Título: Prova Final Autora: Nanda Starbuck Disclaimer: Eles não são meus, blá blá blá... Categoria; Shipper/NC-17 (e um pouquinho Scully/outro) Classificação: Não adianta falar, quem tem menos de 18 lê também. Sinopse: Scully decide voltar a estudar. Nota da Autora: As aulas do cursinho estão cada vez mais monótonas! Adoro meus professores e colegas, mas a matéria não ajuda. Toda vez que o professor de Matemática fala algum "X", começo logo a escrever uma fic. Foi assim que esta aqui nasceu. Espero que gostem (agora vou ver se presto atenção nas aulas.) Dedicatória: Dedico esta fic para minha beta e amiga Mônica Almeida, que escreveu maravilhosamente bem a parte NC-17. PROVA FINAL Scully havia chegado cedo no Bureau, como era de costume, e ficou folheando uma revista enquanto esperava Mulder chegar. Uma reportagem em especial chamou sua atenção. A matéria tratava de profissionais que mesmo depois de terem obtido vários diplomas, voltavam a estudar. Uns por hobby, outros para especialização e até mesmo para escolher outra carreira a seguir. Scully achava que já tinha diplomas o suficiente, medicina e doutorado em física não eram para qualquer um. Se bem que se ela pudesse faria outras áreas que também gostava, embora amasse a medicina. Mulder chegou como um furação e a tirou de seus pensamentos. "Eu não acredito." bradou ferozmente assim que entrou. "Eu não acredito que mesmo com um diploma de Oxford ainda duvidem que sou psicólogo." "O que foi, Mulder?" perguntou Scully calmamente. "São os 'caras' da seção de crimes violentos. Eles me pediram para ajudar a traçar um perfil e depois me chamaram de louco." "Por acaso o seu perfil mencionava algo que fizesse uma alusão ao suspeito ser alienígena?" "Disseram que eu esqueci de mencionar as anteninhas! Filhos da mãe! Quem eles pensam que são? Devem achar que esse diploma de Oxford é seu, já que é considerada mais 'normal' do que o 'Spooky' aqui." "Mulder, deixa isso pra lá. Você é um dos melhores montadores de perfis do FBI e pronto. Aproveitando o assunto, o que você acha de voltar pra escola?" "Escola para crianças especiais? Ainda não fui chamado de débil." "Não, é fazer outra faculdade mesmo. Estava lendo essa reportagem e achei muito interessante. Acho que eu gostaria de tentar." "Que faculdade iria fazer?" Mulder estava curioso "Psicologia." Mulder levantou as mãos para o alto, por tamanha ser a irônia do destino. Scully fazer faculdade de psicologia... certamente ele teria que freqüentar uma escola especial depois dessa. "E então, o que acha?" Scully perguntou olhando diretamente para ele. "Bom, faça o que quiser. Isso fará com que chegue mais rápido às salas com aquecimento de inverno e vista panorâmica para Washington." "Eu pensei em me matricular num cursinho. Sei o que é da minha área. Tenho que relembrar outras coisas. Acho que terei que fazer vestibular como qualquer adolesc..." Scully emudeceu. Parou de falar e sequer se mexia. Mulder chamou por ela e a fez voltar ao planeta. "Meu Deus, Mulder. Adolescentes! Como eu vou me matricular em um cursinho L-O-T-A-D-O de adolescentes. Eu vou me sentir ridícula. A não ser que..." "A não ser que..." Mulder aguardava a conclusão dela. "A não ser que você faça o cursinho comigo." Mulder ficou atônito, boquiaberto, pasma, abobalhado mesmo. Scully devia ter enlouquecido. Tantos anos de convivência com ele deviam ter afetado sua sanidade. Não conseguiu dizer uma só palavra para responder a parceira. Scully falou por ele. "Mulder, eu sei que aquele diploma de Oxford é seu, mas não adianta você tentar me ensinar alguma coisa, porque ambos não lembramos a matéria que eu tenho de reaprender. Não quero tomar seu lugar de montadora de perfis, é mais