Fanfic 1 09/03/00 Título: Prólogo Autora: Athena (D.Scully) Email: dana_kathy_scully@yahoo.com Nota: Arquivo X e seus personagens pertencem a Fox Network e 1013 Productions. Sinopse: 1991: o ano que mudou a vida e o destino de Mulder. Classificação: shipper Spoilers: Os episódios Piloto e Simpatizantes e o clip da música Walking After You, do Foo Fighters, na qual eu me inspirei. Observações: ? Essa é a primeira fan fiction que eu escrevo, por isso ela não está muito boa. ? Caso surja alguma pergunta ou dúvida, eu ficarei feliz em saber qual é, assim posso melhorar essa estória em sua continuação. ? Por favor, mandem feedback! Bom, acho que é só. Espero que vocês se divirtam lendo tanto quanto eu me diverti, escrevendo! Prólogo Campus da Universidade Yale 08 de outubro de 1991 Terça-feira – 2:30am Era noite.Stephen e Arthur estavam voltando para o dormitório que eles dividiam. Os dois eram colegas de turma. Estudavam Psicologia na conceituada Universidade de Yale, uma das Ivy Leagues dos EUA. Eles retornavam de uma festa. O frio já estava intenso, apesar de ser início de outono. Isso significava que o inverno chegaria mais cedo neste ano. Ambos caminhavam em silêncio. O carro tinha quebrado no meio do caminho, por isso eles tiveram que voltar andando. Arthur estava assobiando: era sinal de que ele estava com medo de alguma coisa. Stephen sabia disso, mas nada dizia. Preferia ficar calado, envolto em seus pensamentos, que só eram de Cathy. Ela era a pessoa mais perfeita que ele já tinha conhecido. Queria terminar logo a faculdade para casar-se com ela. Não tinha dúvidas de que ela era a mulher de seus sonhos. A voz de Arthur interrompeu seus devaneios. Ele tinha começado a cantarolar. O frio estava aumentando e Stephen procurou proteger suas mãos nos bolsos de seu casaco. Ambos podiam sentir que tinha alguma coisa errada no ar, mas cada um procurava afastar essa idéia da cabeça da sua maneira. De repente, eles viram um vulto se mexendo por trás dos arbustos. Eles se entreolharam, como que estivessem na dúvida se deveriam verificar o que era. Stephen, mais corajoso, caminhou em direção ao barulho, e lentamente, afastou os arbustos. Ao ver o que era, soltou um grito de pavor... Mais do que isso, era um grito de total surpresa e incredulidade ao que seus olhos estavam presenciando. 10 horas mais tarde . Stephen e Arthur estavam parados, encostados no carro de polícia. O campus nunca esteve tão tumultuado: os policiais tinham isolado a área onde eles tinham achado os corpos e isso chamou a atenção de todos que estavam no local. As aulas tinham sido canceladas naquele dia. Stephen começou a observar as duas pessoas que se aproximavam de carro. Eles saltaram e caminharam em direção à área isolada. Mostraram suas credenciais ao policial que tentava deter a curiosidade dos transeuntes e estavam caminhando para o local dos corpos quando pararam para falar com o delegado e o vice-reitor. Este último retirou-se com os dois estranhos para o prédio e o delegado foi na direção deles. "Garotos, por favor, queiram me acompanhar". "Tudo bem", respondeu Stephen. Arthur limitou-se a acompanhá- lo. Eles entraram no prédio e foram para a sala do vice-reitor. Ao chegarem lá, encontraram-no com os dois estranhos. "Queiram sentar-se", disse o vice-reitor Charles Simmons. Ele era um cara de meia-idade, que aparentava ter muito mais. Tinha um jeito paternal e adorava sua profissão. Mais do que isso, ele adorava Yale, na qual formou-se e de onde nunca mais consegui desvincular- se."Estes são os agentes do FBI", continuou ele, apontando para os estranhos, "Agentes especiais Fox Mulder e Diana Fowley". "Bom dia", disseram os dois rapazes, meio encabulados. "Eles estão aqui para fazerem algumas perguntas". Diana começou. "Seus nomes são Stephen Shaww e Arthur Lea, correto?". Os dois menearam a cabeça. Ela continuou. "Eu queria que vocês me explicassem exatamente o que viram quando acharam os corpos e o que estavam fazendo". "Nós estávamos voltando para nosso dormitório, de uma festa. Nosso carro quebrou e tivemos que voltar andando. Ouvimos um barulho, que eu não sei o que era, talvez fosse o vento. Quando olhamos por trás dos arbustos, vimos os corpos", disse Stephen. "Vocês viram algo mais além dos corpos?", perguntou Mulder. Stephen ficou meio atordoado com essa pergunta, mas conseguiu disfarçar. "Não", disse ele. "Por que está perguntando isso?". "Por que, de acordo com os laudos preliminares das duas necropsias já realizadas até o momento, a hora da morte foi por volta das duas da manhã, hora em que vocês encontraram os corpos. Então, talvez o assassino ainda estivesse lá", disse Mulder. "Vocês conheciam as vítimas?", perguntou Fowley. "Eles eram nossos colegas de classe", disse Arthur. "Por que não estavam na festa com vocês?". "Eles saíram por volta da meia noite com o professor David Bowman", disse Arthur. Stephen olhou para ele com ar de reprovação. Ele não queria envolver o professor deles nessa história. "Senhor Simmons", disse Mulder, falando para o vice- reitor, "poderia fazer a gentileza de chamar o professor Bowman?". "Tudo bem, mas acho que ele não está aqui. Vários professores foram embora depois que as aulas do dia foram canceladas. Assim mesmo, vou pedir para a minha secretária localiza-lo". "Qual é a relação dos alunos com este professor?", Mulder pergunta a Stephen, ao perceber o quão atordoado ele está. "Ele é muito amigo da turma. Tanto que foi convidado para a nossa festa. Todos o adoram". "Vejo que você também o adora..." disse Mulder, de forma enigmática. Stephen limitou-se a olhar para ele. Tinha medo daquele agente do FBI. Queria sair de lá o mais rápido possível. "Senhores, minha secretária não conseguiu achar o senhor Bowman. Se os senhores quiserem, eu posso manda-lo procurar por vocês quando ele for localizado". "Façamos o seguinte: amanhã nós voltaremos para falar com ele... e com os colegas de classe das vítimas". Disse Mulder, olhando para Stephen. Ele tinha quase certeza de que o rapaz escondia alguma coisa em relação ao professor. "Senhores, eu quero pedir-lhes para serem discretos nessa investigação. A imprensa ainda não sabe do ocorrido e não sei por quanto tempo mais isso ficará em segredo. Eu não quero ver a Universidade difamada", disse o vice-reitor. Mulder e Fowley saíram de lá e foram para o laboratório do FBI em Nova York. Diana estava falando alguma coisa, mas Mulder não prestava atenção. Ele só conseguia pensar na noite anterior. Mais uma vez, aquela mulher estranha apareceu para ele, como uma miragem. Ele não tinha conseguido dormir por causa disso, e estava cansado por causa da viagem. Começou a cochilar no carro. Sede do FBI em Nova York 02:37pm "Pelas necropsias que realizamos, verificamos que todas as mortes ocorreram entre 2:00 e 2:30 desta madrugada", disse a patologista do FBI. "A maneira como eles foram mortos foi bem peculiar e, de certo modo, difícil de explicar. A faringe de cada um deles estava estrangulada, mas não há sinais de enforcamento no pescoço. Não há feridas, nem hematomas externos, nada que indicasse luta corporal. É como se eles tivessem sido mortos sem resistência". "Como é que uma faringe pode ser estrangulada por dentro?", perguntou Mulder. "Não pode", respondeu a patologista, "a menos que primeiro a garganta seja aberta. Bom, de qualquer forma, isso resultou em asfixia e eles morreram devido à falta de oxigênio no corpo. A taxa de O2 no sangue estava baixíssima em todos os corpos". "Você tem idéia de como isso pode ter acontecido?". "Não", disse a patologista, depois de um momento de reflexão. Mulder e Fowley voltaram para o hotel onde eles estavam hospedados. Já era noite e Mulder estava exausto. Tudo o que ele queria era dormir, mas não sabia se iria receber aquela 'visita' de novo nesta noite. Ele estava numa praia. O sol estava forte, a brisa, suave e um perfume enchia o ambiente. Ele sentia-se descansado. Gostava de estar ali. Ao olhar para o horizonte, ele viu a imagem de uma mulher. Ela andava por sobre as águas. Vinha calma, a passos lentos, com um sorriso radiante. Nos seus olhos, ele podia ver o desejo que ela sentia de estar perto dele. Ele riu, também queria estar com ela. Lentamente, como se ambos tivessem o tempo como aliado, ele levantou- se e começou a andar na direção dela. Andou sobre as águas do mar. Ele sentia as ondas brincando com seus pés, como se fossem filhotes de cachorro. Quando finalmente conseguiram olhar nos olhos um do outro, a felicidade que ambos sentiam era imensurável. O tempo podia parar naquele momento, para que ele durasse uma eternidade. Eles nem sequer sabiam os seus nomes; mas era como se eles se conhecessem eternamente. Ele estendeu sua mão para toca-la, mas ao fazer isso, uma onda veio e a afogou. Ele ainda tentou salva-la, em vão. Ela sumiu tão rápido quanto tinha aparecido. Ele começou a chorar de desespero. Será que o destino seria tão cruel com os dois? Aos poucos, ele sentia que também estava se afogando, mas não se importava. Tudo o que ele queria já tinha sido levado embora e, em seu lugar, restava apenas aquela profunda dor. Tão profunda quanto o mar que o engolia. 