Título: Querido Diário – Pilot Autora: Mônica Almeida e-mail: kikaalmeida@hotmail.com Categoria: UST Disclaimer: Todos os personagens pertencem a Chris Carter, Fox Network e 1013 Productions. Sumário: Os eventos do episódio piloto sob a visão de Mulder e Scully. Fui chamada para uma entrevista no escritório do chefe de seção do F.B.I., Scott Blevins. Fiquei um pouco surpresa, pois a pessoa que veio me dar o aviso, me disse que seria uma reunião de alto nível. Sei que sou uma agente especial, mas ser chamada pelo alto escalão me causou um certo impacto. Pensei que, talvez, estivesse com problemas. Chegando no escritório, além do chefe Blevins estavam também um outro agente, de quem não me recordo o nome, e um senhor que ficou o tempo todo fumando e me olhando, como se estivesse me analisando. Tentei ser simpática com ele, mas ele não me deu retorno. A situação me deixou um pouco embaraçada. O chefe Blevins e outro homem me fizeram algumas perguntas, querendo saber desde quando trabalho no bureau até a escolha da minha carreira. Depois me perguntaram se eu já tinha ouvido falar sobre o agente Fox Mulder e os chamados Arquivos X. Respondi que conhecia o agente Mulder pela reputação. O chamam de 'fantasmagórico' no F.B.I.. E claro, já tinha ouvido falar sim, nos Arquivos X. Em resumo, o chefe Blevins me designou para trabalhar com o agente Mulder nos Arquivos X para, com meus relatórios, validá-los com base científica. Mas na minha opinião, que deixei transparecer, ele quer que eu desmascare esses arquivos. Quando entrei no F.B.I., pensei que aos poucos subiria de cargo, mas hoje desci ao porão, onde fica o escritório do agente Mulder. Bom, agora é meu escritório também. Assim que bati na porta o agente Mulder falou: "Sinto muito, ninguém desce aqui a não ser os mais indesejáveis." Não me deixei intimidar pelas palavras dele e entrei em seguida. E me surpreendi com o que vi. O escritório é bagunçado e cheio de fotos de OVNIS nas paredes, além de um grande poster com um disco voador no centro e as palavras 'Eu Quero Acreditar'. Porem, o que mais me deixou surpresa foi o agente Fox Mulder. Talvez influenciada pelo apelido dele, esperava encontrar um homem mais velho, meio com cara de maluco, careca, baixo, com a barba por fazer e a roupa desgrenhada. Ao invés disso, me vi em frente a um homem de seus trinta e poucos anos, com jeito e sorriso de menino, lindos olhos verdes e uma altura considerável. Ao menos comparada a mim. Ele foi bem formal comigo, mas também irônico. Será que vai ser sempre assim? Ele colocou logo uma barreira entre nós. Não me chamou pelo primeiro nome. Toda vez que falava comigo me chamava de Scully. Só Scully. Mulder disse que leu minha tese sobre o paradoxo dos gêmeos e que gostou. Acho que não acrredito muito nele. Ele me mostrou slides de pessoas mortas em circunstâncias misteriosas e me perguntou se eu acreditava na existência de extraterrestres. Claro que eu respondi que não. Pela cara dele, ele já esperava pela resposta. Eu deixei claro pra ele que não acredito em nada que a ciência não possa explicar. Ele me testou de várias maneiras, fazendo perguntas sobre química e medicina enquanto me falava do caso que iremos investigar. Pessoas estão morrendo sem causa aparente e a única pista são duas marcas, pelo que pude ver, de origem orgânica, encontradas nas costas das vítimas. Eu comecei a dar uma pequena explanação sobre a moça que fora encontrada morta com as marcas nas costas, falando que a autópsia feita não deve ter sido eficiente e que, para tudo existe uma lógica e uma explicação. A resposta dele foi engraçada. "Para isso que puseram o I no F.B.I.." Depois disso ele simplesmente me dispensou, dizendo que nos encontraríamos amanhã cedo, para investigarmos o caso no estado do Oregon. Eu já esperava por ela. Sabia que ela viria. Só que não estava esperando quem vi. Eu imaginava Dana Scully como uma mulher mais velha, mais alta, com olhos pequenos, escuros e penetrantes, e jeito sério e compenetrado, quase como uma governanta inglesa. Mas ao invés disso me vi a frente de uma mulher jovem, bonita e com imensos e claros olhos azuis. E pequena. Ela parece uma menina. Acho que cabiam duas dela no blazer que estava usando. Ela foi simpática. Se apresentou e disse que estava ansiosa para trabalhar comigo. Sei que não é verdade. Sei que ela está aqui para me espionar, mas, infelizmente, não posso fazer nada quanto a isso. Ela é uma mulher inteligente, afinal, não é qualquer pessoa que consegue reescrever Einstein. Scully parece ser segura também. Scully. Não vou chamá-la de Dana. Não quero ficar íntimo dela. Scully é mais formal, é