Abril/2001 Disclaimer: - Não há nenhum pagamento ou remuneração pela fanfic. Os personagens são de propriedade de seus criadores e da Fox. Mande seu Feedback para mim! ? telma04@terra.com.br Spoilers: "Como os Fantasmas Estragaram o Natal." Estrelando: DAVID DUCHOVNY como Agente Especial Fox Mulder GILLIAN ANDERSON como Agente Especial Dana Scully Sinopse: Esta fic é uma continuação do Episódio " Como os Fantasmas que estragaram o Natal" (How The Gosts Stole Christmans) Da Sexta Temporada. Massss, ela se passa na nona temporada, Muito tempo se passou, mas Mulder resolve voltar à velha casa mal assombrada. OS FANTASMAS NÃO ASSUSTAM MAIS Mulder havia marcado com Scully, pedindo para que encontrasse alguém para ficar com William e passou em sua casa para buscá-la. Após uma rápida conversa, onde ela explicou que o bebê estaria em boas mãos (Doggett), Mulder lançou-lhe aquele olhar repleto de mistério que ela tanto conhecia. --- Vamos nos divertir um pouco, então. Scully ajustou o cinto, levantando uma sobrancelha ao olhar para ele. Mulder tinha um conceito muito particular de diversão. Scully encostou a cabeça no banco e suspirou, antes de responder mentalmente a pergunta que sempre fazia a si mesma quando aceitava acompanhá-lo em certas ocasiões: Por que desperdiçar tempo? Talvez ela tivesse ficado igual a ele com o passar dos anos. Com um conceito de diversão fora do normal. Talvez quisesse a sua companhia, em qualquer situação. Algum lugar em Maryland 9:41 PM A casa em estilo gótico estava totalmente escura e parecia ainda mais assustadora do que da outra vez que Mulder e Scully estiveram lá, no natal de 1998. Scully sentiu um arrepio percorrer a espinha ao descer do carro e caminhar pelo jardim. --- Mulder, o que o faz pensar que vamos encontrar alguma coisa aqui? --- Você acha que não aconteceu nada naquele Natal, não é Scully? Ela parou em frente à porta, voltando-se para ele. --- Sinceramente não, Mulder. Ele permaneceu impassível, com um brilho de desafio no olhar que Scully já bem conhecia. --- Acha que foi um sonho? --- Uma alucinação, talvez. --- Provocada pelo quê? --- Talvez por um medo irracional de minha parte e de sua ansiedade teimosa em encontrar o sobrenatural, Mulder. Você, como psicólogo, sabe que a mente humana nos prega peças. --- E… nós tivemos exatamente a mesma alucinação e vimos o mesmo casal de velhinhos? Ela suspirou, derrotada. --- Ok. Eu não sei explicar, e não sei o que aconteceu. Mas... supondo que você tenha razão e que essa casa seja mal assombrada. Eles só aparecem no Natal, Mulder. O que você quer aqui hoje? --- Realmente, o Natal está longe, mas algumas testemunhas têm visto luzes e gritos dentro da casa nos últimos dias. Eu chequei e descobri que o aniversário de casamento de Maurice e Lyda é amanhã. --- Testemunhas, Mulder? --- Alguns garotos que moram nesta rua. --- Ah, entendo… crianças… --- Se não acredita, Scully, não há o que temer. – Disse, abrindo a porta. – Hoje não é Natal. Scully suspirou e cruzou o portal, ligando a lanterna. --- Pó que não dá uma olhada lá em cima, Scully? --- Está bem... – Ao perceber o olhar de vitória do parceiro, acrescentou: - acho mais fácil encontrar um vivo… --- Como preferir. Scully deu de ombros e subiu as escadas. Praguejou por não ter passado em uma delicatessen e comprado um sanduíche para matar a fome. Mulder percorreu a sala com a lanterna, satisfeito. Na mesa de jantar havia uma toalha branca e limpa. As velas estavam novas e Mulder se apressou em acendê-las. Escondidas em uma das cadeiras havia duas sacolas. Mulder arrumou os pratos e talheres com uma certa falta de prática. Em seguida, colocou o jantar, encomendado na mesa e abriu uma garrafa de vinho. A noite seria perfeita. Scully percorreu os quartos sem encontrar sinal de vida. Uma corrente de ar gelada a atingiu e ela assustou-se. Depois se sentiu ridícula ao constatar que o vidro de uma das janelas estava quebrado. Respirou fundo, lembrando- se da noite de Natal em que estivera lá. Aquela alucinação, ou o que quer que fosse, quase provocou uma tragédia. Tudo parecia perdido, até que Mulder percebeu que nada era real. Ela se recordava de cada palavra que ouvira, a feição dos rostos daquele casal idoso. Era como se ainda pudesse senti-los em cada móvel da casa, querendo colocá-la contra Mulder. --- Scully? O susto só não foi maior porque ela reconheceu a voz de Mulder de imediato. --- Desculpe se assustei você… er... alguma coisa por aqui, Scully? --- Claro que não, Mulder. – disse, com um ar enfadado. --- Então vamos descer, talvez eles apareçam para jantar conosco. Scully desceu as escadas, agradecendo mentalmente