09 de outubro de 1991 Quarta-feira – 7:30 am Mulder acordou e logo se arrumou. O dia prometia ser cansativo. Ele desceu para tomar o café da manhã e encontrou Diana Fowley. "Bom dia", disse ela. "Aconteceu alguma coisa. Você está horrível!". "Obrigado pela sinceridade", ele pensou. "É que eu não tive uma boa noite de sono", foi o máximo que ele conseguiu dizer. "O que fez a noite toda?". "Fiquei pensando sobre esses assassinatos. Eu tenho uma teoria, mas só posso confirma-la depois de conversar com esse professor". "Porque? Acha que ele está envolvido em alguma coisa?". "Talvez, indiretamente. Mas não vamos falar disso agora. Estou com fome e não quero perder o apetite". Campus da Universidade de Yale 9:00 am Mulder e Fowley foram entrevistar Sr. Bowman, como haviam combinado no dia anterior. Ele estava à espera dos dois em sua sala. "Bom dia, senhores", disse ele, cumprimentando Mulder e Diana. "O Sr. Simmons me disse que vocês queriam falar comigo. Estou à disposição". Diana foi a primeira a perguntar. "Qual a matéria que você ensina, professor?". "Partes não oficiais da psicologia moderna...". "Mais conhecida como parapsicologia, ela estuda os ramos não convencionais, e até incompreendidos da Psicologia", interrompeu Mulder. Os dois olharam para ele. "Eu sou formado por Oxford", disse ele para o professor. "E também já tive essa matéria". "Muito bem", disse ele, "então você deve saber que em muitos países, essa matéria é ignorada nas faculdades de Psicologia". "Em quase todo o mundo, pode-se dizer". "Bom, Sr. Bowman, continuando: qual a sua relação com os alunos?". "Acho que a senhora deveria perguntar a eles, e não a mim. Da minha parte, eu acho que nós temos uma relação salutar. Meus alunos adoram a minha matéria e isso até contribui para a nossa amizade". "Você era amigo íntimo das vítimas?", perguntou Mulder. "Tanto quanto sou do resto da turma. Para essa festa, eu fui o único professor a ser convidado. Eles a estavam planejando há meses e eu até ajudei nos preparativos". "Você saiu de lá acompanhado pelas vítimas, não foi? O senhor pode nos contar o que aconteceu depois?". "Eu já contei para a polícia", disse ele, com uma voz um tanto consternada. "Mas, eu tenho certeza que o senhor não se importa de repeti-la para nós, não é mesmo?", disse Mulder, de forma ameaçadora. "Bom... não", respondeu Sr. Bowman. De certa forma, ele sabia que a única pessoa capaz de descobrir toda a verdade seria Mulder. "Nós saímos por volta da meia noite e meia. Eu dei uma carona aos rapazes Jerry, Edgard, Ralph e à namorada de Ralph, Kayleigh. Eles foram comigo até o prédio do dormitório masculino e ficaram lá. Depois, deixei a garota no dormitório feminino e fui para a minha casa". "Quando vocês saíram as outras duas vítimas, Rachel e Jonathan, ainda estavam na festa?". "Eu não posso afirmar com certeza, mas acho que sim". "Professor, qual o assunto que o senhor está ensinando agora para seus alunos?", disse Mulder. "Porque isso?", perguntou ele. "Nada. Curiosidade". "É técnicas de psicocinésia e hipnose". "O senhor não lembra de nada estranho que possa ter ocorrido naquela noite?", perguntou Fowley. "Não", respondeu o professor. "Bom, senhor, não queremos atrapalhar mais o seu tempo", disse Mulder, levantando-se da cadeira. "Se você conseguir se lembrar de alguma coisa, aqui está o meu cartão. Procure-me". "Tudo bem", disse ele, guardando o cartão. Mulder e Diana entraram no carro. Ela estava curiosa para saber o que ele pensava. "E aí, vai ficar calado a viagem inteira?". "O que você quer saber? Qual a minha teoria?". "É". "Pois eu tenho várias". "Você não está desconfiando do professor, está?". Eu não quero ser precipitado nas minhas conclusões. Vamos para a casa do Sr. Bowman". "Fazer o que lá?". "Perguntas". 10:21am Ao chegarem no endereço do professor Bowman, eles encontraram um senhor, que era encarregado pelo jardim da casa. "Com licença", disse Mulder, "o senhor trabalha para o Sr. Bowman?". "Sim". "Será que nós podíamos fazer algumas perguntas?". "O que é?". "Nós somos do FBI, e estamos investigando um caso". "O senhor Bowman fez alguma coisa de errado?". "Não, ele não é suspeito", disse Diana. "Nós queremos saber se o senhor conhece a rotina do seu patrão". "Conheço, sim senhora. Eu moro aqui na casa dele. Ele sai todo dia bem cedo, e só volta lá pelas oito horas". "Recentemente o senhor se lembra dele ter chegado mais tarde?". "Um dia ele chegou bem tarde. Foi no dia da festa dos alunos dele". "Você se lembra que horas eram quando ele chegou?". "Lembro sim. Era a hora de eu tomar o meu remédio. Três horas da manhã". "Nossa, bem tarde, não?", disse Mulder, olhando para Diana. Ela virou-se para o jardineiro e disse: "Muito obrigado pela sua ajuda, senhor". "Não há de que, madame". Mulder e Diana saíram. "Mulder, o fato de ele ter chegado em casa mais tarde não prova nada!". "Como não? Ele disse que tinha saído da festa às 00:30h, e só chegou em casa às 3:00h! Ele mora perto do campus, não teria por que demorar tanto! A não ser que...". "A não ser o que, Mulder?". "... que ele estivesse dando uma aula prática de psicocinésia ou hipnose para seus alunos". "Como é que é?". Diana olhou para ele, incrédula. "É verdade. Acho melhor nós falarmos com alguns de seus alunos". 02:03pm Os dois voltaram para a Universidade, depois do almoço. Eles conseguiram encontrar vários dos alunos de psicologia, mas nenhum estava disposto a falar nada. O professor Bowman realmente era muito querido por eles. Até que eles encontraram Cathy. Ela foi falar com eles. Parecia assustada. "Preciso falar com vocês", disse ela, "mas não pode ser aqui. Me esperem Johnny's". "Johnny's?". "É uma lanchonete que tem fora do campus". "Tudo bem", disse Mulder. Os dois agentes chegaram no Johnny's e ficaram esperando pela estudante, que não tardou a aparecer. "Desculpem se eu estou sendo um pouco paranóica", disse Cathy ao chegar. "É que ninguém pode saber que eu falei com vocês, principalmente meu namorado Stephen. Foi ele quem me contou que o FBI estava investigando as mortes". "Tudo bem, Cathy, ninguém vai saber", disse Diana. "O que é que você quer nos dizer?". "Existe um pacto de silêncio entre os estudantes da minha turma. Todos os que foram para a festa sabem o que aconteceu naquela noite, mas ninguém vai falar nada. Não falam porque querem proteger o Sr. Bowman. Mas a minha melhor amiga morreu nessa brincadeira", os olhos dela estavam cheios de lágrimas."E se o professor realmente foi o responsável, ele tem que pagar por isso. Podia ter sido eu... ou o Stephen". Ela começou a chorar. "O que exatamente o Sr. Bowman fez, Cathy?", perguntou Mulder. "Ele resolveu dar uma aula prática da matéria dele". Ao ouvir isso, Mulder olhou para Diana. A teoria dele estava certa, mais uma vez. Ela perguntou: "como assim?". "Ele está ensinando técnicas de psicocinésia. Aulas práticas são proibidas, mas ele disse que se nós quiséssemos, ele poderia nos dar essas aulas, contanto que ninguém ficasse sabendo. Nós concordamos. Estava combinado que seria pela noite, depois que todos já tivessem dormindo. Esse foi o primeiro grupo de estudantes a ir para essa aula. Estava combinado que hoje seria o segundo grupo, da qual eu faço parte, mas por causa das mortes, nós resolvemos adiar". "Para quando?". Perguntou Mulder. "Não sei. Mas não vai ser tão cedo, primeiro todos têm que esquecer essas mortes. Eu não quero ir!", Cathy estava desesperada. "Eu não quero morrer! Vocês precisam me ajudar!". "Calma, nós vamos te ajudar", disse Diana. "Cathy, você precisa nos avisar de quando vai ser essa próxima aula", disse Mulder. Neste momento, Stephen e Arthur entram na lanchonete. "Meu amor", diz Stephen, "o que você está fazendo aqui?". Ele olha desconfiado para Mulder. "Nada", ela diz, desviando o olhar dele."Esses agentes estavam me fazendo umas perguntas sobre Kayleigh, e como eu sou... era a melhor amiga dela...". Ela começou a chorar. "Tudo bem, Cathy. Nós já estávamos de saída. Aqui está o meu cartão. Qualquer coisa pode nos ligar", disse Mulder, levantando-se para ir embora. Quando os dois agentes saíram, Stephen puxou Cathy pelo braço, deixando-a assustada. "Você contou, não foi?". "Não", disse ela afastando-se dele."Me solte... deixe- me ir embora". "O professor marcou a próxima aula", disse Arthur, quando ela já estava na porta. "E que dia vai ser?". "No próximo Dia das Bruxas", respondeu Stephen. Cathy saiu correndo pelo estacionamento, tentando encontrar Mulder e Diana, mas eles já tinham ido embora. 