Pas Seulement AUTORA: Kessia Nina E-MAIL: shipperx@gmx.net SPOILERS: Beyond the sea, alusões a acontecimentos de Closure e Requiem!!!!! Se você não sabe o que aconteceu em Requiem, NÃO LEIA!!! CATEGORIA: MSR FEEDBACK: Sempre bem-vindo! E como eu digo, o salário de todo escritor de fanfic!!! NOTA DA AUTORA: Todas as minhas histórias estão no meu site: http://go.to/shipperx/ Bom, praticamente todas as histórias que eu li pós-Requiem colocaram a Scully numa posição terrível pela abdução do Mulder. Eu já acho que ela vai continuar numa busca pelo parceiro, mas ela não vai estar sozinha. Ela tem agora uma criança para cuidar e querendo ou não, ela não pode fazer o que fazia antes. Não sem colocar o filho em risco de vida. Assim, nessa história pode parecer que eu coloquei a Scully meio fria em toda a situação, mas eu acho que ela vai ser o mais racional possível. Do mesmo modo como as situações aqui foram criadas por mim, algumas cenas realmente não foram ao ar, óbvio, mas "eu quero acreditar" que eles a fizeram! Mais uma vez, obrigada à Cla! Sem a qual esta história não seria possível! E também obrigada a AleXandra Morgilli por fazer com que suas palavras me emocionassem e me inspirassem a escrever esta história, mesmo sabendo que ela não vai ler agora! DISCLAIMER: Não são meus. Eu nunca teria abduzido o Mulder!!!! O dia continuava a amanhecer e a noite continuava a chegar. Todos os dias continuavam do mesmo modo que antes para todos no mundo inteiro, menos para Dana Scully. Todos os dias ela acordava ainda esperando que tudo não tivesse passado de um sonho. Um pesadelo sem fim. Mas no mesmo segundo que abria os olhos, sabia que tudo era real. Que realmente tudo estava acontecendo e que ela estava sozinha agora. Não. Não estava sozinha. Tinha a companhia do seu filho. Do fruto do seu amor com o homem que se tornara uma parte dela. A parte mais importante dela. De fato, não estava sozinha. Mulder sempre foi a sua fortaleza. Mais do que ela para ele. Durante todos os anos, ele foi o mesmo, mas ela mudou. E muito. A convivência com o parceiro a fez mudar. Somente ele foi capaz de fazer isso acontecer. Dana Scully não é mulher de mudar de opinião tão facilmente. Precisava do parceiro mais do que qualquer coisa no mundo agora. Sua constante universal não mais estava presente e ela se sentia perdida. Não deveria se sentir assim, no entanto. O egoísmo não era mais uma opção. Ela tinha o seu filho no ventre para criar, com ou sem Mulder. Alguns meses já haviam passado e ela já sabia que teria uma menina. Sorriu quando ouviu e viu pelo monitor pela segunda vez, agora com menos choque, o coração batendo rapidamente da filha. Novamente chorou. Não gostava de como se sentia fraca e sensível durante esses primeiros meses de gravidez, mas sabia ser natural. Só esperava que tudo passasse e ela voltasse a ser a pessoa forte que conseguiu se tornar o que era de mais importante na vida de Fox Mulder. Três meses da sua abdução já haviam passado e agora ela já estava mais consciente de que talvez nunca mais visse o parceiro. Continuava mantendo o apartamento dele para o caso de voltar, mas sua esperança não era grande. Deixou de ser mais egoísta quando finalmente percebeu que não estava sozinha e que não poderia ir atrás de Mulder como antes. Agora não estava mais sozinha. Todas as semanas encontrava-se com sua mãe para comprar roupas para o bebê e montar um quarto que atendesse às suas necessidades. Tiraria os meses de licença maternidade no FBI e também férias para passar o máximo de tempo com sua filha que pudesse. Estaria criando-a sozinha e precisaria de bastante tempo. Alguns homens a cortejavam no Bureau, mas ela acreditava ser por pena. A barriga estava enorme e também algumas pessoas comentavam que ela não era mais a pessoa amigável que era antes. Mas não era mais a mesma pessoa. Não podia mais ser a mesma pessoa. Havia sido praticamente abandonada pelo parceiro. Afinal, ele fora para o local por vontade própria mesmo ela pedindo para que não fosse. No entanto, dizendo pensar nela, ele se dirigiu ao local para ser levado. O fantasma de Mulder agora a irritava. Pensava ser a gravidez, mas no fundo estava cansada de pensar no parceiro. Precisava se dedicar à sua nova vida. Não podia viver no passado. Sempre fora fria o suficiente para passar por uma