da rua. A princípio achou que ela poderia estar pedindo ajuda, mas depois notou que era somente uma mulher bêbada vagando pela noite. Eles seguiram em frente. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Quando o carro se afastou Helen já havia chamado um táxi. Isso chamaria menos a atenção. Ela teve que implorar ao motorista do táxi que a ajudasse a colocá-lo no carro. Ao dar entrada no hospital, Helen sabia que teriam problemas, afinal Mulder havia sido baleado. Em breve a polícia estaria ali. Helen tinha confiança de que, com a polícia por perto, ele não correria perigo. Helen aguardou um pouco mais, antes de ir embora. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Mulder recobrou a consciência diversas vezes, e sempre encontrava o rosto de Helen. Ele não sabia porque ela o estava ajudando. Até onde ele havia entendido ela era a culpada pela explosão. Mulder estava sendo atendido no hospital, sem saber como havia ido parar lá. Procurou por Helen e a viu através do vidro do pronto socorro. Ela parecia preocupada. Mulder sorriu para ela, como agradecimento e para que ela soubesse que estava tudo bem. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Helen acenou para ele e decidiu que devia ir embora. Ela estava surpresa consigo mesma, Salvar a vida dele lhe havia causado um bem estar maior do que saber que ele estava morto. Agora ela agradecia que ele não tivesse morrido. Helen saiu do hospital, certa de que havia feito sua parte e pronta para voltar à sua vida, que, agora, seria diferente, ao menos ela iria se esforçar para isso. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Scully continuava ligando para os hospitais, enquanto eles vasculhavam as ruas perto da casa dela. Até que, finalmente, tiveram a notícia de que Mulder estava em um hospital não muito longe dali. O fato de ele ainda estar com seu distintivo havia ajudado. Quando chegaram ao hospital Scully foi informada que Mulder estava sendo operado, mas que não corria risco de vida. Skinner continuava desconfortável. "Scully, eu sinto muito, eu agi de impulso." "Eu sei, eu faria a mesma coisa." Mesmo ao ouvir isso, Skinner não se sentiu melhor, mas sabia que, naquele momento, a única coisa que poderia fazer era atirar. Mulder estava armado e a ameaçara. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Mulder acordou da anestesia lentamente. Sua cabeça parecia pesar uma tonelada. Tentou mover seus braços mas estranhamente ele não conseguia. Ao abrir os olhos ele viu que o braço ferido estava imobilizado, enquanto o outro estava amarrado à cama. Antes mesmo de verificar se alguém estaria por perto, Mulder começou a se debater e tentar se soltar. Scully correu para tentar acalmá-lo. Ela tinha certeza de que ele não gostaria de vê- la por perto, mas ele podia se machucar se continuasse a se debater. "Mulder, sou eu. Não se mexa, ok?" "Scully, solte o meu braço." Scully não sabia se devia ou não fazer isso, mas não queria que ele continuasse achando que ela estava contra ele. Então o soltou, mas deu dois passos para trás, caso ele resolvesse atacá-la. Ele percebeu a manobra e lembrando-se do que havia ocorrido na casa dela, ele entendeu o porque do medo dela. Mas o que mais a admirava era que ela o havia desamarrado mesmo estando com medo. Era tão óbvio que ela continuava a confiar nele, sempre. E ele, ao contrário, estava sempre duvidando dela. "Scully eu sinto muito pelo que aconteceu. Eu não conseguia lembrar das coisas direito." Scully nem ao menos esperou ele terminar de falar para saber que ele estava dizendo a verdade. Seus olhos mostravam não mais a raiva, mas o sentimento de culpa. "Mulder, está tudo bem, Eu sei que você estava ferido. Não vamos mais pensar nisso, ok?" Ele estava com sono e resolveu deixar essa discussão para depois. Agora estava tudo bem, ele se sentia melhor, e não havia mais porque correr. Quando, mais tarde, Mulder acordou, no entanto, o assunto já havia morrido. Scully queria saber como Mulder tinha ido parar no hospital, mas ele disse que não se lembrava. Mulder havia decidido deixar isso para trás. Aquela mulher, cujo nome ele sequer sabia, já havia expiado seus pecados. O fato de tê-lo levado ao hospital demonstrava que ela não queria lhe fazer mal. Ele sabia que esta era uma aposta muito alta. Se ele estivesse errado ela voltaria e poderia matar Scully. Mas ele estaria por perto e não deixaria que nada acontecesse. Tudo agora voltaria ao normal, para todos. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx Helen olhava para a estrada, pela janela do ônibus. As casas pelas quais o ônibus passava causavam nela curiosidade e tristeza. Ela se imaginava vivendo em uma daquelas casas. Mas se entristecia ao ter certeza de que aquela não era a sua vida. Ela sabia no fundo de seu coração que, por mais que tentasse, sua vida não mudaria. O ônibus parou em um posto de serviço. Helen desceu e foi até o banheiro. Era um local sujo. Helen se aproximou do espelho imundo, Sua imagem era turva no espelho. Ela não podia ver a si mesma. Via somente um vulto escuro. O largo espelho, de tão velho e sujo, não refletia suas lágrimas, não refletia sua tristeza. O espelho não foi testemunha das mãos trêmulas de Helen segurando a arma. Nem refletiu a arma encostada em sua cabeça. O som do tiro ecoou pelo banheiro vazio, e o sangue turvou ainda mais o espelho. Uma hora depois o corpo já havia sido retirado, e o banheiro estava limpo como jamais estivera desde sua construção. O espelho que antes não refletia nada, agora refletia o vazio, do banheiro. Fim