AUTORA: Viviane Neri CENSURA: Nenhuma. SPOILERS: Muitos. Fanfic "Pós-Requiem" CATEGORIA: Shipper!!! CONSIDERAÇÕES: Mulder e Scully não são meus e sim do Chris Carter, do David, da Gillian e da Fox Company. Estou pegando os personagens emprestados um pouquinho. Essa história não tem nenhum fim lucrativo, a não ser divertir os fãs. AGRADECIMENTOS: Agradeço a todos aqueles que me mandaram feedback da primeira parte da fanfic (adorei!!!!) e lembrem-se estou esperando mais feedback, ai vai meu e-mail: x-vivi@uol.com.br ou x_vivi@ig.com.br E vamos ao que interessa!!! AS RAZÕES DO MEU AFETO – 2/2 --Mulder... Pare o carro... – disse ela ofegante. -- Como assim Scully? Não podemos parar... -- Mulder... Eu mandei parar o carro já. Contrariado Mulder parou o carro bruscamente, virou-se para a parceira e disse: -- Scully, olha como você está... Não podemos parar, você tem que agüentar até chegarmos na cidade... -- Eu não tenho como agüentar Mulder, você nem sequer sabe a que distância está a cidade, na verdade você nem sabe se existe uma cidade por perto... – disse Scully ofegante e nervosa. –- Eu vou ter meu filho aqui e agora, e você vai ter que me ajudar! -- Eu!!! – a expressão de Mulder já não era mais de nervosismo, e sim de desespero.—Scully, eu... Eu não posso fazer isso, não posso. -- Você pode sim Mulder, nunca viu um parto antes? -- Ver eu já vi, mas agora é diferente... -- A única coisa de diferente é a mãe do bebê... Mulder, eu não posso fazer isso sozinha... Você tem que me ajudar! Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxX Estrada secundária, desesperadamente deserta e fora da cidade, 8h10. Scully estava no bando de trás do carro, encostada na porta, com as pernas levemente flexionadas. Respirava como tinha aprendido no pré-natal. Usando seus conhecimentos como médica, percebeu que não havia mais o que esperar, ela estava com uma boa dilatação e as contrações estavam cada vez mais fortes. Mulder estava atônito, à frente de Scully... O suor escorria em sua face e seu olhar era assustadoramente vazio. Ele não acreditava que estava naquela situação... Se a mulher a sua frente não fosse a Scully ele com certeza teria fugido dali... -- Mulder, acorda Mulder – disse alto Scully, que apesar da situação em que se encontrava, estava relativamente calma. -- O que eu faço Scully ?? -- Você só tem que segura-lo enquanto nasce, e ajudar se for preciso, depois que ele nascer... Lembra do que lhe expliquei? Com o barbante que pegou, você amarra em dois pontos do cordão umbilical e corta no meio, Lembra? -- Acho que sim... – então ele fechou os olhos, respirou fundo, segurou nos joelhos de Scully, fazendo com que ela flexionasse ainda mais as pernas, e disse – Seja o que Deus quiser... Se é que ele existe... Apesar de sempre ter sido a favor de um parto natural, Scully nunca imaginaria que teria seu filho naquelas condições e apesar da dor ser suportável, ela realmente daria tudo por uma anestesia... Segurando forte dos lados da janela aberta da porta traseira do carro, Scully fez a maior força que conseguiu. -- Fo-Força Scully - titubeou Mulder ao mesmo tempo em que pensava "Força Mulder". Após um curto e aflitante espaço de tempo todo o nervosismo foi substituído pela emoção – Eu...Eu... Estou vendo Scully, estou vendo...Vamos lá força Scully sorriu emocionada... Foi quando, após alguns segundos, ela ouviu o choro do seu bebê. Naquele momento sentiu o coração explodir de felicidade, felicidade aumentada pelas palavras emocionadas de Mulder, que segurava a criança nos braços. -- É um menino, Scully. Um garotão, forte e saudável – as gotas de suor de Mulder se fundiam pouco a pouco com as lagrimas que escorriam por sua face. Aquela era talvez a experiência mais incrível pela qual passara. Mulder entregou o bebê para Scully, que o segurou cuidadosamente. Ela sabia que aquele era o momento mais feliz da vida dela, e a cada afago carinhoso que depositava no seu pequenino filho era como se ela transmitisse todo o amor que sentia por ele. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxX Estrada secundária, 11h30. - Devemos estar perto da cidadezinha indicada no mapa... Quando chegarmos levarei você e o pequeno para o hospital ou qualquer coisa parecida, para que recebam os devidos cuidados... -disse Mulder olhando para Scully. Na verdade, a agente nem escutou o que o parceiro disse. Toda a sua atenção estava agora voltada para seu filho, que dormia como um anjinho no seu colo. -- Sabe Scully, acho que o banho que você deu no garoto lá no lago não serviu de nada, afinal ele já está coberto de saliva... Scully olhou para Mulder, e sua única reação em relação ao comentário de Mulder foi um suspiro de felicidade. Ela realmente estava muito feliz e não se incomodou com a brincadeira do parceiro. -- Já sabe o nome que vai colocar nele Scully? -- Sim…será William Joseph Scully. -- É um bonito nome. -- Não vai perguntar o por quê de eu escolher esse nome Mulder? -- Homenagem ao capitão? --.Sim... Mas não foi só por isso... Na verdade foi por vários motivos...William, realmente uma homenagem ao meu pai e também à...digamos... minha parteira...