assim que será nosso relacionamento. Formal. Quis fazer um pequeno teste com ela. Perguntei se acreditava na existência de extraterrestres. Ela me respondeu que não e começou a dizer porquê. Eu sabia que ela seria assim, cética. Senão, não a teriam escalado para me vigiar. Ela parece saber mesmo muito coisa na área científica. Talvez isso possa me beneficiar de algum modo. Talvez ela possa me ajudar. Apesar de saber que a mandaram para invalidar minhas investigações, ela não me inspira desconfiança. Ela tem o rosto confiável. Não parece ser uma pessoa falsa. Só o tempo dirá. Nos encontraremos amanhã bem cedo para irmos ao Oregon, investigar o caso de pessoas mortas sem nenhuma causa aparente. Vamos ver como ela irá se sair. Eu li sobre o caso dos adolescentes mortos durante toda a viagem, enquanto Mulder dormia com um walkman nos ouvidos. As autópsias foram feitas por um tal de Dr. Nemman. Quando o avião estava prestes a aterrissar, tudo começou a tremer. Sacolas começaram a cair do bagageiro, pessoas gritavam, crianças choravam. Eu tentei me manter calma e agarrei firme os braços da minha poltrona. Mas, no fundo, estava apavorada. Mulder não pareceu se importar muito. Continuou deitado e, quando finalmente, tudo voltou ao normal ele me falou na maior calma que tínhamos chegado. Como ele consegue? Dormi durante quase toda viagem. Foi fácil, pois não havia dormido muito bem à noite. Coloquei no walkman uma fita do Prince e apaguei. Quando estávamos chegando, o avião começou a sacudir. Malas voaram do bagageiro. Scully me pareceu bem nervosa. Acho que ela não deve gostar muito de voar. Claro que também fiquei nervoso. Mas não demonstrei nem por um segundo. Alugamos um carro e nos dirigimos para Bellefleur, a cidade onde os adolescentes estão sendo mortos. Mulder não havia me dito que o caso já tinha sido investigado. Só soube depois que li o relatório. Ele falou que outros agentes estiveram aqui e não encontraram nada. Falou também que o salmão daqui é de morrer. Será que foi um convite? Não, claro que não. Ele nem me ofereceu as sementes que estava comendo. Se bem que não faço questão. Gosto de comida de verdade. Aconteceu uma coisa estranha no caminho. Enquanto estávamos conversando, o rádio do carro começou a mudar de estação sozinho e o relógio também ficou doido. Mulder desceu do carro, abriu o porta- malas, tirou de lá uma lata de spray rosa e fez um grande x no chão. Quando perguntei pra que era aquilo ele respondeu que provavelmente não era nada. Ele não tem cara de maluco. Mas estou começando a achar que ele é. Bellefleur é a cidade onde estão acontecendo as mortes. É um belo nome. Alugamos um carro e fomos para lá. Estava comendo minhas sementes de girassol, quase ofereci a Scully, mas desisti. Ela não tem cara que come sementes. Ela tem cara de gente que só come salada. Scully falou que eu não havia dito que o caso já tinha sido investigado anteriormente. Pra que? Ela não precisa saber tudo de vez. Tenho a impressão que alguma coisa importante irá acontecer aqui. No caminho para a cidade o rádio e o relógio do carro ficaram malucos. Acho que aqui é o lugar. Abri o porta-malas do carro e tirei uma lata de tinta spray e fiz um x no chão. Scully não entendeu nada. Com ela é ver para crer. Ela vai ter que esperar. Ao chegarmos no cemitério fomos recebidos pelo Sr. Truitt, que está investigando o caso, e seu assistente. Eles já haviam começado a desenterrar o corpo de Ray Soames, uma das vítimas. Esse caso é bem interessante. Quatro jovens morreram nas mesmas circunstâncias, sem causa aparente, e todos se formaram juntos no colegial. Soames foi a terceira vítima e confessou o assassinato das duas primeiras. Mulder não acredita nisso. Como também não acredita que a causa da morte de Soames tenha sido exposição ao frio. Ele acha tudo estranho. Aconteceu um incidente desagradável. O médico legista, Dr. Nemman, que havia autopsiado os três primeiros corpos, apareceu e tentou criar confusão. Ficou desconfiado de nossas intenções. Só não criou uma confusão maior com Mulder porque a filha interferiu. Ficou chamando por ele o tempo todo em que ele estava conversando conosco. Ele achou melhor levá-la para casa. Estranha, aquela garota. Na hora em que o caixão de Ray Soames estava sendo retirado da terra, o elástico que o segurava quebrou e o caixão rolou pelo cemitério. Mulder foi abri-lo, sem se importar se isso era legal ou não. Quando ele abriu o caixão, levamos um susto. Além do cheiro insuportável, aquele corpo era muito esquisito. Não parecia humano. Mulder fez uma piadinha boba sobre o corpo e ordenou que ninguém o tocasse ou visse. Infelizmente