PUNCHED Fanfic de Lucas Zago 8/7/00 Categoria: Angst (Drama), Shipper Sinopse: O ápice da raiva de Mulder torna-se o cúmulo de seu relacionamento de Scully. Ela é a vítima. E Mulder é o vilão. Se você não gosta de ver Scully sofrendo, não leia esta fanfic. Nota: Eu mesmo fiquei com pena dela. SEDE DO FBI, WASHINGTON D.C. SALA DE FOX MULDER, PORÃO 10:13 AM A manhã fria apenas acentuava a raiva daquele esbelto e rijo sujeito. Ele era alto, algoz e perspicaz. Possuía um senso extraordinário das coisas. Suas teorias, tão aclamadas e ao mesmo tempo odiadas por sua parceira céptica fizeram apenas perdurar um relacionamento mútuo de sete anos. Ele estava enfatuado. Cheio de tudo aquilo, pensando no porquê de se tornar um agente do Bereau e ainda mais nos Arquivos X. Por quê? Por quê?, ele pensava consigo mesmo tentando descobrir se a sede pelas respostas ainda era o motivo da busca incessante. Ele já estava farto. Inerte a qualquer ruído, silente na sua comum cadeira de sempre detrás de sua escrivaninha, nem ao menos observou a entrada de Dana Scully, a agente ruiva mais bela que já conhecera. Era uma beleza inigualável. Uma forma incomum. Uma mulher única. _ Mulder... Você está aí? Ele acordou de suas divagações. _ Ahn? Ah, Scully... é você? _Não. É a Madonna. _ ela piscou um olho, brincando de forma sexy com seu parceiro, como que provocando-o de forma ácida. _ Ora, eu pensei que fosse a Whoopi Golpberg... Ela riu-se tímida. O humor entre os dois era típico de quem já possui um estreito relacionamento. Scully andou alguns passos, olhando para vários pontos da sala de Mulder e tomou a palavra: _ Sabe Mulder... eu estive pensando. Mulder, apresentando uma falsa feição de espasmo, perguntou: _Oh, meu Deus... é um milagre! _ e um sorriso surgiu em seus lábios vagarosamente. Ela riu novamente. _Não Mulder, falo sério. Estive pensando... e se nós não fizemos a escolha certa? _Que escolha? Do que você está falando? _ Ora Mulder... quando vim para o Bereau imaginava mais... muito mais do que isto. _ e apontou para o pôster "I WANT TO BELIEVE". Prosseguiu _ Não é enfadonho passar os dias investigando casos escabrosos e permanecer buscando provas para a existência extraterrestre em nosso planeta? _Você quer mais? _ E se eu tivesse seguido a carreira de Médica? Quem sabe o nosso destino fosse outro? Você não se pergunta sobre suas próprias escolhas? Não pergunta a si mesmo o porquê de vivermos aqui... ou em qualquer outro lugar sem um objetivo de vida? Um projeto para o futuro? Mulder se levantou e sorriu ironicamente _ Veja bem, minha querida Scully... eu não vivo preso ao passado. Não me prendo às escolhas que já fiz. Elas já estão feitas. Nosso destino já está traçado. E fomos nós mesmos quem o traçamos. Pense. Se você tivesse seguido sua carreira como médica, não estaria aqui agora, na minha frente. Ela parou para pensar. Concluiu: _Nós... não teríamos nos conhecido... Ambos tornaram-se silentes. De súbito, suas mentes começaram a vagar nas possibilidades. Eles viajavam temporariamente por destinos inimagináveis, traçando linhas delineares e irregulares. Estavam em transe, imaginando como seria se não tivessem feito as escolhas. Teriam elas sido as corretas? Teria o destino pregado a peça do encontro inusitado? Mulder voltou à sanidade. Ou melhor... à sua sanidade, pois qualquer um que o visse julgava-o Estranho. Insano. _ Scully... eu preciso fazer alguma coisa diferente... nós estamos caindo na rotina! É assim que os casamentos mais duradouros terminam. _ Mulder, o que quer que eu faça? Plante bananeira aqui, na sua frente, para que se sinta melhor? E eu? E quanto às minhas vontades? Não acha que eu gostaria de passar alguns dias com minha família, que há tanto não vejo? Não acha que gostaria de realizar alguma mudança? Por mínima que fosse? Ela suspirou. Mulder também. _ Estou quase explodindo te tanto tédio... Scully caminhou vagarosamente até Mulder, dando-lhe apoio. Afinal, estava sempre do seu lado, na alegria ou na tristeza, na saúde ou na doença, no tédio ou... _ Vamos lá Mulder. Expluda. Pode explodir. Vai... faça o que eu digo. Mulder não entendia nada. Sua raiva e vontade de expulsá-la de dentro de si se juntava à incompreensão. _ O quê? _ Vai fundo Mulder. Pode explodir... _ Como assim? Do que você está falando? _ Ora Mulder, não seja ingênuo... _ Não entendo! _ Mulder, vai logo senão eu mudo de idéia. Mulder levou a mão à testa de Scully, como se medisse sua temperatura. _ Scully, cê tá com febre? _ Mulder, anda logo! _ Scully...? _ Me bata!! Pausa. Mulder esbugalhou seus olhos pasmos e incrédulos. Scully estava disposta a suportar a raiva contida em Mulder. Ela dava-lhe a face sem nada em troca. Mulder se posicionou. Ele tomou fôlego e fechou a mão como se estivesse em ataque numa luta decisiva. Ele ia bater nela. Algo que nunca fizera antes na vida. Ela estava disposta a agüentar a dor. Mulder ergueu o braço e num movimento brusco... _ Aaaaahh!!!!! Mulder socara o rosto de Scully. Ouvia agora o grito sôfrego de sua parceira ali, à sua frente, ferida. Sua mão estava doendo... imagine o rosto de Scully! Ela levou as mãos ao seu rosto, encobrindo o hematoma. Fazia uma careta de dor. Mulder seguiu até ela, amparando-a depois do que acabara de fazer. _ Scully, você está bem? Ela se recompôs e voltou ao normal. Já não sentia dor. Sentia satisfação em saber que Mulder estava aliviado. Ela fora nucauteada por seu próprio parceiro. Se isso é amor, que espécie de amor é esse? _ Não se preocupe... eu estou bem. Ele continuou pasmo observando Scully, forte e decidida. Ela virou-se e andou a passos lentos e firmes até a porta. Parou. Virou-se olhando para Mulder e disse: _ Ei Mulder? _Sim Scully? _Sabe de uma coisa? _O quê? _Não conta pra ninguém, mas... eu gostei. FIM. Feedback please?