por hobby mesmo." "Scully, pensa bem. Sala lotada de adolescentes, lembra?" "Não vou desistir assim tão fácil. Nem você. Vou agora mesmo arrajar um cursinho para nós dois." Mulder não teve outra opção a não ser aceitar. Não conseguiria convencer Scully do contrário. Ela pegou seu casaco e saiu apressada, deixando a revista aberta sob a mesa de Mulder. Ele correu os olhos na reportagem e chegou a conclusão de que aquilo poderia até ser interessante... XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXX FBI Headquarters 3 horas depois "Já voltou?" perguntou Mulder embora a resposta estivesse entrando na sala. "Resolvi tudo rapidinho. Passei lá na Faculdade de Maryland, onde fiz Medicina, e já nos matriculei em um cursinho preparatório que funciona lá dentro. As aulas são três vezes por semana, durante a noite, e começam semana que vem." "Já comprou nossas merendeiras?" "Pára, Mulder. Você vai ver como é bom voltar a estudar. Talvez você também faça outra faculdade. Quem sabe medicina? Eu teria alguém para me ajudar com as autópsias..." "Nem vem, Scully! Vou nessas aulas porque estou em dívida com você, que já me acompanhou em lugares piores, mas não pense que eu vou levar essa história a diante. A menos que tenha faculdade de Ufologia." "Não tem não, engraçadinho. Eu pensei que poderiamos entrar direto na faculdade, e fazer somente as matérias que não sabemos, mas não tem jeito. É começar do zero." "Então vamos!" "Vamos para onde?" perguntou Scully assustada. "Comprar nosso material. Você vai ficar uma gracinha de mochila e carregando um fichário junto com uma penca de livros." Scully só pode rir, talvez não considerando o elogio. Acompanhou Mulder e saíram do escritório. Iriam a uma loja, comprariam coisas que iriam precisar, e aí era só esperar pelo início das aulas. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXX Na semana seguinte... "Ai, Mulder. Estou tão anciosa. Parece que é mesmo meu primeiro dia de aula." "Não estou muito diferente. Mas não estou me sentindo ancioso, estou me sentindo ridículo." Os dois estavam parados no corredor da faculdade, esperando o sinal tocar. A sirene ensurdecedora ecoou bem próximo, anunciando o início do martírio. Mulder e Scully adentraram a sala e se dirigiram rapidamente as carteiras do fundo. A sala lotou rapidamente. Os adolescentes estavam tão agitados que sequer notaram a presença dos dois. Os adolescentes riam, brincavam, namoravam e até gritavam, dentro da sala. Os olhos azuis de Scully brilharam ainda mais quando ela se lembrou há quantos anos enfrentou isso. O professor entrou na sala e a bagunça cessou. O silêncio passou a reinar em absoluto, para alívio dos dois. O professor se apresentou à classe. "Boa noite. Meu nome é Renzo. Eu sou professor de História e vou dar aulas para vocês 3 vezes na semana. Espero que todos aqui gostem de história." "A ladainha não mudou." pensou Mulder visivelmente mau- humorado. "Como hoje é o primeiro dia, gostaria de conhecer vocês." continuou o professor. "Quero que cada um diga seu nome e o curso que pretende fazer." Mulder e Scully se entreolharam. Eles teriam que levantar, falar seus nomes e serem observados por mais de 60 rostos inquisidores. Estavam a um passo do pânico. Os alunos que estavam á frente começaram a se apresentar. Poucos deviam passar dos 20 anos. A grande maioria estava entre 18 e 19, embora ás vezes aparentassem ter menos ainda. A hora deles estava chegando, ou melhor, chegou. "Qual seu nome senhorita?" perguntou o professor. "Da...Da...Dana Scully." gaguejou mas falou. "Parece que você está meio fora de lugar. Já fez faculdade?" "Sim. Me formei em Medicina e fiz doutorado em Física. Voltei a estudar para realizar um desejo. O