Título: Quimera Autora: Lucy Mattos Spoiler: Empédocles Sumário: Doggett pensa no caso, em sua vida e em como é difícil para ele admitir que está apaixonado por uma mulher que ama outro. Esta fic é um presentinho pros fãs do Doggett e pra mim mesma. Não deixa de ser shipper, mesmo assim. E não tem nada a ver com o episódio homônimo. Classificação: Scully/ Doggett UST Palavra-chave: Angst/ Vignette Faixa etária: R Distribuição: a esta altura eu só quero que mantenham meu nome como autora e meu e-mail. Feedback: Será muito bem recebido. Preciso saber se vocês gostam destas bobagens que eu escrevo. Prometo responder todos! Mandem para writing_machine@bol.com.br ou lucymattos@hotmail.com. Todos gostam muito de críticas construtivas, mas isso não quer dizer que você precisa magoar algum autor só porque não concorda com alguma coisa. Por isso cuidado com as palavras que você usar para fazer uma crítica. Disclaimers: John Doggett, Dana Scully, Fox Mulder e Monica Reyes não me pertencem, são de propriedade do malvado Chris Carter. Mas eu uso e abuso de todos eles. Sem ganhar dinheiro algum com isso, claro. Notas: Este é meu tributo a John Doggett. Adoro este cara e acho o Robert Patrick um ator maravilhoso, não importa o que digam. E o jeito que ele olha para Scully, principalmente nas cenas em que Scully está desacordada no quarto do hospital são de cortar o coração. É o olhar de um homem desejando algo que ele sabe que não lhe pertence, mas mesmo assim tem esperanças. É fofo! Quimera A noite já havia caído por completo e Doggett ainda estava sentado sobre o braço do sofá, olhando para fora, sem prestar atenção no trânsito de carros que passava na rua. Ele havia escolhido uma rua movimentada de Maryland para morar, quando viera de Nova York, por ser perto do prédio do FBI e facilitar sua locomoção, já que não conhecia bem a cidade. Mas agora que ele estava habituado ele detestava aquela rua barulhenta. Doggett passou as mãos pelos cabelos, relembrando do caso que acabara de investigar e pensando em Scully, preocupado com ela. Ele já havia visitado a parceira umas três vezes pra ter certeza de que ela estava realmente bem, quando deu de cara com Mulder, que fez questão absoluta de mostrar que não estava feliz com a presença dele e que não queria que ele visse Scully. Ficou na porta do quarto dela e resolveu investigar o caso mesmo fora dos arquivos-x, seguindo instruções de Reyes. Doggett odiou Monica por um momento, por ela ter revelado a ele uma coisa tão pessoal como a morte de seu filho. Ele ainda não havia conseguido cicatrizar todas as feridas que a morte de Luke causou e tentava esquecer isso. Finalmente se levantou e foi até o banheiro, lavando o rosto com água fria, tentando espantar a sensação de torpor. Ele queria dormir, mas o sono nunca vinha e flagrava-se andando pela casa no meio das madrugadas, lendo pastas de casos ou de arquivos antigos de casos investigados por Mulder e Scully. Foi assim que ele descobriu Emily, a filha que Scully perdeu. Sentiu que talvez isso poderia aproxima-lo dela, mas não se atrevia a comentar o assunto com ela. Scully continuava fechada e parecia totalmente absorvida pela presença de Mulder, desde que ele voltara do hospital. Sentiu um aperto no peito e continuava negando pra si mesmo o quanto isso o incomodava, saber que ela sequer percebia sua presença e estava grávida de outro. Doggett nunca conseguiu e desistiu de tentar entender o relacionamento dos dois e suspeitava que Mulder era o pai do bebê que ela esperava, mas nunca perguntou. Ela também nunca demonstrou em público uma afeição por ele, sequer o tocava, mas ele sabia que o relacionamento dos dois era muito mais intenso do que aparentava. E isso o incomodava, ele tentava esconder de si mesmo o sentimento que começava a surgir dentro dele, do amor platônico que aumentava a cada dia de trabalho com Dana Scully. Doggett nunca poderia dizer a ela tudo o que sentia e tudo o que ele tinha esperanças de concretizar com ela. XXXXXXXXXXXXXXX Ela se inclinou sobre ele, beijando seus lábios suavemente. John sentiu a maciez daqueles lábios e um gosto quase doce, que inebriava e entorpecia, como um vinho doce, tomando conta de seu corpo sem que se perceba e aguçando os sentidos. Eles estavam na cozinha do apartamento dela, encostados sobre a