-disse ela sorrindo para Mulder, que retribui também com um sorriso – Joseph, por que esse nome foi citado por várias pessoas especiais ao longo da minha vida... Meu pai certa vez disse que esse seria o meu nome se eu fosse menino... minha irmã disse que se tivesse um filho esse seria um nome provável... Meu melhor amigo, que acho que nunca planejou ter uma família e filho, me disse certa vez que se tivesse um filho, daria a ele um nome mais normal e bonito como David ou Joseph, nunca escolheria Fox... Mulder sorriu, estava realmente lisonjeado. --.Nossa Scully...Obrigado...Eu nem sequer me lembrava mais desse comentário... -- Olha Mulder! – disse Scully apontando para uma placa mais à frente. " CIDADE VILLECASTER – 20 KM A FRENTE" -- Ahá!! Já estava pensando que não se conhecia o uso de placas nessa parte do estado... Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxX Posto Médico de Villecaster, 11h45. -- Boa Tarde, meu nome é Phillip Green e essa é a minha esposa Anna Green – Mulder apontou para Scully e continuou –- Ela deu a luz a pouco, na estrada, dentro do carro e... -- Oh, mas que garotinho apressado! – interrompeu a jovem enfermeira se dirigindo ao bebê e olhando para Mulder continuou – Foi bom que tenham vindo, afinal um bebe recém nascido e sua mamãe precisam de cuidados especiais... -- Certo – disse Mulder acompanhando a jovem com os olhos, que pegou rapidamente uma cadeira de rodas para Scully, e os levou até a enfermaria. O lugar era bem simples e pequeno, correspondendo ao aspecto geral de VilleCoster, uma cidade com poucos habitantes e desenvolvida o suficiente, possuía lojas, uma hospedaria, algumas lojas de roupas, uma mercearia, posto de gasolina. O posto médico não tinha muita gente, poucos pacientes, três enfermeiros, e dois médicos. Apesar da simplicidade, tudo estava limpinho e bem arrumado... -- O médico logo irá vê-los Sr... -- Phillip Green. -- Isso...Enquanto descansam o senhor poderia me acompanhar para fazermos a ficha médica. -- Claro, mas eu só vou conversar uma coisinha com minha esposa e logo irei. -- Tudo bem, fiquem a vontade – disse a enfermeira saindo. -- Sabe Scully, ou melhor, Anna... Quando estávamos chegando aqui quase pensei que não encontraríamos algum médico... Até que este postinho está bom para este fim de mundo. -- Tem razão...- disse Scully, que preocupada continuou -- Mulder e depois...o que faremos? -- Iremos ficar na pensão, nos alimentaremos, descasaremos, cedinho seguiremos viagem... Scully o destino é o que menos importa agora, o que interessa mesmo é estarmos longe, sãos e a salvos... – disse ele segurando a mão da parceira entre as suas, então em seguida respirou fundo e beijou a mão dela, levantou e acariciando o bebê, disse – Bom...Agora eu vou fazer a ficha, e depois acho que vou fazer umas comprinhas...roupas, comida, sementes de girassol, combustível, creme desengordurado de arroz... -- Tudo bem, mas não demore... eu e o William não queremos ficar sozinhos!! Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxX Enfermaria do Posto Médico de Villecaster, 13h31. O médico já tinha cuidado de Scully e do bebê. A agente estava exausta, estava esperando os resultados de alguns exames e Mulder, que aliás estava demorando, e acabou pegando no sono. Ela dormia sossegada com seu filho junto ao peito, quando despertou com um barulho. -- Desculpe-me se te acordei – disse a jovem enfermeira. -- Tudo bem...Mas o que foi, algum problema?