eu vou ter que tocá-lo. Eu farei a autópsia no corpo. Quando Scully e eu chegamos ao cemitério o encarregado do caso e seu assistente vieram ao nosso encontro e disseram que já haviam providenciado tudo. Nós estávamos ali para exumar o corpo de Ray Soames, a terceira de quatro vítimas encontradas mortas em circunstâncias fora do comum. Ray Soames confessou à polícia que ele assassinara as duas primeiras vítimas. Tem algo estranho aqui, pois não acredito nisso. Acho que Scully acreditou na confissão dele. Afinal, está escrito no relatório. As três primeiras vítimas foram autopsiadas pelo Dr. Jay Nemman, como Scully bem observou quando estávamos indo ao cemitério. Não foram encontradas marcas nos três cadáveres. Eu sabia que ela era inteligente. Agora sei que é observadora também. O Dr. Nemman apareceu no cemitério e tentou impedir que o corpo fosse exumado. Ele estava muito nervoso. Acho que teria criado uma confusão bem grande se a filha dele não tivesse interferido. Ela o chamou para irem para casa e ele resolveu ir embora. Achei a garota nervosa. Alguma coisa a estava incomodando. Quando a máquina estava puxando o caixão debaixo da terra, o elástico que estava preso arrebentou e o caixão rolou pelo cemitério. Quando fui tentar abri-lo, o Sr. Truitt tentou me impedir, dizendo que não era um procedimento oficial. Não dei a mínima para ele e abri assim mesmo. Para a surpresa de todos, encontramos um corpo pequeno, com braços muito compridos, parecendo tudo, menos humano. O cheiro era insuportável. Cheguei a ficar com pena de Scully. Não gostaria de ser legista numa hora dessas. Aliás, em hora nenhuma. Já eram quase onze da noite e eu ainda não havia acabado de fazer a autópsia no corpo de Soames. Além de ser um trabalho cansativo, Mulder ficou me irritando com aquele flash da máquina fotográfica. Ele não parava de tirar fotos. Só parou quando eu pedi. Ele estava muito entusiasmado, parecia um menino excitado. Tenho certeza que aquilo tudo foi uma brincadeira de mau gosto. Aquele corpo não era de um rapaz e sim de um macaco, talvez um orangotango. Mas Mulder insistiu em fazer todos os exames possíveis, desde tipo de sangue a toxicológico. Acho que ele é realmente maluco. Ele acha que o corpo não é daqui da Terra. Mas ele me olhou de um jeito que não pude deixar de fazer o que me pediu. Ele disse que tinha as mesmas dúvidas que eu. Será? Scully não acredita nem vendo. Ela acredita que o corpo é de um macaco. Ela fez a autópsia, o que ela precisa mais? Provas, claro. Ela não acredita em nada que não possa provar. E ainda me deu bronca quando eu estava tirando fotos do cadáver. Será que não dá pra ela se animar com uma descoberta dessas? Bom, ela acha que tudo não passou de uma brincadeira de mau gosto. O que posso fazer? Ao menos ela concordou em fazer os exames que pedi. Eu falei pra ela que não era louco, que tinha as mesmas dúvidas que ela. Espero que, dessa vez, ela tenha acreditado. Estava teclando meu laptop, fazendo meu relatório, querendo saber que raio de implante metálico era aquele encontrado na cavidade nasal do corpo, quando bateram na porta. Estranhei, pois já eram mais de quatro da manhã. Perguntei quem era e Mulder respondeu que era o Steven Spielberg. Tive que rir. Ao menos ele é bem humorado. Abri a porta e ele me pareceu um garotinho com aquele boné virado para trás. Me convidou para correr e perguntou sobre o implante. Eu disse que não perderia meu sono com isso e desejei boa noite. Mas acabei perdendo o sono. Estava muito excitado com os acontecimentos. Resolvi correr e convidei Scully para ir comigo. Ela recusou. Disse que preferia dormir. Tive que correr sozinho. Mulder e eu fomos ao Hospital Psiquiátrico do Estado, para conversarmos com Dr. Glass sobre Ray Soames. Chegando lá, descobrimos que Dr. Glass estava tratando de dois ex- colegas de Ray. Eles estavam lá porque haviam sofrido um acidente de carro há alguns anos. Billy Miles vive em estado vegetativo, ou quase. É uma espécie de coma acordado. Peggy O'Dell é uma garota estranha e se locomove numa cadeira de rodas. Ela estava lendo para Billy quando chegamos ao quarto deles. Mulder tentou conversar com ela, mas ela disse que estava lendo para Billy e que ele gostava que ela lesse para ele. Quando ele se dirigiu ao médico para pedir alguns exames em Peggy, ela começou a gritar e se debater. O nariz dela começou a sangrar. Mulder, a enfermeira e o médico a seguraram. Mulder aproveitou para levantar a camisola dela. Ela, como a moça que fora encontrada morta na floresta, também tem duas marcas estranhas nas costas. Saí de lá furiosa. Ele sabia de tudo e não me disse nada. Quando