05:25pm Mulder estava em seu hotel, arrumando as malas. Eles iam voltar para Washington na manhã seguinte. De repente, o telefone toca. "Mulder". "Sr. Mulder, aqui é Cathy. Eu não posso demorar no telefone". "Pode dizer". "Descobri quando vai ser a próxima aula. É no Dia das Bruxas". "Tudo bem Cathy. Eu estou voltando para Washington amanhã, mas estarei aqui no fim do mês. Qualquer novidade, me ligue. No meu cartão tem o telefone do meu escritório. Se alguma coisa sair errada durante este tempo, chame a polícia. Eu já tinha dito ao delegado que estava desconfiando do professor e ele prometeu vigia-lo". "Tudo bem", disse ela, desligando. Cathy colocou o telefone no gancho e quando olhou para trás, viu que Sr. Simmons, o vice-reitor, estava lá. Ele tinha ouvido a conversa toda. Ela ficou desnorteada, não sabia como explicar a sua presença no gabinete dele. Ali era o único lugar seguro para ela telefonar para Mulder sem ser vista. Cinco minutos depois, Mulder ainda estava arrumando suas malas quando o telefone tocou novamente. Era Sr. Simmons. "Sr. Mulder poderia fazer a gentileza de vir até o campus, por favor? Nós temos que ter uma conversa", disse ele, com uma voz fria. "Tudo bem. Já estou indo". 06:07pm Mulder chegou no campus sozinho. Não precisava levar Fowley. Ele foi direto ao gabinete do vice-reitor, passando por Stephen, que estava procurando pela namorada. Ao entrar, viu que Cathy estava com o Sr. Simmons. "Com licença", disse Mulder, meio confuso. "Queira entrar, Sr. Mulder. Eu quero que o senhor me esclareça umas coisas". "Pois não". "Na hora em que entrei no meu gabinete, não pude deixar de ouvir a conversa que esta aluna estava tendo com o senhor". "Você ligou daqui?", Mulder perguntou para Cathy. Ela fez que sim com a cabeça. "Eu gostaria de saber se isso tem a ver com os assassinatos, por que se tiver, então também é do meu interesse". "Vou lhe explicar tudo", disse Mulder. Ele contou ao vice-reitor tudo o que se passou e o que ele descobriu naquele dia. "Meu Deus! Então isso é caso para demissão!". "Eu peço ao senhor para que não faça nada agora. Eu vou investigar a vida desse homem e dia 30 estarei de volta. Gostaria de colaborar com a sua total discrição. Se ele for demitido agora, nós não teremos como prende-lo", disse Mulder. "Tudo bem, faça como quiser. E pode contar com a minha ajuda". "Agora, tudo o que nós temos que fazer é fingir que não sabemos de nada. A propósito", disse ele, virando-se para Cathy, "seu namorado estava te procurando. Acho bom você ter cuidado ao sair daqui. Ele pode ficar desconfiado se souber que nós conversamos de novo". Mulder despediu-se dos dois e saiu. 10 de outubro de 1991 Quinta - feira Mulder e Diana foram para o aeroporto JFK, em Nova York e embarcaram no avião das 9:00h para Washington. Mulder estava se sentindo bem. Tinha tido uma boa noite de sono, sem sonhos ou pesadelos. Ao desembarcarem, cada um foi para a sua casa. Pela tarde, eles se encontraram no FBI. "Tudo bem, Mulder, se esse cara realmente é o assassino, como é que vamos pegá-lo?". "Simples: fazendo uma armadilha e o pegamos em flagrante". "Isso eu já sei, mas tem um problema. Se ele mata os estudantes por psicocinésia, isso quer dizer que ele não os toca, não é?". "É... e daí?". "Daí que como é que vamos provar que foi ele mesmo? Nenhum tribunal vai condenar uma pessoa que mata usando o poder da mente". "Você não acredita, não é mesmo?". "Acredito sim. Mas o problema não é comigo, Mulder. São os outros". "Tudo bem", disse ele."Vamos fazer o seguinte. Até a semana que vem eu vou pensar a respeito disso, OK?". "Está certo. E eu vou procurar saber mais sobre esse professor". Ele estava em um campo verde, cheio de flores. Aquele perfume familiar enchia o ambiente de esperança. Ele sabia que a qualquer hora, ela estaria ali com ele. Estava tudo na mais perfeita ordem. Só falta a presença dela. Ele olhou em volta, para ver se conseguia vê- la. Quando se virou para trás, ela estava lá, linda, sorrindo para ele. O sol batendo em sua pele suave e em seus cabelos ruivos dava a ela um brilho que o fazia lembrar de um anjo. Seus olhos azuis eram convidativos, graciosos. Ela era o Paraíso para ele. Ele caminhou em sua direção, ela estava a um passo dele. Felicidade era o que ele sentia em seu coração. Quando ele estendeu a mão para toca-la, um vidro o impediu. Eles estavam separados por uma barreira invisível. Para ele, isso agora era o inferno. Ele estava desesperado, o aroma suave dela tinha ido embora. Ela também tentava tocá-lo. Os dois agora experimentavam a angústia de perder o que eles tinham de mais precioso. As lágrimas começaram a aparecer em seus rostos, ele tentava quebrar aquela barreira, mas não conseguia, enquanto ela, inconformada em perder o seu amado, limitava-se a chorar. Numa vã esperança de poder toca-lo, ela levou sua mão para perto da dele. Os dois juntaram suas mãos. Se não fosse por causa daquela barreira, eles poderiam entrelaçar seus dedos... Tudo ficou escuro e triste de repente. Ele fechou os olhos num momento de desespero e quando abriu, ela não estava mais lá. Ele gritava com toda a força de seus pulmões, inconformado com o fato de não poder estar com a sua amada. Washington D.C. 14 de outubro de 1991 Segunda-feira Mulder acordou gritando. Mais uma vez ele teve aquele sonho, que o perseguia como um fantasma. Ele estava suando, a cabeça doía e uma onda de tristeza o invadiu. Quem seria aquela mulher que o visitava toda noite em seus sonhos? Seria ela um anjo? Ele não sabia nada a seu respeito, a única coisa que ele tinha certeza era de que ele a amava, mesmo sem conhece-la. Ele levantou-se. Estava atrasado para ir trabalhar. Queria voltar a dormir e sonhar com ela novamente. De preferência para nunca acordar. Mas o mundo o esperava, assim como a sua colega do FBI, que tinha telefonado na noite anterior dizendo que tinha descoberto uma coisa surpreendente no caso em que eles estavam trabalhando. Antes de sair, mais uma vez ele pegou aquele anel e ficou olhando para ele. Todos os dias ele fazia isso. Mulder não sabia de quem era aquele anel e nem como ele fora parar na sua casa. Parecia uma aliança. O telefone tocou, despertando-o para a vida real. Mulder sabia que estava mais do que atrasado, por isso não o atendeu. Sede do FBI 8:17am "Bom dia, dorminhoco! Está atrasado, mais uma vez". "Ah... bom dia, Diana. O que foi que você queria me falar ontem à noite?". "Você não vai acreditar. Um caso semelhante a esse já foi...". Mulder olhou para Diana. Não estava prestando atenção no que ela dizia. Ele tentou encontrar nela alguma coisa que justificasse a paixão que uma vez ele sentiu por ela. Eles tinham sido namorados na Academia do FBI. Hoje, ela não representava nada mais do que uma amiga. Mas ele não tinha nenhuma lembrança do que tinha acontecido com eles. Só do dia em que a conheceu. "Acho que eu estou com amnésia..." ele pensou. Mulder começou a pensar na ruiva dos seus sonhos. Será que ela realmente existia? Será que ele estava enlouquecendo? "Mulder? Mulder, você ouviu o que eu disse?". Ele pareceu acordar de um transe ao ouvir essas palavras. "Ah... bom... é...". "Mulder, o que está acontecendo? Você anda tão distante ultimamente". "Diana, me responda, por que você terminou comigo quando nós estávamos na Academia?". "Por que falar do passado agora, Mulder?" Ela, na verdade, não queria responder a esta pergunta. Ordens são ordens. Ela simplesmente não podia continuar com ele naquela época. E a desculpa que ela tinha inventado era ridícula. Se ele tinha esquecido, melhor para ela. "Nada, é só que... eu não me lembro... e isso me deixa maluco". "Mulder, tem gente que diz que águas passadas não movem moinhos. É melhor você se preocupar com o futuro e não com o passado". "Você tem razão, Fowley". Não ia adiantar nada conversar com ela sobre isso. "O que você estava falando mesmo?". "Bom, um caso semelhante a este que nós estamos investigando já aconteceu antes e já foi investigado pelo FBI. Mas não teve conclusão e foi arquivado". "Então, seria bom se nós déssemos uma olhada nos arquivos para ver até que ponto os casos são semelhantes". "Eu já fiz isso, mas..." Diana Fowley parecia não querer continuar com a conversa. "Você já ouviu falar nos Arquivos X?". De repente, aquela última frase lhe veio à mente, como um deja vu. Alguém já tinha feito aquela pergunta a ele, mas ele não lembrava quem. "É claro que sim. São casos não resolvidos pelo FBI, considerados 'estranhos'. Até parecem comigo, não acha?". Mulder estava se referindo ao apelido dele durante os anos em que esteve na Academia do FBI. Diana não tinha tempo para essas discussões sobre o passado. Ela era uma pessoa muito objetiva e não gostava de perder tempo. Ignorou a última frase dele. "Bom, acho que você vai ter que correr atrás de provas concretas contra o Sr. Bowman, por que parece que foi ele mesmo". "Diana, finalmente você conquistou a minha total atenção". Ela ainda não tinha se acostumado com o sarcasmo dele. "Outros seis assassinatos foram cometidos em 1985, na Universidade de Princeton. Todos com as mesmas características desses de agora. Os alunos também estudavam Psicologia, e adivinha quem era o professor deles?". "Algum suspeito foi preso na época?". "Não, mas o Sr. Bowman pediu demissão logo depois. E nunca mais ninguém ouviu falar nele, até agora". "Mas, então, porque ele esperou tanto tempo para matar? Ele leciona em Yale desde 87". "É por isso que nós estamos aqui. A propósito, almoça comigo?". "Não posso. Vou aproveitar para visitar uma pessoa". "Quem?" Diana tentou disfarçar o ciúme. Apesar deles terem acabado há muito tempo, ela ainda sentia