Título: OUTRA VEZ Autora: (e.mail): Telma Messias - telmamessias@terra.com.br ou telmamessias@uol.com.br - Feeds são bem vindos! Página: www.ficstelma.com Classificação: Shipper Spoilers: nenhum Sinopse: Scully vivencia novamente a mesma situação de perigo ocorrida tempos atrás. Disclaimer: Esta ficção foi criada tão somente para o entretenimento dos fãs da série Arquivo X - não há nenhum pagamento ou remuneração pela fanfic. Os personagens são de propriedade de seus criadores e da Fox. Notas: Esta fanfic foi baseada na inspiradora fanfic "Vá Sem Mim" da autora Sunny. Alguns trechos são originais. Agradecimentos: À Sunny, que, além de ter escrito a fanfic inspiradora, betou e autorizou a publicação desta homenagem. OUTRA VEZ Outra vez, a mesma situação. O ambiente parecia mais frio e escuro do que de costume. Scully subiu as escadas, seguindo o rastro de sangue no chão. Seu coração estava cada vez mais apertado e quase parou quando ela viu Mulder caído em frente à porta de número 42, tentando recarregar sua arma sem êxito. Uma névoa clara pareceu circundá-los a partir de então. Mesmo assim, ela distinguia perfeitamente as feições de Mulder e sua expressão de dor. --- Oh, meu Deus! Eu vou te tirar daqui! Scully tentou desesperadamente puxá-lo para dentro do apartamento. Mas o peso do parceiro, quase desacordado, era demais para ela. Nada parecia ajudar, nem mesmo Mulder. --- Mulder, vem! --- Não! - Respondia com as forças que tinha, tentando se desvencilhar dela. - Me deixa aqui! Esconda-se! --- Não vou te deixar aqui! Não importa o que você faça! Os dois perceberam que alguém subia pelo elevador. O frio aumentava. O tempo se esgotava. --- Scully, vá sem mim! --- Não, vem comigo! Por várias vezes, Mulder insistiu que ela fugisse, que se salvasse, pois era inútil tentar tirá-lo dali tão rápido quanto precisavam. Para desespero de Scully, Mulder passou a resistir mais, recusando sua ajuda com veemência. Scully chegou a pensar que talvez fosse mais inteligente pedir ajuda, mas isso significava assumir o risco de deixá- lo, e a idéia logo se tornava inconcebível. Os sentimentos se tornaram mais confusos quando ele apontou a arma para ela. Mas ela não temeu nenhum segundo. --- Vai, sai daqui! Com certeza Scully trocaria sua vida pela dele. Mas também sabia que era importante deixar que ele fizesse a escolha, saber que a protegeu naquele momento. Mulder sempre se culpara pela sua abdução e tudo o que acontecera de ruim na vida dela. O que ele não entendia, era que Scully nunca o responsabilizara. --- Se você não for embora, eu atiro! Ela deu alguns passos para trás, devagar, voltando a considerar uma saída estratégica para pedir ajuda, tentando respeitar a escolha do parceiro, mas parou no meio do caminho. --- Scully! Eu vou atirar! Decidida, ela correu de volta até ele, abaixando-se e examinando o ferimento. --- Eu não vou deixar você aqui sozinho, Mulder. --- Scully, não... - Lamentou num sussurro, baixando a arma sem balas, derrotado. - Eu imploro, vá! Sem responder, nem dar atenção à suplica dele, ela sacou a arma, apontando-a para o elevador, esperando que a porta se abrisse. Sem outra alternativa, Mulder tateou no chão, mesmo debilitado, à procura de sua arma também e, num segundo, encaixou o pente de balas, tarefa quase impossível segundos antes. Mas por Scully ele fazia o impossível. E não foi diferente do que eles já esperavam. Assim que a porta se abriu, o Caçador de Recompensas surgiu, caminhando a passos largos, sem hesitar, implacável. Os dois se puseram a atirar, tentando acertá-lo na nuca, e o sangue tóxico do alienígena escorreu pelo seu corpo, surtindo efeito rapidamente. Com os olhos irritados, os agentes já não enxergavam mais o alvo, mas continuaram atirando. Mais ferido do que gostaria, o Caçador sacou a sua arma. Tinha ordens para levar Mulder vivo, se possível. Mas, se não atirasse logo, os dois acabariam por acertá-lo fatalmente. Com a frieza de quem atira em um alvo de papelão, o Caçador disparou a arma, atingindo Mulder, que tombou com a cabeça no colo de Scully. --- Mulder... Meu Deus! Não!!! - O grito dela ecoou por todos os lados. A névoa agora quase cobria tudo ao redor, e Scully viu o Caçador apontar a arma para ela, apertando o gatinho. --- Scully! Scully, acorda! --- Não! - Gritava ela em prantos, com os olhos ainda fechados. --- Scully! - Mulder a sacudiu gentilmente mais uma vez, e ela finalmente abriu os olhos. --- Oh, meu Deus! - Sibilou, ainda assustada. Mas o alívio de perceber que era um sonho já se tornava visível. --- Você teve um pesadelo, fique calma. Você está gelada... Mulder se mexeu na cama, alcançando o cobertor para agasalhá- la. --- Obrigada. --- Eu vou buscar um copo d'água para você... --- Não, Mulder. Fique aqui. Ele se deitou novamente ao seu lado, abraçando-a. --- Você teve aquele sonho outra vez? --- Eu não consigo entender... - Disse, passando as mãos no rosto. --- Mas eu já disse, Scully... Pare de se culpar por ter me deixado aquele dia. Era o certo a fazer. O sonho mostra o que teria acontecido. --- Mulder, você é psicólogo. Sabe que esse sonho é apenas uma forma de me retratar, tentando me fazer acreditar que eu fiz o certo. Mas eu nunca iria me perdoar se não conseguisse buscar você, se você não estivesse aqui, comigo. Eu não sei porque tomei aquela atitude. Mulder fez com que ela descansasse a cabeça no travesseiro, acariciando seu rosto com ternura. --- Normalmente, sei que você não faria aquilo, mas fez. E, ainda assim você tem dúvidas de que algo maior governou seus atos, para que você se salvasse e pudesse me salvar depois? Ela o abraçou, demonstrando não entender os fatos, mas aceitando-os. Afinal, a vida dela estava cheia de mistérios desde que o conhecera. --- Acabou, Scully. Já se passaram dois anos, e eu estou aqui com você. Nunca vou te deixar. Eles continuaram abraçados, esperando que o sono viesse. --- Mulder? --- Hum?... --- Aquela arma estava sem balas, não estava? --- Lógico. F I M