situação dessas e não seria agora que não seria. Precisava da sua frieza novamente para continuar vivendo. Sentia que não mais encontraria Mulder em sua vida e precisava deixá-lo ir embora de onde quer que ele estivesse. Precisava libertá-lo e também libertar-se do fantasma que seu parceiro se tornara. Tinha uma filha para pensar agora. Adormeceu no sofá de sua casa às sete da noite. Espantava-se como conseguia agora dormir tão cedo e a noite toda. Mas sempre se repreendia quando ao acordar sentia falta de uma ligação no meio da noite para investigar um caso de uma possível aparição alienígena do outro lado do país. Mas também sorria ao lembrar-se da única noite, logo após "perderem" os arquivos X, em que a ligação de madrugada foi para levá-la ao píer para ver a lua cheia que brilhava intensamente no céu azul aveludado. Abriu os olhos e deixou cair as lágrimas que haviam se formado. Ao recuperar o foco, antes embaçado pelas lágrimas, viu Mulder sentado no poltrona. No mesmo local onde seu pai aparecera quando falecera. No mesmo momento teve certeza que não mais veria o parceiro. Ele estava morto. Tinha certeza. Da mesma forma como seu pai, Mulder falava alguma coisa com os lábios que ela não sabia definir. Até que saiu um som. "Eu sempre te amei, Scully. E sempre vou te amar." Scully sorriu ao lembrar-se que mesmo depois de juntos, eles continuavam a se chamar pelo sobrenome. Ele continuava ali, mas não havia mais som. Scully se aproximou, beijou seu rosto e disse simplesmente. "Eu também, Mulder. Eu também te amo. Agora vá." Ela voltou andando de costas para o sofá onde estava deitada antes e viu seu parceiro, amigo, amante e pai da sua filha ir embora para sempre. A solidão foi o primeiro sentimento que sentiu, mas ao colocar sua mão na enorme barriga que agora fazia parte do seu ser, viu que definitivamente não estava mais sozinha. Epílogo Ao acordar, Scully checou a sua secretária eletrônica e viu um bilhete anotado no seu bloco de notas. "Scully, Me desculpe por tudo o que eu te fiz passar nesses últimos meses. Eu não tinha idéia do que aconteceria com os abduzidos. Eu sei que isso não mais importa agora, mas eu precisava te falar e escolhi esse momento porque vi que você estava preparada para me ver. Que você acreditaria que era eu ali naquele sofá. E também escolhi aparecer ali porque você se lembraria do seu pai e saberia que eu realmente não estava mais no seu mundo. Eu estou bem. Não se preocupe. Deixe que somente eu me preocupe por você e pela nossa filha. Eu sei que ela está bem e que vai ser uma ótima menina. Quero que saiba que eu não escolhi mesmo estar aqui, mas aconteceu. Eu sempre te amei e vou te amar até que nós nos encontremos aqui. Você ainda demorará anos para me ver, mas para mim vai ser como se somente alguns dias ou até minutos nos tivessem separado. Eu te amo, Mulder." Scully encostou a carta ao peito e sentiu-se livre, mas sabendo que Mulder estaria com ele para sempre, na forma de sua filha. Ligou o som e dançou, massageando a sua barriga, a música. You Belong to Me See the pyramids along the Nile Watch the sunrise on a tropic isle Just remember, darling all the while You belong to me See the market place in old Algiers Send me photographs and souvenirs Just remember when a dream appears You belong to me I'll be so lonesome without you Maybe you'll be lonesome too And blue Fly the ocean in a silver plane See the jungle when it's wet with rain Just remember 'til you're home again You belong to me Maybe you'll be lonesome too And blue ------ Fim ----------- Gente, eu não sei se isso já aconteceu com alguém, mas essa é a primeira vez que eu escrevo uma fic que realmente me emocionou. Eu tenho certeza que não consegui passar para o papel tudo o que tinha na minha cabeça, porque realmente era muita coisa emocionante que palavras realmente não conseguem expressar, mas espero que eu tenha conseguido emocioná-los pelo menos um pouquinho. Essa é a minha quarta tentativa para escrever uma fic pós-Requiem. Realmente eu estava tendo muita dificuldade. Pas Seulement significa "not alone" ("não estar sozinho") em francês. A música You belong to me é do Pee Wee King, Redd Steward, Shilton Price e está na trilha sonora da série Ally McBeal. Me digam o que acharam, por favor! Mandem seus comentários para shipperx@gmx.net