se encontrou comigo veio logo com piadinhas. Ele sabia das marcas. Ele sabe que tenho que por em relatório tudo que fizermos. Dessa vez eu tenho certeza. Mulder é completamente maluco. Ele acha que os garotos foram abduzidos por extraterrestres. Isso não existe! Como uma pessoa formada em psicologia, inteligente, com um futuro promissor pela frente pode pensar numa coisa dessas? Ele não se abala com nada que digo. Eu disse para procurarmos pistas na floresta. Ele apenas concordou comigo. Scully e eu fomos ao Hospital Psiquiátrico do Estado. Tínhamos combinado de encontrar o Dr. Glass para conversarmos sobre Ray Soames. Dr. Glass nos disse que ele estava sendo tratado por esquizofrenia. Perguntei se ele havia usado hipnose alguma vez e ele respondeu que não. Ele nos disse que estava tratando no momento de dois colegas da turma de Ray. Billy Miles e Peggy O'Dell. Segundo Dr. Glass, Peggy e Billy sofreram um acidente de carro há quatro anos atrás. Billy vive em estado de coma. Só que um coma acordado. Peggy não anda. Usa uma cadeira de rodas. Fomos levados à enfermaria em que estavam e encontramos Peggy lendo para Billy. Tentei falar com ela, calmamente, como se fala a uma criança. Ela me respondeu uma pergunta, mas quando pedi ao Dr. Glass para fazer alguns exames nela aconteceu algo inesperado. Ela começou a gritar e se debater até cair da cadeira. O nariz dela começou a sangrar. Ouvi a enfermeira falar que isso já tinha acontecido antes. Será que ela também tem aquele metal no nariz? Eu aproveitei a confusão e vi que Peggy também tem as marcas nas costas. Scully pareceu aborrecida. Ela deu as costas e saiu sem falar com ninguém. Fui me encontrar com ela do lado de fora. Ela estava brava. Me acusou de ocultar informações. Eu falei para ela que ela não estava preparada para certas coisas. Mas na verdade, não sei se posso confiar nela. Ela está aqui para me vigiar. Quando falei que achava que os jovens haviam sido abduzidos por extraterrestres ela não acreditou. Como sempre, ela só acredita no que a ciência pode explicar. Como alguém pode ser tão cética? Ela me disse que gostaria de ir na floresta procurar por alguma pista. Por mim, tudo bem. Chegamos na floresta à noite. Apesar da escuridão, nossas lanternas são bem potentes, iluminam muito bem. Mulder continuou andando, checando uma bússola, enquanto eu parei numa clareira. Uma coisa me chamou atenção. Havia cinzas na clareira, mas não pareciam de fogueira. Peguei um pouco do chão e coloquei na minha jaqueta. Ouvi um barulho estranho. Como um motor. Me levantei e peguei minha arma. A luz forte que vinha através das árvores me assustou. Cheguei a pensar se Mulder não poderia estar certo. Vi a silhueta de um homem com uma espingarda e mandei-o baixar a arma. Ele me disse que era xerife do Departamento do Condado e nos mandou embora. Disse que estávamos invadindo propriedade particular. Mulder ainda tentou argumentar dizendo que estávamos em uma cena de um crime, mas ele não quis conversa. Nos mandou sair ou nos prenderia. Achamos melhor ir embora. Resolvemos ir a floresta à noite. Chama menos atenção. Chegando lá, tirei minha bússola do bolso e vi que ela estava apontando para todos os lados. Tenho certeza que esse é o lugar. Aqui acontecem as abduções. Me afastei um pouco e deixei Scully numa clareira. Minha bússola não parava de mexer. Voltei quando ouvi vozes. Scully estava discutindo com o xerife local. Ele foi grosso conosco, disse que se não saíssemos dali logo, iria nos prender. Resolvemos ir embora. O pessoal dessa cidade anda meio estressado. No carro, mostrei o que tinha encontrado na floresta a Mulder. Falei que achava que alguma coisa estava acontecendo lá, algum tipo de sacrifício, talvez. Falei também que o xerife sabia de alguma coisa. Mulder ficou estranho de repente. Perguntei se ele estava bem e ele me disse que sim. De repente, ouvimos um zumbido e o carro parou. Parou tudo. Não só o motor, como rádio. Mulder falou que havíamos perdido nove minutos. Ele saiu do carro e começou a gritar na chuva. Parecia um doido. Dessa vez ele parecia mesmo. Ele me mostrou o x que havia feito no chão e falou que abduzidos reportaram perda de tempo, no sentido literal da palavra. Ninguém perde nove minutos. O tempo não pode desaparecer. Mas não adiantou falar nada disso para ele. Fiquei furioso com o xerife, afinal ele estava atrapalhando nossas investigações. Scully falou que ele deve saber de alguma coisa. Ela acha que algum tipo de sacrifício está acontecendo na floresta. Me mostrou uma cinza estranha que encontrara lá. Eu olhei para o relógio e estava marcando 9:03. Olhei para a bússola novamente