Título: Contra Todas Probabilidades Autora: Mônica Almeida e-mail: kikaalmeida@h... Categoria: Shipper Disclaimer: Fox Mulder e Dana Scully pertencem a Chris Carter, 1013 Productions e Fox Network. Sumário: Dana Scully analisa seus sete anos com Mulder e faz uma incrível descoberta. Acordo assustada como se tivesse ouvido um barulho forte. Assustada e suando. Sonhei com Mulder outra vez. Meus sonhos com ele estão ficando cada vez mais reais. As situações são diferentes, mas no final ele sempre me diz que me ama. Eu não deveria me surpreender mais. Isso já virou rotina na minha vida. Olho o despertador na cabeceira da cama. São quase oito horas. Meu Deus, desse jeito vou chegar atrasada no Bureau. Levanto da cama apressada e vou tomar um banho. Durante o banho, Mulder não me sai do pensamento. Meu Deus, onde eu vou parar desse jeito? Eu penso nele todas as horas, todos os minutos, todos os segundos do meu dia. Penso nele de todas as maneiras. De todos os jeitos. De todas as formas. Será que ele pensa em mim também? Será que me ama apenas como a uma amiga? Há muito tempo descobri que não é apenas amizade o que sinto por ele. É algo muito mais forte, muito mais poderoso. Eu tenho que me controlar ao máximo para não demonstrar o que sinto. E o que eu sinto por Mulder é pura e simplesmente amor. Mas não é esse amor tranqüilo que costuma-se ver em comédias românticas. É um amor forte, denso, nascido de lágrimas, decepções, perdas. Mas é também a forma mais pura de amor. Apesar de desejar, eu não exijo nada em troca. Eu quero Mulder de todas as maneiras. Não gostaria que ele fosse apenas meu amigo, mas também meu amante. Contudo eu o amo incondicionalmente. Mesmo que ele me queira apenas como amiga eu vou continuar a amá-lo com todo meu ser. Eu termino o banho e vou preparar meu café. Não sinto fome nenhuma. Sinto uma inquietação crescer dentro de mim. Como eu gostaria de saber o que Mulder sente por mim. Às vezes acho que ele que ele sente por mim o mesmo que eu. De vez em quando o surpreendo me olhando profundamente e, quando vou retribuir o olhar, ele desvia o dele embaraçado. Por que ele brinca tanto comigo? Ele sente ciúmes de mim, eu sei. Ele faz brincadeiras que um amigo comum não faria. Mas ele não é um amigo comum. Eu decido que não vou trabalhar hoje. Pego minha bolsa, meu casaco e desligo o celular. Hoje eu não quero ser perturbada por ninguém. Nem mesmo por Mulder. Hoje eu quero pensar. Pensar em tudo. Pensar em Mulder e no que ele representa para mim e, talvez, descobrir o que eu represento para ele. Eu resolvo caminhar no parque. E no parque eu relembro de vários momentos de nossas vidas nesses sete anos juntos. Eu me lembro a primeira vez que o vi. Foi uma agradável surpresa. Esperava encontrar alguém mais velho, provavelmente com cara de maluco, um ar de Albert Eisntein. No entanto, conheci um homem jovem e vigoroso, com olhar de menino e um sorriso encantador. Apesar de suas teorias loucas e bizarras eu sempre o respeitei. O respeito e a confiança sempre foram a base de nossa relação. Relação? Será que temos uma relação, um relacionamento? Claro que sim. Afinal, a amizade é um tipo de relacionamento. Ele me viu semi-nua poucos dias depois de nos conhecermos. Eu estava assustada com as picadas de mosquito nas minhas costas. Não sabia o que eram. O abraço que dei nele foi de alívio. E com esse abraço eu me senti confortada e, ao mesmo tempo, segura. Eu sempre me senti em segurança ao lado de Mulder. Mesmo em situações extremas, quando, no Ártico, nós nos apontamos