um fio de ciúmes quando ele falava de outro alguém. "Ninguém importante". Escritório dos Pistoleiros Solitários 12:30pm A manhã passou rápida e, durante o almoço, Mulder foi visitar seus amigos, que conseguiam ter idéias mais loucas do que as dele. "Mulder! Você chegou na hora certa para experimentar o almoço que Byers fez... Se tiver coragem". Langly tinha atendido a porta quando Mulder tocou. "Oi, Mulder". Disse um faminto Frohike. "Cadê o Byers?" Perguntou Mulder. "Ele foi comprar uma pizza. Depois do estrago que ele fez com a nossa refeição, nada mais justo do que ele ir comprar alguma coisa. Aliás, ele já está chegando". Langly tinha acabado de ver Byers pela câmera instalada na porta. "Pessoal, eu preciso da ajuda de vocês". Byers, que tinha acabado de entrar, perguntou: "Qualquer coisa, amigo. O que é?". "Eu não consigo me lembrar de boa parte do que aconteceu na minha vida em 1990. E também não me lembro da época em que eu namorei a Diana Fowley". "Bom, nesse caso, você deveria estar feliz. Para que você quer lembrar de erros do passado?" Disse Frohike, que não conseguia esconder a antipatia que sentia por Fowley. "Frohike, é sério. Eu também não sei como esse anel foi parar na minha casa". Ele pegou a aliança e mostrou a eles. "Vocês se lembram de alguma coisa estranha que aconteceu comigo no ano passado?". "Bom", disse Langly, "você sumiu por uns dias no início de Dezembro e só reapareceu no Natal. Nós pensamos que você tivesse viajado. Afinal, você tinha acabado de tirar férias". "Férias? Eu?". "Foi isso que você nos disse". "E estava radiante, por que ia levar alguém com você". Lembrou Frohike. "Quem? Não era a Diana Fowley, era?" Mulder estava ficando assustado. "Não". Disse Byers. "Você não queria falar quem era. Pelo jeito, parecia que você realmente estava apaixonado". "Eu disse isso a vocês quando? E como?". "Quando, eu não sei, mas eu lembro que você nos ligou de um telefone público". Byers pegou o anel e começou a analisá-lo. "Tem umas iniciais aqui... DKS... conhece alguém com um nome assim, Mulder?". "Eu... Eu não. Não lembro de nada... E tem outra coisa" disse Mulder, "Eu estou tendo um sonho todas as noites com a mesma pessoa, e...". "Mulder, por que você não procura a ajuda profissional do Dr. Heitz Werber de novo? Ele não te ajudou a lembrar do seqüestro de sua irmã? Talvez ele te ajude de novo". Disse Frohike. "É isso mesmo que eu vou fazer". Consultório do Dr. Heitz Werber 03:13pm "Bom, Mulder, você já está familiarizado com a hipnose, então, eu não preciso lhe explicar mais uma vez. Você vai fechar os olhos, e relaxar. Você está sentindo seu corpo cansado, então agora eu quero que você esqueça todos os seus problemas e descanse". Em 5 minutos, Mulder já estava sob o efeito da hipnose. "O que você está vendo, Mulder?". Perguntou o Dr. Werber. "Ela está lá... em Quantico. Eu fui me encontrar com o médico patologista... ela estava lá... tão linda...". Mulder estava começando a ficar nervoso. "Você sabe o nome dela?". Perguntou Dr. Werber. "Sei, é... Scully. Dana. É a imagem mais bonita que eu já tive. Ela tem cabelos ruivos... olhos azuis... uma pele suave e um sorriso radiante... me faz lembrar um anjo". Mulder começou a tremer. "Mulder, você quer continuar?". "Quero...". "Então, o que você está vendo agora?". "Nós estamos almoçando... na casa dela. Ela está falando sobre a irmã dela. Ninguém sabe do nosso romance... nem nossa família. Nós só nos conhecemos há duas semanas, mas assim mesmo eu a pedi em casamento. Não posso mais viver sem ela. Ela abriu um sorriso e disse que vai pensar, mas ela acha que é muito cedo para falarmos em casamento. Eu não tenho dúvida de que ela é a mulher da minha vida". Mulder pára de falar de repente. "Ainda quer continuar, Sr. Mulder?". "Quero..." ele agora estava com uma expressão feliz no rosto. "Eu agora estou numa loja. Comprei um anel... uma aliança e mandei garfar DKS nela... Dana ainda não aceitou o meu pedido, mas eu tenho certeza que ela vai aceitar... comecei a usar a anel... já me considero marido dela". Mulder começou a gritar e a chorar. "Tudo bem" disse o Dr. Werber com uma voz acolhedora. "Agora eu quero que você acorde...". Mulder abriu os olhos. Ele estava chorando. "Como... como foi que eu a perdi? Por que eu não me lembro do que aconteceu? Será que ela ainda está viva?". "Se você quiser, nós podemos marcar outra consulta, quando você estiver mais calmo". Disse o médico. "Tudo bem". Disse Mulder. Ele não via a hora de reencontrar Scully. Doutor Werber, quase prevendo o que ele ia fazer, aconselhou-o a não procura-la até que eles soubessem de mais detalhes do que tinha ocorrido. Quartel general dos Pistoleiros Solitários 07:36pm Mulder voltou para contar aos seus amigos como tinha sido a consulta. Ele tinha resolvido tirar a tarde de folga para visitar o Dr. Werber. Na verdade, a última coisa em que ele conseguia pensar nesses dias era em Diana Fowley e no caso no qual eles trabalhavam. Após contar toda a história para os Pistoleiros, Mulder disse: "Acho que nem preciso dizer que vou querer uma ajudinha de vocês para descobrir quem é ela, não é?". "Não precisa mesmo" disse Langly, que estava em frente ao computador. Enquanto Mulder contava a estória para eles, Langly acessara os arquivos do FBI e agora ele tinha na tela toda a ficha da agente Dana Katherine Scully. "Esse vai ser o meu presente atrasado de aniversário para você", disse Langly. "Agente Dana Katherine Scully. É patologista forense, ensina em Quântico. Formou-se em Medicina e em Física. Tese de formatura: 'O Paradoxo dos Gêmeos de Einstein: Uma Nova Interpretação'. Quer uma cópia?". "Ehh... claro, se puder me arranjar..." Mulder estava incrédulo diante do fato de que o anjo de seus sonhos realmente existia. Langly continuou: "Dados pessoais: nasceu em 23 de fevereiro de 1964, tem dois irmãos e uma irmã, o pai é oficial da Marinha. Identidade número 2317616... quer o endereço eletrônico?". Frohike interrompeu: "Tem uma foto dela aqui... você tem bom gosto, Mulder". Mulder quase voou até o computador. Ele quase não acreditava em seus olhos. Na tela, estava a foto de sua amada, aquela que ele não conhecia, e não sabia como a tinha perdido. Um pensamento lhe veio a mente: será que ela se lembrava dele? Provavelmente não. Talvez ela também sonhasse com ele e talvez ela estivesse tão ansiosa para conhece-lo quanto ele estava. Mulder voltou para casa. Nesta noite, ele não conseguiu dormir. Mas mesmo assim, ele sonhou. E em suas divagações, ele imaginou como Scully seria: seus sonhos, suas frustrações, seus planos para o futuro... 15 de outubro de 1991 Terça-feira, 8:53am Mulder chegou no FBI atrasado. Diana estava preocupada com ele. "Mulder, desse jeito você vai conseguir ser demitido! Você tem que honrar seus compromissos, e, além...". "Diana, por favor, não queria ser a minha mãe, para ficar me dando sermões!", disse ele, de forma rude. "Desculpe", disse ela, sem jeito. "Eu só estou preocupada com você". "Vamos esquecer isso. Olha, eu já sei como vamos pegá- lo, mas para isso teremos que reabrir o caso de 1985". "E como vamos fazer isso? Ele é um Arquivo X...". "Esse também! Vamos fazer o seguinte...". Mulder explicou tudo o que ia fazer para Diana. Ela concordou em ajuda-lo. Apartamento de Mulder 17 de outubro de 1991 Quinta-feira Dois dias passaram e neste tempo, Mulder só pensava em procurar Scully. Mas o seu medo o impedia. Temia que ela não o reconhecesse, ou que ela tivesse algum namorado. Ele não conseguia desvencilhar-se de seus temores. Decidira não procurar mais o doutor Werber, pois não queria saber o motivo que o levou a romper com Scully e principalmente, o porque dele não se lembrar de nada. Além disso, ele tinha um caso para resolver, e Diana estava reclamando de seu comportamento desinteressado. Resolveu dedicar-se totalmente ao seu trabalho e não pensar mais em Scully. Mas isso era mais difícil do que ele imaginava... Sede do FBI 9:30am Mulder, como sempre, atrasou-se para a reunião com os seus superiores. Mas desta vez, eles não poderiam reclamar. Era do interesse do FBI solucionar um caso envolvendo uma universidade tão importante quanto Yale. Esta reunião era muito importante, não só para as investigações, como também para o futuro de Mulder. Diana estava fora da sala, esperando por ele. "Só estávamos te esperando", disse ela. "Tudo bem, já cheguei", disse Mulder, mal conseguindo disfarçar o quão aborrecido ele ficava sempre que ela ficava a sua espera para o que quer que fosse. Ele entrou na sala de reuniões e todos o olharam. De repente, ele era o centro das atenções. "Nossa", pensou ele, com um sorriso sarcástico, "é assim que um astro de cinema deve se sentir...". "Agente Mulder, apesar da sua habitual demora, nós ainda queremos saber quais são as suas conclusões sobre o perfil do assassino", disse o chefe de seção Scott Blevins. "Bom", começou Mulder, "com base nas investigações que eu e a agente Fowley temos feito, nosso principal suspeito é um professor da Universidade, chamado David Bowman".Mulder estava com medo da reação que seu chefe poderia ter quando ele