e de repente tudo parou. Rádio, freios, bateria, tudo. É claro. É aqui que acontecem as abduções. Perdemos nove minutos. Nove minutos simplesmente desapareceram de nossas vidas. Fiquei maravilhado. Estava chovendo, mesmo assim, saí na chuva e comecei a gritar. Scully veio atrás de mim e não acreditou quando lhe falei de relatos de abduzidos. Não acreditou nem mesmo quando mostrei o x no chão. Ela falou que o tempo é uma invariante universal. No mesmo instante o carro começou a funcionar. Acho que a deixei confusa. Estava digitando no meu laptop quando a luz apagou. Resolvi tomar um banho. Peguei uma vela e fui até o banheiro. Deixei a banheira enchendo, enquanto tirava a roupa. Quando ia tirar a calcinha, vi duas marcas estranhas nas minhas costas. Fiquei apavorada. Vesti o robe rapidamente e rumei para o quarto de Mulder. Ele me pareceu surpreso ao abrir a porta. Disse que tinha uma coisa para mostrar para ele e ele me mandou entrar. Eu fiquei de costas para ele, tomei coragem – afinal só estava vestindo calcinha e sutiã, por baixo do robe – e tirei o robe. Eu olhei para ele e depois para minhas costas. Ele se abaixou e tocou de leve as marcas. Os segundos me pareciam intermináveis. Perguntei a ele o que eram aquelas marcas e ele me disse sorrindo que eram apenas picadas de mosquito. Quando perguntei se ele tinha certeza, ele me disse que sim e que os mosquitos quase arrancaram a pele dele na floresta. Fiquei tão aliviada que vesti o robe rapidamente e o abracei. Acho que o surpreendi mais uma vez. Ele passou a mão livre – a outra segurava uma vela – suavemente nas minhas costas. Senti conforto naquele abraço. Foi como se nada de ruim pudesse me acontecer. Ele me perguntou suavemente se eu estava bem. Percebi que continuava abraçada a ele. Recuei rapidamente. Eu disse que queria sentar e ele me mandou ficar à vontade. Ele foi gentil comigo. Me senti segura ali, naquele quarto escuro, com meu parceiro Fox Mulder. Estava assistindo televisão quando a luz foi embora. Já ia me preparar para tentar dormir quando ouvi uma batida na porta. Abri e vi que Scully estava lá. Ela vestia apenas um robe e parecia perturbada. Me disse que queria me mostrar algo e a convidei para entrar. Fiquei paralisado quando ela ficou de costas para mim e tirou o robe. Ficou só de calcinha e sutiã. Fiquei sem entender nada. O que ela veio me mostrar? Que tem o corpo bonito? Então ela olhou para mim e depois para a parte baixa das costas. Vi algumas marcas nas costas dela. Ela me perguntou o que eram e me abaixei para olhá-las. Toquei levemente nas marcas nas costas dela. Deu para sentir a maciez da pele. Ela me perguntou assustada o que eram as marcas. Eu ri e disse que eram picadas de mosquito. Ela ficou tão aliviada que me abraçou. Fiquei surpreso. Não esperava por isso. Eu a abracei de volta. O cabelo dela roçou no meu rosto. Tinha o cheiro bom. Senti-a tremendo e perguntei se ela estava bem. Ela me disse que sim e se afastou de mim. Me disse que precisava se sentar. Mandei-a ficar à vontade. Ela pareceu se acalmar. Não havia me imaginado nessa situação. Ficar num quarto escuro, com a luz apenas de uma vela, com minha linda parceira Dana Scully vestindo apenas um robe por cima de sua lingerie branca. Agora consigo entender Mulder um pouco melhor. Eu estava muito nervosa ainda por causa das marcas nas minhas costas. Ele me fez deitar na cama e se sentou no chão, ao meu lado. Ele me disse para ficar calma e me contou o que aconteceu quando ele era criança. Quando ele tinha doze anos, sua irmã desapareceu de sua casa sem deixar vestígios. Nem uma pista, nem um pedido de resgate. Mulder me disse que isso desestruturou a família dele. Samantha, a irmã, tinha apenas oito anos. Jamais apareceu. Desde então ele não pensa em outra coisa a não ser encontrá- la. Ele me contou que foi estudar na Inglaterra, e quando voltou, foi trabalhar no F.B.I.. E foi trabalhando no F.B.I. que ele descobriu os Arquivos X. Ele ficou fascinado por eles e leu todos, um a um. Os Arquivos X tratam de fenômenos paranormais, ocultismo, nada que possa ser explicado. Mulder também me falou que tentaram bloquear o acesso dele a esses arquivos, mas ele permaneceu lá porque tem conexões no congresso. Deve ser duro para uma criança perder uma irmã desse modo, ter a família separada. Mulder me disse que fez regressão com um Dr. Weber, para tentar se lembrar o que aconteceu no dia do desaparecimento da irmã. Ele diz se lembrar de uma luz brilhante e uma presença na casa. Lembra-se também dos gritos dela, mas ele estava paralisado, sem poder responder aos seus apelos. Apesar de não acreditar no que ele acredita, agora