Título: Rascunhos Autora: (e.mail): Telma Messias telmamessias@uol.com.br ou telma04@terra.com.br - Feeds são bem vindos! Página: www.ficstelma.com Spoilers: nenhum Sinopse: Em um momento de reflexão e saudade, Jaina Stilles escreve uma carta para Alex Krycek, mas desiste de mandar. Classificação: Vignette Disclaimer: Esta ficção foi criada tão somente para o entretenimento dos fãs da série Arquivo X – não há nenhum pagamento ou remuneração pela fanfic. Os personagens são de propriedade de seus criadores e da Fox. Estrelando: Nicholas Lea como Alex Krycek Carrie Anne Moss (Matrix, Amnésia) como Jaina Stilles Notas: Esta fanfic foi baseada na fanfic "Cartas Para um Assassino", da autora Maya. Agradecimentos: Maya, que além de escrever CPUA, sempre me ajuda com suas opiniões e me dá força para continuar. Sunny, a beta leitora do Brasil!!! E além de betar minhas fics, criou o Ficstelma.com com o maior carinho. Amigas, vocês são demais! RASCUNHOS Alex, Não sei por que escrevo. É ridícula a idéia de escrever, quando é sempre tão perigoso qualquer contato entre nós. Uma carta é um documento com remetente e destino, enfim, uma pista que pode levar a um de nós. Cartas são marcas que pessoas como eu e você não podem se dar o luxo de deixar pelo mundo. Mas é algo que o ser humano tem necessidade de escrever, para se sentir vivo e provar que, de alguma forma, existiu. Se um dia você chegar a ler esta carta, saberá que tenho dúvidas. Que choro algumas noites, perguntando o que o destino fará de nós, se haverá um inferno nos esperando. Nós traímos a nós mesmos quando desviamos do caminho que sonhamos há muito tempo atrás. Quando aprendemos a nos agarrar a outros ideais, dos quais nos prendemos ainda com mais força, para justificar o que fazemos. Sei que a vida nos fez o que somos, mas nos deu uma escolha. Injusta, mas ainda uma escolha: se seríamos vítimas de nossa sina, ou se tentaríamos sobreviver da maneira que aprendemos: seguir lutando com nossas feridas abertas e com o ódio que nasceu delas. Ficamos com a segunda escolha e pagamos o preço sem reclamar. Agora eu pergunto: fomos fortes ou fracos? Eu agüento o que a vida me impôs, o caminho que tomei... E não tenho pena dos traídos que não pensariam duas vezes antes de nos trair. Mas o preço fica alto quando nossa consciência nos acusa de destruir os inocentes que encontramos no caminho, ou até os culpados que buscam se redimir com o mundo. Nós somos culpados sem redenção e seguimos até que um dia algo ou alguém nos detenha. Acabamos tendo que nos tornar fortes por uma fraqueza do passado? Ou essa é a nossa missão equivocada na Terra? Alex, esse momento de fraqueza não só me serviu como desabafo. Serviu para descobrir que não sei mais falar de certas coisas. Acho que eu nunca soube. Esta era para ser uma carta de amor. Jaina. Krycek dobrou a carta com cuidado, aspirando o perfume dela no papel. --- Nós somos o que somos, Kriska. – Sussurrou baixinho, colocando a carta no envelope. Após esvaziar o cofre, Krycek finalmente recuperou as informações secretas que lhe haviam sido roubadas. Eram informações relativas às ogivas nucleares reativadas no território da antiga União Soviética sem conhecimento do governo americano. Informações que Jaina pretendia vender ao espião francês com quem vinha se encontrando e que oferecera um bom preço pelas localizações. Mas Krycek sabia que o dinheiro era apenas um acessório para Jaina. Ela sempre se divertiu, passando Krycek para trás, apenas pelo prazer de chegar primeiro, de roubá-lo, ou de vê-lo no prejuízo. Agora era ele estava se divertindo em dobro, ficando com os francos e as informações. E, então, aquela carta. Ele suspirou, pensativo. A carta nunca fora postada, não chegaria ao destinatário se ele não tivesse roubado o cofre dela. E se ela não pretendia entregar, era porque estava sendo sincera. Ele deixou o envelope na pequena caixa onde o encontrou. Dirigiu-se à porta em silêncio. Mas não saiu. Krycek girou nos calcanhares, abriu o cofre novamente e pegou a carta. Eram palavras tristes, mas as mais bonitas que ele já havia lido. Jaina chegou exausta, mas não conseguiu dormir. Talvez já houvesse ficado tempo demais em um mesmo lugar. Quando ficava inquieta assim, já era hora de partir. Não gostava de criar raízes porque isso era tentador demais e poderia ser a sua ruína. Além disso, sua missão naquele país frio já estava cumprida. Arrumou suas malas e tentou abrir o cofre. Mas alguém havia mudado o segredo, deixando-a furiosa. Irritada, ela levou um certo tempo para abrir, menos de um minuto, já que se tratava de seu próprio equipamento. As informações e o dinheiro que recebera adiantado haviam desaparecido. Jaina quis gritar de raiva, mas algo a conteve, enquanto levava a mão à boca. Mais que depressa, ela abriu a caixinha onde guardava a carta e se ajoelhou, despejando o conteúdo no chão. --- Eu deveria ter queimado essa maldita carta! – Praguejou, espalhando os papéis até encontrar o envelope. Com um suspiro de alívio, decidiu queimá-la imediatamente. Quando acendeu o isqueiro, uma dúvida veio à sua mente. Teria ele lido a carta? --- Não… - respondeu para si mesma. – Se Alex a visse, levaria com ele como souvenir. Jaina deixou o isqueiro de lado por um momento. Queria ler a carta mais uma vez, antes de destruí-la. Queria lembrar o que nunca disse ao ex-amante. Ao desdobrar o papel, levou um susto tão grande que a fez empalidecer. Encontre-me daqui a três dias na Riviera. Eu vou te ensinar a falar de amor. Alex. FIM Gostaram?