hobby de fazer psicologia." "Trabalha em algum hospital?" o professor estava interessado. "Sou agente do FBI." Disse Scully absoltamente emponderada. Um sonoro "Ohhhhhhhhh!" foi ouvido, proveniente das dezenas de rostos sentadas ali, olhando para ela. Isso fez com que enrubescesse um pouco. "Pois então, Dr. Scully. Acho que terá muito para ensinar para nós." falou Renzo. "E para aprender também, senhor." Scully sentou-se e o professor chamou Mulder. Bastante contrariado, ele se levantou. "Qual seu nome?" o professor deveria ter levado um gravador para não ter que repetir a mesma pergunta tantas vezes. "Fox Mulder." respondeu taxativo. Alguns risinhos foram ouvidos, mas ele ignorou. "Está aqui pelo mesmo motivo da Dr. Scully?" "Não. Estou só para acompanhá-la." Mulder estava muito desconfortável naquela situação. "Presuponho que devem trabalhar juntos. Fez faculdade de que?" "Psicologia, em Oxford." O professor entrou no coro de "Ohhhhhhhhhh!" dos alunos. Ele tinha recebido duas feras: uma médica e um psicólogo, ambos agentes do FBI. Ele se sentiu como o melhor professor do mundo. "Quem sabe não tenta outra faculdade? Terá tempo suficiente para pensar sobre isso, Dr..." "Mulder." O professor começou a dar a matéria e conseguiu um pouco da atenção dos alunos. O resto dela estava voltada para os dois inusitados alunos. Mulder e Scully, lado a lado, tentavam prestar atenção na aula e se manter alheios as acontecimentos. O resto da aula transcorreu tranqüílo. A cena da apresentação se repetiu mais 2 ou 3 vezes e eles já estavam mais a vontade, assim como os alunos já estavam menos supresos. Scully simpatizou muito com a professora Daniella, não só pela semelhança física das duas, mas também porque ela lecionava Biologia, Física e Química. No final da aula, ela pediu a Scully que fosse a assistente dela pelo resto do curso. Scully aceitou na hora. A sirene tocou novamente. Hora de ir embora. "Até que enfim." disse Mulder aliviado. Ele e Scully saíram da sala. Um jovem loiro, com belos olhos azuis e um porte garboso, acompanhou a saída de Scully, visivelmente encantando. "Vem que eu a deixo em casa, Scully." "Tudo bem." Os dois caminharam juntos pelo vasto corredor. Scully se adiantou um pouco para ir até o bebedouro. Quando se abaixou para tomar água, Mulder ficou embevecido com a imagem da parceira. Scully realmente estava linda. Calça jeans, camiseta branca, mochilinha, sandália plataforma e segurando um fichário. Uma típica estudante. O cupido na frente do coração vermelho, estampado no fichário, o lembrou de coisas que fizeram-no soltar um sorisso. Scully caminhou de volta para ele e perguntou o motivo do sorisso. "Você está linda de estudante." Mulder disse sem titubear. Scully ficou feliz com a resposta, embora ligeiramente envergonhada. Retribuiu o elogio com um sorriso e fez Mulder se sentir realmente com um adolescente, que descobre pela primeira vez que está apaixonado. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXX FBI Headquarters Dia seguinte "Já fez seu dever de casa?" perguntou Mulder assim que Scully entrou na sala. "Ainda não. Será que eles vão mandar um bilhete para minha mãe se por acaso eu não fizer?" respondeu Scully. "Talvez você seja mandada para a sala do diretor... Aliás, você já teve alguma mancha no seu currículo escolar, Scully?" "Nenhuma que não pudesse ser apagada." respondeu quase irônicamente, deixando Mulder na dúvida, para variar. "Até que não é tão ruim voltar a estudar. Já havia me esquecido dessa época. Colegial, baile de formatura, preparação para a Universidade... Acho que já estou ficando velho." "Não para um bando de adolescentes que não desgrudou os olhos de você nem um segundo." Scully estava definitivamente enciumada. Mulder riu do comentário dela e percebeu o tom de ciúme da sua voz. Será? A fria Agente Scully estava com ciúmes? Poderia ter sido só impressão, mas ele tinha quase certeza. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXX Curso Pré-Vestibular da Universidade de Maryland (cursinho!) Algumas semanas depois Já tinha passado tempo o suficiente para os dois se acostumarem com o cursinho. Scully estava adorando. Tinha feito amizade com algumas garotas e já estava entre as mais populares da turma. Ela liberou de vez o espírito jovem e entrou novamente na adolescência. Mulder era mais reservado. Conversava apenas com Scully e com alguns garotos do time de Baseball do colégio, mesmo assim parecia mais à vontade do que quando começou. "Ei, Dana. Vem aqui." Chamou uma garota loira, estilo Barbie, num grupinho com outras espécies semelhantes. "Queremos te convidar para uma festa. Sábado, na casa da Gracie. Leve seu parceiro, ele vai gostar. E nós também, claro." Scully deu um meio sorriso e confirmou sua presença. Não que quissesse ir, mas apenas para ser educada. Mulder estava concentrado nos exercícios de sua apostila quando Scully o interrompeu, comentando sobre o convite para a festa. Mulder fez um gesto afirmativo com a cabeça, embora contrariado, quando ela perguntou se ele iria. A aula continuou, um pouco monótona, mas tranqüíla. A sirene anunciou a liberdade: hora de voltar pra casa. "Scully, vou até o 'diamante' (apelido do campo de baseball) com os garotos e te encontro daqui a 15 minutos, tá?" "Tudo bem. Eu te espero." Mulder saiu apressado e Scully calmamente guardou seu material. Passou pelo corredor e foi ao bebedouro. Quando se virou e começou a andar desatenta, acabou por trombar acidentalmente em um garoto e seu material foi ao chão. "Me desculpe. Estava distraída." Após Scully dizer isso fitou os incríveis olhos azuis a sua frente. O belo garoto ajudo-a a recolher o material e a olhou de cima a baixo. "A culpa foi minha. Meu nome é Richard. O seu é Scully, não?" perguntou educadamente. "Dana." respondeu. "Você irá à festa no sábado, Dana." Richard estava obviamente interessado em Scully. "Talvez. Não sei se terei tempo." Ela estava começando a repensar sobre o convite. "Te encontro lá." Richard disse antes de olhar profundamente para Scully e ir embora. "Dana, você não tem mais 18 anos! Pense nisso." Scully repetia para si mesma. De graças a Deus quando Mulder chegou e eles foram embora. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXX Festa na Casa da Gracie Sábado, 10 p.m A festa estava lotada. A música alta podia ser ouvida em toda a vizinhança. Gracie, uma bela morena dos olhos verdes, recepcionava os convidados junto a porta de sua casa, em um belo condomínio nos arredores da faculdade. Scully e Mulder chegaram juntos. Ela estava com uma blusa colorida e brilhante, combinado com o bordado na barra do Jeans. "Nunca pensei que você usasse isso." Mulder comentou. "Andei diversificando meu guarda-roupa." respondeu imediatamente. Os dois olharam para a casa e sentiram literalmente "alienígenas". Mas agora já estavam lá e o jeito era curtir a festa. "Dana. Fox." Gritou Gracie quando eles se aproximavam do portão. O sorisso que a adolescente dirigiu à Mulder incomodou um pouco Scully. "Entrem, a festa é de vocês". Mulder e Scully retribuíram o convite e entraram. Parecia um outro planeta. Então, por que não explorá-lo? "Dana, tenho um babado fortissímo. Vem aqui." O anteprojeto de Barbie afastou-a de Mulder e levou-a para um canto da sala. "Tem um garoto a fim de 'ficar' com você. Rola?" A naturalidade com que a garota disse isso fez com que a mente de Scully precisasse de um tempo a mais para