eu o entendo um pouco. Acho que existe outro tipo de explicação para o desaparecimento da menina, mas ele acredita que ela tenha sido abduzida por extraterrestres. Nós estávamos conversando quando o telefone tocou. Mulder atendeu e uma voz de mulher disse a ele que Peggy O'Dell, a garota da cadeira de rodas estava morta. Eu tinha apenas doze anos quando meu mundo desmoronou sobre minha cabeça. Minha irmã, Samantha, desapareceu da nossa casa, sem pistas, sem deixar rastros, quando eu tinha doze anos. Ela estava com oito anos. Eu e meus pais fizemos de tudo para encontrá-la. Minha família acabou por causa disso. Meus pais se separaram. Eu me senti só no mundo. Eu me sinto só no mundo. Fui estudar na Inglaterra e, quando voltei, fui trabalhar no F.B.I.. Tenho uma aptidão natural para decifrar distúrbios comportamentais e isso foi de grande valia para mim quando trabalhava na Seção de Crimes Violentos. Porem, descobri por acaso os Arquivos X. E fiquei fascinado por eles. Eles falavam de abduções, ocultismo, fenômenos paranormais. Li todos os arquivos que encontrei um a um. Centenas deles. Quiseram bloquear informações e pistas para mim. Eu sei que eles têm medo que eu descubra a verdade. Mas eles não vão conseguir me derrubar. Não vou deixar que isso aconteça. Tenho conexões no congresso e isso vai me ajudar. Mandaram Scully para me vigiar, mas não vou deixar que eles consigam o que querem. Scully. Não sei se posso confiar nela, mas ao mesmo tempo não consigo não confiar. Ela me parece sincera. Ela me disse que quer descobrir a verdade, assim como eu. Não sei se posso acreditar nela, mas gostaria que isso acontecesse. Ela estava muito nervosa por causa das marcas e a mandei deitar na minha cama. Quando ela se acalmou resolvi contar sobre Samantha. Não sei se fiz bem, mas acho que assim ela não vai me achar tão 'fantasmagórico' como os outros. Ela ficou sensibilizada. Eu senti isso. Como gostaria de poder confiar nela, de confiar em alguém. Nós estávamos conversando sobre o que acho quando o telefone tocou. Atendi e uma moça me disse que Peggy O'Dell, a menina da cadeira de rodas havia morrido. Chegamos ao local do acidente e logo vi o corpo de Peggy. Ela ficou muito machucada. Havia tubos no seu nariz. Não sei porque, mas olhei o relógio dela. Eram 9:03h. Eu ia fazer ao investigador algumas perguntas quando Mulder disse que precisávamos ir embora. O corpo em que eu havia feito a autópsia fora roubado. Ao chegarmos no local do acidente, vimos carros da polícia e ambulância por lá. Havia também um caminhão e quando perguntei ao caminhoneiro o que havia acontecido ele me falou que Peggy havia corrido em frente ao caminhão. Como ela poderia ter corrido se ela não andava? Eu ia checar essa história direito quando vieram me falar que o suposto corpo de Ray Soames havia sido roubado. Chamei Scully e voltamos correndo para o hotel. Quando chegamos ao hotel, mais uma desagradável surpresa. Haviam carros de polícia e bombeiros em volta dele. O hotel estava em chamas. Mulder ficou furioso e frustrado. Não o culpo, afinal foram-se as fotos e raios x do corpo. Achei melhor ficar calada. Uma garota apareceu dizendo se chamar Theresa Nemman. Ela pediu que nós a protegêssemos. Mulder e eu a levamos conosco. Droga, droga, mil vezes droga. Destruíram tudo. Acabaram com todas as provas. Os raios x, as fotos, o corpo, tudo. Quando Scully e eu chegamos ao hotel ele estava em chamas. Isso foi o mais perto que cheguei da verdade até hoje e eles destruíram tudo. Nunca me senti tão frustrado. Scully ficou calada. Fez apenas um comentário sobre o computador dela. Como ela pode pensar em computador numa hora dessas? Eu fiquei olhando aquele fogo por um tempo. Depois não agüentei mais, fechei os olhos. Uma garota apareceu. Era a filha do médico legista, Theresa Nemman. Ela pediu que nós a protegêssemos. Eu e Scully a tiramos dali. Levamos Theresa a uma lanchonete. Ela nos contou o que acontece. Disse que simplesmente se acha na floresta. Não sabe como vai parar lá. Ela nos contou que isso acontece desde a formatura do colegial. Ela estava muito assustada. Mulder perguntou se ela tinha as marcas e ela confirmou. Estava com medo. Disse que sabia que ia morrer. Tentamos tranqüilizá-la, até que ela começou a sangrar pelo nariz. Peguei alguns guardanapos para limpá-la, mas o pai dela e o detetive apareceram e a levaram embora. Mulder descobriu que o detetive é pai de Billy Miles. Não sei como Mulder ainda consegue fazer piada em momentos como esse. Ele falou que todo dia aqui parece Halloween. Mulder não entende porque querem destruir evidências. Pra falar a verdade, nem eu. Ele