– perguntou Scully preocupada. -- Não, nenhum problema... eu só estou aqui para pegar o bebê um pouco – disse a jovem cordialmente -- Mas ... por quê? – perguntou Scully desconfiada. -- Não se preocupe... Eu só vou leva-lo para o doutor vê-lo. -- Mas ele já veio até aqui... -- É que ele precisa fazer outros exames mas logo trarei seu bebê para você – disse a simpática enfermeira pegando o bebê no colo. Scully levantando-se rapidamente, disse: -- Então eu acompanho você... -- Fique e descanse, não se preocupe, será rápido, logo o trarei de volta senhorita Scully! Neste momento Scully levantou as sobrancelhas, seu semblante calmo de deu lugar a uma expressão perturbada e desconfiada..., Segurando rapidamente a enfermeira pelo braço a agente exclamou: -- Espera ai... Eu não te disse que meu nome era esse... Porém antes que Scully pudesse fazer alguma coisa, a enfermeira se soltou, e com a expressão séria empurrou fortemente a agente, que caiu no chão. Enquanto olhava Scully cair o rosto da jovem se transformou, era na verdade o Caçador de alienígenas. Mulder estava voltou das compras, colocou as coisas no carro e foi em direção ao posto médico do outro lado da rua. O agente parou um pouco quando notou um carro estranho na frente do posto, foi quando ele ouviu um grito: -- NÃO!!! "Scully", pensou ele alarmado que, tirando a arma do coldre e correu para dentro do posto, então viu o Caçador saindo da enfermaria com o beb6e de Scully no braço. -- Hei, parado ai!! – gritou Mulder, que impossibiltado de atirar correu ainda mais. O caçador correu mais rápido saindo numa porta dos fundos, Mulder o seguiu o mais rápido que pode, saiu pro lado de fora, mas tinha perdido o caçador de vista. Lembrando do carro em frente ao posto, o agente voltou para dentro do posto correndo a fim de chegar rapidamente ao outro lado. Passando aproximando-se da porta da enfermaria, lembrou de Scully, mas nem precisou entrar, pois deu de cara com ela. A agente estava um pouco atordoada, com um machucado no supercílio esquerdo. -- Scully – disse ele olhando para ela preocupado, como se perguntasse se ela estava bem. -- Meu bebê...- ela se limitou a disser. Então eles correram , Mulder na frente e ela atrás, estava pouco tonta, mas o medo de perder seu filho a deixava mais forte. Passaram pela recepção, onde estava a enfermeira caída, e saíram. Chegando ao lado de fora Mulder viu o carro do Caçador saindo da cidade, indo bem à frente na estrada. O agente correu até o carro, entrou, deu partida rapidamente e arrancou em toda a velocidade, parando apenas para Scully entrar. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxX 14h10. Mulder acelerou o carro ao máximo. Ele não podia perder o Caçador de vista, porém não podia permitir que fosse visto. Desde que entrou no carro Scully estava em silêncio, a angústia e o sofrimento por ter sido separada de seu filho estavam estampados em sua face, assim como o medo de não poder vê-lo novamente invadia cada vez mais a sua alma. Mulder olhou para a parceira rapidamente, e também angustiado, não estava suportando mais aquele silêncio. Ele sabia que ela estava sofrendo, e isso fazia com que se sentisse péssimo. De certa forma ele se culpava por tê- la deixado sozinha naquele posto médico. Mas se culpar não ia resolver nada e a única coisa que Mulder se permitia a pensar naquele momento, era na forma de recuperar o bebê... A forma de devolver a felicidade a Scully. Após pouco mais de uma hora de estrada o carro do caçador entrou num atalho chegando a um galpão aparentemente abandonado. Escondidos entre as árvores, os agentes viram quando o Caçador entrou naquele balcão com o bebê no colo. -- Oh, Meu Deus Mulder! É o meu bebê...- disse Scully tirando o cinto e virando-se para abrir a porta. -- Não Scully ! – disse Mulder segurando a parceira pelo braço, impedindo assim que ela prosseguisse – Não podemos ser precipitados. -- Mulder me larga! Preciso pegar meu filho de volta!...-disse ela quase sem forças. -- Scully, não podemos nos precipitar! Ir lá agora só colocaria a vida do bebê em risco... Agora o melhor a fazer é esperarmos anoitecer e invadirmos o local, evitando ao máximo sermos vistos. – a voz de Mulder era séria porém cautelosa, afinal ele não queria magoar ainda mais a parceira. Scully abaixou a cabeça pensativa, a última coisa que queria era por a vida do seu filho em risco. Então ela fechou a porta do carro devagar e respirou fundo permanecendo com a cabeça baixa e os olhos fechados. Mulder gentilmente segurou seu queixo e levantou o rosto de sua parceira . --Está machucada – disse ele referindo-se ao pequeno corte no supercílio. Rapidamente ele se inclinou em direção ao porta- luvas, e , abrindo-o, retirou uma caixinha de primeiros socorros -- Vamos cuidar disso... Ele pegou um pedaço de algodão e começou a limpar o ferimento. Ela o fitou nos olhos pensativa, sua tristeza só não era maior por causa da presença dele, que lhe transmitia toda a força e segurança que perdia a cada segundo longe de seu filho. O misto de tristeza e emoção dela logo se transformou em uma teimosa e solitária lágrima, que escorregou devagar pelo seu rosto sendo barrada