por Mulder ter lembrado de comprar alguma coisa. A palavra jantar não era apropriada, mas seria indelicado dizer isso a ele. Concluiu, rindo-se consigo mesma. Ao ver a mesa, Scully parou com uma expressão surpresa, quase assustada. --- Não foram os fantasmas, fui eu mesmo. – brincou Mulder, puxando a cadeira para ela. --- Isso me surpreende mais. – Respondeu em tom gentil, correspondendo o sorriso e sentando-se à mesa. – Humm, parece bom. O que é? --- Filé com especiarias, não sei pronunciar o nome do prato em francês. – Respondeu Mulder, servindo as taças com vinho. – Vamos fazer um brinde? Scully ergueu a taça e os dois fitaram-se mutuamente por alguns instantes. --- A que vamos brindar? – Perguntou Scully, quebrando o silêncio. --- A nós… William, eu e você. Sorrindo, eles brindaram e provaram a refeição. Alguns minutos se passaram até Scully tocar no assunto. --- O jantar está ótimo... --- Que bom que gostou, Scully. --- Er… Mulder? --- Você quer saber: Por que aqui? Não é, Scully? --- Sim. Bem, acho que já sei a resposta... – Um sorrisinho maroto surgiu nos lábios dela. --- Vá em frente, Scully. Você sempre me respeitou, mas isso já é demais para você. Pode falar. – Disse, Mulder, desafiando-a em um tom de zombaria. --- Você sempre honrou o apelido que ganhou no FBI, Spooky Mulder. Mulder riu, gesto raro nos últimos meses. --- Deve ter sido difícil me agüentar por quase dez anos, não foi Scully? --- Não, Mulder. Eu também não sou uma pessoa fácil. – Disse, expressando com os olhos o quanto valeu a pena terem se conhecido. – Bem, mas, voltando ao assunto... Ninguém ouviu gritos aqui, não é? --- Não, ninguém ouviu. --- Então, por quê? --- Eu queria me lembrar do natal que passamos aqui juntos, Scully. Eu atrapalhei os seus planos de uma ceia de Natal com a sua família para que você viesse aqui comigo. Na verdade, era só um pretexto. Eu tinha tudo planejado… mas aqueles fantasmas estragaram o natal. --- Mulder, você está dizendo que… --- Eu não acreditava, Scully. Talvez pela segunda ou terceira vez em anos, eu não acreditava que haveria fantasmas aqui. Imaginei que, o máximo que pudéssemos ouvir, seria passos no andar de cima, portas batendo, talvez. Mas nunca pensei que aqueles fantasmas velhos e malucos iriam farejar nossas fraquezas e inseguranças para nos colocar um contra o outro. Maurice falou da minha solidão e… Realmente eu me sentia muito sozinho naquela noite e queria você comigo. Desculpe o meu egoísmo de tirar você de sua família. --- Não foi egoísmo, Mulder. Ambos sabíamos que o Natal anterior a aquele, em San Diego, foi muito doloroso para mim. E minha família não esqueceu isso. Por mais que todos tentassem respeitar o meu sofrimento e só tocarem e assuntos alegres, todos nós lembraríamos do dia em que encontrei Emily. Seria um Natal triste, onde eu estaria com a minha família por convenção. Mas, o que eu realmente queria era estar com você. Esses… fantasmas, ou seja lá o que for, me fizeram enxergar isso. Mulder admirou a parceira, realmente a mente dela estava mais aberta. Antes ela tinha ele próprio para abrir sua mente, mas o tempo que ficou abduzido serviu para que Scully escutasse seus próprios instintos e se mantivesse aberta, mesmo tentando arrumar uma prova científica por trás de tudo.Talvez Scully fosse a única ali que conseguisse levar os Arquivos X sozinha. Ela tinha os dois pólos agora. Sabia acreditar, sem deixar de se empenhar em explicar. Ela era o equilíbrio entre ele, Doggett e Monica Reyes. --- Os fantasmas nos fizeram enxergar coisas que não tínhamos coragem de admitir, Scully. Mas não eram com boas intenções. Eles fizeram isso porque queriam instigar um a matar o outro. Eles não aceitam a insegurança que tinham em vida. Eles não se conformam com o fato de o medo deles ter sido maior que o amor. --- Mulder, você está analisando os mortos como se eles estivessem vivos. --- Sim, e é bem mais fácil do que analisar os vivos, Scully, pois a vida faz com que as pessoas mudem constantemente. Mas uma "alma penada" fica presa, estagnada a algo mal resolvido durante a vida. --- Mulder, Não tem medo de invocá-los falando assim? – Perguntou, sem se importar se o parceiro ia zombar dela. Estava ficando com medo e pouco importava se era um medo racional ou não. --- Eles estão aqui, Scully, mas não podem se manifestar. Eu quero que eles escutem. --- Mulder… --- Eles tentavam nos convencer de que éramos solitários, mas a solidão tem várias facetas, de acordo com o estado de espírito da pessoa. Uma pessoa pode se sentir sozinho no meio de uma multidão ou até dentro de um casamento. Mas o fato de vivermos ou morarmos sós