sugeriu irmos ao cemitério, dar uma olhada nas covas das duas vítimas restantes. Theresa estava muito nervosa. Nós a levamos a uma lanchonete e ela nos contou que acontece sempre a mesma coisa. Sem saber como, ela vai parar na floresta. Isso acontece desde a formatura do colegial. Não só com ela, como com vários colegas também. Ela tem as marcas. Não fiquei surpreso com a confirmação dela. Já sabia que era verdade. Ela é uma das pessoas abduzidas. Ela não sabe como acontece, mas isso eu quero descobrir. Theresa sangrou pelo nariz enquanto conversávamos. Ela deve ter aquele implante. Tenho certeza que tem. O pai dela e o detetive Miles chegaram na hora em que ela começou a sangrar. Eles a levaram embora. O detetive é pai de Billy Miles. Me mandou ficar longe do garoto. Eles sabem de alguma coisa, tenho certeza. Eles estão destruindo evidências, mas não vou desistir de procurá- las. Não vou desistir de descobrir a verdade. Sugeri a Scully procurar pistas no cemitério. Afinal, há duas outras vítimas enterradas lá. Ao chegarmos ao cemitério estava chovendo. Carregávamos nossas lanternas e percebemos que as duas outras covas haviam sido abertas e estavam vazias. Eu não estava entendendo nada. Por que fariam isso? De repente, Mulder teve mais uma de suas teorias absurdas. Ele disse que sabia quem havia feito isso tudo. Eu desconfiava do detetive e qual não foi a minha surpresa quando Mulder me disse que não era ele e sim o filho dele, Billy Miles. Ele insistiu na teoria que havíamos perdido nove minutos e que tudo pode ter acontecido durante o tempo perdido. Não tive outra alternativa a não ser rir. Mulder é completamente maluco. Então eu me lembrei do relógio de Peggy. Marcava exatamente 9:03 quando ela morreu. Eu contei isso a Mulder e ele me disse que a floresta controlava os jovens e os levava para lá. Por mais absurdo que eu achasse parecia fazer sentido. Eu comecei a rir, não queria acreditar. Mulder riu comigo e me chamou para visitarmos Billy Miles. Alguma coisa nós descobriríamos. Chovia muito quando chegamos ao cemitério. Mal conseguíamos enxergar alguma coisa. Ainda bem que estávamos com nossas lanternas. Ao chegarmos no local das covas, outra surpresa. Elas haviam sido abertas e estavam vazias. De repente, eu me dei conta do que estava acontecendo. Billy Miles era o responsável por tudo isso. Inclusive pelas mortes. Scully não acreditou em mim. Claro, não podia ser de outra forma. Eu disse a ela que a floresta comandava os garotos a irem para lá, por isso Theresa nunca sabia como havia ido parar lá. Eu falei pra ela tudo que achava. Que as marcas eram algum tipo de teste e que por causa delas o corpo de Ray Soames havia sofrido algum tipo de mutação genética. Ela riu de mim. Achou que estivesse maluco. Mas, de repente, ela parou, como se algo a estivesse incomodando. Ela me disse que o relógio de Peggy O'Dell, parara poucos minutos depois das nove. Ela riu de novo, dessa vez sem acreditar no que estava dizendo. Resolvemos fazer uma visitinha a Billy Miles. Fomos ao Hospital novamente. Enquanto Mulder conversava com a enfermeira, eu examinava Billy discretamente. Não prestei muita atenção no que conversavam pois estava interessada, olhando os pés do rapaz. Qual não foi a minha surpresa quando vi neles a mesma cinza encontrada na floresta. Chamei Mulder e mostrei a ele. Nos despedimos rapidamente da enfermeira e saímos. Eu estava excitada com a novidade. Billy Miles havia estado sim, na floresta! Meu Deus, como pode? Ele é um inválido, um vegetal! Falei isso a Mulder, sem acreditar no que tinha visto ou no que estava falando. Ele me fez voltar à terra falando que eu teria que por isso no meu relatório. Resolvemos então, pegar nova amostra da cinza na floresta. Chegamos ao hospital e fomos direto á enfermaria onde Billy se encontrava. Fiz perguntas à enfermeira, enquanto Scully examinava Billy. A enfermeira me disse que não saiu de lá e que devia estar vendo tv por volta das nove da noite. Scully me chamou para mostrar o que havia encontrado. Nos pés de Billy havia cinzas. Iguais ao tipo que ela encontrara na floresta. Scully não queria acreditar no que estava vendo. Mas ela acreditou. Nós saímos do hospital e Scully falava, excitada. Ela me disse que Billy realmente tinha estado na floresta. A voz dela parecia nervosa, como se fosse muito, muito difícil acreditar nisso. Eu falei pra ela que ela teria que escrever o relatório, portanto era melhor ter provas do que estava falando. Decidimos voltar a floresta. Ao chegarmos na floresta vimos o carro do detetive. Logo depois ouvimos gritos. Eram gritos de mulher. Nós corremos através da