pelo polegar do parceiro que afagava carinhosamente sua face, enquanto terminava de cuidar do machucado. Mulder então a olhou nos olhos, pensou em falar algo, mas desistiu. Com isso Scully disse: -- Mulder...E se eu não conseguir recupera-lo?... Eu não sei se vou conseguir suportar uma perda como essa de novo... -- E quem disse que você vai perder alguma coisa Scully?!? – o tom de voz de Mulder era um tanto ríspido, correspondendo ao semblante sério que estampava seu rosto. O agente sabia que tudo o que ocorrera a pouco a tinha abalado e que trouxe de volta várias lembranças ruins do passado, mas agora tudo seria diferente... Tudo tinha que ser diferente e ele não poderia permitir que a sempre tão forte Scully se entregasse a tristeza e ao pessimismo.. –- Scully estamos aqui não estamos? – ele fez uma pausa para que ela respondesse e diante da afirmativa continuou – Pois bem... Eu lhe prometo que só sairei daqui quando ver você saindo com seu filho nos braços... são e salvo. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxX Pentágono - sala escura e sombria, 15h38. O homem misterioso, escondido nas sombras, fala ao telefone: -- E então conseguiu?... Ótimo, Ótimo...E Mulder?... O seguiu?...E você não fez nada certo?... Ótimo, prepare tudo que já estou indo ai, com certeza ele só está esperando o momento certo para tentar recuperar a criança, e quando o fizer, eu é que estarei esperando por ele... Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxX Galpão aparentemente abandonado 23h15. -- Mulder Olhe!! – disse Scully apontando para a entrada do galpão, um carro preto estava entrando devagar e ao parar um homem misterioso sai. -- Quem será? -- Não sei... não consigo enxergar– disse Mulder procurando algo no porta-luvas – Droga, esqueci o meu binóculo!! -- Então só descobriremos quem é quando entrarmos... -- Vamos esperar um pouco e então entraremos... A noite estava fria, o céu sem lua deixava a escuridão ainda maior, o que facilitava a entrada de Mulder e Scully ao galpão sem serem descobertos. Mulder pulou a grossa e alta cerca de arame rapidamente -- Scully eu te segu... – Mulder nem precisou terminar a frase pois Scully pulou logo em seguida sem esperar que ele a segurasse. -- Vamos! – disse ela um pouco nervosa -- Temos que tomar cuidado, não podemos ser descobertos... Entraremos por ali – disse ele apontando para uma pequena porta do lado esquerdo do galpão. Scully rapidamente caminhou na direção indicada por Mulder, sendo interrompida por ele. -- Scully tem certeza que não quer ficar no carro enquanto eu entro ai... -- Mulder já discutimos isso – disse ela categoricamente se livrando da mão de Mulder e seguindo cuidadosamente o caminho. -- Certo! – sussurrou Mulder contrariado, indo atrás dela. Estranhamente a porta estava aberta, Mulder olhou para Scully exitante, mas entrou com a arma em punho. Os agentes seguiram cautelosos por um grande corredor escuro, que possuía diversas portas e terminava numa grande escada. Tudo estava muito silencioso. Por meio de gestos Mulder disse a Scully que seguisse em frente e visse para onde a escada dava enquanto ele tentaria abrir uma das portas. Enquanto a agente subia a escada, Mulder pegou um clip no bolso e enfiou na fechadura tentando abri-la, e após conseguir, a abriu vagarosamente, olhou para todos os cantos da sala e entrou. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxX Sala do Galpão aparentemente abandonado 1h10. A sala não era muito grande, uma das paredes tinha um enorme vidro, por onde se via a sala do lado. Em frente ao vidro uma mesa de controles, com botões e um microfone. "Ótimo, parece que descobri o misterioso estúdio de gravação do Sting..." pensou Mulder, caminhando em direção a mesa de controles. Então a porta se fecha, Mulder vira-se rapidamente apontando a arma em direção à porta. -- Não atiraria num homem desarmado não é agente Mulder? – disse o homem não mais misterioso, Alex Krycek, levantando devagar os braços com um sorriso irônico estampado na face. -- Quer apostar? – pergunta Mulder, sua voz é calma ao contrário de seus olhos que parecem soltar raios em direção a Krycek. -- Se eu fosse você não atiraria... Mulder permaneceu em silêncio, o que ele mais desejava era acabar com aquele crápula, mas sabia que não podia, não agora. Krycek abaixou as mãos e caminhou lentamente em direção ao Mulder, que continuava com a arma apontada para ele. -- Por que não abaixa a arma para conversarmos melhor agente Mulder... Creio que eu estou com o que veio buscar e aposto que não quer que algo aconteça de errado não