terminasse de expor suas idéias. "Em 1985, outros assassinatos semelhantes a esses foram cometidos, na Universidade de Princeton. As vítimas também eram estudantes de Psicologia e o professor Bowman também ensinava lá nessa época. Não acho que seja apenas uma mera coincidência". "Sobre esses seis primeiros assassinatos... como foi que você soube deles?". "Senhor", disse Diana, levantando-se, "desculpe-me pela interrupção, mas eu fui a responsável pela descoberta desses casos. Eu estava pesquisando nos arquivos do FBI e acabei encontrando- os nos Arquivos X". Mulder olhou para ela, agradecido. Diana sentou-se e Mulder continuou falando. "Senhor, a única maneira de pegarmos este assassino é termos total liberdade de atuar nos Arquivos X". "Porque diz isso?". "Devido à singularidade das mortes". "Você diz em seu relatório que as vítimas podem ter sido mortas por psicocinésia. Isso é um absurdo. Como pretende provar essa teoria?". "Investigando as mortes de 85, creio que conseguiremos provas contra o Sr. Bowman. Mas para isso, eu e a agente Fowley temos que reabrir este caso". "Está sugerindo que eu mude você e a agente Fowley da Unidade de Crimes Violentos para uma unidade na qual ninguém se interessa?". "Com todo o respeito, senhor, eu me interesso". "Seria um desperdício. Vocês são dois dos nossos melhores agentes". Mulder sabia disso. Não era á toa que ele tinha passado tanto tempo estudando em Oxford. "Sem os Arquivos X, nossa investigação será muito limitada...". Mulder estava rezando para que tudo desse certo. "Senhores, gostaria que vocês dois saíssem agora. Essa decisão não pode ser só minha. Eu não quero ser o único responsável pelas conseqüências desse ato". Antes de sair, Mulder deu uma olhada em cada um dos presentes. Alguns eram familiares. Apenas um era desconhecido: o que já tinha fumado uns quatro cigarros desde que a reunião começara. Mulder e Fowley esperaram cerca de meia hora até que fossem chamados para saber o 'veredicto'. "Agente Mulder", disse um cauteloso Blevins, "decidimos que, a partir de hoje, você e a agente Fowley serão remanejados para a Unidade dos Arquivos X, continuando, entretanto sob a minha supervisão". Mulder tentou não pular de felicidade. "Obrigado, senhor", foi tudo o que ele disse. Seus olhos brilhavam como os de uma criança que acabara de ganhar uma bicicleta. Ele e Diana Fowley se retiraram. 01:32pm Fowley voltou do almoço e encontrou a mesa de Mulder vazia. Pegou o celular e ligou para ele. "Mulder, onde você está?". "Pertinho de você". Ela virou-se e o encontrou. "O que é que você está fazendo? Onde estão...". "Lá embaixo" "O que?" Ela perguntou, com uma expressão de incredulidade no rosto. "É que tem uma sala vazia lá no porão e eu resolvi ter o meu próprio escritório. Afinal, são tantas as pastas dos Arquivos X que não conseguiríamos colocar tudo em uma só mesa, não acha?". Diana começou a rir. "Fox, há muito tempo que eu não vejo você com tanta disposição!". "Então, me ajude a carregar isso para o nosso novo local de trabalho", disse ele, colocando uma caixa nos braços dela. Eles passaram o resto da tarde arrumando a sala do porão. Quando terminaram, eles se sentaram, e Diana perguntou: "Mulder, o motivo de tanta felicidade não é só por causa dos Arquivos X, não é?", ela estava curiosa sobre a vida pessoal dele, apesar de quase nunca fazer perguntas a respeito. "É... agora eu vou poder descobrir o que realmente aconteceu com a minha irmã", disse ele, num tom melancólico. "Fox... você ainda acha que ela foi seqüestrada por alienígenas?". "De todas as explicações, essa é a mais plausível, Diana". Ela olhou para ele com carinho. Tinha pena dele, mas admirava sua determinação. Ela sabia que, mais cedo ou mais tarde, ele acabaria descobrindo toda a verdade... não só sobre a sua irmã, mas também sobre os eventos que a levaram embora. Enfim, sobre todo o ardil que o governo escondia e do qual ela fazia parte. Nesse dia, com certeza, Mulder sairia definitivamente da vida dela. Diana chegou perto dele, o abraçou, e sussurrou em seu ouvido: "Você sempre poderá contar comigo, Mulder. Para o que precisar". Os dois foram embora... juntos. 18 de outubro de 1991 Sexta – feira 8:00 am Sede do FBI Mulder chegou ao seu mais novo escritório sentindo-se um rei por tê-lo. Ele estava feliz: finalmente tinha os Arquivos X só para si. Era o seu brinquedo. E, para provar aos seus superiores que os merecia, ele queria solucionar esse caso o mais rápido possível. "Bom dia, Fox!". Diana acabara de interromper seus pensamentos. "O que você vai fazer hoje?". "Vamos investigar os outros assassinatos. Quero que você descubra tudo o que for possível sobre todos os alunos daquela turma: quando eles se formaram, aonde trabalham, se teve algum aluno diretamente envolvido no crime, tudo". "Sim senhor, pode deixar", disse ela, num tom de brincadeira. "É bom te ver disposto a trabalhar. Devo confessar que ultimamente eu te achava um pouco 'desligado' do mundo real, principalmente em relação ao trabalho". "Agora eu sou um novo homem. Resolvi deixar meus fantasmas para trás". Disse Mulder, de maneira misteriosa. Diana não resistiu à pergunta: "E eles são muitos?". Ele não respondeu. Na verdade, ele estava decidido a esquecer toda essa questão que envolvia ele e Scully. 03:27pm A manhã passou rápido. Mulder estava em seu precioso escritório, quando Fowley foi procura-lo. "Tenho novidades", disse ela, entusiasmada. "Descobri que os estudantes da turma de Princeton se formaram em 87 e a maioria deles continuou na região da Nova Inglaterra. Eu falei com o reitor da Universidade, e ele disse que terá prazer em nos ajudar no que for possível. Ele enviou por fax a lista dos formandos de 87 e eu já entrei em contato com o Conselho de Psicologia para saber o endereço deles. A relação deve chegar a qualquer momento, também por fax. Quanto ao senhor Bowman", disse ela, abrindo a pasta que carregava, "ele já teve a sua licença cassada pelo Conselho. Acho que a Universidade de Yale não sabe disso". "Porque?". "Bom, ele já foi investigado por charlatanismo pelo Estado do Alabama, local onde a parapsicologia é tida como bruxaria, e é proibida. O Conselho de Psicologia desse Estado cassou sua licença, e ele mudou-se para a Nova Inglaterra, pois nesses Estados, a parapsicologia é bem-vinda. Lecionou em Princeton de 83 a 85, quando pediu demissão devido a problemas pessoais". "Será que essas duas universidades tiveram o trabalho de investigar a vida profissional desse professor no Conselho?". "Acho que não. Ele já foi processado no Alabama, acusado de matar duas jovens com seus poderes paranormais, mas não havia provas contra ele, então o caso foi arquivado. Isso foi em 81. Acho que ele esqueceu de incluir isso em seu currículo ao prestar concurso para lecionar nessas duas universidades...". "Com licença", disse uma pessoa, que estava encostada na porta. Era a secretária do Sr. Blevins."Agente Fowley, o fax que a senhora estava esperando", disse ela, passando-lhe um papel. "Obrigado", disse Diana. "Bom, Fox, acho que temos muito a investigar. A maioria mora entre o Maine, Massachussets e Pensilvânia, mas tem duas pessoas que moram aqui em Washington". "Vamos procura-las ainda hoje. Segunda – feira nós embarcamos para o Maine, se necessário". Consultório de Adam Parker 4:12pm Quando Mulder e Fowley chegaram ao consultório do psicólogo Adam Parker, ele estava sem clientes. Eles foram recebidos imediatamente. "Sr. Parker, eu sou o agente Fox Mulder, do FBI e essa é minha parceira, Diana Fowley. Nós estamos investigando uns assassinatos, e creio que o senhor pode nos ajudar". "O que é?", perguntou Adam. Ele era um adulto jovem, devia ter pouco mais de 30 anos. "O senhor formou-se em 1987 por Princeton, não foi?". "Sim, porque?". "Em 85, o senhor foi aluno do professor David Bowman?". A expressão calma do rosto de Parker mudou completamente. "O que foi que ele aprontou agora?". "Ele é o principal suspeito de seis assassinatos que ocorreram em Yale. Eles aconteceram nas mesmas circunstâncias das mortes de seus colegas em 85". Adam Parker ficou perplexo."Na época, ninguém o entregou à polícia por que todos gostavam dele, apesar do que tinha acontecido. Ele disse que tinha sido um acidente, e que ele não estava mais lá quando aconteceu. Ele tinha ido embora e os alunos continuaram lá, fazendo tudo conforme ele tinha ensinado". "Depois que ele foi embora, você teve alguma notícia dele?". "Não", respondeu Parker. "E também procurei esquecer tudo o que tinha acontecido. Talvez se nós tivéssemos contado tudo, agora esses estudantes tivessem vivos". "Você estaria disposto a testemunhar num tribunal, se ele for a julgamento?". "Claro. Ele já devia estar na cadeia há muito tempo". "Você era muito amigo das vítimas?". "Não. Eles eram só meus colegas de turma. Mas eu sei de alguém que pode ajudar vocês. Ela era namorada de um deles", disse Parker, anotando um endereço em um papel. "Ela agora mora em Pittsburgh, Pensilvânia". Ele abriu os olhos e viu que o local onde estava era muito claro. Tanto que ele não conseguia enxergar direito. Olhou para o lado e ela estava lá, deitada. Parecia estar desacordada. Ele tentou levantar-se, com muito esforço. Quando conseguiu, ele sentiu que suas pernas não agüentavam o peso do seu corpo, e caiu. Ele rastejou até ela. Percebeu que ela estava dormindo, então a abraçou e alisou aqueles cabelos ruivos. Seus dedos tocaram de leve em seu rosto e ele pode sentir o quanto ela era suave. Ele começou a chamar seu nome, para tentar acorda-la. De repente, ela abriu os olhos. Ele sorriu, finalmente ela estava em seus braços. Ele fechou os olhos e a beijou na testa. Quando tornou a olhar para ela, teve uma surpresa: era sua irmã Samantha quem ele estava segurando agora. "Fox?", disse ela. Ele estava perplexo. "Fox, sou eu! Vim para te encontrar". 