processar a mensagem. "O que?" foi a única coisa que conseguiu dizer. "Dana, o Richard tá a fim de ficar com você! Ele é super gato! É só você dizer sim e a gente arranja tudo." Mudez. Era esse o estado em que Scully se encontrava. Pela primeira vez, não sabia como agir, o que dizer. Na sua adolescência o 'ficar' não era tããããão popular com hoje. O anteprojeto de Barbie e suas amigas fitaram Scully e falaram por ela. "Ele vai estar na varanda, daqui a 10 minutos. Esteja lá." O olhos azuis de Scully quase saltaram de suas órbitas. As garotas foram embora e ela foi desesperadamente procurar Mulder. Nem sinal do parceiro. Havia olhado pela casa toda, com exceção da varanda, onde não queria ir. Olhou o segundo andar da casa (onde, diga-se de passagem, havia muitos casais), a cozinha, o jardim. Nada. Ele não estava em lugar nenhum. Já ia desistir de procurar quando olhou para o vão abaixo da escada. Mulder e Gracie conversavam animadamente, bem próximos um do outro. Próximos o suficiente para Scully tomar uma decisão. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXX "Oi, Dana." Richard a cumprimentou com um belo sorisso. "Oi." Scully estava completamente sem graça. "A noite está linda, vem ver." O jovem garoto segurou sua mão e a guiou até o alpendre. "Realmente está linda." Scully concordou tentando desvencilhar-se da mão de Richard. Em vez dele soltá-la, agarrou-a ainda mais, colocando suas mãos em volta da cintura de Scully. "Calma, Richard. Não é assim que isso acontece..." ela agora estava começando a se desesperar, prevendo o que viria em seguida. "Não vai acontecer nada que você não queira, Dana." A voz dele era um sussuro. Gentilmente, ele começou a alisar o rosto de Scully e seu toque foi mágico. Ela se acalmou, embora sua mente estava trabalhando a mil para tentar coordenar tudo, inclusive suas reações. Não queria ceder aos encantos de um adolescente, não podia, era algo absurdo para seus padrões. Mas não conseguiu. O rapaz loiro veio lentamente se aproximando e Scully fechou os olhos em resposta. Richard depositou um suave beijo em seus lábios e após alguns segundos partiu para uma exploração mais detalhada. Scully cedeu aos apelos de seu corpo e retribuiu o beijo. Mas algo a impediu de continuar. Era como se ela sentisse que estava sendo atentamente observada. Ela estava certa. Interrompeu o beijo e olhou na direção da porta da varanda. Mulder observava a cena atônito e visivelmente transtornado. Scully queria se jogar da varanda naquele momento. Mulder virou as costas e saiu correndo. Scully foi atrás dele. "Desculpe, Richard. Não posso continuar com isso." Foi a última coisa que disse antes de correr atrás do parceiro. Richard ficou só na varanda, vendo Scully correr desesperada atrás de Mulder. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXX Apartamento de Mulder 11:30 pm Scully não tinha conseguido alcançá-lo e ele deus graças a Deus por isso. Se eles se encontrassem iam acabar brigando e ele não queria isso. Gostava tanto de Scully, amava-a, e ela teve coragem de ceder aos encantos de um menino. Mulder estava jogado no sofá, ainda muito chateado com o que vira, quando ouviu alguém bater na porta. Não se deu ao trabalho de ir abrir, sabia quem era. Scully entrou vagarosamente na sala escura. "Mulder, não foi nada disso que você está pensando..." ela tentou argumentar. "Eu não estou pensando nada, Scully. Eu vi. Eu vi você beijando aquele garoto. Pensa bem: você é uma mulher! Ele é só um adolescente. Um adolescente, Scully!" Mulder estava bastante alterado. "Eu não sei o que aconteceu. Eu juro que não queria. Eu tenho idade para ser quase mãe dele. Mas eu não sei o que me deu. Me perdoa, Mulder. Por favor. Eu não vou