é? -- Só um crápula como você poderia fazer algo tão nojento como tirar um beb6e recém-nascido dos braços da mãe – disse Mulder abaixando a arma. -- Oh, que palavras comoventes! Não diga que queria que eu ficasse emocionado! -- Eu não seria tão pretensioso... Onde está o bebê Krycek, o que quer com ele? -- Este bebê é especial... -- Como assim? -- Agente Mulder, esta criança só existe por nossa causa, nada mais justo que fiquemos com ela... -- Por causa de vocês? -- Indiretamente... -- Por que não chega aonde quer chegar Krycek – disse Mulder perdendo a paciência. -- Ora Mulder, não finja que não sabe do que estou falando. -- O chip... De alguma forma o chip foi responsável pela gravidez de Scully não é? Como? -- Na verdade eu não tenho todas as respostas que quer Agente Mulder. -- Mas você mesmo disse que o bebê só existe por causa de vocês do consórcio. -- Tem razão, só que eu disse indiretamente... A agente Scully retirou um chip e nós lhe demos outro... Nós apenas fornecemos o chip. -- Mas... -- Chega de perguntas agente Mulder! – interrompeu Krycek , se aproximando ainda mais de Mulder. Com um tom de voz bem baixo continuou –- Há certas verdades que não são para você Agente Mulder... Pelo menos por enquanto... Eles se encararam durante um tempo, era como se faíscas saíssem de seus olhos. -- Existe uma forma da agente Scully ter seu filho de volta... – disse Krycek, sua expressão era fria e seus olhos mostravam uma certa satisfação ao pronunciar aquelas palavras. -- Como? – perguntou Mulder desconfiado. -- Como eu já disse essa criança é especial e acreditamos que ele tenha algo... que ele seja algo que poderá ser muito útil a nós no futuro... "achamos" que ele seja algo que "sabemos" que você é. -- Eu? – Mulder estava surpreso, o que será que ele tinha de tão especial assim, será que era a mesma coisa que o fez quase morrer quando exposto ao artefato alienígena? – O que eu sou? Um ET? – disse Mulder com um sorriso sarcástico estampado no rosto. -- Quem sabe? – disse Krycek sorrindo irônico. Mulder ficou confuso diante da resposta de Krycek, mas não levou muito a sério, e diante do silêncio de Krycek, disse: -- Então quer disser que eu sou importante para os seus planos sujos... -- Agente Mulder, por que acha que está vivo até hoje? Depois de tudo que você fez ameaçando os planos do consórcio, você não concorda que seria muito mais fácil te eliminar. Eu mesmo o tinha feito com muito prazer... Mulder permanecia em silêncio, e, enquanto ouvia, seu cérebro trabalhava freneticamente na tentativa de associar tudo o que ocorreu com ele, durante sua busca pela verdade, com as palavras de Alex. -- Krycek deixe me ver se entendi... O bebê de Scully "pode ser" importante para você, assim como eu "sou" importante... e daí? – perguntou Mulder já imaginando a resposta. -- E dai que podemos fazer uma troca. – disse Krycek sorrindo, finalmente a conversa tinha chegado aonde ele queria. -- Uma troca? E se era eu que você queria por que não me pegou primeiro? -- Porque existe uma pequena diferença entre ter você ao nosso lado contra a sua vontade e com a sua vontade... Então... O que me diz? Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxX Segundo andar do galpão abandonado 1h25. Scully andava cautelosa no grande salão presente do segundo andar daquele galpão. Aparentemente não havia nada lá a não ser entulhos e caixas espalhadas. Assim como não havia nada nas pequenas salas anexas ao salão principal. Com arma em punho ela seguiu devagar em direção à escada, talvez Mulder tivesse encontrado algo mais interessante do que ela. Quando a agente estava chegando até a escada ela ouviu alguém se aproximar, porém antes que pudesse fazer qualquer coisa, sentiu o cano frio de uma arma em sua têmpora esquerda. -- Olá agente Scully! – disse o Caçador segurando-a pelo braço em seguida. A porta da sala se abriu com violência, o Caçador entrou rapidamente e largou bruscamente a agente, que, desequilibrada, caiu no chão. Enquanto o Caçador trancava a porta, Scully se levantou devagar, sua perna doía um pouco devido à queda, mas isso era o que menos a preocupava. Após se levantar Scully se dirigiu rapidamente à porta e tentou abrí-la. -- Hei, me tira daqui. – gritou ela batendo na porta com força – Mulder! Mulder! Socorro! Ao notar que não podia ser ouvida, Scully olhou ao seu redor. A sala era iluminada por uma pequena e fraca lâmpada, estava totalmente vazia. Um espelho enorme cobria uma das paredes quase toda. Caminhando na direção do espelho, a agente se perguntava se alguém estaria a observando. Chegando perto do espelho ela bateu com as mãos e gritou: -- Se tem alguém ai...fique sabendo que se algo acontecer com meu filho eu...eu...