21 de outubro de 1991 Segunda – feira 7:00am Mulder acordou gritando o nome de sua irmã Samantha. Ele olhou para o relógio e viu que estava atrasado. Tinha combinado com Diana no aeroporto, às oito horas. Arrumou tudo tão depressa que nem teve tempo de lembrar do sonho que tivera. Pittsburgh, Pensilvânia 10:17am Ao chegarem na cidade, Mulder queria ir direto para o consultório da doutora Kelly Bishop, mas Diana o convenceu a passar primeiro no hotel e descansar um pouco. Desde que eles se encontraram no aeroporto de Washington, que ela tinha percebido a inquietação dele. Ela estava preocupada com a saúde do colega. 02:09pm Mulder havia ligado para Kelly Bishop pela manhã, de modo que ela estava esperando a visita deles. "Doutora Bishop, eu sou o agente Fox Mulder. Ligue esta manhã", disse Mulder ao entrar em seu consultório. "Sentem-se, por favor. Devo confessar que seu telefonema me deixou curiosa. O que o FBI quer comigo?", disse ela, sem conseguir tirar os olhos de Mulder. "Nós estamos investigando seis assassinatos cometidos por uma pessoa que a senhora conhece", disse Diana, que já tinha percebido o interesse da psicóloga por seu colega. "Doutora Bishop...", começou Mulder. "Pode me chamar de Kelly", disse ela, mal conseguindo disfarçar o sorriso. "Kelly... você formou-se em 87 por Princeton, certo?". "Isso mesmo". "Em 85, você foi aluna do senhor David Bowman, não foi?". Ao ouvir aquele nome, o sorriso dela foi embora. Ela foi invadida por lembranças que tinha feito questão de esquecer. "Fui... porque?". "Ele é suspeito das seis mortes que aconteceram em Yale neste mês". "Eu li nos jornais e até fiquei impressionada com a semelhança que este caso tinha com o de 85. Mas não imaginei que o professor Bowman estava envolvido. Eu nem sabia que ele ainda estava lecionando!". "Você pode nos contar o que realmente aconteceu em 85?". "Eu lembro que ele estava nos ensinando técnicas de psicocinésia e hipnose, e...". Kelly Bishop confirmou tudo o que Adam Parker havia dito. "Você conhecia bem as vítimas?". "Conhecia. Um deles era meu namorado, John". "Ele te disse alguma coisa além do que você já sabia?". "Ele me disse que tinha descoberto que o professor Bowman já tinha matado duas garotas no Alabama. Ele detestava o professor e ninguém sabia por que. John queria desmascara-lo naquela noite. Achava que ele era uma fraude. Mas alguma coisa deve ter saído errado. Ninguém nunca soube o que realmente aconteceu". "Você tem alguma versão?". "No início eu acreditei no professor. Mas com a demissão inexplicável dele, eu comecei a suspeitar que ele estava fugindo de alguma coisa. Pode ter acontecido muita coisa naquela noite, inclusive a situação mais lógica: ele pode ter hipnotizado os estudantes e depois tê-los matado". "Você estaria disposta a testemunhar contra ele num tribunal?". Kelly ficou pensativa por uns instantes, e depois disse: "estaria sim. Eu devo isso ao John". "Só mais uma coisa, Kelly. O Sr. Bowman se demitiu antes do semestre acabar ou no final dele?". "No meio do semestre. Foi difícil encontrar alguém para substituí-lo tão rápido. Quase que a matéria foi adiada, por falta de professor". Mulder e Diana voltaram para o hotel. Ele estava calado. "Não vai me dizer o que está pensando?", perguntou Fowley. "O professor Bowman pode se demitir a qualquer momento". "Eu também já pensei nisso. O que vamos fazer?". Mulder chegou ao hotel e ligou para Sr. Simmons, o vice-reitor. "Sr. Simmons, aqui é o agente Mulder. Alguma coisa aconteceu enquanto estive fora?". "Nada, agente Mulder. Mas o professor Bowman está pensando em se demitir". "Faça o possível de detê-lo aí até o fim do mês, então. Já sei o que fazer para pegá-lo". 22 de outubro de 1991 Terça – feira, 11:15am Sede do FBI – Washington D.C. Mulder e Diana tinham voltado de Pittsburgh na noite anterior. Eles entregaram o relatório sobre as investigações ao chefe de sessão Scott Blevins. "Então, vocês acham que há paranormalidade envolvida...", disse ele. "Senhor, nós temos razões para acreditar que o suspeito vai agir novamente, no último dia deste mês", disse Fowley. "Nós não temos nenhuma prova contra ele, mas se ele achar que seu plano está dando certo, nós podemos prende-lo em flagrante", disse Mulder. "E colocar a vida de seis estudantes em perigo? Isso, agente Mulder, está fora de questão". "Mas se não fizermos isso, não vamos prende-lo nunca!", Mulder já estava irritado. "Com todo o respeito, senhor, eu vou para a Universidade de Yale no fim do mês para prende-lo", disse ele, levantando da cadeira e se retirando da sala. Ele estava deitado em um campo verde, com os olhos fechados. Mesmo sem ver, ele sabia que ela estava perto. Ele sentia a presença dela entrando nele por todos os poros do seu corpo. O perfume dela estava cada vez mais forte. Quando ele abriu os olhos, ela estava em pé, ao lado dele. Linda, como sempre."Oi, Fox", disse ela, num sorriso radiante.Era a primeira vez que ela falava com ele. Sua voz era uma melodia dos anjos. Ele pode tocar em seus cabelos, sentir mais uma vez sua pele macia em contato com sua mão. Ela sorria como uma criança. Os dois ficaram ali, parados, contemplando um ao outro. Os olhos dele não deixavam os dela, enquanto ela passeava a sua mão suave pelos cabelos dele. De repente, uma chuva começou a cair, fina e serena, e ela derreteu aos poucos, à medida que os pingos a molhava. Ele sentiu uma dor incontrolável, queria a qualquer modo salva-la. Ela agora parecia um quadro surrealista. Sua imagem começou a desvanecer lentamente, enquanto ela dizia: "não desista de mim!", com amargura e desespero na voz. Ele limitou-se a chorar, suas lágrimas confundidas com os pingos da chuva em seu rosto. Apartamento de Mulder 23 de outubro de 1991 Quarta-feira, 5:17am Mulder acordou suando, com lágrimas nos olhos e uma angústia indescritível em seu coração. Não conseguiu mais dormir. Esse mistério do passado envolvendo ele a agente Scully estava tirando seu sono, sua paz, seu interesse pelo caso no qual estava trabalhando e até pela suposta abdução de sua irmã. Ele tinha que dar um fim a isto e se concentrar no que é real, e não em seus devaneios. As horas passaram rápidas e ele tinha que trabalhar. Mas ao invés disso, ligou para o FBI e disse que estava doente. Tornou a dar outro telefonema, desta vez para o doutor Heitz Werber, e marcou uma consulta para o início da tarde. Consultório do doutor Heitz Werber 02:45pm "Finalmente, estamos nos vendo de novo. O que aconteceu? Você desistiu de saber a verdade sobre seu passado?", disse o Dr. Werber, enquanto cumprimentava Mulder. "É, mais ou menos isso o que aconteceu. Só que eu não agüento mais! Ela vive me assombrando em meus sonhos". Ele contou ao doutor o último sonho que tivera."Talvez, se eu souber o motivo da nossa separação, eu consiga viver em paz". "Então, vamos começar". Em 10 minutos, Mulder já estava sob controle hipnótico."Diga-me o que ver, Mulder". Ele começou a balbuciar umas palavras sem sentido."Dana... parque... viagem...". "Vocês vão viajar?". "Ela aceitou. Vamos tirar férias e viajar. Ninguém sabe ainda. Ela gostou da aliança. Está rindo...".Mulder começou a sorrir."O sorriso dela ilumina o dia... Nós vamos para Talhahasse, de carro". "Você contou a alguém sobre ela?". "Não... liguei para meus amigos e disse que ia viajar com alguém especial". "O que aconteceu nessa viagem?". "Estava escuro... era noite. Nós já estávamos na Geórgia, quando veio uma luz... um clarão...". Mulder começou a se contorcer. "Quer parar agora?", perguntou Dr. Werber. "Não..." "Então, o que você vê agora?". "Eu estou... deitado numa mesa... abri os olhos... está tudo muito claro... ao meu lado está Dana... está desacordada..." Mulder começou a chorar."Tem homens... seres... em volta de nós". De repente, ele dá um grito de medo e susto. Dr. Werber quer parar, mas Mulder não. "O que você está vendo agora?". "Minha irmã... Samantha. Ela é um dos humanos que estão me observando. Ela começa a falar comigo... mas eu não ouço..." Ele começa a tremer. "Estão levando Dana para outro lugar... nnnãããooo". "O que foi?", pergunta Dr. Werber. "Estão fazendo testes em mim... Samantha está segurando minha mão, chorando. Ela discute com alguém... não sei quem é, mas parece que ele gosta dela, por que ele parece aceitar o que ela diz... eu estou preocupado com Dana... onde será que ela