não significa que estamos solitários, como eles tentaram nos fazer acreditar. Nós tínhamos um ao outro. "Nós nos amamos." --- Mulder… --- E é por isso que eu trouxe você aqui hoje, pois eles podem ver o quanto foram fracos no passado e não adianta descontar sua infelicidade em vida em cima dos vivos. --- Mulder… --- O que é, Scully? --- A lareira acendeu sozinha. --- Ah... não. Eu que acendi. O fogo estava fraco e por isso você não percebeu antes. Aliviada, Scully tomou um grande gole de vinho. Uma outra corrente de ar frio atingiu os dois e Mulder a convidou para ficar em frente à lareira depois do jantar. --- Então... – Recomeçou Scully. - Você acha que Maurice e Lyda se mataram por insegurança? --- Acredito que sim. Por isso, até hoje eles não suportam ver um casal em harmonia. Qualquer casal, por isso, tentam provocar a insegurança neles, para instigá-los a se matarem, como eles fizeram. Assim, eles se sentem menos idiotas de terem acabado com a própria vida. Scully ajeitou-se no sofá, ainda intrigada com o frio repentino. --- E o que você quer que eles vejam hoje, Mulder? Mulder, que estava ao seu lado, inclinou-se. --- Não me pergunte uma coisa que você já sabe. Ela riu nervosa. --- Acho que bebi muito vinho. --- Que seja. Mulder aproximou-se mais, colocando os braços ao redor dela. Scully preferia evitar seus olhos, era difícil encará-los. Uma onda de nervosismo e timidez sempre tomava conta de si. Mas depois que sentiu a tristeza de ficar sem ele durante tanto tempo, chegando a cogitar que ele pudesse estar morto, Scully prometera a si mesma que nunca mais fugiria dele, nem se esquivaria de seu olhar por uma inexplicável covardia. Um medo infundado de ser rejeitada. Totalmente infundado, principalmente agora. Ela sabia o que ele sentia. Não precisava ter receio. Amavam-se tão profundamente que sempre souberam. Eles pertenciam um ao outro. Os lábios se tocaram levemente, mas uma trovoada forte a assustou, fazendo olhar para a janela e para os lados, assustada. --- É só uma trovoada, Scully. Antes que ela pudesse se recuperar do susto, ele a beijou novamente e o medo se dissipou. A união que trouxera William à vida foi só o começo. Eles teriam todo o tempo do mundo. Quem sabe a eternidade? O calor do corpo dele sobre o seu a trazia aos dois a sensação mais forte e desejada pelo ser humano: a felicidade. Tudo ao redor perdeu a importância. Fantasmas? Ela nunca acreditou neles. Nada poderia separá-los. Mulder já sabia disso. "Don't ask me Não me pergunte What you know is true O que você sabe que é verdade Don't have to tell you Eu não preciso dizer a você I love your precious heart que eu amo seu coração precioso I... Eu… I was standing Estava de pé You were there Você estava lá Two worlds collided Dois mundos se colidiram And they could never tear us apart E nunca irão nos separar We could live Nós poderíamos viver For a thousand years por mil anos But if I hurt you Se eu machucasse você I'd make wine from your tears faria vinho com suas lágrimas I told you Eu te falei That we could fly Que nós poderíamos voar 'Cause we all have wings Por que todos nós temos asas But some of us don't know why Mas muitos de nós não sabemos por quê I... Eu… I was standing Estava de pé You were there voce estava lá. Two worlds collided Dois mundos se colidiram And they could never ever tear us apart" E nunca irão nos separar" INXS – Never Tear Us Apart. --- Eu disse que dessa vez seria impossível, Lyda. --- Se fosse Natal, conseguiríamos! --- Nem naquele nós conseguimos... por que conseguiríamos agora que eles estão mais... mais... --- Apaixonados? Unidos? Fortes? --- Acho que sim. --- É, Maurice, acho que tem razão. --- É claro que eu tenho razão! Nem a trovoada adiantou dessa vez! Nem o vento frio! Antes qualquer coisa poderia impedir que se entregassem um ao outro. Uma abelha que fosse! --- Eu estou falando que ELE tem razão, Maurice, não você. Bem, você também tem razão. Por que está falando em abelhas? – Perguntou, irritada. --- Droga, não sei, Lyda! Estou com raiva, só isso. --- Idiota. --- Burra! --- Eu nunca iria trai-lo se você fosse para a guerra, Maurice! Você sim! Iria acabar nos braços de uma enfermeirazinha missionária! --- Isso só acontecem nos livros, Lyda! Mas você iria ficar aqui, sozinha, desimpedida! --- Nós nunca pagamos para ver, Maurice. Talvez tivéssemos sido felizes. --- É, Lyda, talvez. Como eles. --- Sim, como eles. FIM Não se esqueçam dos feedbacks... Feedbacks fazem bem a quem manda e a quem recebe Feedbacks fazem bem ao corpo e a alma. (ainda não descobri como fazem bem ao corpo). 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