- Scully não conseguiu continuar, que tola ela era, com certeza não havia ninguém do outro lado do espelho, e se havia o que ela poderia fazer?. Encostando a testa no vidro e com a voz baixa e triste, quase sem esperanças completou – eu quero ele de volta... Ao terminar de falar Scully se afastou do espelho e sentou no chão, puxou os joelhos em direção ao peito e baixou a cabeça respirando fundo...já não suportava toda aquela situação. Ela permaneceu naquela posição por alguns minutos, e ao ouvir a porta sendo aberta levantou num pulo. Era o caçador que trazia seu filho no colo. O coração de Scully quase explodiu de emoção e por um instante ela sentiu as pernas bambas, não acreditava que aquilo estava acontecendo, era como se o sonho que acabara de ter estivesse se tornando realidade. Sem pensar duas vezes a agente se jogou na direção do Caçador e como uma onça recuperando seu filhote do predador, arrancou- lhe dos braços. -- Oh Meu Deus, por um instante pensei que não iria vê-lo de novo – disse ela baixinho acariciando a criança. -- Agora você pode ir agente Scully. – informou quase ordenando o Caçador. Scully ia sair quando notou que tinha alguma coisa estranha no ar, por que lhe tomaria seu filho para depois o entregarem de volta sem nenhuma objeção. -- Cadê Mulder? – perguntou ela notando a falta de seu parceiro. Ele sumido, não estava lá agora e não a tinha escutado quando fora presa naquela sala. -- Ele não irá com você. -- Do que está falando? Você me deixa ir livremente mas o Mulder não... Eu não sairei daqui sem ele. – disse Scully irritada. -- Não é seu filho que queria de volta? Pois bem ai esta ele... Quanto o agente Mulder... Você só pode sair com um deles daqui... Surpresa, Scully arregalou os olhos diante da última frase do Caçador, abraçando ainda mais o filho -- Está me pedindo para fazer uma escolha? – perguntou ela temendo a afirmativa. -- Não se preocupe Agente Scully, esta escolha já foi feita... Diante daquela resposta Scully não soube o que fazer, mas alguma coisa ela tinha que fazer. -- Eu não... -- Agente Scully não há mais nada o que falar – interrompeu o Caçador, seu tom de voz já não era calmo como o que falava a pouco mas sim sério e imperativo – Se você não sair daqui agora não sairá mais. -- Olha aqui seu...- começou ela já se preparando para tomar alguma atitude que não colocasse seu filho em risco, mas que permitisse que ela saísse de lá com Mulder ao seu lado. Porém antes de terminar uma voz que ela não sabia de onde vinha, mas que sabia muito bem de quem era. -- Scully vá! -- Mulder?! – gritou ela olhando para os lados confusa, na tentativa de achar de onde a voz vinha. -- Scully por favor não discuta com ele, apenas vá – continuou Mulder que via tudo do outro lado do espelho. Ao ouvir novamente, Scully percebeu que ela vinha de uma saída de áudio no canto superior da sala . Rapidamente olhou depois para seu reflexo no espelho, tudo tinha ficado claro: Mulder estava lá! -- Mulder! É você que está ai? O que está acontecendo aqui afinal?- perguntou se aproximando ainda mais do espelho. -- Scully... lembra quando eu te prometi que só sairia daqui depois de ver você saindo com seu filho... talvez só sairei um pouco depois do que imaginava... -- Mas Mulder eu não posso sair daqui sem você... -- Pode sim, eu sei... Para o bem do pequeno Will... -- Mas... – protestou já sem forças Scully -- Scully você confia em mim? -- Sim! – Scully afirmou um pouco triste, se aproximando ainda mais do espelho. Era como se seu olhar pudesse enxergar através de sua imagem refletida, apesar do contrário. -- Pois então vá... Sem olhar para trás......ah, e por favor não me procure, nada de Pistoleiros ou FBI, para o bem do garoto, OK?... vá e cuide bem dele... Scully não disse mais nada, apenas baixou a cabeça, olhou para o filho e respirou fundo. Olhando para frente beijou a palma da mão e a colocou no espelho. Mulder que estava parado na outra sala, também próximo ao espelho – vidro – retribuiu o gesto apoiando a palma de sua mão em frente a de sua amiga. A dor que ele sentia naquele momento era enorme. Logo após Scully se virar e sair, Mulder olhou para Krycek, que assistia a tudo, com um odioso ar de satisfação e vitória estampado em seu rosto. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxX Hospital Memorial de Georgetown, oito meses depois. O ambiente estava relativamente calmo naquele andar do Hospital. Scully entrou apresada, seus passos eram incrivelmente firmes levando em consideração o tamanho do salto do sapato. -- Procuro pelo paciente Fox Mulder? – disse rapidamente à recepcionista, mostrando sua insígnia, para facilitar e agilizar sua entrada. -- Quarto 231, no fim deste corredor – informou a moça ao checar rapidamente no computador. Ela ainda não acreditava no noticia que recebera há 15 minutos no bureau. Seu rosto ainda mostrava a surpresa e a emoção de saber que Mulder estava vivo, não sabia ao certo em que condições, mas estava vivo. Chegando ao quarto 231 ela respirou fundo e abriu lentamente a porta. Ao entrar ela suspirou aliviada e rapidamente a expressão séria e apreensiva de antes se tornara agora mais suave e emocionada. Lá estava ele, e, para a felicidade de Scully, parecia estar apenas dormindo. No olhar dela imperava um misto de alegria por vê-lo e preocupação com seu estado de saúde. Chegando mais perto do leito, Scully puxou uma cadeira, sentando-se ao do parceiro, segurou sua mão cuidadosamente e permaneceu em silêncio a contemplar o seu sono. Mulder estava pálido e um pouco mais magro, tinha olheiras profundas e estava com a cabeça enfaixada. Lentamente Scully levou uma de suas mão em direção ao rosto do parceiro e pôs-se a afagá-lo com delicadeza e carinho, foi quando sentiu a mão dele apertando a sua, enquanto um leve sorriso brotava de sua pálida face. -- Olá Scully – disse ele baixinho abrindo depois lentamente os olhos. -- Desculpe-me se te acordei – disse ela surpresa. -- Não há melhor forma no mundo de se acordar... -- Se sente bem? -- Melhor agora... -Ele olhou para ela sorrindo, que retribuiu docemente com o mesmo gesto – Sabe Scully tenho muita sorte de tê-la ao meu lado...Prometa que nunca vai me deixar sozinho... -- Claro que prometo, mas... Por que diz isso?- perguntou ela preocupada. -- Por que talvez eu possa precisar muito de você no futuro... – respondeu ele sério, e diante da expressão preocupada de Scully concluiu com a mesma seriedade anterior –- Se cada vez que me levarem eles tirarem um pedaço do meu cérebro...Acho que vou precisar você para me dar papinha na boca e me levar para tomar sol em um parque qualquer... -- Mulder... Como consegue brincar com algo tão sério? – perguntou ela sorrindo sem acreditar no que estava ouvindo. No fundo ela tinha até gostado, afinal uma brincadeira quebrava um pouco toda a preocupação que ainda sentia. -- Faço de tudo para vê-la sorrir... Essa declaração de Mulder fez com que o sorriso suave que Scully exibia a principio se tornasse mais iluminado. Ela sentia vontade de dizer a ele tudo o que ela planejara durante o tempo que ele esteve desaparecido, porém a coragem lhe faltava. -- Obrigado...- foi a única coisa que ela conseguiu responder. -- E então... Como está o pequeno Will? – disse ele mudando rapidamente de assunto ao notar o constrangimento da parceira diante de sua ultima declaração. -- Ele está ótimo! – respondeu com um brilho de felicidade e corujice nos olhos – Sentiu saudades de você... -- Ah... Fala a verdade Scully... Ele não deve nem se lembrar de mim... -- Eu não permiti que ele esquecesse... – disse ela séria e continuou sorrindo -- Aliás, comprei uma bola de basquete para ele e agora ele está só esperando o professor! -- Hum... Isto é ótimo... Pode apostar que com o professor aqui ele vai ser o melhor! – disse o modesto Mulder. --Ah é claro! Eu já disse isso a ele, e ele adorou... – devolveu a irônica Scully, e após logo isso ela mudou rapidamente a expressão e o olhar que adquiriu um brilho triste, o sorriso desapareceu de seus lábios e com a voz baixa disse: -- Mulder... Eu queria dizer a você que... Que... Você não imagina o quanto é importante para eu estar ao seu lado... -- Scully eu... -- Não! – disse ela o interrompendo com a mão – Deixe-me terminar...Sabe...No inicio todo dia eu tinha uma grande esperança de que você bateria na minha porta e entraria a salvo, dizendo que todo o pesadelo tinha acabado, que eles o tinha finalmente libertado... Porém depois de um tempo esta esperança foi diminuindo, e eu me sentia cada vez mais inútil por não poder fazer nada realmente eficaz para descobrir o seu paradeiro e a cada dia dessa busca silenciosa e secreta, eu sentia como se te perdesse mais e mais... Ela fez uma pausa, respirou fundo tentando evitar a lágrima inevitável. Mulder levou sua mão ao rosto dela enxugando a lágrima delicadamente com os dedos. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa ela continuou: -- Não era a primeira vez que desaparecia, mas parecia que desta vez era diferente... A dor que eu sentia era tão grande que talvez seja impossível explicar com palavras, eu sabia que eles estavam fazendo testes em você, imaginei testes tão horríveis que poderiam leva-lo à morte, e Mulder... Se você morresse eu sei que me sentiria muito culpada... -- Não diga isso Scully – interrompeu Mulder a segurando no rosto -- eu nunca quis que se sentisse culpada por nada... Muito pelo contrário, tudo o que fiz... Tudo que eu faço é para vê-la feliz... Eu sabia que se você não pegasse seu filho de volta você seria infeliz pro resto da vida e eu não suportaria isso... Eu não me arrependo de nada que eu fiz, e pode apostar que faria de novo, de novo, e de novo, se fosse necessário... Scully fitou profundamente os olhos de Mulder sem conseguir esconder a emoção. -- Eu sei disso... E essa foi a minha maior força durante todo esse tempo... Ver meu filho crescendo ao meu lado saudável...– Scully não segurava mais as lágrimas – Mulder... Eu não sei o que seria de mim... Eu não consigo imaginar minha vida sem você ao meu lado... Você me ensinou a voar...Ver um Mundo mais amplo, me ensinou que a vida não é só ciência, que não podemos baseá-la em regras lógicas... Você me respeitou, me protegeu, devolveu minha alma, quando cheguei a pensar que nunca mais a encontraria... E para cada coisa que você me deve eu lhe devo uma... Ou talvez duas, três. Sabe Mulder, quando me tiraram meu filho foi como se meu coração tivesse parado de bater... Quando me devolveram meu filho foi como se meu coração antes parado, tornasse a bater... Porém quando e eu tive que ir embora percebi algo estranho e doloroso... Meu coração batia descompassado... Por que lhe faltava um pedaço importante, sem o qual ele nunca seria mais o mesmo. Ao terminar de falar, Scully se sentia mais leve. Ela precisava dizer tudo aquilo, e não havia mais como adiar. Mulder por sua vez não conseguia dizer nada... E nem precisava, afinal, seu olhar fixo ao dela já lhe dizia tudo. Mulder então segurou o rosto de Scully, baixou levemente sua cabeça, lhe beijou a testa carinhosamente e em seguida a abraçou fortemente. Scully, porém, após lhe retribuir o abraço, se afastou e rapidamente segurou-lhe o rosto. Sem pensar duas vezes puxou o rosto dele contra o seu, selando seus lábios trêmulos e quentes aos do surpreso Mulder. Após o susto da atitude inesperada, o beijo carinhoso e delicado se tornou cada vez mais ardente e cheio de paixão. Todo o amor que ambos sentiam um pelo outro e que não conseguiam (ou não tinham coragem) de traduzir em palavras, foi transmitido no toque de seus lábios, de suas línguas, de suas almas. Os dois tinham desejado aquele momento mais do que tudo, por tanto tempo que chegaram a pensar que jamais ocorreria. Porém estava acontecendo, o beijo apaixonado, que continuou por doces e eternos minutos. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxX Pentágono - sala escura e sombria, 10h31. A sala está escura e sombria, um feixe fino e fraco da luz do dia atravessa as finas frestas da perciana da janela. Um homem fala ao telefone, este homem é Kricek. -- E então já o encontraram?... Ótimo... Mantenha-me informado... – Kricek só diz isso e desliga calmamente com um enigmático sorriso no rosto, e olhando para o nada pensativo. O barulho da porta se abrindo desvia sua atenção. O sorriso enigmático continua enquanto ele observa o vulto de um homem entrar. O homem escondido nas sombras acende um cigarro e o leva à boca, tragando lentamente com um aparente prazer. -- E então? – diz o homem. -- Já o encontraram... Agora só nos resta esperar... O homem caminha lentamente em direção ao Kricek, que permanece sentado em uma confortável poltrona. Ao sair das sombras, sua face é revelada aos poucos... É Spender, só que há algo diferente nele. Seu olhar é mais austero e confiante. Uma horrível cicatriz estampa sua têmpora esquerda. -- Ainda não sei por que você o deixou ir... -- Não precisamos mais dele... Na verdade ele nos é mais útil lá fora do que aqui... -- E o bebê? Não acha que subestimou seu valor? -- Eu não subestimo nada, nunca... O bebê crescera forte e saudável, para depois... – Kricek interrompe sua observação e olhando fixamente para Spender diz – As tropas já estão posicionadas meu caro Spender... Agora só nos resta esperar que a guerra comece... -- E quando isto vai acontecer? -- Em breve, meu caro... Mais perto do que imagina... Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxx F I M xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxX E ai? O que acharam? Não esqueçam espero feedback!!!! Lembrando meu e-mail: x-vivi@uol.com.br ou x_vivi@ig.com.br