nossas armas. E foi lá, naquela base gelada, que meu desejo por ele aflorou pela primeira vez. Quando senti suas mãos quentes em minhas costas, me examinando. Minhas pernas amoleceram com o toque das mãos dele, mas tive que reprimir o que senti. Como sempre reprimi meu desejo e meu amor todas as vezes que ele me abraçou ou tocou em mim. Só uma vez, uma única vez, eu deixei que ele visse o que sinto por ele de verdade. No corredor do edifício dele, quando disse que estava desistindo de tudo e ele me pediu para ficar. Eu não disse nada na hora, mas meu olhar, eu tenho certeza, disse a ele tudo que estava reprimido durante cinco anos. Eu vi o mesmo no olhar dele. Mas aquela maldita abelha atrapalhou tudo. E nós nunca tocamos no assunto. Por que? Será que somos tão tímidos quando se trata de sentimentos? Será que eu sempre esperei um gesto ou uma palavra dele? Ele sempre foi mais caloroso comigo do que eu com ele. Ele chegou a me pedir em casamento. Claro, mais uma das brincadeiras dele. Mas ele disse que me amava. Eu sei que ele estava drogado, sedado. Mas eu olhei nos olhos dele quando ele me disse isso. E eu vi sinceridade neles. Ou quis ver, não sei. Mas fiquei com medo e fugi. E, novamente, ele não mais tocou no assunto. Nós dançamos juntos uma vez. Walking In Memphis. Essa música ficará para sempre na minha memória e no meu coração. Foi o momento mais feliz da minha vida. Estar nos braços dele, dançando num momento de alegria foi uma experiência única. Já estivera nos braços dele outras vezes, mas consolando-o ou sendo consolada por ele. Nunca esquecerei daquele dia, daquele lugar, daquele momento. Por que essa inquietação me persegue? Por que essa sensação de que tenho que dar um passo adiante? Será que ele me ama? Será que preciso fazer alguma coisa? Por que não pergunto a ele? Ou melhor, por que simplesmente não digo que o amo? Ele provavelmente vai responder que me ama também. Eu sinto meu coração esquentar com essa possibilidade. Mulder me ama? Não, não é uma possibilidade. É uma verdade. É uma certeza. Mulder me ama. Eu sinto isso. Ele me ama do mesmo jeito que eu o amo. Quando dou por mim estou em frente do edifício dele. Olho para céu. Meu Deus, está escuro. Já é noite alta. Eu passei o dia inteiro pensando em minha vida com Mulder e não percebi o tempo passar. Eu caminhei por várias ruas de Washington para parar aqui, na casa dele. Eu sigo para o apartamento dele com o coração aos pulos. Não bato à porta. Entro com minha chave. Ele está dormindo no sofá. Parece um garotinho. Meu garotinho. Eu me aproximo dele devagar. Ele acorda e se levanta. Fica de pé em frente a mim. "O que aconteceu, Scully? Eu procurei por você, liguei pra sua casa, pro seu celular, ninguém atendeu. Decidi esperar aqui, pra ver se você me dava alguma notícia e acabei dormindo." Eu toco o rosto dele, a barba por fazer. Ele tem o olhar preocupado. "Eu amo você, Mulder." Eu digo simplesmente. E o abraço. Eu sinto ele soltar a respiração como se ela estivesse presa há muito tempo. Ele me abraça forte. Tão forte que eu fico quase sem ar, mas não me importo. E, no abraço, eu escuto sua voz junto ao meu ouvido. "Também amo você, Scully." Eu sempre fui cética. Ele sempre foi crédulo. Eu sempre quero encontrar uma explicação científica para tudo. Ele não se importa com isso. Nós somos completamente diferentes. Como o sol e a lua. O mar e a terra. Eu tenho os pés no chão. Ele tem a cabeça nas estrelas. Não era para ter acontecido. Mas aconteceu. Nós nos amamos. Contra todas probabilidades. FIM