suportar essa indeferença." Scully já estava chorando a essa altura do campeonato. "Pois parecia que você queria. E muito. Pelo amor de Deus, Scully. Será que é tão difícil assim perceber o que você fez? É tão difícil assim perceber o quanto me feriu? Eu sempre fui seu amigo, daria a minha vida pela sua e você age daquela maneira. Vá embora! Eu não quero conversar mais." "Mulder..." "Vá, Scully! Não quero me machucar mais." Scully saiu chorando do apartamento do parceiro. Amava-o tanto. Se sentia imunda por ter feito aquilo com ele. "Céus, Dana! O que deu em você, sua idiota?" repetia enquanto ia para casa. Não podia ter traído Mulder dessa forma. Para os adolescentes, o 'ficar' não tinha consequências, mas eles eram adultos: homem e mulher, que apesar das diferenças, se amavam. Chegando em casa foi direto para a cama, onde chorou até que adormecesse. Ao seu lado, no travesseiro, a apostila do cursinho e o fichário com o cupido e o coração vermelho. Sonhou com aquela imagem e inconscientemente decidiu que tomaria uma atitude: se declararia a Mulder. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXX Cursinho Dia seguinte Nenhum dos dois havia aparecido no FBI aquela manhã. Os nervos de ambos estavam muito exaltados para se encontrarem. Scully foi mais cedo para faculdade. Pensou que Mulder não iria mais às aulas. Ele não estava interessado mesmo e agora não iria querer ser solidário e acompanhá-la. Não foi para a sala de aula. Em vez disso, foi para uma outra sala, no terceiro andar, onde ela tinha estudado. Não havia ninguém lá. Ela entrou e viu que tudo estava absolutamente igual ao tempo que ela estava lá. Se lembrou dos professores, dos colegas... como os anos passaram depressa! Sentou-se na primeira carteira da primeira fileira, seu lugar de honra. Geralmente quem sentava na frente tinha o apelido de CDF, mas ela nunca ligou. Estava imersa em seus pensamentos quando algúem entrou porta adentro. Sua cabeça virou em direção ao batente e ela avistou seu parceiro com a feição mais triste do mundo, mas já sem sinais da ira do dia anterior. "Desculpa. Eu não devia ter dito aquilo tudo, você não merece." Mulder chegou mansamente e sentou-se na carteira ao lado. Scully se limitou a baixar a cabeça, tentando achar algo para dizer. Finalmente o encarrou quando ele forçou isso, erguendo seu queixo com a mão. "Olha, Scully, você não me deve desculpas. Você tem o direito de fazer o que quiser da sua vida. Me perdoa?" O rosto de Scully estava muito vermelho e algumas lágrimas rolavam sobre suas bochechas. Ela sorriu, meio tímida, mas sorriu. Mulder retribuiu o gesto, passando a mão pelo rosto da parceira, tirando uma mecha rebelde de cabelo. Não era preciso dizer mais nada. O momento dos corações se abrirem era aquele. A comunicação visual que mantinham há anos foi a mediadora de tudo. O encontro dos profundos olhos azuis com os expressivos olhos verdes foi mágico. Mensagem recebida e decodificada, a hora era agora. Deixaram a teoria e foram para a prova prática. Os dois foram lentamente se aproximando e os lábios instintivamente se tocaram. No início foi apenas um beijo tímido. As mãos de ambos tremiam, como se eles fossem dois adolescentes experimentando o primeiro beijo. A sensação que sentiam era como se além do primeiro beijo, eles fossem o primeiro abraço, o primeiro toque, o primeiro tudo um do outro. Sentiam o cheiro um do outro, o gosto dos lábios. Timidamente, Mulder levou suas mãos à cintura de Scully. Ela não sabia o que fazer com as dela. Mansamente, as pousou no peito másculo de Mulder, sentindo o tecido macio da camiseta cinza que el usava. Mulder enlaçou Scully mais forte e aprofundou o beijo. Sensualmente, provocou-a, passando