pia, escondidos pela escuridão. Ele afastou os lábios dos dela e desceu pelo pescoço, de olhos fechados, pelo colo e suspirou quando sentiu as mãos dela em seus cabelos acariciando e encorajando seu gesto. John abriu os botões da blusa do pijama para encontrar os seios nús e pálidos, macios sob o seu toque. Ela era suave, sua pele era macia como um cetim ou seda e se arrepiava com o toque de suas mãos ásperas. Ela gemeu baixo quando sentiu os lábios de John sobre seus seios, sua língua circulando o mamilo, enquanto a outra mão tocava o outro seio, descendo pela barriga dela até seu umbigo, não se atrevendo a descer mais. Sentiu a mão dela segurando seu rosto, fixando seu olhar intenso nos olhos dele. Doggett sentiu-se tonto por um instante, perdido na imensidão daquele olhar azul e claro. "Scully..." ele gemeu, baixinho. "Me leva pra cama, John" ela falou. Ele a levantou e a carregou até o quarto, deitando-a na cama e beijando seus lábios. O quarto estava totalmente escuro e Doggett queria vê-la, queria ver o corpo nu de Scully e sua expressão. Movendo-se na cama, ele acendeu o abajur e deu de cara com Mulder, parado, em pé, perto da parede. Doggett acordou assustado, seu rosto coberto de suor. Ele tivera mais um sonho com Scully e mais uma vez Mulder estava lá, monitorando o que eles faziam. Sentou-se na cama e ajeitou o travesseiro para encostar-se na cabeceira, cansado e irritado. Nos últimos dias ele sentia dificuldades para dormir uma noite inteira, sempre acordando de madrugada, geralmente no meio de um sonho com sua parceira. Milhões de coisas o atormentavam e agora Monica havia retornado para trazer as lembranças de seu passado e de Luke, que ele tentava esquecer. Não de seu filho, mas da maneira cruel que ele fora morto. Doggett levantou e foi até o banheiro lavar o rosto. O reflexo no espelho era o de um homem cansado, que não conseguia dormir, perseguido pelos próprios sonhos. Havia milhões de coisas que gostaria de dizer a Scully, mas faltava coragem. Milhões de coisas, que ele hesitou em dizer quando Mulder estava morto, quando ele viu o olhar perdido de Scully, quando o caixão descia em sua cova. Ele queria ter dito o quanto ele compreendia a dor que ela sentia, o quanto ele queria poder fazer a dor parar e trazer um pouco de paz para a parceira. O quanto ele queria poder abraçar Scully e dizer que tudo ficaria bem. Doggett suspirou, pensando em sua covardia. Ela era apenas uma mulher, uma parceira, mas ele não conseguia dizer a ela tudo o que pensava. Doggett estava com medo de assumir para si mesmo o que ele via agora na sua frente, no espelho, e o que os seus sonhos lhe diziam: ele estava apaixonado por Scully. Pior, ele estava apaixonado por uma mulher que, além de ser sua parceira, estava grávida de outro homem e obviamente apaixonada por ele. Ele voltou para o quarto, desistindo de dormir, e foi até a janela. O céu estava estrelado, milhões de pontos brilhantes iluminavam o céu azul-escuro. Quando ele era criança seu pai costumava dizer que as pessoas se transformavam em estrelas quando morriam e era isso que ele dizia a Luke quando ele perguntava sobre a morte. Doggett imaginava se realmente seu filho estaria ali, junto com as estrelas. Passou a mão pelo rosto, tentando segurar a emoção. Talvez se ele fosse mais forte... se ele fosse mais corajoso... talvez as coisas pudessem ser diferentes. E, quem sabe, talvez se Mulder nunca voltasse ele pudesse mudar seu próprio destino com Scully. Ele sabia que agora ela era apenas um desejo, algo que ele poderia desejar, mas nunca ter. Essa hora ela deveria estar com Mulder, no calor de seus braços e ele deveria se conformar com isso. E superar. A noite começava a ceder espaço para o dia, que nascia timidamente, com seus raios de sol quebrando o azul-escuro. Doggett pegou o telefone e discou um número. "Alô..." disse a voz sonolenta do outro lado. "Monica, preciso de você." "John? O que foi?" "Posso ir até aí?" Ela sentou-se na cama "Pode... vou fazer um café." E desligou o telefone. Doggett vestiu-se e foi até a casa de Monica Reyes. Ele sabia que poderia sempre contar com ela... XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX FIM E aí, gostou? Mande um feedback para writing_machine@bol.com.br ou lucymattos@hotmail.com que eu ficarei muito feliz! Bjos, Lucy Mattos