*************************************** POR TRÁS DO CHEIRO DE SANGUE E MORANGO *************************************** Fanfic de Lucas Zago. lostfox@bol.com.br * NÃO É SHIPPER * (hehe) Sinopse: O que realmente aconteceu quando Mulder disparou aqueles tiros? E quanto a Scully? Como a relação entre ela e Mulder irá ficar? Notas: Bem, essa é uma fanfic baseada na obra-prima da Claudia Modell, "Cheiro de Sangue e Morango", da qual eu particularmente gosto muito e resolvi tentar uma história para o Desafio do site da Kessia me baseando nessa fanfic. Mas devo confessar que a história aqui não chega nem aos pés da original. Eu meio que "reescrevi" "Cheiro de Sangue e Morango", me a prufundando um pouco mais em alguns aspectos e dando novos rumos a alguns acontecimentos. O meu intuito principal era esclarecer (ou *tentar* esclarecer) a razão por que Mulder disparou os 5 tiros. A fanfic está em ponto de vista do Mulder, e já vou avisando que, ao contrário do que MUITOS possam pensar, eu NÃO fiz uma fanfiction shipper, embora tenha relutado muito contra isso hehehe Mas respeitando a Claudia, afinal ela não é shipper, e a história original não é shipper, "continuei" a história de um jeito pertinente. Ah, leia e você vai entender :P Obrigado à Claudia, por ter escrito uma história tão original e única e obrigado a você que vai ler e mandar feedback pra mim :) E obrigado à Kessia por mais um Desafio! E obrigado ao Brasil por ser Penta!! Hehehehehehe Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxx Olhando para trás, no momento em que dei o primeiro tiro, eu juro que não tinha noção do que estava fazendo. O jazz parecia tocar alto na minha mente, me deixando ilúcido para atirar naquela menina tão frágil. Eu a vi, ali, desprotegida, mas algo me fez atirar contra ela, vendo apenas a cara daquele filho da mãe. Desgraçado. E ainda depois disso, Scully havia demonstrado aquele olhar frio, aquele olhar repressor. Foi aí que caí em mim e decidi cavar dentro de mim a razão pela qual o primeiro tiro saiu. Talvez eu saiba... talvez não. O fato é que eu estava cego demais para notar que a minha vontade era, não de matar a criança, mas sim a figura que ela representava para mim. Todo um passado, toda uma busca, toda uma razão... todo um sonho de reencontrá- la, que eu sabia, tinha ido por água abaixo. Eu queria me libertar desse pesadelo, desse fantasma que me assombrava à noite dizendo que eu não era ninguém, apenas um boneco tentando ir contra a maré... Mas, no meu sub-consciente, talvez eu tivesse pensado que a garota era esse fantasma, e talvez matando-o eu estaria automaticamente matando o assassino atrás dela. Eu me senti o pior ser do mundo. Sentir aquele cheiro de sangue e pólvora aguçava ainda mais esse meu repúdio por mim mesmo. Eu sentia culpa e medo... principalmente medo. Medo de ver Scully contra mim, coisa que nunca tivera acontecido antes. Talvez não daquela maneira. Eu sabia que não era vítima, mas precisava de alguém que me apoiasse naquele momento de culpa. Ela era a única a quem recorrer, e aquele olhar me feriu mais que as balas que eu sabia que estavam alojadas dentro de mim. Eu sabia que aquele olhar havia me cortado tão profundamente que a cicatriz pudesse não se formar... Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxx Quando estava no banheiro, queria despejar toda a dor que sentia. Toda a culpa que me corroia. Tudo aquilo que as 5 balas haviam trazido a mim e à menina. Ao expelir a água quente na minha boca, fechei os olhos, imaginando que a menina estava lá na outra sala, ainda, da mesma maneira que estava antes: viva. Mas ao abri-los, já não podia alimentar essa ilusão. A lucidez me dizia que eu era culpado, e que era dono de minhas ações. Então por que ela não me disse isso no exato momento em que eu atirei? Por que diabos ela resolveu se afastar de mim, e me fazer um homem insano por alguns segundos apenas, para depois constatar que essa parte lúcida é crucial para mim? Eu não entendo. Realmente não entendo. Não entendo como o cheiro de morango podia ser tão forte quanto o de sangue. Não entendo o cheiro de sangue ser mais forte que o da pólvora... não entendo por que estava prestando atenção a esses detalhes?!? Por que meu olfato estava tão aguçado? Por que meu nariz captava odores tão comuns, mas que de uma maneira tão fugaz passaram a ser tão diferentes? Naquele banheiro, quando ainda sentia o cheiro de vômito impregnado mim mesmo, distingui o morango que se aproximava. Um morango único, que se fez notar quase tão depressa quanto os segundos em eu pude ver os olhos dela pelo espelho. Eu sentia-a ali, chegando aos poucos, e duvidosa quanto a meus sentimentos. Mas no fundo, eu sabia que ela sabia que eu estava sem reação, não por que queria, mas porque não entendia o que se passava tanto dentro de mim quanto exteriormente. Ela me olhou por um instante e saiu. E foi nesse