está? Samantha sussurra para mim... ela diz que Dana está bem..." Mulder agora está chorando incontrolavelmente. "Ela diz que estava querendo muito me ver, por isso eles me trouxeram para ela. Mas ela não sabia que Dana estava comigo, por isso tiveram que trazê-la também... nós não podemos nos lembrar de nada, depois que voltarmos... os testes são para apagar nossa memória". "Mulder, você não está em condições de...". "NNNÃÃÃOOO... eu VOU continuar!" Grita Mulder. Dr. Werber, impressionado pela teimosia e determinação do seu paciente, pergunta "O que você vê agora?". "Eu... acordei no meu apartamento... é dia 23 de dezembro. Eu não me lembro do que aconteceu". "Mulder, eu quero que você acorde agora". Mulder abriu os olhos. Estava chorando. Dr. Werber não precisou falar nada, ele lembrava de cada palavra que tinha dito. Os dois permaneceram em silêncio por alguns instantes, até que Mulder, entre soluços, perguntou: "Será que ela lembra de alguma coisa?". "Creio que não". Respondeu Dr. Werber. "No máximo, ela deve sonhar com você de vez em quando". Mulder saiu de lá com a alma em pedaços. Era injusto ele ter perdido o amor de sua vida dessa maneira. Se pelo menos tivesse sido a decisão de um dos dois, seria mais fácil ele se conformar com a perda. Ele sentia sua mente ferver com tantas perguntas. Onde estaria Samantha agora? Quem era aquele cara que conversava com ela o tempo todo? Por que ela não podia simplesmente bater na porta de sua casa quando quisesse falar com ele? Por que se esconder? E Dana, será que ela lembrava dele? E, principalmente, será que ela o desejava tanto quanto ele a desejava? Ele tinha um furacão em seu cérebro. Ele não sabia o que fazer. Pensou em procurar Scully, mas ele não podia contar a ela uma história tão fantástica. Ele queria que ela lembrasse de tudo naturalmente, sem a ajuda dele. Começou a imaginar qual seria a reação dela se de repente um estranho chegasse até ela e contasse que os dois já namoraram e que foram abduzidos e tiveram suas mentes apagadas... Provavelmente ela riria dele. Mulder pensou em visitar os Pistoleiros Solitários, mas desistiu. Eles o fariam muitas perguntas, as quais ele não estava disposto a responder. Decidiu voltar para o seu apartamento. Já era noite e ele estava cansado. Queria dormir. Mas, não conseguiu. Toda vez que ele fechava os olhos, só via a imagem de Dana, derretida pela chuva, que dizia melancolicamente: 'não desista de mim'. Não havia mais nada que ele pudesse fazer. Resolveu desistir dela. 24 de outubro de 1991 Quinta-feira, 09:30am Sede do FBI Mulder estava em seu escritório, quando Diana entrou. "Olá, Mulder. O que você tinha para não vir trabalhar ontem?". "Estava doente". "Bom, enquanto você estava doente...". Ela foi interrompida pelo telefone. Mulder atendeu. "Mulder". "Agente Mulder, aqui é Charles Simmons. Acho que o senhor deve vir para Yale o mais rápido possível. Aconteceu um imprevisto". Mulder teve uma conversa rápida com o vice-reitor da Universidade. Ao desligar, ele disse: "Tenho que ir para Yale o mais rápido possível. Você vem?". "Quando?". "No próximo vôo". "Tudo bem. Encontro você no aeroporto. Tenho novidades, mas a gente pode falar disso durante a viagem". 06:38pm Depois de uma viagem cansativa até Nova York, os dois agentes alugaram um carro para viajarem até Yale. Quando finalmente chegaram, já era noite. Fazia muito frio naquela região. Mulder entrou no hotel, registrou-se, deixou sua mala no quarto e foi em direção ao campus. Mas voltou logo depois que partiu. Ele foi até o quarto de Diana. "Você não ia até o campus?", perguntou ela ao abrir a porta. "Tive uma idéia melhor. Ninguém pode saber que estamos aqui. Se essa notícia chegasse até o professor Bowman, nosso plano poderia falhar. Acho melhor ligar para o Sr. Simmons e pedir que ele e Cathy venham ao nosso encontro". Pouco tempo depois, Sr. Simmons chegou ao hotel, acompanhado pela estudante. "Boa noite, senhores", disse o vice-reitor ao entrar no quarto de Diana. "Então, o Sr. Bowman resolveu antecipar a data da aula prática, não foi?", disse Mulder. "Vai ser neste sábado. O que a gente vai fazer?". "Eu já sei. Vamos fazer com que ele pense que tudo vai dar certo. O que eu tenho em mente é o seguinte...". Mulder contou aos dois o que tinha em mente. Casa da David Bowman 25 de outubro de 1991 Sexta-feira, 07:30am David Bowman estava tirando o carro da garagem para ir ao campus quando percebeu que havia correspondência para ele. Isso era estranho, afinal o carteiro só passava pela tarde. Quando abriu o envelope, leu o seguinte bilhete: SEI DE TUDO SOBRE O SEU PASSADO. VOU LHE ENTREGAR À POLÍCIA. No papel do bilhete havia o brasão da Universidade, então aquilo só poderia vir de um dos seus alunos. Mas ele não ficou preocupado. 'Amanhã eu descubro quem foi', pensou ele ao dirigir-se para o campus. O dia passou sem nenhuma novidade. 26 de outubro de 1991 Sábado Finalmente tinha chegado o dia. Cathy estava nervosa. Se alguma coisa desse errado, ela poderia morrer. Mulder estava tranqüilo. Ele sabia que tudo ia sair como eles haviam planejado. 10:13pm Cathy estava em seu dormitório. Não tinha muita gente no campus, pois nos fins de semana a maioria dos estudantes costumava ir para Nova York. Na verdade, aquele lugar nunca tinha ficado tão vazio e frio. Ela estava na janela, olhando para a escuridão que a noite proporciona, quando bateram na porta. Ela foi atender. Era Stephen. "Tenho novidades", disse ele. "O professor vai antecipar a aula. Vai ser hoje à meia noite". "Porque isso? Porque não deixar para as duas e meia?". "Não sei. E isso não importa. Se ele não pode ficar até mais tarde, tudo bem". Ele percebeu o medo dela. "Você não está com medo, não é?". "Não. Só estou ansiosa". "Bom, tenho que voltar e me preparar. Quer que eu passe aqui para te buscar?". "Não precisa". "Já que você acha isso...". Ele a beijou e foi embora. Cathy tentou ligar para Mulder, mas o celular dele estava desligado. Tentou falar com o vice-reitor, mas não conseguiu encontra- lo. Ela foi até a sua sala, mas ela estava fechada. Cathy não tinha como avisar a ninguém da mudança de horário. Mas pelo menos ela estava com a mini câmera que Mulder tinha colocado no casaco dela. Se ela aparecesse morta, pelo menos eles teriam alguma prova contra o assassino de sua amiga Kayleigh. 11:53pm Cathy saiu do seu dormitório e foi em direção ao local combinado. Ela não encontrou ninguém nos corredores. Parecia que todos tinham ido embora. No caminho, ela encontrou Stephen. Ele estava entusiasmado. "Vamos logo, não quero chegar atrasado". "Pode ir na frente, se quiser". Ele parou. Percebeu que estava preocupada. "Meu amor", disse ele, "nada vai acontecer, não precisa ficar desse jeito". "Como você pode estar tão certo disso?". "Você não confia no professor Bowman?". "A esta altura, eu não confio mais em ninguém...". Ele olhou para ela, decepcionado. "Nem em mim?". Ela apenas olhou para ele e sorriu. "Você tem razão. Vamos logo. Não queremos deixar os outros esperando, não é?". Quando eles chegaram, todos já estavam lá. "Bom, meus alunos, vamos começar", disse o professor Bowman. "Fechem os olhos". Cathy fechou os olhos. Já não ouvia nada mais o que o professor falava. Ela começou a rezar e a única coisa que ela pedia era que os agentes do FBI chegassem a tempo de salva-la. Ela não foi hipnotizada. Nem Arthur. Passados alguns minutos, ela ouviu a voz do professor dizendo: "agora que vocês estão hipnotizados, eu quero saber quem foi que me mandou aquele bilhete me ameaçando. Alguém sabe quem foi?". Silêncio. "Então, ninguém vai dizer nada?". A única coisa que eles escutavam era a voz da noite, e o vento frio que soprava pelos galhos das árvores. Cathy estava com medo que ele descobrisse que ela não estava sob o controle hipnótico. 