FAN FICTION Autora : Sky E mail - selmasky@ig.com.br Disclaimer : Blá,blá,blá. Não os quero para mim, sei que já têm dono, infelizmente. Isso é apenas para distrair os fãs e ter alguma coisa pra fazer enquanto os sádicos da Fox, liberam a oitava temporada. Spoiler : Piloto Observações : Se quiserem mandar feedback, ficarei feliz. Scully abriu lentamente a porta de seu apartamento. Não estava exatamente acostumada a tanta agitação em tão pouco tempo. Em alguns dias tinha presenciado coisas que nunca imaginou. Situações que punham a prova sua fé inabalável na ciência. Sabia que deveria haver uma explicação razoável para tudo o que viu, mas não podia deixar de sentir um certo desconforto por não conseguir ver as respostas de imediato. Acreditou que, por maiores que houvessem sido seus esforços em aprender, havia muita coisa que ainda precisava conhecer e estudar. Tomou um banho quente, deitou-se cedo, mas não conseguiu dormir. Não eram só os fatos inusitados que presenciara que a perturbavam. Na verdade, a imagem mais perturbadora não era o corpo que ela examinara, nem os estranhos fenômenos que presenciara, tampouco a conversa reticente daqueles que a haviam designado para os Arquivos X. A personalidade do homem sério e irônico, estranho e envolvente, que agora seria seu parceiro, era o mais intrigante na mudança que sua vida estava por sofrer. Era um belo homem, não podia negar. Ainda mais para ela que estava sozinha há algum tempo. Não era exatamente grosseiro, mas o ar desdenhoso e superior com que ele havia se dirigido a ela no escritório, não lhe agradara a princípio. Mas havia algo de cativante no jeito como ele se expressava. Talvez a ingênua credulidade que ele demonstrava por fenômenos paranormais, vida extraterrestre, coisas que certamente povoariam a mente de crianças sonhadoras, mas que seriam impossíveis de se imaginar num homem de quase 1,90 de altura. Mas seus olhos eram tão sonhadores como os de um menino, assim como o sorriso cândido e o entusiasmo contagiante. Ela não pode deixar de sorrir. Ele era estranho com suas teorias bizarras, mas algo dentro dela a levara a confiar naquele sujeito. Não sabia exatamente porque saíra correndo até o quarto dele para lhe mostrar aquelas marcas. Não era só medo, provavelmente teria agido mais friamente se estivesse sozinha. Mas, mesmo não acreditando no que ele dizia, sabia que se sentiria segura com a opinião dele e foi o que aconteceu. Não pensou nem por um momento em que estaria ficando quase nua na frente dele, não até a hora que teve que tirar o roupão. Mas, ao contrário, do que imaginava, ele não foi irônico, nem fez qualquer comentário , apenas a tocou com muito cuidado e a tranqüilizou dizendo que eram picadas de mosquito. Ele foi gentil e pareceu surpreso com o abraço que ela lhe deu. Mas ela não se arrependeu de ter ido até lá, talvez a demonstração de confiança que ela dera, servira para que ele também se abrisse, contasse uma estória meio sem sentido, talvez nascida da necessidade de encontrar uma explicação para o desaparecimento da irmã. Aquela confissão deixou-a tocada, sem perceber, se pegou querendo ajudá-lo. Deitada na cama, já passava das 11 horas e ela não conseguia parar de pensar. Quais as mudanças que sua vida sofreria ao acompanhar aquele homem ? Seria capaz de conquistar-lhe a confiança ? Poderia desbancar o trabalho dele, sem feri-lo irremediavelmente ? Tinha um compromisso com o FBI e com os homens que a designaram para aquele trabalho. Mas tinha uma certeza, seu compromisso sempre fora com a ciência e a verdade, deixara a medicina por achar que seria mais útil às pessoas no FBI, bom, havia outros motivos para abandonar a profissão, mas isso agora não era mais tão importante. O telefone tocou e ela instintivamente já sabia quem era. Ele dizia que estavam abafando o caso, enterrando provas, queria conversar. Ela disse que o encontraria no trabalho e recolocou o fone no gancho. Ficou pensativa por alguns minutos e, finalmente conseguiu sorrir. O elo havia sido estabelecido, ele a aceitara como parceira, e , mesmo sem entender o porquê, sentiu-se feliz por ele permitir que ela penetrasse seu mundo e caminhasse com ele. Fechou os olhos e adormeceu quase imediatamente. Mulder chegou espalhando mala, blazer, chaves, despindo-se da camisa e buscando algo para beber na geladeira. Sentou-se no sofá e deixou os pensamentos fluírem. Agora as coisas estavam começando a andar. Nunca estivera tão perto das respostas que buscara. Esmurrou o braço do sofá ao lembrar que estavam escondendo tudo. Mas havia uma esperança, se eles se haviam preocupado em esconder os fatos, era porque ele chegara perto da verdade. Estava excitado, haveria de continuar investigando, agora com mais determinação. O peso da culpa pelo desaparecimento da irmã o estava sufocando, era preciso fazer algo por ela, algo que ele não havia sido capaz de fazer quando ela fora levada. Seus pensamentos voaram para a figura da mulher designada para ajudá-lo, ou melhor, para espioná-lo em seu trabalho. Esperava uma pessoa diferente, arrogante e enfadonha. Mas ela não era assim. Sentiu-se atraído por sua constituição miúda e delicada, parecia tão indefesa. Mas sua fragilidade acabava aí, tinha que admitir que ela tinha uma inteligência brilhante que não se resumia ao estudo teórico. Ela era capaz de fazer conexões, tirar conclusões. Infelizmente era absolutamente céptica. Ele riu, chegava a ser ingênua em suas colocações. Confiava tanta em sua ciência, mas correra amedrontada para mostrar-lhe as marcas do corpo. Onde a frieza e lucidez que ela alardeava ? Se tinha tanta certeza da explicação racional para aquele caso, porque viera pedir-lhe para analisar os sinais ? Gostara que ela o encarasse de frente, que não temesse discutir com ele sobre suas teorias, ao contrário, procurava uma justificativa lógica para tudo. Vê- la semi despida em sua frente causou-lhe surpresa e calor. Ela parecia não perceber o quanto era atraente , tanto quando discutia com ele, como quando desnudava o corpo pequeno e harmonioso. Queria, precisava confiar em alguém, seguir sozinho por esse caminho seria impossível. Mas não havia sido só a necessidade de confiar que o levara a contar-lhe algo que guardava como cuidado. Pareceu natural partilhar com ela as descobertas que fizera sobre o desaparecimento da irmã, quando se deu conta, estava se abrindo, falando de seus receios e sentiu-se confortável ali. De repente sentiu-se sozinho, queria conversar com alguém. A única pessoa que lhe veio a mente foi a incrédula e pequena mulher que, daqui para frente, seria sua parceira. Estendeu automaticamente a mão para o telefone e pensou que talvez ela estivesse esperando aquela ligação tal a rapidez com que atendeu. Mas deveria ser delírio de sua mente, apenas sentiu- se bem falando com ela, viu-se querendo que a noite passasse logo para encontrá-la no escritório e ouvir suas conclusões lógicas. Haviam criado um elo e, contra todas as probabilidades, ele pegou-se desejando fortalecê-lo. Deitou-se no sofá e, finalmente, adormeceu. FIM