instante que me senti tão vulnerável ao ponto de gritar. Ela caminhou a passos firmes, quando eu gritei: _Espera!! Ela me ouviu, e o barulho dos saltos batendo contra o chão cessou por um instante. Eu caminhei até a porta e observei-a ali, notando que o cheiro de morango estava já impregnado em mim novamente, mas dessa vez me fazia bem. Tão bem quanto me fez naquela sala onde o tiroteio aconteceu. Mas o vacilo dela foi mínimo, quando percebeu que não devia dar ouvido a um fracassado. Ela sabia que eu podia ser inocente, mas não conseguia raciocinar naquele momento. Nossos corações batiam sincronizados, conforme, atônito, eu a via ir-se pelo corredor até o elevador, me deixando dopado naquele estado. Totalmente embriagado pelo cheiro do morango que aos poucos esvaía-se... porém, por mais que eu pudesse sentir esse odor desaparecer, ele nunca desaparecia por completo. Tanto tempo depois , e depois dos telefonemas que eu dei. Da vez em que ela soube que era eu do outro lado da linha... tanto tempo depois, o cheiro ainda está no meu nariz. Está agora, também, dentro de mim. Talvez seja a única razão pela qual eu não consiga esquecê- la. Já tentei apagar tudo, virar essa página, mas Scully é uma lembrança forte demais para ser esquecida. Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxx A confusão de sentimentos no momento dos tiros não me permitiu entender o porquê da minha ação irracional. Há dois motivos possíveis: talvez eu possa ter tentado apagar de vez minha irmã da minha memória, esquecendo que a garotinha, frágil, ali, nas mãos de um ser sem escrúpulos, era de carne e osso, e não um fantasma, como eu pensava... e a outra é que a pressão me fez realmente farto de tudo aquilo. Eu não suportava ver a decepção no rosto e nos olhos, principalmente nos olhos de Scully, cada vez que mais uma menina era encontrada morta. Era demais vê-la perdendo a esperança em mim. Eu quis pôr um basta, e, além de liquidar o assassino, não esperei e acabei tirando a vida da última menina. Mas só agora é que eu percebo por que eu me ative ao tal cheiro de morango naquela ocasião. Durante os meses de busca, já cansado e cheio de tudo aquilo, eu queria mais que tudo que aquele caso acabasse. E talvez por para me distrair, percebi que o cheiro peculiar de Scully era o de morango. Eu sabia que cada um tinha um cheiro diferente. Assim como aquela garotinha cheirava a sangue, mesmo antes de as balas saírem do meu revólver, Scully cheirava morango, muito antes de eu perceber. Talvez fosse o seu novo xampu, ou talvez fosse o perfume... havia algo que eu nunca tinha sequer reparado. Não por deslize, mas por motivos alheios a mim... talvez porque eu nunca havia parado para pensar nisso, em como o seu cheiro era único... e como ela cheirava bem! Durante a investigação, eu percebi esse odor mas nunca tive coragem de perguntar a ela de onde ele provinha. Pois bem, pensando, agora, comigo mesmo, é que eu encontro uma terceira hipótese para o disparo dos 5 tiros. No momento em que vi o assassino ali, fazendo a menina como escudo, eu me lembrei do cheiro de morango de antes. Lembre-me de algo bom para esquecer de tudo, e ao fazer isso, atirei. Sem pensar duas vezes. Distração? Talvez. Mas pode ter sido uma escolha que eu fiz naquele momento. Eu escolhi sentir o cheiro de morango e conscientemente deixei de pensar naquela cena à minha frente, o que me fez atirar sem hesitar. Mas se eu levar essa hipótese em consideração, não sou o único culpado. Então Scully também foi minha cúmplice...? Ela também, de uma maneira ou de outra, estava lá, comigo, no momento exato do disparo? E mais: ela também foi a causa desses mesmos disparos? É tudo muito vago, eu prefiro não pensar muito nisso. Porque sei que, se pensar, enlouqueço. E pra enlouquecer não falta muito.Basta Scully ter me abandonado. Mas eu também a abandonei. Sim, eu abri mão de todos os anos e não insisti em encontrá-la. Estamos quites? Quem sabe, ainda, um dia tiraremos essas dúvidas a limpo, nós dois, cara a cara? Mas o fato é que dói demais pensar que estou sozinho. Não consigo parar de pensar nela. É difícil demais abrir mão de alguém assim, tão importante. Ela ainda está em mim. Na minha mente, no meu corpo, no meu coração, no meu nariz... Xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxx Eu vou até o banheiro para lavar o meu rosto. Apanho a toalha e enxugo minha face, tentando fazer todas as angústias e medos irem embora com a água que se vai. E ao levantar novamente, olho para o espelho e vejo dois olhos me fitando. Seria o fantasma? Não, são olhos serenos e calmos, que me fazem esquecer de tudo e sentir a felicidade que se aproxima. São olhos que, ao virar-me e deparar-me com eles face a face, me fazem perceber que sinto um cheiro diferente... um cheiro de morango. Só de morango. FIM. NOTAS FINAIS: Não ficou tão boa, mas quero saber sua opinião. lostfox@bol.com.br