12:15am Mulder foi até o dormitório de Cathy com o vice-reitor. Ao chegarem lá, bateram na porta, mas ninguém atendeu. Ele viu que um pedaço de papel estava no chão, embaixo da porta. Ele pegou e leu. Era um bilhete de Cathy. "Não pode ser!", disse ele. "O que foi?". "Vamos correr. Temos que antecipar nossos planos". Enquanto isso, o professor Bowman ainda estava tentando saber quem tinha sido o autor daquele bilhete. "Bom, já que nenhum de vocês quer falar quem foi, então, vamos para a aula de psicocinésia". "Senhor, eu fui o autor do bilhete", disse Arthur. Cathy estava com os olhos fechados, mas pôde sentir pelo seu tom de voz que ele não estava com medo. Ela tinha que salva-lo. Não queria que ele morresse. "Muito bem", disse o professor. "Sr. Arthur Lea, queria aproximar-se, por favor". Arthur fez o que ele mandara. "Agora, você vai acordar". E o rapaz abriu os olhos. "O que foi? O que aconteceu? Eu não lembro de nada", mentiu Arthur. Ele deu uma olhada ao redor. Todos os seus colegas estavam sentados, de olhos fechados. "Sr. Lea, com certeza o senhor se lembra do bilhete que escreveu para mim, me ameaçando". "Bilhete? Eu não lembro. Foi agora?". "Não se faça de desentendido! Eu não estou brincando!". "Mas senhor, eu...". "Garoto não brinque comigo, você não sabe com quem está lidando. Quer saber do que eu sou capaz?". Arthur começou a sentir que estava sufocando. Ele não conseguia respirar. Parecia que alguma coisa o estava asfixiando. Neste momento, Cathy soltou um grito, levantou e correu em direção ao professor. Os dois caíram. "Quer dizer que você não está hipnotizada, mocinha!", disse ele num tom sarcástico. "Só posso fazer uma coisa, então". Os dois se levantaram e Cathy começou a se sentir sufocada. "Vocês dois agora serão colegas... no inferno". Cathy caminhou em direção ao professor e com todas as forças que ainda lhe restavam, começou a bater nele. "Acorde os outros! Acorde!", ela gritava. Ela deu um murro nele, que o fez tropeçar em um galho solto no chão e cair, no mesmo momento em que todos acordavam. Ao ver aquela cena, todos os alunos – exceto Arthur – acharam que ela estava tentando matar o professor e a empurraram. Ela estava cada vez mais sufocada e com aparência cianótica, até que desmaiou. Mulder chegou nesse momento, junto com Diana, que trazia mais agentes do FBI e da polícia local. O professor David Bowman foi preso e levado a julgamento. Cathy foi levada ao hospital a tempo de ser salva da morte. Adam Parker, Kelly Bishop, Arthur Lea e Catherine Dean testemunharam contra o professor, que foi acusado de assassinar doze alunos, seis em 1985 e seis em 1991. Ele foi julgado... e inocentado. Sede do FBI Washington, D.C. 20 de dezembro de 1991 Mulder entrou em seu escritório e encontrou Diana Fowley sentada em sua cadeira. "Bom dia, Diana". "Bom dia, Mulder". Ela estava pensativa. Ele notou. "O que foi? Está querendo me dizer alguma coisa?". "Você me conhece tão bem...". "O que é? Você parece estar tão triste". "Eu tenho duas coisas para falar". "Então fale logo, já estou ficando curioso!", disse ele, abrindo uma pasta que estava em sua mesa e que continha seu mais novo caso. "Bom, você se lembra do nosso primeiro caso nos Arquivos X?". "Como é que eu podia esquecer? O caso Bowman. O que é que tem?". "O julgamento final foi ontem. Ele foi inocentado". Mulder parou de ler e olhou para Diana, com uma expressão de incredulidade. "Como assim foi inocentado? E as provas que reunimos? E as testemunhas?". "Apesar da peculiaridade das mortes, nenhum júri se convenceu que uma pessoa tenha poderes paranormais. Elas continuaram tidas como 'sem explicação'". "E as testemunhas?". "Não sei o que aconteceu, mas todos eles defenderam o professor. A promotoria acabou sem recursos para acusa-lo. Ele foi inocentado por falta de provas". "Como assim? E Cathy Dean, até ela o defendeu?". "Foi". "Não consigo entender. Ela estava tão ávida por justiça. A não ser que...", ele parou de repente. "Que eles estivessem sob algum tipo de hipnose, ou algo parecido. O Sr. Bowman pode tê-los induzido a o defenderem, e...", Mulder continuou falando sobre sua teoria maluca. Os olhos dele brilhavam. Diana olhou para aqueles olhos. Ela logo estaria sentindo falta deles. "Mulder", disse ela, interrompendo o discurso do parceiro. "O que quer que tenha acontecido, nós não estamos mais investigando". "É, mas...", ele olhou para ela e depois desviou o olhar para baixo. "Tudo bem. Você tem razão. Mas qual é a segunda coisa?". "Eu estou indo embora". Mulder olhou para ela, com tristeza. "Nossa, você só me trouxe notícias ruins hoje. Para onde você vai?". "Para a Europa". "Europa? Eu achava que você estava mudando de cidade... Vai fazer o que lá?". "Eu fui designada para trabalhar com terrorismo". "Hã...". Mulder não sabia o que falar. "Vou sentir sua falta". "Eu também", disse ela, aproximando-se e pegando na mão dele. Ele afastou sua mão da dela e disse: "Você é uma ótima parceira, Diana. Acho que nunca vou encontrar alguém que concorde com as minhas teorias malucas, como você fazia". "Só parceira?". "E amiga também". Não era exatamente o que ela queria ouvir, mas teve que se conformar. Ela nunca mais conseguiria reviver os momentos que teve ao lado de Fox Mulder, quando ambos estavam na Academia. Principalmente depois que ele descobrisse a verdade. "E quando você vai embora?". "Hoje mesmo. Pela tarde. Só passei aqui para me despedir". "Porque não me disse antes?". "Não sabia como fazer isso". Os dois ficaram em silêncio por alguns momentos. Diana era a única pessoa em quem Mulder confiava até hoje, apesar de não amá-la mais. "Bom, então... adeus", disse ela. "Adeus", respondeu ele. Ele a ficou observando, enquanto ela ia embora. Ouviu o barulho do elevador chegando e fechando a porta. Agora ele estava sozinho em seu escritório. Mulder começou a pensar em Scully. Ele tinha várias perguntas dentro dele e talvez elas não tivessem respostas. O que mais o intrigava era porque as pessoas – ou seres – que os abduziram apagaram logo as lembranças do relacionamento deles. Porque os dois não podiam ficar juntos? Ele parou de pensar nesse assunto. Estava disposto a esquece- la. Os sonhos tinham desaparecido e ele não estava disposto a sofrer por uma pessoa que nem o conhecia. Ele já tinha decidido esquece- la. Então, porque isso era tão difícil de acontecer? Ele pegou a pasta com os relatórios do seu novo caso e começou a ler. 1992 Scott Blevins, chefe de Mulder, mandou chamá-lo. Tinha uma notícia importante para ele. "Agente Mulder, queira sentar-se", disse ele quando Mulder entrou em sua sala. "Creio que o seu trabalho nos Arquivos X tem sido desgastante, não é mesmo?". "Não tenho do que reclamar, senhor". "Bom, assim mesmo, eu vou designar outro agente para trabalhar com você". "Como?". Aquilo só podia ser piada. Ninguém mais se interessaria pelos Arquivos X, além dele... e Diana. "Desculpe a minha curiosidade, senhor, mas quem vai ser?". "Ela é agente do FBI e ensina em Quantico. O seu nome é Dana Katherine Scully". Mulder não acreditava. Finalmente, eles se conheceriam. Isso o deixou radiante, mas disfarçou bem. "Senhor, só mais uma pergunta". Blevins olhou para Mulder com impaciência. "O que é?". "Porque ela?". Blevins não entendeu aquela pergunta, mas conhecia Mulder o suficiente para saber que ele devia desconfiar de alguma coisa. "Por causa de seus conhecimentos em física e patologia forense". "Achamos que, devido aos aspectos não convencionais dos casos que você investiga, a ajuda de uma médica seria fundamental". "Engraçado, eu acho o contrário". "Se o senhor não quiser, podemos designar outro agente. Eu sei que muitos homens não gostam de trabalhar com mulheres, mas...". "Não, senhor! Eu adoraria trabalhar com essa agente Scully". 'Essa é a única chance de conhecê-la', pensou ele. "Tudo bem, então. Daqui a alguns dias ela entrará em contato com você". "Estarei esperando ansioso", disse Mulder. 'Mais do que você imagina', pensou ele ao se retirar da sala. 06 de março de 1992 Mulder acordou bem disposto. Não acreditava no que tinha acontecido em sua vida nesses últimos meses, nem no quanto ela tinha mudado. E ele não imaginava o quanto ela ainda iria mudar. Mas ele não queria saber o que iria acontecer. O seu destino, por pior que fosse, o reservara pelo menos um momento especial: este que ele estava prestes a vivenciar. Ele levantou mais cedo. Na verdade, quase não tinha conseguido dormir. Arrumou-se e foi trabalhar.E até esqueceu de tomar alguma coisa no café da manhã. Foi um dos poucos dias em que ele não chegou atrasado. Em seu escritório, ele começou a estudar sobre o seu novo caso: uns assassinatos que ocorreram em Oregon, cujas vítimas eram jovens que tinham sido colegas no colegial. O caso era interessante, mas raras eram as vezes em que ele conseguia concentrar-se. Não suportava a espera. Era como se ele estivesse esperando por esse momento por toda a eternidade. A manhã passou e cada minuto o deixava mais ansioso. Ele saiu para almoçar. Na verdade, ele não queria pôr os pés fora do prédio do FBI, pois ela poderia aparecer a qualquer momento. Mas a fome estava demais. Ele não levou meia hora almoçando. Mulder voltou para seu escritório e ficou lá, pensando em qual seria a reação dela ao vê-lo. Será que ela o reconheceria? Ele já não sabia o que esperar dela. Pela tarde, ele estava preparando uns slides sobre o caso quando bateram à sua porta. Finalmente, o tão esperado momento havia chegado. "Não tem ninguém aqui, a não ser os menos procurados pelo FBI", respondeu ele. Ela entrou. O seu anjo, seu destino, sua vida. O presente de Deus para ele tinha acabado de chegar, na forma de uma mulher, inteligente, graciosa, com belos olhos azuis. Ela deu uma olhada no escritório dele. Tinha um poster, com as palavras "Eu Quero Acreditar". Ela queria acreditar que alguém pudesse chamar aquela bagunça de escritório... Ele olhou para ela. Será que ela o reconhecia? Provavelmente não. Ela começou a falar, com a mesma voz suave que ele tinha ouvido em seus sonhos. Ele disfarçou a emoção que sentia. Sabia muito bem por que ela foi designada para trabalhar com ele. Para espioná- lo. Mas como é que ele podia ter o amor de sua vida como inimigo? Mas isso já não importava. Ele não tinha pressa. Ele teria a vida inteira para fazê-la lembrar do que uma vez eles viveram. Agora, ele tinha certeza, o tempo ERA seu aliado. To Be Continued...