a língua pelos lábios dela, até que ela os entreabriu, dando passagem a língua sedenta dele. Com a redenção dela, Mulder apertou-a ainda mais, deixando-a sentir o desejo dele por ela. Scully deixou escapar um gemido de puro prazer e o abraçou mais forte. Agora eles eram puro desejo. Não se sentiam mais como dois adolescentes inexperientes. Eles eram dois adultos e sabiam exatamente o que queriam. E queriam um ao outro. Scully, com rapidez, tirou a jaqueta de couro que ele usava, jogando-a no chão. Mulder se surpreendeu um pouco com a ousadia, mas não se fez de rogado. Enfiou as mãos por baixo da camiseta branca que ela usava e acariciou as costas dela, deixando um rastro de calor por onde tocava. Depois começou a beijá-la por todo rosto, nos olhos, no nariz, na testa, passando em seguida para o pescoço. Scully sentia-se em brasa. Ela aconchegou-se mais ao abraço, sentindo a pele arrepiar cada vez que Mulder passava a língua em seu pescoço. Mulder parou a exploração no pescoço e olhou para ela longamente. Suas mãos passeavam delicadamente pelas cosras dela. Por um momento, Scully achou que ele tivesse se arrependido do que estavam fazendo. Mas Mulder deu-lhe o mais lindo sorriso e em seguida beijou novamente. O beijo foi tão doce e apaixonado que Scully sentiu-se derreter nos braços dele. Os dois se afastaram, as respirações estavam pesadas. Sem tirar os olhos e uma das mãos de Scully, Mulder se dirigiu à porta e girou a chave, trancando-a. Os corações de ambos dispararam. Havia chegado o momento que ambos esperaram por tanto tempo. Docemente, Mulder tirou a camiseta que ela estava vestindo e a jogou junto de sua jaqueta. Scully suspirou alto, sentindo as mãos dele pelo seu corpo. Quando ele tocou os seios dela, Scully sentiu seus joelhos fraquejarem. Foi a vez dela tirar a camiseta dele e a jogar no chão, enquanto beijava todo peito dele e lhe arranhava as costas. Mulder arrancou o sutiã dela de qualquer jeito e começou a sugar os seios dela. Delicadamente, à principio, depois com o ardor de um amante apaixonado. Uma a uma, as peças de roupas iam sendo jogadas ao chão, até que ficaram completamente nus, um diante do outro. Mulder se recostou na mesa e a puxou para si. Eles falavam com os olhos e os corpos tudo que sentiam um pelo outro. E todo amor acumulado durante longos anos, explodiu em forma de prazer indescritível, quando Mulder a penetrou e o mundo, para ambos, deixou de existir. Os gritou de êxtase foram abafados pelos longos beijos que trocaram. Estavam suados e felizes. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXX Apartamento de Scully Semanas depois, dia anterior ao vestibular "Mulder eu não vou conseguir!" Scully repetia essa frase a cada minuto que passava. "Calma, Scully! Eu acho que você devia relaxar em vez de estudar. Você sabe a matéria toda, é a maior CDF da turma. Você vai passar, deixa disso!" Mulder tentava acalmá-la, mas era em vão. "Olha aqui, Mulder. Eu estou errando exercício de Física. Imagina as outras matérias! Eu não vou conseguir!" "Scully, vem cá. Agora você vai fechar esse livros, ficar calminha e relaxar até amanhã, na hora do vestibular." "Posso saber como eu vou relaxar?" "Vem aqui que eu te mostro!" Ele foi até ela e a beijou com paixão. Scully, de fato, acalmou-se na hora. Mulder a guiou para o quarto, onde certamente lhe daria as últimas lições antes da prova. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXX Universidade de Maryland Dia do Vestibular "Onde você vai, Mulder?" perguntou Scully quando o parceiro a deixou em frente a sala que ela faria a prova e se dirigiu a outra porta. "Tenho uma surpresa: também vou fazer vestibular." Scully sorriu quando ouviu Mulder dizer isso. "Para que?" ela estava curiosa. "Para Comunicação. Quem sabe como jornalista de uma revista de ficção científica ou ufologia eu me dê bem? Me deseja boa sorte." ele disse. "Boa sorte." Os dois selaram o voto com um beijo e foram para suas respectivas salas. A prova foi tranqüíla. Scully e Mulder estavam calmos e conseguiram resolver todas as questões com êxito. Teve uma ou outra de matemática que incomodaram Mulder, mas foi só prestar mais atenção para ele conseguir resolver. Terminando as provas quase que simultâneamente, Mulder e Scully namoraram um pouquinho enquanto passeavam pela faculdade e depois foram para casa. Uma semana depois sairia o resultado e eles saberiam se o esforço deles valeu a pena ou não. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXX Uma (angustiante!)semana depois Scully e Mulder foram correndo para a faculdade. O resultado só seria divulgado lá e eles estavam se mordendo de curiosidade. O aglomerado e estudantes em frente ao painel dos aprovados era enorme. As expressões eram múltiplas, indecifráveis. Uns alegres por terem passado e outros tristes, talvez não pela primeira vez, por não terem conseguido. Os dois foram se infiltrando entre os jovens e chegaram ao painel. Os olhos de ambos brilharam. "Dana K. Scully – 98 pontos – 1º Lugar Geral." Mulder prontamente achou o nome da parceira e quase não se conteve tamanha a alegria de saber que ela havia tirado o primeiro lugar geral da universidade. "Parabéns, Scully. Você passou!" "Fox W. Mulder – 98 pontos – 1º Lugar Geral." Scully olhou para Mulder com um brilho inigualável nos olhos. "Empatamos, Mulder." Os dois se abraçaram e se beijaram, para a surpresa de alguns colegas de cursinho. "Não me importo de dividir o lugar mais alto do pódio com você. Pelo contrário, quero você sempre ao meu lado." Mulder falou em meio a beijos. O resto da turma do cursinho veio cumprimentá-los. A alegria para eles era geral. Poucos alunos da turma não haviam conseguido. Scully e Mulder parabenizaram educadamente Richard, Gracie e todos os outros. Mas o centro das atenções eram os dois. Em pouco tempo, a cara de ambos já estava toda pintada com as mais variadas cores. Mulder impediu que raspassem seu cabelo, mas não conseguiu impedir que pintassem sua cara até com batom. Os jovens calouros decidiram que iriam comemorar a aprovação em uma boate da cidade. Mulder e Scully não confirmaram prensença, pois preferiam uma comemoração particular. XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX XXXXXXX Apartamento de Mulder Após o resultado... "Eu não acredito, Mulder. Eu passei! Não dá pra acreditar." ela estava radiante. "Acho que me livrei da escola especial." Os dois riram do comentário dele. "Bom, agora que já estudamos e passamos, vou descansar." a tensão dos últimos dias havia cansado Scully. "Ei! Onde a senhorita pensa que vai? Você ainda não está totalmente aprovada." "A não? O que falta, professor Mulder?" "A prova final." Os dois se renderam a paixão e a um ardente beijo. Depois de tanto tempo, de tantos acontecimentos, o final só poderia ser aquele. A emoção de passar no vestibular se misturava a emoção de terem finalmente se declarado, criando sensações incríveis. As carícias continuaram cada vez mais quentes. Pelo visto, a comemoração iria até muito tarde... FIM ________________________________________________________________ _______ Gente, eu sei que a maioria das faculdades americanas seleciona seus alunos através do processo de entrevista, mas isso não tem importância. A fic foi para homenagear meus professores, principalmente o Renzo, de História, e a Daniella "Tia Scully", de Biologia, Química e Física. Ela é super legal e lembra muito a GA. Adoro todos eles.