floresta, procurando a pessoa que estava gritando. Estava correndo atrás de Mulder, quando o detetive surgiu do nada, e me acertou na cabeça com a parte de trás de sua arma. Eu caí e ele me mandou sair dali. Depois correu na direção dos gritos. Minha cabeça estava doendo. Eu não conseguia ver o que estava acontecendo. Eu consegui me levantar quando vi uma luz. Não sei o que foi aquilo. Ouvi um tiro. Eu corri na direção da luz, mas ela desapareceu. Ouvi Mulder me chamar. Encontrei-o no meio do caminho. Por um momento pareceu que ele iria me abraçar. Nós dois procuramos por ar, estávamos exaustos. Ele disse que algo incrível havia acontecido, enquanto dava um pequeno sorriso. Chegamos na floresta. Vimos a caminhonete do detetive ao mesmo tempo que ouvimos uma mulher gritando. Scully e eu corremos na direção dos gritos. Quando dei por mim, ela não estava mais comigo. Ia voltar, mas ouvi outro grito. E vi o detetive vindo na minha direção. Ele me mandou parar e disse que eu não tinha nada com aquilo. Ele apontou a arma em minha direção e me fez ajoelhar no chão. Eu tentei argumentar, dizendo que Billy iria matar a moça. Ela continuava a gritar. O detetive correu em direção aos gritos. Fui atrás e chegando numa clareira, vi Billy erguendo Theresa. O detetive Miles apontou a arma para ele. Não deixei que ele atirasse. O vento começou a soprar forte. Uma forte luz apareceu no céu. Depois, num segundo, a luz e o vento desapareceram. Billy estava de pé na clareira e Theresa estava no chão. Ela parecia bem. Billy olhou para o pai e o chamou. O detetive o abraçou. Parece que tudo havia acabado. Me lembrei de Scully. Ela havia desaparecido. Corri a procurá-la. Comecei a chamá-la. Nos encontramos no meio da floresta. Ela estava ofegante. Nós estávamos ofegantes. Por um momento pareceu que ela fosse se atirar nos meus braços. Mas foi só um momento. Falei para ela que foi incrível o que vi. Ficamos nos olhando, procurando por ar. Billy foi interrogado no F.B.I.. Dr. Weber o hipnotizou e lhe fez várias perguntas. Billy contou o que havia acontecido. Ele estava no floresta comemorando a formatura do colegial com os colegas quando viu a luz pela primeira vez. Ele disse que fizeram testes com ele e com os outros. Mulder estava lá enquanto ele respondia as perguntas. Ele não podia me ver porque eu estava do outro lado do espelho. Billy disse que tinha medo e começou a chorar. O chefe Blevins, que estava comigo e outros dois homens, nos chamou. Eu olhei para Mulder. Sabia que ele não podia me ver. Mas ele olhou para minha direção nesse exato momento. Como se ele estivesse me vendo. Como se pudesse me olhar nos olhos nesse momento. Billy Miles estava sendo interrogado pelo Dr. Weber, na sala de interrogatório do F.B.I.. Ele estava calmo, no início. Falou da primeira vez que viu a luz, dos teste, disse que puseram alguma coisa no nariz dele. Eu estava com ele na sala. Billy disse que tinha medo. O médico pediu que não se preocupasse, que iríamos ajudá-lo. Scully estava na outra sala, observando tudo através do espelho. Eu não podia vê-la. Mas, de alguma forma, senti sua presença. Olhei para a sala como se a estivesse vendo. Estava de novo na sala do chefe Blevins. Ele me fez várias perguntas sobre o caso e sobre meu relatório. Disse que estava inconclusivo. Expliquei para ele que algumas coisas haviam ficado no ar. Ele me disse que eu não tinha nenhuma evidência física do caso. Mostrei a ele o objeto tirado do corpo de Ray Soames. O objeto havia sido analisado e o material não fora identificado. Entreguei o objeto a ele. Ele me perguntou sobre Mulder, sobre o que ele achava disso tudo. Eu falei apenas que o agente Mulder achava que não estamos sozinhos. Quando saí da sala passei pelo senhor fumante. Parei para olhá-lo. Não sei porque, mas achei que o veria ainda várias vezes. Em casa, não consegui dormir. Pensava em tudo que aconteceu. Pensava nas idéias absurdas de Mulder. Eram mais de onze horas quando o telefone tocou. Era Mulder. Disse que precisava conversar, que o arquivo com o caso de Billy havia sumido. Disse a ele que conversaríamos no dia seguinte. Tive a impressão que minha vida mudaria totalmente dali por diante. Sumiram com todas as provas. Tudo. O arquivo com o caso Billy Miles desapareceu. Liguei para Scully. Afinal é minha parceira. Disse que precisávamos conversar. Sei que passava das onze da noite, mas ela era a única pessoa com quem poderia conversar sobre isso. Mas ela não quis. Não naquele momento. Disse apenas que conversaríamos amanhã e desligou o telefone. Senti hesitação na voz dela. Por que será que acho que nada vai ser como antes de agora em diante? FIM